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Wellington tenta assegurar recursos para pagar pessoal


Governador Wellington Dias: em busca de recursos para manter as contas do Estado em dia

 

Duas ações do Governo do Estado chamam a atenção, na semana que acabou. A primeira, a visita do governador Wellington Dias (PT) à sede do Bradesco, em São Paulo. A segunda, a finalização do texto de um Projeto de Lei que chega nesta segunda-feira à Assembleia Legislativa. As duas ações se somam. E têm um único objetivo: permitir que o governo reúna os recursos necessários para o pagamento do servidor nos próximos meses.

O Projeto de Lei vai alterar uma Lei aprovada pela própria Assembleia, por iniciativa do Executivo, em abril deste ano. A Lei autorizou a contratação de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal no montante de R$ 315 milhões – um valor carimbado, que só pode ser aplicado em infraestrutura, conforme indicou o próprio governo. E a nova proposta permite replicar o valor, com um detalhe: flexibiliza a fonte dos recursos, que pode ser contratado em qualquer instituição financeira. E também deixa livre a aplicação, que pode ir para pagamento de pessoal.

A proposta é uma carta assinada em branco. Com ela, o governo pode ir a qualquer banco e formalizar a operação de crédito de outros R$ 315 milhões. Esse valor é mais do dobro do pretendido por Wellington com a polêmica mensagem de aumentos de imposto. Com os novos impostos, Wellington geria reforçar o caixa do estado em mais R$ 150 milhões. Com as mudanças, o incremento ficou em R$ 110 milhões – que se somam agora aos R$ 315 milhões extras.

Essa autorização a ser solicitada nesta segunda-feira tem tudo a ver com a visita ao Bradesco. Será, provavelmente, a fonte do novo empréstimo. Também muito provavelmente, não será uma operação com os mesmos juros oferecidos pela Caixa – os bancos oficiais costumam oferecer juros não tão elevados quanto os praticados no mercado. E o Bradesco é mercado puro.

Mas o cálculo do governo do Estado é mais imediato. Há compromissos urgentes, em especial o pagamento do 13º salário e os salários de janeiro em diante. As contas do Estado não fecham, daí a busca de aporte extra. O empréstimo com aplicação livre é, na visão do governo, a salvação.
 

Dívida leva 8% das receitas líquidas

O Piauí está prestes a contrair mais um empréstimo. Tem sido a saída do Estado para viabilizar investimentos. Mas a nova operação de crédito, de R$ 315 milhões, não deve ser para investimento. E sim para pagar pessoal. A cobrança da fatura não é imediata, mas num médio prazo, aumentando o desembolso futuro do Estado na amortização de dívidas.

A previsão é que, tendo em conta os empréstimos anteriores, o Piauí vai desembolsar em 2018 cerca de 8% de suas receitas líquidas apenas no pagamento de dívidas. O dado está na proposta de Orçamento em discussão neste momento na Assembleia Legislativa.

Segundo a proposta, o Orçamento do Piauí para 2018 será de R$ 12,9 bilhões. Mas as receitas líquidas (a grana que realmente fica com o governo estadual, após deduções como o repasse para municípios) somam R$ 7,85 bilhões. A maior fatia dessa bolada vai para o pagamento de pessoal: R$ 2,7 bilhões. O volume de recursos para amortização da dívida chega a R$ 627 milhões. Portanto, 8% das receitas líquidas.

Não é pouca coisa. Não é mesmo, sobretudo em um estado onde cada centavo conta e conta muito.

Sem imposto sindical, 3.500 sindicatos deixam de existir


Deputado Paulinho da Força: contra o fim do imposto sindical e já articulando nova Lei para seu retorno
 

A principal vítima da Reforma Trabalhista que entra em vigor hoje parece ser mesmo os sindicatos. Ou pelo menos um certo tipo de sindicato. Segundo cálculos que brotam do Ministério do Trabalho, cerca de 30% dos sindicatos de trabalhadores hoje existentes devem deixar de existir sem a fonte obrigatória de financiamento, o imposto sindical, extinto pela Reforma.

O imposto sindical era uma velha disputa entre a CUT e outras centrais sindicais, como a CGT e a Força Sindical. A CUT, desde sua fundação, sempre se posicionou contra o imposto, visto como fonte de financiamento de sindicatos cartoriais, sem representação política efetiva. Mantinham-se não por respaldo da categoria, mas pela obrigatoriedade do imposto. O raciocínio é simples: sindicato representativo e útil é respaldado (inclusive financeiramente) pela base.

