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PTB quer Paulo Roberto candidato em Teresina ou Monsenhor Gil

O PTB quer Paulo Roberto candidato. Mas ainda não sabe por onde: se candidato a uma vaga de vereador de Teresina ou à prefeitura de Monsenhor Gil. O Paulo Roberto, no caso, é aquele que ganhou um acréscimo no nome político – “da Iluminação" –, quando fez parte do secretariado de Elmano Ferrer na administração da capital piauiense. Como cuidava da iluminação em Teresina, levou o apelido. E, em 2012, também levou uma vaga de vereador na Câmara teresinense.

Mas Paulo Roberto da Iluminação tem origem política em Monsenhor Gil, onde foi prefeito no início da década passada. Mantém o vínculo com a cidade da Grande Teresina e não descarta a possibilidade de disputar outra vez a prefeitura municipal. Ao mesmo tempo, o PTB colocava o nome de Paulo Roberto na lista de candidatos a vereador da capital.

O partido, no entanto, tem feito avaliações e acha que Paulo Roberto pode ser uma boa alternativa para a prefeitura de Monsenhor Gil, até porque o ex-prefeito tem mantido estreita relação com o eleitorado do município. Daí, o plano inicial do PTB de reforçar a chapa a vereador de Teresina com o nome de Paulo Roberto pode ter que ser refeito.

O partido de João Vicente Claudino vê com bons olhos a possibilidade de ter um prefeito em uma cidade considerada estratégica.
 

Mais gente do interior na capital

Paulo Roberto da Iluminação já experimentou a travessia: sair de uma base no interior para a eleição na capital. Ele chegou à Câmara na eleição de 2012. Outros tentam caminho semelhante. É o caso de Antônio Félix, ex-deputado que sempre teve como principal base eleitoral a região de Campo Maior. Ele será candidato a vereador em 2020, em Teresina.

Antônio Felix já tinha algum apoio na capital, com votação próxima de 2.000 votos para deputado estadual. Quer ampliar a votação para pleitear uma vaga na Câmara. O mesmo acontece com Ribamar Cabelouro, ex-prefeito de Barras. Ele também está andando pelos bairros da capital visando construir uma base de apoio capaz de garantir um mandato de vereador.

Reis Veloso, o piauiense que fez o Brasil pensar global

João Paulo dos Reis Veloso foi um parnaibano sereno. Nem por isso passava discretamente. Não dava. Era uma usina mental e pensava grande demais, tanto que mudou o rumo do planejamento público do Brasil. Antes dele, o planejamento era meramente setorial, às vezes sem as partes dialogarem na construção do todo. Com Reis Veloso tudo mudou: o planejamento passou a ser integrado. E Reis Veloso, que ficou dez anos como ministro do Planejamento, ajudou a desenhar o chamado "Brasil Grande", do milagre econômico, das obras gigantescas e da inserção global de áreas como o agronegócio, que antes pensava pouco além dos quintais.

Reis Veloso é o tema do novo episódio do Persona, o Podcast Cidade Verde que traz sempre uma personalidade que marcou época e interferiu no rumo da história. E nesse episódio sobre o homem que mudou o planejamento do Brasil, um craque do planejamento público no Piauí: Felipe Mendes. Uma conversa que fala inclusive do planejamento de Celso Furtado (que deixava o Piauí de escanteio) ou das decisões de governos locais, como o de Alberto Silva, que não deu bolas para o plano de exploração dos cerrados.

Vale a pena ouvir esse episódio, muito revelador do passado que ajudou a desenhar o presente.

CONFIRA:
REIS VELOSO: o piauiense que fez o Brasil pensar global.

Livro de Hugo traz novas facetas da vida de JK



Uma das mais expostas das personalidades públicas brasileiras, o ex-presidente Juscelino Kubitschek será tema de um novo livro, desta vez do ex-senador piauiense Hugo Napoleão do Rego Neto. Hugo foi muito próximo da família JK e integrou o grupo de advogados que defendeu Juscelino já no período da ditadura, quando o ex-presidente se tornou um dos alvos do novo regime. O livro Eu Fui Advogado de JK será lançado em Teresina no próximo dia 4 de dezembro, trazendo novas facetas de um dos mais carismáticos políticos da história do Brasil.

