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Recorde de assassinatos expõe fracasso da política de segurança


Polícia do Exército no Rio de Janeiro: ação de socorro à crise de segurança no Rio, mas que não deu certo

 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública trouxe à tona a gravíssima realidade da segurança no Brasil. Tivemos em 2017 um recorde de mortes violentas no país. Foram 63.880 assassinatos, 2.283 a mais que os já gritantes 61.597 registrados em 2016. A leitura do número parece óbvia: a política de segurança pública no país é um tremendo fracasso.

Olhando o levantamento referente ao ano passado, o mínimo que se pode dizer é: a política de segurança não está funcionando. Essa política é norteada basicamente por ações repressivas, voltadas para o aprisionamento. E também aí há dificuldades: as polícias são mal aparelhadas, os policiais não têm o treinamento adequado e os sistemas judicial e prisional deixam muito a desejar.

Sobre o sistema judicial, podemos dizer uma de duas coisas: ou as leis são falhas ou a aplicação delas não tem o efeito que deveria. Basta notar o tanto de criminosos presos que apresentam como histórico um rosário de passagens por delegacias e presídios. Esse entre e sai expõe as falhas do sistema. Também é grave a avaliação que se faz sobre o sistema prisional, onde os presídios funcionam como escritório do crime organizado e sala de aula que leva à sofisticação da criminalidade.

A atuação policial também falha, e muito. Basta ver a incapacidade de diálogo entre as polícias. É igualmente reveladora dessa ineficiência a presença comum da droga na vida de nossas cidades. Isso quer dizer, no mínimo, que a ação policial não consegue estancar a ação quase livre do tráfico.

O resultado está nos dados do Fórum: quase 64 mil mortes violentas em apenas um ano, número que supera até mesmo países em guerra civil, como a Síria. Pior é que não aparece nada consistente como perspectiva de solução. Mesmo a criação do SUSP não anima os especialistas, já que foca basicamente na ação policial. Também a intervenção federal no Rio de mostrou-se insatisfatória.

O resumo da história também parece óbvio: é preciso buscar outro tipo de caminho, incluindo aspectos como o educacional e o econômico. Mas a discussão que a campanha eleitoral está possibilitando não considera, pelo menos de forma consiste, a busca de novas alternativas.

Rede Sustentabilidade pode lançar chapa pura, com Irmã Graça

As divergências em torno da indicação do candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo senador Elmano Ferrer (Podemos) ameaça ter como desdobramento o lançamento de uma nova chapa para disputar os cargos majoritários. E pode ser uma chapa pura, formada por integrantes do partido Rede Sustentabilidade, a sigla de Marina Silva.

A chapa deve ser encabeçada pela Irmã Graça, e teria como candidato a senador o professor Paulo Henrique Pinheiro. Essa decisão foi desenhada em reunião no início da noite. A discussão é um desdobramento do impasse em torno da candidatura ao Senado: a Rede queria o posto, alegando ter mais representatividade que o AVANTE, o partido de Quem-Quem, o nome escolhido na convenção dos aliados de Elmano.

Nesses últimos dois dias, a discussão buscava, a substituição de Quem-Quem. O Rede reivindicava o lugar. A falta de acordo fez surgir a opção da candidatura do advogado Norberto Campelo, mas ele declinou do convite.

Sem solução, e determinado a apresentar a candidatura de Paulo Henrique, o Rede decidiu partir para a opção “puro sangue”, com candidato ao governo e ao Senado da própria sigla. Além de Paulo Henrique, candidato a senador, teria Irmã Graça, concorrente ao Palácio de Karnak.

Essa ideia de um palanque próprio atende ainda ao interesse de Marina, que deseja ter espaço nos estados para dazer sua campanha à Presidência da Repúbloca. A decisão final sobre a participação do partido nas eleições deste ano no Piauí será anunciada na manhã desta quinta-feira, em entrevista coletiva.

