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Corrupção tira 'um 13º salário' de cada brasileiro

A corrupção que envolve o setor público no Brasil tira de cada brasileiro, todo ano, o correspondente a 29 dias de trabalho. É como se cada brasileiro destinasse um dos 13 salários que recebe no ano para cobrir o desvio de recursos públicos, evidenciado em sucessivos escândalos – ou simplesmente entregasse o 13º para os corruptos. Os dados são de levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Segundo o Instituto, a corrupção desvia dos cofres públicos um valor bruto de cerca de R$ 160 bilhões, correspondente a 8% de tudo que é arrecadado pelo poder estatal. Esse valor daria para cobrir o déficit orçamentário da União (R$ 139 bi) e impediria o contingenciamento na Educação (R$ 29 bi). Também daria para cobrir quatro vezes todo o PIB do estado do Piauí e 16 vezes o orçamento do Governo do Estado.

O IBPT chega a esse números a partir de investigações como a Lava Jato e processos analisados pelo TCU e TCEs. É um drama geral. Uma tradução desse drama, conforme o Instituto, está em um dado referente aos gestores municipais: mais de mil prefeitos ou ex-prefeitos sofrem algum tipo de processo por corrupção, por mau uso do dinheiro público. Outro dado: mais de 50 governadores ou ex-governadores estão na mesma situação.
 

Cidadão perde duas vezes

O cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário aponta para um desvio direto: R$ 160 bilhões são tirados dos cofres públicos para contas privadas. Mas as perdas não param aí: esse dinheiro que desaparece pela corrupção faz falta em serviços públicos, que perdem qualidade ou mesmo alcance.

A conta que o cidadão paga é mais visível em áreas como saúde, segurança, educação e infraestrutura. A saúde é precária, a segurança é deficiente, a educação não tem qualidade e a infraestrutura é insuficiente. E toda essa conta é paga por um cidadão que não tem de volta o dinheiro que recolhe através dos impostos.