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Disputa em Picos terá impacto sobre candidaturas ao governo em 2022

Que as disputas municipais são a ante sala da eleição geral de dois anos depois, isso não representa nenhuma novidade. Mas as municipais deste ano no Piauí guardam emoções especiais particularmente em duas cidades: Teresina, por ser a capital, e Picos, por dizer muito do enfrentamento entre os dois grandes grupos que se preparam para o enfrentamento de 2022 e também por impactar especialmente dentro do PT. O partido que atualmente detém o poder no Estado trava um delicado jogo de acumulação de forças entre os diversos grupos internos, e particularmente entre algumas estrelas do petismo piauiense.

O roteiro de 2022 está longe de ser definido. Mas cada um quer tomar para si a responsabilidade de escrevê-lo. Quando estava à frente do partido, o deputado Assis Carvalho trabalhava para ser protagonista nessa escrita, e desenhava de uma forma a ter condições de influir para levar Regina Souza à disputa pelo Karnak. Assis não está mais entre nós, mas Regina segue como uma alternativa. O principal contraponto interno é o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles.

Rafael tem alguns entusiastas de primeira hora, como a deputada Flora Izabel. Mas ele próprio joga suas cartas, uma delas através da candidatura do sogro, o empresário Araujinho, que sempre foi ligado ao MDB de Kleber Eulálio mas filiou-se ao PT para ter as bênçãos do petismo na intenção que tem de chegar à prefeitura de Picos. Se Araujinho for eleito, fortalece muito o genro no jogo interno pela indicação de uma eventual (ou mesmo provável) candidatura petista à sucessão de Wellington.

É, no entanto, um jogo que está apenas começando. Até porque o andamento do roteiro vai depender muito dos rumos do próprio governo comandado por Wellington.
 

Picos terá embate especial entre Ciro e Wellington

As eleições de Picos não são olhadas com atenção apenas pelos petistas. Também os progressistas de Ciro Nogueira dão especial atenção ao confronto que vai colocar de um lado o PT e, do outro, o Progressistas. O que há de comum entre os dois olhares? As eleições de 2022, que deve colocar em lados opostos Ciro e o governador Wellington Dias, que dividiram palanque nas duas últimas disputas estaduais. O confronto municipal, na verdade, será uma repetição de 2016, só em que com uma tensão mais elevada - o que aponta para a separação futura.

Ciro joga algo nas eleições municipais. Wellington também. Os dois querem formar um poderoso pé-de-meia eleitoral. Os petistas querem passar das 50 prefeituras próprias, além de outro punhado de prefeituras ocupadas por aliados instalados em outras siglas. O Progressistas tem hoje mais de 80 prefeitos. Quer pelo menos repetir a dose como base para a candidatura de Ciro ao Palácio do Karnak. Além disso, Ciro também quer contar com outras siglas, a começar com o PSDB hoje instalado na prefeitura de Teresina. Nesse sentido, manter Teresina é estratégica para o líder dos progressistas.

Em transparência sobre Covid, Teresina é 20ª capital e Piauí 24º estado

O estado do Piauí está na 24ª posição em transparência no que diz respeito às ações relacionadas ao combate à Covid-19. A prefeitura de Teresina também está em posição pouco festejável: ocupa o 20° lugar entre as 26 capitais. O ranking está no relatório da Transparência Internacional que acompanha a forma como os gestores de estados e capitais informam à cidadania sobre as ações que desenvolvem em relação à pandemia. É o terceiro relatório da Transparência Internacional – e aponta melhora nas informações prestadas pelos gestores públicos, mas tanto o Piauí quanto Teresina perderam posições.

No ranking de maio, por exemplo, o Piauí estava no 18° lugar e Teresina, no 19°. Agora na terceira rodada, com o levantamento referente a julho, a ONG que atua em todo o mundo mostra Teresina perdendo uma posição e o estado caindo cinco. Mesmo com a perda de lugar na ordem de classificação, as duas gestões melhoraram a pontuação – o que de maneira geral ocorreu em todo o país, muito provavelmente fruto da fiscalização de instituições como a própria Transparência.

