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Principais presidenciáveis têm pendências com a Justiça

Jair Bolsonaro: presidenciável do PSL é réu em processos por apologia ao estupro, homofobia e racismo

 

Lula foi o primeiro. Mas pode não ser o último dos pretendentes à Presidência da República a ser condenado. Sim, porque o quadro da disputa presidencial deste ano é bem tradutor da realidade brasileira, onde as pendências com a Justiça alcançam boa parte do mundo político. Entre os presidenciáveis, um foi condenado, dois são réus e 6 foram denunciados pu citados nas investigações ds Lava Jato.

O quadro aponta para duas situações. A primeira, que a ideia de que esta será a eleição "do novo e do antipolítico" está muito distante de se concretizar – a não ser que um “Joaquim Barbosa da Vida” surpreenda. A segunda, que o mundo de escândalos não intimidou os pretendentes: dos nove envolvidos com a Justiça, oito estão aí nas ruas, em campanha e encarando o eleitor sem-cerimônia.

A Lava Jato é o principal problema dos presidenciáveis e de outros políticos, em especial deputados e senadores. São mais de 100 denunciados. Mas a grande maioria vê os processos andando a passos de cágado: com o foro privilegiado, os processos vão para o Supremo Tribunal Federal (STF). Não é mais o caso de Geraldo Alckmin, que renunciou ao governo de São Paulo no dia 6. Alckmin, no entanto, recebeu um prêmio: viu o Superior Tribunal de Justiça transformar seu caso em processo eleitoral.

A Lava Jato não gostou. E pediu para ver o caso – que estava fora do seu alcance pelo foro especial que protegia Alckmin até deixar o governo. Agora o tucano é mais um alvo direto da Lava Jato.

Veja a situação dos principais nomes que se apresentam como presidenciáveis:

• Lula (PT): condenado no caso do triplex, em primeira e segunda instância, cumpre prisão em regime fechado em Curitiba. Responde ainda a outros oito processos. Apesar de inelegível por conta da Lei da Ficha Limpa, o PT insiste que ele é candidato.
• Jair Bolsonaro (PSL): é réu em dois processos por apologia ao estupro, homofobia e racismo. Também está na lista da Lava Jato por integrar a lista de políticos que receberam dinheiro do grupo JBS – o valor de Bolsonaro: R$ 200 mil.
• Fernando Collor (PTC): é réu em processo de corrupção desde agosto de 2017. Seu grupo teria recebido R$ 29 milhões de propinas. Responde ainda a outros seis inquéritos no STF. Vale lembrar, foi levado a renunciar ao cargo de presidente após graves denúncias de corrupção.
• Geraldo Alckmin (PSDB): citado na Lava Jato por receber R$ 10 milhões da Odebrecht. Mas não passou disso por conta do foro privilegiado. Agora sem essa regalia, viu a denúncia ir para a Justiça Eleitoral. Mas a Lava Jato está de olho nele, acusando-o de corrupção.
• Rodrigo Maia (DEM): denunciado na Lava Jato em dois inquéritos, por receber R$ 1 milhão da Odebrecht. Em 2017, o ministro Edson Fachin, do STF, autorizou a abertura de inquérito contra Maia.
• Manuela D’Ávila (PCdoB): denunciada na Lava Jato por receber R$ 360 mil da Odebrecht, nas eleições de 2006, 2008 e 2010, valores não declarados.
• Henrique Meireles (MDB): é citado por Joesley Batista, do Grupo JBS, mas não teve o nome relacionado a valores de propina. Foi presidente do Conselho Diretor da JBS.
• Marina Silva (Rede): é citada na Lava Jato, mas não é investigada, já que os valores recebidos (R$ 1,5 milhão) teriam sido legalmente declarados.
• Álvaro Dias (Podemos): foi citado em delações, acusado de cometer irregularidades. Mas a PGR não encontrou elementos suficientes para denunciá-lo.
• Ciro Gomes (PDT): não é citado nas investigações da Lava Jato (apenas seu irmão, o ex-governador do Ceará Cid Gomes).

