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Flávio Bolsonaro compromete discurso e governo do pai


Flávio Bolsonaro: falta de explicações complica a vida do parlamentar e o governo do pai  (FOTO: Alerj/Divulgação)

 

O ditado é antigo: quanto mais mexe, mais o odor se mostra agressivo. E o ditado encaixa como uma luva no caso de Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Cada nova revelação deixa a situação mais complicada. E a cada falta de explicação, mais escancarada fica a verdade – porque as evidências dispensam explicações.

Há uma série de fatos que tornam o caso mais grave. Nem falo dos valores, que não são baixos (suspeita-se que acima de R$ 7 milhões), ainda que sejam até pequenos diante de outros escândalos. Mas são comprometedores para qualquer representante popular, e no caso estamos falando de um deputado estadual que acaba de conquistar uma vaga no Senado. Obviamente, o caso é ainda mais comprometedor por ser o filho de presidente, e um presidente que chegou ao Poder prometendo rigor com as falcatruas.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, diz que o episódio não tem “nada a ver” com o governo. A rigor, não tem: as transações com dezenas de depósitos bancários se referem ao deputado estadual e seu assessor na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro. Mas simbolicamente tem tudo a ver. Com suas estripulias, Flávio colocou em xeque o discurso do pai e a linha de conduta do próprio governo. O recurso ao foro privilegiado para barrar as investigações só piora o quadro.

Cabe lembrar, foi o próprio Bolsonaro, o pai, quem disse que “foro privilegiado é coisa de bandido”. Pois foi o filho o primeiro a recorrer a tal expediente, apenas na segunda semana de gestão. Cabe ainda observar que Sérgio Moro chega a Davos para falar sobre o combate à corrupção. Dirá aos barões da economia mundial que a corrupção atrapalha os negócios.

A bem da verdade, atrapalha tudo: os negócios, os serviços públicos, a qualidade da saúde, a segurança pública, a educação e as obras de infraestrutura. No caso de Flávio Bolsonaro, ele atrapalha especialmente o governo do pai, que perde força ainda no primeiro mês, antes de ter a chance de mostrar resultados efetivos.

Caso mostra prática comum

O caso de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz mostra uma prática comum nos legislativos: o parlamentar fica com um pedaço da grana do assessor. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, além de Flávio, estão sendo investigados outros 27 deputados, todos pelo mesmo motivo. Situação semelhante já foi denunciada no Congresso, e por várias vezes.

Agora sabe-se que cerca de 20 assembleias legislativas estaduais estão sob a mesma desconfiança, com investigações sobre tal prática. Cabe lembrar, a investigação na Assembleia do Rio não começou por conta de Flávio. Mas ganhou corpo precisamente por ele. Agora é também por ele que avança para outros estados.

15 dias de pausa: férias!

Durante 15 dias o colunista estará ausente. São 15 dias de férias. Dia 21 estaremos de volta.

Até lá.

 

Heráclito, sem mandato, mantém influência com Bolsonaro


Heráclito Fortes: mesmo sem mandato renovado, deputado mantém canais abertos junto ao governo federal (FOTO: Câmara dos Deputados)

 

O deputado Heráclito Fortes (DEM-PI) é um velho conhecido do Congresso, onde desembarcou com mandato em 1982. Nesses 36 anos, criou laços fortes e contou com grande poder no período Sarney (sobretudo via Ulysses Guimarães), no período FHC e agora no mandato de Michel Temer. As eleições passadas deixaram Heráclito sem mandato e a partir de 1º de fevereiro ele fica sem assento na Câmara. Mas a falta de mandato não o tirou do centro do poder. Ele segue dialogando diretamente com o núcleo do novo governo.

Heráclito Fortes faz parte de um grupo de políticos, com mandato ou não, que tem voz junto ao novo governo. Primeiro, tem diálogo aberto com o próprio Bolsonaro. Além disso, é precisamente a casa do representante piauiense que funciona como uma espécie de ponto de encontro de um time que tem nomes como Benito Gama, José Carlos Aleluia, Danilo Fortes e até mesmo o articulador político número do governo, o ministro Onyx Lorenzone.

