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Na pandemia, 7 estados aplicam na saúde menos do que lei determina

Durante a pandemia, os gestores estaduais têm apresentado um discurso comum: a Covid-19 vem provocando substancial aumento nos gastos com saúde. Alguns chegaram até a apontar um percentual próximo de 25% das receitas comprometidas com a guerra sanitária. Os números, no entanto, mostram uma realidade muito diferente e que nada menos que 7 dos estados, mesmo na pandemia, gastam com saúde menos do que o mínimo estabelecido por lei, que é de 12% das receitas correntes líquidas.

As Receitas Correntes Líquidas (no jargão administrativo conhecida como RCL) correspondem às receitas ordinárias provenientes da arrecadação própria do Estado (por exemplo, ICMS e IPVA) e os repasses constitucionais (como o FPE). Nas RCL não entram, por exemplo, empréstimos. Dessa bolada, os estados têm que destinar pelo menos 12% para a saúde, assim como os municípios devem aplicar 15% no setor. Mas as contas do primeiro semestre mostram que 7 estados aplicaram menos que esse percentual. Isso é particularmente grave tendo em conta que foi nesse período que a pandemia exigiu mais empenho financeiro.

Os estados que menos investiram em saúde foram Minas Gerais (7,7%) e Rio de Janeiro (8,1%). Os dois ficam com investimentos que ficam próximos de dois terços da obrigação – Minas abaixo disso e o Rio, um pouco acima, mas ambos muito longe da exigência legal. Já os estados que mais investiram foram Amazonas e Tocantins, segundo dados dos governos estaduais compilados pelo portal de notícias do Grupo Globo. Com um detalhe: o Amazonas destina à saúde mais de 20% das RCL, muito acima dos 12% exigidos.

O Nordeste tem um punico estado na faixa superior, com gastos acima de 14%: Pernambuco, que aplicou mais de 17% das RCL.

Dois do Nordeste não cumprem lei

O Piauí está entre os estados que destina à saúde mais que o percentual estabelecido em lei, embora sem muita folga: 13,2% das receitas líquidas foram aplicadas no setor. Isso coloca o Piauí na terceira posição no Nordeste e na 12ª no Brasil. Quanto aos estados nordestinos, um (Rio Grande do Norte) fica no estrito limite legal e dois outros não cumprem o percentual legal, mesmo em um período de pandemia em que todos afirmam ter aumentado substancialmente os gastos para enfrentar a grave situação sanitária.

O estado melhor posicionado na região é Pernambuco (3º do país), com 17,2% das receitas líquidas destinados à saúde. Em seguida vem o Ceará (11º do país com 13,3%) e o Piauí. Os dois estados da região que descumprem a lei são Sergipe (11,7%) e Paraíba (11,5%). Os gestores argumentam que o dado não deve ser levado muito em conta porque o percentual de 12% deve ser observado ao final do ano. Mas cabe ponderar: se não conseguiram manter esse nível de investimento no pico da pandemia, o que farão depois para chegar a esse índice? Contabilidade?  

Wellington aposta em manter 4 deputados hoje ligados a Ciro

Na refrega aberta com o grupo do senador Ciro Nogueira (PP), o governador Wellington Dias (PT) partiu de uma vez por todas para estreitar os espaços do adversário. E a primeira preocupação é manter junto do Karnak alguns dos atuais integrantes do time de Ciro, em especial aqueles com mandato legislativo, que estarão diretamente empenhados nas campanhas de 2022. Pelos cálculos palacianos, Wellington pode manter consigo 4 deputados hoje filiados ao Progressistas: Margarete Coelho, Wilson Brandão, Hélio Isaias e Firmino Paulo.

Para fazer valer essa estratégia, está conversando com cada um – de preferência, pessoalmente, olho no olho. Já esteve com três deles: Hélio Isaias, Wilson Brandão e Firmino Paulo. Em breve terá o tête-à-tête com Margarete Coelho, ainda em fase de isolamento após contrair a Covid-19. Nenhum dos interlocutores fala de ruptura com Ciro. Mas os palacianos estão animados com a possibilidade de pescar apoios importantes nas hostes progressistas, particularmente nesses quatro deputados.

