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Fim da ‘Era Janot’ traz discussão sobre papel do MPF


Rodrigo Janot: saída traz discussão sobre atuação da PGR e o próprio papel do Ministério Público Federal
 

A partir desta segunda-feira, a Procuradoria Geral da República (PGR) terá uma nova cara, após os 4 anos dos dois mandatos de Rodrigo Janot. Assume Raquel Dodge, que chega com a aura de opositora do Procurador Geral que entrega o bastão. A mudança traz uma série de discussões. Por exemplo: qual o caminho da Lava Jato? Mas há outros debates que se colocam na agenda, como a discussão sobre o papel e o poder do Ministério Público Federal.

A senha foi dada neste final de semana por Carlos Marum (PMDB-MS), deputado que não está nem aí para a opinião pública e que se esforça para traduzir o sentimento ou as estratégias de grupos específicos da política. Marum foi da tropa de choque de Eduardo Cunha e é agora um dos líderes da tropa de choque do presidente Michel Temer. É mais: é um porta-voz do sentimento de boa parte do mundo político.

“Nós vamos investigar quem sempre nos investigou. Vamos interrogar quem sempre nos interrogou”, avisou o deputado do alto da condição de relator da CPI da JBS – que prevê a convocação do próprio Janot e outras estrelas da Lava Jato, investigados ou investigadores. O detalhe é que o sentimento de Marum é muito amplo entre os políticos. A diferença é que o relator da CPI tem a coragem de dizer.

No seio político, está viva a vontade de reduzir a força do Ministério Público e outras instituições com poder de investigação. O desmonte das 10 propostas contra a corrupção é uma demonstração disso. Com a Lava Jato caminhando para o desfecho e um novo estilo na PGR, é possível que essa discussão volte, com freios à atuação do MPF.

 

PGR, poder sem paralelo no mundo


Deputado Carlos Marum: voz de um setor da política brasileira que ataca a PGR e o Ministério Público

 

Especialistas apontam que a PGR alcançou no Brasil um poder sem paralelo em nações democráticas. Essa avaliação é compartilhada por defensores e críticos da atuação do órgão. Esse desenho institucional é concebido pela Constituinte que resultou na Carta de 1988.

Até 1988, o Ministério Público, basicamente, atuava nos tribunais como acusador nas ações contra alguém suspeito de cometer um crime. Com a Constituição, ganhou novas atribuições, poder que foi ampliado em leis posteriores. E a PGR, que está na cúpula do MPF, tem muito, muito poder.

A PGR atua na acusação nos processos na esfera federal. Também atua em defesa de “interesses difusos e coletivos”, incluindo questões ambientais, prestação de serviços públicos e defesa do patrimônio. Há ainda defesa dos índios, controle da atividade policial e recomendações (através de Termos de Ajustes de Condutas) para que empresas e órgãos públicos cumpram as leis. Junto ao STF, a PGR ainda pode questionar a constitucionalidades de leis e pedir intervenção nos estados.

A estrutura é bem razoável: o MPF tem 1.143 procuradores. No caso da PGR, são mais de 70 subprocuradores atuando exclusivamente nos tribunais superiores. Com atuação bem independente. E o mundo político acha tudo isso demais.

Daí, não falta Marum no Congresso. Tem muita gente, por revanchismo, querendo “investigar quem sempre nos investigou”. Ou colocar um cabresto curto nesses investigadores.

 

As críticas que Janot leva

Ao deixar o cargo nesta segunda-feira, Rodrigo Janot vai tirar 30 dias de férias. Depois deve pedir licença de um ano, a que tem direito. Em seguida vai cuidar da aposentadoria – para, depois de três anos de quarentena, poder atuar na iniciativa privada. Ao tomar o rumo de casa, Jato leva um punhado de elogios. E outro tanto de críticas.

Há críticas até de quem já esteve no seu lugar, como Aristides Junqueira, responsável pela denúncia contra Fernando Collor, em 1992. Junqueira cobra prudência dos procuradores, uma referência ao estilo açodado e espetacular da PGR. E também às “recomendações” que por vezes faz o MPF assumir o papel de Executivo – conforme disse em entrevista jornal O Globo.

