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Bolsonaro vai nomear 33 reitores em 2020, em meio a MP polêmica

O presidente Jair Bolsonaro vai nomear nada menos que 33 reitores no ano de 2020, em meio à discussão da comunidade acadêmica sobre a Medida Provisória 914 assinada esta semana em que unifica as regras para eleição dos gestores das Universidades Federais e dos Institutos Federais. Uma das instituições que fará eleição no próximo ano é a UFPI. E a UFPI é uma das afetadas pelas regras estabelecidas pela MP, especialmente no que diz respeito à composição da lista tríplice.

O Brasil tem ao todo 69 Universidades Federais, 38 Institutos federais e o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, que é regido pela mesma MP 914. A medida unifica as regras com três diretrizes principais:
• Tem que haver votação direta para eleição dos reitores;
• A lista tríplice tem que ser composta pelos três mais votadas na eleição;
• O voto dos segmentos universitários tem peso diferente: os professores têm um peso de 70%, os servidores de 15% e os estudantes também de 15%.

A associação que reúne os Institutos Federais rejeita a MP, sobretudo porque os IFs não costumam fazer lista tríplice, mas simplesmente encaminham o nome do mais votado. As Federais também estão reclamando alegando, sobretudo, o ataque à autonomia universitária – e prometem recorrer à Justiça contra a medida. Muitas Federais fazem lista tríplice incluindo o mais votado da eleição direta e acrescentando dois outros nomes de escolha livre do Conselho Universitário. Essa é a prática usada, por exemplo, na UFPI.

Além de ser afetada pela MP 914, a UFPI também está na lista das 33 instituições federais de ensino superior que terão nomeados um novo reitor em 2020. A Federal do Piauí realiza eleição em maio e o início do novo mandato deve ser em novembro.
 

ADUFPI lança nota de protesto

A Associação dos Docentes da UFPI (ADUFPI) lançou uma nota pública de protesto contra a MP 914. A entidade acentua que a medida é “não só um ataque a sua autonomia política e de cátedra, mas, sobretudo, evidencia de forma escancarada mais uma ação de retaliação e vingança contra o ‘universo acadêmico’”. A nota diz ainda que a MP tem “vários componentes de ilegalidade”, em uma argumentação semelhante à da Associação dos reitores das Universidades Federais, que promete ação judicial contra o documento.

Na nota, a ADUFPI resgata uma série de ações do governo federal que estariam em confronto aberto e deliberado com as instituições federais de ensino superior. Há, conforme a nota, um movimento com a intenção de desmoralizar as universidades. A entidade dos docentes da UFPI vê essa intenção “nas acusações de cultivo extensivo de drogas ilícitas nas universidades; no ataque aos professores e professoras universitários(as), ao generalizá-los(as) como balburdieiros; em ataque aos estudantes, com corte de bolsas de pesquisa e trabalho; nos ataques às IFES, por meio de cortes de investimento e de custeio, comprometendo o funcionamento destas e também em ataque às universidades via nomeações de reitores fora da escolha dos segmentos universitários”.

Recessão ainda passa fatura e desigualdade cresce no Nordeste

Estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que a desigualdade aumentou no Brasil desde 2015, em especial na região Nordeste. O levantamento analisa a média de rendimentos encontrados nos segmentos mais ricos e entre os mais pobres, apontando a diferença entre as médias de renda. Em âmbito nacional, a desigualdade cresceu 3%. Já no Norte e Nordeste, a distância entre a renda dos dois grupos aumentou quase 5%.

O levantamento da FGV leva em conta o chamado coeficiente Gini, que mede o grau de concentração e estabelece uma variação entre ricos e pobres. O índice varia de 0 a 1 – quanto mais próximo de 0 significa que é menor a distância entre a média de renda e, portanto, a desigualdade. Quanto mais perto de 1, maior a diferença e a desigualdade. O Nordeste tem a maior desigualdade entre todas as regiões brasileiras, com índice de 0,684. Para se ter uma ideia, o índice da região Sul – a que tem menor desigualdade – é de 0,554.

O estudo aponta a recessão de 2015 e 2016 como o grande responsável pela perda de renda entre os brasileiros, efeito que ainda segue bem palpável na realidade social do país. A expectativa era que as desigualdades diminuíssem, mas o descontrole da economia levou a um caminho inverso. Um elemento importante nesse quadro é o desemprego, que cresceu vertiginosamente a partir do final de 2014, seguindo em queda por dois anos.

