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Convenções têm hoje último dia da ‘preliminar eleitoral’


Convenção do PSB em Minas Gerais: pandaria entre aliados mostra que convenções não encerram discussão sobre alinhamento político
 

As dúvidas praticamente se acabam hoje, no último dia de convenção, que vai definir a formação definitiva dos “times” que concorrerão às eleições deste ano, no plano local e nacional. Para manter a linguagem futebolística, hoje é o último dia da preliminar. A partir de amanhã começa o jogo principal, com candidaturas definidas, alianças oficialmente montadas e discursos mais claramente desenhados a partir das convenções.

Essa fase de definição de candidaturas vai, antes de tudo, delineando os campos. Por exemplo: o PT dá um passo mais para a esquerda, ao não conseguir atrair grandes apoios e ver a chegada de siglas como o PCO. Já Marina Silva (REDE) se aferra a um segmento que tem grande força nos movimentos sociais, assim como Jair Bolsonaro (PSL) se agrara de uma vez por todas ao discurso da direita que aposta em um "governo forte". Geraldo Alckmin (PSDB) busca o caminho tradicional de formar alianças poderosas, enquanto Ciro Gomes (PDT) busca romper o isolamento e abrir espaço em cima da ideia de que é o mais preparado.

A definição desses campos tem dois efeitos.

Primeiro, dar uma ideia do que cada um pode propor como projeto de Nação, diante das orientações ideológica de cada sigla que compõe uma aliança. Esse é um efeito que pode-se dizer “em tese”, pois cabe sempre lembrar o quanto é difícil, no Brasil, saber o que um ajuntamento de partidos pode significar em termos programáticos. Basta lembrar das alianças do PT que juntava PCdoB com o antigo PL ou, mais recentemente, com o PP. As ideias escritas de um tinham muito pouco a ver com as do outro – às vezes eram mesmo antagônicas.

Daí, a definição das candidaturas vale mesmo pelo segundo efeito: saber com quem cada candidato realmente conta, pelo menos de maneira oficial. Esse “de maneira oficial” também mostra outra dificuldade da realidade brasileira: o que se acorda não necessariamente é cumprido – ou até se poderia dizer que em grande parte não é cumprido.  

Sim, as convenções encerram hoje a preliminar, dando passo ao jogo principal. Ok. Mas, na política brasileira, não é comum um jogador de um time jogar para o adversário.

Cada um olha para seu umbigo. E se for preciso fazer um gol contra o próprio time, assim será.
 

Nem todas as dúvidas acabam

As alianças formalizadas hoje não encerram algumas dúvidas importantes. No cenário nacional temos situações como a do PSB, que em parte se aproxima do PT – como em Pernambuco – mas gerando reações entre os próprios petistas. Ou como em Minas, onde o PSB terminou sua convenção com uma completa pancadaria entre correligionários, pelo mesmo motivo da relação não assentada com o PT.

Temos ainda partidos como o Progressista, que oferece a vice de Geraldo Alckmin (PSDB), mas que no Piauí sobe no palanque do PT e festeja as principais lideranças petistas. Ou o MDB, que se debulha em alianças pelos estados, indiferente ao fato da sigla ter um candidato próprio.

Há ainda forças relevantes que ainda não deixaram claro o rumo que vão tomar. Não são partidos, mas influenciam muita gente. São segmentos empresariais como a indústria ou organizações religiosas como a Igreja Católica. Há nelas uma expectativa ou talvez uma perplexidade diante de um cenário com tantas opções, mas nenhuma oferecendo um porto seguro.

Ao que parece, só o ritmo da campanha e a resposta popular dos candidatos vai dizer para onde essas forças – dentro e fora dos partidos – efetivamente vão. 

