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Projetos de Firmino ficam mais longe do PSDB


Firmino Filho com Lucy Silveira: marido e mulher com projetos políticos comuns, mas em partidos diferentes  (FOTO: PMT/Divulgação)

 

Vencedor das sete últimas eleições para a prefeitura de Teresina, o PSDB se encaminha para a disputa municipal do próximo ano em situação no mínimo curiosa. Não parece um cavalo de raça vitorioso que entra em uma corrida como favorito. Parece mais uma rês acuada pelas varas do cercado estreito, a caminho do abate. Uma das razões dessa situação são os planos do prefeito Firmino Filho: mesmo filiado ao partido e tido como principal liderança da sigla, o prefeito faz apostas que estão longe de fortalecer o PSDB.

O pouco caso de Firmino com o PSDB ficou patente ainda no início de 2017, quando avalizou o ingresso no PP de importantes nomes do PSDB, a começar por sua própria esposa, Lucy Silveira, e pelo ex-prefeito Sílvio Mendes. Também foi junto o ex-secretário Washington Bonfim. A campanha de 2018 escancararia o distanciamento do prefeito em relação aos tucanos.

Em 2018, os candidatos prioritários do prefeito eram Lucy (deputada estadual), Ciro Nogueira (senador) e Margarete Coelho (deputada federal) – todos do PP. Luciano Nunes, o candidato tucano ao governo do Estado, até era convidado para as reuniões organizadas por Firmino. Mas chegava lá e tinha pela frente só candidatos que pediam voto para Wellington Dias (PT).

Agora Firmino tem os olhos postos em 2020. E, mais uma vez, não parece empenhado em fortalecer o partido. Muito pelo contrário: ante a dúvida de vereadores aliados sobre o destino partidário, tem oferecido vários caminhos possíveis. E nunca é o PSDB. Até Charles Silveira está sendo associado ao PDT. O prefeito chegou ao cúmulo de criticar indiretamente a decisão do deputado Marden Menezes de levar lideranças do interior para o PSDB. Motivo: a liderança era do PP de Lucy Silveira.

Há uma clara divisão dentro do PSDB. De um lado, o grupo de Firmino, que se mantém unido graças à força da prefeitura. De outro, nomes com mais força no interior, como Marden e Marcos Elvas. Luciano tem mais proximidade com esse grupo, mas – ao contrário de Marden – tem evitado confronto com Firmino.

Seja como for, os diretórios do partido serão renovado nas próximas semanas. A turma de Marden e Luciano quer manter o diretório estadual. Já Firmino deve permanecer com o mando em Teresina, agora através do vereador Edson Melo. E não deve ser nem para lançar candidatura própria em 2020, e sim para evitá-la. É a rês indo para o abate.
 

Futuro presidente do PSDB não acredita em partido

Em entrevista à Rádio Cidade Verde, o futuro presidente do PSDB de Teresina, vereador Edson Melo, deixou claro que não acredita nos partidos. Acha que o eleitor vota em pessoas. Ponto. Essa crença deve ter efeito na forma de condução do partido: ele diz que vai fazer tudo para fortalecer a sigla, mas não acha fundamental que o candidato do grupo de Firmino em 2020 seja um tucano. Pode ser do PP. Ou do PDT. Ou de alguma outra sigla.

Essa descrença nos partidos pode ter repercussão inclusive em casa. Porque Edson não deverá ser candidato à reeleição: vai passar o bastão para seu filho, Hélio Melo Neto. Hélio é filiado ao PSDB, mas pode não permanecer na sigla: se avaliar que tem mais chances por outro partido, mudará de filiação. Segundo, informações correntes, essa possibilidade ele já comunicou ao próprio Firmino.

E o prefeito, que colocou a esposa no PP, nem poderá reclamar.

Wilson Martins vai a Brasília definir futuro


Átila Lira e Wilson Martins: destino partidário pode começa a se definir na quarta-feira, em Brasília

 

O presidente estadual do PSB, ex-governador Wilson Martins, vai a Brasília nesta quarta-feira. Terá uma agenda extensa, e deve manter conversações que vão dizer qual seu futuro em termos de filiação partidária. Wilson tem boas relações com o PSB nacional, mas há sérias dificuldades para permanecer na sigla, já que as estratégias entre a direção em Brasília não coincidem com as do diretório estadual.

