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Na hora da ‘rapa do tacho’, Themístocles vai a Temer

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho (MDB) vai inaugurar na terça-feira a operação “rapa tacho”, aquela quando os políticos tentam aproveitar a proximidade do fim de ano para conseguirem algum recurso extra para suas bases. Themístocles terá audiência com o presidente Michel Temer, de quem é amigo de longas datas. 

Themístocles vai à audiência acompanhado do filho Marco Aurélio Sampaio (MDB), que acaba de ser eleito deputado federal. Uma estreia e tanto: no Palácio do Planalto, ainda que falando com um presidente em fim de mandato e com aprovação pelo chão. Mas se o fato de ser fim de mandato é uma desvantagem para Marco Aurélio, é sim uma vantagem para Themístocles.

O presidente da Assembleia vai levar debaixo do braço reivindicações. Entre elas, claro, a conclusão do asfaltamento da BR 222, uma velha debanda da região Norte do estado que o deputado tomou como causa própria. Também vai levar ao presidente outras quatro reivindicações, relacionadas a infraestrutura e educação – no caso, a expansão do Campus da Universidade do Delta para Esperantina.

O cálculo de Themístocles é que não adianta levar 10 ou 20 cobranças para uma audiência desse tipo. É tanta coisa que não sai nada. Daí, diz, tem que levar um número factível – e ele chegará com seus cinco pedidos em uma pasta com os detalhes de cada um: custo, ministério a que está vinculado a ação, tempo de realização, estágio e procedimento que falta para tudo se concretizar.

Dessa forma, quer tirar um pouco da rapa do tacho de Temer, um tacho que já não anda tão farto. E que tende a ficar mais limpo nos próximos três meses porque não é apenas fim de ano. É fim de mandato.



Marco Aurelio Sampaio: recém-eleito deputado federal, estreia em Brasília em audiência com o presidente da República
 

Marco Aurélio vai priorizar esporte e qualificação jovem

A ênfase em projetos educacionais que Themístocles Filho dará na audiência com o presidente Michel Temer não será apenas por desejo próprio. Será também por uma das prioridades que o recém-eleito deputado Marco Aurélio Sampaio quer imprimir em seu mandato. Marco Aurélio tem algumas linhas de atuação projetadas, como desenvolvimento regional, saúde preventiva e combate às drogas. Mas vai ter olhar muito específico para a juventude.

Nessa linha, pretende juntar cultura, esporte e qualificação para o mercado de trabalho. Daí a ênfase na educação, que enxerga como fundamental para a inserção diferenciada no mercado de trabalho. Segundo Marco Aurélio, há um clamor pela geração de emprego. E aí ele quer juntar as peças: desenvolvimento, educação de qualidade e qualificação para o trabalho.

Essas prioridades ele já vai começar a empunhar na audiência com Michel |Temer. Resta saber se da árvore de Temer ainda pode sair algum fruto.

Candidatos fracos ampliam dúvidas sobre o Brasil de 2019


Fernando Haddad e Jair Bolsonaro: discursos desencontrados e propostas imprecisas aumentam dúvidas sobre o futuro

 

As eleições costumam trazer dúvidas sobre os rumos do país, ainda mais quando são “novatos” os postulantes ao principal cargo executivo da Nação. Mas este ano a dúvida ganha uma dimensão ainda maior. A razão é a falta de liderança dos candidatos que chegam, ao segundo turno da disputa pelo Palácio do Karnak. Os candidatos são fracos. E as dúvidas ganham força.

Quando se diz que os candidatos são fracos não tem nada a ver com capacidade técnica, nem mesmo com a força popular. Fernando Haddad (PT) é apontado como tecnicamente capacitado. Jair Bolsonaro (PSL) tem a força popular. Mas ambos carecem de liderança, carente de ressonância substantiva junto aos principais setores do país.