Isso tudo acentua o clássico quadro social de desigualdade, que faz do Brasil um dos países mais injustos do planeta.
 

Pobres somam 43,5 milhões

A desigualdade é uma marca do Brasil ao longo das décadas ou dos séculos. Mas vislumbrou-se uma tendência de queda, que foi rompida a partir de 2014 e chega ao segundo semestre deste ano com uma marca de 43,5 milhões de pessoas na faixa de pobreza. Isso significa que 21% dos brasileiros são pobres. Os dados estão em um outro estudo – este do Banco Mundial – que reforça a leitura da pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas.

Os dados da FGV apontam ainda que a renda média da metade mais pobre da população nacional caiu 18% desde o início deste ano. No caso do 1% mais rico, a persa foi bem menor: 10%. Os estudiosos da FGV cobram uma agenda objetivo para recuperação da economia. E uma das chaves da reversão é a geração de emprego, um desafio que tem diversos obstáculos, desde a reativação da economia até as mudanças estruturais do mercado.

MP define regras para eleição de reitor e UFPI terá que se ajustar

O governo publicou ontem uma Medida Provisória (MP) que define mais claramente as regras para as eleições nas universidades federais e institutos federais. A medida deixa mais clara a obrigatoriedade de eleição através do voto da comunidade acadêmica, e traz como principal mudança a necessidade de formação de uma lista tríplice incluindo somente o nome de candidatos que se submeteram à votação de professores, alunos e servidores das instituições federais de ensino.

A definição altera uma prática que era adotada, entre outras, pela Universidade Federal do Piauí. Essa prática agora vetada permitia que o Conselho Universitário definisse uma lista tríplice que poderia incluir nomes não submetidos à votação pela comunidade acadêmica. Na UFPI, em vários momentos ocorreu da lista tríplice ter o nome mais votado na eleição interna e incluir mais dois nomes escolhidos ao bel prazer do Conselho.

Esse tipo de prática levou à judicialização da disputa pela reitoria em Pernambuco. O impasse retardou a definição do novo reitor, ultrapassando o prazo do mandato em vigor – o que levou à indicação de um reitor pro tempori. Na UniRio, a prática permitiu que fosse escolhido um nome da lista tríplice aprovado no Conselho, mas que não havia se submetido à votação pela comunidade acadêmica. Pelas regras definidas na MP, a lista tríplice será composta necessariamente pelos três mais votadas em consulta à comunidade universitária.

A medida também estabelece como regra uma prática razoavelmente comum nessas votações (inclusive na UFPI), onde o voto dos professores tem peso de 70%, cabendo a estudantes e servidores o peso de 15%, cada.
 

Decisão resolve embate na UFPI

Já está em pleno andamento a campanha pela eleição do novo reitor da UFPI, que deve acontecer em maio para um mandato de quatro anos que se iniciará em novembro. Mas a formação da lista tríplice já era motivo de debate, já que a federal do Piauí por várias vezes adotou a sistemática de formar uma lista incluindo nomes não votados na eleição direta. Esse debate era feito especialmente pela oposição, que temia ter seus candidatos excluídos em um Conselho que ela vê controlado pela Administração Superior.

Com a medida, o debate se encerra. Necessariamente a lista tríplice – de onde o presidente da República terá que obrigatoriamente escolher um nome para reitor – terá que ser integrada pelos três mais votados. No momento, pelo menos quatro nomes estão postos como potenciais candidatos à reitoria da UFPI: André Macedo, o nome da escolha pessoal do atual reitor Arimatéia Dantas; Gildásio Guedes e Nadir Nogueira, que são dissensões da atual administração superior; e Nelson Juliano, que trafega pela oposição.

Espera-se ainda um nome mais afinado com o governo Bolsonaro e outro representando a esquerda mais extremada.