As diferenças entre a direção nacional e a estadual não são de hoje. Antes, elas eram explícitas no caso da representação do PSB piauiense no Congresso: eram três deputados – Átila Lira, Rodrigo Martins e Heráclito Fortes – todos numa linha que divergia da Executiva nacional. O resultado foi a saída de Heráclito ainda no final de 2017, e, agora, a desfiliação de Rodrigo Martins. A direção nacional é oposição a Bolsonaro e aliada do PT, o mesmo PT que tem Wilson e Rodrigo como oposição aqui no Estado.

Átila segue no partido, mas por obra e graça da legislação. Se dependesse exclusivamente de sua vontade, já teria mudado de partido. As opções de Átila são muitas: PP, DEM e PSDB. Também se falou na opção PSL, logo descartada. Ocorre que Átila diz e repete que a mudança de sigla será em comum acordo com Wilson e Rodrigo. Daí a viagem de Wilson, na próxima quarta, pode dar pistas mais concretas do destino do grupo.

As opções destacadas por Átila poderiam ser do agrado de Wilson. Mas o grupo avalia as vantagens e desvantagens de cada alternativa, inclusive a opção PSL:
PSL: apesar de ser, formalmente, o partido do presidente Jair Bolsonaro, não se enxerga tanta atenção do próprio Bolsonaro à sigla. Sobressai um ambiente convulso que não agrada ao grupo.
PP: Átila chegou a ter no PP sua atenção prioritária. Mas a sigla perdeu algo do protagonismo que tinha, nos cenários nacional e local. Além disso, a ida de Wilson para o partido comandado por Ciro Nogueira não é vista como natural.
PSDB: Átila e Wilson já estiveram lá. Não haveria problema de relação com Luciano Nunes e Marden Menezes, por exemplo. Mas há um problema chamado Firmino Filho, que mantém o controle do partido em Teresina e parece não ter interesse em fortalece a sigla. Muito pelo contrário.
DEM: Vai se desenhando a principal alternativa, pela relação de Átila com Rodrigo Maia (o presidente da Câmara e principal nome do partido), a boa relação com Heráclito Fortes e a possibilidade da sigla de tornar o centro de sustentação do governo Bolsonaro.

Todas essas possibilidades passam pela agenda de Wilson Martins, na quarta-feira. Mas é possível que ele retorne sem uma definição. O principal problema é a relação entre Átila e a direção nacional do PSB, que não estaria disposta a dar uma carta de alforria ao deputado.

Piauí e outros 21 estados gastam mais de 50% com pessoal


Centro Administrativo: no Piauí, administração estadual tem número de servidores ativos já quase o mesmo de aposentados  (FOTO: CCom/Divulgação)

 

Dados da Secretaria do Tesouro Nacional, que tem como base as informações dos estados, indicam que apenas cinco das 27 unidades federativas gastaram em 2018 menos da metade das receitas com a folha de pessoal. O Piauí (com 58% de comprometimento) está no time que tem o balanço no vermelho. Os dados nem chegam a ser novidade, pois repetem realidade de anos anteriores, mas reforçam uma percepção: a coisa não anda nada boa para os estados, a maioria andando longe de cumprir as regras definidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E a repetição diz também outra verdade: pouco tem sido feito de efetivo a respeito desse quadro grave.

Os dados do Tesouro, destrinchados pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas, mostram que o problema se agravou nos últimos anos. São 22 estados gastando mais de 50% com pessoa. No caso do Piauí, o gasto com a folha e os encargos sociais chegam a 58% das receitas. Com mais um pouco estaria no nada exclusivo clube dos que gastam mais de 60%: são 17 estados nessa situação.

O número não costuma ser questionado muito a sério pela cidadania, talvez entendendo que dar emprego é mesmo o papel do Estado. Vilma Pinto, pesquisadora do IBRE, alerta para as implicações desse tipo de comprometimento das receitas. Com tanta grana destinada exclusivamente à folha de ativos e inativos, falta recursos para serviços essenciais, em especial educação, segurança e saúde. Isso sem falar em investimentos produtivos, que gerariam emprego fora da esfera pública.