Não por acaso, a CUT quase se fez de morta na discussão desse item específico da Reforma. E o que ouvimos foi o eco da voz de lideranças como Paulinho da Força, que além de líder trabalhista é deputado federal. Paulinho ainda hoje está empenhado em restabelecer o imposto obrigatório. Vale lembrar: o imposto sindical era uma contribuição que todo empregado descontava a cada ano (no mês de março), correspondente a um dia de trabalho.

O time de Paulinho acha que a mudança vai matar os sindicatos. Os que pensam naquela mesma linha do antigo pensamento da CUT avaliam que morrem sindicatos, sim: sindicatos sem representatividade. E os cálculos do Ministério do Trabalho indicam que cerca de 30% dos sindicados de trabalhadores vão perder o sentido – já que o sentido da existência seria a gestão desse rico dinheirinho. Isto é: mais de 3 mil sindicados vão desaparecer.

A conta do Ministério é simples: hoje o Brasil tem cerca de 16.800 sindicatos. Desses, algo como 5.100 são representações patronais. Os demais 11.700 sindicatos seriam de trabalhadores. Se tiver sentido o cálculo do Ministério do Trabalho, segundo o qual 30% vão para o beleléu, serão uns 3.510 sindicatos fechando as portas.

Não é pouca coisa.

 

Já tem mudança em curso

A Reforma está só começando a ser implantada. E as pessoas ainda nem estão muito cientes das mudanças. Mas novas alterações nas regras já estão em curso. Inclusive sobre o imposto sindical, que poderá voltar.

O velho imposto pode voltar e jogar por água abaixo o cálculo do Ministério do Trabalho: com uma nova fonte de financiamento, tudo ficaria basicamente como está.

Proposta do Orçamento 2018 abre a guerra por dinheiro


Reunião na Comissão de Finanças sobre Orçamento 2018: o primeiro round da guerra por mais recursos no próximo ano

 

A Assembleia Legislativa iniciou nesta semana a discussão sobre a proposta orçamentária do Estado para 2018. O governo festeja os dados. A oposição questiona a prioridade para certas áreas. Mas a guerra principal ainda está por começa: a disputa que realmente tensiona o ambiente é entre os diversos poderes, cada um querendo maior participação no bolo.

As diferenças entre governo e oposição ficaram expostas na discussão que aconteceu na Comissão de Finanças da Assembleia. Os discursos mais desencontrados foram o do secretário de Planejamento, Antônio Neto, e o do deputado Marden Menezes (PSDB), que fez as principais críticas pelo lado da oposição. São leituras bem diversas do mesmo documento: o secretário vê o copo quase cheio; o deputado enxerga quase vazio.

O orçamento do Estado para 2018 está previsto em R$ 12,9 bilhões. As receitas líquidas (o que efetivamente fica com o governo estadual, após deduções como o repasse para municípios) somam R$ 7,85 bilhões. São números que animam o secretário, já que contemplam uma expectativa de recuperação da economia brasileira. Também são festejados outros números, especialmente os repasses para áreas específicas.

Prevalecendo a proposta do Executivo, a grande fatia do Orçamento vai para os compromissos com folha de pessoal: R$ 2,7 bilhões. O setor de Saúde terá recursos da ordem de R$ 811 milhões e a Segurança outros R$ 670 milhões. Já a Educação terá R$ 488 milhões, com R$ 77,4 milhões para saneamento básico e R$ 64 milhões para assistência social. O volume de recursos para amortização da dívida chega a R$ 627 milhões.

Os números festejados pelo secretário Antônio Neto recebem críticas do deputado Marden Menezes. Ele destaca o crescimento de 102,8% nas receitas para a Secretaria de Ação Social, um aumento muito acima de áreas prioritárias como Saúde, Educação e Segurança. Também diz não entender a redução (R$ 3 milhões a menos) no orçamento do Corpo de Bombeiros, na SDR (menos R$ 9 milhões) ou na Secretaria do Turismo (redução de R$ 5 milhões).