O governador sabe que essa tarefa é muito difícil (alguns diriam impossível) no caso de outros progressistas, como Júlio Arcoverde, Iracema Portella, Lucy Soares, Bessah Filho e Belê Medeiros. Estes deixarão o governo e perderão os cargos que ocupam na estrutura administrativa. Já no caso de Margarete, Wilson, Hélio e Firmino, o primeiro aceno é com a manutenção de todos os postos que têm na administração estadual. Por exemplo, Margarete mantém a irmã Sádia Castro na secretaria de Meio Ambiente.

Essa continuidade no governo está atrelada ao compromisso de seguirem juntos em 2022.
 

Ciro refirma aliança com governo federal

O senador Ciro Nogueira não é muito de ocupar espaços na mídia nacional. Mas a ruptura com Wellington Dias garantiu ao senador espaços generosos, boa parte gerados a partir de sua iniciativa. Em quase todas as oportunidades, uma mesma mensagem: a aliança com o presidente Jair Bolsonaro. Inclusive foi mais que explícito ao defender o direito de Bolsonaro disputar a reeleição em 2022.

As manifestações de Ciro o vinculam diretamente ao governo central e o colocam como a principal referência da administração federal no Piauí. Isso se traduz em espaço para ação em uma área onde o senador se sente como um peixe dentro d’água: a liberação de verbas. Foi esta capacidade que o fez referência entre os prefeitos desde o governo Dilma, e sobretudo no período Temer. Quer repetir a dose agora, com Bolsonaro.

Brasileirão: começou o campeonato dos endividados

Começou ontem o Brasileirão 2020, o campeonato nacional de futebol que este ano, mais que em qualquer outro, pode ser chamado de campeonato dos endividados. Segundo relatório anual do Itaú-BBA, que analisa a saúde financeira dos 25 principais clubes de futebol do país, pouco mais de um quarto tem uma realidade considerada equilibrada. E com um detalhe agravante: o relatório diz respeito à situação lida no final do ano passado, quadro que – conforme adverte o documento – deve ter se agravado sensivelmente no primeiro semestre deste ano por conta da pandemia.

De acordo com o relatório, os clubes com finanças equilibradas são apenas 7, contra 18 que se situam no campo do desequilíbrio. O critério que coloca um clube de um lado ou de outro é o montante das dívidas de curto prazo em relação às receitas. O relatório aponta que uma dívida entre 30% e 40% acima das receitas já é uma situação complicada. Ainda assim, o documento coloca em situação de equilíbrio os que têm até 45% de receita comprometida com dívidas de curto prazo. E até esse divisor, só são 7.

A situação mais dramática é a do Sport Recife, cuja dívida de curso prazo corresponde a 339% das receitas. Esse balanço referente a 2019 tende a ficar pior, por dois motivos: primeiro, a pandemia que achatou as receitas previstas de todos os clubes; segundo, os gastos adicionais que o Sport está fazendo agora que voltou à Série A. A segunda pior situação é a do Cruzeiro, recém rebaixado, com dívida 224% maior que as receitas. O terceiro é o Botafogo (153%), seguido do Vasco (127%), Atlético Mineiro (125%) e Corinthians e Bragantino, ambos com 111%.

Os sete de bem com a vida são: Goiás (3% de dívida de curto prazo), Ceará (4%), Fortaleza (17%), Grêmio (25%), Flamengo (27%) e Bahia e Atlético de Goiás, os dois com 33%.

Sport faz campanha para atrair sócios

O Sport sabe das dificuldades que tem pela frente, muito além das quatro linhas. E as dívidas de curto prazo estão sufocando o clube: apesar de ter conquistado no ano passado o ascenso à Séria A, a falta de grana fez o time passar aperto no estadual a ponto de correr o risco de ser rebaixado para a 2ª divisão do pernambucano. Para tirar a corda no pescoço, o clube está com uma agressiva campanha para atração de sócios.

