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Com Alckmin empacado, Marina vira alternativa do centro


Marina Silva: discurso mais atenuado abre perspectiva para o eleitorado de centro que perde a fé em Geraldo Alckmin

 

A pesquisa DataFolha, divulgada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo, mostra a força da candidata da REDE, Marina Silva, na corrida pela presidência da República. Mesmo com um partido pequeno e praticamente sem alianças, ela se mantém com índice e se coloca em segundo lugar nas intenções de voto, atrás de Jair Bolsonaro (PSL).

Marina tem 15% das citações dos entrevistados pelo DataFolha – simulação em que não aparece o petista Lula. Não é pouca coisa, ainda mais comparado com nomes bem mais estruturados e badalados, como o tucano Geraldo Alckmin, que no mesmo cenário empaca nos 7% de intenção de voto.

Alckmin, aliás, pode vê os indicadores de Marina como uma ameaça direta.

A pesquisa dá indicações de que a direita já tem seu candidato: é Jair Bolsonaro, que usa o discurso do medo da violência como seu principal trunfo. Adota um viés claramente autoritário e encanta quem acha que democracia é coisa de gente que não tem o que fazer. Por outro lado, Ciro Gomes (PDT) vai tentando articular um movimento de centro-esquerda para ser o único representante do segmento. Esbarra especialmente no PT, mas o partido de Lula pode ficar sem alternativas e se decantar pelo pedetista.

Já Marina tem sérias diferenças em relação ao PT, especialmente depois de 2014, quando sofreu uma nada sutil (nem ética) campanha de desqualificação empreendida pelos marqueteiros de Dilma Rousseff. Isso afasta a candidata da REDE dos ex-companheiros. E essa realidade é um problema a mais para Alckmin.

Desde 2014, Marina se aproxima do centro ideológico, sem deixar sua pregação de esquerda. A própria aliança com Eduardo Campos, no PSB, já foi um indicativo desse movimento para o centro. Além disso, ela tem no seu entorno nomes bem receptivos ao centro, como o empresário Guilherme Leal – o principal acionista da Natura – e Eduardo Giannetti, um dos mais festejados economistas do país.
 

Marina ainda gera dúvidas

Claro, ainda há dúvidas sérias em relação ao que pode ser um eventual governo Marina Silva. Muitos não vêem no discurso dela as pregações abraçadas por Giannettii, tampouco o desenho de estado festejado por Leal. Ainda assim, esse entorno gera uma perspectiva mais tranqüilizadora.

Tranquilidade parece ser a palavra mais importante na disputa presidencial deste ano. É exatamente a palavra que ainda falta tanto a Bolsonaro quanto a Ciro Gomes. Bolsonaro é visto como uma bomba de estopim aceso. Essa é quase a mesma leitura que cabe em Ciro, agravado por um assessor econômico – Mangabeira Unger – que não agrada a muitos.

Diante da falta perspectiva do tranquilo Alckmin, Marina até pode encantar o centro que busca um porto mais ou menos seguro.

Alckmin baixa PSDB ao menor índice de competitividade


Geraldo Alckmin: candidato tucano não tem ouvido boas notícias das pesquisas sobre a corriga presidencial

 

Os partidos brasileiros, em geral, vão mal das pernas. Seus candidatos não empolgam por serem desse ou daquele partido. A leitura vale para todos, do PT ao PSDB – e especialmente para o PSDB, onde o candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, conseguiu rebaixar o partido à pior condição de competitividade desde que foi fundado, há três décadas.

A revelação é da mais recente pesquisa do Instituto DataFolha, divulgada no final de semana pelo jornal Folha de S. Paulo. O DataFolha entrevistou 2.824 eleitores de 174 municípios, nos dias 6 e 7. E Alckmin não passou de 7% das intenções de voto, sempre quarto lugar nos diversos cenários avaliados.

O PSDB nunca esteve tão mal. Nem mesmo em 1989, quando a sigla tinha apenas um ano de fundada e ainda enfrentava problemas em alguns estados. Enquanto isso, Jair Bolsonaro (PSL) vai se firmando como a alternativa da direitona. E se o tucano não mostra reação, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) vão ganhando dianteira em relação a Alckmin.