Emprego formal tem lenta recuperação: só metade em 2 anos

A geração de emprego era uma promessa da reforma trabalhista de 2017. Também era uma expectativa que se formou antes da posse do novo governo. Os empregos até que apareceram, mas com dois seções: primeiro, as vagas de trabalho não apareceram na medida esperada; segundo, boa parte dos novos postos são informais. Dados do Ministério da Economia mostram que o mercado de trabalho formal ainda está longe de recuperar as vagas perdidas na crise que se instalou no final de 2014 e se revelou terrível em 2015 e 2016.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Ministério da Economia, o Brasil perdeu entre 2015 e 2017 nada menos que 2,873 milhões de vagas. Nos dois anos seguintes (portanto, 2018 e 2019), a vagas recuperadas somaram 1,494 milhão, dado referente até novembro. Ainda que haja algo de incremento com os números de dezembro, o déficit vai ficar longe. Sem contar dezembro, a diferença é de 1,379 milhão postos de trabalho.

A crise que explodiu no final 2014 ainda deixa graves sequelas.

Quando se olha o desempenho anual, o ano de 2014 não costuma ser colocado na lista de recessão vivida pelo país. No total, boa parte dos números ainda são positivos. Mas o desempenho do último trimestre já desenhava a recessão que se mostraria brutal em 2015 e 2016, chegando mesmo ao início de 2017. Vale chamar atenção para a indústria, que perdeu nada menos que 1,120 milhão do final de 2014 ao início de 2017. Nos últimos dois anos, recuperou apenas 126,7 mil vaga, ou apenas 11,3% do total.

A fatura da recessão segue viva.
 

Economista mostra otimismo

Os dados mais recentes sobre a geração de emprego trazem otimismo para os analistas da conjuntura. José Pastore, economista e professor da USP, avalia com otimismo os dados recentes, como a geração de 100 mil novas vagas em novembro – quase o dobro das expectativas, diz ele. Mas Pastore sabe que a travessia ainda é longa, mesmo que o Brasil volte a crescer cerca de 2,5% a partir de 2020. Com todo o optimismo, avalia que 2018 e 2019 fechará um ciclo com recuperação de apenas metade das vagas formais perdidas na crise.

José Pastore acredita que, para chegar ao estoque de empregos de meados de 2014, ainda serão necessários uns três anos de bom desempenho da economia. A lentidão da recuperação tem um outro fator que vai além do desempenho do PIB: "Há uma transformação estrutural na geração de empregos, com o incremento da informatização, da robotização e, principalmente, do trabalho por aplicativos. Parte da atual ociosidade nos meios de produção não será reocupada por trabalhadores formais", ressalta.

Ou seja: o emprego vai crescer em um ritmo aquém do desempenho do PIB.

‘Querem atingir o presidente’. E os filhos ajudam pra caramba

O senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, divulgou um longo vídeo (14 minutos) se defendendo de acusações feitas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O senador apresenta argumentos contrários às principais acusações. Mas o resumo do vídeo é simples: “querem atingir o presidente”, diz Flávio. Ele não apenas se defende. Ele também ataca especificamente alguns promotores, questiona a postura do juiz e também aponta o dedo para o Grupo Globo.

Flávio Bolsonaro é considerado o mais equilibrado dos três filhos do presidente que têm mandato. Mas desde o início do governo está contra as cordas, diante de acusações que deixam em xeque a pregação de mudança nas práticas políticas, onde se destaca a o uso das “rachadinhas” e, agora, lavagem de dinheiro. Dessa forma, aquele com mais jogo de cintura e que mais poderia ajudar o presidente ficou acuado e na defensiva. Ficou sem espaço político.

E esta semana ocupou as redes sociais para se defender. E resumiu todas as acusações em uma frase: “Querem atingir o presidente”. Nesse caso todo, há de se considerar que as denúncias ganham importância por dois motivos: Flávio tem mandato público (seus atos têm força real e simbólica); e é filho do presidente (o que é mais simbólico ainda). Daí, qualquer deslize ganha um peso extra. E efeito maior, inclusive o de prejudicar o presidente – o que vem a ser uma sequela dos atos, não exatamente da imprensa que os explicita. No quesito desgaste, aliás, os filhos capricham, em especial o vereador Carlos Bolsonaro, que faz estragos dentro e fora do governo.

A consequência é natural: o pai paga por isso, especialmente quando protege e dá asas às ações como as de Carlos.
 

De pai para filho: quase um 'te vira'

Não é a primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro dá declarações que o afastam das confusões dos filhos. E repete particularmente no caso de Flávio e as traquinagens do assessor Queiroz. Na sexta-feira, o pai-presidente foi duro ao sugerir que cada um cuide de seus próprios problemas. É como se o presidente evitasse se misturar com o pai, o mandatário se desviando das questões que dizem respeito ao filho.