Juscelino tem a vida muito bem documentada. A começar por ele mesmo, que escreveu uma ampla autobiografia. JK também nunca descuidou de registrar seus passos como gestor, seja como prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas ou presidente da República. Cada passo que dava em Brasília tinha o registro em fotos e filmes. Também são fartos os registros da vida social do “presidente Bossa Nova”, que não se furtava de deixar ver em bailes dançantes ou mesmo em serestas.

Hugo Napoleão traz agora novas facetas da vida de JK. E traz relatos a partir da observação direta, como participante de muitos episódios da trajetória do ex-presidente. Vale lembrar, o pai de Hugo, o embaixador Aluízio Napoleão, era amigo de Juscelino. Foi chefe de Cerimonial da Presidência da República no mandato do filho de Diamantina: o cargo, sempre reservado a um diplomata, soube a Dr. Aluízio, que também é uma lenda no Itamaraty.

Dessa forma, Hugo naturalmente se tornou próximo da família. Tanto que foi fonte para a Rede Globo quando a emissora dos Marinho decidiu fazer uma minissérie sobre o mineiro. Em certo momento da minissérie, JK se dirige a uma das filhas e diz: “Vá dançar com o Huguinho”. A reverência era a Hugo Napoleão, que ao seu estilo também encantava as plateias. Agora, é a filha Maria Estela Kubitschek que assina o prefácio do livro sobre o pai.
 

Momento difícil da vida de JK

O livro de Hugo Napoleão faz parte da coleção “Memórias do Parlamento”, da editora CEAT. Nele, Hugo não faz um relato da própria vida, mas de um momento em particular que viveu, exatamente quando iniciava na vida pública – e como advogado de JK. Foi um período particularmente difícil da vida do ex-presidente, perseguido em plena ditadura, que se esforçava em fazer um linchamento moral de seus principais adversários.

Hugo tem um papel importante nesse momento, em contato permanente com Juscelino. Traz relatos desses encontros e também contextualiza os fatos com referências ao momento histórico e às movimentações de todo o grupo de advogados de defesa. Dessa forma, o livro de Hugo traz luzes importantes sobre a nossa história, mesmo falando de um político que sempre esteve sob os holofotes – inclusive por gostar muito de se mostrar para as luzes.

Lula, mundo afora: longe da esperança de 2003

Quanta distância entre janeiro de 2003 e novembro de 2019. No início de 2003, Lula assumia o Planalto sob o olhar esperançoso do mundo. Quase 17 anos, o agora ex-presidente sai da cadeia com registros da imprensa internacional que acentua não apenas aspectos controversos do julgamento do petista como possíveis desdobramentos preocupantes pelo fim da prisão em segunda instância – que deve por fim de vez à Lava Jato e colocar nas ruas a 5 mil presos. Hoje, Lula está longe de inspirar a esperança de antes. E o Brasil também.

Quando tomou posse em 2003, Lula encantou meio mundo por um bom tempo. Mas o vaso de porcelana começou a trincar já em 2005, com o Mensalão, depois recebendo novas fissuras com outros episódios negativos, desde os cartões corporativos até o Petrolão. O Brasil que encantou foi aos poucos voltando à leitura de sempre: uma república de bananas. Nessa volta à velha imagem, o Petrolão foi especialmente responsável.

A soltura de Lula, ontem, recebeu aplausos de poucas lideranças políticas relevantes, quase todas aqui mesmo no continente. Um dos mais efusivos foi Nicolás Maduro, que nunca passou muito de uma caricatura de líder. Cristina Kirchner festejou, mas já não tem o peso de antes, carregando o mesmo tipo de acusação que o ex-presidente brasileiro. Sobram poucos com voz ressoante, como Alberto Fernández (mesmo ainda um subproduto de Cristina) e Bernie Sanders.

Na imprensa, o registro da soltura foi imediato. Mas sem empolgação. Quando muito, colocando Lula como contraponto a Bolsonaro. É muito pouco para quem já foi a esperança de meio mundo.
 

