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Piauí tem previstos R$ 800 milhões no orçamento da União

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Átila Lira: emendas parlamentares com ênfase na infraestyrutura e no custeio da saúde


O estado do Piauí tem a previsão de um aporte de cerca de R$ 800 milhões, este ano, através do Orçamento Geral da União. A maior parte dos recursos é proveniente das emendas individuais dos parlamentares e das emendas de bancada. Mas há duas obras importantes com valores carimbados dentro do orçamento: o açude Algodões II e a Transcerrados, ambas consideradas estratégicas para o Estado.

Quase dois terços desses valores correspondem às emendas individuais e de bancada, conforme explica o deputado Átila Lira (Progressistas), que é o coordenador da bancada do Piauí no Congresso Nacional. A soma desses valores fica próximo dos R$ 600 milhões. Há ainda outros R$ 200 milhões destinados às duas obras citadas, cada uma com dotação estabelecida em R$ 100 milhões. A obra das Transcerrados está, em termos orçamentários, vinculada à Sudene. Da mesma forma, os recursos para o açude Algodões II saem do DNOCS. Nos dois casos, os recursos deverão ser repassados para o governo do Estado, que fica com a execução das obras.

No que diz respeito às emendas parlamentares individuais e de bancada, a regra estabelece um percentual dos recursos para a saúde. Mas, conforme explica o deputado Átila Lira, a maior fatia dos recursos totais das emendas vai mesmo para infraestrutura. Isso inclui ações pontuais nos municípios, como calçamentos. A saúde aparece como o segundo maior volume de recursos, em sua grande maioria destinados ao custeio do setor. Com a destinação para o custeio, as emendas ajudam os municípios e o próprio governo do Estado a manter o funcionamento dos serviços de saúde.

Na prática, garantem o funcionamento do setor.
 

Saúde dependente das emendas

Não é só o estado do Piauí que depende das emendas parlamentares para manter o setor de saúde e até mesmo para cumprir uma regra constitucional, que estabelece um percentual mínimo de recursos para o setor. O investimento na saúde deve ser de pelo menos 15% do total das receitas. No caso da União, isso significa R$ 121,2 bilhões e a previsão orçamentária é pouco acima desse valor: R$ 122,9 bilhões.

Mas sem as emendas parlamentares o governo não cumpriria a lei: a soma de todas as emendas destinadas à saúde contabiliza R$ 8,1 bilhão. Se suprimido esse valor da previsão (que é de R$ 122,9), o orçamento para o sistema de saúde ficaria em apenas R$ 114,8 bilhões. Portanto, abaixo do mínimo estabelecido por lei.

Audiência pública discute em fevereiro impacto dos incentivos fiscais

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Flávio Nogueira: questionamento dos incentivos fiscais conceidos pela União e pelos estados

A Câmara dos Deputados realiza em fevereiro um debate que está sendo considerado crucial para o encaminhamento de um ponto central na reforma tributária: a existência, o alcance e o impacto dos incentivos fiscais no Brasil. O debate será em uma audiência pública proposta pelo deputado piauiense Flávio Nogueira (PDT). “Precisamos ter uma clareza do real impacto dos incentivos fiscais”, diz o deputado, que se mostra contrário à existência de mecanismo que em sua avaliação termina privilegiando quem já tem privilégios.

A intenção da audiência pública é ter uma visão global do uso de incentivos tanto no âmbito da União quanto nos estados. Para Flávio Nogueira, o tema gera certas reações apaixonadas, sobretudo de representantes de estados que se beneficiam desse expediente. Mas ele vê como preocupante a guerra fiscal que a concessão de incentivos criou. Lembra que o próprio Piauí foi vítima dessa “guerra” há cerca de 20 anos, quando o Ceará ofereceu uma série de vantagens e redirecionou para lá uma indústria que tinha decidido investir aqui.

Nesse tipo de cenário, ressalta, não tem isonomia: “São Paulo pode oferecer mais que qualquer outro estado em uma ‘guerra’ que fortalece quem já é forte”. Além disso, Flávio Nogueira defende o “enxugamento” do Estado. Ele também faz críticas específica aos recursos destinados ao chamado “Sistema S” – que inclui SESI, SENAC e Sebrae. O deputado entende que o Sistema S não dá muita clareza sobre a aplicação dos recursos que recebe da União.

“O mínimo que se pode exigir é uma absoluta transparência sobre o destino desses recursos que são públicos”, afirma.
 

