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Meio Ambiente: Brasil quer imagem que não cultiva

Foto Divulgação / Agência Brasil

Meio Ambiente: governo contesta dados sobre desmatamento na Amazônia brasileira e causa polêmica


O Brasil nunca teve uma boa imagem no que diz respeito ao cuidado com o meio ambiente. Mas agora quer ser bem visto e para tanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, vai fazer um périplo mundial. Salles assume essa empreitada em um momento particularmente crítico, com vozes do governo contestando os dados sobre o desmatamento, estimulando o garimpo em áreas protegidas, liberando um monte de agrotóxicos e bradando que o Brasil tem muito a ensinar o mundo.

Em qualquer região do país pode-se ver que a imagem que Ricardo Salles quer vender não combina com o real. Nem precisamos sair do Piauí para mostrar o assoreamento do Parnaíba, a destruição do Gurgueia, Teresina cada vez menos verde, o descuido com as dunas do litoral e o descaso com lagoas como a de Parnaguá. No âmbito federal, vale lembrar que Marina Silva deixou o ministério após perder a queda de braço para os “desenvolvimentistas” que com ela dividiam a Esplanada.

No momento atual há uma diferença para o caso de Marina. Ela deixou a pasta por se considerar voz solitária e inóqua no governo. Agora é o próprio ministro do Meio Ambiente quem discorda das teses ambientalistas. Marina, enquanto esteve no ministério, fez o contraponto. Agora é o titular da pasta quem atropela os números e a realidade, inclusive desdenha de quem bota dinheiro (muito dinheiro) para o Fundo da Amazônia, ajudando o país a cuidar da floresta tropical.

Ricardo Salles inicia um tour internacional em que vai levar uma tese muito pouco crível: a de que o Brasil cuida bem de seu meio ambiente. Nunca cuidou. E agora sequer faz de conta. Na viagem, Salles deve ouvir muitos argumentos (e dados) contrários. Resta saber se escutará.
 

Brasil e os caso dos vizinhos

É como dois vizinhos: um tem cimento no quintal inteiro, herdado dos pais; o outro cultiva uma bela árvore que dá sombra para as duas casas. Agredecido e preocupado, o vizinho do cimento quer compensar o dono da árvore com um “fundo amazônico”. O dono da árvore diz: nam nam nim, nam nim não! E decide derrubar a árvore para fazer um grande estacionamento para os carros novos que comprou. É o progresso. E argumenta: “Ora, eles cortaram as árvores. Eu não posso?”.

Claro que pode. Mas seguramente a vida vai ser um horror para os dois, sem uma nesga de sombra ou de frutos. O Brasil é o dono da árvore. E países como a Noruega e Suécia são o vizinho do quintal cimentado. Com uma diferença: além de pagarem um fundo para o dono da árvore (o Brasil), esses países cuidam de seu quintal, com reflorestamento na zona rural e parques nas zonas urbanas.