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PSDB do Piauí pode mudar de comando e de perfil


Firmino Filho e Wellington Dias, aproximação política através do PP de Ciro Nogueira

 

Não será uma simples filiação. Quando Lucy Silveira e Silvio Mendes, na próxima semana, assinarem a ficha de filiação do PP, estará escancarada a convergência de projetos de Firmino Filho e Ciro Nogueira. Mais que isso: estará sacramentada uma mudança brusca na organização, no comando e no perfil do PSDB do Piauí.

Lucy é a mulher do prefeito Firmino Filho, há 20 anos a referência no tucanato piauiense. Silvio Mendes é a segunda estrela do partido, já tendo inclusive disputado o governo do Estado pelo partido. As mudanças acontecem com o aval de Firmino. Mas o detalhe é que as muitas dúvidas em torno do projeto que une Firmino e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, começam a se estreitar. E tudo tem a ver com 2018, claro!

O acordo de Ciro com o governador Wellington Dias na reforma do secretariado estadual, dá uma importante pista. Neste início de semana o governador deve anunciar as mudanças acertadas, com a ida de um aliado de Ciro para a secretaria de Saúde do estado. Na prática, significa um vínculo a mais entre Ciro e Wellington, ampliando a possibilidade de estarem juntos em 2018, no mesmo palanque.

E se Ciro e Firmino tendem a seguirem juntos, é de se supor que cresce enormemente a possibilidade de Ciro e Firmino estarem no mesmo palanque de Wellington. E aí se explica a ida dos tucanos ilustres para o PP: na disputa nacional de 2018, PSDB e PT devem estar em campos opostos. Ficaria complicado os dois partidos estarem juntos, aqui. Daí, a turma de Firmino muda de sigla – e o próprio Firmino deve fazer o mesmo em março.

Aí vem a segunda mudança: o PSDB nacional não está contente com essa movimentação e já se articula com outras lideranças locais. Quer no comando do partido alguém que esteja efetivamente no projeto nacional da sigla. Entre as alternativas estão o deputado estadual Robert Rios e o ex-senador João Vicente Claudino. O partido quer estar forte em todos os estados, e não pode ficar nas mãos de um Firmino que estará em outra sintonia.

A mudança de comando pode modificar o próprio perfil do partido, hoje muito teresinense. Com João Vicente, poderia sonhar em crescer no interior. Já Robert enterraria a clássica moderação dos tucanos.

Com um discurso claramente de oposição, Robert Rios já deixou claro que tende a deixar o governista PDT. E não falta convite. Mas deve mesmo desembarcar no PSDB, talvez como uma das estrelas do tucanato – ninho onde já esteve na eleição de 2002. Mas com um detalhe: naquele ano, Robert desobedeceu a direção do partido, que apoiava Hugo Napoleão – e resolveu apoiar Wellington Dias. Agora, deverá entrar no mesmo PSDB, mas para tomar o caminho oposto: ser a voz contra Wellington.

Teresina espera galerias há quase 30 anos. Haja paciência


Av. Joaquim Nelson, na Zona Sudeste: retrato do caos em Teresina após chuva de 72 mm

 

A chuva foi de 72 milímetros, considera acima da média, mas nada extraordinária. Ainda assim, Teresina viveu o que vive quando ocorre uma chuva média ou algo acima da média: alagamentos, engarrafamentos, transtornos. Um caos.

Os problemas foram localizados em todas as regiões da cidade: na zona Leste, interrupção da BR 343 na saída para Altos; na Sudeste, foi tanta água que a Av. Joaquim Nelson ficou intrafegável; o desabamento de um muro criou problemas na nova ponte que liga a zona Sul à Sudeste (Dirceu); na zona Norte, a Av. Duque de Caxias interrompida por queda de árvore. No caso da zona Leste, o que não falta é ponto de estrangulamento, resultado da falta de galerias – uma reclamação (seguida de promessas de solução) que já dura uns 30 anos.

Questionado após a chuvas desta sexta-feira a respeito da galeria na área da Av. João XXIII, o titular da SDU Leste, Renato Lopes, informou que a obra está parada. Vale lembrar: reclamada desde o final dos anos 80 e particularmente nos últimos 15 anos, a construção da galeria volta ao debate toda chuva – ou toda eleição. Mas não anda.