Júlio César quer ser senador do municipalismo

Deputado Júlio César: desejo de disputar uma vaga no Senado, principalmente, com a bandeira do municipalismo

 

O deputado Júlio César Carvalho Lima (PSD) está mesmo decidido a disputar uma das duas vagas no Senado, compondo a chapa governista. E chega para a disputa com algumas bandeiras desfraldadas, como o agronegócios e o regionalismo (é coordenador da bancada Nordestina). Mas a bandeira que espera ver traduzida em mais apoio político (e, assim, em voto) na campanha é a do municipalismo.

Júlio foi prefeito (de Guadalupe) e presidente da APPM. Desde que assumiu a primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados, ainda em 1995, Júlio César abraçou as causas municipalistas, pelas quais é conhecido nacionalmente. Foi um dos integrantes do grupo de frente na cobrança de repasses extraordinários para os municípios, em 2016 e 2017.

Na avaliação interna do PSD, esse empenho pela causa municipalista pode gerar o apoio de muitas lideranças municipais, fazendo a diferença na hora da contagem dos votos. “Ele pode ter o apoio de uns 140 a 150 prefeitos”, avalia um assessor de Júlio César.

A conta pode ser otimista. Mas revela que o empenho do deputado por uma vaga na chapa majoritária é pra valer. O deputado Georgiano Neto diz que Júlio César é merecedor da vaga, tanto pelo trabalho que realiza como pela dimensão política do partido – “a quarta força política do Piauí”, diz, colocando o PSD no bloco com o PT, Progressista e MDB.

Daí, diz Georgiano, o partido deve ter uma das quatro vagas na chapa de Wellington Dias (PT).
 

Themístocles vice pode ajudar

O cálculo dos pessedistas é simples: nenhum partido terá mais de uma vaga na chapa majoritária encabeçada por Wellington Dias (PT). Duas delas estão definidas, a de Wellington (candidato à reeleição ao governo) e Ciro Nogueira, do Progressista, que busca nova eleição para o Senado. Sobrariam duas vagas: a de vice-governador e a segunda senatoria.

Na avaliação do PSD, é difícil tirar Themístocles Filho da posição de vice, como indicação do MDB. Daí, caberia quase automaticamente ao PSD a segunda vaga para o Senado. Vale lembrar, essa vaga também é disputada por Flávio Nogueira (PDT), o pai. Mas isso não assusta os pessedistas.

Na medida em que se consideram a quarta força política do estado, eles se vêem à frente do PDT nesta disputa particular.

Ciro diz que PT só terá uma saída: apoiá-lo

Ciro Gomes, do PDT: confiança em se tornar o candidato de referência do campo das esquerdas nas eleições de outubro

 

O ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência da República, não morde a língua mesmo: no estilo “digo o que me vem na telha”, voltou a posicionar-se como a alternativa viável do campo das esquerdas na corrida pelo Palácio do Planalto. Essa situação deixaria inclusive o PT com apenas duas alternativas: correr para os braços do pedetista ou amargar um fiasco eleitoral.

A leitura do cenário eleitoral feita por Ciro está na Folha de S. Paulo desta quinta-feira. Para o candidato do PDT, a prisão de Lula deixa o PT em situação delicada. Segundo o jornal, Ciro aposta que o PT não conseguirá se organizar para a eleição deste ano, o que levaria a sigla a buscar a alternativa viável às esquerda – que seria o próprio ex-ministro.

Essa crença talvez esteja levando o pedetista a gestos que abrem portas no sentido da centro-direita, mas que pode gerar senões à esquerda. Vale lembrar, nos últimos meses, Ciro fez duras críticas ao PT e sequer esteve presente no comício de Lula prévio à prisão do ex-presidente, sábado passado.

Há um claro distanciamento do PT, traduzido no que está sendo identificada como uma “solidariedade relativa” a Lula e aos petistas. Nessa postura está o cálculo de que o PT o apoiará não por querer, mas por faltar opção mais alinhada. Daí, o afastamento do petismo seria uma forma de torna-se mais palatável ao centro, de agregar um eleitorado que possa levá-lo para o segundo turno.
 

