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Bolsonaro tenta se aproximar do Nordeste com extra de R$ 4 bi

Foto Divulgação / Presidência da República

Jair Bolsonaro em Recife, no Instituto Ricardo Brennand: reforço de investimentos para ter a simpatia do Nordeste


Está longe de ser a realização do sonho do Nordeste. Mas não deixa de ser um alento: o presidente Jair Bolsonaro anunciou em sua primeira visita à região um extra de R$ 4 bilhões para o FNE – o fundo constitucional com recursos específicos para aplicação nos estados nordestinos. Com o extra, o FNE passa este ano de R$ 23,7 para R$ 27,7 bilhões, com um olhar mais generoso para o setor de infraestrutura.

Os projetos de infraestrutura vão ser o destino de R$ 3 bilhões dessa fatia extra. O outro R$ 1 bilhão será destinado às ações de fortalecimento de pequenos negócios, através do microcrédito. A verba adicional faz parte da tentativa de Bolsonaro de ser simpático à região. O gesto do governo federal não é desprezível, mas o Nordeste desejam mais.

As obras de infraestrutura esperam muito mais que toda a soma do FNE. Um exemplo: somente a Transnordestina careceria, para ser concluída, uma injeção de R$ 6 bilhões. Pode-se olhar obras menores aqui no Estado do Piauí: a duplicação dos acessos a Teresina, a Transcerrados e a conclusão do porto exigiriam mais de R$ 1 bilhão.

A bancada do Nordeste no Congresso queria mais recursos. E também mais espaços políticos trasvestido de estrutura administrativa dentro do governo federal. Esses espaços políticos têm nomes bem conhecidos: Banco do Nordeste, Sudene, DNOCS, Codevasf, Chesf. Há uma enorme diferença entre a intenção do governo e o desejo da bancada. O Planalto quer enxugar estruturas; os políticos desejam reforçar órgãos como Sudene e DNOCS, hoje quase sem função.

Independente da estrutura, o Nordeste carece mesmo é de um grande plano de desenvolvimento, com estratégias comuns e ações que integrem os estados. Não há, realidade que não é de hoje. Os planos sociais são um alento, mas não são uma estratégia transformadora, nem de desenvolvimento. É preciso mais.

E esse plano de desenvolvimento segue sendo esperado. Poderia incluir estratégia industrial, uma nova vertente produtiva (o setor tecnológico, por exemplo) ou a exploração consistente de uma velha votação da região – o turismo. Mas não há, pelo menos por enquanto, uma estratégia clara.

E o Nordeste a deseja ardentemente.