Haddad fala para alguns públicos referenciais, mas por procuração – pelo PT ou por Lula. Mas tanto PT quanto Lula já não têm a força de antes. Se comparado com 2010, há um abismo de distância: à época, Dilma Rousseff carregava uma aura de boa gestora (o que Haddad construiu no MEC e desfez na prefeitura de São Paulo). E tinha o aval de Lula, que Haddad tem – mas Lula hoje é uma sombra do que foi. O próprio PT se desgastou, e basta ver que conseguiu o seu 3º pior desempenho de um primeiro turno nas 8 eleições presidenciais.

Bolsonaro sequer se esforça para dialogar com as instituições, ainda que muitas delas estejam desejosas desse diálogo – em grande parte, por ver nele o futuro presidente. É possível que Bolsonaro recorra a essa estratégia por uma questão eleitoral e que, caso seja mesmo eleito, logo estenda pontes para diversos setores sociais e políticos. Mas até lá, ele ajuda a alimentar as dúvidas.

Dúvidas que são grandes tanto no campo político (onde quem quer que seja o eleito enfrentará muitas dificuldades) como no econômico. Nesse caso, a insegurança aumenta diante das falas superficiais dos candidatos. E mais ainda pelas divergências que têm frente às crenças e falas de seus gurus econômicos.
 

Divergências ficam bem visíveis

Setores do empresariado como a Confederação Nacional da Indústria têm repetido uma reclamação: ninguém sabe o que esperar dos candidatos em matéria de economia. Essa falta de um horizonte minimamente palpável pode ser lida por três motivos. Primeiro, os planos de governo que são propostas inacabadas e genéricas. Segundo, as falas dos candidatos, imprecisas e oportunistas (por exemplo, defender uma reforma da previdência que “corta privilégios” sem dizer o que é isso). Terceiro, as divergências entre candidatos e assessores econômicos.

No caso de Bolsonaro, os assessores (e o plano de governo) falam em vender estatais, mas o candidato acabou de criticar a venda da Eletrobrás. Para completar, diz que estatais como BB, CEF e Petrobrás estariam fora. Ou seja: enterrou a proposta. No lado de Haddad, a assessoria econômica negava a necessidade de reforma da previdência. O candidato diz que fará, sem dizer qual – talvez interessado somente em atrair simpatias junto a investidores.

Seja qual for a intenção das falas, os desencontros ampliam as dúvidas.

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Recomeça propaganda eleitoral, promessa de muita baixaria

 

Recomeça propaganda eleitoral, promessa de muita baixaria


Jair Bolsonaro: depois dos 7 segundos do primeiro turno, dois blocos diários de 5 minutos de propaganda eleitoral no rádio e na TV

 

Recomeça hoje a propaganda no rádio e na TV dos candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial. E a promessa é de muita “propaganda de ataque”, como chamam os estudiosos para a muito conhecida “baixaria”. As propostas que não apareceram no primeiro turno tendem a ficar ausentes no segundo turno, ou pelo menos em uma posição subalterna. A desqualificação do adversário deve ser a tônica.

Historicamente, a etapa de segundo turno de uma eleição costuma ser mais agressiva. É o tudo ou nada. E, como no futebol, o ataque costuma ser a melhor defesa. Isso se faz presente especialmente na propaganda de um candidato com ampla desvantagem.

Neste segundo turno, a ampla desvantagem é de Fernando Haddad (PT). Deve partir para desqualificar Jair Bolsonaro (PSL). Mas não deve ter flores como resposta. O estilo Bolsonaro é hard. E não deve sequer esperar os ataques para também atacar.

O ânimo dos dois candidatos já pode ser visto desde segunda-feira nas redes sociais, com troca aberta de acusações. O detalhe é que ambos se acusam de agredir a democracia. Curioso, né?

A novidade é que Bolsonaro, enfim, terá espaço de propaganda. No primeiro turno eram segundos simbólicos. Agora terá tempo de sobra para dizer o que pensa. E o eleitor está ansioso para saber o que efetivamente ele pensa.
 