PT deve ter candidato próprio

Publicamente, o PT segue dizendo que Lula é seu candidato à presidência. Mas é uma estratégia para manter o petismo unido até que seja efetivamente lançado o nome do grupo que estará nas urnas de outubro. A tendência é que seja um nome do próprio PT.

Essa possibilidade é admitida por Ciro Gomes. O que Ciro calcula é que esse nome não deslanchará, não conseguirá se tornar viável. As pesquisas, no entanto, têm indicado que o PT conta ainda com uma boa fatia do eleitorado e muitos brasileiros admitem votar em um candidato indicado por Lula.

Ou seja: bem ao contrário da avaliação de Ciro, a cúpula petista acredita que um nome do partido terá viabilidade eleitoral, sim. E que estará no segundo turno.

Luciano e Elmano já conversam e alinham estratégias

Luciano Nunes e Elmano Ferrer: diálogo para promover o alinhamento de estratégias no campo das oposições no Piauí

 

A filiação do senador Elmano Ferrer ao Podemos abriu a possibilidade de uma nova candidatura ao governo do Estado. E essa perspectiva anima as oposições. Tanto que o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Karnak, deputado Luciano Nunes, esteve hoje com o senador alinhando posturas e abrindo um canal de conversações voltados para as eleições de outubro.

Em entrevista à TV Cidade Verde, Elmano disse que não tem nada decidido, no que diz respeito à sua candidatura. Mas deixou a porta aberta: pode não ser candidato, mas também pode ser. O tom de Elmano, no entanto, é de quem acena para o eleitor, ao fazer duras críticas ao tipo de política feita no Brasil. Chega a propor uma espécie de refundação do Estado Brasileiro. como estádio de superação da "velha política".

A simples filiação ao Podemos foi uma sinalização de que Elmano se afasta da esfera de influência do governador Wellington Dias (PT). E essa foi a senha para levar Luciano Nunes ao gabinete do senador, onde conversaram longamente. “Foi uma conversa ótima”, resumiu Luciano Nunes, após o encontro.

O pré-candidato do PSDB saiu sorridente do encontro. Não deu detalhes da conversa, mas afirmou que os dois combinaram dar continuidade ao diálogo. Vão ajustar posturas e alinhar estratégias, conforme disse o tucano. Em politiquês, é quase como se dissessem: “vamos estar juntos”.

O encontro com Luciano Nunes reforça o definitivo deslocamento de Elmano para a oposição. No MDB, estava em um partido que faz tudo para se manter sob o guarda-chuva do Karnak. No Podemos, entra em uma sigla que tem sido crítica à política em geral e ao MDB e ao PT em particular.
 

Candidato como apoio de João Vicente

A mudança de partido e o lançamento da candidatura de Elmano Ferrer ao governo foi vista como gesto com aval e estímulo do ex-senador João Vicente. Elmano poderia ser uma terceira via, somando-se a Luciano Nunes no lado da oposição.

A estratégia de ter mais de um candidato no campo oposicionista é defendido por lideranças como Wilson Martins (PSB) e Robert Rios (DEM). Duas candidaturas criariam condições mais objetivas de levar a eleição para o segundo turno, com a união das oposições na segunda fase da campanha.

A filiação de Elmano ao Podemos também foi festejada pelo deputado Dr. Pessoa, que deseja formar com o senador um dupla competitiva – no caso, com Dr. Pessoa disputando uma vaga na Câmara Alta.

Candidatura de Joaquim Barbosa gera dúvidas no PSB

Joaquim Barbosa: personalidade forte do ex-ministro do STF deixa dúvidas em parte dos agora correligiosnários do PSB

 

Todo político que se filia a um partido com a expectativa de ser candidato gosta de badalar o fato, ganhar visibilidade e mostrar força política. Com Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal que na sexta-feira se filiou ao PSB, foi diferente. O ato de filiação foi quase clandestino, às escondidas e sem espaço para os políticos do próprio partido. O gesto de Barbosa gera dúvidas dentro do PSB, tanto sobre sua conduta quanto em relação à própria candidatura.