Se o ex-PGR Junqueira critica, o que não dizer dos advogados daqueles que são alvos da PGR. Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay – advogado, por exemplo, de Joesley Batista –, ataca especialmente a “espetacularização”. Para Kakay, “o Ministério Público tem um poder muito grande, e a responsabilidade tem que ser proporcional”.

Quarta é última chance para a Reforma Política

Congresso Nacional: terça e quarta-feira serão cruciais para que a reforma política saia do impasse

 

O tempo e a falta de entendimento correm contra a possibilidade de mudanças significativas nas regras eleitorais para 2018. Mas as votações programadas para o meio desta semana podem ainda definir algumas alterações importantes. Em especial, sobre o distritão, as coligações proporcionais e o Fundo Eleitoral.

Os partidos não conseguem chegar a um acordo sobre as mudanças. Na semana passada até que se costurou um entendimento que levaria à aprovação da proposta que adota o distritão – eleição majoritária para Câmara e Assembleias – e também criaria um Fundo Eleitoral. O PT terminou voltando atrás e o acordo se desfez. A questão é que o PT foi pressionado por partidos menores, potenciais aliados de 2018, como PCdoB e PSOL, que não aceitam o distritão.

O impassse agora se complica em um Congresso onde outros temas – como as denúncias da PGR contra o presidente da República – dividem a atenção. Além disso, as mudanças que forem aprovadas na Câmara precisarão ser confirmadas no Senado. E falta tempo: as mudanças precisam ser sancionadas até 6 de abril, para terem efeito já em 2018.

Se um acordo não for costurado, nada feito. Fica tudo como está.

Por isso mesmo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se esforça por construir um acordo mesmo que sobre dois ou três pontos. Tenta para terça a votação da PEC que cria o fundo público de financiamento de campanha e altera o sistema eleitoral (distritão). E tenta, para a quarta, retomar a votação do projeto relatado pela deputada Shéridan (PSDB-RR). Esse projeto acaba com as coligações na disputa de deputados e vereadores e adota a cláusula de desempenho para dificultar o acesso dos partidos ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda em rádio e TV.

Portanto, quarta-feira é a data limite. Somente o sentido de sobrevivência dos parlamentares pode levar a um acordo. Mesmo assim, não vai ser tarefa fácil.

PTC dá reforma por encerrada e mantém estratégia de 2014


Deputado Evaldo Gomes: sem acreditar no distritão, PTC retoma estratégia de unir pequenas legendas

 

O impasse sobre a reforma política está deixando em boa parte dos partidos a certeza de que nada mais vai mudar, pelo menos que altere substancialmente as regras da disputa eleitoral de 2018. Um que tem essa convicção é o presidente do PTC, deputado Evaldo Gomes. Diante disso, ele mantém a estratégia que vem adotando desde 2008, quando foi eleito vereador de Teresina;

O presidente do PTC sempre se mostrou um duro crítico do distritão - o sistema que elege os mais votados, independente de coligações ou partidos. Mas Evaldo avalia que a proposta está enterrada. Daí mantém a estratégia de antes: unir vários pequenos partidos que isoladamente não tem peso, mas que juntos conseguem somar voto suficiente para eleger representantes no Legislativo. Foi assim em Teresina nas eleições de 2008, 2012 e 2016. Foi também assim na disputa para a Assembleia Legislativa em 2010 e 2014.

E agora Evaldo quer que a receita seja levada adiante em 2018. Com a diferença: desta vez olha não apenas para a Asssembleia Legislativa, mas também para a Câmara dos Deputados. Nos cálculos do deputado, a coligação encabeçada pelo PTC poderá eleger três estaduais e um federal. Para a Câmara, os nomes em destaque são os de Marcus Vinícius (PTC) e Osmar Júnior (PCdoB).

Evaldo terá que esperar as tentativas no Congresso, nesta terça e quarta-feira, no sentido de aprovar alguma mudança.

Piauienses disputam festival de música em Brasília

Zé Roraima: cantando em ritmo de fado os laços que unem Piauí e Portugal

 

Uma canção da dupla piauiense Zé Roraima e Paulo José Cunha está na disputa em festival de música em Brasília. E a novidade é mesmo a canção selecionada: um fado. No mais tradicional ritmo português, os dois resgatam a relação entre Piauí e Portugal na composição Amarantes.

