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Inclusão de estados na reforma depende dos governadores

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Comissão Especial da Reforma: texto que não incluiu estados e municípios tende a ser modificado no plenário da Câmara


Ainda fonte de controvérsias e confronto, a inclusão (ou não) de estados e municípios na reforma da Previdência não esgotou o debate. Essa discussão volta com toda a força na etapa de tramitação da proposta no plenário da Câmara, nesta próxima semana, e o ajuste aos interesses de estados de município depende basicamente de 27 pessoas: os governadores estaduais.

A expectativa no Congresso é que, se desejarem mesmo a reforma, os governadores poderão alterar o texto aprovado na Comissão Especial na quinta-feira. Essa alteração, no entanto, deve ser acompanhada do empenho dos governadores para a garantia de votos que efetivamente levem à aprovação da proposta.

O entendimento bastante generalizado é que as principais lideranças – muitas delas mesmo no Centrão – tendem a apoiar a mudança. Mas cobram o empenho dos governadores pedindo voto. O próprio governo da União deseja a inclusão de todos os entes federados na mesma reforma, mas também cobravam os governadores “metendo a cara”, defendendo a reforma.

Poucos governadores meterão efetivamente a cara no debate, mas vão agir nos corredores do Congresso para que a mudança ocorra e que muitos de seus aliados votem a favor das mudanças no atual sistema previdenciário.  Há a necessidade desses novos votos. Ainda que a aprovação na Comissão Especial tenha sido folgada (36 a 13), há sempre a expectativa de dificuldades no plenário.
 

A necessidade de novos votos

Na contagem da Comissão Especial, o texto básico da reforma da Previdência teve votos a favor dos representantes de 17 partidos. Os deputados de outras 7 siglas se posicionaram contra. Mas essa conta, que indicaria uma vantagem folgada, não pode ser tomada ao pé da letra: são pouquíssimos os partidos com comportamento uniforme.

Dito isto, a conclusão é simples: ninguém pode cantar vitória antes. Sim, há uma expectativa favorável à aprovação da reforma. Mas não há tranqüilidade. Daí, para não haver riscos, os articuladores a favor da nova previdência querem mais votos. Como os governadores também querem algo (a inclusão de estados e municípios na reforma), aí pode haver um encontro de interesses: estados dentro e governadores pedindo votos.

Novos candidatos afastam consenso em eleição no PT

Foto: Arquivo Pessoal

Joseane Borges: candidata a presidente do PT para fortalecer relação do partido com Movimentos Sociais


O discurso do consenso existe, mas no processo de eleição do novo comando do PT no Piauí ele é somente discurso. Pelo menos por enquanto. Na prática, estão surgindo novos candidatos, o que deixa bem aberta a possibilidade da disputa pela presidência do partido no Estado, hoje nas mãos do deputado federal Assis Carvalho.

Assis sempre se colocou como candidato à reeleição e vem desenvolvendo diálogo com as diversas correntes que habitam no PT. Chegou a dizer que tinha o apoio de praticamente todos os deputados estaduais. Mas não é bem assim: Cícero Magalhães já disse que "muita água ainda vai rolar". E Flora Izabel tem outro candidato. As dissonâncias começaram a ficar bem claras.

Quem primeiro se colocou como concorrente foi o vereador Edilberto Borges, o Dudu, que faz duras críticas à gestão assinada por Assis. E agora surge o nome de Joseane Borges, que recebeu o aval da direção nacional de sua corrente, a Movimento PT, para entrar na disputa.

Assis defende seu legado. E os dois adversários que aparecem apontam mudanças que precisam ser feitas. Vale destacar o que cada um abraça.

Assis aponta fortalecimento da sigla
O grande discurso dos aliados de Assis Carvalho é o de fortalecimento do PT. Franzé Silva, por exemplo, diz que hoje o PT tem sete deputados na Assembleia, dois na Câmara, a vice-governadora e o governador muito em razão do trabalho de Assis. O PT se fortaleceu, afirma. E acha que esse trabalho precisa ser reconhecido através da recondução do deputado à presidência da sigla.

Dudu critica falta de democracia
Dudu faz duras críticas à gestão de Assis. Antes de mais nada, a considera autoritária e comprometedora de um elemento sagrado aos petistas: a democracia interna. Dudu chama o deputado de arrogante, a ponto de apresentar-se como “dono” dos votos do PT. Por isso mesmo, acredita que a mudança é necessária para arejar o partido.

