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Ação política do governo mina equipe econômica

Foto Divulgação / Palácio do Planalto

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro: prometida autonomia do ministro esbarra no humor político do presidente da República 


Na montagem da equipe de governo, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro: a área econômica era com Paulo Guedes. O que o economista dissesse, segundo o presidente, virava ”lei” dentro das diretrizes de governo. Mas os fatos mostram que não é bem assim, e a saída de Joaquim Levy do comando do BNDES é somente o último capítulo a evidenciar que a política – especialmente os ranços da política – dita as regras também para a equipe econômica.

A indicação de Levy para o comando do BNDES já tinha cobrado de Guedes um esforço de argumentação junto ao presidente da República: ele havia integrado o primeiro escalão do governo Dilma. Somou a favor o fato de ter saído do confuso governo da petista em descompasso. Mas agora o partidarismo prevaleceu: Bolsonaro não aceitou um assessor de Levy, Marco Pinto, ligadíssimo ao PT.

A demissão do assessor era cobrada por Bolsonaro há algum tempo. O presidente resolveu cobrar em público, com um aviso: se a demissão não ocorresse, o próprio Levy seria mandado embora. Pois aí está: Levy está fora. E a saída dele vai deixando fraturas no núcleo do governo que era visto como o mais consistência, mais coerente – coerente inclusive com o pensamento do presidente.

Os ataques à equipe econômica já ocorreram em outros momentos. Exemplo: o lado político do governo atrapalhou a economia até mesmo na articulação da reforma da Previdência. Até o presidente entrou em confronto com congressistas em geral e com o presidente da Câmara, em particular. Bolsonaro “deletou” alguns itens da reforma (como a mudança da idade de aposentadoria para mulheres) sem falar com Guedes.

As mudanças desta semana devem produzir efeitos importantes na economia. O principal deles: mais dúvidas sobre o futuro da economia brasileira.
 

Caso Levy reafirma estilo Bolsonaro

A saída de Joaquim Levy do BNDES vai repetindo um estilo: o processo de queimação no governo Bolsonaro é direto e público. É bem diferente de outros governos, que “cozinhavam” lentamente e nos bastidores, com manifestações de “prestígio” até que o fato de consumasse, em geral por um “pedido” do demitido, sempre alegando questões pessoais.

Dos três ministros que saíram, dois foram ridicularizados por falas que saíram de dentro do governo. No caso de Gustavo Bebiano, foi desqualificado pelo presidente e o filho Carlos. No caso de Velez Rodriguez, foi fritado em praça pública – com ele mesmo ajudando com um bocado de lenha na fogueira. Só o general Cruz não foi exposto: queimação foi rápida e no espaço interno.

No caso de Levy foi o mesmo estilo usado com Bebiano, mas em modo acelerado: a queimação começou no sábado, pelo próprio presidente. Deveria ser demitido na segunda. Pediu para sair no domingo.