Esse grupo costuma se reunir completo nas quintas-feiras, quando Heráclito oferece almoço com tempero piauiense. Além do capote e da galinha ao molho pardo, esses almoços têm no cardápio discussões sobre os rumos do país. Foi em um desses encontros, na primeira quinzena de dezembro, quando surgiu o alerta ao novo governo: era preciso dialogar com as bancadas partidárias para garantir a viabilidade de matérias como a reforma da Previdência.

Depois do alerta, Lorenzone saiu a escutar as bancadas, costurando um grupo mais coeso de apoio ao governo. O Palácio do Planalto ainda está longe de ter tranquilidade, mas os temores diminuíram muito deste então.

Diante dessa capacidade de estar junto, alguns apressados poderiam imaginar Heráclito à frente de algum órgão federal. Não se cogita isso, inclusive porque não é o perfil de Heráclito. Mas é provável que tenha lugar em alguma estrutura de assessoramento político – dentro do palácio ou mesmo no Congresso. Independente disso, Heráclito deve ter influência na indicação em alguns cargos federais.

Esforço para manter Avelino na Codevasf

No governo Michel Temer, Heráclito Fortes tinha importante espaço. Como integrante da bancada do PSB (ao qual era filiado), indicou os dirigentes do Ibama, SPU e Infraero no Piauí. Como deferência pessoal do presidente Temer, indicou um vice-presidente do Banco do Brasil. E, depois, avalizou a permanência de Avelino Neiva na Codevasf.

Agora Heráclito tenta manter Avelino no posto, embora o cargo seja cobiçado por outras lideranças do Nordeste, inclusive do Piauí. O primeiro a defender a permanência foi o deputado Átila Lira, falando como coordenador da bancada piauiense no Congresso. Esse gesto pode ser importante para Heráclito revalidar sua influência e emplacar, de novo, o comando da Codevasf.

Uma pausa de 15 dias

Aviso aos distintos leitores: o colunista se afasta por 15 dias. São o complemento das férias. Dia 21 estarei de volta.

Até lá.

Hamilton Mourão cria novo perfil para vice-presidente


Hamilton Mourão: o vice à sombra de Bolsonaro é também um conselheito do presidente com influência no governo

 

Os brasileiros estão atentos aos novos gestores que tomaram o mando do país desde o dia primeiro. A atenção especial é, claro, para o novo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Mas muitos dedicam atenção a outro personagem desse novo governo, mas precisamente o segundo na linha sucessória, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). Há expectativas de que ele pode criar um novo perfil para o cargo.

Hamilton Mourão é militar. É do Exército, como Bolsonaro. Ele é general, enquanto o presidente é Capitão. Mas não é a diferença de patente que chama atenção, e sim a possibilidade de um vice ter especial influência sobre o titular e o desenho do governo. Quando se diz influência, não é o sentido pejorativo, insinuando manipulação. Nada disso, até porque Bolsonaro está longe de ser bobo. Influência no sentido de oferecer contribuições de alto relevo que podem ser levadas em conta pelo presidente.

Em geral, os vices são fruto de uma composição em que um grupo que adere a certa candidatura oferece um nome para ser o segundo da chapa. Alguns têm papel de destaque, como Marco Maciel, o vice de Fernando Henrique. Também, até certo, ponto, o vice de Lula, José Alencar. Outros até que tentaram, mas não tiveram maior influência que a indicação de ocupantes de alguns cargos – aí podem ser relacionados Itamar Franco e Michel Temer, ambos ganhando novos lugares a partir do processo de impeachment de seus titulares.