Joseane quer PT nas ruas
Joseana é trans e assídua presença nos movimentos sociais. E isso traduz bem a linha de conduta de sua corrente, a Movimento PT, no Piauí liderada por Flora Izabel: fortalecer a relação do partido com as ruas, com os movimentos sociais, algo perdido durante a fase de governo em Brasília. Mas a avaliação é que esse resgate já está começando a ser feito, ainda que precise ser aprofundado.

Políticos não são ouvidos e cargos federais seguem vagos

Foto Divulgação / Agência Brasil

Onyx Lorenzoni: kinistro bem que tentou emplcar indicações políticas nos cargos federais, mas não conseguiu


Mais de seis meses depois da posse de Jair Bolsonaro no Planalto, a indicação para os cargos federais nos estados segue indefinida. E o mundo político, que sempre apostou nessas indicações como correia de transmissão para realização de suas demandas próprias e paroquiais, segue esperando. Há um claro descontentamento, que não ganha voz explícita, a não ser em um ou outro “troco” que parlamentares dão em votações de interesse do governo no Congresso.

Desde antes da posse, Bolsonaro dizia que não daria a caneta aos parlamentares. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni – que é deputado federal pelo Rio Grande do Sul – bem que tentou viabilizar as demandas dos congressistas que, em regra, eram os “padrinhos” dos ocupantes dos cargos federais nos estados. Chegou a receber coordenadores de bancadas estaduais no Congresso. E até recebeu a lista de preferência de cada parlamentar. Não foi adiante. No caso do Piauí, sabia-se o que cada deputado ou senador governista indicaria.

Não foi adiante. No Palácio do Planalto prevaleceu a vontade do núcleo técnico mais próximo a Bolsonaro, em detrimento dos articuladores políticos, como Lorenzoni. E as indicações vão saindo a conta-gota e aos gosto do Planalto. Um exemplo é o que ocorreu na escolha do novo presidente da Codevasf. O posto era reivindicado por meio mundo da política nordestina. O cargo terminou cabendo a um militar de alta patente – o general de brigada Pedro Fioravante.
 

Nos estados, um festival de interinos

A regra que prevalece no governo Bolsonaro é não ceder às demandas políticas. E muitos cargos seguem vagos – ou melhor, ocupados por interinos. Nos estados, há um festival de interinos. Em alguns casos, são antigos ocupantes que permanecem, fragilizados, à espera do titular que estar por vir. O problema é que os esperados novos ocupantes não chegam.

Essa situação termina implicando em gestores com pouca autonomia. Os que não foram tirados ou pediram para sair seguem no posto mas sem carta branca. E os interinos de longo curso – uma quase interminável interinidade – simplesmente não se sentem autorizados a voos maiores, já que estariam só passando uma chuva.

Enquanto essa demorada chuva não passa, o mundo político espera. E espera sentadfo.

General Fioravante é confirmado na presidência da Codevasf

Foto Divulgação / Comando militar do Nordeste

General Pedro Fioravante: atual comante do programa de carro pipas assume predidência Codevasf


A Companhia de Desenvolvimento das Bacias do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) aprovou o nome do general de brigada Pedro Antonio Fioravante Silvestre Neto para a presidência do órgão. Fioravante havia sido indicado diretamente pelo Palácio do Planalto, mas precisava cumprir o trâmite interno determinado pela Lei das Estatais. Ontem, o general – que já havia sido avaliado pela comissão interna de elegebilidade – teve seu nome aprovado pelo Conselho Diretor da companhia.

A indicação de Fioravante foi antecipada aqui pelo Blog, na semana passada. A escolha, que atende aos interesses diretos do núcleo militar do Planalto, agora se confirma. A partir do encerramento dos trâmites internos, o general terá 30 dias para tomar posse. Ontem mesmo ele estava em Brasília para definir a formalização da investidura no cargo.

Vale lembrar, a Codevasf era um dos mais disputados órgãos federais com atuação no Nordeste. Vários grupos políticos reivindicavam a indicação, em especial o núcleo mais ligado ao estado de Pernambuco. O senador piauiense Ciro Nogueira (PP) também desejava a indicação. Mas prevaleceu o “viés técnico” defendido pelo Planalto.