Marina é terceira no cenário com Lula e segunda na simulação sem o petista – quando ela perde para Bolsonaro. Marina pode até pensar em crescer junto ao eleitorado de centro, que teoricamente seria de Alckmin. Mas a pesquisa mostra que ela cresce bem com a saída de Lula. Ciro também cresce, mas não tanto. Ainda assim, mostra fôlego e, dependendo das articulações, pode ser um nome que una boa parte da centro-esquerda.
 

O desafio de empolgar o descrente eleitor

A pesquisa traz uma série de informações relevantes para a leitura do cenário. A principal nem é mais novidade, mas torna a chamar atenção pela intensidade: a descrença do eleitor em quase tudo. O eleitor não acredita nas instituições: das avaliadas, nenhuma chega a ter a confiança de 40% dos eleitores. Os partidos têm a desconfiança de 68%.

Essa ampla rejeição explica, por exemplo, que Lula lidere a pesquisa, mas sem ele o PT rasteja. Já o PSDB, com um Alckmin nada carismático, também cai pelas tabelas. E fica dito: os partidos não contam mesmo. Vale ainda ressaltar que há muita rejeição aos candidatos, inclusive os líderes. Color (PTC) é rejeitado por 39% dos entrevistados, seguido de Lula, com 36% e Bolsonaro, com 32%.

Nessa rejeição geral revelada pela pesquisa DataFolha, destaca-se o eleitor pouco à vontade com a eleição deste ano. No cenário com Lula, 27% dizem que não vão têm candidato. Nos demais cenários, a coisa piora: 33 ou 34% afirmam não ter um nome para a presidência.

Empolgar o eleitor descrente vai ser um desafio e tanto para as campanhas deste ano.

Os 15% ainda valem como meta para chegar ao 2º turno


Fernando Henrique, o único a vencer no 1º turno; e Lula, o único a ir para o 2º turno com menos de 20% dos votos válidos

 

Quando os estrategistas do Palácio do Planalto pensavam em lançar Michel Temer (MDB) como candidato à sua própria sucessão, há uns três meses, havia uma meta para tornar a candidatura viável: 15% das intenções de voto. A postulação de Temer foi destroçada pelos fatos que reforçaram a má avaliação do presidente. Mas uma coisa permanece: a meta dos candidatos, mirando os 15% de intenção de voto como caminho para o sonho de figurar entre os que disputam o 2º turno.

Os analistas de cenário já dão como uma possibilidade bastante palpável um alto índice de abstenção, bem como de votos nulos e brancos. O sinal do eleitor já foi dado na recente eleição para o governo do Tocantins, quando metade do eleitorado simplesmente não optou por nenhum candidato: 49,33% se refugiaram na abstenção ou no voto nulo ou branco. Nesse cenário, os 15% de intenção de voto pode significar algo próximo de 30% dos votos válidos.

Somente Lula, em 1998, teve mais de 30% dos votos válidos e mesmo assim não foi para o 2º turno. Também somente Lula teve menos de 20% dos votos válidos, em 1989, e mesmo assim foi para a segunda rodada da eleição presidencial. Cabe lembrar ainda que Marina, em 2010, quase chegou aos 20% (teve exatos 19,33% dos votos válidos) e mesmo assim ficou em terceiro. Repetiu o terceiro lugar em 2014, aí com 21,32% dos votos válidos.

O cenário de fragmentação de hoje tem semelhança somente com o de 1989. Daí, os 15% de intenção de voto são, sim, uma meta bastante factível dentro da estratégia de viabilizar um candidato.

Vale lembrar, somente nas eleições de Fernando Henrique Cardoso (em 1994 e 1998) verificou-se vitória em primeiro turno. Em todas as demais, foi necessária uma segunda rodada. Diante desse retrospecto, vale a pena conferir o desempenho dos principais candidatos no 1º turbo de cada eleição presidencial, desde 1989, considerando os votos válidos.

