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Disputa entre instituições não altera desconfiança cidadã

As constantes desavenças entre representantes das diversas instituições política brasileiras parecem não afetar muito o nível de confiança que o cidadão deposita nas instituições em si. De um modo geral, as instituições seguem sendo depositária de enorme desconfiança, com a ressalva para Forças Armadas, conforme revela a série de pesquisas realizadas pelo DataFolha. Nas últimas pesquisas o DataFolha não tem avaliado o grau de confiança nas igrejas, que conseguem manter bom desempenho, conforme outros institutos.

Segundo a série histórica do DataFolha, a confiança institucional no Brasil chegou quase ao fundo do poço em 2017 e 2018, conseguindo melhorar o desempenho neste ano. E aí cabe um olhar específico para o Congresso Nacional: mesmo seguindo no fim da fila na confiança do cidadão, foi quem mais melhorou os indicadores. Também chama atenção o nível de desconfiança das redes sociais: está igualmente no final da fila, junto com o Congresso e os partidos políticos.

As desavenças entre as instituições trazem embutido um jogo de protagonismo, em geral jogado à luz dos holofotes, cada um querendo se posicionar como salvador da Pátria. O embate entre Executivo (Presidência da República) e o Legislativo (Congresso Nacional) traduz bem esse jogo. O primeiro semestre mostrou esse embate com as trocas de fartas em torno da reforma da Previdência.

A Presidência manteve o seu índice, seguindo como a segunda melhor avaliada entre as instituições listadas pelo DataFolha. Mas o Congresso diminui bastante o nível de desconfiança. Isso deve ter muito a ver com o protagonismo que a instituição assumiu na tramitação da própria reforma da Previdência.
 

Mais confiança que antes

Há ganhos substantivos na avaliação de diversas instituições, quando comparada com anos anteriores. O DataFolha revela que a Presidência da República chegou a ter 65% de desconfiança em junho de 2017, mês seguinte à revelação do escândalo JBS. Em junho de 2018 seguia com desconfiança de 64% dos brasileiros, índice que em julho de 2019 diminui significativamente, para 31%. Não chega a ser estranho para um governo que ganhou respaldo popular nas urnas.

No caso do Congresso, a nova composição desenhada em outubro do ano passado – com altíssima renovação nas duas Casas – aumentou a confiança, ainda que siga baixa: em junho de 2017 os que confiavam muito eram apenas 3%, com 31% que confiavam um pouco e 65% que não confiavam nada. Um ano depois esse índice se mantinha muito igual: 3% de muita confiança, 28% de um pouco de confiança e 67% que não confiavam nada. Este ano, a situação é melhor: 7% confiam muito, 46% confiam um pouco e 45% não confiam nada. O nível de desconfiança caiu de 67% para 45.

Uma mudança significativa. Ainda assim, os políticos precisam remar muito para sair dessa forte correnteza que os leva para a ampla desconfiança popular.

Veja o nível de confiança das instituições, segundo o DataFolha, nas pesquisas de abril e julho deste ano.