É uma campanha que vai muito além das fronteiras pernambucanas: quer ser uma paixão nordestina, tanto que vende o conceito de “maior do Nordeste”, inclusive com site assim registrado. Com as adesões, quer fazer caixa. Mas precisa de volume. E por isso os planos são para todos os bolsos, em oito formados diferentes com mensalidades de R$ 10 a R$ 385. Cada plano dá vantagens específicas, que vai de desconto na compra de ingressos até preferência na aquisição das entradas, bem como descontos na compra de material esportivo e atividades do clube.

Como Lula e Dilma, Wellington cria ‘um PAC’ para fortalecer Rafael

Disposto a enfrentar a candidatura de Ciro Nogueira (PP) ao governo do Estado em 2022, o governador Wellington Dias (PT) já tem o seu escolhido: é o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles. E Wellington usa aqui uma estratégia bem conhecida dos brasileiros, quando Lula escolheu Dilma Rousseff como sua candidata ainda dois anos antes da disputa de 2010. Rafael é “a Dilma de Wellington”, com direito a um PAC particular, no caso o que foi chamado ontem de “Pro-Piauí 2” – um conjunto de obras a ser coordenado pelo próprio secretário de Fazenda pelos próximos dois anos.

A ruptura com Ciro Nogueira foi o cenário que Wellington utilizou para iniciar a “operação 2022”, com o carimbo de Rafael Fonteles à frente das ações. Assim como Lula colocou Dilma para tocar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aqui será Rafael a assumir a função de tocador de obra, incomum para um secretário de Fazenda. Também caberá a Rafael – essa sim, uma tarefa mais afeita à pasta da Fazenda – o papel de interlocutor com o setor produtivo. A ideia é marcar nele o carimbo de realizador, assim como Lula fazia com Dilma: ela era a mãe das moradias, das estradas, das linhas de energia etc.

Aqui Rafael vai dividir com o próprio Wellington a paternidade de todas as ações que terão uma ideia comum: a revitalização econômica do Estado. Vai assumir até mesmo a “revolução na educação” prometida pelo governador a partir dos recursos do precatório do Fundef, uma bolada de R$ 1,65 bilhão. A escolha de Wellington mostra que o governador teve que fugir às suas características de deixar para depois, depois... até decidir na última hora quem são seus candidatos majoritários. Foi assim em 2010. Foi também assim em 2018.

Diante do visível avanço de Ciro Nogueira, o governador teve que antecipar o cronograma particular. E joga suas fichas em Rafael Fonteles.
 

Escolha praticamente encerra debate interno

No PT, nada se decide sem amplo debate. Mas a explícita estratégia de fortalecer Rafael Fonteles diminui muito a força do debate interno sobre quem vai ser o nome do partido para a disputa do Karnak em 2022. Rafael Fonteles recebe o aval de Wellington quase dois anos antes da data em que se espera que o governador deixe o cargo para uma possível candidatura ao Senado. Ou seja: toma a decisão em um momento em que ainda tem caneta cheia, muito cheia sobretudo depois do precatório do Fundef. E ninguém costuma ir contra uma caneta com tanta tinta.

Quem perde dentro do partido é Regina Souza, que já havia perdido há pouco mais de um mês seu principal defensor como alternativa ao Karnak – o deputado Assis Carvalho, falecido. O empenho claro de Wellington por Rafael tende a minar outros apoiadores de Regina. Para completar, muitos aliados (por exemplo, dentro do MDB) vem festejando a escolha do secretário da Fazenda, que começa agora pra valer a desempenhar seu papel de “Dilma do Wellington”.

Ciro agora é visto como avalista de Bolsonaro no Nordeste

A ruptura entre o senador Ciro Nogueira (PP) e o governador Wellington Dias (PT) ganhou repercussão nacional. E foi lido por alguns setores da mídia, como a rede CNN, como um empurrão a mais na relação do senador com o presidente Jair Bolsonaro, a ponto de transformá-lo em uma espécie de avalista do presidente na região Nordeste. Na aviação da rede de TV, Ciro e seu Progressistas têm a capilaridade que Bolsonaro busca, com um grande número de prefeitos na região.

Talvez seja excessiva a leitura sobre o papel de avalista a ser desempenhado pelo senador piauiense. Mas sem dúvida o episódio da ruptura com o governador do PT deve fortalecer a relação de Ciro com o governo federal, ele que já vinha dando mostras nos últimos dois meses do fácil trânsito que alcançou. A cada nova semana, o presidente do Progressista faz uma série de vídeos falando de liberação de recursos para municípios piauienses. Pretende, dessa forma, retomar um papel que já desempenhou em outros governos – o de carreador de recursos.

