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Governadores pagaram pra ver. E perderam



A votação da reforma da Previdência mostrou o que se suspeitava: os governadores não conseguem comandar suas bancadas no Congresso. Tanto que a oposição, que deveria ter votos irrigados por esses governadores – em especial os do Nordeste – não conseguiu mais que 131 votos contrário ao texto base da reforma. Isso é menos que toda a bancada da Região na Câmara dos Deputados. O resultado é que os governadores nem conseguiram as reivindicações que apresentaram nas negociações, nem sequer colocaram em risco a aprovação do texto em primeiro turno.

Os governadores do Nordeste levantaram a voz encenando uma força que revelou-se inexistente. Lá no início, assinaram Carta contra a proposta. Em seguida colocaram exigência para o apoio. Não viram essas exigências atendidas e se rebelaram contra o relatório da Comissão Especial. Por fim encenaram um movimento que derrubaria o texto, com votos contrários. Pagaram para ver. E perderam.

A votação de ontem mostrou que o texto que chegou ao plenário da Câmara não sofreu derrota em nenhum dos estados nordestinos. Saiu-se vitoriosa em 8 das 9 bancadas federais do Nordeste; e empatou no Ceará, onde os 22 deputados se dividiram ao meio. No somatório, foram 96 votos a favor e distantes 53 contrários. Exatos 43 votos de diferença. Não é pouca coisa.

No Piauí, votaram a favor os dois filiados ao partido do governador Wellington Dias (PT): Assis Carvalho e a primeira-dama Rejane Dias. No Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) só levou para a oposição à reforma apenas 4 votos, vendo outros 14 a favor. Uma demonstração de que uma velha suspeita é de fato real: os governadores não comandam as bancadas de seus estados no Congresso.

Rodrigo, o ‘pai da matéria’

O locutor esportivo Osmar Santos costumava chamar de “pai da matéria” o jogador que mais se destacava em uma partida; o craque, aquele que tinha momentos geniais e fazia o jogo se decantar para seu lado. Na tramitação da Reforma da Previdência, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi o pai da matéria. Fez a coisa andar e chegar ao porto que desejava.

Foi elogiado por aliados durante os dois dias de discussão e votação. E no final fez um discurso que foi mais que o de presidente de uma votação importante: foi o do líder que mandou recado para outras instituições, que defendeu o Congresso e pediu conciliação. De quebra, deixa seu nome para outras possibilidades.

Mas aí já é outra coisa.