Fioravante atua há vários anos na região, desde que assumiu a condição de assessor direto do Comando Militar do Nordeste. Desde abril do ano passado ele respondia pelo programa de carros pipas, onde comandava 900 homens com atuação em 500 cidades nordestinas, cobrindo uma população de 1,7 milhão.
 

Agora, a definição nos estados

Após tomar posse, uma das primeiras preocupações do general Pedro Fioravante será a definição dos novos diretores da Codevasf nos estados. Há uma certa expectativa no mundo parlamentar, diante do argumento técnico em confronto com o político. Os grupos políticos querem mais espaços no governo federal, bastante limitado desde a posse de Jair Bolsonaro.

No caso do Piauí, a superintendência é atualmente uma indicação do senador Ciro Nogueira. Ele chegou a dizer que deseja manter a indicação, com o nome de Inaldo Guerra. Resta saber se o general Pedro Fioravante vai seguir as regras de antes.

PT e PP já se confrontam em 5 dos 10 maiores redutos do Estado

O anunciado embate entre o PP de Ciro Nogueira e o PT de Wellington Dias previsto para as eleições do próximo ano está se desenhando nos principais redutos eleitorais do Estado. Em pelo menos cinco dos dez maiores redutos eleitorais, os dois partidos deverão estar em palanques distintos, em uma disputa que tem tudo a ver com a eleição de 2022, quando o PP pretende deixar de ser coadjuvante na corrida pelo Palácio de Karnak.

Em muitos casos, os dois partidos estarão apresentando nomes próprios para a corrida pelas prefeituras municipais. Mas há casos em que PT e PP podem entrar na disputa apoiando aliados de outras siglas. No caso do PP, isso se verifica em Teresina, maior reduto do Estado, onde o partido já deixou claro que vai apoiar o candidato definido pelo prefeito Firmino Filho (PSDB). Um dos nomes cotados é o do presidente da Fundação Municipal de Saúde, professor Charles Silveira.

Também na capital não está descartada a possibilidade do PT apoiar um aliado, mas o partido trabalha com o nome do deputado Franzé Silva. Em Picos, o terceiro maior reduto eleitoral do Piauí, o PT tem pré-candidato: Maria Santana, secretária de Meio Ambiente. Mas aí a tendência é que os petistas apóiem um nome ligado ao grupo liderado pelo deputado Severo Eulálio, que vem a ser o empresário Araujinho. Lá, o PP tem Gil Paraibano, mas também pode ir para o palanque com um aliado, o empresário Getúlio Carvalho, ligado do deputado Nerinho (PTB).

Os dois grupos políticos também se dividem em Pedro II, em União e Oeiras. Outras disputas municipais devem colocar em lados opostos os grupos liderados por Wellington Dias e Ciro Nogueira.

Picos já coloca outra vez PT e PP em confronto

Foto Divulgação / Prefeitura de Picos

Padre Walmir Lima: cada vez mais próximo de Araujinho, o prefeito de Picos estreita a relação com o grupo dos Eulálio


A eleição municipal promete colocar a cidade de Picos como um dos principais pontos de tensão política entre aliados de hoje que podem não ser mais a partir de 2020. De um lado está o PT de Wellington Dias. De outro, o PP de Ciro Nogueira. E a tensão já verificada em 2016 deve ser ainda maior no próximo ano, já que as duas siglas caminham para rumos diferentes, com antecipação de um confronto que implica no envolvimento de outros grupos políticos.

Em 2016, o atual prefeito Walmir Lima (PT) recebeu o escancarado apoio do governador Wellington Dias, o que gerou reclamações de Ciro Nogueira, aliado do derrotado Gil Paraibano (PP). Segundo Ciro, havia um acordo de não envolvimento explícito, o que teria sido descumprido. A consequência foi um nariz torcido, que no próximo ano só não ocorrerá porque a distância entre as duas partes deve ficar clara desde já.

A tendência é que Padre Walmir Lima, que se encaminha para encerrar o segundo mandato, mantenha a aliança com o grupo liderado por Severo Eulálio (MDB), personificado na figura do empresário Antonio Costa Araújo Filho, o Araujinho. O empresário, antes arredio à ideia de ser candidato, mudou de postura e já acompanha o prefeito em eventos oficiais. Está no jogo pra valer.