Ciro Nogueira transitava com desenvoltura pelos gabinetes ministeriais do governo Dilma, e com desenvoltura ainda maior no governo Temer. No governo do emedebista era tido como “um dos cinco grandes” da República, tamanha a facilidade de transitar pelos ministérios e pela força que demonstrava no Congresso. Com tanto poder, injetou recursos no Estado – tanto no governo de Wellington como na quase totalidade dos prefeitos.

Em 2018, Ciro colheu os frutos, recebendo o apoio de grande parte dos prefeitos piauienses. Agora tenta recobrar o poder. Pensando em colher novos frutos em 2022.
 

Bolsonado repete fórmula do PT

Para crescer no Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro quer usar uma fórmula já conhecida. E por caminhos também parecidos. O PT tomou o Bolsa escola, turbinou e criou o Bolsa Família, que gerou um apoio enorme ao partido especialmente no Norte e Nordeste. Agora Bolsonaro quer pegar o programa petista, dar alguma turbinada e transformá-lo no Renda Brasil. As condições não são as mesmas: ao invés dos preços altos das comodities, o atual governo tem uma crise sem precedente e tem dificuldade até mesmo para estender o auxílio emergencial por alguns meses.

Mas, mesmo com todas as dificuldades, o Ministério da Economia segue fazendo cálculos para assegurar o Renda Brasil. E os cálculos não passam ao largo da discussão sobre a tributação do comércio digital. Tudo isso vai bater no Congresso, onde o governo não tem vida fácil: nem mesmo o apoio do Centrão (ou de parte do grupo) dá tranquilidade ao governo para fazer valer suas propostas. E isso é um enorme complicador na intenção de parir o renda Brasil e asfaltar o caminho da popularidade no Nordeste.

Wellington muda estilo e se arma contra Ciro, de olho em 2022

O governador Wellington Dias (PT) mudou o estilo. E tudo dentro do roteiro que leva a 2022, quando espera ter pela frente o grupo liderado pelo senador Ciro Nogueira (PP). E já que a situação é irreversível, eis que surge o novo Wellington: ao invés do político que nunca comprava briga com ninguém e se dispunha sempre à conciliação e congregação, o governador puxou a peixeira. Forçou o rompimento de Ciro com o governo e, também dentro de um novo estilo, passou a investir pesado nas eleições municipais, particularmente a de Teresina.

Wellington chegou ao governo exatamente pela capacidade de não brigar: em 2002, quando a oposição (órfã das negativas de Firmino e outros) se ressentia da falta de alternativas, ele foi lembrado. Vinha da esquerda (à época) barulhenta mas não metia medo precisamente pela flexibilidade e maciez. Em 2014, quando deixou o governo de Wilson Martins, de fato “foi deixado”. Também naquele momento não puxou a peixeira. Em 2018, fez-se surdo às provocações de todos os lados e conservou a enorme barca de aliados – uma barca que muitos previam naufragar mas que Wellington manteve a flote.

Agora ele parte para o confronto. Viu que não adianta apostar a possibilidade de união com Ciro em 2022, tanto pelo fator local como pelo cenário nacional onde o líder do PP é cada vez mais bolsonarista. Fato consumado, faltava oficializar. Ele forçou a oficialização. E agora parte para fortalecer sua base e enfraquecer a de Ciro. E tem dedicado especial atenção a Teresina, onde o PT (sobretudo Wellington) nunca fez cavalo de batalha. Aqui o PT só alcançou votação razoável (acima de 20%) em duas das 9 eleições.

Mas agora Wellington quer ganhar Teresina, mesmo que seja com Dr. Pessoa. Será uma forma de tirar chão do adversário de 2021: Ciro Nogueira.
 