Bloco terá 5 minutos para cada candidato

A propaganda eleitoral no rádio e na TV, neste segundo turno, vai garantir um bloco de 10 minutos para os candidatos à Presidência: 5 minutos para cada um, duas vezes por dia. No rádio, os blocos vão ao ar às 7h da manhã e às 12h. Na TV, às 13h e às 20h30. Ao contrário do primeiro turno, que alternava dias, no segundo turno a propaganda é diária – de segunda a sábado.

Além disso, os candidatos terão direito a inserções de 30 segundos no rádio e na TV. Se este ano repetir a prática dos anos anteriores, a baixaria estará presente especialmente nas inserções. Nelas o candidato ataca sem deixar tão evidente quem é o agressor.

Fica claro apenas quem apanha. Quem bate, nem tanto.

5 deputados do Piauí vão buscar novo partido


Teresina Brito: eleita pelo PV, pode buscar nova sigla para ter acesso a espaços de propaganda e Fundo Partidário

 

A cláusula de barreira deverá levar cinco deputados do Piauí a novas siglas. Um deles é a deputada federal Dra. Marina Santos (PTC). Os outros quatro foram eleitos para a Assembleia Legislativa: Fernando Monteiro (PRTB), Evaldo Gomes (PTC), Teresina Brito (PV) e Oliveira Neto (PPS). Se permanecerem nas siglas pelas quais foram eleitos, eles não perderiam os mandatos, mas deixariam de ter acesso a espaço de propaganda no rádio e TV e aos recursos do Fundo Partidário.

A mudança de partido é prevista na legislação, no caso de eleitos por siglas que não atingiram a clásula de barreira. A regra estabelece a seguinte barreira para esta eleição: pelo menos 1,5% dos votos nacionais para a Câmara dos Deputados, com 1% da votação estadual em pelo menos nove unidades federativas; e a eleição de nove deputados, em nove estados diferentes.

Dos 30 partidos que elegeram representantes na Câmara dos Deputados, 14 não alcançaram esse umbral. Assim, os deputados desses partidos têm que buscar novas alternativas ou optarem por permanecer em uma legenda sem Fundo Partidário e sem tempo de propagandfa.

Confira a situação dos partidos que não passaram da cláusula mas elegeram deputados no Piauí:

PTC: Tem dois representantes na Câmara dos Deputados. Aqui, elegeu um federal (Dra. Marina Santos) e um estadual (Evaldo Gomes). Pode se fundir com o Patriota, PHS e PRP, somando 17 deputados. Mas os representantes do PTC no Piauí têm convites de filiação a partidos maiores. Evaldo e Marina vão decidir o futuro em comum acordo.
PPS: Elegeu 8 deputados federais. No Piauí, tem um deputado estadual (Oliveira Neto). No plano nacional, a sigla rejeita PT e PSL. No plano local, Oliveira tem afinidade total com o governo e deve migrar para uma sigla próxima ao Karnak.
PV: Elegeu 4 deputados federais. No Piauí, tem um único deputado estadual (Teresa Brito). Teresa tende a seguir os passos do PV nacional, mas também não está descartada a migração para outra sigla.
PRTB: Não elegeu um único deputado federal. Aqui, tem um deputado estadual (Fernando Monteiro). Aliado do Karnak, deve migrar para uma sigla governista.

Merlong deve assumir vaga na Câmara dos Deputado


Merlong Solano: próximo a Wellington, pode ser chamado a assumir cadeira na Câmara dos Deputados

 

Os aliados do governador Wellington Dias (PT) ainda não têm um sinal claro do encaminhamento a ser adotado na formação do novo governo, a partir de janeiro. As expectativas são sobretudo para a composição do primeiro escalão, e mais ainda para a utilização de deputados eleitos no comando de secretarias. Por enquanto, o que há de mais concreto são as declarações do governador, após a eleição para o quarto mandato.

Em entrevista à TV Cidade Verde, na segunda-feira, antes de seguir para São Paulo, o governador deu duas pistas:

• Vai reduzir a estrutura do Estado, mas nada muito radical;
• Vai chamar menos deputados que no atual governo, já que começa com uma ampla maioria na Assembleia.