Zona França tem tratamento especial

A concessão de incentivos fiscais é um dos gargalos previstos para a discussão da reforma tributária. E nesse quesito, um ponto ganha destaque: a Zona Franca de Manaus. Criada em 1957, a Zona Franca deveria ter um tempo limitado. Mas na Constituinte praticamente ganhou a condição de cláusula pétrea, fruto de artimanha do relator da Carta, o senador amazonense Bernardo Cabral. O ex-ministro Delfin Netto, que também foi constituinte, diz que vai ser difícil mexer no texto.

Como está, a Zona Franca significa a cada ano uma renúncia fiscal da ordem de R$ 28 bilhões, segundo números de 2018. E há proposta de criação de outras 8 áreas com regime especial semelhante. Uma das propostas inclui o Piauí – é a Zona Franca do Semiárido. Outras duas estão situadas no Maranhão. Parecem ser propostas que ficam mais no jogo de cena, já que a possibilidade de aprovação é considerada muito pouco provável.

Gustavo Canuto pode ser primeira mudança no ministério este ano

Foto Divulgação / Agência Brasil

Gustavo Canuto: ministro pode ser um dos primeiros a deixar governo neste ano de 2020

O ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, está no topo da lista dos nomes que podem deixar a Esplanada do Ministério neste início de ano. Há expectativa em Brasília de que essas mudanças aconteçam nas próximas semana e podem alterar pelo menos uns dois ou três nomes do ministério do presidente Jair Bolsonaro. Auxiliares próximos ao presidente da República dizem que há muitos ministros que dão mais satisfação ao Centrão que ao Planalto.

Canuto estaria nessa conta. Vale lembrar, Gustavo Canuto é um servidor público de carreira que já tinha ocupado a função que corresponderia a uma espécie de “vice-ministro” no extinto Ministério da Integração Nacional. O Ministério do desenvolvimento Regional assumiu as funções da pasta extinta. E Canuto, que é paranaense, se tornou o titular através de um viés técnico. Esse viés está sendo bombardeado internamente, já que o ministro é criticado por ter uma ação política que estaria em dissonância com o próprio presidente. O bombardeio é antigo - e Canuto ainda em julho chegou a ser considerado "com os dias contatos".

Sobreviveu na época. Mas pode cair mesmo agora. Outros nomes também estão no centro das discussões sobre as mudanças no ministério, entre eles o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o titular da pasta da Educação, Abraham Weintraub. Onyx perdeu muito espaço no governo e nem sempre se mostrou um grande articulador com o Congresso. Além disso, é considerado muito vinculado ao Centrão, o grupo de partidos que pautam seu apoio aos governos a uma relação considerada fisiológica. Já no caso de Weintraub, pesa contra ele o amplo desgaste com o setor da educação no país, em especial as universidades.

Nesse aspecto, o ministro da Educação é uma espécie de unanimidade: desagradou a todos.
 

Abraham Weintraub sobrevive

O amplo desgaste do ministro Abraham Weintraub com os mais diversos segmentos do campo da educação não quer dizer necessariamente que ele vá perder o cargo. Sim, ele é um dos nomes da lista de possíveis mudanças. Mas tem seus trunfos, a começar pela relação com o núcleo duro do governo, incluindo o grupo familiar do presidente Jair Bolsonaro. “Se eu fosse apostar, apostaria na queda do Gustavo Canuto antes da saída do Weintraub”, disse à coluna um interlocutor do governo com trânsito no Palácio do Planalto.

As brigas que o ministro da Educação compra traduzem em grande medida o que o próprio presidente abraça desde antes da campanha de 2018. É verdade, no entanto, que o ministro não é mais unanimidade dentro do próprio governo: tem sérias restrições dentro do Ministério da Economia. Mas isso pode representar pouco ante o ainda significativo respaldo que encontra no Palácio do Planalto. Enquanto o núcleo Bolsonaro não mudar de opinião, Weintraub tende a ficar onde está.

Flávio Nogueira espera para fevereiro definição partidária

O deputado federal Flávio Nogueira espera para o mês de fevereiro uma definição sobre sua relação com o PDT. Vale lembrar, Flávio e a direção do partido se confrontam desde o mês de julho do ano passado, quando o deputado piauiense votou a favor da reforma da Previdência, em posição contrária à orientação da Executiva do PDT. Ele e mais 7 deputados do partido foram taxados de infiéis e, em seguida, suspensos de suas atividades partidárias, inclusive deixando de representar a sigla em comissões do Legislativo.