1989
Collor:  30,47%
Lula:  17,18%     
Brizola:  16,51%

1994
FHC:  54,24%
Lula:  27,07%

1998
FHC:  53,06%
Lula:  31,71%

2002
Lula:  46,44%
Serra:  23,19%

2006
Lula:  48,61%
Alckmin:  41,64%

2010
Dilma:  46,91%
Serra:  32,61%

2014
Dilma:  41,59%
Aécio:  33,55%

O campo da direita vai se definindo por Bolsonaro


Deputado Jair Bolsonaro, do PSL: consistência nas intenções de voto fortalece o ex-militar como opção do campo da direita no Brasil

 

Em recente passagem por Teresina, o candidato do PRB à presidência da República, empresário Flávio Rocha, atacou o que chamou de extremos – Jair Bolsonaro (PSL), à direita, e Lula (PT), à esquerda. Ao apontar para os dois, Flávio tentou ser enxergado como candidato de centro, num esforço para agradar um eleitorado amplo e largamente indefinido. Ma, pelo teor das propostas que abraça, o candidato do PRB é de direita. Bem direita mesmo. O problema é que ele não consegue avançar sequer sobre esse eleitora, que parece ter dono, ou pelo menos uma preferência: Bolsonaro.

O ex-militar vai se firmando como o representante do chamado campo da direita – ou da “direitona radical”, como querem alguns direitistas, incomodados com a associação. Bolsonaro vai se mostrando estável, com um percentual elevado ainda que não tão elevado a ponto de dar tranqüilidade à campanha. Sem Lula,vem se revelando o líder de todas as pesquisas, em um patamar próximo aos 20%.

O problema de Bolsonaro é não avançar desse patamar entre 17 e 19 pontos percentuais, aos quais se vê preso há um ano. Vale lembrar, somente em 1989 um candidato foi para o segundo turno com menos de 20% dos votos válidos. Nesse momento, o candidato do PSL se vê favorecido pela fragmentação de candidaturas. Mas há movimentos que podem criar um outro cenário.

No campo das esquerdas, crescem as vozes que buscam unificar forças em torno de um único candidato, Ciro Gomes (PDT) como preferido. Na centro-direita há movimento semelhante, embora a opção preferencial em Geraldo Alckmin (PSDB) tenha perdido fôlego. Cada um desses campos deseja criar as condições para estar no segundo turno.

No caso de Bolsonaro, ele parte de uma vantagem: um apoio consistente de cerca de um quinto do eleitorado. Não é pouca coisa, ainda mais em um cenário tão cheio de candidatos sem grandes apelos e, mais ainda, em um ano onde boa parte dos votantes pretende se abster ou anular o voto. Vale lembrar, a recente eleição para o governo do Tocantins teve metade dos eleitores sem opção nenhuma – a soma de abstenção, nulo e branco. Em situação tal, os cerca de 20% de Bolsonaro significariam perto de 40% dos votos válidos.

Com uma perspectiva bastante razoável de estar no segundo turno, há segmentos que já sacam o oportunismo de sempre e buscam a possibilidade de poder em um futuro próximo. E aí aparecem hoje bolsonaristas entre antibolsonaristas de ontem.

A velha história da política no Brasil: feio é perder – mesmo que o país perca com isso.

Firmino ignora presidente do PSDB em solenidade


Firmino Filho e Moreira Franco: o prefeito esqueceu e o ministro lembrou da presebnça do presidente do PSDB   (FOTO: Wilson Filho)

 

Se há desconfianças da relação do prefeito Firmino Filho com o (oficialmente) seu PSDB, o mandatário da capital emite mais um sinal que aponta para alardeado distanciamento. Em solenidade hoje pela manhã com a presença do ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, Firmino simplesmente ignorou a presença de Marcos Elvas, presidente do PSDB no Piauí.

O “esquecimento” ficou ainda mais evidente pela atenção e elogios que o próprio ministro fez a Elvas.

Ao discursar, Firmino não relacionou Elvas nas lista de autoridades cumprimentadas. Vale lembrar, o presidente do PSDB é, além de correligionário, um colega de mandato, já que Marcos Elvas também é prefeito municipal – de Bom Jesus.