Ana Amélia, o Progressista que não é de Ciro


Ana Amélia, a vice de Alckmin: senadora é do Progressista, mas de uma ala que muitas vezes discreta de Ciro Nogueira

 

A indicação da senadora Ana Amélia como vice de Geraldo Alckmin é uma vitória do Progressista, o principal partido do Centrão, e que é presidido pelo senador piauiense Ciro Nogueira. Mas não é exatamente uma vitória de Ciro. Ana Amélia faz parte da ala do velho PP que por vezes discrepa das diretrizes colocadas em prática pelo piauiense. Ela é do Progressista gaúcho, que contrariou o desejo do senador de ver o partido apoiando Ciro Gomes.

Além disso, uma eventual eleição de Alckmin dá ao Progressista um outro interlocutor natural com o partido e com outros segmentos da política, como o Congresso. Vale lembrar o que fazia Marco Maciel, quando vice de Fernando Henrique: ele funcionava como uma ponte direta entre Presidência e Congresso.

Hoje esse papel é de Ciro, tanto na relação com o Progressista como com o Centrão e boa parte do Congresso. Como vice, Ana Amélia dividiria tal função. E isso não agrada ao senador piauiense.
 

PT e PSDB mostram força política

Os partidos estão desgastados, e três ganham um lugar de destaque nesse desgaste: PT, PSDB e MDB. Os três sofrem a rejeição popular em razão da série de escândalos descobertos no país nos últimos anos. O MDB tem um tempero a mais: assina um governo (o de Michel Temer) com extraordinária desaprovação popular. O MDB paga caro por isso e se vê sem aliados na corrida pela presidência da República. Já PT e PSDB mostram força política e chegam à reta final das convenções somando apoios, apesar do desgaste.

O PSDB já conseguiu reunir uma dezena de partidos em torno da candidatura de Geraldo Alckmin. Também conseguiu definir uma vice, a senadora Ana Amélia, do Progressista do Rio Grande do Sul. Alckmin deve encabeçar uma aliança que vai garantir a maior fatia do tempo para propaganda eleitoral no rádio e TV.

Já o PT, que ainda enfrenta o desafio de levar adiante a improvável candidatura de Lula, vai garantindo apoios informais e formais. Formalmente, deve ter o respaldo do PCdoB, talvez até com outra gaúcha – a aguerrida comunista Manuela D’Ávila – na condição de vice. Também já recebeu o sinal de apoio de uma boa fatia do PSB, em especial em Pernambuco, Minas, Paraíba e Bahia.

Vale sempre lembrar que esses dois partidos têm estruturas fortes em todos os estados. Também têm seguidores bem identificados com a sigla. O MDB tem estrutura, mas não tem unidade e nem uma forte identidade popular. Daí, a capacidade de transformar estrutura em voto é mais visível no PT e no PSDB.

PT e PSDB vão tentando repetir a divisão política que, desde 1994, coloca os dois partidos em disputa direta pela Presidência. Bolsonaro (PSL), Marina (Rede) e Ciro (PDT) vão tentar estragar essa festa repetida.

PTC decide romper com Wellington e vai para oposição


Evaldo Gomes: desgaste na relação com o governo  leva o PTC para a oposição a Wellington Dias

 

A Executiva Estadual do PTC decidiu romper com o governo de Wellington Dias (PT) e passar para o lado da oposição. A decisão foi tomada em reunião realizada na noite desta terça-feira, quando o partido considerou mais coerente romper com o governo. “Houve um desgaste muito grande e não tinha sentido manter [a aliança]”, disse o deputado Evaldo Gomes, presidente da sigla no Piauí.

Evaldo disse que o partido vai agora avaliar as possibilidades entre os candidatos da oposição – em especial as opções de Dr. Pessoa (Solidariedade) e Luciano Nunes (PSDB). A coluna apurou que a tendência mais provável é o apoio à candidatura de Dr. Pessoa, com quem o PTC esteve muito próximo de formalizar a aliança na manhã desta terça-feira.

O desgaste com o governo começou quando o governador Wellington Dias rejeitou a pretensão do partido de lançar uma chapa proporcional alternativa, a chamada “chapinha”, bem como a intenção de apresentar um candidato ao Senado, no caso o ex-prefeito de Novo Oriente, Dr. Marcos Vinicius. O governador chegou a recuar da decisão, mas o desgaste já estava estabelecido.