As primeiras dúvidas vêm da própria personalidade do ex-ministro, visto como pouco flexível e muito afeito às suas ideias sem contemporizações. Tanto que a filiação ao PSB dividia o partido: uns festejaram e incentivavam, outros torciam o nariz. No ato de filiação, Joaquim Barbosa não convidou sequer os que aplaudiam sua chegada.

O ex-ministro do Supremo admite ser candidato, embora essa possibilidade ainda não esteja de fato concretizada. Pode ser. Mas pode não ser. Porém, ele deixa claro: se for candidato será abraçando a ideia de uma outra política, longe das práticas que pariram o Mensalão e a Lava Jato. O combate à corrupção seria, assim, uma das propostas de Joaquim Barbosa.

É aí onde se justifica a filiação quase como um ato privado: ele não quer ser associado à velha política, mesmo no caso de políticos sem qualquer denúncia. Joaquim Barbosa quer ser uma espécie de antipolítica. E isso preocupa uma parte do PSB.

Há uma avaliação no partido de que o ex-presidente do Supremo pode ter uma boa resposta eleitoral, avançando sobre um eleitorado descrente da política e dos políticos – que em geral anuncia a disposição de não votar ou votar nulo. Internamente, acredita-se até que possa ir para o segundo turno, onde as chances de vitória dependeriam do adversário.

Mas há também a avaliação de que uma sonhada vitória de Joaquim Barbosa poderia repetir o “ganhou, mas não levou”, diante de um personagem sem jogo de cintura e de pouco trato até mesmo com os que o rodeiam. Poderia fazer uma administração distante de atores fundamentais na política e na sociedade.

Collor e Dilma já mostraram no que pode dar tudo isso.

Esquerda precisa se unir para garantir 2º turno, diz cientista político


Renato Lessa: defesa de criação de uma Frente Ampla das esquerdas para garantir competitividade

 

A prisão do ex-presidente Lula deve levar a esquerda a adotar uma nova estratégia, com vistas às eleições presidenciais deste ano. Pelo menos é a tese do cientista político Renato Lessa, professor e pesquisador PUC-Rio e da Universidade de Lisboa. Vale lembrar, Lessa é um pensador considerado alinhado com a esquerda.

A proposta de Renato Lessa vai na contramão das múltiplas candidaturas de partidos de esquerda: PT, PDT, Rede, PCdoB e PSOL têm candidatos postos nas ruas. Mas, ao avaliar o cenário sem Lula, o cientista político diz que as esquerdas precisam se unir em torno de uma candidatura mais unificadora sob pena de perder protagonismo e enfrentar o risco até mesmo de ficar fora do segundo turno eleitoral.

As pesquisas até agora publicadas sempre colocaram Lula em primeiro, seguido de Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Marina e Bolsonaro são vistos como desprovidos de consistente apoio político. Mas o represente da ultradireita vem sendo o depositário da maior fatia dos votos de protestos, o que dá uma perspectiva mais sólida ao candidato do PSL.

Em contrapartida, a ausência de Lula amplia as dúvidas da esquerda, com tantos candidatos pegando pedaços do eleitorado desse campo. Nos cálculos de Renato Lessa, os candidatos do campo das esquerdas podem somar mais de 35% dos votos e não terem expressão nas eleições desde ano, diante da fragmentação. Daí acredita que o caminho é buscar um candidato que reúna as principais forças do campo ideológico.

Lessa propõe a formação de “uma Frente Ampla de recomposição da democracia” nos moldes do Uruguai, que vem se renovando e mantendo o país sob controle das esquerdas. “Seria interessante que o Ciro Gomes [do PDT] conversasse com o Fernando Haddad [do PT], a Manuela D'Ávila [do PCdoB] e alguém um pouco mais para o centro. A criação de uma frente ampla voltada para a recuperação do ambiente democrático e sinalizando pautas de igualdade social. E Lula deveria deixar uma mensagem de convergência”, disse ele à Folha de S. Paulo.