Hamilton Mourão parece ter um papel distinto. Ele faz parte de um grupo de militares há muito ouvido por Bolsonaro. Chegou a vice não por aliança, mas precisamente pela falta dela: sem um partido grande que se juntasse à sua campanha e até indicasse o vice, Bolsonaro lançou mão de um dos seus suportes, um companheiro de primeira hora. E Mourão virou vice-presidente.

Guarda divergências de visão com o presidente, mas segue como importante conselheiro. Pode são ser o primeiro – há quem diga que é Augusto Heleno, outro egresso do Exército – mas tem voz junto ao titular do Planalto, conribuindo para conceiuar o prórpio governo. Dessa forma assegura um figurino novo à vice-presidência.

Os vices da Redemocratização

Cada vice, uma história. E a história vai dizer o que caberá a Hamilton Mourão. Vamos saber o que fica dos demais vices desde a redemocratização.

JOSÉ SARNEY: o vice que nunca foi, porque no dia da posse já se tornou presidente, diante da doença (e depois morte) de Tancredo Neves. Indicado pelos aliados do velho regime que enfim se decantavam pela democracia, Sarney sequer pode ser avaliado como vice.
ITAMAR FRANCO: vice de Fernando Collor, tinha papel quase decorativo, sobretudo porque Collor se portava de forma imperial: ela ele mesmo. E ponto. Ganhou luz só com o impeachment
MARCO MACIEL: considerado o vice perfeito. Intelectualmente preparado, sabia pensar o Estado – ainda que Fernando Henrique tivesse seu próprio desenho. Também era bem articulado no Congresso e descascou muito abacaxi para FHC na relação com o Parlamento. Mais que tudo, sempre foi muito discreto, sem nunca criar problema para o titular.
JOSÉ ALENCAR: também discreto, não criou problemas para Lula. Talvez tenha tido mais importância para o petista ainda na campanha, quando atraiu segmentos importantes do empresariado. Depois, o PT era senhor do governo.
MICHEL TEMER: como Fernando Collor, Dilma não dava bolas para muita gente. E assim, Temer contava mesmo para garantir os espaços do PMDB no governo, sem influência nenhuma no desenho da gestão. Só mostrou força quando Dilma já tinha caído em desgraça e estava aberta a porta para o impeachment.

Crime organizado desafia governo de peito aberto


Ministro da Justiça, Sergio Moro: o desafio de combater o crime organizado é desafioado agora pelos criminosos  (FOTO: Agência Brasil)

 

Em quatro dias, Fortaleza e outras cidades do Ceará sofreram quase 90 ataques patrocinados pelas organizações criminosas que tomam conta de um bom pedaço do país. Foram ataques de todo tipo, muitas vezes às claras, registrados em câmeras de segurança de postos de gasolina, repartições públicas ou agências bancárias. Não há dúvidas quantos à origem das ações, até porque os criminosos que comandam essas organizações querem deixar bem claro que estão por trás desses atos que são uma afronta direta à ordem legal e aos governos do Ceará e da União.

O Ceará é bem um retrato da força do crime organizado no Brasil. Talvez seja o estado onde essas organizações tenham mais força, superando até mesmo o Rio de Janeiro e seguido de perto por Roraima e Rio Grande do Norte. Mas é sempre bom lembrar que essas organizações deitam e rolam em rigorosamente todos os estados do país.

É o maior desafio do Brasil, um desafio que o governo federal resolveu abraçar como prioridade real, no que vem sendo replicado em alguns estados, entre eles o Ceará. O novo ministro da Justiça, Sérgio Moro, tem claro suas duas prioridades: combater a corrupção e enfrentar o crime organizado. Sabe que essas organizações são, direta ou indiretamente, responsáveis pela maioria das mortes violentas no Brasil. Daí, começou a estruturar o combate. As organizações decidiram mostrar que não gostam da ideia e deram essa demonstração no estado onde são mais fortes – e que agora também empunha as mesmas ideias de Moro.