Cresce número de candidaturas femininas


Movimento de deputadas por mais mulheres na política: resposta no crescimento de candidaturas femininas para cargos majoritários

 

Os esforços para garantir maior participação da mulher na política estão conseguindo resultados importantes, pelo menos no primeiro estágio, o do registro de candidaturas. Conforme os dados do TSE, o número de mulheres candidatas cresceu na disputa pelos governos dos estados e nos cargos de vice, seja vice-presidente, seja vice-governadora. Somente na disputa pel presidência houve redução.

A preocupação com a maior presença da mulher na política é óbvia: o eleitorado feminino soma 52% do total de votantes. Maioria absoluta. Mas a participação da mulher em cargos políticos é muito, muito pequena. Basta lembrar 2014, quando o número de congressistas eleitas ficou em torno de 10%.

Na tentativa de mudar esse quadro, muitas mãos de juntaram. A sociedade gritou, o Congresso aprovou cotas para as mulheres (elas devem representar pelo menos 30% das candidaturas proporcionais) e o TSE garantiu que essa cota deveria estar também na divisão dos recursos do fundo Partidário. Além disso, o TSE fez uma intensa campanha pela participação feminina e ainda exigiu que a propaganda partidária fizesse ferência à mulher.

Os números mostram que há resultados, pelo menos nesta primeira fase, a de constituição de candidaturas.

• Presidente: das 13 candidaturas, duas são mulheres. Marina Silva (REDE) e Vera Lúcua (PSTU). Em 2010 também foram duas, e três em 2014.
• Vice-Presidente: são quatro candidatas a vice-presidente, número que deve chegar a cinco, quando Manuela D’Ávila (PCdoB) tornar-se a segunda na chapa encabeçada pelo PT. Em 2010 foram duas e, em 2014, três.
• Governadora: serão 30 mulheres disputando o comando dos estados, contra as 17 de 2010 e as 18 de 2014. Só no Piauí são três (10% do total).
• Vice-governadora: São 67 em um conjunto de 167 concorrentes. Isso representa 37,6% do total, bem acima dos 27,7% (48 postulantes) de 2014 e dos 19,5% (correspondente às 28 concorrentes) de 2010.
 

Partidos fazem cálculo político e econômico

A presença de tantas mulheres em cargos majoritários atende a duas estratégias dos partidos. Primeiro, a estratégia política: todos querem fazer algum tipo de aceno para essa fatia que corresponde a 52% do eleitorado. Ou seja: ter uma mulher na chapa pode significar mais votos.

Mas há também o cálculo econômico. Ter uma mulher na vice, por exemplo, amplia a possibilidade de uso dos recursos partidários, diante da decisão do TSE de que as mulheres têm direito a pelo menos 30% dos recursos do Fundo Partidário. Daí, uma chapa só de homens não pode pleitear um centavo dessa fatia de 30%.

Já uma chapa com mulher, essa sim, pode usar uma parte dessa grana exclusiva.

Disputa presidencial traz chapas com maior coesão ideológica

A disputa presidencial deste ano traz um movimento que é contrário ao verificado nas quatro últimas eleições: as alianças em torno das candidaturas estão mais coesas em termos ideológicos. A constatação deve ser atribuída a uma tendência de agrupação entre aliados realmente mais próximos em termos ideológicos e , também, à alta fragmentação que dificultou alianças.

Das 13 candidaturas postas, cinco saíram sem aliados: são aquelas de uma única sigla, em geral candidaturas relacionadas a um partido com visão programática mais detida e, em certo, sentida, mais estrita. É o caso da Democracia Cristã, com uma visão norteada por valores religiosos. Ou o PTSU, com uma pregação bem à esquerda. Ou ainda o Novo, que está do outro lado do espectro ideológico na defesa de um estado mínimo e da eficácia na gestão.

Mas o que chama mesmo a atenção é que dez das 13 candidaturas são de chapas “puro sangue”, com candidato a presidente e a vice de uma mesma sigla. Isso se dá mesmo no caso de candidatos com aliança, como o MDB de Henrique Meireles: aliado ao PHS, Meireles tem como vice outro emedebista, o gaucho Germano Rigotto.