O projeto (antiiigo!!) que deveria estar em andamento foi iniciado na gestão Elmano Ferrer. Parou. Foi retomado na anterior gestão Firmino Filho. Parou de novo. E agora é que não anda mesmo, porque a construtora licitada abandonou o barco. Vai precisar de uma nova licitação. E aí ninguém pode precisar o prazo para conclusão da obra.

Enquanto isso, a zona Leste vai se tornando o cartão de visita, em matéria de carência de saneamento em Teresina. Apenas para citar os principais corredores da região: não precisa mais que uma chuva média para vermos alagamentos terríveis na Presidente Kennedy, na Jóquei, na Homero, na Dom Severino, na Elias João Tajra (perto da Ininga) e até em trechos da Nossa Senhora de Fátima.

O suficiente para alongar os engarrafamentos já tão presentes no dia a dia da cidade. E criar muitos, muitos problemas para os teresinenses.

No ápice das chuvas desta sexta pela manhã, lá por volta de 7 horas, um ouvinte da Rádio Cidade Verde mandou um recado via WhatsApp: “Está tudo congestionado. Muita paciência no trânsito”.

De fato, o teresinense vem tendo muita, muita paciência. Há uns 30 anos. Pelo menos.

O que muda mesmo na Previdência. Veja pontos principais

Professor: categoria perde regime especial, se prevaler texto original da reforma da Previdência

 

Instalada ontem, na Câmara dos Deputados, a comissão que vai cuidar da reforma da Previdência. E o acirrado debate dos últimos três meses vai esquentar ainda mais, dentro e fora do Congresso. Apesar da ampla discussão, a maior parte das pessoas segue sem saber exatamente o que muda. Quando muito, o cidadão sabe que a idade muda para 65 anos, a contribuição deve ser por no mínimo 25 anos e a aposentadoria integral só se dá após 49 anos de contribuição. Além disso, sabe-se que as mudanças serão duras. Muito duras.

A proposta gera polêmica. Consenso, mesmo, só sobre a necessidade da reforma. Daí em diante, muita divergência. Vejamos os principais pontos da proposta do governo.

Razão da reforma: O que a Previdência arrecada não cobre os gastos com pensões e outros benefícios. Este ano, o déficit deve chegar a 2,7% do PIB. Insustentável.

Principal mudança: Fixa em 65 anos a idade mínima para aposentadoria. E eleva o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos.

A quem afeta: Todos os trabalhadores ativos. Os que, quando entrar em vigor a nova regra, tiverem menos de 50 anos (homens) ou 45 anos (mulheres) passam para o novo regime. Os acima dessas idades passam a uma regra de transição.

Regra de Transição: Os que estiverem próximos da aposentadoria pela regra antiga, podem optar por ela mediante pagamento de um pedágio de 50%. Exemplo: se faltava um ano, trabalha mais um ano e meio.

Estados e Municípios: Ao elevar a idade mínima do regime próprio da União (de 65 anos para todos), o governo federal aumenta, automaticamente, as idades dos servidores de estados e municípios, do Judiciário e Legislativo.

Servidor Público: Hoje, a idade mínima é de 60 anos (homem) e 55 anos (mulher), mais tempo mínimo de contribuição de 35 anos (homem) e 30 anos (mulher). Muda: a idade mínima passa para 65 anos.

Aposentadoria integral: Os estados terão que criar fundos de previdência complementar para novos servidores, como a União. Alguns estados já se adiantaram: Rio, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

Homens e Mulheres: Hoje, mulher se aposentar cinco anos antes. A proposta unifica em 65 anos a idade mínima.

Professores e Policiais Civis: Acaba aposentadoria especial de professores do ensino médio e fundamental – os de universidades já estavam fora – e policiais civis.

Policiais Militares e Bombeiros: Deverão ser tratados em um projeto à parte. Mas os PMs, Brasil afora, estão alarmados.

Forças Armadas: Os militares das Forças Armadas ficam de fora da proposta. Mas, em projeto à parte, o governo pretende elevar de 30 para 35 anos o tempo de serviço na ativa.

Legislativo: Hoje se beneficia das regras para servidor público. A proposta muda e quem for eleito a partir de 2018, passa às mesmas regras gerais.

Pensão por Morte: Hoje é integral, mas a proposta reduz para 50%, mais 10% por dependente. Além disso, a pensão fica desvinculada do salário mínimo e não pode haver acúmulo de pensões.

