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Centrão quer presidência da Codevasf, entregue a Fioravante

Foto Divulgação / Senado Federal

Ciro Nogueira: de volta ao centro das negociações políticas que levam à ocupação de cargos e dão forma ao governo federal


O general Pedro Antônio Fioravante Silvestre Neto, indicado e aprovado para a presidência da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) pode dar adeus ao cargo antes mesmo de assumi-lo efetivamente. Tudo por conta dos entendimentos entre o governo federal e o chamado Centrão – grupo de partidos com caráter fisiológico, considerado fundamental para a tramitação de qualquer matéria relevante no congresso Nacional.

Os entendimentos entre governo e Centrão ganharam contornos mais nítidos na fase final de tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados: o grupo foi fundamental para a tranqüila aprovação da proposta, no primeiro turno de votação. A figura central nos entendimentos é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fazendo dupla no governo com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Mas esse novo cenário dá protagonismo a outras lideranças do Centrão, como o presidente do PP, o senador piauiense Ciro Nogueira.

Fioravante x interesses políticos
Ciro tem enorme influência na Codevasf e não quer perder essa força. Já o DEM de Rodrigo quer mais espaço no Nordeste – e tais desejos ficam comprometidos caso a indicação do general Fioravante seja mantida. Vale lembrar, o general foi indicado pelo Palácio do Planalto, teve o nome avaliado internamente e aprovado pelo Conselho Diretor da companhia, em reunião do dia 2 de julho. Era apresentado como opção técnica, longe da "velha política". Mas não tomou posse, numa indicação do próprio Palácio de que muita coisa ainda pode acontecer.

E pode acontecer de aparecer um novo presidente, com o aval do Centrão, bem ao estilo da "velha política". Segundo reportagem de O Globo, o Centrão está indicando para o cargo o engenheiro baiano Maurício Mathias. Ele seria uma escolha do líder do DEM na Câmara, o também baiano Elmar Nascimento. Se o nome for confirmado, teria mais que o aval de Elmar: carregaria a assinatura do próprio Rodrigo Maia.

Ciro pode ter espaço no FNDE
A possibilidade do DEM passar a comandar a Codevasf significa que o PP de Ciro Nogueira perde espaço? Longe disso. Nas tratativas com Onyx Lorenzoni também está na mesa a indicação para a presidência do FNDE, o poderoso Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O Fundo tem um orçamento de R$ 55 bilhões, o que pode ser traduzido em muito poder de fogo para o grupo que passar a controlá-lo. Como dado comparativo: o orçamento da Codevasf é de R$ 1,9 bi.

O nome mais cotado para o FNDE é o do advogado Rodrigo Sérgio Dias. Ele teria seria indicação direta do líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro. Mas tem o aval de Ciro Nogueira, que passaria a ter influência em um órgão com muito mais dinheiro que a Codevasf.

O Centrão agora faz pressão para que as indicações se definam logo. De preferência, antes do segundo turno de votação na Câmara da reforma da Previdência, programado para a próxima semana.

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