A ideia abraçada por Renato Teles deve ter em Ciro o primeiro desafio: no sábado, ele foi a notada ausência no comício de Lula antes do ex-presidente seguir para Curitiba. Esse gesto afasta ainda mais Ciro do PT.
 

Centro-direita precisa da mesma estratégia

A centro-direita bem que pode olhar a estratégia que Renato Lessa sugere para a esquerda. Lá, a divisão parece maior, com diversos candidatos – Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia, Henrique Meireles, Flávio Rocha, João Amoedo –. E nenhum deslanchou. E não há uma perspectiva desenhada, pelo menos até agora, no sentido de unificar candidaturas.

Pode ser que o desempenho futuro – aferido lá para o final de junho – vá levar à convergência de candidaturas. Por enquanto, é cada um por si.

A 6 meses da eleição, Brasil tem disputa totalmente aberta


Marina Silva: líder da Rede tem boa resposta popular mas pouca estrutura política, o que pode complicar candidatura

 

As pesquisas de projeção eleitoral já publicadas até agora, vinham apontando apenas três nomes com dois dígitos nas intenções de voto: Lula (PT), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Líder das sondagens, Lula tem um impedimento jurídico, condenado e preso no caso do triplex. Já os outros dois enfrentam sérios problemas políticos para se credenciarem como efetivos concorrentes ao Planalto. Diante desse cenário, pode-se dizer que a disputa presidencial deste ano está completamente aberta.

Nem Marina nem Bolsonaro contam com a capilaridade encontrada em nomes menos citados, como Rodrigo Maia, Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin. Os dois candidatos mais votados nos cenários sem Lula estão em siglas sem grande capilaridade ou robustez. O PSL, por exemplo, era um arremedo de partido antes de Bolsonaro. Ganhou alguns parlamentares no Congresso e soma lideranças que desembarcam na sigla calculando que podem cresce às custas do representante da direitona. Mas segue pequeno.

O Piauí é um exemplo dessa pequenez política da candidatura Bolsonaro: o candidato ao senado que o PSL apresentará no Estado é um político que sequer se reelegeu vereador de Teresina. Tem mais: caso não consiga atrair alianças, o tempo de TV que Bolsonaro contará será de 12 segundos por bloco.

Esse também é o tempo de Marina Silva, embora a ex-senadora possa apresentar um suporte mais amplo tanto partidário quando dos movimentos sociais. Mas Marina vive uma situação bem mais complicada que nas duas outras campanhas, em que ficou em terceiro lugar na corrida pelo Planalto. Nem mesmo aliados “naturais” como o Partido Verde estão dando muita atenção à represente da Rede.

Para completar o quadro aberto, as pesquisas apontam um número enorme de eleitores ainda sem uma opção. Há um vácuo especialmente no centro da escala ideológica, que ainda não se decantou por nenhuma das opções postas na mesa. Em tal cenário, há um eleitorado enorme completamente órfão de alternativa, incluindo aqueles que desejam anular ou votar em branco.
 

A diferença do Brasil para França e EUA

Quando se diz que Bolsonaro e Marina são carentes de estrutura política, há sempre uma lembrança a desacreditar essa afirmação: Donald Trump (Estados Unidos) e Emmanuel Macron (França) venceram as eleições sem tal estrutura. Macron disputou por um partido recém-criado. E Trump tornou-se candidato do partido Republicano sem o aval dos seus caciques.

A leitura dos casos francês e norte-americano é que esse tipo de estrutura não é mais imprescindível, sobretudo em tempos de desapego político – isto é, os vínculos partidários despencam – e de novos canais de comunicação, como as redes sociais. É nisso que apostam Marina e Bolsonaro. Caso sejam exitosos em suas candidaturas de pouca estrutura, mostrarão que o Brasil mudou. Porque, aqui, a liderança política conta muito e o espaço de propaganda no rádio e na TV sempre teve importante protagonismo na fase final da disputa.