Aos que desdenham da importância de uma reforma da Previdência, Vilma apresenta números que apontam em sentido inverso: são exatamente aqueles estados que têm mais aposentados que servidores da ativa os que apresentam mais dificuldades financeiras. Essa lista é capitaneada pelo Rio Grande do Sul, onde há quase dois aposentados para cada servidor da ativa. Os outros “campeões” da dificuldade são Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo – ainda que o Espírito Santo tenha conseguido contrabalançar essa situação tornando a máquina administrativa menos dispendiosa.

Ainda sobre aposentados, vale lembrar que a situação do Piauí chega perto de crítica: aqui já temos praticamente um inativo para cada ativo.
 

Tesouro faz recomendações aos estados
No ano passado, a Secretaria do Tesouro Nacional listou uma série de medidas que os estados deveriam adotar para não descambarem para um quadro de ingovernabilidade. Confira as principais recomendações:

• Suspensão de novas contratações, para permitir queda no endividamento.
• Pagamento de precatórios, também para baixar a dívida.
• Privatizações para abater sua dívida, e concessões, para melhorar o indicador de poupança reduzir custos.
• Aumento das alíquotas de impostos, para aumentar a arrecadação.
• Redução de incentivos fiscais para obter receitas extras.
• Evitar contratações de pessoa e aumentos salariais, além de rever o número de terceirizados.
• Medidas para conter o aumento do déficit previdenciário.

Na avaliação de Vilma Pinto, do IBRE, essas recomendações têm caráter emergencial, com efeito de curto prazo. Mas, com olhar de longo prazo, são necessárias reformas estruturais que não podem ser feitas isoladamente, mas em conjunto – todos os estados e a União.

Papa Francisco, 6 anos de pontificado: desafios e reações


Papa Francisco: importante abertura na Igreja Católica, mas sem tratar temas como a questão da mulher  (FOTO: VaticanNews/Divulgação)

 

A tarde chegava ao seu final em Roma quando a fumaça apareceu. Branca. A igreja acabara de escolher um novo papa. Nada de extraordinário na escolha de um novo pontífice. Mas aquele 13 de março de 2013 passaria para a história pelo inesperado: às 7h05 da noite, o cardeal Jean-Louis Tauran pronunciou o nome do eleito – Jorge Mario Bergoglio.

A maioria dos 115 cardeais escolheu o arcebispo de Buenos Aires como o novo líder de uma igreja que, com Bento XVI, teimava em se aferrar ao passado e a esconder-se dos desafios, inclusive os que afetavam diretamente o coração do Vaticano, como a corrupção financeira e as inúmeras denúncias de abusos sexuais praticados por padres, bispos e até cardeais. Para completar as novidades, Bergoglio adotaria o nome pontífice de Francisco. O primeiro. Os cardeais que o elegeram deixaram em suas mãos uma pauta de reformas

Nesta quarta-feira, Francisco completa 6 anos de pontificado. A avaliação desse período aponta avanços importantes, mas também deixa evidente pendências bem destacadas. Como resumo, pode-se dizer que o papado de Francisco tem reformas em duas velocidades.

O que mudou rapidamente:
A grande mudança de Francisco foi de estilo e linguagem. Não é mais a igreja da estrutura formal, e sim a igreja que tenta dialogar diretamente com o fiel, inclusive o fiel que não é tão fiel assim, nesses tempos líquidos. Isso leva Francisco a adotar a ideia de "conversão pastoral", tão presente na América Latina e que se espalha pelo mundo católico. Com um detalhe: é uma conversão permanente, porque tudo é líquido, inconsistente, que precisa ser renovado para permanecer. E isso tudo passa por uma linguagem mais fluida e coloquial, além da comunicação direta que inclui as redes sociais.

Cabe ainda destacar que nessa mudança de estilo, Francisco vai lá para o meio do povo. É revelador o que acontece nas audiências das quartas-feiras, quando muitos notáveis disputam uma cadeira nas primeiras filas. Esses notáveis, ansiosos por apertarem a mão do pontífice, são obrigados a esperar até duas horas. Francisco só se volta para eles depois de se dedicar ao contato com o “santo povo fiel de Deus”. É a prioridade do papado de Francisco.