Em outubro a Executiva do partido encerrou a suspensão. Mesmo assim, o clima de animosidade permanece e Flávio Nogueira aguarda decisão do TSE para garantir a desfiliação sem gerar problemas como a perda de mandato. A amigos próximos do parlamentar têm dito que “o que ele mais quer” é essa desfiliação. A decisão do TSE deve acontecer no próximo mês. Caso fique realmente livre, o destino do deputado está encaminhado: filiação ao Republicanos, antigo PRB, aqui no Piauí comandado pelo deputado Gessivaldo Isaias.

O deputado mantém uma série de divergências com a direção nacional do PDT, muito além da reforma da Previdência. As diferenças acontecem especialmente na ideia sofre o formato do Estado: a direção do PDT é mais estatista (o Estado forte) e Flávio Nogueira tem uma visão que deseja a diminuição do estado, com viés mais liberal.

A saída do PDT parece ser um caminho natural, ante as divergências.
 

Flávio Júnior também pede para ser expulso

Não é só o deputado federal Flávio Nogueira que deseja ser expulso pelo partido. Também o filho, deputado estadual Flávio Nogueira Júnior – atualmente ocupando a Secretaria de Turismo – quer que o partido o expulse. Isso porque, na prática, ele está sendo completamente excluído das ações do partido a ponte de ser formada uma Comissão Provisória sem que o parlamentar sequer fosse ouvido.

O problema é que a direção não quer a expulsão, e assim Flávio Júnior não pode fazer opção por nenhum outro partido, sob pena de perda de mandato. O estranho nisso tudo é que a estrutura do partido no interior é toda ligada aos dois Flavios Nogueira, sem vínculos com o comando provisório constituído a partir da intervenção da direção nacional, na sequência do processo da Executiva contra o deputado federal.

Coronel exonerado em Picos recebe convite para disputar prefeitura

Foto /  Divulgação Solidariedade

Coronel Viana, ao lado do deputado Evaldo Gomes: convite para se filiar ao Solidariedade e disputar a prefeitura de Picos


O coronel Edwaldo Viana, que no início da semana foi exonerado do posto de comando da PM em Picos, tem convite para filiação partidária, visando a disputa da prefeitura municipal. O convite partiu do deputado Evaldo Gomes, presidente regional do Solidariedade. Os dois se encontraram e até tiraram foto para registrar o acontecimento que pode ter importante desdobramentos na disputa municipal deste ano.

Vale lembrar, o coronel Viana foi exonerado do cargo após declarações polêmicas feitas por ele e divulgadas em suas redes sociais. Nessas declarações, chegou a dizer que bandido não merece “ser pego vivo”. Após ser exonerado, voltou a fazer postagens nas redes sociais, quando denunciou pressão política para tirá-lo do posto de comando da PM.

Já há algum tempo o nome do coronel Viana vinha sendo citado como um potencial candidato à prefeitura de Picos. Essas especulações relacionavam o policial a siglas como PSL e Avante. Mas agora o próprio coronel Viana se apresenta ao lado de Evaldo Gomes, o que pode levá-lo para o Solidariedade.

Como policial, Viana não pode ter filiação partidária. Mas, também por ser policial, ele tem prazo especial para fazer a opção pela carreira política e se filiar somente em junho.

Júlio Arcoverde será indicado vice da Alepi pelo Progressistas

O deputado Júlio Arcoverde deverá ser mesmo o novo vice-presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, substituindo o deputado Fernando Monteiro, que faleceu no final de dezembro. Isso porque há um entendimento dos principais partidos – a começar pelas lideranças do Progressista e do MDB – de que a indicação atende a uma lógica partidária. Fernando Monteiro era do PRTB mas foi indicado pelo Progressista, no entendimento de fevereiro de 2019 que assegurou mais um mandato para Themístocles Filho à frente da Alepi.

Na época, havia o compromisso de Fernando de ingressar no partido presidido nacionalmente pelo senador Ciro Nogueira. O agravamento da doença do deputado acabou deixando a filiação em segundo plano. Mas a intenção de Wilson Brandão de ocupar o posto levou o presidente estadual do Progressista, deputado Júlio Arcoverde, a relembrar da cota partidária. O problema é que Wilson, mesmo sendo do partido, guarda diferenças com o comando da sigla, que o preteriu na disputa pela presidência da Alepi, em fevereiro do ano passado.