No ranking, a Transparência Internacional dá pontuação de 0 a 100 – quando mais pontos, mais transparente – e aponta um conceito: Péssimo de 0 a 20 pontos; Ruim de 20,1 a 40; Regular de 40,1 a 60; Bom de 60,1 a 80; e Ótimo de 80,1 a 100 pontos. Em maio, eram apenas 4 estados com conceito Ótimo, número que saltou para 19 em julho. Entre as 26 capitais (Brasília não entra na conta, já que está como DF entre os estados), eram apenas 2 com índice Ótimo, contra as 17 do último ranking.

Em maio o Piauí tinha conceito Regular, com 53,1 pontos. Agora passou para o conceito Bom, com 69,8 pontos. Teresina tinha em maio um índice Ruim, com 34,1 pontos em transparência. Passou em julho para Bom, com 75,9%.
 

Vigilância aumenta a transparência

A aplicação dos recursos destinados ao combate à pandemia tem levado a muitas iniciativas de controle mais detido sobre os trâmites legais. Órgãos como o TCU e os TCEs, bem como o Ministério Público, estão vigilantes. E também ONGs como a Transparência Internacional, reconhecida pelo trabalho de fiscalizar um item considerado fundamental para o bom funcionamento das democracias em qualquer tempo: a clareza sobre processos e destinações dos recursos que são do público. Para a TI, a vigilância aumenta a transparência e permite maior controle por parte da cidadania.

Na avaliação que faz sobre o uso de recursos destinados ao combate da Covid-19, a Transparência Internacional verifica como as gestões públicas informam sobre recursos, destinação, fluxo de caixa etc. Com um detalhe a mais: o levantamento leva em conta não apenas a disponibilidade da informação, mas a facilidade e clareza para o público saber como se dá o udo dos recursos. O entendimento da Transparência é que quanto mais fácil o acesso a esse tipo de informação, mas o cidadão pode controlar a gestão pública.

MPF vai à Justiça por uso de precatório do Fundef apenas na educação

Foto: Roberta Aline/Cidadeverde.com

A intenção do governo do Estado de usar 35% dos recursos do precatório do Fundef em saúde ganhou mais uma voz contra. Desta vez do Ministério Público Federal, que voltou à Justiça Federal para assegurar que todos os recursos (em valores atualizados: R$ 1,652 bilhão) sejam destinados exclusivamente à educação, conforme a decisão original do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação do MPF se choca com a ação do governo, na forma de ADI, que pediu ao STF autorização para destinar R$ 578 milhões para ações contra de combate à Covid-19.

O MPF vem agindo desde o ano passado a respeito do destino dos recursos do precatório, cujo valor corresponde a recursos que a União não repassou para o Estado quando o Fundeb ainda se chamava Fundef. Em dezembro, o Ministério Público Federal impediu que fosse feita uma licitação para contratação de crédito que anteciparia 50% dos recursos. Na avaliação do MPF, essa ação impediu que o Piauí perdesse cerca de R$ 200 milhões na forma de deságio. O Ministério Pública também considera inconstitucional a aplicação dos recursos fora da área da educação.

De cordo com as manifestações do MPF, a utilização dos recursos exclusivamente na educação também tem amparo em julgados do Tribunal de Contas da União, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público Federal avalia ainda que “a aplicação dos recursos legitimamente destinados à educação também contribui para a redução da desigualdade social, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil” – conforme afirma a instituição em texto disponibilizado no seu site.

A intenção do governo do estado de dar outro fim a parte dos recursos está para julgamento no âmbito do STF.
 

Cármen Lúcia vai decidir sobre ação de Wellington

Ainda está esperando decisão no STF a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo governador Wellington Dias. A ação, na forma de medida cautelar, foi distribuída para a ministra Cármen Lúcia, que ainda não ofereceu um julgamento sobre o tema. Na ação, o governo do Estado diz que já gastou 292 milhões no combate à pandemia do novo coronavírus e registrou ainda perdas de receitas da ordem de R$ 274 milhões, justificando o pedido de autorização para utilizar na pandemia R$ 578 milhões dos recursos do precatório do Fundef.