Ainda ontem foi feita uma última tentativa do governo de manter o PTC na chapa encabeçada por Wellington Dias. O governo admitiu que fosse feita uma chapa alternativa em aliança com o PCdoB. Mas não cedeu na ideia do partido de lançar seu próprio candidato ao Senado. A proposta foi levada para a discussão na reunião da Executiva, que a rejeitou. A decisão foi de cerrar fileiras na oposição.

O deputado Evaldo Gomes diz que o partido segue conversando com outras siglas para decidir o rumo que vai tomar. Nessas discussões está a possibilidade de aliança com o PRB de Silas Freire e Pastor Gessivaldo. O grande problema está na chapa para deputado federal: Silas teme que a aliança com o PTC não seja suficiente para garantir a eleição de pelo menos um representante do grupo para a Câmara dos Deputados.
 

Dr. Pessoa oferece vice ao PTC

A possibilidade de aliança do PTC com o Solidariedade do Dr. Pessoa pode incluir além do candidato ao Senado também a vaga de vice. Dr. Pessoa já anunciou que, se tudo caminhar como deseja, sua vice será a advogada Vanessa Tapety, neta do ex-deputado Juarez Tapety.

O nome de Vanessa fortalece a posição do PTC, mas também abre uma janela para apoio de segmentos descontentes no MDB à candidatura de Dr. Pessoa. Vanessa é casada com San Martin, que é advogado do MDB e tem estreitas ligações com o ex-ministro João Henrique.

Tarso Genro quer Boulos como candidato das esquerdas


Tarso Genro: de olho na união das esquerdas, admite um candidato de fora do PT, mais precisamente de Guilherme Boulos (PSOL) 
 

Para todos os efeitos, o PT tem um plano único com vistas à disputa pela Presidência da República: Lula. Os movimentos dentro do partido vão mostrando, no entanto, que o partido tenta construir o plano alternativo, sabedor da quase remota possibilidade de Lula ser confirmado candidato. Até aí, nada de novo. O novo mesmo é ver lideranças petistas como o ex-ministro Tarso Genro defender que o partido adote como candidato um nome de fora do partido.

Tarso genro é um histórico do PT. Ele levou o partido à prefeitura de Porto Alegre e ao governo do Rio Grande do Sul. Também foi ministro de três pastas (Educação, Relações Institucionais e Justiça) no período Lula. Tarso impinge uma dupla quebra no discurso petista. Primeiro, acha que o partido deve buscar logo a alternativa à candidatura Lula. Segundo, acha que o escolhido não precisa ser o petista Fernando Haddad. E defende que seja Guilherme Boulos, do PSOL.

O raciocínio de Tarso Genro não é uma exclusividade. Muitos – entre eles a pré-candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila – vêm risco na divisão das esquerdas. Essa divisão pode fazer que o campo esquerdista esteja fora do segundo turno. Daí, a unificação em torno de um único nome seria um caminho razoável, a estratégia mais segura.

Em algum momento, Ciro Gomes (PDT) chegou a ser lembrado como essa alternativa. Mas Ciro vai acumulando falas polêmicas que o impedem de somar apoios e até levam à perda de potenciais aliados. O PT e o PCdoB estão nesse último caso, em especial o PT. O candidato do PDT faz críticas às estratégias petistas e vai diminuindo a chance de ser o nome a representar as esquerdas.

Muito em razão da língua de Ciro, que atira para todos os lados, a própria Manuela já disse que, sem acordo em torno de uma única candidatura, ela não tem porque levar o PCdoB a outro candidato. E, se permanecer assim, ela mantém a candidatura comunista. Tarso Genro chega para tentar repor a perspectiva de unidade – e não necessariamente com o seu PT, e sim com Boulos.