O Festival está agora em uma etapa onde a participação popular via internet é quem decide os finalistas da disputa. Não por acaso, a comunidade piauiense em Brasília está em campanha para conseguir votos para a música de Zé Roraima e Paulo José – que na lista aparece lá no final, pela ordem alfabética dos intérpretes: o Z de Zé Roraima empurra a canção para o penúltimo lugar.

A composição faz um gostoso jogo de palavras, entrelaçando coisas de cá e de lá. Esse jogo está presente já no título: Amarantes. A cidade? Ou simplesmente amar antes? Ambos.

A costura poética que entrelaça Piauí e Portugal une nossos rios, nossas cidades, nossa crença comum. E falam festejam “duas terras distantes/ de amantes e amarantes/ de Oeiras e Portugais”.

 

Amarantes

Pra onde vão essas lágrimas,
filhas da Pedra do Sal,
que brotam lá do sertão
e correm pro mar imenso,
herança de Portugal?

Debaixo do mesmo Deus,
sob a espada e a cruz, 
o Parnaíba e o Tejo
entre Amarantes e Oeiras, 
refletem a mesma luz. 

E do suor dos mafrenses,
navegantes, piauienses,
e da saudade das noivas
que ficaram por casar 
nasceu o sal deste mar 
que separa e aproxima
duas terras distantes
de amantes e amarantes
de Oeiras e Portugais. 

(Pra onde vão essas lágrimas...)
Eu sei de onde elas vêm
e aonde vão nos levar 
do Atlântico Oceano, 
do sertão que já foi mar
do mar que vai ser sertão...
Piauí, Portugal
Piauí, Portugal...

Cresce no PSDB crítica à liderança de Firmino


Lucy Silveira e Firmino Filho: projetos políticos que complicam a vida de aliados

 

A saída de Washington Bonfim da Secretaria de Planejamento está revelando um descontentamento que não é pontual, mas bastante amplo de membros do PSDB com a liderança e o projeto político do prefeito Firmino Filho. Na avaliação de importantes tucanos, o prefeito estaria atrelando o partido a um projeto que, no final das contas, se resume à família Silveira.

O caso de Washington seria o mais explícito, pelo desfecho que tem desenhado. Segundo avaliação de alguns tucanos, o secretário saiu do PSDB para o PP para atender a uma estratégia de Firmino, não do partido. E, de mudança para a nova sigla, viu ser ofuscado pela filiação simultânea da primeira-dama Lucy Silveira.

Lucy já desembarcou no PP com o projeto de deputada federal debaixo do braço, o que significava preterir Washington, à época embriagado com a possibilidade de disputar o mesmo cargo – e com o aval de Firmino. Até aí, a estratégia de Firmino tinha atropelado apenas o secretário. Mas logo sobraria para outros.

Talvez calculando a dificuldade que é eleger um deputado federal em um partido de pouca capilaridade no interior, Firmino mudou o projeto desenhado para a esposa: não disputaria mais a Câmara, e sim a Assembleia. E isso traria novas vítimas, mas uma em especial: o sobrinho e deputado estadual Firmino Paulo, que perderia boa parte dos votos que teve na capital.

A solução para salvar Firmino Paulo foi convencer Luciano Filho a disputar uma vaga na Câmara Federal. Com isso, redutos de Luciano poderiam ser somados ao capital eleitoral do sobrinho-deputado, livrando a pele de mais um membro da família. Nada feito: Luciano até que ponderou, mas declinou.

O cálculo de Firmino – o prefeito –, por enquanto, tem gerado mais críticas que aplausos. A mudança de projeto de Lucy criou reação dentro da bancada estadual, já que prejudicaria os três tucanos da Assembleia. Também produziu reação dentro da própria família, diante do prejuízo à campanha de reeleição do sobrinho. A solução de lançar Luciano Filho à Câmara não vingou. E a situação é que o descontentamento segue.

Para completar, o prefeito agora defende o nome de Firmino Paulo para a presidência do partido. O argumento é que tanto Luciano quanto Mardem Menezes já estiveram à frente do PSDB estadual. Pode ser um ótimo argumento. Mas há quem leia a sugestão de Firmino Filho como mais um passo para ter o controle de tudo dentro do núcleo familiar.