Cabe uma ressalva para o caso do PT, com chapa pura mas que deve ser alterada nas próximas semanas: há um acordo com o PCdoB para que Manuela D’Ávila assuma a vice no momento em que houver definição sobre a candidatura de Lula. Manuela irá para a vice seja com a confirmação da candidatura Lula, seja ainda com o deslocamento de Fernando Haddad para a cabeça de chapa.

O caso do PT também é ilustrativo da mudança das alianças. A política de ampla composição, colocada em prática a partir de 2002, não se repetiu. Ao contrário, o PT se deslocou para a esquerda, caminho inverso das últimas quatro campanhas.
 

PT e PSDB se fecham em seus campos

Em 2002, o PT se juntou a um partido de direita, o PL de José Alencar. E recebeu o apoio de velhos caciques, como José Sarney e Renan Calheiros. Nas três campanhas seguintes, o partido foi ampliando o leque de aliados: ao mesmo tempo que tinha o PCdoB, atraia grupos como o PMDB e o PP.

Agora, em meio um posicionamento do “nós contra eles”, o PT se estreitou na esquerda. Já o auto-nominado esquerdista Ciro Gomes  (PDT) tentou o guarda chuva do “Centrão”. Não conseguiu. O grupo se refugiou na candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), escolha coerente com um grupo que soma partidos de centro e de direita.

Dessa forma, PT e PSDB se fecham em seus campos, assim como Marina Silva (REDE) se respalda nos políticos vinculados aos movimentos sociais. Já Jair Bolsonaro, estreito no discurso, fica também estreito nas alianças, com o apoio único do PRTB.
 

 Candidatos e alianças partidárias

Tempo de Alckmin na TV será mais do dobro do candidato do PT

Encerradas e convenções e definidas candidaturas e alianças, fica estabelecido um importante componente do jogo eleitoral: o espaço de cada candidato no horário para propaganda eleitoral no rádio e televisão. Levantamento preliminar indica que Geraldo Alckmin (PSDB) deve ter mais de duas vezes e meia o tempo do candidato do PT, o ex-presidente Lula. Jair Bolsonaro (PSL) deve ficar com apenas 9 segundos de tempo.

O tempo de TV é resultado direto das alianças formadas. Cada partido tem direito a um determinado tempo, que está relacionado à representação da sigla no Congresso. É isso que gera a disputa por apoios oficiais dos partidos. É isso, portanto, que vai dar a Alckmin a maior fatia do tempo de rádio e TV, já que o ex-governador de São Paulo conseguiu formar o maior bloco de alianças na corrida pelo Palácio do Planalto.

Alckmin conta com o apoio de dez partidos, que somam 255 deputados, praticamente a metade da Casa. A legislação tenta reduzir a forças dessas alianças gigantes e permite que seja computado o tempo apenas das seis maiores siglas de uma coligação. Feitas as contas, Alckmin terá 5 minutos e 32 segundos nos blocos de propaganda eleitoral, veiculados às terças, quinta e sábado. Também terá direito a mais 12 inserções de 30 segundos por dia.

O segundo maior tempo caberá a Lula (PT) ou seu substituto. O PT teve dificuldade para formar alianças; vai para a campanha com o apoio do PROS, PCO e PCdoB. Deverá ter 2 minutos e 28 segundos, somados os 18 segundos garantidos por Manuela D’Ávila e seu PCdoB. Com essa composição, o candidato petista terá cinco ou seis inserções diárias. O terceiro colocado no tempo de TV é Henrique Meireles. Ele não tem aliados, mas o MDB sozinho garante 1m55s de tempo nos blocos de propaganda, além de 4 inserções diárias.

Ciro Gomes (PDT) terá 40 segundos e três inserções a cada dois dias, mesma situação de Álvaro Dias (podemos). Ruim mesmo é a situação de Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL). A ex-ministra terá apenas 21 segundos nos blocos de propaganda e duas inserções a cada três dias. Bolsonaro tem menos tempo ainda: 9 segundos nos blocos e uma inserção a cada tr~es dias. Os dois terão que fazer render a atyuação que fazem nas redes sociais.

Os dados, levantamento, feito pelo jornal Valor Econômico, é preliminar e pode sofrer alterações com o registro das candidaturas.

