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Cultura pós-pandemia terá regras bem diferentes

Ontem, 19 de junho, foi o Dia do Cinema. Mas talvez nem o mais criativo dos roteiristas de Hollywood tivesse imaginado tanto: um cenário onde as salas de cinema simplesmente “não existem”, fechadas por conta de uma pandemia. Também os teatros. E os museus. A bilheteria fica a zero por três meses seguidos. Nada com a ficção. Tudo realidade. Mas na Europa o cenário começa a se alterar lentamente, e sob rígidas regras que estão sendo olhadas com atenção por artistas e agentes da cultura de todo o mundo, inclusive os do Brasil. O desenho para o pós-pandemia, também aqui, aponta para um perfil bem distante.

Os produtores brasileiros partem de três premissas para o redesenho do pós-pandemia: a experiência internacional, as diretrizes sanitárias da OMS e os decretos dos estados e municípios, norteadores do alcance da movimentação social. Os dois aspectos relacionados ao campo sanitário (OMS e decretos) ainda têm que ser avaliados, mas em termos de experiência internacional, países como a Alemanha já apontam sinais que devem ser levados em conta: lá os concertos voltaram. Mas com público limitado até mesmo a menos de um terço da capacidade. Os espectadores também devem ficar espaçados nas salas.

No Brasil, alguns pontos já estão sendo apontados como a tendência, o "normal" do futuro:
Público: será menor em qualquer circunstância, como forma de manter distanciamento.
Ingressos: o ingresso impresso será cada vez mais uma coisa do passado, vigorando mais e mais o ingresso digital (de preferência adquirido on-line).
 Filas: a intenção é evitá-las de qualquer jeito, onde a venda antecidada (outra vez: de preferência on-line) será a regra quase absoluta.  
Espaços: haverá estímulo aos eventos em espaços públicos, uma maneira de evitar a excessiva proximidade nas plateias.
Intervalo: concertos e peças teatrais devem evitar os intervalos. Será outro modo de reduzir os momentos de socialização.
Museus: a tendência é que adotem um novo desenho de suas exposições, com percursos únicos que impedem o ir e vir do visitante. Também haverá vigilância para evitar concentração diante de peças específicas.

Nos museus do mundo, uma das cenas mais comuns é a da Monalisa (Leonardo Da Vinci), no Louvre. Diante do quadro mais visto no planeta, os visitantes se acotovelam e por vezes se escoram no vizinho (em muitos casos, desconhecido) para simplesmente conseguir um flash, um registro da Gioconda. A intenção é que esse tipo de cena seja evitada.

STF dá 5 dias para Estado comprovar repasses para o TJ

O Governo do Piauí terá um prazo de cinco dias para comprovar os repasses do duodécimo do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PI), conforme estabelecem as constituições da República e do Estado. A decisão, datada do último dia 9 e agora comunicada ao governo estadual, é do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deferiu requerimento do TJ. Desde o ano passado o Tribunal estadual questiona os valores dos repasses feitos pelo governo, apontando uma diferença a menos nos valores definidos previamente.

Pelo que estabelecem as constituições Federal e Estadual, o Executivo fica na obrigação de fazer 12 repasses mensais ao Poder Judiciário (o duodécimo). Os termos do montante de cada parcela ficaram definidos desde 2004. Hoje esse valor mensal é de R$ 10,4 milhões - mas que segundo o TJ não estavam sendo honrados integralmente pelo Executivo. Daí a ação no Supremo. O ministro do STF pediu explicações ao governo do Estado, que ofereceu dados preliminares. Relatório da Secretaria da Fazenda reconhece uma diferença de quase R$ 1,9 milhão que seriam resultado de descontos como INSS e Imposto de Renda. 

A decisão do ministro observa a existência de decisões anteriores que determinbavam o repasse, diante do que deu o prazo de cinco dias para o Executivo estadual informar com precisão o montante dos repasses, para verificar se está sendo observado o valor legal. “Nada justifica o descumprimento de determinação judicial. Há de buscar-se a correção de rumos, observado princípio basilar alusivo à independência e harmonia entre os Poderes – artigo 2º da Constituição Federal”, disse Marco Aurélio. Ele decide: “Considerados os contornos do caso, defiro o que requerido. Venha, no prazo de cinco dias, o comprovante de repasse dos duodécimos nos termos da decisão liminar”.