Trabalhador Rural: Acaba o regime especial (aposentadoria por idade, hoje: 60 anos para homens e 55 para mulheres). Passa ao regime geral.

Alíquota de contribuição: A proposta eleva de 11% para 14% a alíquota de contribuição dos funcionários públicos – que, a pedido dos governadores, serviria de piso para os regimes estaduais.

Fórmula 85/95: deveria durar até 2026, mas será extinta com a reforma.

E se a Fórmula 85/95 já levou todo mundo para a calculadora, a necessidade de cálculos e mais cálculos vai aumentar. O governo quer aumentar o tempo de contribuição, e para ter a aposentadoria integral será preciso contribuir 49 anos.

Governo prepara rolo compressor na reforma da Previdência

Rodrigo Martins: deputado da base governista diz que vota contra reforma da Previdência, se texto não for alterado

 

Promete ser mais dramática do que o previsto a discussão da reforma da Previdência no Congresso Nacional. De um lado, o governo se arma para criar um verdadeiro rolo compressor, fazendo valer sua vontade e suas propostas. De outro, as reações às proposta apresentadas se revelam muito amplas, alcançando inclusive a base de sustentação do governo Temer.

A primeira face da moeda – o rolo compressor a favor da proposta enviada pelo Palácio do Planalto – fica evidente na escolha do presidente e do relator da comissão que vai tratar da reforma na Câmara. Carlos Marum (PMDB-MS), o presidente, é daqueles que não foge de uma briga. Por exemplo, comprou a briga contra a cassação de Eduardo Cunha e ficou nela até o último minuto. Na Comissão, vai comprar brigas terríveis – e o governo quer que se mantenha até o último segundo. O relator, Artur Oliveira Maia (PPS-BA), segue o mesmo perfil. E não está nem aí para polêmicas, que serão muitas.

As dificuldades que o governo terá ficam evidentes nas declarações do deputado Rodrigo Martins (PSB-PI) ao Acorda Piauí desta quinta-feira, na Rádio Cidade Verde. Rodrigo dá sustentação à gestão Temer. Mas reconhece que a escolha de Marum e Maia demonstra a vontade de governo de montar um esquema para "atropelar" propostas discordantes.

Rodrigo Martins deixa claro que esse rolo compressor, para ser efetivo, precisará mais que a escolha do comando da comissão. Porque a proposta de reforma, como está, não terá adesões fáceis. O deputado piauiense adiantou ao Acorda Piauí que, se o texto não mudar, votará contra a iniciativa do Palácio do Planalto.

O governo esperava muitas reações das ruas. Mas talvez não esperasse reações tão fortes e já tão cedo, no lado governista. Os argumentos de Rodrigo são os mesmos de uma boa fatia dos deputados: as regras da proposta são muito duras, especialmente quanto à possibilidade de aposentadoria com benefício pleno, que exige quase 50 anos de contribuição.

Quer dizer: para ver aprovada a proposta de reforma da Previdência, o governo Temer terá que se preocupar não apenas com a oposição. Mas, e talvez sobretudo, com os aliados que – pela primeira em matéria importante para o Planalto – podem romper a até agora tão decantada fidelidade ao Planalto.

Construção Civil perdeu mais de 20 mil vagas no Piauí, em 2 anos


André Baia: depois de 2 anos ruins, construção civil aposta em um novo ritmo, bem melhor

 

O setor da construção civil olha com otimismo medidas adotadas pelo governo federal, tanto no Minha Casa Minha Vida, como no estímulo às parcerias visando o fortalecimento da infraestrutura. No Piauí, esse alento vem em boa hora, porque os efeitos da crise econômico foram dramáticos: em 2015 e 2016, o setor perdeu mais de 20 mil vagas de emprego direto.

Na prática, a massa de trabalhadores na construção civil piauiense ficou reduzida a menos da metade. O efeito é dramático, especialmente porque a construção civil é a um dos grandes empregadores do Estado. Além disso, é o setor que absorve o segmento de trabalhadores com menos qualificação. Fora da construção, muitos não têm alternativas.

Os dados sobre as perdas de vagas são do presidente do Sindicato da Construção Civil no Piauí, André Baia, que nesta quarta-feira deu entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde. Ele também revela a redução do investimento em novos lançamentos imobiliários. Em 2013, o financiamento através da Caixa Econômica chegou a R$ 1,2 bilhão. No Ano passado não chegou a R$ 700 milhões. Colocando-se a inflação no cálculo, a redução é de quase 50%.

