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Exportação cai e agronegócios perde com crise global

Foto Divulgação / Governo Federal
Agronegócio: colheita de soja excepcional tem como contraponto os baixos preços internacionais das commodities


Setor que vem sendo literalmente a salvação da lavoura no Brasil, o agronegócio vai conseguir este ano manter o bom desempenho e ser a salvação da economia. Mas não será como em anos anteriores, muito menos que o conseguido em 2018, quando uma série de fatores deu ao país uma safra recorde com faturamento extraordinário. Este ano a safra será outra vez excepcional, mas talvez um pouco menor. E o faturamento sofrerá uma queda considerável, especialmente para um momento crítico como o vivido pelo Brasil.

O principal fator é o cenário externo: nossas exportações ligadas ao agronegócio ficarão cerca de 8%, caindo dos US$ 102 bilhões de 2018 para cerca de US$ 94 bilhões deste ano. No ano passado, alguns fatores ajudaram a elevar os preços das commodities, como a guerra comercial EUA-China (em tom mais elevado que o atual) e quebra de safra na Argentina. Com isso, o Brasil exportou mais que em 2017, e com preços mais interessantes.

Agora há uma pequena queda no volume, que se junta a significativa queda nos preços dos grãos. Há até alguns atenuantes para a pauta de exportação, a exemplo da carne de porco: como a Ásia enfrenta uma grave crise de peste suína, a China teve que procurar novos fornecedores. E o Brasil vai exportar US$ 1 bi a mais só em carne suína, chegando esse item a responder por US$ 14,7 bilhões. Mas não compensa as perdas na soja, item que mais sofre: as exportações de 2018 somaram de US$ 41 bilhões; as de 2019, devem fechar em US$ 33 bi.


Clima perfeito, safra recorde
As condições do mercado global favoreceram aos produtores brasileiros, que no ano passado tiveram ainda um ano fabuloso também no setor climático. As chuvas caíram no tempo certo e na dosagem ideal. Isso permitiu que a safra alcançasse um novo patamar. Um novo recorde.

No Piauí, por exemplo, não houve veranico e a produtividade alcançada foi a maior de todos os tempos. O Estado ficou entre os que conseguiram mais soja por área: mais de 3.500 por hectare, o segundo maior índice do país. No total, o Piauí colheu cerca de 4,4 milhões de toneladas de grãos, mais da metade foi soja.

Piauí vai faturar menos
A safra colhida este ano foi muito boa (falta pouco para fechar a colheita). Mas não teve a perfeição do ano anterior. A área plantada até cresceu nas três principais culturas: 5% a mais com plantio de soja, 10% de crescimento no cultivo de milho e mais de 100% para o algodão. A produtividade menor leva a uma colheita de menos grãos por hectare.

O faturamento, no entanto, seguramente cairá: os preços internacionais em queda dão menos retorno por cada tonelada vendida.