Mas Bolsonaro, o presidente, termina misturando. Se um dia como a sexta-feira ele se esquiva, em outros esquece o lugar de mandatário e assume o de pai: sai em defesa dos filhos e ataca juiz, promotor e imprensa. Tem mais: faz tudo isso sem contemporizar, em uma linguagem dura que não encontra meios termos. Essa é a regra: desde que assumiu, o presidente nunca esquece que também é pai e junta as duas figuras em uma só.

Projeto torna feminicídio imprescritível. Mas mudar a lei não é tudo

Sem muito alarde, o Senado aprovou na semana passada o projeto de lei que torna imprescritível o crime de feminicídio. O projeto agora fica sob a responsabilidade da Câmara dos Deputados, que deve votar a matéria no primeiro semestre do próximo ano. A medida é considerada importante, mas especialistas no tema da violência contra a mulher entendem que a mudança nas leis não é suficiente para alterar um quadro cristalizado na mentalidade do brasileiro.

A proposta aprovada no Senado é de autoria da senadora capixaba Rose de Freitas, uma das vozes mais constantes e incisivas na defesa da igualdade de gênero. Hoje, o feminicídio prescreve após 20. Se a Câmara ratificar a proposta, acaba-se o prazo. Mas especialistas como a advogada Marina Ganzarolli adverte que o problema é mais profundo. Ela elogia alguns marcos legais conquistados nos últimos anos e cita de modo específico a Lei Maria da Penha, que vai além do eminentemente punitivo. Ganzarolli é taxativa: é necessário mudar a mentalidade do brasileiro, começando por reconhecer a masculinidade tóxica.

Ela chama atenção para outro problema: dar eletividade ao marco legal. “Fazer alterações na lei, endurecer a pena, transformar em imprescritível, inafiançável, aumentar a multa, esse tipo de medida não tem efeito direto na efetividade da lei. Mudar a lei não muda nada, o negócio está na aplicação”, disse Ganzarolli ao site Congresso em Foco.

Não é uma mudança simples. Tem que começar em casa. Mas também passa pelos corredores de instituições como o Judiciário.
 

Aumento nos casos de feminicídio

As denúncias de violência contra a mulher vem sendo um tema com muito destaque no debate público no Brasildos últimos anos. Mas os números parecem dar completa razão aos argumentos da advogada Marina Ganzarolli, que vê o problema muito além do marco legal. E para expor os números, eis um dado do primeiro trimestre deste ano: houve um aumento expressivo no caso de feminicídios. No estado de São Paulo, por exemplo, esse aumento foi de 44% em comparação com o mesmo período de 2018.

Alguns detalhes mostram o feminicídio como uma prática tradutora do machismo que se manifesta através de um sentimento de posse: nada menos que 73% dos casos ocorreram dentro de casa. Ainda em relação a São Paulo, a média de idade das vítimas mortas em 2019 é de 36 anos. E em 46% dos registros, o suspeito foi preso em flagrante.

Se a lei fosse a única questão, os casos deveriam ter reduzido. Mas cresceram.

Ano de 2020 terá 7 ‘feriadões’, além do 'imprensado' do carnaval

Os piauienses terão, em 2020, nada menos que sete “feriadões”, quando o final de semana se junta a uma data considerada feriado gerando uma folga estendida. Esse número não inclui o carnaval, quando a segunda-feira é “imprensada” por muitas categorias, já que a terça-feira é feriado nacional. Também não inclui a data de Corpus Christi, que cai em uma quinta-feira e costuma, por exemplo, transformar a sexta-feira em ponto facultativo nas repartições públicas.

A maior parte desses finais de semana alongados está concentrada no segundo semestre, mesmo com um feriado nacional – o de 15 de novembro – caindo em um domingo. No caso de Teresina, o feriado de 16 de agosto também cai em um domingo. Mas o Dia do Piauí será em uma segunda-feira, provocando o feriadão. Esta é a mesma situação para 7 de setembro, 12 de outubro e dia de finados, todos formando feriados alongados.

O festival de “feriadões” termina no Natal: o 25 de dezembro do próximo ano será uma sexta-feira. Aí, em muitos casos, o superferiado começa na quinta-feira, já que a véspera de natal é folga para muitas categorias, sobretudo no setor público.
 