O dinheiro de precatporio, em valores atualizados somando R$ 1,652 milhões, foi depositado nas contas do governo do estado no mês de junho. Mas a decisão do STF que deu ganho de causa ao governo do Piauí também reafirmou a necessidade de utilização dos recursos exclusivamente em educação. O Estado diz que a intenção é destinar os recursos em um plano de transformação da infraestrutura educativa no Piauí. Mas quer utilizar agora parte dos recursos no setor de saúde – com a garantia de reversibilidade, isto é, de devolução futura do dinheiro.

Bolsonaro cria ambiente para ‘nacionalização’ das campanhas municipais

Bolsonaro nas campanhas municipais: em Sete Lagoas (MG) o debate se dá em torno do presidente da República

Até bem pouco, as análises sobre a campanha municipal deste ano no Piauí apontavam uma tendência à “estadualização”, como um embate prévio entre os dois grupos que são vistos como adversários diretos e principais da disputa de 2022. De um lado, o grupo liderado pelo governador Wellington Dias (PT); de outro, a aliança comandada pelo senador Ciro Nogueira (PP). Nos últimos dias, no entanto, já começa a se olhar a disputa municipal com uma outra lente: ao invés da “estadualização” poderemos ter uma “nacionalização” da campanha, onde a figura divisora seria o presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro não passa despecebido, nem sem discussão. E a possibilidade de se ter Bolsonaro no centro do embate já havia sido apontada por Elivaldo Barbosa em recente comentário na TV Cidade Verde. Elivaldo se referia à disputa no Piauí, mas o fenômeno da "nacionalização" começa a pautar as disputas em diversos estados brasileiros. O debate sobre as questões locais vai ficando em segundo plano e o que aparece nos enfrentamentos é dizer se está a favor ou contra Bolsonaro. Essa polaridade a partir dele próprio deve interessar muito ao presidente, totalmente empenhado em construir um cenário em que ele possa ter viabilidade no projeto de reeleição.

Os exemplos de “nacionalização” das disputas municipais começam a ser mostrados em diversos locais. Um que ganhou projeção nacional foi a disputa na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais. Lá, um dos grupos políticos usou espaço em outdoor para festejar o presidente da República: “7 Lagoas apoia Bolsonaro”, dizia o cartaz que reproduzia ainda o bordão "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". A resposta dos adversários veio em seguida: “7 Lagoas apoia a ema que bicou Bolsonaro”, destacava a peça acrescentando informações negativas sobre a pandemia do coronavírus.

As questões específicas do município não apareceram nos cartazes.
 

Ciro assume Bolsonaro sem reservas

Aqui no Piauí, a relação com Bolsonaro coloca em campos marcadamente opostos os grupos liderados por Wellington e por Ciro. Os petistas torcem o nariz para o presidente. E o senador assumiu sem reservas seu bolsonarismo, fazendo vídeos seguidos sobre andanças nos ministérios e liberação de recursos para municípios e até mesmo para o Estado – como a verba destinada para ampliação da capacidade de exames no Lacen. Esse engajamento ficou evidente na visita de Bolsonaro ao Piauí, ontem.

Ciro fez diversos vídeos mostrando o presidente em São Raimundo Nonato, no parque da Serra da Capivara. Presenteou Bolsonaro com uma camiseta do River e fez uma gravação com Marcelo Álvaro Antonio, em que o ministro do Turismo anuncia verbas para a região, carimbando todas com o nome de Ciro. É curioso, no entanto, notar a atitude do principal aliado de Ciro Nogueira, o prefeito Firmino Filho. O prefeito fez duras críticas a Bolsonaro – talvez para não melindrar tanto o eleitor teresinense diante do elevado bolsonarismo do senador.