O que anda em marcha lenta:
Quando elegeu um “papa da periferia”, os cardeais de 2013 deixaram uma pauta complicada nas mãos de Francisco. Ele teria que enfrentar alguns temas delicados, a começar pelos abusos sexuais no ceio da igreja. Essa pauta está tendo avanços lentos. Agora em fevereiro houve um grande encontro no Vaticano. A cúpula católica ouviu relatos terríveis. E adotou medidas consideradas tímidas, como a de reforçar o poder dos bispos locais. Em geral, foi esse poder local que impediu as investigações.

O papado de Francisco avançou nas mudanças da gestão das finanças do Vaticano. Mas não deu um passo significativo na apuração de denúncias terríveis que estão aí há década. Há evidências de casos de corrupção por parte de alguns notáveis da Igreja, sem medidas efetivas. Outra grande lacuna é a discussão sobre o papel da mulher dentro da igreja. Sobre esse assunto, o papa não fala.
 

Mais um papa a renunciar?

O jornalista inglês Austen Ivereigh é apontado como o principal biógrafo de Francisco. Ele é autor de O Grande Reformador (edição de 2015) que mostra a trajetória de Bergoglio e os desafios de Francisco. Vê uma importante transformação em curso. Em entrevistas, tem manifestado uma opinião que pode não ser absurda: o papa tem a meta de reforma a igreja. E acha que quando considerar encerrado esse trabalho, renunciará.

A renúncia é parte das entrelinhas de algumas falas de Francisco – por exemplo, quando diz que terá um papado curto. Mas não cabe comparar com a renúncia de Bento XVI. Bento, ainda como o cardeal Ratzinger, levou o final do papado de João Paulo II para um conservadorismo terrível e fora de tempo. No trono de São Pedro, desagradou a todos: aos aliados, que queriam uma igreja mais e mais presa à Cúria; e aos opositores, que pediam abertura e transparência. Renunciou por não conseguir defender uma coisa nem realizar a outra.

Francisco pode renunciar, sim. Mas, se o fizer, é depois do trabalho realizado. Com o dever cumprido.

Marden filia empresário ao PSDB... e Firmino não gosta


A foto da discórdia: Marden festeja filiação de empresário ao PSDB, mas Firmino não gosta porque tira apoio do PP de Lucy

 

Olhando às pressas, parece estranho: o principal líder do PSDB no estado, o prefeito Firmino Filho, não gostou nada de ver o deputado tucano Marden Menezes filiando um empresário de Esperantina... ao PSDB. A reação tem tudo a ver com a mulher do prefeito, Lucy Silveira, que é deputada... do PP. Uma baita salada que explica a reação do marido de Lucy, mas não a do líder tucano.

Vamos aos fatos: Marden foi até Esperantina para filiar o empresário Erasmo Silva ao PSDB. E fez questão de festejar o novo filiado em sua conta no Instagram. Colocou a foto e um texto: “Em Esperantina, ratificando a filiação do empresário Erasmo Silva, o nome forte para o próximo pleito municipal”. Concretamente, Marden quer o empresário candidato a prefeito.

Há um dado anterior, no entanto, que tem grande importância: na campanha passada, Erasmo não votou em Marden. Para deputado estadual, votou em uma importante candidata a deputada estadual do PP, chamada... Lucy Silveira. A mudança de sigla, portanto, leva Erasmo para o PSDB, mas tira um punhado de votos do saco eleitoral do clã Silveira. E Firmino (o marido, não o líder) não gostou.

Gostou tão pouco que deu resposta ainda ontem de manhã, quase no mesmo momento em que Marden publicava a foto no Instagram. “O PSDB não pode ser agência de votos para deputados estaduais”, disse Firmino. A resposta parecia uma reação ao surgimento do nome do deputado como potencial candidato à prefeitura de Teresina em 2020. Mas era mesmo uma reação à perda de um aliado pelo clã Silveira, pouco importando se o aliado se aproximava do partido do prefeito.

As rusgas desta semana não são novidades na relação entre Marden e Firmino. O deputado já andava bem longe do prefeito há pelo menos três anos. Ele achava que o PSDB deveria ser mais crítico ao governo estadual. Já Firmino mostrou uma proximidade com Wellington Dias (PT) que se estendeu até a campanha passada.

As rusgas, no entanto, não parecem terminar com esse episódio. Novos capítulos virão.