Progressista quer eleger maior bancada da Câmara em 2018

Senador Ciro Nogueira: como presidente do Progressista, empenhado em eleger a maior bancada do Congresso  (FOTO: PP/Divulgação)

 

Discreto e pouco afeito às entrevistas para a grande mídia nacional, o senador piauiense Ciro Nogueira vai assegurando ao seu partido um lugar de destaque no cenário nacional. Foi assim em 2014, na reeleição de Dilma Rousseff, e também em 2016, no processo de impeachment. Ciro quer o Progressista como protagonista do futuro governo do país, independente de quem venha a ser o presidente.

O crescimento do PP tem algumas explicações, mas a principal tem nome e sobrenome: Ciro Nogueira. Como presidente da sigla, não assume uma postura personalista e cede espaços para os correligionários. Em resumo: administra o partido sem esquecer os partidários, o que garante o apoio das bancadas no Senado e na Câmara.

Essa relação de Ciro com a bancada dá força ao presidente do Progressista nas negociações, já que chega com uma bancada razoavelmente homogênea, coisa rara no cenário partidário nacional. Assim, esteve sempre em lugar de destaque nas tratativas que levaram Dilma Rousseff a um segundo mandato, em 2014. Mas também foi decisivo no impeachment e dele saiu com a sigla fortalecida: com Michel Temer, passou a ocupar lugares importantes, como o ministério das Cidades e a presidência da Caixa Econômica.

O jeito Ciro de comandar o partido não passa despercebido, tanto que recebeu um número importante de novos filiados. Basta comparar: saiu das urnas de 2014 com 38 deputados. Agora conta com duas dezenas mais, cabeça a cabeça com o PT e deixando MDB e PSDB para trás. Tanta mudança tem um sentido: os políticos sabem para onde os ventos sopram e sentem cheiro de poder.
 

Ciro quer PP como fiel da balança

A movimentação de agora, atraindo novos filiados, está ligada ao projeto futuro do Progressista, ainda chamado de PP pela maioria. Ciro Nogueira quer o partido como fiel da balança do governo que começa em 1º de janeiro de 2019. De certa forma, já teve papel importante com Dilma e com Temer. Mas quer mais.

Ao invés de principal partido do “centrão”, o Progressista que se tornar o avalista da estabilidade – ou seja, quer ser no futuro mandato o que o MDB foi com Lula e Dilma. O passo fundamental desse projeto é ter uma boa bancada, com mais de 60 deputados.

Ciro Nogueira trabalha para isso.

Ciro Gomes, uma alternativa para a direita e o mercado?

Ciro Gomes: em um partido do campo da esquerda, o presidenciável dialoga com integrantes da centro-direita

 

Em um cenário de alta fragmentação em que sobram candidatos e faltam opções, a centro-direita e o mercado buscam um nome que possa ser depositário de seus anseios no Palácio do Planalto. As alternativas mais atraentes a esses segmentos – Rodrigo Maia (DEM) e Henrique Meireles (MDB) – simplesmente não decolam e o tempo de espera está acabando. Na falta de caminho seguro, a opção pode ser um nome que é identificado com a esquerda: Ciro Gomes (PDT).

Apesar do discurso incisivo e de crítica à direita, Ciro tem uma trajetória onde tem mais relação com a direita e a centro-direita que com a esquerda. Foi governador com estreito vínculo com o segmento empresarial, a começar pelo padrinho que o levou ao comando do Executivo do Ceará, o agora senador Tasso Jereissati, que entrou na política precisamente por sua representatividade como líder do Centro Industrial do Ceará.

Ciro também foi ministro de Itamar Franco, como administrador do Plano Real em sua fase inicial – à época em sintonia com Fernando Henrique Cardoso, visto como o pai do Real. Naquele momento, Ciro era do PSDB. Mas antes já estivera no PDS e PMDB. Depois passaria por PPS e PSB, além de patrocinar o PROS. Por fim desembarcou no PDT.