PT tenta nova ‘grande transição’, agora para a esquerda


Rui Pimenta, do PCO: expulso do PT em 1995 e crítico dos petistas em quatro eleições, ele agora entra no bloco de aliança do PT

 

Os que estudam a trajetória do PT, encontram no Congresso interno de 1995 um momento de inflexão na história do partido. Ali o PT deu o primeiro e decisivo passo para uma grande transição que o levaria ao pragmatismo político em busca do sucesso eleitoral. Não queria mais repetir as derrotas de 1989 e de 1994, quando a sigla ficou na segunda posição da corrida presidencial. O Poder era o objetivo desse grande passo.

Agora, também pensando no Poder – talvez um poder sem as amarras heterodoxas –, o partido tenta fazer uma nova travessia. Mas em sentido inverso. Não se percebe bem se esse retorno significa também uma revisão das próprias práticas ou se é mais uma estratégia pragmática que se ajusta a um cenário eleitoral em que o eleitor cobra algo diferente.

O pragmatismo desenhado no Congresso de 1995, sob a matuta estratégica e operacional de José Dirceu, levou a concessões de todo tipo, começando pela linguagem, as atitudes e os discursos. O primeiro passo concreto, após a expulsão das correntes de esquerda, foi buscar “marqueteiro profissional”, um daqueles que o mercado paga a peso de ouro e que tem como lema o triste bordão “feio é perder”. Daí, entregou suas estratégias do mercado eleitoral a Duda Mendonça, que se notabilizara como marqueteiro de Paulo Maluf, um ícone da política antiga e de práticas terríveis.

Isso já dizia muito.

Esse “novo PT” desenhado pelas estratégias de José Dirceu & Cia. levou o partido aos braços de gente como José Sarney, Renan Calheiros e Jáder Barbalho, bem como do próprio Paulo Maluf e Fernando Collor. Eram nomes que o partido demonizara ao longo de décadas, mas que se faziam úteis dentro do conceito de que “feio é perder”.

Aliou-se com festas ao PP, partido oriundo da Arena e do PDS. Nada a ver com o PT de antes de 1995. O resultado, porém, apareceu: o PT ganhou eleições e acumulou poder. Verdade seja dita, perdeu diretrizes; abandonou conceitos e somou desgastes. E terminou perdendo o próprio poder.

Agora parece tentar uma nova transição, uma nova travessia, desta vez de volta às esquerdas. Quem sabe, para retomar as diretrizes de antes, na “refundação do PT”, como dizem alguns, internamente. Mas há quem desconfie e veja só um novo discurso que estaria bem condizente com o pragmatismo pós-1995.
 

O PCO de Lurdes Melo agora é aliado

O novo jeitão que o PT encena para as eleições deste ano fica evidente nas alianças que tentou ou consagrou. Em 2018, o único partido que se situa no campo ideológico do Centro ou Centro-direita é o PROS. No mais, as tentativas de aliança foram à esquerda: PCdoB, PSB, PCO e PSOL – este, Lula tentou atrair para o seu lado, mas o partido permaneceu com candidatura própria.

É especialmente revelador o apoio do PCO – aqui no Piauí conhecido como a sigla de Lurdes Melo. O PCO é um partido de esquerda, bem esquerda mesmo, exatamente o perfil que o PT expulsou de seus quadros após 1995. Até o famoso Congresso, o PCO era uma corrente dentro do PT. Foi convidado a sair e aí surgiu o Partido da Causa Operária.

Desde então, Rui Pimenta foi apresentado como candidato por quatro vezes, distribuindo críticas a meio mundo, inclusive aos governos do PT. Pois esse tipo de sigla é de novo bem recebida no partido, que tenta marca um novo momento em sua história.

Se é mais uma faceta do pragmatismo, só o tempo dirá.

Convenções têm hoje último dia da ‘preliminar eleitoral’


Convenção do PSB em Minas Gerais: pandaria entre aliados mostra que convenções não encerram discussão sobre alinhamento político
 

As dúvidas praticamente se acabam hoje, no último dia de convenção, que vai definir a formação definitiva dos “times” que concorrerão às eleições deste ano, no plano local e nacional. Para manter a linguagem futebolística, hoje é o último dia da preliminar. A partir de amanhã começa o jogo principal, com candidaturas definidas, alianças oficialmente montadas e discursos mais claramente desenhados a partir das convenções.

