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Sobra emprego. Mas só na área de tecnologia

Com uma taxa de desemprego da ordem de 12%, o Brasil se ressente da falta de vagas de trabalho em praticamente todos os setores. Esse “praticamente” só se justifica por setores de alta especialização, confirmando uma tendência de que as áreas que exigem menos qualificação sofrem antes, e também sofrem até mais tarde. Nas áreas de alta especialização há vagas sobrando.

Um tradutor dessa realidade contrastada é a área de tecnologia e inovação: há vagas; falta mão de obra. O setor de inovação possui atualmente pelo menos 5 mil postos de trabalho somente nas startups. E a expectativa da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) é que serão 70 mil novas vagas nos próximos oito anos. E o número de vagas ociosas no momento indica o despreparo dos profissionais colocados no mercado.

Daí, a culpa pelo despreparo é mais que óbvia: a formação, o processo educacional. Um gargalo que no Brasil, nos últimos anos, só tem se estreitado,

A Abstartups reclama da desatualização dos currículos dos cursos universitários na área, que implica na formação de profissionais sem sintonia com as necessidades do mercado e as mudanças tecnológicas. Ainda conforme a entidade, a modernização é imprescindível, tanto no meio acadêmico, como também entre as companhias. Sem isso, as empresas perdem competitividade e os empregos gerados não são no número que poderia ser.
 

Robôs tiram emprego

A inovação dá emprego aos mais qualificados. E tende a tirar a vaga dos trabalhadores com formação mais limitada. E uma das vertentes dessa mudança são os robôs. De acordo com  o Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB), até 30 milhões vagas com certeira assinada poderiam ser fechadas no mercado formal brasileiro se as funções humanas fosse substituídas por tecnologias já existentes.

O estudo da UnB avaliou as 2.602 ocupações brasileiras catalogadas. E mostra que a mudança pode ser enorme em curto tempo. A realidade existente no ano passado apontava para o seguinte quadro de empregos com carteira assinada: 25 milhões de trabalhadores (57,37%) ocupavam vagas com alta ou muito alta possibilidade de serem afetadas pela  automação. Entram nessa lista categorias como engenheiros químicos (96% de possibilidade de substituição), carregadores de armazém (77%) e árbitros de vôlei (71%), por exemplo.

O Brasil rtem investir em novas alternativas, de preferência de alta qualificação. E isso exige formação de alta qualidade.