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A reforma agora é mais de Rodrigo que de Bolsonaro

Foto Divulgação / Câmar dos Deputados

Deputado Rodrigo Maia: novamente em descompasso com o governo, presidente da Câmara assume de vez a agenda das reformas 


Na sexta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi surpreendido pelas críticas do seu amigo Paulo Guedes, ministro da Economia, que não gostou nada do relatório apresentado pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) sobre a proposta de reforma da Previdência. Samuel fez mudanças importantes. Algumas já esperadas e aceitas pelo governo. Outras, como a exclusão do regime de capitalização, não foram digeridas. A redução da economia em cerca de R$ 300 bilhões também não. Daí, Guedes partiu para o ataque. E Rodrigo, para o contra-ataque.

Ao rebater o ministro, Rodrigo acusou o governo de ser uma “usina de crises” e ausente nas negociações em torno da reforma. Por fim, avisou: vai blindar a Câmara desses ataques e vai cuidar para que o próprio Parlamento leve adiante as reformas – sim, reformas, porque além Previdência há a reforma tributária, e de ambas o presidente da Câmara está cuidando.

A bem da verdade, o governo enviou a reforma da Previdência para a Câmara mas não cuidou de costurar acordos para viabilizar sua aprovação. Quem mais participou desses esforços foi o próprio Guedes, sempre em consonância com Rodrigo Maia. Dito de outra forma: há muito a reforma é mais do Rodrigo que do governo.

Foi o presidente da Câmara quem articulou o acordo de liderança que dá esperanças de aprovação da reforma na Casa até meados de julho. Foi ele também quem definiu a estratégia se excluir estados e municípios como caminho para um acordo com os governadores. Ainda na quinta-feira ele avisava que o grande objetivo agora é esse entendimento com os chefes dos Executivos dos estados.

O parlamentar carioca tem convicção liberal que abraçaria uma reforma até mais profunda do que aquela desenhada no relatório do deputado Samuel Moreira. Mas está costurando uma reforma possível, com aval dos governadores. É a reforma de Rodrigo Maia, que o governo tende tão somente a sufragar. Para o bem do próprio governo.
 

Reforma tributária também é de Rodrigo

Tão logo consiga aprovar na Câmara a reforma da Previdência e passar a bola para o Senado, o deputado Rodrigo Maia terá uma nova prioridade: a reforma tributária. Ele nem esperou o governo elaborar sua própria proposta e encomendou aos técnicos da Casa, em diálogo com tributaristas figurões, um esboço de reforma tributária.

A questão fiscal é outro tema que embala o coração do presidente da Câmara. E ele está levando adiante a discussão sem esperar o governo. Agora que o clima entre Congresso e Executivo volta a ter nuvens carregadas, Rodrigo assume de vez a agenda política. Para quem quer acusá-lo de instalar um parlamentarismo informal, é um prato cheio.

Mas Rodrigo vai ganhando o aval de seus pares. E segue adiante.