Mas Baia mostra otimismo. Ele festeja as mudanças no Minha Casa Minha Vida, que amplia o público de destino. Mas festeja ainda mais as ações do governo por criarem um roteiro de longo prazo: para ele, agora há um planejamento – e a construção civil pode se preparar para se beneficiar dessa mudança.

André Baia reconhece que as medidas não farão resultado se não houve a retomada da economia. “A Economia tem que melhorar. E começa com a organização das contas públicas”, afirma. Acha que este caminho está sendo trilhado – e que logo a “roda da economia estará rodando”.

Sobre o fortalecimento da infraestrutura a partir de parcerias público-privada, considera um caminho fundamental. Quer a retomada das obras da Transnordestina – que sozinha geraria mais de 3 postos de trabalho. Outra parceria importante é a relacionada ao saneamento, que não só gera emprego imediatamente como cria as condições para outros empreendimentos.

 

Menos burocracia, por favor

André Baia atacou um outro ponto importante para agilizar os negócios no setor da construção civil: a redução da burocracia. Segundo afirmou ao Acorda Piauí, a simples autorização de um empreendimento pode levar mais de seis meses.

Ele acha que certos procedimentos são necessários, como os relacionados com a segurança (autorização dos bombeiros, por exemplo) e o meio ambiente. Mas acha que tudo pode ser mais rápido.

André diz que o sindicato está fazendo gestões sobretudo junto às prefeituras (de Teresina, Parnaíba, Floriano) para que o processo burocrático tenha mais agilidade. Porque a demora pode inviabilizar muitos negócios.

Com Guilhermano, Ciro comanda Saúde federal, estadual e municipal


Com as bênçãos de Ciro, o contador Guilhermano Pires deixa o Transporte e vai para a Secretaria de Saúde

 

A mudança na Secretaria de Saúde do estado do Piauí não apenas está decidida, como já tem nome e sobrenome: o PP assume a pasta e desloca para cuidar da Saúde piauiense o atual secretário de Transportes, Guilhermano Pires. Com isso, Ciro Nogueira – o mandachuva do PP – vai comandar a saúde de Teresina, Piauí e do Brasil.

A mudança na secretaria do Piauí já foi acordada entre Ciro e o governador Wellington Dias. E Ciro apresentou o nome de Guilhermano Pires, que está na pasta de Transporte por indicação do próprio PP. Wellington também aceitou. Guilhermano é contador, mas terá um comitê médico para ajudar na gestão do setor.

Essa mudança mostra a força do senador Ciro Nogueira e revela a estratégia de alinhamento de ações. Isto é, comanda a saúde nas três esferas, uma se valendo da outra.

Desde maio do ano passado, quando Michel Temer assumiu a presidência (ainda interinamente), Ciro já emplacou o deputado paranaense Ricardo Barros no ministério da Saúde. Ainda este mês, o senador estará filiando no Partido Popular o ex-prefeito Silvio Mendes, atual gestor da saúde em Teresina. E aí estará fechado o círculo: Ricardo BNarros, Guilhermano Pires e Silvio Mendes. Barba, cabelo e bigode.

O presidente nacional do PP tem usado o argumento de que o alinhamento de aliados em um mesmo setor facilita a convergência de ações. Traduzindo: o fato de todos terem as bênçãos de Ciro ajuda a agilizar ações comuns, sobretudo o ministério contribuindo para a gestão da saúde no estado e no município.

As pesquisas mostram que o problema da saúde, no Brasil, só rivaliza com o drama da segurança. Se o tal alinhamento realmente funcionar, será um grande ganho para a saúde. E para a população.

Alexandre Moraes, técnico qualificado e carimbo político


Temer e Alexandre Moraes: o padrinho dá um presente e tanto para o afilhado, indicado ministro do STF

 

Deu o esperado e o não desejado: Alexandre Moraes foi o escolhido pelo presidente Michel Temer para ocupar a vaga de Teori Zawascki  no Supremo Tribunal Federal. Esperado pela disposição de Temer na escolha de um nome de confiança. Não desejado pelo carimbo político que carrega o escolhido.