Após Caged, Seguro-desemprego também aponta reação da economia do Piauí

Depois de registrar um saldo positivo no emprego no mês de junho, um outro dado aponta para a recuperação gradual da economia do Estado: os pedidos de seguro-desemprego voltaram a recuar na primeira quinzena de julho. É a terceira semana seguida de recuo, em um resultado animador. “Acho que fomos ao fim do poço, mas já começamos a voltar”, afirma o Superintendente do Trabalho no Piauí, Fhilippe Salha, que analisa o quadro observando os dois indicadores.

Sobre as novas contratações, Salha aponta para um detalhe que considera importante: o saldo positivo nas contratações pela indústria da transformação, o que certamente costuma indicar a existência de uma carteira de encomendas para os próximos meses. Isso também está associado às expectativas positivas em outros setores, como o comércio – se encomenda agora é porque quer formar estoque para atender à projeção de crescimento das vendas nos próximos meses.

Vale lembrar, os dados que mostram o saldo positivo do Piauí nas contratações são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Conforme o balanço, o estado registrou no mês de junho 5.061 admissões e 4.755 desligamentos, o que resultou em um saldo positivo de 306 vagas de trabalho, o quarto melhor entre os estados nordestinos. 

E agora chegam os números referentes ao seguro-desemprego, em uma desaceleração que chega a cerca de 40% quando se compara a primeira quinzena de julho com a segunda quinzena de maio.
 

Maio foi o mês com maiores índices

A chegada da pandemia teve forte impacto sobre as demissões e, claro, os pedidos de seguro-desemprego. A segunda quinzena de março (1.723 pedidos) e a primeira de abril (1.961) registraram números próximos. Mas a situação se agrava consideravelmente na segunda quinzena de abril quando há um salto de pedidos de seguro-desemprego, com 3.298 solicitações. Esse índice se mantém muito elevado nas duas quinzenas de maio (ver gráfico) – o mês com maior número –, culminando com os 3.617 pedidos da segunda parte do mês. Era o fundo do poço, para recorrer à imagem usada por Philippe Salha.

A primeira quinzena de junho mostra uma mudança de tendência, que se confirma com três quinzenas seguidas de queda. Na primeira metade de junho foram 2.921 pedidos, com nova redução na quinzena seguinte (2.384 pedidos). Os dados referentes à primeira metade de julho trazem os pedidos de seguro-desemprego praticamente para o patamar do início de abril. A expectativa é que a retomada de boa parte das atividades econômicas produzam o aumento das contrações nos próximos meses.

Ciro faz troca em diretoria da Codevasf e indica pernambucano

Foi publicada hoje no Diário Oficial da União a troca na diretoria da Área de Revitalização das Bacias da Companhia de Desenvolvimento das Bacias do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). Fica assim formalizada a saída do advogado piauiense Fábio André Freire Miranda e sua substituição pelo administrador de empresas Davidson Tolentino de Almeida. No tabuleiro político, a mudança não deve implicar em alterações significativas: os dois nomes são ligados ao comando nacional do Progressistas, que tem à frente o senador Ciro Nogueira.

Os atos que implicam na mudança foram aprovados em resolução do Conselho Administrativo da Codevasf no dia 13 passado. No dia seguinte, o presidente do Conselho, Cláudio Sheefelde assinou duas resoluções que sacramentaram a mudança: a de número 24, determinando a saída de Fábio; e a de número 25, aprovando a indicação do novo diretor. Os dois atos foram publicados hoje no Diário Oficial, formalizando de vez a troca que mantém a diretoria de revitalização de bacias nas mãos do Progressistas de Ciro Nogueira.

Mudança em MP pode garantir mais R$ 12 bi para pequenos negócios

A Câmara dos Deputados deve votar ainda hoje mudança na MP 944 que criou o Pronampe, o programa que integra as ações emergenciais de enfrentamento à pandemia e leva apoio às micro, pequenas e médias empresas. O Pronampe é uma entre várias ações do governo federal de socorro às empresas e vem sendo vista como a que teve real efeito junto ao segmento de pequenos negócios, já que os estímulos governamentais aos bancos não geraram taxas atrativas. A intenção é colocar mais dinheiro disponível para micro, pequenas e médias empresas – isto é, aqueles negócios que faturaram no ano passado até R$ 4,8 milhões.

