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Saques no FGTS alcançam 10% do Fundo. Qual o efeito?

A polêmica parece fazer parte do DNA do governo Bolsonaro, queira ele ou não. E mesmo ação teoricamente desenhada para ser festejada termina causando reações. É o caso do anúncio de saques em contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que ganhou confetes no governo Temer e agora é cercada de questionamentos. Os saques estimados pelo governo não devem chegar a 10% do total do Fundo. Mas por que as reações.

Primeiro de tudo, há uma diferença fundamental em relação aos saques do período Temer, quando alcançaram as contas inativas. Agora há uma intenção de ampliar até um percentual dos depósitos das contas ativas. Isso faz diferença para o trabalhador, que pode usar o FGTS sem esperar situações específicas previstas por lei. Quanto ao Fundo em si, todo esse dinheiro – de contas inativas ou não – faz parte do mesmo bolo. É daí que sai, por exemplo, o dinheiro para financiamento da construção civil.

O temor do setor é que falte dinheiro para novos financiamentos. Pode até ser. Mas a realidade de hoje não dá muito crédito a esse temor, já que há crédito e não há demanda. Traduzindo: tem dinheiro mas os consumidores (e, por conseguinte, as construtoras) não estão indo atrás. O problema não é exatamente de falta de grana. Seja como for, as construtoras viram suas ações perderem cotação na bolsa.

Uma boa explicação para a polêmica pode estar dentro do próprio governo: quem perde desde o primeiro momento com os saques é a Caixa Econômica Federal: como gestora do FGTS, ela verá uma boa bolada sair de seus cofres rumo ao mercado ou mesmo a outros bancos.
 

Os números do FGTS: R$ 383 bi em conta

O governo ainda não tem uma projeção precisa do que os saques do FGTS implicarão em valor. A primeira conta apontava para R$ 30 bilhões, logo em seguida elevada para R$ 42 bi ou até mais de R$ 50 bi. Não é pouca coisa. Mas pode não ser tanto, já que no último balanço do Fundo (do ano de 2017) as contas dos trabalhadores somavam R$ 383 bilhões.

Os dados foram divulgados por O Globo e mostram que, desse dinheiro, R$ 362,6 bi são das contas ativas. Um saque de R$ 30 bilhões são chegaria sequer a 10% dessas. Óbvio, é um valor significativo se levarmos em conta que o Fundo investiu pouco mais de R$ 80 bi em programas habitacionais.

Ainda assim, mesmo os mais críticos reconhecem que o impacto sobre o PIB é também significativo: pode implicar em 1% a mais no desempenho final.