Vale lembrar, Boulos tem grande proximidade com o núcleo petista mais alinhado com Lula. Antes de ser preso, no início de abril, o próprio Lula não cansou de fazer festa para o candidato do PSOL. Com tais afagos, queria que o PSOL abandonasse a candidatura própria e reforçasse a estratégia petista.

Pois Tarso Genro chega com um pensamento inverso: que o PT esqueça seu próprio nome – no caso o plano B personificado em Fernando Haddad – e apóie Boulos. É uma proposta que vai dar o que falar, especialmente dentro do PT, que vê um nome “de casa” sendo desqualificado como alternativa dentro do próprio terreiro.

Há um problema a mais: a convenção do partido acontece no sábado. Até lá, qualquer acordo será muito difícil, ainda mais em torno de um não filiado ao PT.

Luciano tenta pescar no descontentamento na base governista


Luciano Nunes e Ciro Nogueira com lideranças da região de Oeiras, em Santa Rosa: oposição e base governista se misturam pelo interior

 

O pré-candidato do PSDB ao governo do Estado, deputado Luciano Nunes, está correndo contra o tempo para pescar no rio revolto da base de sustentação do governo Wellington Dias (PT). Desde a decisão de Wellington de reservar para o PT o lugar de vice na sua chapa majoritária, há explícitos descontentamentos entre aliados, uma parte dispondo-se até mesmo a seguir um rumo que não seja o palanque governista. É aí onde Luciano lança sua rede.

Nos últimos dias, Luciano traduziu em manifestações públicas esse descontentamento transformado em adesão ao tucano. Um dos primeiros a colocar a cara e declarar apoio ao tucano foi o prefeito de Regeneração, Hermes Júnior. Hermes é do PR, liderado pelo deputado Fábio Xavier, que é alinhadíssimo com o Karnak.

No final de semana, o tucano distribuiu fotos em que aparece com lideranças na região de Oeiras. Além de receber apoio de lideranças do Progressista na região, ainda se deu ao luxo de posar em meio ao povo em companhia do senador Ciro Nogueira. Ciro é presidente do Progressista e candidato à reeleição na chapa de Wellington. A foto dá o que falar.

“Quero o apoio de todos os descontentes”, afirma Luciano, procurando demonstrar a ideia de crescimento de sua candidatura precisamente colhendo na plantação petista.

Algumas manifestações desse tipo eram esperadas. Em muitas cidades, integrantes de partidos aliados de Wellington Dias não conseguem conviver, muito menos subir no mesmo palanque. Quando isso acontece, o segmento que se acha menos prestigiado pelo governo termina tomando outro rumo, indiferente à decisão oficial do partido.

Um exemplo dessa situação é Oeiras. Lá há dois grandes grupos – os ligados aos Tapety e o que orbita em torno de B. Sá. A indicação de Marcelo Castro para a chapa majoritária fortalece a família Tapety, que mantém estreita relação com o deputado. Ao mesmo tempo, afasta o grupo de B. Sá, que não engole ver os arqui-inimigos em posição tão vantajosa.

Luciano está de olho nesse tipo de descontentamento fruto dos problemas locais. E também nas reações às mudanças na chapa majoritária governista.
 

Assis pressiona por apoio a Ciro

Se depender do presidente estadual do PT, deputado Assis Carvalho, o senador Ciro Nogueira (PP) não terá dúvidas sobre o apoio dos petistas à sua candidatura de reeleição ao Senado. Assis tem pressionado aliados refratários ao senador progressista, um sentimento que é alimentado desde 2016, quando Ciro apoiou o impeachment de Dilma Rousseff.

Assis vem demonstrar uma afinidade com Ciro que não havia antes. Vale lembrar, o próprio deputado engrossou o coro de críticas ao senador, depois do impeachment. As idas e vindas sobre a chapa majoritária parecem ter reaproximado os dois – por exemplo, ambos se posicionavam mais por Marcelo Castro que por Themístocles Filho.

A aproximação, se depender de Assis, seguirá pelo menos até outubro.