O segmento é o mais afetado pela crise que veio na esteira do coronavírus. Dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que cerca de 750 mil pequenos negócios já fecharam suas portas desde o início da pandemia. E a grande maioria dos que sobreviveram reclama da falta de acesso ao crédito. Ainda segundo a FGV, das pouco mais de 17 milhões de pequenas empresas, 8 milhões revelam ter compromissos financeiros em atraso. A procura de crédito era uma alternativa, mas não adiantou muito: dos 7 milhões de pequenos empreendedores que foram atrás de crédito, só 1 milhão tiveram êxito.

Diante das dificuldades para contratação de empréstimos, o Pronampe se mostrou um sucesso: em 20 dias (meados de junho a início de julho) os R$ 18,7 bilhões disponibilizados simplesmente se esgotaram. Isso pelas condições diferenciadas (taxa Selic mais 1,25% de juro ao ano) e também pela simplificação das exigências burocráticas. A mudança visa ampliar esse crédito em mais R$ 12 bilhões, reforçando o aporte para o segmento que mais sofre com a crise econômica.

A aprovação não deve enfrentar nenhum problema, já que o governo tem interesse no aporte extra de crédito.
 

Pequenos negócios passam por ajustes

A avaliação é praticamente unânime: nunca houve uma crise de impacto tão poderoso e em tempo tão curto sobre as empresas. Mas os especialistas apostam em uma recuperação forte e com nova formação dos negócios, especialmente entre os pequenos empreendedores. Um que pensa assim é o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles. Ele observa que alguns ramos estão conseguindo ampliar as vendas através de novas estratégias como o uso dos canais digitais. Isso redimensiona o pequeno negócio, que – acredita Melles – está sendo mais valorizado na sociedade.

Os dados mostram que as vendas por canais digitais apresentaram um crescimento muito expressivo apontando para a presença de novos empreendedores no setor. Quer dizer: o mundo da venda por canais digitais não é mais exclusivo das grandes empresas. Também o negócio local aderiu a essa nova tendência de aproximação com o cliente em tempos de pandemia. Vale para o supermercado de bairro e até mesmo para a frutaria da esquina, que recebe o pedido por aplicativo e embala tudo para ser levado até o comprador, ou até que o comprador vá pegar os produtos.

Margarete Coelho vai coordenar grupo que discute futuro do SUS

Foto Divulgação / Câmara dos Deputados

Margarete Coelho: discussão sobre o futuro do Sistema Único de Saúde 

A deputada Margarete Coelho (PP-PI) vai coordenar um Grupo de Trabalho na Câmara dos Deputados para discussão do futuro do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo atendimento de 150 milhões de brasileiros. O grupo foi constituído pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deseja desenvolver uma agressiva agenda voltada para temas sociais, começando pelo sistema de saúde pública. Com a indicação, Margarete vai desenvolver um trabalho semelhante ao que realizou quando, no ano passado, coordenou as discussões sobre o Pacote Anti-Crime.

O debate sobre o SUS ganha especial relevo no contexto da pandemia do novo coronavírus, e ainda mais na perspectiva de desenvolvimento de uma vacina que vai exigir estrutura e capilaridade, considerados os pontos mais importantes do SUS. Mas a pandemia também trouxe uma série de nuances negativas do sistema de saúde, a começar pela gestão de recursos. O grupo de trabalho a ser coordenador por Margarete Coelho vai discutir desde o financiamento até os mecanismos de compra, passando necessariamente pela qualidade do atendimento.