Veja decisão na íntegra

Turismo prevê viagens regionais e familiares no pós-pandemia

Uma das atividades econômicas mais afetadas pela crise que chegou junto com a pandemia do novo coronavírus, o setor do turismo tenta se planejar para o pós-pandemia. A expectativa é de uma lenta recuperação, já que o medo ainda vai estar na cabeça de boa parte dos viajantes. Isso deve colocar os destinos internacionais fora do leque prioritário de opções, além do que o Brasil deve seguir por algum tempo na lista de restrições de muitos países. Os destinos regionais e familiares devem ser as principais alternativas quando a flexibilização chegar.

O impacto da pandemia no turismo é global. Na América Latina, por exemplo, a movimentação das companhias aéreas caiu mais de 90% – esse índice se repete no Brasil, onde companhias como Azul e Latam já formam parcerias visando otimizar suas aeronaves e reduzir custos. Outro segmento que também sofre horrores é o de hotelaria. Dados da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que as demissões no subsetor já contabilizam 350 mil vagas a menos – metade desses cortes de postos de trabalho está concentrada em apenas dois estados, Rio de Janeiro e São Paulo.

A CNC calcula que as perdas de faturamento desde meados de março chegam perto de R$ 90 bilhões. A menor fatia está no mês de março, que foi apenas parcialmente afetado pelas medidas de isolamento social e restrição de mobilidade. Mesmo assim, segundo a CNC, a queda chega a R$ 13,38 bilhões. Em abril esse número subiu para R$ 36,94 bilhões, mantendo um patamar semelhante em maio, com perda que chegam a R$ 37,47 bilhões.

Segundo a Confederação, em abril e maio a paralisação do setor foi quase completa.
 

Novo perfil de viagem após pandemia

A avaliação feita pelo próprio setor turístico é que o perfil de viagens no período imediato à pandemia será bem mais comedido. Os destinos serão basicamente regionais – tanto pelo medo quanto pelas limitações, por exemplo, nos destinos internacionais. A maior parte deve ser de viagens que possam utilizar carro. Outra característica que se desenha para esse imediato pós-pandemia é a procura por opções mais ligadas à natureza – como parques e praias. No Piauí, alternativas como o litoral e parques como o da Serra da Capivara devem liderar as preferências.

Há ainda uma outra característica que está sendo esperada nessas novas viagens: os programas em família. Tal escolha ainda estaria vinculada, em parte, ao medo: a opção de viajar em família é também uma forma de restringir a interação com grupos sobre o qual não haja muito controle quanto à questão sanitária. Além disso, a quarentena que veio com a pandemia levou à aproximação de famílias que nem sempre ficavam tanto tempo juntas.

Serasa faz promoção para inadimplente limpar nome

No início do ano, o Brasil contabilizava quase 64 milhões de pessoas inadimplentes, número correspondente a pouco mais de 40% dos brasileiros adultos. Após três meses de pandemia, esse número aumentou, como revelou pesquisa do IBOPE apontando que 22% dos brasileiros pesquisados no final de maio diziam ter atrasado boletos após a crise do coronavírus. Atento a esse número mais que expressivo, o Serasa resolveu fazer uma promoção voltada para os que estão com a corda no pescoço.

Começou ontem uma promoção que pretende limpar o nome de 1,5 milhão de consumidores que hoje estão com o nome sujo por conta de atrasos. Esse número está longe de ser uma grande fatia do universo de devedores, mas é sem dúvida um importante incremento no mercado consumidor, especialmente do segmento de menor poder aquisitivo. É que a promoção do Serasa pretende atender a quem deve entre R$ 200 e R$ 1.000. Essa turma pode quitar a dívida integralmente pagando apenas R$ 100.

A ação do Serasa é voltada para quem já está com a conta na plataforma. E para se valer da promoção é só ir lá no site (serasa.com.br) e concordar com as regras da negociação. A expectativa é que esse 1,5 milhão de brasileiros possa voltar ao mercado consumidor, um mercado que deu uma boa refreada após a pandemia, com redução de gastos e aumento de dívidas.

Desde março, mais da metade dos brasileiros registraram perdas de renda, o que pode tornar a promoção mais atraente.
 