Eleição 2018 pode repetir polarização entre PSDB e PT


Alckmin e Haddad, em foto de quando um era governador e o outro prefeito: possibilidade de polarização

 

A campanha de 2018 prometia repetir 1989, com indefinições até o fim e um mundo de candidatos. Mais que isso, prometia não repetir as campanhas entre 1994 e 2014, quando PSDB e PT polarizaram todas as disputas. O encaminhamento vai mostrando que o número de candidatos, apesar de expressivo, estará longe dos 22 de 1989. E, ao contrário da previsão geral, o processo dá sinais de que a disputa pode se encaminhar para mais um Fla-Flu. Isto é, para outro embate entre PT e PSDB.

O número de candidatos deve ficar perto de uma dúzia, provavelmente um pouco acima. Isso faz que se reafirme uma tendência de crescimento no total de concorrentes desde 2002, quando tivemos 6 presidenciáveis. Em 2006 foram oito concorrentes, passando para nove em 2010 e chegando aos 11, em 2014.

Mas o que parece realmente jogar pela janela todas as projeções que se fazia, por exemplo, há cerca de um ano é o que diz respeito à renovação e ao fim da polarização entre PT e PSDB. As duas previsões furadas, aliás, estão juntas.

Calculava-se que a Lava Jato seria um destroço no mundo político e quem tivesse pelo menos uma citação na operação que destapou o bueiro da corrupção estaria frito. Condenado! Derrotado!

O cenário atual vai mostrando que não. Os novos nomes que apareceram foram ficando pelo caminho, por não conseguirem conviver com o sistema (caso de Joaquim Barbosa) ou porque não foram levado em conta pelo eleitor (caso do empresário Flávio Rocha). Há ainda aqueles que ameaçaram entrar na disputa mas permaneceram distantes, caso do apresentador Luciano Huck.

E ficaram os de sempre. Se Lula pudesse concorrer, estaria na sexta disputa presidencial. Já Ciro Gomes, assim como Marina Silva, fará sua terceira tentativa de chegar ao Planalto. E Alckmin estará na segunda tentativa de chegar lá. Jair Bolsonaro, que se vende como novidade, está na política há 30 anos, e com práticas mais que batidas – como evidenciam os dois filhos com mandato de deputado: de pai para filho desde sempre.

Mesmo nomes vinculados aos escândalos de corrupção seguem com bom apoio popular. E isso explica a permanência cpmpetitiva de PT e PSDB no confronto, e com perspectivas de outra polarização, repetindo o embate final desde 1994. Acreditava-se que os dois partidos seriam seriamente arranhados. Até que foram, mas não a ponto de perderem o protagonismo.
 

Estrutura e alianças reforçam PT e PSDB

PT e PSDB são os dois partidos mais estruturados do país, com lideranças nos grandes centros e nos grotões. E mostram um pouco mais de unidade que o MDB, outro grande entre as siglas brasileiras. Isso já seria um bom suporte para viabilizar qualquer candidatura.

Os dois vem contando com a pouca confiança que inspiram seus concorrentes na corrida presidencial. As pesquisas (sem Lula) mostram que pelo menos três candidatos estão à frente de seus representantes: Bolsonaro, Ciro e Marina. Mas nenhum tem conseguido apoios políticos. Isso significa pouco tempo de TV e menos suporte nos estados. Daí, cresce a chance da repetição da polarização de sempre.

E o Brasil pode ver, outra vez, PT e PSDB na final da corrida eleitoral. Deta vez com Fernando Haddad de um lado e Geraldo Alckmin de outro.

Alckmin enfrenta conflitos regionais, inclusive no Piauí


Geraldo Alckmin: com o apoio do Centrão, tucano ganha um grande potencial de voto e alguns conflitos regionais que podem trazer problemas

 

No mais expressivo acontecimento deste início do prazo para realização das convenções partidárias, Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu o apoio do Centrão – aquele importante bloco de partidos com alto poder político e considerável potencial de transferência de voto. Mas além do poder político e eleitoral, Alckmin leva no pacote uma série de divergências regionais que, em muitos casos, pode simplesmente minar uma parte do potencial de votos previsto.