 

Começa cabo de guerra entre Poderes

As críticas do deputado Marden Menezes são a parte mais vistosa da guerra do Orçamento. Mas o que tira o sono do governo é mesmo a negociação com os demais poderes. É uma guerra muitas vezes silenciosa, e que envolve quem tem muita força: o Executivo e o Legislativo além do Ministério Público e Tribunal de Contas. Todos com poder de fogo – e poder de dano.

O discurso – verdadeiro – de todo ano é que o cobertor é curto: se cobre os pés, deixa a cabeça de fora. Isto é: se aumenta o dinheiro para um, falta para outro. Todos sabem disso. Mas cada Poder quer puxar o cobertor para si. Ninguém quer ficar ao descoberto.

Aécio joga biografia no lixo e pode levar PSDB

Senador Aécio Neves: o homem que quase levou o PSDB de volta ao Poder está jogando a própria biografia no lixo. E pode levar o partido


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteve muito perto de chegar à presidência da República, em uma eleição onde alcançou quase metade dos votos. Mas a biografia do tucano que quase destrona Dilma Rousseff (PT) através do voto está sendo lançada diretamente no lixo. E pelo próprio Aécio. O detalhe é que, nos momentos finais de seu protagonismo dentro do PSDB, ele faz um esforço muito grande para levar junto o partido.

O último movimento catastrófico de Aécio foi a decisão desta quinta-feira, de destituir o senador Tasso Jereissati da presidência interina do partido. Isso exatamente um dia depois de Tasso se lançar candidato à presidência do partido, em uma eleição marcada para daqui um mês.

Desde que veio a público as gravações de Joesley Batista, em que o senador mineiro aparece negociando valores – um empréstimo? – com o dono da JBS, Aécio ficou em situação muito difícil. Mas não teve grandeza para dar um passo atrás e ceder protagonismo. Ao contrário: estrebuchou como pode para apegar-se a qualquer nesga de poder dentro do partido.

Depois das gravações da JBS, em maio, Aécio foi afastado do mandato. Quando retornou, a única concessão foi que seguiria licenciado. Renunciar à presidência, nem pensar! Agarrou-se ao cargo como a moeda política que restava – sobretudo na negociação com o governo Temer. A conseqüência foi um crescente desgaste, logo transferido para o partido.

Mas podia piorar. E piorou com o segundo afastamento do mandato, que contornou com mais entendimentos com o presidente Temer. O presidente assegurou os votos do PMDB a favor do senador, que por sua vez garantiu os votos de uma fatia do PSDB para engavetar a segunda denúncia contra Temer. E piorou mais ainda agora, quando destituiu Tasso da presidência interina do partido.

Um sinal de pequenez. De autoritarismo. De miopia política.

Aécio assumiu todas essas imagens por apenas um mês de mandato interino de Tasso. E pode terminar gerando uma reação interna que favoreça o próprio Tasso, no embate interno contra Marconi Perillo, o governador de Goiás que tem o apoio de Aécio na disputa pela liderança do partido.

 

Um partido que se desmancha em público

Sob a liderança de Aécio Neves (MG), o PSDB conseguiu se desmilinguir. O senador até gerou esperanças, em 2014, quando ameaçou ganhar a eleição. Mas terminou perdendo, e muito por não ter conseguido nos três anos anteriores ser vistos como oposição, como a alternativa real.

Depois de 2014, a coisa não andou bem. Aécio avalizou o impeachment de Dilma e levantou a voz, acossando os petistas com o discurso da ética. Nada que uma JBS não jogasse de uma vez por todas no lixo. E agora o PSDB paga um preço alto, sobretudo, pelos maus passos do senador.

Depois das gravações, o PSDB perdeu o discurso. Não se sabe se é oposição ou governo, se está na luta contra a corrupção ou afundado nela. E isso tudo tem muito a ver com Aécio: pela tibieza das posturas e pelas revelações inexplicáveis.

Economia reage e dá esperanças de um 2018 melhor


Construção Civil: um dos setores que mais gera empregos ainda espera melhoras na economia brasileira para reagir
 
O Brasil vem se apegando, já há uns cinco anos, à esperança de um ano novo melhor, com a economia reagindo positivamente. Essas esperanças foram sendo frustradas em 2014, 2015 e especialmente em 2016. Também 2017 – que era apresentado com o ano da recuperação em grande estilo – terminou frustrando, com um aumento do PIB que não deve chegar a 1%. Agora as esperanças se voltam para 2018. E pode ser que desta vez as expectativas tenham chances de se concretizar.