O líder do MDB, deputado João Madison diz que o seu partido vai observar a indicação partidária. “O MDB cumpre acordo e eu defendo que a bancada vote no candidato indicado pelo Progressista. Quem eles escolherem será nosso candidato”, afirmou. A avaliação entre a maioria dos políticos é que uma votação entre os deputados progressistas daria a Wilson unicamente seu voto. Os demais, alinhados com Ciro Nogueira, devem apoiar a escolha de Júlio Arcoverde.

A eleição deve acontecer no dia 7 de fevereiro. Até lá é possível que Wilson Brandão sequer esteja na Alepi, já que pode retornar à Secretaria de Mineração e Energia.
 

Progressista passa a ter bancada de 7 deputados

O Progressista vai se firmando como a principal sigla partidária do Estado. Tem o maior número de prefeitos, um senador (Ciro Nogueira) e três deputados Federais (Iracema Portella, Margarete Coelho e Átila Lira). A partir desta terça-feira passa a contar com 7 deputados com assento na Assembléia, seis efetivos e um na condição de suplente no exercício do mandato. O sexto efetivo será o deputado Bessah, que assume o lugar deixado aberto pelo deputado Fernando Monteiro. A efetivação de Bessah também abre uma vaga para um suplente assumir. E a será a deputada Belê Medeiros, também do Progressista.
Com isso, o partido passa a ter a seguinte bancada:
• Lucy Silveira
• Wilson Brandão
• Júlio Arcoverde
• Hélio Isaias
• Firmino Paulo
• Bessah
• Belê Medeiros (suplente, em exercício)

Petrônio Portella, articulador da redemocratização e um dos grandes da política brasileira. Conheça

Há 40 anos, em um 6 de janeiro do ano de 1980, o Brasil perdia o símbolo da redemocratização: o piauiense Petrônio Portella. Petrônio assumira o lugar de articulador da abertura – que levaria à redemocratização – cerca de 7 anos antes, ainda como senador, como voz agregadora dentro do Congresso, com o aval de Ernesto Geisel. As articulações logo chegariam à sociedade, onde o senador piauiense dialogava com os mais diversos setores.

Em 1979 assumiu o ministério da Justiça, onde ficou menos de dez meses, até morrer por um ataque cardíaco. Mas nesse curto tempo fez as mudanças que se tornaram alicerce da volta do país à democracia, como a Anistia e a reforma partidária. Petrônio é o tema novo episódio do Persona  o podcast Cidade Verde que sempre traz uma personalidade de destaque na nossa história.

Confira  a história desse piauiense que foi um nma8iores nomes da política brasileira no século passado.

CONFIRA:
PETRÔNIO PORTELA: 40 anos sem o articulador da redemocratização do Brasil.

CONFIRA TAMBÉM:
FRANCISCO PEREIRA: o piauiense que colocou a alma do Nordeste nos palcos do Brasil.
JOVITA FEITOSA
a guerreira que foi impedida de ir à guerra, mas que gerou exemplo.
ENGENHEIRO SAMPAIOo sonho do Piauí industrial que a elite agrária destruiu.  
CARLOS CASTELO BRANCOo piauiense que, em plena ditadura, deu voz à democracia.
TORQUATO NETO: o piauiense que desafinou o coro dos contentes e deu conceito à Tropicália.
REIS VELOSO: o filho de Parnaíba que fez o Brasil pensar global.
MÁRIO FAUSTINO: o poeta que peitou Carlos Drummond e Vinícius de Moraes.
JOSÉ MEDEIROS: o fotógrafo piauiense que assinou clássicos como Xica da Silva.
AMÉLIA BEVILÁQUA: depois dela, a Academia Brasileira de Letras nunca mais foi a mesma.
DAVID CALDAS: o piauiense que enfrentou o Império e a Igreja.
FRANCISCO FIGUEIREDO: o homem que veio do povo para mudar a política.

PT cria núcleos nos estados para aproximação com evangélicos

O PT está preocupado com a força dos evangélicos na política e com o amplo alinhamento desse segmento com o governo Bolsonaro. Diante dessa constatação, o comando nacional do partido está orientando os diretórios estaduais para criação de núcleos internos voltados especificamente para aproximação com os evangélicos. Segundo revelou a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo, a diretriz tem a “assinatura” do próprio Lula, que tenta dar ao partido maior peso junto a um segmento que já foi próximo do PT em outros momentos.