Expectativa de novo perfil de consumidor

Pesquisa IBOPE divulgada no início do mês mostra que 55% dos brasileiros registram perdas de receitas com a chegada da pandemia e a crise econômica que veio junto. Desse total, dois terços (ou 36,2% do universo pesquisado) tiveram perdas acima de 25%, em relação ao que ganhavam antes da crise se estabelecer. E 22% dos entrevistados revelaram que passaram a atrasar boletos. Mas os analistas encontram resultados positivos na pesquisa: ela estaria apontando o surgimento de um novo perfil de consumidor.

A pesquisa mostra que 27% dos entrevistados passaram a guardar recursos – ou seja, a fazer algum tipo de pé-de-meia para o futuro. O entendimento dos analistas é que o susto gerado pela crise do coronavírus acendeu o medo e despertou um sentido de prevenção. E acham que essa tendência para a poupança pode ser um hábito que veio para ficar. A expectativa é que o consumidor será agora muito mais cauteloso em seus hábitos financeiros.

Covid afeta mais às classes populares e letalidade aumenta

Quando começou, a Covid-19 era uma doença das classes mais elevadas – a turma que viajava para a Europa e trazia a enfermidade no corpo. Mas esse perfil foi superado há um bom tempo e a Covid é cada vez mais um problema das classes mais populares, alterando inclusive alguns padrões dos registros. No final de semana, um novo traço da doença foi destacado pelo médico Ronaldo Damião, que é diretor do Hospital Pedro Ernesto, unidade de referência no Rio de Janeiro para atendimento dos afetados pela Covid: segundo ele, os pacientes que chegam ao hospital (que é ligado à Universidade Estadual do Rio) apresentam um quadro cada vez mais grave.

O diagnóstico é tradutor da realidade social: cada vez mais a pandemia avança dentro das comunidades, alcançando um público menos nutrido e com menor acesso a hospitais bem estruturados. Muitos – conforme relata Damião – passam horas ou mesmo dias em UPAs até conseguirem uma vaga em UTI. A demora é crucial: o diretor do Pedro Ernesto revela que atualmente 25% dos pacientes morrem nas primeiras 24 horas de internação. Um dado alarmante que não pode ser tomado como exclusivo do Rio e deve preocupar especialmente quando a doença se espalha para o interior dos estados.

Ainda ontem a infectologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, manifestava preocupação com esse avanço da Covid-19 para o interior. Para ela a grande preocupação é com a logística: as condições de atendimento nas capitais são muito melhores que as do interior, e mesmo assim os dados são graves. Há efetivamente um risco de que o foco central mudando para as pequenas cidades traga uma situação muito mais grave.

No Piauí, Teresina não tem apresentado uma situação que traduza calma. Longe disso. Mas o interior apresenta um crescimento que preocupa.
 

Cresce mortalidade em Teresina e interior

O interior do Piauí vem registrando crescimento acentuado no número de infecções pelo novo coronavírus. Esse comportamento pode ser visto tanto no painel do coronavírus da Secretaria de Saúde do Estado como no da Fundação Municipal de Saúde. Os dados semanais agregados para todo o estado do Piauí crescem a cada semana: 1.541 na semana de 24 a 30 de maio, passando para 2.547 na semana de 31 de maio a 6 de junho e, na semana passada, mais 2.675 novos casos. A letalidade decresceu entre a primeira e a segunda semana, mas aumentou substancialmente na terceira semana, chegando a 4,5% para o total de casos do período.

Em Teresina a letalidade segue muito acima das registradas no estado como um todo. Na primeira semana (24 a 30 de maio) foi de 7,2%, segundo os dados da Fundação. Manteve-se no mesmo patamar na semana seguinte e aumentou um pouco mais na semana passada, quando chegou a 7,8%, conforme os dados disponibilizados pelo município e o Estado. Vale observar que a PMT costuma revisar seus dados e não é incomum que os registros de uma determinada data sejam alterados dias depois, após análise de casos que ainda não tinham diagnóstico conclusivo.

UFPI tem duas reuniões que definem futuro da universidade

A Universidade Federal do Piauí realiza hoje e amanhã duas reuniões que definem muito do que acontecerá na instituição pelos próximos meses e até mesmo pelos próximos anos. No primeiro encontro (sempre de forma virtual), a UFPI decide como vai retomar as aulas ainda no período de restrições estabelecidas por conta da pandemia do novo coronavirus; e no segundo, vai ser definido o calendário para consulta à comunidade universitária para eleição do novo reitor da Federal do Piauí.

