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BNDES dá pista, mas não revela política de desenvolvimento

Foto Divulgação / Palácio do Planalto

Gustavo Montezano: novo presidente do BNDES quer abrir a "caixa preta" do banco e investir mais no o desenvolvimento


O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, tomou posse cercado de expectativas. Não é para menos: o BNDES é peça chave na formulação e execução da política econômica do país e especialmente nas ações cvoltadas para o desenvolvimento. Ao assumir, Montezano fez um discurso que mesclou recados políticos (por exemplo, “abrir a caixa preta”) com diretrizes técnicas. Deu algumas pistas gerais do que será a estratégia de desenvolvimento no atual governo, mas ficou longe de revelar mais claramente a política para o setor.

As expectativas para a posse estavam dentro do bolo da chamanda “pós-Previdência”. Isso quer dizer o seguinte: a reforma da Previdência é importante, e até fundamental para que o país saia do atoleiro; mas não é suficiente. É preciso mais, sobretudo um conjunto de medidas que apontem claramente para o reaquecimento da economia, que já vai para o sexto ano de derrapagem. Nessa ideia de reativação econômica, o BNDES tem um lugar especial.

Ao tomar posse, Montezano afagou o chefe, o presidente Bolsonaro, ao incluir no discurso ataque aos governos anteriores (“deixaram o Brasil quebrado”) e prometeu “abrir a caixa preta” dos investimentos das gestões passadas. Mas conseguiu ir além. Por exemplo: anunciou que pretende investir claramente em desenvolvimento (“O BNDES será menos banco e mais desenvolvimento”) Outra: quer aumentar a produtividade do país, que – segundo disse – cai há 10 anos.

São dois itens importantes, ainda que postos de forma muito ampla, sem detalhes. O aumento da produtividade é fundamental para o Brasil recuperar competitividade. Sem melhorar o resultado por horas trabalhadas, o país perde espaço no mercado global e posição no cenário internacional. Quanto ao desenvolvimento, é o desejo de 10 entre 10 brasileiro. Espera-se que isso passe por investimentos em infraestrutura (que geram emprego) e em áreas realmente estratégicas (que reposicionam o país).

Mas o detalhamento não é coisa unicamente do BNDES. Tem mais a ver com o ministério da economia, que é o guarda-chuva de todos os que atuam na área.
 

Reforma tributária ganha prioridade

Depois de praticamente desentalar a reforma da Previdência na Câmara, o governo federal começa a deslocar os esforços mais intensamente para a reforma tributária. Segundo Marcos Cintra, secretário especial da Receita Federal, a proposta de reforma tributária do Executivo deve ser enviada ao Congresso antes do final deste mês. A intenção é que a matéria comece a tramitar tão logo os deputados e senadores retornem às atividades, dia 1º de agosto.

Segundo Cintra, o desenho da reforma tributária não precisa mais depender dos rumos das mudanças na Previdência – já que considera o texto aprovado em primeiro turno praticamente definitivo. "Agora é só uma questão de uma semana ou 10 dias para mais ou para menos”, diz, certo que antes do fim do recesso o texto inicial estará no Congresso.

Marcos Cintra só não explicou como vai conciliar a proposta do governo com a do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), já em análise em Comissão Especial da Câmara.