Aposta na ‘revolução do Fundef’

O grupo que comanda o governo do Estado, Wellington Dias à frente, reconhece que o tempo gera desgaste. Mas aposta alto em uma forte recuperação com um conjunto de ações programadas para os próximos dois anos. No centro dessas ações estão os recursos do precatório do Fundef, que soma R$ 1,65 bilhão. Nos dizeres de Wellington, vai ser feita uma revolução na educação. Mas com efeito político muito além do educacional, já que a aplicação da bolada do Fundef passa por um vistoso calendário de obras.

A intenção é transformar o estado em um canteiro de obras. E permitir que essas ações impactem sobre o fator que tende a ter muito peso nos próximos meses, até pelo menos o final do próximo ano: a geração de emprego. Depois de uma década com três anos (2015, 2016 e 2020) de queda vertiginosa da atividade econômica, o emprego segue entre as prioridades dos brasileiros. E no Piauí o governo de Wellington Dias quer dar respostas principalmente com os recursos do Fundef – um dinheiro que não precisa mais das bênçãos de Ciro, o homem que nos últimos anos foi o principal carreador de verbas para o Piauí, inclusive para o governo petista.

Ciro vai controlar distribuição de R$ 140 milhões do PP nas eleições

O Progressistas do senador Ciro Nogueira informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os critérios que vai adotar para distribuir os recursos que cabe ao partido no bolo de R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral. E no PP não tem discussão: a distribuição vai ser feita através da Executiva nacional do partido, o que confere a Ciro um poder significativo na definição do destino de cada centavo proveniente do Fundo Eleitoral. Outros partidos adotam estratégia semelhante, concentrando boa parte dos recursos nas mãos do comando da sigla.

O PP é a quinta maior fatia do bolo do Fundo Eleitoral, com R$ 140,2 milhões. Antes vem o PT (R$ 200,9 milhões), o PSL (R$ 193,6 milhões), o PSD (R$ 157,1 milhões) e o MDB (R$ 154,8 milhões). No total são 33 partidos com direito a uma parcela do Fundo, mas um deles (o partido Novo) não aceitou os recursos que somariam R$ 36 milhões. Conforme a legislação, cada sigla deve informar ao TSE os critérios de distribuição do dinheiro.

No caso do partido de Ciro Nogueira, 100% do repasse do Fundo Eleitoral serão divididos conforme as decisões da Executiva Nacional. No caso do PSL, metade (cerca de R$ 99 milhões) fica nas mãos da Executiva. A outra metade será dividida privilegiando algumas lideranças, como a deputada Joyce Hasselmann, pré-candidata à prefeitura de São Paulo. O Solidariedade  também destinará cerca de dois terços dos recursos (ou R$ 46 milhões) através das decisões da Executiva nacional da sigla.

Essa estratégia fortalece as grandes lideranças partidárias, que podem distribuir os recursos conforme a leitura das candidaturas no desenrolar das campanhas.
 

Dois partidos concentram um quinto do Fundo

A concentração de recursos em poucas mãos não é um problema das executivas partidárias: as próprias regras eleitorais no país ajudam a concentrar o dinheiro do Fundo Eleitoral. Apenas duas siglas (o PT e o PSL) concentram cerca de um quinto de toda a bolada do Fundo Eleitoral. No ranking dos 33 que têm direito aos recursos, 10 partidos concentram mais de 71% da bolada destinada para as campanhas eleitorais deste ano. É particularmente significativo o caso do PSL: o partido tem hoje 41 deputados federais, quase 8% da Câmara. Mas tem quase 10% dos recursos. O detalhe adicional é que, desses 41, muitos são bolsonaristas que seguem lá porque não podem sair. Na hora da divisão dos recursos, não serão nem lembrados pela Executiva.

Lideranças como Joyce Hasselmann, no entanto, se fortalecem com essa partilha. E o partido quer turbinar suas candidaturas espalhadas pelo Brasil. Quando esteve em Teresina no mês passado, Joyce disse que a sigla daria poder de fogo ao candidato a prefeito da capital que venha a ter o apoio do PSL. Olhando os números e a forma de distribuição definida, a deputada não parece estar blefando.