As especulações iniciais no ciclo palaciano indicam que talvez chame um único deputado federal e quatro a cinco deputados estaduais. No caso da Câmara Federal, isso deve abrir uma vaga para Merlong Solano (PT), um dos mais próximos aliados de Wellington.

Vale lembrar, em 2014, Merlong foi (a pedido de Wellington) levado a dersistir de uma bem pavimentada reeleição na Assembleia para substituir Jesus Rodrigues como integrande da chapa a deputado federal. Ficou na segunda suplência. Mesmo assim, foi chamado a assumir o Legislativo e em seguida deixar a cadeira vaga para acomodar Mainha, um aliado já próximo de Ciro Nogueira.

Naquele momento, Wellington precisava somar musculatura política. Agora é bem diferente: tem apoio de sobra. E, como primeiro suplente, Merlong deve ser chamado a assumir uma vaga dna Câmara. Mas desta vez sem precisar sair: Merlong poderá ser um reforço do PT e de Wellington a partir de fevereiro, na Câmara dos Deputados.
 

Quem pode ser chamado

No governo atual, Wellington chamou dois deputados federais. Agora deve chamar um. A ordem dos três primeiros suplentes na aliança governista é a seguinte:

1º – Merlong Solano (PT)
2º – Paes Landim (PTB)
3º – Mainha (PP)

Na Assembleia Legislativa, quem está feliz da vida é B. Sá (PP), que ficou na 1ª suplência. Confira a lista dos sete primeiros suplentes da aliança governista:

1º – B. Sá (PP)
2º – Warton Lacerda (PT)
3º – Ziza Carvalho (PT)
4º – Cícero Magalhães (PT)
5º – Belê Medeiros (PP)
6º – Elisângla Moura (PCdoB)
7º – João de Deus (PT)

 

Carlos Augusto é nome mais cotado para Segurança


Coronel Carlos Augusto, quando comandante da PM: possibilidade de ser chamado para a Segurança

 

O governador Wellington Dias (PT) deveria ter hoje à tarde a primeira reunião com seu grupo político para encaminhar a campanha em segundo turno a favor de Fernando Haddad. E também para avaliar o processo eleitoral local recém-encerrado, quando conquistou o quarto mandato no Palácio de Karnak.

A reunião também deveria ser o ponto de partida de discussão do próximo governo, inclusive quanto às intenções de Wellington na redefinição do seu staff adminsitrativo. Nesse quesito está a possibilidade de usar deputados eleitos como integrantes de seu primeiro escalão. Um nome que vem sendo sistematicamente repetido no círculo próximo ao governador é do coronel Carlos Augusto, que pode assumir a Secretaria de Segurança.

Carlos Augusto foi comandante da PM e tem grande proximidade do governador, a quem acompanha desde o primeiro mandato. Nesse sentido atenderia a dois critérios considerados fundamentais para Wellington: conhecimento na área e ser de estreita confiança. Se Wellington assim decidir, não terá voz dissonante. Muito pelo contrário.
 

Poucos deputados serão chamados

No governo atual, Wellington utilizou vários deputados para compor seu primeiro escalão. Um deles, o deputado Fábio Abreu, ocupou precisamente a Secretaria de Segurança. Rejane Dias ocupou a poderosa secretaria de Educação, o que abriu espaço para os suplentes Silas Freire e Merlong Solano, que logo se licenciou para acimodar Mainha. No caso da Assembleia Legislativa, foram convodados até 11 nomes simultaneamente.

O governador já manifestou a intenção de chamar menos deputados, já que não precisa construir uma maioria legislativa: a aliança governista elegeu 8 federais e 24 estaduais. Os cálculos iniciais indicam que tende a chamar um nome entre os eleitos para a Câmara dos Deputados e quatro a cinco da Assembleia.