O governo das redes sociais


Jair Bolsonaro: privilégio das redes sociais no diálogo com os brasileiros que governa  (FOTO: Palácio do Planalto / Divulgação)

 

As novas tecnologias vêm sendo incorporadas com grande força ao processo de governança, tanto em organizações empresariais como no espaço público. Isso é bom, porque agiliza procedimentos e gera eficiência. Mas as redes sociais, uma faceta extraordinária das novas tecnologias, vão criando novas formas de ação dos governantes com os governados. O que deveria ser um grande avanço, no entanto, tem mostrado algumas seqüelas nada interessantes.

O fenômeno dos “governos das redes sociais” tem no norte-americano Donaldl Trump seu exemplo mais poderoso. A tal ponto que Trump tem sido copiado com razoável freqüência, e o Brasil de Jair Bolsonaro (PSL) vai se mostrando o caso mais emblemático desse figurino, sobretudo pelas conseqüências nada festejáveis do modelo.

Trump inaugurou um tipo de governo que, assumidamente, não está preocupado em “governar para todos”, como recomenda a regra de um gestor eleito. Mesmo nos casos em que o mandatário chega ao posto em situação de forte divisão, a tentativa (ou o discurso) de governar para todos prevalece. Trump não está nem aí para essa regra. Seus seguidores também não, e se portam como se continuassem no palanque eleitoral.

O Brasil já viveu com o segundo mandato de Dilma Rousseff (PT) uma administração que não se importou muito com o todo – às vezes, Dilma sequer levou em conta o lado que a elegeu. Mas pelo menos ela não tinha presença tão forte nas redes sociais como Jair Bolosonaro. E quem segue o humor das redes sociais costuma ter posições extremadas, porque não há meio termos nas redes.

Esse é o grande problema da (pejorativamente) chamada governança do Twitter.

Pelo menos até agora, o governo Jair Bolsonaro deu muita importância às redes sociais. Não que elas não sejam de grande relevo. Ao contrário. Mas não podem ser a guia de uma gestão, tampouco o único canal de diálogo com a sociedade. Há outros canais de ligação com a própria cidadania, e mais ainda com segmentos – como o Congresso, o Judiciário, os Sindicatos – que cobram uma relação menos superficial e tão unilateral.

Os sinais do Palácio Planalto, depois do carnaval, indicam que outros canais serão abertos para um diálogo mais amplo e mais consistente. Isso está sendo cobrado sobretudo entre os congressistas, que ficam cada vez mais inseguros quantos aos rumos de um governo que tem muita gente falando o que dá na telha, sem maiores ponderações. Isso é bem rede social. Mas não ajuda à governabilidade. E ajuda menos ainda a aprovar matérias cruciais para o governo, como a reforma da Previdência e o projeto Anticrime.

‘Fraternidade’ alerta para Políticas Públicas, Direito e Justiça

No discurso oficial, a igreja católica está longe da política. Mas a cada ano, por ocasião da quaresma, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – órgão de maior representação católica – lança a Campanha da Fraternidade, que sempre procura trazer um tema atual e de alta relevância. É pura política, no sentido mais legítimo e desapaixonado da palavra.

Este ano o assunto é mais que político ainda: com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, a campanha fala dos resultados direto da ação política (ou da ausência desses resultados) para a cidadania. “Refletir sobre Políticas Públicas é importante para entender a maneira pela qual elas atingem a vida cotidiana, o que pode ser feito para melhor formatá-las e quais as possibilidades de se aprimorar sua fiscalização”, explica o texto da CNBB sobre o tema deste ano.

É um tema oportuníssimo em um país (e em um mundo) em que os resultados da gestão pública são questionados a cada dia. Não sem motivo: os chamados serviços essenciais – de responsabilidade direta e às vezes única do Estado – estão longe de atender às necessidades elementares da cidadania. Basta citar os três setores mais fundamentais – saúde, educação e segurança – e pensar no tipo de serviço que a população anda recebendo. Há, portanto, sobrados motivos para esse questionamento.

A reflexão se torna ainda mais determinante porque leva à questão da conformação de políticas públicas para dentro da cidadania. É uma maneira de fazer o cidadão assumir a condição de protagonista na formulação dessas políticas, tirando esse cidadão da condição de mero expectador de políticas públicas que depois são simplesmente avaliadas, e aprovadas ou rejeitadas.