A ideia é que o grupo ofereça um leque de mudanças para melhorar o funcionamento do SUS. Dados mostram que desde 2002 o sistema de saúde vem perdendo receitas, através dos repasses do governo federal: antes a União arcava com 52% das contas, índice que está reduzido a 43%. Há uma crescente participação dos demais entes federados – e em 11 estados os governos locais já contribuem mais que a União para o financiamento da saúde pública.

Margarete assume a coordenação de um grupo com uma enorme tarefa pela frente.
 

Agenda social é trunfo para eleição na Câmara

Nos últimos dois anos, pelo menos, o discurso do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, esteve focado na agenda econômica. Mas há uma mudança importante no início deste segundo semestre, com a prioridade para a agenda social. Essa mudança tem muito a ver com as eleições para a presidência da Câmara, que acontecerá em fevereiro. Maia gostaria de ser ele mesmo candidato. Mas há dúvidas jurídicas sobre a possibilidade dessa candidatura à reeleição dentro de um mesmo mandato. Se não puder entrar pessoalmente na disputa, ele quer garantir um cenário que permita eleger um sucessor aliado.

A escolha da agenda social fortalece a relação de Rodrigo Maia com sua base de apoio, que inclui a maior parte dos partidos de esquerda. Também faz parte da estratégia a saída do DEM e do MDB do pedaço do Centrão liderado pelo deputado Artur Lira. Falando em nome do bolsonarismo, Lira tentou esvaziar o poder de Rodrigo e assim se credenciar como candidato à sua sucessão. Maia deu o troco: a saída do DEM e do MDB mina o terreno de Lira e recoloca o processo eleitoral nas mãos do atual presidente da Câmara, de longe o principal eleitor na disputa de fevereiro.

Bolsonaro chega na quinta com Ciro no papel de cicerone

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e uma das principais lideranças do chamado Centrão no Congresso, será mesmo o “dono” da visita de Jair Bolsonaro ao Piauí, na próxima quinta-feira. O presidente estará em São Raimundo Nonato, quando vai visitar o complexo científico-cultural da Serra da Capivara, em especial o Museu do Homem Americano. Boa parte da bancada não acompanhará o presidente, muitos parlamentares por limitações relacionadas à pandemia do novo coronavírus.

A viagem consolida o senador como um aliado de muita influência dentro do governo federal, o que não acontecia no início do mandato de Bolsonaro – quando essa relação mais estreita estava restrita quase que exclusivamente ao senador Elmano Ferrer (Podemos). A maior parte da bancada piauiense terminou se aproximando do Planalto, mantendo distância apenas os representantes do PT e, de certa forma, o senador Marcelo Castro – que não chega a ser um oposicionista incondicional.

As dificuldades de Bolsonaro em diversas frentes, em especial no Congresso, alevaram à proximação o governo e o chamado Centrão – grupo que tem no Progressista de Ciro a maior bancada. O grupo passou a indicar nomes para cargos importantes no governo federal, com destaque para o Nordeste. Isso também colocou Ciro em um lugar de destaque na relação com o governo, em constantes audiências com ministros e até mesmo com o presidente da República, sempre associando essas reuniões à liberação de verbas. Esse lugar diferenciado do presidente do Progressistas ficou evidente na sexta-feira, quando o ministro Rogério Marinho o acompanhou em visita a Floriano, discursando e chamando Ciro de “senador do Brasil”.

Agora quem coloca a azeitona na empada de Ciro é o próprio Bolsonaro, que também já ganhou de Ciro a sua cereja no bolo, na forma de apoio no Congresso.
 

Parte da bancada não acompanha

Pelo menos por enquanto, apenas três parlamentares piauienses estão confirmados na comitiva de Jair Bolsonaro que desembarca na quinta-feira em São Raimundo Nonato: Ciro Nogueira, Iracema Portella e Margarete Coelho. São os “neo bolsonaristas” da bancada, que conta com vários outros aliados do presidente. Mas uma parte não estará por recomendações médicas, a começa pelo senador Elmano Ferrer, o bolsonarista de primeira hora, que apoiou o agora presidente ainda no segundo turno da campanha de 2018.

