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Futebol: onde o negro é rei, quem manda é o branco

O maior jogador de todos os tempos é negro: o brasileiro Pelé. Antes dele, o Brasil já havia produzido outros ídolos negros no futebol, incluindo Leônidas da Silva, a primeira grande estrela do esporte no país. Os astros de pele negra foram se repetindo ao longo das décadas pelos gramados nacionais, mesmo mais recentemente – com Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Gabriel Jesus – quando as escalações dos grandes clubes se tornaram mais claras. Mas nesse esporte onde o negro sempre foi festejado como rei, quem manda é o branco.

A reflexão é feita aqui a propósito da semana em que se assinala a abolição da escravatura – assinada em um 13 de maio. Pois bem, vamos ao tema.

Os técnicos do futebol brasileiro, em regra, são brancos. Dois fatos são reveladores dessa realidade. O primeiro, que permite um olhar retrospectivo: o comando da seleção brasileira é cativo de brancos. Desde o agora titular da batuta, Tite, o treinador da Copa da Rússia, até Píndaro de Carvalho, o comandante da seleção no mundial de 1930, só dá branco. O retrospecto é bem evidente: Dunga, Felipão, Mano, Parreira, Zagalo, Falcão, Luxemburgo, Leão, Lazaroni, Telê, Evaristo, Coutinho, Saldanha, Aymoré, Feola, etc, etc, etc.

Alguém pode dizer: é coisa do passado. Não é. E aí vem o segundo fato: dos 20 clubes da Série A do campeonato brasileiro, apenas o Bahia tem um técnico que não é branco. Lá quem comanda a turma é um negro, Roger Machado (que já esteve no Grêmio, no Atlético de Minas e no Palmeiras). Os demais são branquinhos, branquinhos, incluindo o mais recente integrante do clube – o agora vascaíno Vanderlei Luxemburgo.

Dos jogadores negros que se destacaram na seleção brasileira, o que talvez tenha chegado mais longe como treinador seja um sujeito que foi espetacular dentro e fora das quatro linhas: Didi. Como jogador, o “Príncipe Etíope” (também apelidado de Mr. Football, tamanha a categoria) foi uma das pilastras do bicampeonato mundial na Suécia (1958) e Chile (1962). No banco, comandou equipes em diversos países e montou uma irrepetível seleção peruana, aquela que em 1970 foi despachada precisamente pelo Brasil. Ainda assim, foi o melhor resultado do Peru em uma Copa.

Didi foi o comandante do Fluminense de meado dos anos 70, à frente do time que ficou conhecido como “A Máquina Tricolor”. Era uma exceção negra em um mar branco, como Roger é no Brasileirão de hoje. Em anos recentes, além de Roger, há Jair Ventura – que neste momento está fora da lista dos “20 mais”. Mesmo quando dois estavam na lista, eram exceções a confirmar a regra.

Confira a lista de treinadores dos 20 clubes da Série A, conforme classificação até a rodada passada.