As críticas são tão fortes que um tucano de alta plumagem chega a dizer que o prefeito está promovendo um desmonte do partido. Mas, ao mesmo tempo, não quer entregar o osso. No dizer desse tucano, seria como o sujeito que vende a casa mas não entrega a chave ao novo proprietário.

Baixo investimento público complica PIB pelo terceiro ano


Construção Civil: setor sofre impacto direto do baixo investimento feito pelo setor publico. E o PIB passa fatura

 

É um ciclo vicioso: a política econômica equivocada leva à menor produção, que traz menos consumo e resulta em menos arrecadação. Na sequência, para manter as contas em ordem, o governo corta gastos – e o primeiro item alcançado pela tesoura é o de investimentos. E aí as consequências são dramáticas, com desaceleração ou até redução do Produto Interno Bruto (PIB), como aconteceu de 2014 a 2016.

Essa sequencia de fatos na economia do país explicam em grande medida o sufoco do Brasil de hoje. Mas colocam os analistas diante do dilema antigo sobre quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha. O que pesa mais, a queda do PIB sobre os investimentos ou os investimentos em baixa sobre o PIB declinante?

Desde 2014, o PIB per capita do Brasil vem registrando queda, na crise econômica que impôs ao país a mais brutal recessão de sua história. A perspectiva para 2017 é que haja um aumento do PIB nominal em torno de 1%, possivelmente um pouco abaixo. Mas a tímida recuperação está longe de superar as perdas do triênio 2014-2016 que achatou o PIB brasileiro em cerca de 10%.

Sem esquecer o dilema do ovo e da galinha, vale observar os cálculos dos especialistas na área, indicando que cada R$ 1,00 investido pelo setor público gera um impacto de R$ 1,60 no PIB. E os dados são preocupantes: o governo tem investido pouco. Muito pouco. E PIB vem passando fatura.

Em 2014 a queda do PIB per capita foi de 0,38% sobre o resultado do ano anterior. Em 2015 piorou, com um desempenho negativo de 4,59%. E seguiu no vermelho (apenas umas centésimas a menos) no ano passado, quando a queda foi de 4,40%.

Esse resultado é condizente com a queda nos investimentos públicos, que sofrem em todas as crises. A escolha dos investimentos como endereço dos cortes é fácil de explicar:

Cerca de 90% das despesas públicas estão vinculadas a regras de desembolso (salários, percentuais para saúde e educação etc) e, para sofrerem cortes, exige-se mudança na legislação. Daí, sobra o investimento. O problema é que esse corte leva à fábula da galinha dos ovos de outro: come-se a galinha, perde-se os ovos. Ou, no caso, corta-se investimento para melhorar as contas públicas; mas como o corte de investimento desestimula a economia e achata a arrecadação, complicam-se ainda mais as contas públicas.

O Brasil vive esse dilema, com queda de 13% nos investimentos desde 12013, o último ano antes da recessão. Um exemplo bem atual é o volume de investimento feito pelo governo de janeiro a julho de 2017: R$ 16,3 bilhões em obras e equipamentos públicos, cerca de R$ 10 bilhões a menos que o mesmo período do ano passado. Para os mesmos sete meses, esse valor é o menor dos últimos nove anos.

 

Construção é quem mais sente

A indústria da construção sofre o impacto mais direto desse quadro de investimento em queda. De 2013 a 2016, os recursos destinados à construção de moradias populares caíram a menos da metade. Além disso, o governo congelou os recursos para o Programa de Aceleração do Crescimento.

O governo chegou a anunciar a retomada de 1.600 obras paralisadas. Mas as contas do governo, mesmo com o aumento da meta fiscal – R$ 20 bilhões a mais de déficit – não deve concretizar tal promessa. E o investimento que o governo deixa de fazer acaba tornando mais lenta a esperada recuperação da economia brasileira.