Esse desafio abraçado por Sérgio Moro e alguns governadores se faz especialmente gigantesco porque o Brasil acumula décadas de quase nenhuma ação contra os grupos que comandam as ruas a partir de ordens que partem dos presídios.

Organizações nasceram da incompetência

O surgimento e crescimento dessas organizações tem um detalhe tristemente curioso: não são grupos de bandidos que se organizam nas ruas e que, por seus crimes, acabam nas cadeias. Ao contrário: são grupos de criminosos que, recolhidos em presídios, se organizaram e passaram a ditar as regras das ruas. Ou dito de outra forma: são organizações que nasceram dentro de estruturas públicas, com a proteção (mesmo que involuntária) do Estado.

Cabe ainda lembrar que em muitos casos esses sindicatos do crime surgiram não apenas com a cegueira de agentes públicos, mas também com a escancarada colaboração. E aí, o Estado que foi incapaz de administrar adequadamente esses presídios a ponte de permitir que essas organizações se formassem e se agigantassem, tem se mostrado ineficiente no combate a tais corporações do crime.

Os ataques no Ceará mostram apenas que o problema chegou a um nível absurdo e que coloca o Poder Público contra a parede. Não é mais possível repetir o faz-de-conta dos últimos tempos, com direito a tanques nas ruas e repetição de pedidos de Força Nacional. Isso não resolve. Apenas reforça o faz-de-conta, porque o principal está ausente: inteligência.

‘Inteligência’ ainda não está no comando

O desenho do plano de ação de Sérgio Moro contra o crime organizado é pautado pela inteligência – aí entendida como recursos estratégicos que desarticulam as operações dos criminosos. Segundo disse, isso inclui isolamento das lideranças e ataque aos modos de financiamento dos grupos criminosos. Cinco dias depois do início do governo, essa inteligência ainda não está no comando.

O que está vigorando no Ceará desde ontem é o mais do mesmo: ação repressiva. É um recurso que visa assegurar um mínimo de segurança à população, contendo a onda de ataque. A ação de inteligência tem que vir na sequência, com a perspectiva de efeitos de médio e longo prazo – mas efeito efetivo.

Que venha! Porque a insegurança no país chegou a nível que está impossível.

Falta de chuva reduz em 20% expectativa de safra nos cerrados


Plantio de soja em Bom Jesus: à espera de chuvas para que as perdas na colheita não sejam maiores  (FOTO: Rafael Maschio)

 

A supersafra de grãos esperada para este ano nos cerrados piauienses já está comprometida em razão do veranico ocorrido desde meados de dezembro. No caso da soja, as perdas já são de 20% sobre a expectativa de colheita, quebra que pode piorar ainda mais caso não se verifiquem novas chuvas pelas próximas duas semanas. “Se não chover até o final da primeira quinzena de janeiro, as perdas podem chegar a 30%”, adverte Rafael Maschio, Diretor Executivo da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja).

No ano passado, o Piauí colheu a maior safra da história. Isso foi possível graças a um regime de chuvas considerado quase perfeito, que gerou excelente produtividade: os produtores de soja colheram mais de 3,5 toneladas por hectare. Este ano as expectativas eram muito positivas. Não se esperava um novo recorde, mas uma excelente safra, já que a área plantada havia crescido em relação ao ano anterior, tanto na soja (a principal cultura dos cerrados piauienses), como no milho e algodão.

No caso da soja, o aumento de área foi de 5%, enquanto no milho o plantio cresceu mais de 10%. Isso tudo alimentava a esperança de outra supersafra. Mas a expectativa já está frustrada. Não chove na região desde o dia 10 de dezembro, o que comprometeu o desenvolvimento das plantas. No caso da soja, as perdas diminuem as expectativas em quase 500 mil toneladas.