A indicação do até ontem ministro da Justiça reafirma a tradição de escolhas políticas para a Suprema Corte. Collor escolheu o primo Marco Aurélio Mello; Fernando Henrique indicou seu ministro de Justiça, Nelson Jobim; e Lula colocou no STF Dias Toffoli, seu advogado no PT. Nada anormal na tradição brasileira.

Além da tradição, a escolha de Moraes passou por uma ampla negociação política. Antes de anunciar seu preferido, Temer conversou com as três alas do PSDB, partido do ministro. Portanto, o carimbo vem de antes – pela filiação tucana – e é reafirmado agora, pelo aval prévio de Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, os mandachuvas do PSDB.

Pode-se argumentar que o escolhido tem forte base jurídica. É verdade: é um respeitado constitucionalista, com livros de referência nas escolas de Direito. O carimbo político, no entanto contamina o valor técnico, inclusive porque Moraes nega parte do que escreveu antes. Pode-se dizer, é mais uma faceta tucana: como Fernando Henrique, ele pode gritar “esqueçam o que escrevi”.

Explico!!!

Duas das teses de Alexandre Moraes estão sendo destacadas desde ontem. A primeira, sua defesa da prisão para os condenados já em segunda instância. Era tudo o que uma dúzia de senadores não queria – e muitos buscavam um ministro que tivesse posição diversa da de Moraes. Porém isso pode representar absolutamente nada.

E pode significar nada por causa de outra tese há muito defendida por Alexandre Moraes: a de que os escolhidos para o Supremo não poderiam ser ocupantes de cargos de confiança. Portanto, o próprio Alexandre Moraes nega a tese que ele defendeu anos a fio.

Se mudou nesta tese, pode mudar em outras.

Agora, é torcer para que o altamente qualificado valor técnico do futuro ministro do STF prevaleça sobre o homem de destacada vivência político-partidária.

Wellington quer o PMDB, oficialmente. E o PMDB, o que dirá?


Wellington, nos estúdios da Rádio Cidade Verde, revela desejar o apoio oficial do PMDB

 

Na entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, hoje pela manhã, o governador Wellington Dias foi contundente: quer o PMDB formalmente dentro do governo. A fala de Wellington é um aceno direto ao PMDB que, no entanto, pode não ser correspondido. Motivo: o PMDB quase todo está no governo, mas sem ônus da adesão oficial.

Do jeito que está, está ótimo para os peemedebbistas. E o governador quer mais, na intenção de costurar de vez as bases para um projeto de reeleição em 2018 – a disputa do quarto mandato no Palácio de Karnak. Nos cálculos do petista, dois partidos são fundamentais: além do PMDB, o PP de Ciro Nogueira. Mas sabe que os desdobramentos – sobretudo os fatos nacionais – podem bagunçar o cenário político. E que a aliança com PP e PMDB pode se complicar. Daí o desejo de ter o PMDB formalmente aliado. Transformar um caso em casamento.

No final do ano passado, os peemedebistas – especialmente a bancada do partido na Assembleia – chegou a comemorar o ingresso no governo, com a conquista de importantes secretarias. Mas o acerto desandou, principalmente pela reação interna do PT, que não quer ceder espaço no governo. Agora Wellington voltas à carga.

Dentro do PMDB, são poucos os que não têm alguma participação no governo estadual. Dois nomes em destaque: a deputada Juliana Falcão e o ex-ministro João Henrique, este empenhado em movimentar as bases partidárias em torno de um projeto de candidatura própria ao governo. Assim, o esforço de Wellington é apenas a oficialização do que já existe, com algum espaço a mais.

A atração imediata do PMDB tem particular empenho e dedicação do deputado Marcelo Castro, que deseja atrelar a essa decisão o compromisso de apoio à reeleição de Wellington, em 2018. É aí onde o ânimo governista do PMDB perde um pouco de viço, porque quase todos desejam usufruir do governo mas sem ter esse compromisso futuro amarrado.

Mas se o PMDB joga com esperteza, vale lembrar que poucos conseguem ser tão hábeis na política como Wellington. O governador sabe cortejar, atraindo para junto de si quase todos, inclusive o não-aliados. Mas também sabe se fazer de morto quando as coisas não estão ao seu feitio.

Nos próximos dias saberemos qual será o comportamento do governador.

 

Luciano Nunes deve antecipar saída do TCE


Luciano Nunes: após 23 anos no TCE, conselheiro deve antecipar a aposentadoria. Para cuidar dos netos?