Alguns números alimentam essas esperanças. Por exemplo, o consumo em alta. A projeção do comércio eletrônico é que o setor terá neste final de ano um crescimento da ordem de 18%. Claro, o comércio eletrônico é um ponto fora da curva, pela migração de negócios do ambiente físico para o virtual.

Mas é um um indicador positivo que se junta ao comércio lojista tradicional, que em outubro teve mais de 3% de aumento nas vendas, em comparação com o ano passado. Esse mesmo comércio físico faz projeções iguais ou maiores para o período de natal, o que aponta para um aumento de consumo importante neste fial de 2017.

Tudo vai ser alimentado pela injeção de R$ 200 bilhões só com o 13º salário, Brasil afora. O salário, aliás, é um fator desencadeador do consumo, a partir do ainda tímido mas real crescimento do emprego: no terceiro trimestre do ano o mercado de trabalho movimentou R$ 188,1 bilhões em salários. Isso significou quase R$ 7 bilhões a mais na economia, quase 4% a mais que o mesmo período do ano anterior. Esse número reverteu uma tendência de queda que vinha desde 2014, conforme o IBGE.

Há informações novas que apontam não apenas para os meses passados, mas para os próximos meses. É o caso da produção de automóveis: a produção de outubro foi 42,2% maior que no ano passado. E aponta para a perspectiva de vendas nos próximos meses. Quer dizer: as concessionárias estão fazendo pedidos que se transformarão em vendas neste final de ano.

Todos esses indicadores alimentam as esperanças de que o ano de 2018 será distinto dos anos anteriores.

O que ainda persiste como grande dúvida é a situação das contas públicas. Essa dúvida é importante porque o investimento público tem um peso muito grande na economia, especialmente aquele destinado às obras de infraestrutura. O déficit é enorme e não há clareza sobre a aprovação de medidas que reduzam o rombo.

De qualquer forma o governo anuncia uma série de investimentos, num bolo de ações que somam mais de R$ 40 bilhões. É o projeto Avançar, uma espécie de PAC do Temer. Dessa bolada, cerca de R$ 28 bilhões serão para obras de infraestrutura.

Se o projeto for transformado em ação, será uma enorme ajuda na concretização do sonho da retomada da economia, especialmente na geração de emprego. Sim, porque o investimento em infraestrutura e em moradia (outro item importante do Avançar) benefiia especialmente a construção civil – um setor que ainda não reagiu ao descalabro econômico que vigora desde 2014. E a construção civil pode ser um grande gerador de enmpregos, essa parte da economia que ainda tem muito o que recuperar.

É torcer para que as expectativas se confirmem .

Governo dá ‘bombom’ em troca da venda Eletrobrás

Cânions do Rio São Francisco em Canindé do São Francisco, Sergipe: um rio que pede socorro, com ou sem venda da Eletrobrás


O governo anunciou as regras que vão nortear a venda da Eletrobrás. E para atenuar as críticas, colocou alguns “bombons” no pacote. São dois, um deles com a intenção de afagar a bancada nordestina, conhecida nos corredores do Palácio do Planalto como “a bancada da Chesf”, e que seria refratária à venda. Mas a oferta não passa disso: um bombom, daqueles que se dá à criança para que ela deixe de chorar após a queda.

O primeiro “bombom” do pacote preparado pela equipe do presidente Michel Temer é uma tentativa de fazer crer que o governo não está se desfazendo um bem público precioso. Lá estabelece que o governo passa adiante a Eletrobrás, mas manterá o direito de veto nas decisões estratégicas. Ora, será um poder de veto que não muda o essencial: a Eletrobrás passará à iniciativa privada. Ponto.

O segundo "bombom", o que tenta agradar a “bancada da Chesf”, prevê investimentos voltados para a recuperação do Rio São Francisco, esse caldeirão cultural e ambiental que é muito mais que um patrimônio nordestino: é um patrimônio nacional. Segundo informações vazadas do Palácio do Planalto, o governo federal vai incluir no projeto de lei da venda da Eletrobrás um programa de investimento para recuperação da Bacia do São Francisco. Parece tentador. Mas não passa de um bombom.