A dificuldade que a realidade regional vai impor a Alckmin ficou patente logo após a solenidade que formalizou o apoio do grupo, e através da voz do senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do Progressista. Indagado por um repórter, Ciro disse que se Lula for candidato, pessoalmente votará no petista.

A frase revela bem o sistema partidário brasileiro onde nem mesmo o presidente de uma sigla consegue ser fiel às decisões coletivas. Também revela um pouco do teatro político nacional, aqui entendendo-se teatro como encenação, como o jogo de encantamento da plateia, ou pelo menos de uma certa plateia.

O senador sabe que as chances de Lula ser candidato são remotas – como já admitiu em entrevista à Rádio Cidade Verde. Talvez até tenha informações que essas chances são nulas. Mas acena com a possibilidade de votar em Lula, quase ao mesmo tempo em que anuncia o apoio do PP a Alckmin.

A diferença entre a fala (pró-Lula) e o ato (pró-Alckmin) tem a ver com a situação de Ciro no Piauí, onde é aliado do PT, um PT onde alguns resistem em abraçar o senador progressista. A fala é um afago nos aliados locais e o ato um projeto real de Poder para os próximos quatro anos.
 

Os problemas de Alckmin nos estados

Geraldo Alckmin já conta com o apoio de dez siglas: o núcleo do Centrão (PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade), PSD, PTB, PPS e PV, além do próprio PSDB. Dez partidos e um mundo de divergências regionais. O caso do Piauí é só um que o tucano terá que administrar. Em 12 estados há confronto entre partidos do bloco, o que sempre pode implicar em opções diferentes por aliados formais que, de fato, vão pedir voto para outro presidenciável que não o oficialmente escolhido.

Alguns casos chamam atenção:

• Em seis estados o próprio PSDB tem um embate direto com o DEM, incluindo Rio e Minas, segundo e terceiro colégios eleitorais do país. E mais em Mato Grosso, Goiás, Sergipe e Santa Catarina.
• O PRB é adversário do PSDB em Roraima.
• O Solidariedade briga no Rio Grande do Norte com o PSD, que é apoiado pelos tucanos.
• O PP pode concorrer com o partido de Alckmin em quatro Estados: Amazonas, Roraima, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
• E o PR também deverá ter candidato em Mato Grosso e Santa Catarina. 

Para completar tem o caso do Piauí, onde o PP (do lado do PT) teoricamente enfrenta o PSDB de Alckmin. Mas aqui o PSDB como oposição não é um problema. Problema mesmo é o reflexo da aliança do PP com o PT no palanque nacional.

Comprador da Cepisa prevê aumento de servidores


Leilão da Cepisa, ontem, em São Paulo: perspectivas de novos investimentos que gerem mais emprego na empresa

 

Um dos mais ferrenhos críticos da qualidade da energia vendida pela Cepisa, o presidente da Associação Industrial do Piauí, Gilberto Pedrosa, estava sorridente, ontem. Tão eufórico que não se furtou em repartir a felicidade: distribuiu mensagens via internet comemorando o leilão que passa o controle da Cepisa para a iniciativa privada. Uma comemoração recheada de números: o investimento total a ser feito na empresa, o imposto a ser recolhido pelo estado e o percentual de redução da tarifa ao consumidor.

Gilberto Pedrosa talvez contasse com mais motivos para comemorar se tivesse acompanhado a entrevista coletiva de Augusto Miranda, o presidente da Equatotial Energia, que arrematou a companhia de distribuição de energia do Piauí. Augusto explico a razão estratégia da compra – uma empresa que já atua na região e mantém relação com a Cepisa. Assim, a compra é só um passo a mais na atuação que já tem por aqui, como dona da distribuidora de energia no Maranhão, a Cemar.