Essa fase de definição de candidaturas vai, antes de tudo, delineando os campos. Por exemplo: o PT dá um passo mais para a esquerda, ao não conseguir atrair grandes apoios e ver a chegada de siglas como o PCO. Já Marina Silva (REDE) se aferra a um segmento que tem grande força nos movimentos sociais, assim como Jair Bolsonaro (PSL) se agrara de uma vez por todas ao discurso da direita que aposta em um "governo forte". Geraldo Alckmin (PSDB) busca o caminho tradicional de formar alianças poderosas, enquanto Ciro Gomes (PDT) busca romper o isolamento e abrir espaço em cima da ideia de que é o mais preparado.

A definição desses campos tem dois efeitos.

Primeiro, dar uma ideia do que cada um pode propor como projeto de Nação, diante das orientações ideológica de cada sigla que compõe uma aliança. Esse é um efeito que pode-se dizer “em tese”, pois cabe sempre lembrar o quanto é difícil, no Brasil, saber o que um ajuntamento de partidos pode significar em termos programáticos. Basta lembrar das alianças do PT que juntava PCdoB com o antigo PL ou, mais recentemente, com o PP. As ideias escritas de um tinham muito pouco a ver com as do outro – às vezes eram mesmo antagônicas.

Daí, a definição das candidaturas vale mesmo pelo segundo efeito: saber com quem cada candidato realmente conta, pelo menos de maneira oficial. Esse “de maneira oficial” também mostra outra dificuldade da realidade brasileira: o que se acorda não necessariamente é cumprido – ou até se poderia dizer que em grande parte não é cumprido.  

Sim, as convenções encerram hoje a preliminar, dando passo ao jogo principal. Ok. Mas, na política brasileira, não é comum um jogador de um time jogar para o adversário.

Cada um olha para seu umbigo. E se for preciso fazer um gol contra o próprio time, assim será.
 

Nem todas as dúvidas acabam

As alianças formalizadas hoje não encerram algumas dúvidas importantes. No cenário nacional temos situações como a do PSB, que em parte se aproxima do PT – como em Pernambuco – mas gerando reações entre os próprios petistas. Ou como em Minas, onde o PSB terminou sua convenção com uma completa pancadaria entre correligionários, pelo mesmo motivo da relação não assentada com o PT.

Temos ainda partidos como o Progressista, que oferece a vice de Geraldo Alckmin (PSDB), mas que no Piauí sobe no palanque do PT e festeja as principais lideranças petistas. Ou o MDB, que se debulha em alianças pelos estados, indiferente ao fato da sigla ter um candidato próprio.

Há ainda forças relevantes que ainda não deixaram claro o rumo que vão tomar. Não são partidos, mas influenciam muita gente. São segmentos empresariais como a indústria ou organizações religiosas como a Igreja Católica. Há nelas uma expectativa ou talvez uma perplexidade diante de um cenário com tantas opções, mas nenhuma oferecendo um porto seguro.

Ao que parece, só o ritmo da campanha e a resposta popular dos candidatos vai dizer para onde essas forças – dentro e fora dos partidos – efetivamente vão. 

Ana Amélia, o Progressista que não é de Ciro


Ana Amélia, a vice de Alckmin: senadora é do Progressista, mas de uma ala que muitas vezes discreta de Ciro Nogueira

 

A indicação da senadora Ana Amélia como vice de Geraldo Alckmin é uma vitória do Progressista, o principal partido do Centrão, e que é presidido pelo senador piauiense Ciro Nogueira. Mas não é exatamente uma vitória de Ciro. Ana Amélia faz parte da ala do velho PP que por vezes discrepa das diretrizes colocadas em prática pelo piauiense. Ela é do Progressista gaúcho, que contrariou o desejo do senador de ver o partido apoiando Ciro Gomes.