Votação do PT retorna ao patamar de 1994

 

Desde 2002, o PT chegou ao segundo turno em todas as cinco eleições presidenciais. Mas o resultado deste ano tem duas importantes diferenças. A primeira é que o partido chega à segunda volta sem ser o líder de votação. A segunda diferença, certamente mais preocupante, é que chega em uma enorme desvantagem. Para completar, o PT deu um grande passo atrás e voltou a ter percentual de votos abaixo dos 30%, coisa que não acontecia desde 1994.

O ápice do desempenho de votos do PT nas eleições presidenciais foi em 2006, quando Lula chegou a 48,61% dos votos válidos no primeiro turno. A partir daí começou um decréscimo que culmina agora com os 29,28% dos votos válidos alcançados por Fernando Haddad. Esse desempenho é pouco acima dos 27,07% de Lula em 1994. Está abaixo dos índices registrados nas cinco campanhas seguintes.

Este é o desempenho do PT, em primeiro turno, desde 1989:
1989 – Lula, 17,18% (foi para o segundo turno e perdeu para Fernando Collor)
• 1994 – Lula, 27,07% (perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso)
• 1998 – Lula, 31,71% (perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso)
• 2002 – Lula, 46,44% (foi para o segundo turno e venceu José Serra)
• 2006 – Lula, 48,61% (foi para o segundo turno e venceu Geraldo Alckmin)
• 2010 – Dilma, 46,91% (foi para o segundo turno e venceu José Serra)
• 2014 – Dilma, 41,59% (foi para o segundo turno e venceu Aécio Neves)
2018 – Fernando Haddad, 29,28% (vai para o segundo turno contra Jair Bolsonaro).

Claramente, o PT voltou ao patamar de 1994, quando Lula foi derrotado logo no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Naquela disputa, FHC alcançou 54,24% dos votos válidos. Agora em 2018, Bolsonaro teve 46,03%. Talvez não tenha vencido logo no primeiro turno pela presença de nomes como Ciro Gomes (PDT), que teve 12,47% dos votos válidos. Em 1994, o terceiro colocado foi o folclórico Eneas Carneiro (PRONA), que alcançou 7,38% dos votos.

O PT terá ainda que superar uma barreira histórica: das sete eleições presidenciais anteriores, houve segundo turno em cinco. Em cada uma delas, o vencedor do primeiro turno foi também o vencedor da disputa final.
 

Partido terá que enfrentar a autocrítica

Seja qual for o resultado do segundo turno, as eleições deste ano devem gerar uma profunda discussão interna no PT. Se o resultado for a derrota para Jair Bolsonaro, a discussão deve ser ainda mais profunda. O partido vem perdendo eleitor desde 2006 e viu agora importantes referências – Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, Lindbergh farias, Fernando Pimentel – ficarem sem mandato.

Para completar, Lula está condenado e preso. O mito em torno do ex-presidente até pode ser fortalecido, mas pode não render mais tantos votos em eleições futuras. E tudo isso obriga o partido a se repensar.

Desde o mensalão, há mais de dez anos, muita gente dentro do PT cobra autocrítica. Não aconteceu. Mas talvez agora aconteça, por absoluta necessidade.

Luciano Nunes anuncia apoio a Bolsonaro


Luciano Nunes: deputado diz que apoia Bolsonaro para evitar a volta do PT, que aponta como pai da crise vivida pelo país

 

Candidato do PSDB ao governo do Estado na eleição de domingo passado, o deputado Luciano Nunes anunciou à coluna que vai apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da disputa pela presidência da República. O deputado diz que o momento vivido pelo país é muito grave e que seria um desserviço ao Brasil optar pelo silêncio ou por decisão nenhuma.

“Não podemos ficar de espectadores, fazendo de conta que não temos nada com isso. Temos sim, porque temos responsabilidades com o país”, disse. Daí, vai fazer a opção por uma alternativa que considera um novo rumo.

