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Na crise do PDT, a 'saída' parece ser mesmo a 'saída'

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Deputado Flávio Nogueira: desconforto no PDT após partido anunciar punição por votação da reforma da Previdência


O que já era ruim piorou: o PDT decidiu suspender por 40 dias as atividades partidárias dos 8 deputados (em uma bancada de 28) que votaram a favor da reforma da Previdência, contrariando a orientação do partido. Mas a decisão não deve ter grandes efeitos na votação da matéria em segundo turno na Câmara, previsto para o dia 6 de agosto. O efeito real é o azedamento de vez das relações desses parlamentares com a direção da sigla.

Entre os 8 punidos estão a paulista Tábata Amaral e o piauiense Flávio Nogueira. A punição, na prática, não altera a atuação dos parlamentares, que continuam exercendo seus mandatos normalmente. O que pode ocorrer é a exclusão de uma comissão – que é indicação da bancada, portanto do partido – ou de alguma outra missão partidária. Fora isso, no dia 6, votarão tranquilamente no segundo turno. E todos devem repetir os votos da primeira rodada.

Flávio Nogueira traduz bem o sentimento do grupo: “Se eu mudasse [o voto] estaria assumindo uma culpa que não tenho”, disse, cobrando liberdade de expressão dentro do partido. O certo mesmo é que a corda ficou mais tensa e tem tudo para não voltar à normalidade. Está mais para romper. O sentimento entre esses parlamentares é de mudança. Para outra sigla.

O PDT – como também o PSB – não gostaria de ver esses deputados fora de seus quadros. A saída tem efeitos terríveis para as siglas. Se os “infiéis” forem expulsos, o PDT cai de 28 para 20 deputados; e o PSB, de 32 para 21. Com isso, perderiam dinheiro do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, além de tempo no rádio e TV.

O problema é que a tensão aumentou e está cada vez mais difícil encontrar uma saída para a crise com os deputados que não seja a saída do partido.
 

Átila, o cuidado com as palavras

É evidente o desconforto do deputado Flávio Nogueira com a decisão do PDT. Não é diferente a situação do deputado Átila Lira, que foi um dos 11 integrantes da bancada do PSB a votar pela reforma e contrariar a orientação da direção socialista. Mas Átila tem tido alguns cuidados no pós-votação, quando o partido passou a ameaçar de expulsão os chamados “infiéis”. O deputado vem medindo as palavras.

O primeiro que fez foi reafirma o vínculo com o PSB: disse que não tem a menor intenção de deixar o partido. Até as nuvens sabem que ele deseja mudar de sigla há muito. No ano passado, permaneceu no PSB por uma solicitação particular de Wilson Martins. Mas agora já tem compromisso feito com o DEM, e se pudesse iria para lá amanhã mesmo.

Para não correr o risco de punição, diz que permanece no PSB. Pode até ficar. Mas não é o que deseja. Não é mesmo.