El País, longe do ‘Brasil, ano I’

Talvez nenhum meio de mídia internacional tenha apostado tanto no PT quanto o espanhol El Pais. Foi esse jornal que, em janeiro de 2004, quando Lula completava um ano de poder, estampou na capa de sua revista dominical: “Brasil, ano I’. Era como se tivesse havido uma refundação do país. O curioso é que a capa trazia a foto de uma das estrelas petistas da época: a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy.

Marta saiu do partido e boa parte dos petistas abandonaram o petismo sem deixar o PT. Conferindo a edição espanhola do El Pais na web, na manhã deste sábado, podia-se ver que o tema Lula sequer aparecia na parte de cima do portal. Também não estava entre as dez mais lidas da edição espanhola – na edição brasileira, claro, estava no topo. Há dois atenuantes: a Espanha tem eleição amanhã e, hoje, o mundo assinala os 30 anos da queda do muro de Berlin.

Mas vale notar: o tom adotado pelo El País na edição espanhola está longe, muito longe, da ideia de que Lula refundou ou refundará o Brasil.


Edição digital do El Pais na manhã de sábado: espaço destacado para eleição geral e queda do muro

Supremo: nem herói, nem bandido

Em um clima polarizado em que o arco-íris político apresenta apenas as cores extremas, as pessoas ou as instituições passam instantaneamente da condição de herói à de bandido, ou vice-versa. E, depois da decisão que modificou o entendimento sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, o Supremo Tribunal Federal (STF) é a figura da vez. Não falta quem o aponte como bandido; ou como herói.

A decisão do Supremo deve ter como consequência imediata a soltura de cerca de 5 mil presos, entre eles um nome em destaque: o ex-presidente Luiz Inácio Lula. E tem como juiz central na mudança de entendimento a figura do ministro Gilmar Mendes: o mesmo Gilmar que há pouco era o satanás para muitos petistas, agora é a própria face da heroicidade. Para os que desejavam ver Lula seguir entre as grades, o ministro também muda de lugar, mas sendo escorraçado do posto de herói.

O mesmo tipo de julgamento vai emoldurar a imagem da própria Corte. Os que a festejavam há pouco, agora a criticam; e os que, não faz muito, jogavam tomate no colegiado, agora tomam a instituição com um carinho e afeto irrefreável. E a leitura desse episódio deve ser menos simplista e caricatural. O Supremo não é nem herói nem bandido, até porque dos 11 ministros, só um mudou de posição.

Pode-se (ou até deve-se) questionar o contexto do julgamento e também a pressa de revisar um tema sobre o qual a Corte tomou posição há pouco mais de três anos. Muito pouco tempo. Mas é a tal da fulanização das decisões: a pauta é feita segundo interesses específicos. E esse é um problema das instituições no Brasil – daí a importância do questionamento sobre o tema.

Mas levar tudo para o jogo herói x bandido, é reduzir demais a discussão.
 

Gilmar, o ponto fora da curva

Poucos estudiosos do Direito entendem a pressa do Supremo em voltar a julgar a questão da prisão com a condenação em segunda instância, pouco mais de três anos após decisão sobre o tema. Sobretudo porque a composição da Corte tem dez dos 11 julgadores da etapa anterior. Mas o caso voltou, tendo Gilmar Mendes como grande defensor dessa revisão. Não por acaso, Gilmar é o ponto fora da curva: de todos os que participaram das duas votações, foi o único a mudar de posição. O que via como constitucional, passou a enxergar como inconstitucional.

Todos os demais votaram como antes. A favor da prisão após condenação em segunda instância: Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Carmen Lúcia. Contra: Marco Aurélio, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Celso de Melo e Dias Toffoli. Alexandre de Moraes votou a favor, mantendo uma posição que cultivada desde quando era professor constitucionalista. A diferença foi mesmo Gilmar Mendes, que mudou de posição e permitiu que o placar se repetisse, mostrando a divisão do Supremo.

Mas Gilmar, como ponto fora da curva, levou o desempate dom placar para o outro lado. E um voto mudou tudo.