A avaliação de Luciano é que a situação vivida pelo Brasil, com uma crise econômica sem precedentes que já dura mais de cinco anos, está diretamente ligada ao PT. “O PT é dono dessa crise. O PT é o pai do desemprego, da saúde precária e da falta de segurança”, disse. Por isso, vê como “sem sentido” apostar na volta de um grupo de gerou essa situação “extremamente grave”.

Luciano afirmou que sua posição não tem nenhum vínculo com espaço em um futuro governo de Bolsonaro. Ainda assim, o deputado acredita que o apoio pode ir além do plano eleitoral, contribuindo na definição de diretrizes para próximo governo.

Ouça o áudio


 

Posição coincide com Robert e Wilson

PSDB, PSB e DEM do Piauí querem mostrar alinhamento também na hora de anunciar o apoio à candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. Os três estiveram juntos com as candidaturas de Luciano Nunes ao governo e de Wilson Martins (PSB) e Robert Rios (DEM), ao Senado.

As três lideranças acumularam divergências com o governo do Estado, comandado pelo petista Wellington Dias. E vêem na candidatura de Fernando Haddad a repetição das mesmas "receitas amargas" que levaram o Brasil à mais grave crise econômica da história. As lideranças das três siglas no Piauí querem apostar em uma receita diferente, que leve o Brasil a uma situação de mais equilíbrio, longe das crises e de retomada do desenvolvimento e do emprego.

 

Pela sobrevivência, partidos já negociam fusões

A redução do número de partidos que muitos esperavam para esta eleição não aconteceu nas urnas. Mas deve começar a se materializar nas próximas semanas, quando os partidos que não alcançaram as regras da cláusula de barreira vão começar a buscar a sobrevivência financeira, fundamental para a meta princvipal – a sobrevivência política. Os primeiros contatos para fusão já estão em curso, tendo à frente Patriota, PTC, PHS e PRP.

As regras eleitorais aprovadas no ano passado estabeleceram a cláusula de barreira, que exige um desempenho mínimo para o partido ter direito aos recursos do Fundo Partidário e a tempo de propaganda no rádio e TV. A intenção é reduzir o número de siglas. A barreira para a eleição deste ano determina uma votação mínima de 1,5% do total de votos para a Câmara dos Deputados em todo o Brasil, com pelo menos 1% em nove estados. Também exige a eleição de pelo menos 9 deputados, também em estados diferentes.

A votação do domingo apontou que 16 partidos elegeram 9 deputados ou mais. Mas há casos como o PCdoB, com 9 eleitos, 2 deles no Maranhão. Ou o PSOL, que elegeu 10 deputados federais, mas 4 estão no Rio de Janeiro. Dessa forma, nem PCdoB nem PSOL cumpririam a exigência da cláusula de barreira de ter eleitos em 9 estados distintos. Uma alternativa é a sigla somar mais de 1,5 milhão de votos. Ou buscar a fusão de partidos como caminho da sobrevivência.

Esse caminho já está sendo discutido por quatro siglas, todas elas longe dos 9 deputados federais necessários. Juntas, elas somariam 17 deputados: PHS elegeu 6 deputados, o Patriota outros 5, o PRP acrescentaria mais 4 e o PTC contribuiria com 2 (um deles a piauiense Dra. Marina). As conversações estão ainda no início, mas os presidentes das quatro siglas devem se reunir em Brasília já nesta semana.

É possível que os entendimentos andem rápidos, já que não têm muitas alternativas.
 

Os partidos com mais de 9 deputados

A eleição deste ano reafirma a fragmentação na composição da Câmara dos Deputados. São 30 siglas com representação na Casa, referência para a distribuição dos recursos do Fundo Partidário e o tempo de propaganda no rádio e TV. É o maior número de partidos em uma eleição. Em 2010 foram 22 siglas com deputados eleitos, o que parecia um absurdo sem tamanho. Pois em 2014 esse número chegou a 28 e agora fechou a conta em 30.

