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PDT vai punir Flavio Nogueira e mais 7 deputados

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Flávio Nogueira: deputado vai responder a processo no Conselho de Ética do PDT, mas punição não deve ser expulsão


Talvez não seja a expulsão. Mas certamente haverá punição do PDT aos 8 (de 27) deputados federais do partido que votaram a favor da reforma da previdência, descumprindo uma decisão do Diretório Nacional. Ainda na quarta-feira, o próprio presidente pedetista, Carlos Lupi, e também o vice, Ciro Gomes, defendiam a expulsão pura e simples. Mas o tom das críticas passou a ser mais ameno e a punição pode ser outra.

Além do piauiense Flávio Nogueira, descumpriram a orientação partidária os deputados Alex Santana (BA), Gil Cutrim (MA), Jesus Sérgio (AC), Marlon Santos (RS), Silvia Cristina (RO), Subtenente Gonzaga (MG) e Tábata Amaral (SP). São 8 no total, mais de um quarto da bancada pedetista na Câmara. Carlos Lupi já disse que a Comissão de Ética do PDT vai abrir processo em razão do voto a favor da reforma da Previdência, em desacordo com o partido.

Todos terão amplo direito de defesa, diz o presidente do PDT. Adianta que alguma punição haverá. Mas parece que a expulsão não é a alternativa mais acalentada pela sigla, fazendo o presidente pedetista mudar o discurso. Ainda na quarta-feira, Lupi dizia pelas redes sociais: "Quem quiser o lado dos banqueiros, que vá para o lado de lá", escreveu. No mesmo tom, Ciro Gomes defendeu a expulsão daqueles "que votarem contra o povo nesta reforma elitista".

Agora Lupi baixa o tom. Diz que alguma punição terá. Mas já dá a entender que a expulsão poderia ser uma espécie de prêmio. “Muitos (deputados) desejam ser expulsos. Não podemos ser ingênuos de atender o objetivo de um deputado de votar contra o partido”, disse ao O Globo. E acrescentou: “Não podemos perder o mandato”.

Ou seja: a expulsão pode ser boa para alguns deputados e péssima para o partido.
 

O que PDT perde com a expulsão

A mudança de tom nas declarações do presidente do PDT tem explicação. As ameaças de expulsão dos infiéis, feitas antes da votação, tinham a intenção de constranger o parlamentar propenso a votar contra a orientação do partido. O tom mais ameno, depois, tem o objetivo de não dispersar a boiada, o que deixaria a sigla menos representativa.

O PDT perderia muito com as expulsões. Teria uma bancada menor, o que reduz o poder de fogo – e inclusive de barganha – em votações cruciais. Também poderia tirar outras vantagens. Por exemplo, teria menos tempo de TV para seus candidatos, já que proporcional à bancada. Tem ainda o Fundo Partidário e Fundo Eleitoral, ambos com distribuição conforme proporcionalidade da representação.

Fazendo esses cálculos, não é muito interessante para o partido perder 8 deputados.