Segundo informações palacianas, o programa terá duração de 30 anos. E prevê investimentos de R$ 350 milhões nos primeiros 15 anos. Vou repetir: R$ 350 milhões em 15 anos. E complemento: uma ninharia.

Para se ter uma idéia, a obra de alargamento da BR 135, no trecho que corta o sul do Piauí, está orçada nos mesmos R$ 350 milhões, com desembolso previsto para dois ou três anos. Pensar nesse investimento no São Francisco como argumento para o apoio à venda da Eletrobrás é oferecer uns trocados.

O Rio São Francisco – como o Parnaíba e o Poti – há muito pede socorro. As agressões ao leito do rio e devastação de suas margens e nascentes preocupam muito. Há uns 30 anos reclama-se um programa de recuperação do Velho Chico. E agora ele surge como contrapartida. A recuperação do São Francisco não deveria ser objeto de barganha. Deveria ser uma oferta de política pública importante para o Nordeste e o Brasil. Demonstração de compromisso com o rio.

Esse “bombom”, de verdade, desvia-se do óbvio: o São Francisco precisa de urgente recuperação, com ou sem venda da Eletrobrás.
 

O Congresso pensou na frente

A proposta do governo federal para revitalização do São Francisco pode chegar tarde. Ontem, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou parecer que permite o uso do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) nos projetos de revitalização do Velho Chico. Este ano, o FNE tem orçamento de R$ 26,1 bilhões. O projeto pode ser votado agora em regime de urgência.

A idéia que é que os fundos constitucionais do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste possam ser utilizados na recuperação de bacias hidrográficas nas três regiões. E, assim, não apenas o São Francisco poderá ser beneficiado. Também outros importantes rios – e aí está a hora do Parnaíba, tão agredido, também ser lembrado.

Dudu vai denunciar PMT por não ampliar Guarda Municipal


Edilberto Borges, o Dudu (PT): denúncia contra a Prefeitura de Teresina por decumprir acordo assinado com o TCE


O vereador Edilberto Borges, o Dudu (PT), vai entrar com representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT). Segundo ele, a representação será uma denúncia contra a PMT por descumprir acordo feito com o próprio TCE, em que o município se comprometia a ampliar a Guarda Municipal com a convocação dos concursados na seleção feita com a criação da corporação.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, Dudu destacou a atuação da Guarda Municipal como "essencial", mas criticou a prefeitura por manter um efetivo de apenas 100 pessoas. Também criticou as atribuições da Guarda, defendendo uma atuação mais ampla, incluindo mais possibilidade de ação repressiva.

Segundo ele, a falta de segurança é muito grande em Teresina, traduzida no arrombamento de escolas e na impossibilidade da população usar as praças. Também crítica o vínculo da corporação à Secretaria de Ação Social. Para Dudu, o órgão que mais se ajusta à ação da Guarda é a Strans. Mas ele acredita que o mais apropriado é dar a ela total autonomia.

Sobre a ação que vai mover no TCE, ele disse que é motivado pela necessidade de maior presença da Guarda, além do fato da Prefeitura ter descumprido o acordo. Pelo acordo com o TCE, o município deveria ter incorporado novos guardas, já que os 100 chamados inicialmente são insuficientes.

Para efeito de comparação, Dudu disse que o gabinete do prefeito Firmino Filho conta com 50 policiais, assim como HUT dispõe de outros 22. Afirmou ainda que o argumento da Prefeitura de que falta recursos não é pertinente. Segundo o vereador, em 2016 a PMT gastou cerca de R$ 20 milhões com o pagamento de segurança privada. No entendimento de Dudu, boa parte desse dinheiro poderia ser destinada ao pagamento dos novos policiais chamados para a Guarda Municipal.

Para ouvir a íntegra da entrevista do vereador Edilberto Borges, o Dudu, acesse o arquivo abaixo.

 

Crise deixa PSDB sem discurso e compromete futuro


Os senadores tucanos Tasso Jereissati e Aécio Neves: embate aberto pelo comando, o discurso e o futuro do PSDB

 

Desde que foi criado, o PSDB se vendeu como o partido político com viés técnico, noção de planejamento, foco na gestão e na ética. Tudo isso virou de cabeça para baixo em meio à crise interna vivida pelo partido, que já não sabe qual discurso apresentar. O PSDB vive uma profunda crise de identidade, que se traduz também no emaranhado de confusões em que se meteram algumas de suas principais lideranças, Aécio Neves em destaque.