Seis meses antes da eleição, UFPI já tem 4 candidatos a reitor

Faltam ainda seis meses para a eleição que a Universidade Federal do Piauí (UFPI) fará para escolha da lista tríplice prévia à escolha do próximo reitor da instituição. Apesar da distância, a campanha começa a ganhar corpo, com movimentação de potenciais candidatos ao principal cargo na Universidade. Quatro nomes se destacam desde já, em um cenário que tende a se definir pra valer no início do próximo semestre letivo.

A eleição direta na UFPI deve acontecer no início de maio. Os três nomes mais votados serão enviados para o Ministério da Educação, que escolhe o reitor. Nessa eleição, votam professores, servidores de nível técnico e alunos. Mas os grupos têm peso diferentes: os professores representam 70% do peso, cabendo a servidores e alunos dividirem os 30% restantes, com peso igual de 15%.

Dos quatro nomes que se movimentam, dois são já bem conhecidos: a vice-reitora Nadir Nogueira e o diretor da EAD, Gildásio Guedes. Os nomes que se apresentam como novidade são Nelson Juliano (ligado ao curso e ao mestrado em Direito) e André Macedo, da Computação.
 

Os nomes já lançados

Até o momento, estão se movimentando (em articulações e até mesmo reuniões) esses quatro candidatos. São dois que se posicionam na oposição e dois dentro do leque de aliados diretos da atual gestão.

Nadir Nogueira: ligada ao curso de Nutrição, é vice-reitora de Arimatéia Dantas, repetindo a aliança pelo segundo mandato seguido. Ela é considerada o nome mais forte no lado dos que governam a UFPI neste momento, superando André Macedo, que também se coloca como postulante à Reitoria.
• André Macedo: ligado ao Departamento de Computação, é o atual ocupante da Pro-Reitoria de Planejamento. Tenta se firmar como alternativa a Nadir dentro do grupo que está à frente da universidade. Admite-se que pode ser candidato mesmo que o reitor Arimatéria Dantas se decante pela vice-reitora.
Gildásio Guedes: com formação na área de Matemática, é diretor do Centro de Educação Aberta e a Distância da UFPI. Tem raia própria como estrutura de poder. Já tentou ser candidato outras vezes, quando abriu mão para nomes como Luiz Júnior. Mas agora não quer abrir mão dessa possibilidade.
Nelson Juliano: professor de Direito e ex-diretor do CCHL, é liderança em ascensão. Nelson se posiciona como alternativa para o que seria um novo modelo de universidade, mais integrada à comunidade. E também se articula para ser o mais claramente de oposição à atual gestão, junto com lideranças no CCS, CT e campi do interior.

Extinção de municípios é ‘novo BPC’: está para não vingar

Um dos pontos mais ressonantes no pacote de medidas apresentado ontem pelo governo é o que diz respeito à extinção de municípios. A reação é grande. O critério apresentado na proposta é, digamos, técnico: aquele município com menos de 5 mil habitantes e receitas que cobrem menos de 10% das despesas, terão que ser incorporado pelo vizinho. A argumentação técnica é pertinente: tais municípios são rigorosamente inviáveis. Mas essa é uma proposta que tem muito pouca chance de emplacar.

E ao que tudo indica, está lá para não emplacar mesmo. Pode-se dizer que ela é, para este pacote de medidas, o que o BPC – Benefício de Prestação Continuada – foi na discussão da reforma da Previdência. Ou seja: está lá para ser retirado dentro das discussões no Congresso. As resistências políticas são grandes, a começar pelos próprios deputados federais que costumam medir a própria força a partir do número de prefeitos que reúnem no balaio eleitoral.

A ideia de extinção não deve prosperar, mas o governo espera descartá-la em troca da aprovação de outros tópicos que geram reação. Até porque, excluindo-se a intenção de extinguir municípios, os prefeitos tendem a festejar a proposta que vai engordar os cofres municipais.
 