Por outro lado, o grupo de Gil Paraibano se aproxima da ala liderada pelo deputado Nerinho (PTB). A expectativa era que Gil fosse o candidato, mas há a possibilidade do indicado ser do grupo de Nerinho, mais precisamente o empresário Getúlio Alves de Carvalho. Getúlio vem a ser irmão do atual vice-prefeito de Picos, Edilson Carvalho, e o do vereador Chaguinha.
 

Eleição municipal como prévia de 2022

As eleições municipais são sempre vistas como uma prévia da disputa geral. É quando cada grupo político tenta somar musculatura (traduzida em número de prefeitos e vereadores) para a disputa seguinte. O embate em Picos entre PP e PT pode ser visto como a prévia de um confronto já desenhado desde o ano passado, na perspectiva da sucessão de Wellington Dias.

São cada vez mais fortes as diferenças entre petistas e progressistas – ou entre Wellington Dias e Ciro Nogueira. A disputa direta entre os dois grupos significa a tentativa de fortalecimento de um com o enfraquecimento do outro. O raciocínio é igual de parte a parte: o PT vai querer crescer enfraquecendo o PP, ao mesmo tempo que o PP pretende ganhar mais força tirando musculatura do PT.

Comissão rejeita proposta que direcionava emendas para saúde

Foto Divulgação / Assembleia Legislativa

Assembleia Legislativa: deputados devem votar esta semana a proposta de Lei orçamentária para 2020


Uma proposta da deputada Lucy Silveira (PP) que vinculava 50% das emendas parlamentares com o setor de saúde foi derrubada durante as discussões nas comissões técnicas da Assembleia Legislativa. A proposta de Lucy fazia uma mudança no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhada pelo governo do Estado.

A intenção da deputada do Progressista era que metade dos recursos definidos pelas emendas parlamentares fosse destinada à área de saúde, priorizando os hospitais regionais. A proposição foi acatada em uma primeira discussão mas, na Comissão Orçamentária, foi retirada ao ser considera inconstitucional. Isto porque a Constituição já determina que a saúde deve ser contemplada com pelo menos 30% desses recursos alocadas pelos deputados. Seria uma forma de legislar sobre um tema já definido na Lei maior.

Outra proposta que também rejeitada na discussão sobre a LDO de 2020 foi a apresentada pelo deputado Nerinho. Ela estabelecia que todo investimento do governo em eventos musicais deveria ser aplicado integralmente em artistas locais. Uma Lei Ordinária já existente define os percentuais e os deputados rejeitaram a proposta pelo conflito com a legislação já em vigor.

O Orçamento do estado projetado para 2020 totaliza receita de R$ 11,8 bilhões. As previsões são de um déficit primário da ordem de R$ 300 milhões. Esses valores foram calculados antes do Estado ter a liberação da segunda parcela do Finisa e do ganho de causa relacionado a precatórios do Fundef.
 

Pedido de vista adia votação da LDO

Um pedido de vista apresentado pelo deputado João Madison (MDB) provocou o adiamento da votação da Lei de Diretrizes orçamentárias do estado do Piauí para o ano de 2020. O argumento do emedebista foi a mudança na composição da Comissão de Orçamento, que ganhou dois novos membros com o licenciamento de deputados que passaram a integrar o secretariado de Wellington Dias.

O pedido de vista foi apresentado na reunião de quarta-feira da semana passada, quando Madison participou da primeira reunião como membro da comissão. “Eu precisava conhecer a matéria”, disse o deputado, adiantando que deve devolver o texto já nesta quarta, quando a comissão torna a se reunir. A expectativa é que no mesmo dia a LDO seja aprovada e encaminhada a plenário, para votação pelo conjunto dos deputados da Alepi.

Apoio de governadores pode custar R$ 38 bi. E impasse cresce

Foto Divulgação / Forum dos Governadores

Forum de Governadores: pauta de reivindicação extrapola os temas específicos da reforma da Previdência  


Há uma semana, havia uma grande crença de que os governadores estavam a um passo de um acordo sobre a reforma da Previdência, o que resultaria no apoio dos gestores estaduais à proposta. O problema é que a pauta de reivindicação mudou, o governo federal não gostou e o acordo não saiu. Há agora a expectativa de que o entendimento seja alcançado amanhã, em nova reunião em Brasília. Mas não está tão fácil: se na semana passada foram os governadores que fizeram jogo duro, agora quem bate o pé é o governo federal.