A crise de identidade e a perda de discurso explicam-se, por um lado, pelos escândalos que tragaram Aécio e enlamearam José Serra e Aloysio Nunes Ferreira, por exemplo. Também se explica pela divisão interna em alas que não permitem que o partido tenha uma cara. Um lado, com Aécio no comando, não desgruda do governo: quer sugar até a última gota oferecida pelo oficialismo. Outro lado, Tasso Jereissati como porta-voz, abraça as teses do mercado – as mesmas de Temer – mas quer distância do governo. Geraldo Alckmin, que não quer comprar briga com ninguém, flerta com esse grupo.

Mas há ainda um terceiro time, uma chamada “ala esquerda” do PSDB, coisa desconhecida até bem pouco, porque há muito são poucos os que enxergam o PSDB até mesmo como centro-esquerda, como socialdemocracia “de vera”. Radical sobretudo para o espírito tucano, essa ala brada contra as privatizações e o neoliberalismo econômico. Pois é! Dentro do PSDB tem isso, gente que brada contra bandeiras que o partido ajudou a hastear em solo brasileiro.

De qualquer forma, tudo isso mostra o tamanho do problema do tucanato. Não sabe se é governo ou oposição. Uma parte quer entregar os cargos no governo, outra quer mantê-los até a eternidade. Uma parte defende o mercado, enquanto outra grita contra o neoliberalismo. E o problema maior é que o partido vai perdendo a bandeira da ética.

A relutância de Aécio em desapear da presidência da sigla – o que fez, claro, com o apoio de um bom punhado de tucanos – ajuda a enterrar essa bandeira que o partido exibia com muito orgulho, em especial nos embates contra o PT de Lula, Dirceu e Palocci. Agora, como levantar tal bandeira se o PSDB é e teima em continuar a ser o partido do Aécio?

Os escândalos do metrô de São Paulo e outros de natureza tal também ajudam a afastar do tucanato o discurso da ética. Para piorar, o partido viu uma guerra interna entre Alckmin e João Dória Junior, cada um reivindicando para si o lugar de candidato do partido ao Planalto. Também essa guerra interna ajudou a chamuscar as duas lideranças. E fez o partido perder tempo no debate com a sociedade, já que entregou-se a uma longa e enfadonha discussão entre pares.

E nada disso está superado. Tampouco há certeza de que essa discussão seja encerrada no congresso nacional do partido marcado para o próximo mês. Sim, porque o Congresso tem a intenção de encerrar as querelas internas e permitir que o partido saia unido olhando para o futuro – em concreto, para as eleições de 2018. Mas fica a pergunta: qual dos lados sairá vencedor do congresso?

Nomes como Tasso e Fernando Henrique Cardoso defendem a saída do PSDB do governo Temer. Assim pensa (ainda que discretamente) Alckmin. Os parlamentares que estão aboletados nas cadeiras de ministro, no entanto, pensam diferente.

O resultado da disputa dentro do congresso do próximo mês vai dizer com que discurso o partido sai para as eleições de 2018. Ou se o PSDB mais uma vez vai ser o PSDB de sempre e simplesmente não decidir nada.

De certo modo, será uma escolha sobre o tamanho do futuro do partido.

Piauí não terá espaço no Orçamento da União, admite deputado


Deputado Mainha (PP), da Comissão do Orçamento: projetos do Piauí terão que ser feitos com emenda de bancada


O Piauí não deve depositar muitas esperanças na discussão do Orçamento da União para 2018, com vistas à inclusão de projetos estratégicos para o estado. Foi o que admitiu o deputado Maia Filho, o Mainha (PP), em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde. Mainha é o único representante do Piauí na Comissão Mista de Orçamento, que até a segunda quinzena de dezembro aprovará o orçamento para o ano que vem.

Mainha ressaltou as dificuldades da União, com um déficit fiscal que deve se situar em torno de R$ 300 bilhões, e a consequência imediata de comprometer os investimentos. É aí onde aparecem as dificuldades para o Piauí, que tem projetos de infraestrutura fundamentais para o Estado, mas que sequer devem ser levados em conta pelo Governo Federal na hora de definir as prioridades: o foco do Planalto será a manutenção de serviços essenciais e os gastos carimbados, como em saúde e educação.

