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Convenção do DEM mostra partido dividido

Há muito tempo o Democratas não estava como está: o partido controla alguns dos principais assentos do poder da República. O DEM tem os presidentes da Câmara e do Senado, que direciona a agenda política. Tem também o ministro-chefe do Gabinete Civil, principal articulador do Planalto. O partido tem ainda o estratégico ministério da Saúde, e também o da Agricultura, que responde por uma suculenta fatia da pauta de exportação. Mas o partido está como há muito não se via: dividido. E isso ficou evidente na convenção nacional da sigla, ontem.

Apesar dos três importantes assentos no governo, o partido não tem certeza se quer se assumir como parte do governo Bolsonaro. Os governistas mais eufóricos são os ministros, em especial Onyx Lorenzoni (Gabinete Civil), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Na convenção, Caiado proclamou seu apoio ao governo e até tentou puxar palmas para o presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ficou de braços cruzados. Também ficou como estava o líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento – ele é um fiel escudeiro de Maia.

As dúvidas do DEM não param aí: mesmo sendo um dos pulmões do Centrão – o outro é o PP –, o partido agora quer se desmarcar no grupo. A análise é que o termo Centrão está desgastado, tem conotação pejorativa. Daí importantes nomes do Democratas, seguindo orientação de Rodrigo, estão dizendo que vão implodir o Centrão.

É uma implosão um tanto estranha, tipo foguete de São João: mais barulho que efeito. Sim, porque Rodrigo Maia não quer mais ser identificado com o Centrão, mas quer (e precisa) do grupo para dar as cartas e impor vitórias ou derrotas ao governo, conforme o humor do dia.

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Heráclito Fortes: segundo Rodrigo Maia, um professor em matéria de convivência política com as diferenças
 

Rodrigo Maia festeja Heráclito Fortes

Na convenção do DEM, Rodrigo Maia fez um discurso reto e técnico. Mas teve momentos para afagos. E o principal foi para o piauiense Heráclito Fortes, também presente no encontro. Rodrigo citou Heráclito quando falou da necessidade de convivência com as diferenças. O presidente da Câmara tascou: foi com Heráclito que aprendeu a aceitar o outro e ter interlocução respeitosa com todos, incluindo os que pensam de forma divergente.

A convenção do DEM tinha ainda pelo menos mais dois piauieinses. Um, o ex-vice-prefeito de Teresina, Ronney Lustosa. Até aí tudo normal, já que Ronney é mesmo do DEM. A outa presença é que chama atenção: o deputado Átila Lira, filiado ao PSB. Vale lembrar, Átila está às turras com seu partido. E deve sair de lá muito em breve.

O destino agora parece mais que óbvio: é mesmo o DEM.