O gesto ganhou mais evidência quando o ministro Moreira Franco, no momento em que foi discursar, relacionou Elvas entre as autoridades cumprimentadas. Fez mais: observou que Marcos Elvas é presença constante em Brasília, cobrando projetos para seu município – como o aeroporto para Bom Jesus. Moreira ainda brincou, ao lembrar que há uma outra Bom Jesus, no rio de Janeiro, onde sempre foi bem votado.

O esquecimento pode ser uma bobagem. Mas para um tucano que é visto muito mais “cirista” que tucano, fica sempre a dúvida. Até porque, até onde se sabe, Firmino Filho não tem nenhuma animosidade com Marcos Elvas.

Ou tem?

Investidor já não coloca tanta fé em Alckmin

O nome de Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à presidência da República, sempre foi apontado como uma das alternativas preferidas pelos investidores. Mas a demora do ex-governador paulista em demonstrar consistente densidade eleitoral começa a tirar a paciência do investidor, que já olha para outras alternativas como um caminho razoável para o Brasil, nos próximos anos. Uma das alternativas que mais cresce, pasme!, é Jair Bolsonaro (PSL).

Esse caminho ficou evidente na última pesquisa realizada pela XP Investimentos, que há muito anda monitorando o humor e as esperanças do empresariado. A pesquisa (realizada dias 4 e 5) ouviu 204 gestores, economistas e consultores que representam mais da metade dos recursos do mercado brasileiro. E o resultado mostra que cresce a projeção de um segundo turno entre Ciro Gomes (PDT) e Bolsonaro.

É uma mudança e tanto de cenário, junto a esse segmento que tem muito poder de influir nos rumos do país, inclusive na política. Um exemplo disso foi a primeira eleição pós-redemocratização. Em 1988, os investidores apostavam no empresário Antonio Ermírio de Moraes. Mas ele não deslanchou. O mercado auscultou o cenário e encontrou em Fernando Collor o depositário de suas teses. Collor cresceu e um ano depois era eleito presidente.

Em 1994, Lula era visto como uma possibilidade, em contraponto a Paulo Maluf. Mas o mercado terminou deixando o petista de mão e abraçando a candidatura de Fernando Henrique, que acabou eleito no primeiro turno. Em 2002, Lula fez uma carta para acalmar o mercado e ganhar as bênçãos dos investidores. Depois disso, teve o caminho aplainado para a primeira vitória, após três derrotas.

Agora, como às vésperas de 1989, o investidor se sente um tanto órfão de candidatos. Sem Alckmin, para onde ir? Há dúvidas quanto a Ciro. E muitos se decantam por Bolsonaro. A mesma instituição tinha realizado sondagem semelhante em abril, quando Alckmin aparecia como o mais citado pelos entrevistados, seguido de Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está na frente, seguido de Alckmin. Depois vem Ciro, ainda longe. Mas os investidores já não colocam tanta fé no tucano e a maioria acha que a dupla Bolsonaro e Ciro é quem vai decidir o pleito.

Se esse cenário se mantiver, é possível que Bolsonaro se converta no novo Collor.
 

Alckmin enfrenta problemas internos

Não é só mercado que está perdendo a paciência com Geraldo Alckmin. Ele enfrenta problemas dentro do próprio PSDB, e não se trata mais da reação pontual do prefeito de Manaus, Artur Virgilio Neto. Tem tucano de bico largo pedindo a liberação de alianças Brasil afora.

Essa é uma boa forma de dizer: Geraldo, deixa cada um cuidar de si. Liberar as alianças é mesmo que gritar: não vamos esperar pelo candidato do partido à Presidência. Para evitar o abraço dos afogados, cada um que cuide de si.

O lugar de pouco destaque da Universidade Brasileira

Os rankings sempre são questionados, mas é também sempre bom olhá-los para ver o que eles dizem. E o mais recente ranking internacional listando as universidades mais importantes do planeta Terra dizem que a Universidade Brasileira tem papel de figurante na produção do conhecimento, mundo afora. Não temos nenhuma de nossas instituições superiores figurando entre as 100 maiores do planeta.