Mudança de projeto político leva à saída de Washington Bonfim


Washington Bonfim: mudança no projeto político de Firmino faz o secretário mudar planos pessoais

 

O secretário de Planejamento Washington Bonfim está mesmo de saída da prefeitura de Teresina, informação que foi confirmada através do próprio prefeito Firmino Filho (PSDB). Firmino diz que ainda vai tentar mudar a decisão de Bonfim. Mas não deve nem tentar, porque o secretário já decidiu cuidar de seu projeto próprio, sem atrelamento ao projeto político de Firmino.

Foi a mudança nos projetos do prefeito que levou Washington Bonfim a decidir pela saída da equipe de Firmino. E o rumo que toma implica em novo endereço. Mas não tem nada a ver com estudos na Espanha, e sim trabalho em São Paulo.

O secretário vinha alimentando projeto político pessoal há algum tempo. Primeiro, na UFPI, onde é professor e sonhou em chegar à Reitoria. Não deu certo. Mas recentemente, abraçou o sonho de um cargo eletivo. Um sonho que logo foi alimentado por Firmino, que chegou a cogitar lançar Bonfim até mesmo para o cargo de prefeito – ou de vice.

Firmino continuou a dar corda a Washington inclusive quando sugeriu que o professor se filiasse ao PP de Ciro Nogueira: num entendimento com o senador, estava desenhado uma provável candidatura do secretário em 2018, possivelmente a uma vaga de deputado federal. Parecia uma bela perspectiva. Mas logo foi frustrada.

O prefeito decidiu que não só Washington se mudaria para o PP. Para lá também iria a primeira-dama Lucy Silveira. Aí Washington percebeu que seu projeto político desenhado por Firmino estava sendo bombardeado: a liderança a representar o grupo do chefe tucano dentro do PP tinha novo nome, o de Lucy. O projeto de Washington acabava de ser enterrado.

 

Projeto pessoal na área técnica

Ao ver que era deixado de lado dentro do projeto de Firmino – do qual não pediu para participar, mas foi chamado –, Washington resolveu retomar os projetos pessoais, na área técnica. E teve a sorte de contar com um convite de uma prestigiada instituição de São Paulo que atua na área de projetos e pesquisas.

Não pensou duas vezes: decidiu aceitar o convite. E agora muda de endereço. Para tanto, já está cuidando de se licenciar da Universidade Federal do Piauí, onde é professor, lotado no CCHL. A mudança deve se materializar até o início do ano.

O novo desafio de Washington Bonfim depende só dele. E não precisará de nenhum aval político para seguir em frente. Bastarão os resultados que conseguir.

‘Janot criou impasse entre instituições’, diz Átila


Átila Lira: posse de Raquel Dodge na PGR deve trazer melhor diálogo entre instituições

 

A posse da nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, na próxima segunda-feira, deve iniciar uma relação mais harmoniosa entre as instituições. A avaliação é do deputado Átila Lira (PSB-PI), que considera o período de Rodrigo Janot à frente da PGR como uma época de pouco diálogo. “A Raquel Dodge terá diálogo”.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, Átila disse que Janot criou uma situação de impasse e de confronto entre as instituições. Mesmo assim, o deputado defende a Operação Lava Jato e entende que seguirá os trâmites normais, independente das mudanças no comando da PGR e também na Polícia Federal.

“As mudanças não alteram em nada. A Operação Lava Jato está consolidada”, ressalta Átila Lira. Mas também avalia que ela se encaminha para o fim, encerrando a fase de investigações e passando para a etapa de julgamentos.

O deputado, no entanto, não deixou de, criticar as investigações e o acordo de delação premiada com o grupo J&F, controlador da JBS. Segundo Átila, além do acordo ser extremamente generoso com os donos do grupo, há um claro envolvimento de pessoas do Ministério Público e até do Judiciário com Joesley e Wersley Batista. Ele considerou esse “um erro grande” por parte do MP.

CPI da JBS é circo?

Átila Lira também falou sobre a reforma política, defendendo o distritão e se posicionando contra a criação de um Fundo Eleitoral. Ele se disse a favor do financiamento das campanhas só por pessoas físicas, nos limites já aprovado em comissão da Câmara: cada cidadão pode doar até 10% de seus ganhos anuais, desde que não passe de dez salários mínimos o valor doado para cargo em disputa.