Confira os feriados de 2020

• Janeiro:
1° – QUARTA-FEIRA, Confraternização Universal.
• Fevereiro:
25 – TERÇA-FEIRA, Carnaval
• Abril:
10 – SEXTA-FEIRA, Paixão de Cristo. Forma um “feriadão” nos dias 10, 11 e 12.
21 – TERÇA-FEIRA, Dia de Tiradentes.
• Maio:
1° - SEXTA-FEIRA, Dia Mundial do Trabalho. Forma feriadão nos dias 1°, 2 e 3.
• Junho:
11 – QUINTA-FEIRA, Corpus Christi.
• Agosto:
16 – DOMINGO, Aniversário de Teresina.
• Setembto:
7 – SEGUNDA-FEIRA, Independência do Brasil. Forma feriadão nos dias 5, 6 e 7.
• Outubro:
12 – SEGUNDA-FEIRA, N. Srª Aparecida. Forma feriadão nos dias 10, 11 e 12.
19 – SEGUNDA-FEIRA, Dia do Piauí. Forma feriadão nos dias 17, 18 e 19.

• Novembro:
2 – SEGUNDA-FEIRA, Dia de Finados. Forma feriadão nos dias 31 de outubro, 1° e 2 de novembro.
15 – DOMINGO, Proclamação da República.
• Dezembro:
25 – SEXTA-FEIRA, Natal. Forma feriadão nos dias 25, 26 e 27.

Conheça Francisco Pereira, o piauiense que colocou a alma do Nordeste nos palcos do Brasil

Na década de 1960, uma tríade de nordestinos encantava os palcos do Brasil, criando personagens que traduziam muito da alma do Nordeste e da essência humana. A tríade era composta por João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e o piauiense Francisco Pereira da Silva. Autor de textos como Raimunda Pinto, Sim Senhor, Francisco Pereira segue com uma atualidade incrível, mais de 30 anos após sua morte.

Pela qualidade dos textos que escrevia, o piauiense mereceu elogios de críticos exigentes, como Yan Michalski e Paulo Francis. Por tudo isso, Francisco Pereira é o personagem do mais novo episódio do Persona, o podcast Cidade Verde que traz sempre uma personalidade que marcou sua época. Vale a pena ouvir.

CONFIRA:
FRANCISCO PEREIRA: o piauiense que colocou a alma do Nordeste nos palcos do Brasil.

CONFIRA TAMBÉM:
JOVITA FEITOSAa guerreira que foi impedida de ir à guerra, mas que gerou exemplo.
ENGENHEIRO SAMPAIOo sonho do Piauí industrial que a elite agrária destruiu.  
CARLOS CASTELO BRANCOo piauiense que, em plena ditadura, deu voz à democracia.
TORQUATO NETO: o piauiense que desafinou o coro dos contentes e deu conceito à Tropicália.
REIS VELOSO: o filho de Parnaíba que fez o Brasil pensar global.
MÁRIO FAUSTINO: o poeta que peitou Carlos Drummond e Vinícius de Moraes.
JOSÉ MEDEIROS: o fotógrafo piauiense que assinou clássicos como Xica da Silva.
AMÉLIA BEVILÁQUA: depois dela, a Academia Brasileira de Letras nunca mais foi a mesma.
DAVID CALDAS: o piauiense que enfrentou o Império e a Igreja.
FRANCISCO FIGUEIREDO: o homem que veio do povo para mudar a política.

Nova presidente do TST acha que reforma trabalhista foi tímida

Há pouco mais de dois anos entrou em vigor a chamada “reforma trabalhista”. Muita coisa ainda está em questionamento em tribunais. Mas as mudanças realizadas são consideradas insuficientes para uma voz que deve ser levada em conta: a de Maria Cristina Peduzzi. Ela é desde a semana passada a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). É a primeira mulher a chegar ao posto, e chega com ideias bem claras, ainda que possam gerar certa polêmica.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, a presidente do TST festejou o fato de uma mulher chegar a posto tão relevante – para ela, ajuda a normalizar o que a lei já garante. Também disse que nunca sentiu machismo. E que a CLT precisa ser atualizada. Quanto à legislação trabalhista, lembrou algo que é até óbvio: o funcionamento das empresas não é mais como antes e que o comércio funciona aos domingos em todo o mundo. Daí, acredita que “vamos acabar não distinguindo mais segunda de domingo”.

