Cidadeverde.com

Bolsonaro cede e começa distribuição de cargos federais

Para todos os efeitos, a proposta de reforma da Previdência aprovada em o primeiro turno, na Câmara dos Deputados, é a "reforma do Congresso". E pode até ser assim considerada, já que ela andou mesmo quando os deputados quiseram. Mas para esse desejo se materializar foi preciso uma mudança substancial na relação do Palácio do Planalto com os congressistas, incluindo a liberação de emendas parlamentares. E agora começa um novo ato: a distribuição de cargos federais.

A orquestra da nova/velha relação tem dois maestros: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. E um solista fino, no caso o secretário de Previdência do Ministério da Economia, o ex-deputado Rogério Marinho. Não por acaso Onyx e Rogério foram os dois nomes citados por Rodrigo Maia no discurso pronunciado pouco antes de anunciar o resultado da votação. Eles meteram a mão na massa e levaram (e concretizaram) as demandas dos deputados.

A conta é alta: mais de R$ 2,5 bi em emendas. O governo lembra que essas emendas são impositivas – quer dizer: o governo teria que pagá-las mesmo porque já estavam no Orçamento. Mas é sintomático que o desembolso tenha ocorrido naquele momento. E vai ter mais, agora na forma de distribuição de uma boa fatia dos cargos federais.

As primeiras nomeações começam a aparecer em diversos estados (inclusive o Piauí), em um gesto de demonstração de que o governo Bolsonaro cede em nome da viabilidade política. Vitória de Rodrigo Maia e Onyx Lorenzoni. Vitória do Centrão.

Foto Roberta Aline / Cidadeverde.com

Marina Santos: deputada aliada do governo teve atendida sua indicação para cargo federal no Piauí

Germano não é caso isolado

No Piauí, a deputada Marina Santos (SD) conseguiu desentalar a indicação de Germano Coelho para a Superintendência do Ministério da Agricultura. O nome do advogado tinha sido apresentado pela parlamentar ainda em abril, indicando que cargo desejava. Os demais deputados que estão ligados ao governo – os mesmos que votaram a favor da reforma – também fizeram suas indicações.

As demais indicações dos representantes piauienses ainda não saíram oficialmente (ainda que alguns ocupantes de hoje possam permancer "a pedido"). Mas o caso de Germano não é isolado no país. Em diversos estados as indicações começaram a sair. E devem ganhar um novo ritmo a partir das próximas semanas. Há a possibilidade até mesmo do presidente da República rever alguns “nomes técnicos” já encaminhados ou até nomeados. Nesse caso, os nomes que o Planalto havia tirado do bolso poderiam dar lugar a figuras saídas dos bolsos de deputados e senadores.