Também comentou sobre a CPI que pretende investigar as relações da JBS com o governo e particularmente a relação com o BNDES. Teme que a CPI se converta em um “acerto de contas”. E mostra confiança de que tudo não se transforme em um grande circo: “O Congresso não vai permitir”, disse.

Para ouvir a íntegra da entrevista do deputado Átila Lira ao Acorda Piauí, acesse o link abaixo.

 

Henrique Pires nomeado para cargo no Ministério das Cidades


Henrique Pires volta a cuidar de saneamento, agora no Ministério das Cidades

 

Henrique Pires muda outra vez de posto. Ele, que há alguns meses havia deixado o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e passou a ocupar uma Secretaria no Ministério do Turismo, agora tem nova função, em um cargo equivalente no Ministério das Cidades.

O Diário Oficial da União publica hoje dois atos do presidente Michel Temer. Em um, Henrique Pires é exonerado da Secretaria de Infraestrutura do Turismo, no Ministério do Turismo. Em outro, ele é nomeado para a Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades.

Na prática, Henrique Pires assume ações que se aproximam muito das atividades que desempenhava à frente da Funasa. Nessa função, ele estreitou relações com os prefeitos municipais e procurou atender de forma mais direta as reivindicações dos gestores piauienses. Segundo disse na semana passada ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, como gestor da Funasa destinou 16% de todo o orçamento do órgão para projetos no Piauí.

Henrique Pires chega ao posto com o aval direto do presidente Michel Temer. Próximo do presidente há mais de uma década, Pires é visto como alguém com acesso direto no palácio Jaburu.

Brasil está entre os que menos investem no ensino primário

Ensino Fundamental: baixo investimento leva à baixa qualidade da educação no Brasil

 

A regra é do setor da construção. Mas antes já estava na Bíblia: a casa construída sobre a areia não tem firmeza. É preciso ser construída sobre a rocha, sobre um alicerce forte que capaz de dar segurança. Pois agora a regra pode muito bem ser utilizada para explicar a precária educação brasileira, que oferece muito pouco de segurança e capacidade transformadora.

Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que o Brasil está lá na rabeira quanto se olha o investimento no ensino fundamental – que vai até a 5ª série. O estudo avalia 35 países membros da Organização, mais outras dez economias, como Brasil, Argentina e África do Sul.

Entre as 40 nações analisadas, o Brasil é 34º, à frente apenas de países Argentina, México, Colômbia e Indonésia. Segundo a OCDE, o Brasil investe US$ 3.800 (equivalente a R$ 11,7 mil) por aluno do ensino fundamental, cada ano. A cifra é menos da metade da média de investimento dos 40 países (US$ 8.700). Se comparado ao líder em investimento, aí a coisa fica muito pior: Luxemburgo (US$ 21,2 mil) está na ponta por aplicar seis vezes mais que o Brasil.

A realidade é completamente diferente quando a análise se debruça sobre os investimentos em ensino superior. Aí o Brasil tem gastos de primeiro mundo. A média por aluno é de US$ 11,7 mil (equivalente a R$ 36 mil), mais de três vezes o gasto médio no ensino fundamental. Esse valor é próximo de alguns países da Europa, como Portugal (US$ 11,5 mil), Estônia (US$ 12,3 mil) e Espanha (US$ 12,5 mil). Também é comparável (e superior) à  Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) ou Polônia (U$ 9,7 mil).

 

Fundamental compromete universidades

Quem conhece a comunidade universitária brasileira sabe a deficiência dos alunos que chegam aos campi. A maior parte sequer consegue fazer uma regra de três. E comete os erros mais elementares de português. O resultado é que, apesar dos investimentos razoáveis por alunos, as universidades formam mal.

E formam mal por vários motivos. Um dos principais é o nível dos alunos egressos do péssimo ensino fundamental e médio que o Brasil tem. Assim, os alunos que chegam com um nível precário não conseguem assimilar boa parte do que é ensinado nas salas das faculdades.

Traduzindo tudo isso em moral da história: ou o Brasil resolve apostar pra valer em uma formação educacional básica ou nunca terá uma educação realmente transformadora. Porque, nesse contexto, nem as melhores universidades conseguem fazer muito. Serão sempre uma casa feita sobre a areia, sem consistência.

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