PT segue como a maior bancada, embora elegendo 13 a menos que em 2014. Mas quem mais despencou foi o MDB, que há quatro anos elegeu 66 deputados e agora caiu para 34. Quem também deve reunir os cacos é o PSDB, que em quatro anos saiu de 54 para apenas 29 representantes na Câmara. Quem festeja é o PSL de Jair Bolsonaro. O partido saiu de uma única cadeira na Câmara, em 2014, para 52 assentos na eleição de domingo.

  PARTIDO ELEIÇÃO 2014 ELEIÇÃO 2018
1 PT 69 56
2 PSL 1 52
3 PP 38 37
4 MDB 66 34
5 PSD 36 34
6 PR 34 33
7 PSB 34 32
8 PRB 21 30
9 PSDB 54 29
10 DEM 21 29
11 PDT 19 28
12 SOLIDARIEDADE 15 13
13 PODEMOS - 11
14 PTB 25 10
15 PSOL 5 10
16 PCdoB 10 9

Os demais 14 partidos que elegeram deputados federais são os seguintes: PSC, PROS, PPS e Novo (8 deputados, cada), Avante (7 deputados), PHS (6), Patriota (5), PV e PRP (4 deputados, cada), PMN (3), PTC (2) e Democracia Cristã, Rede Sustentabilidade e PPL (1 deputado, cada).

Mulheres serão apenas 15% da Câmara. Bancada do Piauí terá 40%


Iracema Portella: pela terceira eleição seguida, representante das mulheres piauienses no Congresswo Nacional

 

Há pelo menos 4 anos o Tribunal Superior Eleitoral vem se empenhando em campanhas para ampliar a participação da mulher na política. Este ano, com fundo eleitoral regado pelo dinheiro público, até determinou que 30% dos recursos fossem destinados às candidaturas femininas. Não surtiu o efeito esperado: apenas 15% das cadeiras da Câmara dos deputados serão ocupadas por mulheres.

Segundo dados do TSE, serão 77 deputadas federais. É um avanço razoável em relação a 2014, quando foram eleitas 41 mulheres. Mas ainda está muito longe de traduzir a presença da mulher na sociedade. No Senado a situação é ainda pior: das 54 cadeiras em disputa, as mulheres levaram 7 – o que corresponde a 12,9%.

No caso do Piauí, a disputa pelo Senado resolveu-se como um “Clube do Bolinha”, com dois homens eleitos para as duas vagas – Ciro Nogueira e Marcelo Castro. Já o preenchimento das 10 vagas piauienses na Câmara dos Deputados, a situação é bem diferente: são quatro mulheres, ou 40%, um percentual bem acima da média nacional. Rejane Dias e Iracema Portella retornam à Casa. Margarete Coelho e Dr. Marina Santos estréiam no legislativo federal.

No caso das Assembleias Legislativas nos estados, a evolução é semelhante. São 1.059 cadeiras na soma das 27 casas legislativas. Em 2014, as mulheres conquistaram 116 vagas, pouco mais de 10% do total. Agora esse índice chegou a 15%, com as 161 cadeiras em poder das mulheres. No caso do Piauí, a média fica um pouco abaixo da média nacional: as mulheres conquistaram 4 das 30 vagas, o que representa 13,35 do total, repetindo a performance de 2014.

No legislativo piauiense, a legislatura com maior presença feminina foi a resultante da eleição de 2010, quando sete mulheres conseguiram mandato. Isso representava 23,3% do total.

2010:
ASSEMBLEIA: Lília Martins, Rejane Dias, Juliana Moraes Souza, Ana Paula, Liziê Coelho, Belê e Margarete Coelho.
CÂMARA: Iracema Portella.
• 2014:
ASSEMBLEIA: Juliana Moraes Souza, Janaína Marques, Liziê Coelho e Flora Izabel.
CÂMARA: Rejane Dias e Iracema Portella.
• 2018:
ASSEMBLEIA: Lucy Silveira, Janaína Marques, Flora Izabel e Teresina Brito.
CÂMARA: Rejane Dias, Iracema Portella, Margarete Coelho e Dr. Marina Santos.

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