Além disso, uma eventual eleição de Alckmin dá ao Progressista um outro interlocutor natural com o partido e com outros segmentos da política, como o Congresso. Vale lembrar o que fazia Marco Maciel, quando vice de Fernando Henrique: ele funcionava como uma ponte direta entre Presidência e Congresso.

Hoje esse papel é de Ciro, tanto na relação com o Progressista como com o Centrão e boa parte do Congresso. Como vice, Ana Amélia dividiria tal função. E isso não agrada ao senador piauiense.
 

PT e PSDB mostram força política

Os partidos estão desgastados, e três ganham um lugar de destaque nesse desgaste: PT, PSDB e MDB. Os três sofrem a rejeição popular em razão da série de escândalos descobertos no país nos últimos anos. O MDB tem um tempero a mais: assina um governo (o de Michel Temer) com extraordinária desaprovação popular. O MDB paga caro por isso e se vê sem aliados na corrida pela presidência da República. Já PT e PSDB mostram força política e chegam à reta final das convenções somando apoios, apesar do desgaste.

O PSDB já conseguiu reunir uma dezena de partidos em torno da candidatura de Geraldo Alckmin. Também conseguiu definir uma vice, a senadora Ana Amélia, do Progressista do Rio Grande do Sul. Alckmin deve encabeçar uma aliança que vai garantir a maior fatia do tempo para propaganda eleitoral no rádio e TV.

Já o PT, que ainda enfrenta o desafio de levar adiante a improvável candidatura de Lula, vai garantindo apoios informais e formais. Formalmente, deve ter o respaldo do PCdoB, talvez até com outra gaúcha – a aguerrida comunista Manuela D’Ávila – na condição de vice. Também já recebeu o sinal de apoio de uma boa fatia do PSB, em especial em Pernambuco, Minas, Paraíba e Bahia.

Vale sempre lembrar que esses dois partidos têm estruturas fortes em todos os estados. Também têm seguidores bem identificados com a sigla. O MDB tem estrutura, mas não tem unidade e nem uma forte identidade popular. Daí, a capacidade de transformar estrutura em voto é mais visível no PT e no PSDB.

PT e PSDB vão tentando repetir a divisão política que, desde 1994, coloca os dois partidos em disputa direta pela Presidência. Bolsonaro (PSL), Marina (Rede) e Ciro (PDT) vão tentar estragar essa festa repetida.

PTC decide romper com Wellington e vai para oposição


Evaldo Gomes: desgaste na relação com o governo  leva o PTC para a oposição a Wellington Dias

 

A Executiva Estadual do PTC decidiu romper com o governo de Wellington Dias (PT) e passar para o lado da oposição. A decisão foi tomada em reunião realizada na noite desta terça-feira, quando o partido considerou mais coerente romper com o governo. “Houve um desgaste muito grande e não tinha sentido manter [a aliança]”, disse o deputado Evaldo Gomes, presidente da sigla no Piauí.

Evaldo disse que o partido vai agora avaliar as possibilidades entre os candidatos da oposição – em especial as opções de Dr. Pessoa (Solidariedade) e Luciano Nunes (PSDB). A coluna apurou que a tendência mais provável é o apoio à candidatura de Dr. Pessoa, com quem o PTC esteve muito próximo de formalizar a aliança na manhã desta terça-feira.

O desgaste com o governo começou quando o governador Wellington Dias rejeitou a pretensão do partido de lançar uma chapa proporcional alternativa, a chamada “chapinha”, bem como a intenção de apresentar um candidato ao Senado, no caso o ex-prefeito de Novo Oriente, Dr. Marcos Vinicius. O governador chegou a recuar da decisão, mas o desgaste já estava estabelecido.

Ainda ontem foi feita uma última tentativa do governo de manter o PTC na chapa encabeçada por Wellington Dias. O governo admitiu que fosse feita uma chapa alternativa em aliança com o PCdoB. Mas não cedeu na ideia do partido de lançar seu próprio candidato ao Senado. A proposta foi levada para a discussão na reunião da Executiva, que a rejeitou. A decisão foi de cerrar fileiras na oposição.

