Cidadeverde.com

Previdência: agora é Guedes quem chuta os aliados

Quando parecia que o governo tinha motivos para comemorar um passo adiante na tramitação da reforma da Previdência, eis que surge atirando furioso precisamente aquele que se imaginava mais feliz. O ministro da Economia, Paulo Guedes, responsável direto pela elaboração da proposta original, acha que o relatório apresentado cede muito aos lobbies, em especial os dos servidores públicos.

No entendimento do ministro, se for aprovado na forma apresentado o relatório, é como se a “nova previdência” tivesse sido abortada. Na conta de Guedes, a economia deveria ser de no mínimo R$ 1 trilhão e vai ficar em R$ 850 bilhões. A crítica bateu direto no peito dos aliados do governo, em especial o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Na prática, Guedes chutou os aliados mais empenhados em levar adiante a reforma.

Como não poderia deixar de ser, Rodrigo Maia reagiu. Mas, ao contrária de outros momentos, usou palavras mais suaves, embora o conteúdo seja duro. Segundo Maia, Guedes sempre foi bombeiro nas crises geradas pelo governo, mas agora se tornou o responsável pelo que chamou de “crise desnecessária”. E, para refutar os ataques à Câmara, lembrou que o governo Bolsonaro é “uma usina de crise”.

Já que Guedes abandonou a condição de bombeiro pela de incendiário, Rodrigo Maia avisou: “Agora o bombeiro vai ser a Câmara. Nós não vamos dar bola para o ministro Paulo Guedes com as agressões que ele fez agora ao parlamento”. E acrescentou: a Câmara vai fazer a reforma.

Foto Divulgação / Agência Brasil
Rodrigo Maia, no dia em que foi reeeleito presidente da Câmara: forte na articulação e central na agenda política brasileira
 

Rodrigo, alvo das redes sociais

O ataque ao Parlamento se multiplica nas redes sociais, em especial contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. E a principal fonte da artilharia é o conjunto de bolsonaristas que se dedicam a atuar no mundo virtual. De fato, a estratégia repete movimentos anteriores que ganharam forma também no mundo nada virtual das manifestações do dia 26 de maio, em apoio ao governo Bolsonaro. Na época, os bolsonaristas acusaram Rodrigo de construir um "parlamenmtarismo branco" onde ele tem o lugar principal.

As críticas revelam duas coisas ao mesmo tempo. Primeira, que a estratégia do segmento mais sectário do bolsonarismo não sabe exatamente quem é aliado do governo. Segunda, que Rodrigo Maia é de fato um nome central na política brasileira de hoje. E agenda pública, aí incluindo reforma da Previdência, vai adiante (ou estaciona) muito por conta dele.