 

Um dos mais simbólicos integrantes do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE), o conselheiro Luciano Nunes Santos poderá antecipar a aposentadoria da corte de contas. O assunto ainda está restrito a conversas informais. Mas está longe de ser apenas uma possibilidade. A razão apresentada é: Luciano Nunes quer dedicar mais tempo à família, após uma carreira de mais de 45 anos, a maior parte dedicada às atividades públicas.

Por três vezes Luciano foi eleito deputado estadual (1982, 1986 e 1990), ocupando a presidência da Assembleia Legislativa no biênio 1987-1989. No final do terceiro mandato, em 1994, renunciou ao posto para assumir a vaga de conselheiro do TCE. Nesses quase 23 anos, presidiu por duas vezes a corte de contas.

Somente a soma da etapa na Assembleia e no TCE, Luciano contabiliza quase 35 anos de função pública. Contabiliza ainda a atividade de professor do Colégio Agrícola, já que o conselheiro é engenheiro agrônomo, além de ser advogado.

Hoje Luciano tem 70 anos – completa 71 em julho. Pela legislação em vigor até 2015, o conselheiro deveria se aposentar aos 70 anos. Com a mudança da legislação, pode permanecer na função até os 75 anos. Mas cogita antecipar a aposentadoria para, segundo colegas, dedicar mais tempo a si e à família. Ou, como ironiza um outro conselheiro: “Vai cuidar dos netos”.

Luciano foi escolhido conselheiro pela Assembleia Legislativa em abril de 1994. Caso leve adiante a vontade de se aposentar, haverá uma nova escolha no âmbito da própria Assembleia. O procedimento de sucessão será: o cargo será considerado vago; depois é publicado um edital com regras para inscrição de possíveis candidatos à vaga, que serão sabatinados pelos deputados. O voto dos pleno da Assembleia define o novo conselheiro do TCE.

Eleição de Maia tranquiliza Planalto e ajuda nas reformas

Rodrigo Maia: como presidente da Câmara, pode ajudar Planalto a realizar reformas da Previdência e Trabalhista

 

O presidente Michel Temer gosta de repetir que seu governo está em sintonia com o Congresso. As eleições dos presidentes da Câmara e do Senado parecem confirmar o princípio, sobretudo no sentido inverso: o Congresso está em sintonia com o governo Temer. Isso se releva especialmente na eleição do presidente da Câmara, onde nem mesmo a estratégia de multiplicar candidaturas contra Rodrigo Maia conseguiu viabilizar um segundo turno na disputa.

Eram cinco adversários enfrentando o preferido do Palácio do Planalto, sem que resultasse no efeito desejado. Maia teve 293 votos, quase três vezes o segundo colocado, Jovair Arantes (105 votos). O terceiro foi André Figueiredo (59 votos), seguido de Júlio Delgado (28), Luiza Erundina (10) e Jair Bolsonaro (4), além de 5 votos brancos.

O Governo Federal segue bem na sua base parlamentar, inclusive porque parte dos votantes contra Maia – especialmente os do Centrão, que em boa medida sufragaram Jovair Arantes – não são oposicionistas. Na verdade, Jovair e o Centrão queriam dizer mesmo que são mais governistas que Maia: mais fiéis, mais confiáveis e, portanto, mais merecedores da presidência da Casa.

Agora, a expectativa do Palácio do Planalto é que a reeleição de Maia e a ampla base parlamentar governista consigam facilitar a tramitação das propostas consideradas prioritárias: as reformas da previdência, a trabalhista e a fiscal. E tem ainda a reforma política, embora esta seja mais de interesse dos congressistas que do governo.

Em todos os três casos prioritários, a aprovação de mudanças significativas não será uma tarefa fácil, porque os temas são todos polêmicos, dividindo o país e – claro! – o Parlamento. E aí é que entra o papel de Maia. Como presidente da Câmara em um país sem vice-presidente, ele passa a ser o primeiro na linha sucessória. Mas será, acima de tudo, determinante na construção e condução da agenda parlamentar, importante na hora de votar esses temas tão polêmicos quanto imprescindíveis.

Nessa tarefa de concretizar as reformas, o governo espera contar com Rodrigo Maia, que tem dados sinais de ser a favor de boa parte do que o Planalto propõe. A tendência é que o novo presidente do Senado, Eunício Oliveira, siga a mesma linha – ainda que mais por conveniência que por convicção.

 

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