Caos nas contas estaduais

Independente do desfecho da votação da matéria, há uma unanimidade: os municípios vivem um caos de gestão onde a autonomia financeira (ou a falta dela) é um dos maiores agravantes. Vale conferir o recém-lançado Indice Firjan de Gestão Fiscal:

• Quase dois mil municípios não são capazes de gerar localmente recursos suficientes para arcar com as despesas da estrutura administrativa;
• 50% das prefeituras gastam mais da metade do orçamento com pessoal;
• Mais da metade apresenta dificuldade para pagar fornecedores;
• Quase metade do país tem nível crítico de investimento, destinando apenas 3% das receitas a essas despesas.

As dificuldades são especialmente graves no Nordeste, onde 71% dos municípios têm zero Real de arrecadação própria. No Piauí, apenas 4 dos 215 municípios que oferecem dados a respeito alcançam índice acima de 0,6 no quesito autonomia. Os que estão acima de 0,4 são apenas 9. Ou seja: os demais vivem situação criticam, conforme o índice Firjan.

Pacote tenta dar novo ritmo à economia. Desta vez vai?

O governo federal dá à luz uma espécie de pacote de medidas que pretende, finalmente, a virada na economia nacional e permitir ao Brasil o reencontro com o crescimento. É um pacote que se junta a outras ações, desde a reforma trabalhista de Michel Temer à reforma da Previdência a ser promulgada em pouco mais de uma semana. Há boas expectativas entre os investidores, mas uma série de questões ainda está posta, o que leva à pergunta mais repetida dos últimos anos: desta vez vai?

O desempenho da Bolsa, com seguidas quebras de recorde no volume de negócios, dá uma medida do otimismo dos investidores. Também o comportamento do câmbio aponta nesse sentido. Mas ainda há sombras no cenário, e o principal é sem dúvida o clima político, excessivamente conflitante e com ingredientes poderosos colocados na mesa pelo próprio governo. Uma delas é o caminho da reforma tributária, que o Congresso deve deixar mais restrita à distribuição de recursos entre os entes federados. Para o cidadão e as empresas, não deve mudar tanto.

O país ainda carece de um sistema tributário mais simples e sem tantos efeitos cumulativos (imposto sobre imposto). Também precisa cortar o amontoado de estágios burocráticos para qualquer ação. O investidor está atendo a isso, ainda mais que o resto do mundo vem adotando medidas nesse sentido. As medidas são esperadas não apenas para melhorar a realidade brasileira. São também olhadas como mecanismos para melhor posicionar o país na competitividade global.

Tudo isso se soma à expectativa de que o Brasil possa, enfim, dar a virada e deixe na história a recessão mais brutal já vivida pelos brasileiros.
 

Recessão é mais longa da história

A expectativa de mudança de rumo na economia é muito grande, e muito aguardada. Não é por acaso: estamos entrando no sexto ano de uma recessão que mostrou suas garras ainda em 2014. Já tivemos mais de 14 milhões de desempregados, ali no final do governo Dilma Rousseff. Temer diminuiu um pouquinho desse número; Bolsonaro, um outro tantinho. Mas nada que mude substancialmente: ainda temos mais de 11 milhões de desempregados, além de um outro tanto de empregados em situação precária.

O PIB reage de maneira quase imperceptível: depois do descalabro de 2015 e 2016 (no acumulado, o PIB despencou quase 10%), reagimos em 2017 e 2018 com recuperação simbólica, ao redor de 1%. Este ano não será muito diferente. Tudo isso faz da crise desta década a pior da nossa história. E isso dá a dimensão da expectativa de recuperação: será que desta vez vai?

É ver se as medidas agora propostas terão o efeito sonhado.

Mário Faustino, o poeta piauiense que peitou Drummond e Vinícius

Ele viveu pouco: apenas 32 anos. E lançou apenas um livro: “O Homem e Sua Hora” (1955). Mas deixou uma forte marca na poesia brasileira, a tal ponto de ser identificado como o mais inventivo dos poetas da segunda metade do século 20. O autor de tal feito é o piauiense Mário Faustino, que chegou ao planeta Terra em outubro de 1930 e foi-se dessa em 1962. No pouco tempo que passou por aqui, deixou seu legado.