A primeira reunião acontece hoje pela manhã, quando o reitor Arimateia Lopes Dantas ouve a Administração Superior (pró-reitores e órgãos de assessoria da Reitoria), diretores de Centros, coordenadores de curso e chefes de departamentos. O objetivo é a retomada nos cursos de graduação das aulas (ainda de forma remota) do semestre interrompido em março. Também vai ser discutido o possível calendário do chamado período 2020-2 (segundo semestre derste ano), já em um cenário pós-pandemia. Essa retomada depende de diretrizes do MEC e das medidas adotadas pelo governo do Estado e pelos municípios onde a UFPI tem campus.

Amanhã a reunião será sobre o processo de escolha do novo reitor da UFPI, já que este segundo mandato de Arimateia se encerra em 18 de novembro. Conforme as regras do MEC, a universidade deve enviar a lista tríplice pelos menos 60 dias antes do fim do mandato do gestor, de onde o ministério escolhe o novo reitor. A ideia inicial é realizar a consulta à comunidade universitária em meados de agosto, para daí sair a lista tríplice. A reunião vai definir as regras, incluindo como será constituída a lista tríplice.

Há pressão para que a lista será composta pelos três mais votados na consulta. Em outros anos, a UFPI escolhia apenas o mais votado e acrescentava mais dois nomes segundo vontade particular do Conselho Universitário.
 

Aulas já retomadas na pós-graduação

Os cursos de pós-graduação da UFPI retomaram as aulas no dia primeiro de junho, na forma de ensino remoto. O reitor Arimateia Dantas explica que isso foi possível pela facilidade no treinamento do grupo de professores e pelo acompanhamento mais direto dos alunos, em menor número que na graduação. Esse mesmo tipo de raciocínio foi adotado para os cursos técnicos, que tiveram as aulas (remotas) retomadas dia 25 de maio.

No caso dos cursos de graduação, o treinamento de professores está sendo realizado atendendo a estratégias por Centro. Na primeira semana de junho foi realizado uma sequência de seminários distribuídos em quatro dias de atividades, voltados para a preparação docente. A UFPI também tem a preocupação com o nível de inclusão digital dos alunos, já que muitos têm acesso limitado à internet. Em muitos casos, são alunos que usam apenas o celular e acessam a internet somente em espaços onde há wi-fi disponível. Tais condições limitam o aproveitamento do aluno.

Na pandemia, 55% dos brasileiros tiveram perdas de renda

Pesquisa realizada pelo IBOPE revela que 55% dos brasileiros tiveram perdas de renda desde o começo da pandemia do coronavírus, em meados de março. E a realidade ainda pode ser pior, já que que não foram pesquisados brasileiros da classe D: o IBOPE ouviu 2.000 pessoas das classes A, B e C com acesso à internet. E mostrou uma profunda mudança nos hábitos financeirosnesses três camadas sociais. Nada menos que 89% dos ouvidos revelaram ter alterado o comportamento relacionado aos gastos.

Os números mostram o tamanho do impacto da pandemia nas contas das famílias. Mas os analistas também apontam mudanças comportamentais que tendem a ficar. Sobre os efeitos imediatos, a sondagem do IBOPE traz alguns dados poderosos.
89% mudaram os hábitos financeiros, estabelecendo uma nova relação com o uso do dinheiro.
51% revelam ter reduzido os gastos regulares.
27% passaram a guardar recursos, fazendo algum tipo de reserva financeira.
22% começaram a atrasar o pagamento de boletos.
É importante chamar atenção para um outro dado da pesquisa:
• Nada menos que 55% dos entrevistados acusaram perdas de renda e, desses, 66% (ou 36,3% do universo pesquisado) registram perdas superiores a 25% do que tinham antes da pandemia começar.

O impacto pode ter impacto no comportamento futuro: especialistas enxergam sinais positivos para o pós-pandemia com adoção de hábitos de consumo mais controlados.
 