Após safra 7% maior, produtores de soja apostam em nova alta

Os produtores de soja dos cerrados piauienses esperam uma expansão de área cultivada entre 5% e 10%, em relação ao que foi plantado na safra que acabou de ser colhida. A expectativa é, assim, de um aumento de produção. Nessa última colheita, a chamada safra 2019/2020, os produtores de soja registraram um crescimento de 7% na tonelagem total. Em 2019, a safra somou 2,325 milhões de toneladas do grão, passando agora para algo em torno de 2,490 milhões de toneladas.

O aumento de área plantada é o primeiro indicador de uma safra maior, embora outros fatores possam interferir no resultado final, como o regime de chuvas. A colheita passada, por exemplo, embora com uma área maior, não superou o volume de soja colhido na safra 2017/2018, o maior já registrado no estado. Aquela safra teve um regime de chuvas considerado perfeito, o que implicou em aumento de produtividade.

Segundo Alzir Neto, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja), o aumento de área plantada varia de uma região para outra. Mas aposta em uma média entre 5% e 10%. No caso de Baixa Grande do Ribeira – o município que mais produz soja no Piauí – as projeções apontam para uma ampliação de 10% na área plantada. A grande preocupação do setor, já com vistas à próxima safra, é com os insumos: a pandemia está comprometendo a logística.

Os portos (como o de Itaqui, no Maranhão) praticamente fecharam e os insumos não chegam aos produtores.
 

40% da futura safra já está comercializada

A logística e a cotação do dólar preocupam os produtores. Alzir Neto observa que 80% dos insumos são importados e sofrem o impacto tanto da logística emperrada como do dólar em alta. Além disso, esses insumos são determinantes para a alta produtividade e representam cerca de 50% do custo total da produção. No final dessa contabilidade, segundo o presidente da Aprosoja, os custos sobem cerca de 5% em relação à safra anterior.

Apesar dessas preocupações, os produtores seguem animados com a sequência de boas safras nos cerrados piauienses. E projetam bons resultados também com a safra que começa a ser plantada a partir do final de outubro. Segundo Alzir Neto, 40% da safra futuro já estão comercializados, um elemento tranquilizador para a cadeia produtiva. Vale ainda lembrar, a soja representa mais da metade da produção de grãos do Piauí, seguida do milho, que responde por mais de 40%.

Pandemia vai levar UFPI a atrasar pelo menos um semestre

Foto: Cidade Verde

Os alunos da Universidade Federal do Piauí (UFPI) vão atrasar pelo menos em um semestre o cronograma imediato de desenvolvimento de seus cursos em razão da pandemia do novo coronavírus. Isso porque a retomada das atividades suspensas em março não ocorrerá, sequer pelo modelo de ensino remoto, antes de meados de outubro, já que a UFPI inicia na próxima semana um período especial que avança pelos próximos três meses. O detalhe é que esse período especial não tem caráter obrigatório e a expectativa é que no máximo um terço dos alunos estará matriculado, e mesmo assim em um número limitado de disciplinas.

A Federal do Piauí retomou as aulas do primeiro semestre deste ano – denominado internamente como 2020.1 – dia dois de março. Mas não as atividades foram suspensas duas semanas depois em razão da pandemia. A proposta de retomada do período através de aulas remotas foi rejeitada pela maioria da comunidade universitária por razões que vão desde a falta de condições adequadas para produção de material de didático até, e principalmente, pela baixa inclusão digital dos alunos.

Como o semestre especial – que internamente é chamado de 2020.3 – vai até a primeira semana de outubro, a expectativa mais otimista é que o semestre 2020.1 só será retomado no final de outubro ou no início de novembro. Isso se for retomado, já que essa decisão depende das orientações na área sanitária. Mesmo que o retorno ocorra até novembro, o período 2020.1 terminaria já em 2021, o que atropelaria o segundo período de 2020. O reitor da UFPI, Arimateia Dantas, não dá o tema por encerrado, mas reconhece as dificuldades.

E admite que a retomada das aulas do período normal deve acontecer em um sistema híbrido – com aulas presenciais e remotas.

Minoria fará período especial

As matrículas do período especial ainda estão ocorrendo, para início das aulas na próxima semana, mas as projeções apontam que o período 2020.3 deverá ter cerca de um terço dos alunos matriculados. Ou menos. Isso porque as aulas são remotas e muitos alunos acusam limitações no acesso às aulas pelo sistema digital: por exemplo, boa parte dos estudantes acessa a internet apenas pelo celular. Além disso, nem todas as disciplinas estão sendo ofertadas, havendo casos de cursos que se negaram a participar do período extra pelas limitações na instituição e entre os alunos.