O novo ranking que veio à luz é o QS World University Rankings, que avalia as 4.500 melhores instituições de ensino superior do mundo. A elaboração é feita por analistas globais e leva em conta diversos aspectos da produção acadêmica ao redor do mundo. A Universidade de São Paulo é a instituição brasileira melhor colocada, na 118ª posição.

Para um país que há década aspira à condição de potência mundial, é um desempenho pífio. E olha que nossa universidade líder até melhorou de posição – a USP subiu três postos, o melhor desempenho desde que o ranking foi criado, há 15 anos.

É claro que a avaliação pode ser questionada a partir dos critérios que usa. Cada ranking valoriza certos aspectos, passando por número de alunos atendidos, artigos produzidos, capacidade de inovação e registro de patentes. Há os que levam em conta até as premiações conseguidas por uma universidade, onde o Nobel se destaca.

Seja como for, em todos os rankings a Universidade brasileira vai mal. E ninguém chega a ser potência apenas produzindo diplomas. Há uma avaliação internacional que mostra que a educação básica brasileira é ruim, muito ruim. O ensino superior não tem como ficar longe desse cenário: ele “coroa” todo o processo e também se mostra pouco eficiente.

Para completar, somos um país que investe pouco, muito pouco em pesquisa. E ainda tem o agravante que a Universidade cultiva uma especial animosidade com os “temas comuns”, aqueles que dizem respeito à sociedade, ao dia a dia do cidadão. É como se os temas cotidianos não dissessem nada à academia, que muitas vezes se prende a assuntos distantes da realidade que a cerca.

Falta a interação entre o campus e as ruas. Ou o campus e a indústria. O campus e a escola. O campus e o hospital. O campus e a agricultura. O campus e o turismo como evento social e econômico.

O reflexo está no ranking que acaba de ser publicado, que reproduz a realidade de outros rankings: estamos lá no final da fila. Temos apenas cinco universidades entre as 500 melhores, e espalhadas nesse Top500. E não é com um lugar coadjuvante em termos de produção de conhecimento que vamos fazer do Brasil uma nação a ser efetivamente levada em conta no planeta.

Confira a posição de nossas dez principais instituições, segundo o QS World University Rankings.

No Brasil No mundo        

1.    Universidade de São Paulo (USP) – 118ª colocada;
2.    Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – 204ª;
3.    Universidade Federal do Rio de Janeiro – 361ª;
4.    Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) –464ª;   
5.    Universidade Estadual Paulista (Unesp) – 491ª;
6.    Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) – entre 531ª e 540ª;
7.    Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – 601ª-650ª;
8.    Universidade Federal de Minas Gerais – 601ª-650ª;
9.    Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – 601ª-650ª;
10.  Universidade Federal de São Carlos – 701ª-750ª.

PSB está entre Ciro, Alckmin e liberação do voto


Rodrigo martrins: deputado avalia que a melhor opção para o PSB é liberar o voto nas eleições presidenciais deste ano

 

A bancada federal do PSB tem reunião hoje à tarde, em Brasília, quando vai discutir e apontar diretrizes sobre a conduta do partido nas eleições presidenciais deste ano. A bancada chega divida entre três posições: apoiar a candidatura de centro-esquerda de Ciro Gomes (PDT), a de centro-direita de Geraldo Alckmin (PSDB) ou simplesmente lavar as mãos e deixar que cada estado decida o rumo que deseja seguir.

Segundo explica o deputado piauiense Rodrigo Martins, a diretriz a ser apontada será uma preliminar da decisão geral que o partido tomará nos próximos dias, como posição oficial da sigla. Governadores como Ricardo Coutinho, da Paraíba, gostariam de ver o partido em uma posição mais à esquerda. Está mais para apoiar Ciro Gomes. Já o governador de São Paulo, Márcio França, tem a preferência por Geraldo Alckmin.

Beto Albuquerque, que foi vice na chapa de Marina Silva em 2014, fica a meio termo: prefere que o partido libere as bases e cada estado siga o rumo que deseja. Rodrigo Martins se alia a essa corrente, de liberação do voto dos socialistas.