O que a ministra do TST afirma tem peso. Primeiro, por ser uma julgadora sobre temas de extrema relevância para o mundo do trabalho. Segundo, porque – além de julgadora em posição de referência – ela passa a ter peso também na definição da agenda sobre esses assuntos. Ao defender a atualização da CLT, por exemplo, abre um debate que certamente terá repercussões e, muito provavelmente, produzirá efeitos.

Para ela, a “reforma trabalhistas” foi só o começo de uma reforma que precisa ser mais profunda.
 

Toffoli ataca Lava Jato e MP

Não foi só a ministra Maria Cristina Peduzzi que andou concedendo entrevistas de impacto neste início de semana. Também o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que falou a O Estado de S. Paulo. E foi duro: atacou a Lava Jato, criticou o MP e, para compensar, deixou elogios a “áreas de excelência” do governo Bolsonaro. Quanto ao MP. Chamou de pouco transparente. Quanto à Lava Jato, disse que destruiu empresas.

A frase sobre a Lava Jato lembra à do ex-presidente Lula, quando dizia que o Lava Jato era contra o Rio de Janeiro por estar no encalço de gente como Sérgio Cabral e Eike Batista. Lula atacava os efeitos da corrupção – a prisão de corruptos que dominaram o Rio por tanto tempo. Nunca fez um único ataque às causas das prisões, a corrupção em si.

A frase do ministro segue uma linha semelhante.

MEC de Bolsonaro virou ‘campus’ de polêmica, sem combater educação ruim

O Brasil há décadas pede uma revolução na educação, tanto do ensino superior como (talvez, principalmente) no ensino fundamental. O governo de Jair Bolsonaro começou prometendo mudanças. De fato apresentou algumas, todas polêmicas e com viés autoritário (já que sem diálogo com o setor) e com resultados discutíveis (a exemplo do Future-se) ou simplesmente terríveis (como o corte de bolsas sem critério palpável). E aí fica claro que o foco dos desmantelos foram as universidades, que se transformaram um campus de muita confusão, indecisão e dúvidas.

Tradutor dos descompassos, o Ministério da Educação (MEC) foi inicialmente ocupado por Velez Rodriguez, apresentado como especialista que nunca se mostrou como tal. O colombiano enveredou por uma gestão meramente ideológica sem olhar para os desafios reais da educação brasileira. Resultado: comprou brigas, se indispôs dentro e fora do governo e acabou saindo pela porta dos fundos após a terceira mais curta passagem de um gestor pelo MEC. A substituição manteve o viés ideológico com Abraham Weintraub, que seguiu comprando brigas com todos os setores da educação.

Weintraub agora beira a unanimidade, já que contabiliza descontentamentos também dentro do governo. Deve deixar o ministério no início do ano. Pode até não sair pelas portas dos fundos, mas não deixará saudades após comprar brigas tolas e inconsistentes, como o embate com os reitores ao dizer que as universidades são laboratórios de produção massiva de drogas.

O que se espera agora é que alguém com o mínimo conhecimento na área possa desembarcar no MEC. E que pense mais em educação que em pregação ideológica.
 

Mendonça Filho é cotado para ministério

Como a saída de Abraham Weintraub já é considerada quase como uma certeza para o início do ano novo, já surgem as especulações em torno de possíveis substitutos no MEC. E o nome que tem soado de forma mais vigorosa é o do ex-deputado e também ex-ministro de educação Mendonça Filho. É mais um nome do PFL em posto chave na Esplanada dos Ministérios. E alguém pode dizer que é mais um político sem conhecimento de causa.

Cabe reparos. Mendonça tem duas importantes experiências na área. Uma, à frente do próprio MEC, quando sentava-se à mesa com os especialistas sem causar constrangimentos. Ao contrário: ele carrega a credencial de ter feito no governo de Eduardo Campos, em Pernambuco, uma das mais importantes mudanças de perfil na educação pública brasileira. Foi nesse período que o Ensino Médio de Pernambuco deu os passos fundamentais para se transformar no melhor avaliado do país, sobretudo com a estratégia das escolas de tempo integral.

Essa mudança leva as assinaturas de Eduardo e de Mendonça.

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