O que certamente animaria muito mais Gilberto Pedrosa é a perspectiva da nova Cepisa seguir na contramão do temor dos empregados e sindicalistas: ao invés de demitir, a empresa deve contratar. Augusto Miranda aponta para essa perspectiva tomando como exemplo as duas empresas controladas pela Equatorial: a Celma e a Celpa (no Pará). Em ambos os casos, o número de trabalhadores praticamemnte dobrou. No caso do Celpa, saiu de 3 mil funcionários no final da fase estatal para os 6 mil de hoje.

Augusto afirma que isso deve acontecer também no Piauí. E por uma razão muito simples: serão feitos investimentos que gerarão novos negócios. E para mantê-los a Cepisa precisará de mais gente. Disse mais: a disposição inicial é manter os trabalhadores que “comprarem o negócio”. Segundo ele, o primeiro passo da empresa será "vender" o negócio, contar com parceiros que acreditem na nova Cepisa. Quem acreditar – incluindo funcionários – estará no projeto.

O investimento inicial está definido na proposta apresentada no leilão: serão R$ 720 milhões em ações que garantam melhor qualidade da energia ofertada, o que traz junto a possibilidade de ampliar os negócios da empresa – por exemplo, assegurando o suprimento energéticos a novos empreendimentos, o que significa mais faturamento para a companhia.
 

A estratégia da Equatorial na compra da Cepisa

A compra da Cepisa pela Equatorial Energia tem uma estratégia bem clara: quer se valer da sinergia com as distribuidoras do Maranhão e Pará e formar um grande bloco de atuação da empresa. Olhando dessa forma, a compra deve indicar que ela estará presente nos futuros leilões. Se o argumento vale para o Piauí, certamente valerá para as distribuidoras do Amapá e Amazonas, por exemplo. E também para as de Roraima e Rondônia.

O mercado avalia que o negócio com a Cepisa só se justifica por isso e pelas possibilidades de crescimento do Estado. Sim, porque a média de consumo por cliente, no caso da Cepisa, é um valor baixo. Para ganhar dinheiro só com a Cepisa, precisa ampliar clientes e contar com grandes consumidores – coisa rara no Piauí. Daí, a sinergia explica boa parte da estratégia.

Seja como for, o resultado do leilão abre novos horizontes para os consumidores piauienses. Basta lembrar, quando a Equatorial comprou a Cemar, ela era a pior empresa no ranking Eletrobrás. Hoje, é a segunda melhor. Que assim seja com a Cepisa.

Acordo entre MDB e Wellington ainda não foi selado


Wellington Dias e Themístocles Filho: foto do tempo em que os dois exibiam em público largos sorrisos de confiança

 

Há conversas e há desenho de acordo. Mas o acordo propriamente entre o governador Wellington Dias (PT) e o MDB ainda não foi selado, especialmente pelo fato do deputado Themístocles Filho manter um pé atrás. É a história: gato escaldado tem medo de água fria. E a água que mete medo em Themístocles parece ser mais gente do próprio partido que o do time do PT.

O desenho do acordo inclui três pontos. O primeiro – e o mais importante – é o apoio à candidatura de Marco Aurélio Sampaio, o filho de Themístocles que agora se coloca como postulante a uma vaga na Câmara Federal. Os dois outros pontos, segundo avaliações políticas, estariam relacionados à futura vaga no TCE e a eleição de um membro do MDB para a presidência da Assembleia, na eleição de fevereiro próximo. Esse é um posto que o PT deseja há tempos, tanto que vinha fazendo questão da chapa pura para alcançar maior presença na Assembleia.

Se o acordo sair, a direção do Legislativo estadual pode ficar outra vez com um membro do MDB.

Quanto ao apoio à candidatura de Marco Aurélio, viria especialmente de Marcelo Castro, que destinaria parte de seus redutos para o novo postulante à Câmara. O problema é que esse apoio vai se diluindo, inclusive pelo fato de Marcelo não ter comunicado ainda às bases que mudou de projeto eleitoral, agora como candidato ao Senado. A demora seria exatamente para não liberar as bases. Mas as bases começam a se liberar por si. E sem um indicativo de apoio real e consistente, essa promessa tende a não surtir efeito.