O problema no PSB é que o presidente da sigla, Carlos Siqueira, tem uma relação conflituosa com diversas áreas do partido. Ele, que chegou ao comando do PSB por delegação de Eduardo Campos, não tem o aval de boa parte da sigla – o que levou o partido a perder quase metade da representação que tinha na Câmara.

Siqueira quer a qualquer custo levar o PSB para a área de influência do PT – e Ciro poderia ser a alternativa de sua preferência. Mas essa opção não é pacífica.
 

Tendência pela liberação do voto

Há apenas uma semana, avaliava-se como predominante a tendência pelo apoio a Ciro Gomes. O movimento de alguns partidos para que Ciro seja o candidato único das esquerdas deixou alguns socialistas com um pé atrás, em especial naqueles estados em que o PSB tem conflitos com o PT.

Há sérias dúvidas sobre o rumo que o PSB vai tomar – ou pelo menos qual a posição oficial que o partido adotará. Mas a balança começa a pender mais um pouco para a liberação do voto. Essa alternativa livraria o partido de enfrentar discussões internas sobre infidelidade. Porque a opção por Alckmin ou Ciro, qualquer que seja, não levará o partido todo, coeso.

A liberação evitaria maiores constrangimentos.

Eleitor dá novo aviso: 50% desdenham de candidatos no Tocantins


Eleição suplementar no Tocantins: metade do eleitorado não fez opção por nenhum dos candidatos a governador

 

Primeiro foi uma pesquisa em São Paulo, apontando que 40% dos entrevistados estavam dispostos a não votar em ninguém, este ano. Agora a coisa sai da possibilidade para a concretude do voto: quase 50% dos eleitores aptos a votar em Tocantins, ontem, desdenharam das candidaturas e optaram pelo não-voto.

Se os políticos ainda duvidavam do desencanto ou da pura rejeição à política como ela vem sendo feita no Brasil, os sinais estão aí. E deve servir de um grande alerta para outubro.

Há sempre o argumento de que a eleição suplementar para escolha do governador do Tocantins, ontem, tem uma excepcionalidade que reduz o engajamento. É um argumento razoável: a greve dos caminhoneiros criou algumas dificuldades, o estado já viu esse filme (cassação de governador) antes e a eleição é para um governante que ficará no cargo apenas seis meses. Ainda assim o sinal soa como um grito.

Segundo o TRE do Tocantins, a abstenção bateu em 30,14%. Os votos nulos chegaram a 17,13% e os votos brancos somaram 2,06%. No total, o não-voto chega a 49,33%. É muita coisa. E é especialmente relevante o índice de abstenção e o de votos nulos, sobretudo se comparados com as eleições de 2014, vencida no primeiro turno pelo agora cassado Marcelo Miranda.

Em 2014, a abstenção foi de 19,6%. Houve, portanto, um aumento de mais de 50% no bolo de ausentes. Mas se os argumentos antes relacionados soam como atenuante, há um outro dado que é demolidor: os votos nulos dobraram. Em 2014, eles somaram 9,77% dos votos. Agora, passaram dos 17%. Esse aumento é significativo porque diz respeito ao eleitor que foi às urnas e não optou por nenhum candidato. É como se dissesse: “Nenhum me representa”.

No caso dos votos em branco, ficou praticamente como estava, até com uma pequena queda este ano: 2,47% em 2014 contra os 2,06% de ontem – o que talvez queira dizer que muitos preferiram transformar voto branco em voto nulo.
 

O novo não apareceu. Ou não encantou

A ideia de que as eleições de 2018 seriam a eleição do novo – da mudança – parece perder força. Os números vão mostrando que essa eleição, salvo mudança de contexto, pode ser a campanha do “não estou nem aí para essa gente”.

No caso da pesquisa de São Paulo, pode-se dizer que nenhum candidato é novidade. Mas o caso do Tocantins é diferente e parece ressaltar o sentimento generalizado de que os que estão na política desdenham do povo. E os que entram na política cedo ou tarde seguirão o mesmo caminho.