Vale lembrar, o PT nasceu com forte amparo da igreja católica, na época em que a Teologia da Libertação e, assim, as Comunidades Eclesiais de Base tinham importante relevância na ação da igreja católica. Essa presença cresceu mas depois perdeu vigor, inclusive porque Lula foi atrás dos evangélicos. Em 2002, por exemplo, José Alencar foi escolhido vice pela ligação com o empresariado nacionalista e também por integrar o partido que, de fato, era o partido da Igreja Universal.

A Igreja Universal e seu braço partidário foram apoio ostensivo aos governos petistas até meses antes do impeachment, quando mudaram de lado. Seguiram em lados distintos nos anos seguintes, fazendo parte do governo Temer e depois apoiando Bolsonaro. Ao mesmo tempo os evangélicos foram mostrar força política e eleitoral a ponto de colocarem Marcelo Crivela na prefeitura do Rio – e Marcelo é nada menos que bispo da Universal.

O último Censo mostrou que os evangélicos representavam cerca de 22% dos brasileiros. Esse número deve estar hoje ao redor de um quarto da população. Não é pouca coisa. E o PT revolveu acordar para os crentes. De novo.

Partido precisa recuperar espaço

O percentual de evangélicos no Brasil não é nada desprezível. E o PT sabe disso olhando para as próprias votações que alcançou no primeiro turno das eleições presidenciais: esse um quarto de brasileiros que forma o mundo evangélico é quase a votação que Fernando Haddad teve no primeiro turno de 2018, que foi por sua vez o terceiro pior desempenho do partido desde 1989. Haddad alcançou 29,28% dos votos válidos, ficando à frente apenas das votações alcançadas por Lula em 1989 e 1994.

Os votos no primeiro turno são considerados os votos próprios, já que no segundo muitos eleitores votam por exclusão e fazem opção que não são as suas de fato. E a votação petista para presidência chegou ao ápice em 2006 (48,61%, no primeiro turno). Depois disso vem caindo. Daí a estratégia de reforçar a relação com a cidadania, e um bom caminho é a aproximação com segmentos que costumam ter coesão. Poucos têm tanta como os evangélicos.

Há 40 anos o Brasil perdia Petrônio, o articulador da redemocratização

Foto: Arquivo Senado Federal

Petrônio Portela: o senador piauiense foi voz fundamental no processo que levaria o Brasil de volta à democracia
 

Não era sequer para ter subido naquele avião que o levaria a Santa Catarina, onde o esperava uma agenda oficial como ministro da Justiça. Ele já não estava bem. Mas subiu. E quase não tomou o avião de volta. Em Florianópolis, Petrônio Portela sofreu um ataque cardíaco. Era grave e o médico tentou que já fosse para São Paulo. Mas ele preferiu retornar a Brasília, onde morreu naquele 6 de janeiro de 1980. Morreu jovem, aos 54 anos e com menos de 10 meses no Ministério da Justiça. Mas nesse curto tempo como ministro coroou um trabalho que havia iniciado menos de 7 anos antes, o de pavimentar o caminho para a redemocratização.

Petrônio, que nasceu em Valença em 12 de setembro de 1925, tinha cumprido uma carreira política meteórica: duas campanhas de deputado estadual (1950 e 1954), daí tornou-se prefeito de Teresina (1958) e, em seguida, governador (1962). Em 1966 se elegeu senador e desembarcou no Senado sob a desconfiança dos militares, já que foi contra o golpe de 1964. Mas, talentoso, logo se transformou em um dos líderes políticos do país e em 1971 chegou à presidência do Congresso. Petrônio assumiu as articulações política do governo no início do mandato de Ernesto Geisel, em 1973 e 1974. Ali começou a dar asas à chamada distensão, que também era traduzida como “abertura” ou, depois, redemocratização.

No começo, as articulações eram dentro do próprio Congresso, mas logo romperiam as fronteiras do Parlamento, em diálogo com igreja, OAB, empresários, sindicatos. Essas andanças que implicavam na transição para democracia era a “Missão Portella”, que criou o cenário propício para a redemocratização. O passo definitivo foi quando deixou o Senado – após presidir a casa por duas vezes – e assumiu o ministério, em março de 1979. Antes do ano acabar ele havia aprovado a Anistia – que enterrava de vez entulhos como o AI-5 e trazia de volta os exilados. Também aprovou um novo sistema eleitoral, que acabava com a camisa de força do bipartidarismo e devolvia a voz aos diversos segmentos da sociedade.