O presidenciável do PDT é visto como preparado, mas também como destemperado, funcionando às vezes como uma metralhadora giratória que não escolhe alvo. Tal comportamento foi criando uma imagem de instável e inconfiável – tudo o que o mercado não deseja de um presidente.

Ainda assim, Ciro estende ponte para a centro-direita e o mercado. Recentemente teve encontro com o seu xará piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressista, partido que tem o propósito de sair das urnas com a maior bancada da Câmara Federal. O Progressistas quer, assim, ser o centro do “centrão” e se transformar o fiel da balança do governo, qualquer que seja o governo de plantão no Planalto.

O presidenciável do PDT é amigo do senador piauiense há muito tempo. Mas um encontro desses não acontece por acaso, ainda mais em um momento que o Progressistas avalia as perspectivas dos presidenciáveis e os pré-candidatos sondam potenciais apoios. Pode dar jogo.

Ao mesmo tempo, Ciro Gomes lança sinal para o mercado, usando interlocutores que podem reduzir as resistências a seu nome. Para agradar de vez ao grande empresariado, falta só escrever uma “Carta ao Povo Brasileiro”, no estilo da que Lula fez em 2002.

Se precisar, ele escreve. Pode funcionar como uma larga ponte até a viabilidade eleitoral.

Deputado Edson Ferreira se filia ao PSDB

Edson Ferreira assina ficha de filiação ao PSDB, ladeado por Luciano Nunes e outras lideranças da oposição  (FOTO: PSDB/Divulgação)

 

O deputado estadual Edson Ferreira assinou ficha de filiação ao PSDB, hoje no final da tarde. Ele se soma a outras filiações a partidos de oposição, numa lista que inclui o ex-governador Zé Filho (também filiado ao PSDB) e Juliana Moraes Souza (filiada ao PSB). Também inclui o próprio irmão de Edson, o ex-prefeito de São Raimundo Nonato, Avelar Ferreira, que ingressou no DEM.

A solenidade de filiação teve a presença do pré-candidato do PSDB ao governo do Estado, deputado Luciano Nunes, bem como Dr. Pessoa, o ex-governador Freitas Neto, Zé Filho, Mardem Menezes, o prefeito Marcos Elvas (Bom Jesus), Juliana Moraes Souza e Avelar Ferreira. “É uma liderança importante mostramdo que a oposição se fortalece e cria as condições para, nas eleições, oferecer de forma competitiva um novo rumo para o Piauí”, disse Luciano.

Edson, assim como Avelar, tem atuação sobretudo na região de São Raimundo Nonato. Segundo Edson, a opção pelo PSDB está associada à candidatura de Luciano, bem como a presença de outras lideranças – como Dr. Pessoa e Zé Filho – que desejam um governo capaz de colocar o Piauí "em um novo patamar". “Precisamos de um governo organizado e capaz de empreender no nosso estado um momento de desenvolvimento que tanto precisamos”, disse Edson.
 

PSD perde muito com a ‘janela’

O PSD do deputado Júlio César termina a chamada janela de transferência partidária – iniciada há um mês e se encerrando amanhã – como um dos que mais perdas sofreu. Nas eleições de 2014, o partido tinha um deputado federal (Júlio César) e três deputados estaduais (além de Edson, elegeu Dr. Pessoa e Georgiano Neto) e um suplente (Antonio Felix) que exerceu o mandato praticamente todo o período.

No prazo da Janela de transferência, o PSD perdeu Dr. Pessoa (que foi para o Solidariedade), Antonio Feliz (PTC) e agora Edson Ferreira (PSDB). A representação do partido se resume a Júlio e Georgiano. O encolhimento da sigla pode tirar força na reivindicação que o PSD vem fazendo: a de ter uma das vagas ao Senado na chapa encabeçada por Wellington Dias. O PSD quer indicar para essa disputa o nome do próprio Júlio César.

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