Na disputa pelo governo de Tocantins, uma novidade era o ex-juiz Márlon Reis (Rede). Como juiz no Maranhão, ele teve forte atuação contra a corrupção e foi um dos inspiradores da chamada Lei da Ficha Limpa. Ganhou destaque nacional e entrou na disputa com esse capital achando que poderia transformá-lo em voto.

Ficou em quarto lugar, com menos de 10% dos votos válidos.

Foi ‘só’ Caixa 2: governo da Espanha cai e muitos vão pra cadeia

Dentro da Operação Lava Jato, muitos envolvidos têm uma mesma estratégia de defesa. Quando questionados sobre dinheiro usado nas campanhas sem uma origem identificada, a resposta é sempre igual: foi caixa 2. O argumento é usado como se o caixa 2 não fosse crime. Pois bem: na Espanha, o governo de Mariano Rajoy (PP) acaba de cair por ser beneficiário indireto (note bem: indireto) da prática de caixa 2. No mesmo escândalo, uma penca de dirigentes do PP foi para a prisão. “Só” por caixa 2.

Aqui, o argumento da “contabilidade paralela” é usado como se restringisse tudo a um crime de natureza fiscal. Ou seja: ao não se declarar um determinado valor, dribla-se o fisco – e tal drible seria um crimezinho de nada. Claro, não é bem assim. Além disso, há muitos outros pontos vulneráveis nesse tipo de argumento. Primeiro, o de natureza moral, especialmente para um pretendente a cargo público: tem sentido um sujeito que se esmera em burlar o fisco (uma instância do poder público) pleitear um cargo público?

No campo judicial, há outros problemas.

Origem: se há caixa 2, há dinheiro subterrâneo, um dinheiro que existe de fato mas que os candidatos não pretendem que seja reconhecido como existente. Só isso já é um problema. Alguns argumentam que o doador não quer se revelar doador – e isso também é outro problema, para quem doa e para quem recebe.
Corrupção: o caixa 2 está em geral vinculado a caso de corrupção – como bem revelam as delações de Odebrecht, OAS, JBS etc. Ganha-se a obra, deixa-se a parcela na conta do gestor. Ponto.
Crise Organizado: para piorar, o próprio ministro Gilmar Mendes já manifestou o temor da crescente participação do crime organizado nas campanhas. E isso acontece através de caixa 2. Um problemão.
Prática geral: para piorar, os históricos mostram que a grande maioria dos candidatos usa caixa 2 nas campanhas. O maior custo de uma campanha é o gasto com cabo eleitoral, e esse dinheiro não entra em nenhuma prestação de contas. Outro problemão.
 

Diferenças da Espanha para o Brasil

O caso da Espanha mostra bem o quanto o Brasil se faz condescendente com práticas pouco transparentes ou explicitamente escandalosas. O rombo na Petrobrás deixado pelas práticas de corrupção na última década supera a marca de R$ 40 bilhões. E aqui falamos de dinheiro direto, não a perda de valor nas especulações da bolsa, conta que é muito, muito maior.

Entre nós, tenta-se resumir tudo a uma questão política, quando o assunto é judicial.

Na Espanha, o Caso Bárcenas, que tirou Mariano Rajoy e o PP do poder, à frente dos escândalos brasileiros, é caso uma ninharia. Aqui, as propinas arrecadadas nos escândalos destapados pela Lava Jato somam bilhões. O Caso Bárcenas revela a lavagem de 1,2 milhão de Euros (uns R$ 5 milhões) e o pagamento de mesadas pelo partido a seus dirigentes que vão de 5 mil a 15 mil Euros (entre R$ 20 mil e R$ 60 mil, aproximadamente).

Diante do que a Lava Jato revelou, lá na Espanha o nome “mesada” até que se faz apropriado.

Outro detalhe: as contas do caso Bárcenas apontam, em contabilidade manuscrita, pagamentos para os “ternos de M.R”, ou “ternos de Mariano”. Isso foi levado em conta. E foi decisivo para envolver o chefe do governo com o escândalo que movia o seu partido.

Pagou caro. Pagou com a perda do poder.

Certamente quando viu o parlamento aprovar uma moção de censura que o tirou o cargo, Mariano Rajoy deve ter tido uma inveja danada dos políticos brasileiros.

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