Elmano tem mais de 70 anos, situação idêntica à do senador Marcelo Castro (fez 70 anos em junho) e de Átila Lira (completou 72 em abril). Elmano não participa de nenhum evento público desde o final de março, seguindo os cuidados técnicos relacionadas à pandemia. É o mesmo cuidado que vem tendo Marcelo, recolhido ao seu apartamento funcional há quatro meses. E Átila tem evitado participar de eventos que não sejam virtuais, também receoso do coronavírus. A eles se somam os petistas Rejane Dias e Merlong Solano, que não estarão na visita presidencial por questões políticas.

Patriota vai para o ataque: ‘Somos contra os 3 palácios’, diz Diego

Empunhando a bandeira da direita e do bolsonarismo, o Patriota chega à campanha municipal deste ano em Teresina com um discurso de renovação plena. “Somos oposição aos três Palácios: do Karnak, da Cidade e o Palácio Petrônio Portella”, diz o pré-candidato do partido à prefeitura da capital, o Major Diego Gomes. O Karnak é o centro do poder estadual, em mãos do PT; o da Codade acomoda o poder municipal, nas mãos do PSDB; e o Palácio Petrônio Portella abriga a Assembleia Legislativa, que tem o MDB no comando. Com tantas frentes de combate, Diego abraça uma candidatura que faz um caminho próprio e muito provavelmente solo, sem qualquer intenção de união sequer com outras siglas assumidamente de direita como o PSL – agora sob a tutela da deputada Joyce Hasselmann, da linha de frente contra o bolsonarismo.

“São caminhos distintos”, destaca Diego, lembrando que o PSL faz parte da base de sustentação do prefeito Firmino Filho (PSDB). E o pré-candidato tem críticas de sobra contra a atual gestão, assim como também aos candidatos aliados do Palácio do Karnak, em especial o deputado Fábio Abreu (PL). Sobre Firmino, diz que "já cansou" com uma fórmula repetida em que não enfrenta os problemas fundamentais da cidade – incluindo a saúde, que considera um caos. Mas critica pra valer o Inthegra: “Gastaram R$ 700 milhões para piorar o transporte público”, diz.

Sobre Fábio Abreu, as críticas são ainda mais duras. “Teresina é uma das cidades mais violentas. As facções estão aí nos presídios e nas comunidades”, enfatiza. “Quando eu dizia que as facções estavam aqui, me desmentia. Mas eles é que são desmentidos pelos fatos”.  Nas críticas ao Fábio, o bombardeio alcança o Karnak e o governador Wellington Dias (PT). Para Diego, o governo do PT está afundando o Piauí em todas as áreas. E outra vez critica a gestão da pandemia.

“Estão gastando milhões com infraestrutura que não vai ficar aqui. Um absurdo”, afirma.
 

Patriota quer eleger ‘pelo menos’ 3 vereadores

Atualmente, o Patriota tem um único representante na Câmara Municipal de Teresina, o vereador Dr. Lázaro Carvalho. Mas o partido quer chegar forte na disputa deste ano. “Vamos ter uma chapa forte, com cerca de 40 candidatos, ou até mais”, diz Major Diego. O próprio Lázaro mostra otimismo. “Podemos eleger pelo menos três vereadores”, calcula. Essa crença está amparada no que chama de “candidatos com bom potencial de votos” integrando a lista de concorrentes à Câmara.

Ele também acha que a candidatura própria vai ajudar a puxar voto, principalmente porque vê Diego com propostas sintonizadas com o sentimento popular. Entre os candidatos a vereador estão, além de Dr. Lázaro, nomes como a médica Lúcia Santos, a ex-jogadora da seleção brasileira de Vôlei Tatiana Rodrigues, o PM Leno Lima, o advogado Chagas Bisneto, Joaquim Saraiva e Luciano Carvalho. “É uma chapa que tem muita força”, afirma o Major Diego.

Vereador Lázaro Carvalho e Major Diego: Patriota fará oposição aos três Palácios

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