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Com manifestações e votação, Bolsonaro tem momento crucial

Foto Divulgação / Palácio do Planalto

Presidente Jair Bolsonaro: entre as manifestações populares de apoio e as articulações políticas com o Congresso Nacional


O presidente Jair Bolsonaro tem nesta e na próxima semana um momento que pode determinar importantes inflexões em seu governo. As atenções se voltam especialmente para dois episódios. O primeiro, as articulações no Congresso com vistas à votação que confirmem a validade de 11 medidas provisórias. O segundo, a manifestação populares programada para domingo em apoio ao governo.

Os eventos têm endereços distintos: um fala ao político, outro ao popular. E os discursos podem ser conflitantes, já que as manifestações de apoio tendem a ser um grito contra a classe política em geral, em especial os congressistas. O discurso de bolsonaristas nas redes sociais tem um tom virulento, de ataque e desqualificação generalizada contra parlamentares. Uma coisa pode complicar a outra.

Nesse sentido, as articulações podem ser seriamente comprometidas pelo tom das manifestações. E o governo precisa dessa articulação, em especial para ratificar as 11 MPs editadas por Bolsonaro. Elas estão por expirar e precisaram ser aprovadas pelo Congresso para não caducarem. Se caducam, vão por água abaixo algumas medidas de relevante impacto econômico e também a reestruturação da administração federal.

O Congresso tem dado demonstração que não está para brincadeiras e se revela disposto a dar novos recados ao governo, com votações contrárias aos interesses do Planalto. Se as MPs não forem ratificadas, o recado será poderosíssimo, com conseqüências dramáticas.
 

Manifestação: o risco de ter o ‘Rei nu’

As manifestações programadas para o próximo domingo, em defesa do governo Bolsonaro, podem ser um momento de reafirmação popular do governo e das mudanças que ele promete. Mas carregam alguns riscos. Antes de mais nada, não podem ser um apoio “meia boca”, que ao invés de fortalecer enfraquece. Além disso, há o perigo do “efeito Collor”. A deputada Janaína Pascoal, que é do partido do presidente, vem alertando para tais riscos.

Vale lembrar: quando já sem força política, Fernando Collor apelou às ruas. Em Rede Nacional de rádio e TV, pediu aos brasileiros que ocupassem suas janelas com o verde e amarelo da nossa bandeira. O tiro saiu pela culatra: o Brasil amanheceu com as janelas cobertas de preto, mostrando que o Rei estava nu.

Ali ficou claro que o governo Collor tinha acabado. O Rei, nu permanceu.