Um dado que faz o governo federal torcer o nariz é o custo do acordo, nos termos pretendido pelos governadores: segundo cálculo de especialistas, se os governadores forem atendidos, isso vai custar já este ano cerca de R$ 38 bilhões aos cofres da união. Diante disso, o Planalto já nem mostra tanto interesse no acordo que é costurado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Há uma suspeita que os governadores não podem dar os 60 a 70 votos que prometem. Seria muito menos. Há ainda a crença no Planalto de que a reforma contaria hoje com pelo menos 320 votos. Em sendo assim, o governo não vê vantagem em ceder tanto em troca de quase nada.

Para completar, há a leitura de que os governos querem a reforma de qualquer jeito, mesmo sem o acordo. Sem ela, o drama financeiro vivido pela maior parte dos estados vivaria caos completo.
 

Pauta não tem nada de Previdência

A reivindicação dos governadores era, inicialmente, ligada à reforma. Queriam tirar do texto as mudanças no BPC, aposentadoria rural, a descontitucionalização dos temas previdenciários e o regime de capitalização. Tudo isso saiu. Mas como estados e municípios saíram do texto, foi a deixa para a mudança de pauta. E aí as reivindicações passaram a ser eminentemente de reforço de caixa, e para já. Daí surgiu nova pauta, nada relacionada com a Previdência:

1- Redivisão dos recursos do Pré-Sal.
2- Partilha do fundo social (já aprovado na Câmara na semana passada).
3- Securitização das dívidas dos estados.
4- Revisão dos repasses do FPE (passar de 21,5% para 24,5% do arrecadado com IPI e IR).
 

Onyx: que cada estado faça sua reforma

A disposição do governo ficou patente na fala do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzone. Ele defende que os estados e municípios sigam fora da reforma. E que cada um cuide de sua própria reforma previdenciária. Como sinal de “boa vontade”, disse que o governo defende um dispositivo especial no texto da proposta em tramitação no Congresso, autorizando os estados a fazerem suas reformas por maioria simples.

Pelas regras atuais, mudanças desse tipo só poderiam ser feitas com quórum especial de 3 quintos de apoio das casas legislativas. Mas esse dispositivo defendido por Onyx permitiria o ajuste dos estados às regras nacionais de forma mais simplificada.

Não era o que os estados estavam esperando. Eles querem muito mais.

Liberdade: há 50 anos, ‘O Pasquim’ desafiava a ditadura



A semana que acabou teve uma data redonda, daquelas que merecem ser comemoradas, ou pelo menos refletidas: a quarta-feira, dia 26, marcou os 50 anos de aparição de um dos veículos de comunicação mais importantes da história da imprensa brasileira, O Pasquim. Fazia parte da chamada “imprensa alternativa”, que tinha pouco de empresa e muito de bandeira, de compromisso político. Estava para marcar posição, sobretudo contra a ditadura que vigorava na época.

Nasceu em 26 de junho de 1969. E marcou época. Como diria o Estadão em reportagem especial sobre o meio centenário, O Pasquim foi um tabloide que “desafiou a moral, os bons costumes e a ditadura militar”. Ousou no fazer jornalístico, com recursos gráficos inovadores, pautas inventivas e no próprio formato (tabloide), meio rejeitado pelo leitor brasileiro. Apresentou textos fora do lugar comum e entrevistas que davam o que falar.

Muitas dessas entrevistas eram políticas. Outras eram verdadeiro terremoto comportamental: teve Leila Diniz sem medir palavras e palavrões; Elke Maravilha dizendo (algo incomum para a época) em alto e bom tom que “homem é uma delícia”; e Rogéria reproduzindo o estilo Monalisa, em um enigma que só os moralistas não decifravam. Tinha Jaguar, Millôr, Ziraldo, Tarso de Castro, Henfil. Um montão de craques.

E tinha a censura ali, no pé, tentando conter os dribles que os craques d’O Pasquim quase sempre conseguiam concluir para delírio da galera mais atenta ao drama do país. O tabloide foi um espaço fundamental para que a voz que pedia liberdade e democracia pudesse ultrapassar os encontros escondidos e medrosos. Ajudou a construir o cenário que trouxe de volta a democracia.