O período extra, o chamado 2020.3, é uma tentativa de levar atividade aos alunos em meio à pandemia. Mas ganha essa nomenclatura para caracterizar que se trata de uma oferta que não se confunde com os períodos regulares e obrigatórios – o 2020.1 e o 2020.2. Por isso também não é obrigatório. Todas as limitações levam ao atendimento de um universo pequeno, que pode ficar abaixo de um terço dos estudantes de graduação.

Uespi pode atrasar dois semestres

A Universidade Estadual do Piauí também enfrenta sérios problemas. Enquanto a UFPI suspendeu um semestre iniciado apenas duas semanas antes, a Uespi não chegou nem mesmo a iniciar o primeiro período do ano. A Estadual realizou a chamada matrícula institucional, mas não chegou a definir as disciplinas e os matriculados em cada uma. Diante da pandemia, a Uespi segue as orientações sanitárias e ainda não decidiu sobre a volta às atividades em sala de aula. A expectativa é que, quando retornar, o faça pelo modelo híbrido, com parte das aulas presenciais e outra parte de ensino remoto.

Projeto social em bairro de Teresina ganha apoio da Fiocruz

Um projeto social da Associação Fraternidade O Amor é a Resposta foi selecionado pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) em um edital que contemplou iniciativas de apoio comunitário no período da pandemia. O projeto denominado “Cuidando uns dos outros em tempo de crise” começou a ser executado no mês de julho e se estenderá até o mês de outubro, atendendo famílias da Vila Ferroviária, localizada entre a ponte da Ilhotas e as proximidades da entrada para a Floresta Fóssil, no acesso pela Zona Sul.

A seleção feita pela Fiocruz escolheu projetos sociais em todos os 26 estados e no Distrito Federal. No caso do projeto da Fraternidade O Amor é a Resposta, ele tem uma atuação direta na segurança alimentar, através da distribuição de cestas básicas para famílias vulneráveis, e também com a presença de seis mulheres que atuam de forma sistemática junto à comunidade dando apoio às situações emergenciais. Conforme Rita Lisboa, uma das coordenadoras da Associação, esse apoio atende às demandas mais diversas.

“Surgem demandas como a orientação para a solicitação do auxílio emergencial e até questões de violência doméstica”, explica Rita. Para isso, a associação atua com as seis mulheres da própria comunidade, dialogando com as famílias. “É por isso que o programa de chama ‘cuidando uns dos outros’, porque pessoas da própria comunidade estão atuando para superar problemas dentro da comunidade”, disse. Entre as mulheres, há assistentes sociais e também psicólogas.

“A pandemia afetou muito essas famílias”, ressalta, observando que há muito trabalho a ser feito.
 

Um drama que cresce com a pandemia

Não precisa de pandemia para se verificar que é dramática a situação de comunidades como a Vila Ferroviária. Há carências na estrutura das ruelas e das casas amontoadas. E fragilidade enorme em um ambiente onde muitos, quanto têm emprego, são relações informais. Com a pandemia, o drama ficou mais intenso, sobretudo porque muitos perderam até mesmo o emprego informal ou viram desparecer a fonte de renda que garantia a comida em casa. É essa realidade que a Associação Fraternidade O Amor é a Reposta encontra em seu trabalho e justifica o projeto selecionado pela Fiocruz.

Na atuação junto à comunidade da Vila Ferroviária, o projeto vem encontro uma demanda crescente no campo psicológico. O próprio isolamento já deixa sequelas. E sequelas ainda maiores surgem com os efeitos econômicos de famílias que viram minguar ou mesmo desaparecer os poucos recursos que tinham. A ação da Fraternidade tenta atenuar esse drama, e também fortalecer as relações comunitárias em que uns ajudam os outros.
Para quem deseja maiores informações e apoio à associação, a sede fica na rua São Lourenço, bairro Ilhotas. O telefone de contato é o 3217.8334.

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