O deputado Evaldo Gomes diz que o partido segue conversando com outras siglas para decidir o rumo que vai tomar. Nessas discussões está a possibilidade de aliança com o PRB de Silas Freire e Pastor Gessivaldo. O grande problema está na chapa para deputado federal: Silas teme que a aliança com o PTC não seja suficiente para garantir a eleição de pelo menos um representante do grupo para a Câmara dos Deputados.
 

Dr. Pessoa oferece vice ao PTC

A possibilidade de aliança do PTC com o Solidariedade do Dr. Pessoa pode incluir além do candidato ao Senado também a vaga de vice. Dr. Pessoa já anunciou que, se tudo caminhar como deseja, sua vice será a advogada Vanessa Tapety, neta do ex-deputado Juarez Tapety.

O nome de Vanessa fortalece a posição do PTC, mas também abre uma janela para apoio de segmentos descontentes no MDB à candidatura de Dr. Pessoa. Vanessa é casada com San Martin, que é advogado do MDB e tem estreitas ligações com o ex-ministro João Henrique.

Tarso Genro quer Boulos como candidato das esquerdas


Tarso Genro: de olho na união das esquerdas, admite um candidato de fora do PT, mais precisamente de Guilherme Boulos (PSOL) 
 

Para todos os efeitos, o PT tem um plano único com vistas à disputa pela Presidência da República: Lula. Os movimentos dentro do partido vão mostrando, no entanto, que o partido tenta construir o plano alternativo, sabedor da quase remota possibilidade de Lula ser confirmado candidato. Até aí, nada de novo. O novo mesmo é ver lideranças petistas como o ex-ministro Tarso Genro defender que o partido adote como candidato um nome de fora do partido.

Tarso genro é um histórico do PT. Ele levou o partido à prefeitura de Porto Alegre e ao governo do Rio Grande do Sul. Também foi ministro de três pastas (Educação, Relações Institucionais e Justiça) no período Lula. Tarso impinge uma dupla quebra no discurso petista. Primeiro, acha que o partido deve buscar logo a alternativa à candidatura Lula. Segundo, acha que o escolhido não precisa ser o petista Fernando Haddad. E defende que seja Guilherme Boulos, do PSOL.

O raciocínio de Tarso Genro não é uma exclusividade. Muitos – entre eles a pré-candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila – vêm risco na divisão das esquerdas. Essa divisão pode fazer que o campo esquerdista esteja fora do segundo turno. Daí, a unificação em torno de um único nome seria um caminho razoável, a estratégia mais segura.

Em algum momento, Ciro Gomes (PDT) chegou a ser lembrado como essa alternativa. Mas Ciro vai acumulando falas polêmicas que o impedem de somar apoios e até levam à perda de potenciais aliados. O PT e o PCdoB estão nesse último caso, em especial o PT. O candidato do PDT faz críticas às estratégias petistas e vai diminuindo a chance de ser o nome a representar as esquerdas.

Muito em razão da língua de Ciro, que atira para todos os lados, a própria Manuela já disse que, sem acordo em torno de uma única candidatura, ela não tem porque levar o PCdoB a outro candidato. E, se permanecer assim, ela mantém a candidatura comunista. Tarso Genro chega para tentar repor a perspectiva de unidade – e não necessariamente com o seu PT, e sim com Boulos.

Vale lembrar, Boulos tem grande proximidade com o núcleo petista mais alinhado com Lula. Antes de ser preso, no início de abril, o próprio Lula não cansou de fazer festa para o candidato do PSOL. Com tais afagos, queria que o PSOL abandonasse a candidatura própria e reforçasse a estratégia petista.

Pois Tarso Genro chega com um pensamento inverso: que o PT esqueça seu próprio nome – no caso o plano B personificado em Fernando Haddad – e apóie Boulos. É uma proposta que vai dar o que falar, especialmente dentro do PT, que vê um nome “de casa” sendo desqualificado como alternativa dentro do próprio terreiro.

Há um problema a mais: a convenção do partido acontece no sábado. Até lá, qualquer acordo será muito difícil, ainda mais em torno de um não filiado ao PT.

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