Futuro com hábitos mais saudáveis

Educadores financeiros que acompanham o comportamento dos brasileiros em relação ao consumo, antes e durante a pandemia, veem sinais animadores em meio ao descalabro. Ou, como diz Leandro Benincá (Messem Investimentos), estamos adquirindo bons hábitos por “um mau motivo”. Em entrevista ao E-Investidor, ele disse que o brasileiro é aquele sujeito “que tem a casa assaltada e depois resolve colocar o alarme”. A pandemia é o assalto e o alarme são os novos hábitos. “O susto faz as pessoas agirem”, afirma.

Outro educador financeiro, Cláudio Ferro (da PoupaBrasil) tem a mesma leitura. E aponta o novo esforço de fazer poupança como um sintoma da mudança. “O mais importante em momentos como este é reduzir as despesas e fazê-la caber dentro do novo orçamento. Assim, a pessoa tem uma saúde financeira melhor e vai estar mais preparada para sobreviver ao momento”, diz. Ele acredita que muitos desses hábitos vieram para ficar.

Com cargos, Centrão festeja a ‘boa política’ de Bolsonaro

Definitivamente, o governo Bolsonaro não é mais o mesmo: os palacianos já não falam em velha política. Também não é mais o mesmo o discurso do Centrão, grupo que reúne quase uma dezena de partidos no Congresso e tem pelo menos 200 deputados na Câmara. O símbolo dessa mudança de discurso é Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. Depois que viu seu amigo Fábio Farias nomeado para o recriado ministério das Comunicações, Maia foi taxativo, quase revelando o sorriso do coração: “Agora ele começa a fazer política”, disse em relação aos entendimentos do Centrão com o governo.

O discurso do Centrão é outro. Mas o grupo parece seguir o de sempre, dedicando-se ao que mais gosta (ou talvez ao que realmente sabe fazer): ser governo. A mudança de tom começou com a saída de Sérgio Moro, um nome que boa parte dos congressistas e praticamente todo o Centrão simplesmente não engolia. Tanto que as principais vozes do grupo saíram desqualificando o vídeo da reunião ministerial que mostraria a intenção do presidente de interferir na Polícia Federal.

Lideranças fundamentais do grupo, como o senador Ciro Nogueira, não pouparam gestos de deseja. E agora já faz “live” com ministros anunciando obras para o Piauí. Mas ainda faltava a voz de Rodrigo Maia. Não falta mais. O simples “agora ele começa a fazer política” pode ser traduzido como um “ah, agora ele fala a nossa língua”. E ficou implícito o “e nós falamos a língua dele”. Mas que fique claro: com o Centrão não se brinca. E o contentamento de agora não esgota a sede por mais espaço no governo.

E se as coisas complicarem para o grupo palaciano, aí é que a pedida aumenta. Essa é lógica do Centrão.
 

Fábio Farias tenta ser proativo na Comunicação

O novo ministro das Comunicações, Fábio Farias, só toma posse na próxima semana. Mas já mostra habilidade e rumo. Nos corredores de Brasília já se dá como quase fechada sua equipe à frente da pasta. E também alguns pontos do que deseja fazer. Pra começo, quer ser proativo em termos de comunicação, ajustando a linha atual muitos consideram muito reativa - ou seja, vai atrás dos fatos. O entorno do novo ministro avalia, por exemplo, que há setores do governo – como o Ministério da Economia – que tem o que falar (como o auxílio emergencial) mas não recebe o devido destaque. O governo dá e parece que não fez nada, avalia o grupo de Farias.

Antes de assumir, o novo governista já conversou com o ministro Paulo Guedes sobre uma nova comunicação para a área. Também quer cuidar da imagem do Brasil no exterior – e para isso pretende levar para o Ministério o atual assessor de assuntos internacionais do Planalto, Felipe Martins. Essa escolha revela muito da habilidade do novo ministro: Felipe é do núcleo duro do governo e muito próximo da família Bolsonaro. Tê-lo próximo é também uma forma de afago no clã.

Novo reitor da UFPI pode ser nomeado por ministro sem eleição

O governo federal abriu mais uma frente de conflito com a comunidade acadêmica, agora através de uma Medida Provisória (a MP-979 do dia 9 de junho) que dá poder ao ministro da Educação a nomear reitores interinos das universidades federais no período da pandemia. São 68 instituições federais de ensino superior, 63 com processo eleitoral estabelecido (as outras cinco têm gestores temporários, como a Universidade Federal do Delta do Parnaíba, recém constituida). E a medida pode levar à nomeação de até 16 reitores onde os atuais gestores encerram seus mandatos até o final do ano. A UFPI é uma das integrantes dessa lista.