Em tempos em que o mundo tanto vocifera contra as vozes dissonantes, vale a pena lembrar de O Pasquim. Foi uma voz fora do tom, que reverberou o coro dos descontentes.
 

O Piauí dentro de O Pasquim

Em tempos de ditadura, a imprensa era sufocada Brasil afora. Em muitos estados, as vozes locais buscavam ressonância além de suas próprias fronteiras. Foi o caso de Albert Piauí, um extraordinário cartunista que teimou em levar sua mensagem de crítica à ditadura e desejo de liberdade. Encontrou espaço n’O Pasquim.

No final dos anos 70 e início dos 80, Albert tinha seus cartuns reproduzidos pelo tabloide. Em razão d'O Pasquim, conheceu de perto toda essa turma. Mais tarde, criaria aqui o Salão Internacional de Humor do Piauí, que por muito tempo disputou com o Salão Piracicaba o título de melhor evento de humor do país. Muitas vezes Ziraldo e Jaguar estiveram por aqui, pelas mãos de Albert, nos trilhos deixados por O Pasquim.

Eleição municipal já desenha 2 blocos políticos para 2022

Foto Divulgação / Senado Federal
João Vicente Claudino: lembrado pelos aliados de Firmino Filho, ex-senador é também nome corrente no Palácio do Karnak


Ao longo dos meses, os grupos políticos tinham colocado em marcha lenta o ritmo das discussões sobre as eleições municipais em Teresina, no ano que vem. O argumento era um só: é muito cedo. Mas a semana que acaba precipitou o debate. E os candidatos começam a aparecer de forma mais clara. Tem mais: os movimentos começam a deixar evidente muito mais do que a disputa do ano que vem. Eles apontam para a formação de dois grandes blocos para a disputa de 2022.

Tudo isso deve ser antecedido de uma observação: estabilidade não combina muito com política e o desenho de hoje pode ser completamente diferente da realidade de amanhã. Mas também há episódios que mostram o desenho virando realidade. No ano que antecedeu a eleição de 2018, dizia-se e repetia-se que o “grupão” de Wellington Dias não se sustentaria. Essa afirmação foi cantada à exaustão até julho. Apesar das previsões contrárias bastante generalizadas, o “grupão” ficou junto, dentro do desenho anteriormente delineado.

Pois um desenho vai se delineando para 2022, passando por 2020. E começou na segunda-feira, quando Dr. Pessoa participou da reunião da Executiva do MDB já como futuro filiado. Saiu de lá dizendo que não havia condicionado a candidatura. Mas na quinta o presidente da Assembleia escancarou a porta: “Dr. Pessoa é 100%” candidato. Antecipou candidatura e mandou recados. E provocou reações.
 

O triângulo PP, PSDB e PTB

Como reação imediata, o Progressista de Júlio Arcoverde tratou de oferecer um candidato ao PSDB de Firmino Filho. E não é um progressista. É um petebista, no caso o ex-senador João Vicente Claudino. E o efeito imediato que a declaração de Júlio Arcoverde causa é um constrangimento dentro do PSDB, que tem um nome sendo explicitamente trabalho – o professor Charles Silveira.

O gesto do deputado do Progressista mostra para algumas possibilidades. De um lado, o MDB, que não deixa de acenar para lideranças próximas ao Palácio do Karnak, deixando entrever uma preferência pela aliança com o PT em 2022. De outro, o PP, que deixa um novo sinal de proximidade com Firmino, agora tentando atrair João Vicente, um recém-chegado ao governo de Wellington Dias.

João Vicente pode ser só um nome lembrado para ressaltar as preferências mútuas de progressistas e tucanos aliados de Firmino. E de se firmarem como contraponto a PT e MDB.
 

Outros nomes estão aí

Vale sempre lembrar que esses dois grupos não estão jogando sozinhos. O próprio João Vicente Claudino é visto com bons olhos dentro do Palácio de Karnak. Pode ser uma alternativa ao grupo que tem as rédeas da administração estadual. Um grupo que já tem outra alternativa própria, no caso o secretário de Segurança, Fábio Abreu. Isso sem falar em Franzé Silva, que o PT pode abraçar como candidatura própria, sem ficar a reboque de qualquer outra sigla.

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