O que a CNBB está dizendo é: as políticas públicas têm resultado direto na vida de cada um; e por isso mesmo não cabe ao cidadão simplesmente esperar. Ele deve participar na formulação dessas políticas e fiscalizá-las, para que sejam mais condizentes com as demandas da cidadania e, assim, mais justas.

Cabe, portanto, ao cidadão ser exatamente isso: cidadão, e fazer valer seus desejos a partir da participação.
 


Dom Sérgio da Rocha, presidente da CNBB: Campanha da Fraternidade como estímulo à participação cidadã  (FOTO: CNBB / Divulgação)


Dom Sérgio destaca importância da participação

Presidente das CNBB, o arcebispo de Brasília (e ex-arcebispo de Teresina) dom Sérgio da Rocha destacou a importância da Campanha da Fraternidade. Segundo ele, o período quaresmal tem como característica precisamente “a fraternidade, o amor fraterno, com seus vários níveis e exigências” . E isso tem a ver com políticas públicas, onde o cristão deve ter papel mais decisivo.

De acordo com dom Sérgio, a Campanha deste ano deve estimular o cristão e “promover uma participação maior na elaboração de políticas públicas nos diversos âmbitos da vida social”, como  saúde, educação, segurança pública e meio ambiente.Esse envolvimento, ressalta, tem uma perspectiva coletiva e se traduz como sinal de amor ao próximo e caminho para a construção de uma sociedade mais fraterna e justa.

Rodrigo Martins se desfilia do PSB, mas fica sem partido


Rodrigo Martins: de saída do PSB, mas sem buscar uma nova sigla partidária  (FOTO: Câmara / Divulgação)

 

O ex-deputado Rodrigo Martins formaliza amanhã a sua desfiliação do PSB, partido pelo qual foi eleito duas vezes vereador de Teresina e uma vez deputado federal. A desfiliação não é para tomar assento em outra sigla: a partir de amanhã Rodrigo ficará sem partido. Segundo o ex-deputado, uma possível filiação a outra sigla não está em avaliação no momento.

Às pessoas próximas, Rodrigo tem afirmado que quer se dedicar nos próximos meses à profissão de odontólogo, com requalificação e constância. Ele é servidor da Fundação Municipal de Saúde e voltou às atividades regulares, inclusive com os plantões comuns a todos os odontólogos da FMS.

Apesar dessa manifestação sobre um imediato afastamento da vida partidária, o nome de Rodrigo Martins vem sendo associado com ouras siglas. A última informação corrente é que estaria indo para o PSL, juntamente com o deputado federal Átila Lira, também do PSB, e o ex-governador Wilson Martins, presidente da sigla no Estado.

Sobre esse tipo de informação, Rodrigo foi lacônico: “Soube pela imprensa”. Ele disse que não teve nenhum tipo de conversa com o PSL ou qualquer outra sigla. Acrescenta ainda que não sabe qual deve ser o destino partidário nem de Wilson nem de Átila.
 

Átila deve sair do PSB, mas não sabe para onde

Oficialmente, o deputado Átila Lira avisa que não fala sobre a iminente saída do PSB, já que a legislação o impede de mudar de partido sem o risco de perda de mandato. Mas Átila quer resolver ainda em março a dificuldade de convivência dentro do PSB. O deputado tem postura mais liberal e uma certa proximidade com o governo Bolsonaro, enquanto o comando da sigla defende uma visão mais estatizante e de oposição.

Mas, diante da lei restritiva, a mudança de partido precisa passar por um entendimento entre Átila e a Executiva do PSB. Se contornar esse problema, o deputado vai sim para outra sigla, mas não sabe exatamente para qual. As opções citadas são PP, DEM e PSDB, com vantagem para as duas primeiras. Agora surge o PSL, mas Átila ressalta que não conversou com ninguém do partido de Bolsonaro.

Cabe só um comentário: Átila quer sair. Mas é possível que o PSB crie dificuldades para dar a "carta de alforria" ao deputado.

Agora é ‘Cinzas’. O ano vai enfim começar?


Jair Bolsonaro, em evento no Planalto: à frente de um governo que ainda bate cabeça e gera dúvidas (FOTO: Planalto /  Divulgação)

 

O ditado, tristemente revelador da morosidade e do excessivo relaxamento de uma boa parte do Brasil, é conhecido e repetido praticamente todos os anos: aqui, na Terra de Macunaíma, o ano só começa depois do carnaval. Neste 2019, no entanto, a frase parece ter força de lei. O ano não começou. Nem no plano nacional. Nem no âmbito estadual.

