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Até Guedes lança dúvidas sobre reforma da Previdência

Foto Divulgação / Presidência da República
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes: discurso de de defesa da urgência da reforma, mas com "entrelinhas" que geram dúvidas


Era só o que faltava: os desencontros do governo em torno das articulações política no Congresso e tramitação da reforma da Previdência ganharam um ingrediente inesperado. E veio da figura central para a reforma, o ministro da Economia, Paulo Guedes. Em uma entrevista à revista Veja, Guedes foi alarmista: “Se só eu quero a reforma, vou embora para casa”, afirmou o ministro em um jogo de palavras que pretende servir de alerta para os riscos do país não promover profundas mudanças no sistema previdenciário.

A declaração, no entanto, termina por gerar algumas dúvidas sobre o futuro da proposta (e do Brasil). É verdade que o projeto do governo já carregava um montão de dúvidas,  sobretudo pelas cabeçadas entre governistas e potenciais aliados – em especial os integrantes do Centrão. Mas a fala do ministro, tão categórica, jogou mais lenha na fogueira.

A declaração foi o tema do dia mesmo no Nordeste, ontem visitado pelo presidente Jair Bolsonaro. O próprio Bolsonaro teve que tratar do tema e disse concordar com o ministro, lendo a declaração como um alerta para o país: ou a reforma sai ou o Brasil – governo federal, estados e municípios – vai para o buraco, ou para um buraco mais fundo. Sem reforma a economia seria um caos, afirmou, ressaltando a confiança na aprovação da matéria.

O problema é que o presidente não perdeu a viagem e deixou uma fisgada. Segundo Bolsonaro, “ninguém é obrigado a continuar como ministro meu”. Recado para Guedes? Sabe-se lá.

Para atenuar, Bolsonaro acrescentou: “Logicamente, ele [Guedes] está vendo como uma catástrofe, e é verdade, eu concordo com ele, se nós não aprovarmos uma reforma muito próxima da que enviamos para o Parlamento. Então o que Paulo Guedes vê — ele não é nenhum vidente, mas não precisa ser, para entender que o Brasil entra num caos econômico sem essa reforma”, disse o presidente ainda no Recife.

O mercado, tão desejoso da reforma e tão alarmado com a pouca clareza sobre o futuro dela, mantém a perplexidade e o futuro incerto.