Conforme dados da Associação, a área total com soja soma 730 mil hectares. Cerca de 60% da área são lavouras em estádios vegetativos (fase que vai até a floração), onde a falta de chuva já resultou em quebra de 15% sobre a colheita projetada. Os outros 40% são cultivos em estádios reprodutivos (com flor ou grão em fase de enchimento), onde a quebra chega a 30% – daí chegando a essa média de 20% nas perdas apenas entre produtores de soja.

As projeções iniciais da CONAB apontavam para uma colheita de 2,4 milhões de toneladas de soja. Depois do veranico, essa projeção é de 1,93 milhão de toneladas. Mas Rafael Maschio alerta: é preciso chover até o fim desta primeira quinzena do ano. Se não chove, as perceptivas ficam mais dramáticas e as perdas podem chegar a 30% sobre o projetado.

Em 2018, Piauí teve 2ª maior produtividade

O ano de 2018 foi um ano especial para a produção agrícola no Piauí. O estado conseguiu a maior safra de grãos da histórica: foram 4,4 milhões de toneladas, onde a soja representou a maior fatia (2,5 milhões de toneladas), seguida do milho (1,5 milhão). A colheita fabulosa foi resultado do regime chuvoso excepcional, que levou à 2ª maior produtividade do país.

Para se ter uma ideia, a produção de 3.200 quilos por hectares já é motivo de comemoração. No ano passado, os produtores de soja do Piauí colheram cerca de 3.540 quilos por hectares. No início de dezembro, os produtores estavam quase eufóricos, diante do aumento de área plantada e das chuvas, até então em bom ritmo.

O humor de São Pedro mudou, as chuvas escassearam desde 10 de dezembro e a projeção de safra ficou 20% menor que a prevista. E convém não fustigar São Pedro, porque pode ser pior.

Sebastião Martins define 3 prioridades à frente do TJ


Desembargador Sebastião Martins: prioridades à frente do TJ incluem maior produtividade no Judiciário piauiense

 

O desembargador Sebastião Martins assume, na segunda-feira pela manhã, a presidência do Tribunal de Justiça do Piauí. Ele definiu três focos prioritários de sua gestão, aprofundando ações que estão redimensionando o trabalho do TJ. As prioridades dão a medida de uma Justiça que interage com a sociedade, gerando mais resultados para os que buscam o Judiciário. As prioridades também mostram sintonia com as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ.

Daí, a primeira das três principais ações é a que vai em busca de maior produtividade no Judiciário piauiense. Como essa meta tem muito a ver com estrutura funcional, Sebastião Martins pretende implantar o Processo Judicial Eletrônico (PJe) em todas as unidades judiciárias. A intenção é abolir – ou chegar muito perto disso – o uso do papel no Poder Judiciário.

Para conseguir esse feito, o desembargador pretende dar especial atenção à STIC, Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação. Em sumo: fazer que todo o Judiciário do estado esteja sintonizado com as novas tecnologias.

O segundo tripé da gestão Sebastião Martins  é o aumento dos índices de Conciliação e Mediação. Esse é um instrumento que tem vários ganhos: encurta as disputas, reduz o número de processos e fortalece a cultura da paz. Esse é um  método fundamental para a resolução dos conflitos.

Nessa relação mais estreita com a sociedade, a nova gestão terá como terceira pilastra o fortalecimento da rede de combate à violência contra a mulher. Com isso, dá mais ênfase a uma diretriz do CNJ para 2019 e atende a uma demanda importante da sociedade.
 

Vanessa Tapety e a sustentabilidade

O desembargador Sebastião Martins terá a advogada Vanessa Tapety como uma de suas assessoras diretas. Ela será a coordenadora do Núcleo de Gestão Socioambiental. Esse núcleo tem uma preocupação que é nova mas muito importante na gestão corporativa: a atenção aos aspectos ambientais e à sustentabilidade.

Com isso, ela dará atenção a aspectos como o melhor uso de recursos disponíveis, como a própria energia, a possibilidade de reuso de materiais, bem como a adequada coleta e descarte de resíduos, sobretudo aqueles com impacto ambiental, como pilhas, baterias, toners. Vanessa toma posse junto com o grupo de assessores de Sebastião Martins, após à investidura do novo presidente.