O Piauí tem projetos de infraestrutura fundamentais. Um deles é o alargamento da BR 135, que corta o sul do Piauí por cerca de 600 km. Mas o deputado Mainha acha praticamente nula a chance do projeto ser contemplado pelo Governo Federal. Daí, a saída será colocar o projeto dentro das emendas de bancada.

Conforme explica o parlamentar do PP, o Piauí tem direito a 15 emendas de bancada, duas delas de caráter impositivo. Uma dessas duas deve contemplar o projeto de alargamento da BR 135, rodovia já conhecida como “estrada da morte” por vitimar desde o início do ano mais de 40 pessoas.

O projeto de recuperação da 135 está orçado em R$ 350 milhões. O valor da emenda de bancada cobriria cerca de R$ 100 milhões que seriam aplicados na obra no próximo ano.

 

Piauí depende de ação política

Além da dependência de emenda parlamentar, o Piauí vai precisar de resultados através da ação política. É o que fica patente na fala do deputado Maia Filho, o Mainha (PP). Segundo avalia, sem a perspectiva de assegurar recursos através do orçamento da União, o Piauí deverá depender ainda mais da ação de lideranças como o senador Ciro Nogueira.

Mainha afirma que Ciro está empenhado em garantir o reforço financeiro necessário através de liberações especiais – através de ação política direta nos ministérios – para custeio da saúde e outras áreas. Também contabiliza a contratação de empréstimo, através de órgãos como a Caixa Econômica, cujo presidente é indicação do PP.

Para ouvir a entrevista completa do deputado Maia Filho ao Acorda Piauí, acesse o arquivo abaixo.

 

Wellington e Júlio tentam superar atritos PT-PP


Wellington Dias e Júlio Arcoverde: encontro marcado com o objetivo de aparar arestas entre PT e PP
 

O governador Wellington Dias (PT) e o presidente estadual do PP, deputado Júlio Arcoverde, têm encontro hoje no final da tarde, quando vão tentar superar os atritos entre PT e PP, que cresceram em torno das discussões sobre a proposta de aumento de imposto, encaminhada pelo governo à Assembleia Legislativa. O encontro foi confirmado pelo deputado federal Maia Filho, o Mainha (PP), em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde..

PP e PT são aliados desde a eleição de 2014. Mas alguns fatos geraram atritos e afastamento entre as duas siglas, sobretudo em âmbito nacional. Aqui no estado, os partidos seguiram juntos, mas sem evitar as rusgas, que cresceram nas duas últimas semanas.

O principal momento de afastamento entre o PT de Wellington Dias e o PP do senador Ciro Nogueira foi o impeachment de Dilma Rousseff. O PP, que era aliado da presidente, terminou sendo decisivo para a aprovação do impeachment. Isso gerou reação no PT local, culminando com vaias a Ciro em encontros petistas.

As eleições municipais de 2016 geraram outros momentos de atrito, em especial a disputa em Picos, onde Wellington Dias teve participação intensa pela candidatura de reeleição de Walmir Lira (PT), contra Gil Paraibano (PP). Os atritos voltaram a crescer na discussão da reforma administrativa de março passado, quando foram criadas nove Coordenadorias com status de secretaria.

A tensão entre as duas siglas chegou a aumentar há duas semanas, quando o deputado Fábio Abreu (PTB) resolveu retornar ao Congresso e votar a favor da denúncia contra o presidente Michel temer. O movimento foi visto como apoiado por Wellington Dias, em prejuízo do PP, já que a volta de Abreu implicou na saída de Mainha, um voto certo a favor de Temer.

Tudo piorou com a discussão da proposta de aumento de imposto. Alegando princípio progrático, o PP decidiu posicionar-se contra o projeto do governador Wellington Dias. A reação do governador foi tirar da Assembleia dois suplentes do PP (Belê Medeiros e B. Sá Filho) que exerciam o mandato. O deputado Júlio Arcoverde foi muiito crítico à ação do governo.

O encontro de hoje à tarde é uma tentativa de aparar as arestas entre as duas siglas. A intenção do Karnak é evitar uma situação sem volta, comprometendo a aliança entre os dois partidos na eleição de 2018.

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