É a segunda MP editada pelo governo Bolsonaro que interfere no processo de escolha dos reitores. Pela nova Medida Provisória, o ministro Abraham Weintraub ganha o poder de indicar qualquer nome (mesmo de fora da universidade) para se ocupar da gestão, sem que a comunidade universitária precise ser ouvida. O ato do presidente da República gerou reações imediatas nas Universidades e no Congresso Nacional.

Ontem, 8 partidos ingressaram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal contra a MP. São vários argumentos, incluindo a impossibilidade de edição de uma MP com conteúdo semelhante ao de outra que caducou. Mas o principal argumento é mesmo a agressão ao princípio da autonomia universitária. Ao mesmo tempo, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, é pressionado a não formalizar a leitura da MP, o que seria uma forma de caracterizar a inconstitucionalidade.

Os Conselho de Reitores foi categórico em criticar a medida. E agora espera que o Supremo considere a MP 979 inconstitucional.
 

Reunião na UFPI vai discutir eleição

Na UFPI, o reitor Arimatéia Dantas já havia marcado para a próxima terça-feira (dia 16) uma reunião para discutir sobre a consulta à comunidade universitária que vai levar à constituição da lista tríplice para escolha do novo gestor. O encontro está mantido, mas se a MP 979 estiver em vigor, vai ser uma mera discussão. Se cair, aí sim será definida uma data e o processo de eleição – que poderá ser até mesmo por processo virtual.

A Federal do Piauí pode ser afetada pela MP porque o mandato de Arimatéia termina no dia 18 de novembro. E a lista tríplice deve ser encaminhada ao MEC até 60 dias antes do encerramento da atual gestão. O reitor da UFPI critica duramente a Medida Provisória e acredita que ela deverá ser considerada inconstitucional, retornando para as próprias universidades e poder de escolher seus gestores.

Sem acordo, eleição deve ser mesmo em outubro

A discussão sobre o adiamento ou não das eleições vai chegando a um momento crucial, já que o calendário eleitoral começa a chegar a datas cruciais. E o debate no meio político não chega a um entendimento claro que possa redefinir a data da disputa pelas prefeituras municipais e volta a crescer a possibilidade de manutenção das eleições na data prevista: dia 4 de outubro.

A mudança de data passa por um necessário entendimento, tanto entre as lideranças políticas como com o próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é ouvido não apenas pelos aspectos legais como também pelo fator operacional. O TSE já mostrou ser pouco factível, por exemplo, a realização das eleições em dois dias, já que isso implicaria em aumento considerável dos custos de realização da eleição, como duplicação de diárias, para ficar apenas em um exemplo.

Além disso, a mudança exige uma emenda constitucional, o que significa alcançar um amplo entendimento no Congresso em torno do tema. Esse entendimento não está tão claro. Sem entendimento, a manutenção do 4 de outubro tende a se fortalecer na lista de alternativas. Para completar, decisões como a de permitir as convenções pelo modelo de teleconferência reforça a ideia de que o TSE não está vislumbrando outro cenário que não o do próximo mês de julho – ou seja: segue o calendário como estava.

Daí crescer a convicção de que a pandemia não vai modificar a data das eleições, que devem mesmo ocorrer no dia 4, em primeiro turno.
 

A diferença de outubro para dezembro

Lideranças piauienses no Congresso têm transmitido aos prefeitos o entendimento de que a tendência é permanecer a data de outubro. E o argumento mais usado é um só: sob o ponto de vista das ameaças do coronavírus, não haveria tanta diferença entre fazer a eleição em outubro ou dezembro. Em ambas as datas, segundos essas lideranças, a realidade seria basicamente a mesma, com a exigências dos mesmos tipos de cuidados.

Como não prosperou a intenção de alguns parlamentares – como o senador Elmano Ferrer – de adiar a eleição para outro ano e até mesmo prorrogar os atuais mandatos, a mudança de data por um ou dois meses vai sendo minada. Neste momento o debate no Congresso está longe de chegar a um consenso, ou pelo menos a uma maioria ampla.

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