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Já chegam a 22,7% os domicílios sem renda do trabalho

O Brasil já vai caminhando para o quarto ano com desemprego em dois dígitos, fruto da gigantesca crise econômica que se desenhou a partir de 2008 e que se estabeleceu de vez desde o final de 2014. Os efeitos da recessão ainda são bem visíveis. E a questão da renda familiar é o mais grave, como atesta recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Segundo o Instituto, quase 23% dos domicílios brasileiros não têm renda fruto do trabalho.

Conforme os dados do IPEA, no primeiro trimestre de 2014 esse índice era de 19%, passando agora a 22,7% dos domicílios. Nessa conta estão domicílios onde a renda vem de aposentadoria, Bolsa Família e investimentos em ação, por exemplo. Ainda que os números de há cinco anos já fossem elevados, o aumento do indicador é preocupante. Na avaliação do instituto, ele reflete a crise que teima em permanecer.

A avaliação do IPEA é que a crise penalizou especialmente o trabalhador da base da pirâmide, menos qualificado e primeira vítima dos cortes. Enquanto o percentual geral de domicílios sem renda do trabalho cresceu quase quatro pontos percentuais (de 19% para 22,7%), a realidade nos domicílios com alta renda praticamente não se mexeu: eles somavam 2,2% em 2014 e são agora 2,1% do total.

O número geral, por si só, alarma os especialistas: nos aproximamos de um quarto dos domicílios sem renda do trabalho. É muita coisa.
 

3,3 milhões desempregados há mais de 2 anos

O IPEA também apontou os dados sobre a permanência do desemprego. Os trabalhadores que estão sem emprego rondam os 13 milhões de brasileiros. Os que não têm emprego há mais de dois anos representam 24,8% do total (ou 3,3 milhões de pessoas). No início de 2015, quando começaram a explodir os índices de desempregados, o número era de 17,4% do total.

Os analistas do IPEA – que é ligado ao ministério da Economia – não botam muita fé na recuperação este ano, ou pelo menos não enxergam uma recuperação substantiva. A expectativa é que a reforma da previdência dê novo alento à economia, mas os efeitos mais robustos só devem ser sentidos mesmos a partir de 2020.