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Governo cria ações em busca do aquecimento econômico

Era para ser o ano definitivo da recuperação. Mas 2019 vai se revelando mais um ano frustrado, depois de dois outros (2017 e 2018) que começaram com a mesma promessa de por fim à parte dura da crise econômica. Diante da realidade adversa, o governo Bolsonaro – também como tentou lá atrás Dilma e, mais recentemente, Temer – se retorce em busca de ações que promovam uma nova dinâmica na economia. Agora é a liberação do FGTS, que pode até atenuar as agruras, mas que deve ter efeitos limitados.

A receita de Bolsonaro repete um recurso utilizado por Michel Temer em 2017. Naquele ano, os saques do FTGS geraram uma injeção de R$ 44 bilhões, beneficiando mais de 25 milhões de trabalhadores. Foi suficiente para reduzir o endividamento de boa parte da cidadania e assegurar que o PIB crescesse 1%. Tecnicamente, tirou o país da recessão. Mas os efeitos dos anos terríveis de 2015 e 2016 não desapareceram. Ao contrário, seguem bem vivos.

O novo programa de saques do FGTS deve gerar este ano uma injeção de R$ 30 bilhões, além de outros R$ 12 bilhões em 2020. É um socorro que deve garantir uma evolução do PIB algo em torno de 1%. Não muito mais que isso. Daí, outras medidas são pensadas: redução de taxas e tributos, menos burocracia e barateamento do custo da energia, em especial do gás natural.
 

Guedes espera ver PIB da indústria 8% maior

O governo federal planeja um conjunto de ações voltadas especificamente para o setor industrial. A razão é simples: segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a indústria brasileira leva umas duas décadas perdendo competitividade. Ele traduz a perda de relevância em números, lembrando que a indústria chegou a representar mais de 20% do PIB nacional e hoje tem menos da metade dessa participação.

O barateamento do gás natural é só uma parte das ações voltadas para o que Guedes chama de “reindustrialização” do país. O ministro quer que o Brasil aumente a produtividade, hoje a segunda pior em um bloco de países analisados pela OCDE. Sem isso, o setor vai continuar perdendo terreno na disputa global, com consequências traduzias em menos  faturamentom e menos emprego. Com as medidas que estão sendo desenhadas, a expectativa de Paulo Guedes é que o PIB da indústria cresça 8% nos próximos anos.