Quando morreu, Petrônio Portella era apontado como o avalista da redemocratização. Antes mesmo, os jornais o apresentavam como “a estrela civil” do regime militar. Talvez fosse mais justo se fosse apresentado como o líder que em plena ditadura reverberava a voz da democracia, o que permitiu ruir, ainda que lentamente, os muros do autoritarismo.
 

Um dos três maiores da política brasileira

Há dez anos, nos 30 anos de morte de Petrônio Portella, o Senado prestou homenagem ao ex-senador piauiense. O ex-vice-presidente Marco Maciel, que conviveu com Petrônio, discursou e o qualificou como “um dos grandes” da política brasileira do final do século passado. O cientista político Rui Nogueira, da UNB, também foi nessa mesma linha, mas sendo mais preciso ao dizer que Petrônio foi uma das três mais importantes figuras da política brasileira.

O deputado Wilson Brandão, que também é historiador, diz que Petrônio estava no pódio da política brasileira de seu tempo. Wilson também faz uma ressalva: o Piauí desconhece o tamanho da obra do avalista da redemocratização. Para o deputado, os jovens de menos de 30 anos não têm a menor ideia de quem foi Petrônio. E lembra do débito da própria classe política com o ex-ministro da abertura: por três vezes se tentou dar nome de Petrônio a uma das muitas cidades criadas na década de 1990.

Por três vezes foi preterido.

Nome de Sílvio Mendes baliza estratégias dentro e fora do PSDB

Ele diz que não está atrás de ser candidato à prefeitura de Teresina. Mas tem feito declarações e gestos que parecem apontar em sentido diverso. E, ao final, pode mesmo nem vir a disputar as eleições deste ano. Mas o ex-prefeito Sílvio Mendes está no centro do debate sobre a sucessão de Firmino Filho no Palácio da Cidade, e seu nome passou a balizar uma série de discussões dentro e fora de seu partido de referência, o PSDB, pelo qual foi duas vezes prefeito e candidato ao palácio de Karnak.

Sílvio passou a ser um nome central das discussões no momento em que deu a entender que efetivamente poderia ir além do grupo que orbita em torno do Palácio da Cidade. E isso aconteceu pra valer com a declaração do ex-senador João Vicente de Vicente, admitindo que poderia ser vice de Sílvio. O rompimento das barreiras tucanas já tinha sido pretendida lá atrás, quando o senador Marcelo Castro tentou levar o ex-prefeito para o MDB. Recebeu um não como resposta. Mas agora a resposta de Sílvio com  o aceno de João Vicente foi um “pode ser”.

Foi o suficiente para provocar reações dentro do PSDB, onde o prefeito Firmino Filho sempre achou que tinha Sílvio sob razoável controle. Viu que não tem e, pior, percebeu que o ex-prefeito (hoje sem partido) pode fazer estragos no ninho tucano. A intenção de João Vicente é fazer uma aliança entre PTB e PSD para dar suporte à candidatura. E pretende levar para o palanque outros tucanos como Luciano Nunes, Marden Menezes e Joninha, que não estariam tão confortáveis dentro do partido.

Resta está realmente dispostos a se candidatar. E se a articulação de João Vicente prospera.
 

PSD quer candidatura própria com ou sem Sílvio

O PSD vai formalizar na próxima semana o convite formal para Sílvio Mendes ingressar no partido. Seria um passo a mais no desejo de ter candidatura própria. A filiação de Sílvio está longe de ser provável, mas não pode ser descartada: o ex-prefeito colocaria uma série de condições, incluindo a confirmação de João Vicente como vice. Nesse cenário de indefinições, o PSD olha para outras alternativas para o palácio da Cidade.

O deputado Georgiano Neto segue como um nome posto, mas está cada vez mais claro que vai cuidar de ampliar a força do partido no interior, reforçando candidaturas aliadas Piauí afora. Daí, o partido tem em vista o nome do ex-governador Hugo Napoleão. Hugo já disse que é um soldado – mas a declaração parece ser mais um gesto de cortesia que decisão efetiva de entrar na disputa. Daí surte a terceira e mais provável alternativa: a do ex-bolsonarista Fábio Sérvio, que disputou o governo do Estado na eleição de 2018.

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