Segundo comentários dentro do próprio MDB, Themístocles gostaria de algo mais concreto que a promessa de apoio. Sabe da própria e recente experiência que promessa pode não se transformar em fato.

E toda essa demora desagrada ao governador Wellington Dias, que vê pela primeira vez alguma dúvida em torno de seu bloco de aliados. Há descontentes, sim. E em vários partidos. Integrantes do Progressista e do próprio MDB mais próximo do Karnak já pediram que o governo faça logo uma avaliação do real impacto provocado no eleitorado pela mudança no desenho da chapa proporcional.

Acredita-se que não tenha sido pequeno. Mas também avalia-se que há tempo para corrigir possíveis desgastes. E a primeira correção seria manter Themístocles na base, o que significaria praticamente segurar todo o MDB.

Marcelo ainda não disse às bases que é candidato ao Senado


Marcelo Castro: anunciado candidato ao senado, o deputado ainda não comunicou às suas bases a mudança de candidatura

 

O assunto ganhou grande repercussão na imprensa e é possível que não haja uma só liderança política, dentro e fora do MDB, que desconheça a candidatura do deputado Marcelo Castro ao Senado, na chapa de Wellington Dias (PT). Mas política não é assim, só de ouvir dizer, ainda mais à distância. E, já nove dias depois, a maioria das lideranças que apoiavam Marcelo para uma volta à Câmara ainda não foram comunicadas da mudança de candidatura.

A coluna entrou teve o contato com três prefeitos que apóiam Marcelo – de três partidos distintos. Nenhum teve uma palavra do deputado sobre o novo cenário eleitoral.Sequer um telefonema. O contato é uma praxe, uma cortesia com o aliado. Serve para dar uma satisfação e também para redefinir encaminhamentos.

Com uma mudança de planos como aconteceu com Marcelo Castro, as lideranças criam algumas expectativas. Umas, mais apegadas ao político, esperam uma nova orientação. Outras, com alternativas a seguir, esperam a palavra definitiva para oficializarem o novo rumo, para uma alternativa que já têm. E há ainda aquelas para quem basta o noticiário da imprensa para tomar um rumo novo, sem esperar justificativas.

Dos três prefeitos com os quais a coluna manteve contato, um já tinha definido apoiar a candidatura de reeleição de Iracema Portella. Outro, que dividia os votos entre Marcelo e um deputado de oposição, ainda espera uma palavra do candidato a Senador – mas tende a concentrar votos na outro opção que já tinha. E o terceiro aguarda uma orientação. deve seguir o que o parlamentar disser.

De qualquer forma, a demora de Marcelo Castro em fazer contato com as lideranças que o seguiam como deputado está vinculada à própria falta de um entendimento dentro do MDB em torno da posição do partido. É possível que haja um acordo que, para manter Themístocles Filho na base governista, leve Marcelo a apoiar Marco Aurélio Sampaio para deputado federal.

O problema é que a demora pode reduzir muito o capital eleitoral que Marcelo pode apresentar em contrapartida.
 

Marcelo não entregará toda sua base

Em 2014, quando se lançou candidato ao governo do Estado, Marcelo Castro anunciou que votaria em Paulo Márcio, o médico que o então governador Zé Filho queria transformar em deputado federal. Nem todo aliado de Marcelo seguiu a orientação e muitos acertaram posturas com outros postulantes à Câmara.

Quando a pretensão de Zé Filho de ser ele mesmo o candidato a governador levou Marcelo a abandonar a candidatura ao Karnak e voltar à condição de candidato à Câmara, o deputado já não encontrou todas as bases disponíveis. Muitos seguidores de antes já tinham novos compromissos. Resultado: a votação de Marcelo em 2014 caiu 60 mil votos em relação a 2010. Agora, a situação pode se repetir.

Daí, a pergunta que fica é: quanto ainda conseguirá transferir dos 111 mil votos conseguidos no pleito passado?

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