A partir de uma página no Jornal do Brasil, discutiu poesia, apresentou novos poetas (entre eles os irmãos Campos, do concretismo) e teve coragem de enfrentar (com consistência) nomes consagrados da época, como Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes. Mário Faustino é o tema desta semana no Persona, o Podcast Cidade Verde que sempre traz uma grande personalidade. No Persona, a conversa sobre Mário Faustino é com o professor Carlos Evandro, que está lançando um novo livro sobre o poeta.

CONFIRA:
MÁRIO FAUSTINO: o poeta que peitou Drummond e Vinícius.

VEJA TAMBÉM:
JOSÉ MEDEIROS: o fotógrafo piauiense que assinou clássicos como Xica da Silva.
AMÉLIA BEVILAQUA:
depois dela, a Academia Brasileira de Letras nunca mais foi a mesma.
DAVID CALDAS: o piauiense que enfrentou o Império e a Igreja.
FRANCISCO FIGUEIREDO: o homem que veio do povo para mudar a política.

Lula está prestes a sair da prisão. O que vem depois?

O ex-presidente Lula está prestes a deixar a prisão após um ano e meio recolhido às dependências da Polícia Federal, em Curitiba. Pelo que se ouviu do próprio Lula, não queria sair. Mas terá, especialmente com o desmonte da Lava Jato. E, ao voltar, não vai atrás dos netos. Vai voltar à política direta, discursando Brasil afora e reafirmando sua narrativa própria. Os primeiros avisos dizem que abraçará o discurso da conciliação. Difícil de se sustentar, tanto pelo ex-presidente quanto pelos petistas e antipetistas – o que deixa no ar uma enorme pergunta sobre o que acontecerá a partir da soltura.

É preciso deixar claro que Lula em nenhum momento deixou de fazer política, muito menos de dar as cartas no PT. Um exemplo: não há a menor dúvida sobre a eleição para a presidência do PT. Será Gleisi Hoffmann. Porque Lula decidiu e está decidido. Nenhuma novidade nisso, porque as principais bandeiras e o tom usado pelos petistas têm a interferência direta de Lula: foi ele quem abraçou antes de 2014 o “nós contra eles” e que determinou a radicalização do discurso de Fernando Haddad, em 2018, avaliando que aquela campanha não tinha lugar para o centro.

Lula vai sair da cadeia como entrou: um animal político que pensa em política 24 horas por dia. Mas não deve discursar sem contradito. Nessa nova etapa, terá velhos e novos embates. Vai querer se afirmar e reafirmar como o anti-Bolsonaro, além de assentar o papel de mártir. Sim, porque Lula cultiva bem o seu papel de mito. Mas desta vez terá que ouvir a discordância de ex-aliados, ressentidíssimos pela fritura que sofrerem do próprio líder petista. O nome mais evidente desta lista é Ciro Gomes, que tenta um lugar ao sol da política atual sendo contra ambos, Lula e Bolsonaro.

E vale sempre ressaltar a possibilidade dos confrontos políticos descambarem para um cenário ainda mais contrastado e inclusive violento.
 

O risco da violência é real

Ao sair da prisão, Lula sairá pelo Brasil reafirmando-se como o mito e o mártir. Mas não estará só. A tendência é que em cada lugar que chegar, será recebido por duas vozes: a favorável e a contrária. Não será uma caminhada tranquila e o ex-presidente deverá ter saudades da “caravana da cidadania” de 1992, quando transitava sem sobressaltos. A tentativa de reedição da “caravana”, no final de 2017 e início de 2018, já deu uma mostra do clima modificado. Nos próximos meses, deve ser pior.

Os analistas enxergam a tendência ao aprofundamento da polarização, ou do discurso ainda mais extremado. Isso deve aumentar a possibilidade do embate político esquecer de vez o pouco que ainda resta de ideias e propostas. A chance dos confrontos terem desdobramentos físicos não é nem um pouco desprezível. A contrário, é muito palpável. Não custa lembrar, tanto o time de Lula quanto o de Bolsonaro é movido a paixão. E paixão não costuma contar até dois.

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