João Henrique prepara posse simples no comando do Sebrae


Novo Sebrae: Vinicius Lage, Diretor-Executivo; João Henrique, presidente; e Carlos Melles, Diretor de Administração e Finanças

 

Já tem dia e hora a posse de João Henrique Sousa na presidência do Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. A posse acontecerá na próxima segunda-feira, às 17 horas, na sede do próprio Sebrae, em Brasília. E também já está definido o figurino da solenidade: João Henrique deseja uma posse simples. Muito provavelmente será o primeiro indicativo do estilo que pretende adotar à frente do principal órgão de apoio às micro e pequenas empresas do país. Tempos de austeridade.

A nova diretoria do Sebrae foi eleita no dia 29 de novembro. João Henrique teve seu nome apresentado à apreciação do Conselho Deliberativo a partir de uma indicação do então presidente Michel Temer. Vale lembrar, o ex-deputado piauiense – que também já foi ministro dos Transportes no final do governo Fernando Henrique – foi indicado por estar à frente do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi) desde 2016.

Ele agora assume a presidência do Sebrae em um momento delicado, quando o novo governo anuncia cortes nos recursos do chamado Sistema S – que reúne nove instituições, entre elas o SESI, SESC e o Sebrae. Mas João Henrique acredita que muito pode ser feito pelos pequenos negócios. Nesse sentido, acha que pode ajudar bastante o Piauí.

Os planos que tem ele ainda não detalha. “Depois da posse”, diz, tangenciando às perguntas. João Henrique vai substituir no comando no Sebrae Guilherme Afif Domingos, que chegou ao posto por indicação da ex-presidente Dilma Rousseff. “O Sebrae tem uma relevância tão forte no trato com o empresário de micro e pequena empresa que me sinto extremamente entusiasmado em continuar esse trabalho que o Afif vem fazendo. Vou dar o melhor de mim para a instituição”, disse.
 

Conheça os novos comandantes do Sebrae

A referência da nova diretoria do Sebrae será João Henrique Sousa. Ele carrega uma alta capacidade de articulação que antes o levou ao ministério do Transporte e à presidência do Conselho Nacional do SESI. Ele terá Vinicius Nobre Lage na Diretoria-Executiva, que deixa a diretoria de Administração e Finanças. Vinicius é funcionário de carreira do Sebrae, tem doutorado em economia e já foi ministro do Turismo.

O novo diretor de Administração e Finanças será o deputado mineiro Carlos Melles (DEM). No Congresso, adotou como principal bandeira precisamente a defesa dos pequenos negócios. Ele foi indicado para cargo pela Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa no Congresso Nacional. Por fim, o presidente do Conselho Deliberativo será José Roberto Tadros, atual presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Heráclito e João Henrique permanecem com Temer até o final


Michel Temer: com a companhia de João Henrique até depois de deixar o poder

 

Diz-se que os amigos se revelam nos momentos sem fartura, luzes e poder. Pois o ex-presidente Michel Temer deve ter conhecido os seus reais amigos nos últimos meses, em especial depois da eleição de outubro, quando o olhar que procura a sombra do poder já se direcionava para Jair Bolsonaro, o eleito. Nesse momento de abandono, no entanto, pelo menos dois piauienses permaneceram junto a Temer até o final.

Os dois – o ainda deputado Heráclito Fortes e o já quase presidente do Sebrae, João Henrique Sousa – estiveram com Temer mesmo na tarde de terça-feira, quando já era ex-presidente. Heráclito acompanhou o “desempoderado” Temer até a Base Aérea de Brasília, onde o ex-presidente tomou um avião de volta para casa, em São Paulo.