No cenário nacional, o governo ainda tenta encontrar um caminho. Os mandachuvas do Planalto batem cabeça, seguem em rumos discrepantes e falta confiança sobre os passos futuros. Um reflexo dessa situação é reforma da Previdência, que chegou ao Congresso com um formato que teve no presidente Jair Bolsonaro seu primeiro desqualificador.

O texto da reforma estabelecia 62 anos como a idade mínima de aposentadoria para a mulher. Pois o presidente disse que pode ser 60. Assim. Sem nenhum tipo de negociação. Simplesmente cedeu, para desespero da equipe econômica e perplexidade dos líderes políticos no Congresso.

Aqui no cenário local, o governo faz tudo para não começar o quarto mandato de Wellington Dias. A reforma administrativa proposta pelo Executivo chegou à Assembleia com reações a alguns pontos, como o congelamento dos salários. Com um detalhe: a reação maior foi da base governista, que levou o governador a retirar a mensagem que tratava desse tema.

Ao mesmo tempo, partidos da base avisam: só votam a reforma se houver antes a partilha dos cargos. Wellington se faz de mouco. Não tem pressa, tanto que sequer pediu regime de urgência para a tramitação da reforma. Prefere deixar para depois as definições sobre cargos de confiança, boa parte sem ocupante desde o início do ano.

Isso tudo significa menos gastos. E gastar menos é tudo o que o governo deseja e precisa, em meio a crise financeira sem precedentes nas útlimas três décadas. Daí, deixar a reforma para depois é manter esses cargos ociosos e os gastos em menor medida.

Resta saber até quando o governador vai conseguir empurrar com a barriga, ante a pressão nada sutil dos aliados.

Seja como for, a quarta-feira de Cinza, que assinala o fim do carnaval, costumava ser vista como o início real do ano. Este ano parece que é diferente, tanto em Brasília como em Teresina. E se 1968 é sempre lembrado como o ano que não acabou, 2019 – pelo menos até agora – vai se firmando como o ano que não começou.

Oito blocos encerram hoje carnaval de Teresina


 

Teresina encerrar hoje sua programação de blocos carnavalescos com a apresentação de oito atrações. Algumas delas dão bis na folia, como o Tome Dalila, o Tomar Gagau e o Barão de Itararé, que encerra a programação fazendo a festa no bairro Dirceu I. O primeiro bloco a sair nesta terça-feira é o Rapazes Alegres, que se concentra na Rua Santa Luzia, em frente ao Palácio da Música, a partir das 15h.

Às 16h serão três outras atrações: Bloco da Batata, que se reúne na Rua Carteiro Pintassilgo (bairro Mafrense); o Tome Dalila, que se concentra na Alameda Domingos Mafrense (também no bairro Mafrense); e o Tomar Gagau, que tem como ponto de referência a quadra 138 do Parque Piauí.

Às 17h serão mais outras três atrações: Batatinha do Louah, que faz a festa na Rua Angélica (bairro Jóquei Clube); Mela Mela Xarobá, que se concentra na Rua Belchior Barros (bairro Planalto Ininga); e o bloco Kebra Kabaça, no mesmo endereço da Belchior Barros.

O encerramento será com o Barão de Itararé, que se reúne a partir da 17h30, em frente à Fundação Bradesco (bairro Dirceu I).
 

Blocos dão novo formato ao carnaval

Os blocos carnavalescos vão consolidando um novo formato no carnaval de Teresina. Já não se fala mais nas escolas de samba, tampouco nos bailes dos clubes. A referência são os blocos, que estão espalhados pela cidade. O formato democratiza a folia, que tem sempre uma opção pertinho do cidadão que deseja se divertir.

Os blocos também vão consolidando uma espécie de identidade do folião. Há os blocos que são a cara de um bairro, como o Barão de Itararé (Dirceu) ou o Dedim de Paçoca (Saci). E há os que reafirmam uma marca de irreverência (Sanatório Geral), de comunhão de culturas (Capote da Madrugada) ou de um segmento (Namorada do Sol, com mulheres à frente).

Qualquer que seja a região da cidade ou o segmento da cidadania, há um bloco que tem tudo a ver.

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