Vale lembrar, Heráclito sempre ressaltou sua proximidade com Michel Temer, mesmo nos momentos mais críticos, como na época das denúncias feitas pela PGR. Costumava receber o amigo para almoços com sotaque piauiense, regado a muita conversa política alimentada por um punhado de nomes influentes na política do momento. Não renegou a amizade, muito pelo contrário.

João Henrique foi além. Tomou assento no avião e seguiu com o ex-presidente até São Paulo, em uma viagem de retorno com alguns poucos. Estavam lá, por exemplo, Romero Jucá e uns três ministros do governo recém-findo. João Henrique é um velho amigo e aliado de Temer, desde os tempos de vivência na Câmara dos Deputados e também dentro do PMDB.

Pelas mãos de Temer ele tornou-se presidente do SEBRAE, cargo que assumirá oficialmente na próxima segunda-feira.

Também não desdenhou do poder desinflado. Seguiu junto do amigo até o último instante.

A hora de um Wellington que diz ‘não’?


Wellington Dias: até mesmo aliados como Regina Sousa pedem um novo estilo do petista à frente do governo do estado

 

Em 2004, fui questionado na Espanha por um colega de Doutorado sobre as características do governador do Piauí, Wellington Dias. Wladimir Gramacho, o colega, queria conhecer mais do petista que chegara ao poder em um dos estados mais conservadores do país. Resumi o jeito de ser de Wellington com uma frase: “Ele tem uma característica que é ótima para ganhar eleição e péssima para governar. Ele não briga com ninguém. Ele não sabe dizer não”.

Com essa característica, Wellington amealhou apoios e chega agora ao quarto mandato. Algo de muito positivo tem no estilo. Mas, apesar do êxito nas urnas, o “jeito Wellington de ser” recebe reparos, que chegam através da mais insuspeita aliada, a agora vice-governadora Regina Sousa. Para ela, Wellington “precisa aprender a dizer não”.

Não é a frase que muitos políticos gostariam de ouvir no discurso de posse, ainda mais um punhado de políticos que se aproximaram do governador por essa capacidade que ele tem de agregar, em geral por nunca dizer não. Mas os tempos mudaram. E Wellington vai precisar se ajustar a eles, com novos caminhos administrativos.

O discurso de Regina, ontem mesmo, no Palácio de Karnak, não foi indiferente a Wellington. Logo em seguida ele trataria do tema, ainda que de forma suave, recorrendo à música. Ele citou Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros. Repetiu os versos: “Prepare o seu coração / Pras coisas / Que eu vou contar / Eu venho lá do sertão / E posso não lhe agradar”. Faltou dizer o verso seguinte: “Aprendi a dizer não”. Não disse, mas está bem perto disso.

Pode parecer que o governador esteja disposto a fazer o mandato “definitivo”, aquele que ficará na história do Estado. Pode ser. Mas Wellington tem se mostrado um animal político de extrema sensibilidade, capaz de fazer todo tipo de malabarismo para manter o grupo político. Por isso tudo, só agrega.

O problema é que as condições do Estado e do país não aceitam mais muitos malabarismos. E aí fica a grande pergunta: Wellington vai se reinventar a  ponto de aprender a dizer não? O tempo dirá.
 

Nova fala sobre Bolsonaro

Os principais líderes políticos do Piauí deram as costas para a posse de Jair Bolsonaro. Como ter uma justificativa, Wellington Dias até fez a posse à tarde, mesmo horário da de Bolsonaro. Daí ele não podia estar em Brasília. E também não estiveram Ciro Nogueira e Marcelo Castro. Mas a ausência foi atenuada por uma fala mais serena do próprio Wellington... e também de Ciro.

Wellington disse que vai procurar o governo Bolsonaro nos próximos dias, visando integrar ações. É uma boa mudança, que teve ação similar em Ciro Nogueira. O presidente do PP disse que pode apoiar o governo Bolsonaro, na medida em que o presidente apoie o Piauí.

São gestos importantes. E que podem indicar, enfim, o encerramento da campanha. Começa o governo.

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