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Nordeste vira as costas para Bolsonaro. Bom para Wellington


Com Bolsonaro, Wellington entrega Carta em nome do Nordeste  (FOTO: CCom/Divulgação

 

Era para ser uma reunião com os governadores eleitos em outubro. Mas no encontro com o futuro presidente Jair Bolsonaro (PSL) estavam lá apenas 19. Os oito ausentes eram todos do Nordeste. O único representante da região, que representou os demais, foi Wellington Dias (PT), o governador do Piauí. Na prática, o Nordeste virou as costas para Bolsonaro.

O gesto pode não ter sido um grande negócio para os governadores nordestinos. Melhor para Wellington Dias, que lá esteve e conseguiu ganhar importante destaque como interlocutor de uma região inteira. Mais que isso, lançou pontes – enquanto seus pares da região as queimaram. Isso pode fazer muita diferença no futuro.

Vale lembrar, Bolsonaro perdeu no segundo turno apenas no Pará e nos nove estados nordestinos. E esse Nordeste quis dizer que continua contra. A desculpa para a ausência é que os eleitos tinham compromissos aqui ou no exterior. Desculpa, haja vista que nenhum outro governador tinha compromisso - ou, se tinha, cancelou. Não havia compromisso maior que tentar mostrar ao novo presidente o que pensa e o que deseja a região. Isso é pensar no estado e no povo que o habita. Mas prevaleceu a posição política.

Wellington foi escalado para falar em nome dos ausentes e entregar uma Carta em nomes de todos os governadores da região. Melhor para o governador do Piauí, que saiu da reunião destacando precisamente a disposição do presidente eleito de tratar cada estado sem olhar o partido do governante. Mas Wellington marca um ponto e tanto: passa a ser o natural interlocutor do Nordeste junto ao governo federal.

E isso abre portas e cria oportunidade para o Piauí.
 

Resumo da Carta: ‘Me dá um dinheiro aí’

Wellington Dias levou uma Carta ao presidente Jair Bolsonaro, em nome dos governadores nordestinos. São várias demandas. Pede integração e co-financiamento para o combate à violência. Defende uma reforma da Previdência que não prejudique os pobres. Também pede ajuste fiscal como caminho necessário para a retomada do desenvolvimento. E pede obras. Em resumo, pede dinheiro.

E pede dinheiro de várias formas, seja com o co-financiamento das forças de segurança nos estados até a destinação para o Nordeste de 28% dos investimentos em ciência e tecnologia – hoje concentrado no Sudeste e particularmente em São Paulo. A Carta pede ainda a facilitação de empréstimos para que os estados possam realizar seus próprios projetos. Além disso, pede obras, seja retomando projetos como a Transnordestina ou injetando dinheiro na construção civil.

Os governadores do Nordeste querem um gás para sair do sufoco da crise que já dura quase cinco anos.

Onde mais deveria ter diálogo é onde mais falta: a sala de aula


Educação: sem diálogo, sala de aula vai se transformando em ambiente de conflito  (FOTO: Senado Federal/Divulgação)

 

Os indicadores são péssimos. Mas pode piorar. Assim, resumindo, é a realidade da educação no Brasil, que sempre aparece muito mal posicionada nas avaliações internacionais e tem um ingrediente terrível capaz piorar o que já anda muito capenga: a falta de diálogo no ambiente de ensino, fruto de uma intransigência crescente que alcança desde o ensino fundamental até as universidades.

Há pelo menos três fatos importantes, verificados esta semana, que apontam para a gravidade da situação. A primeira foi no próprio Congresso, na discussão sobre a “escola sem partido”. Lá, deputados e manifestantes bateram boca sobre o assunto. Vale destacar, a ideia de escola sem partido tenta impedir o uso de certos termos em sala de aula. Estranho, porque as salas de aula deveriam ser o lugar para se discutir, sem amarras e sem prato feito.

Outro fato veio no levantamento apontando que o Ministério Público Federal apura casos de assédio moral a professores em 22 estados. Isso mesmo: mais de dois terços dos estados brasileiros têm registrados casos de assédio contra professores, uma situação que vai se tornando não só mais freqüente como mais agressiva. Há casos de ameaças, bem como de brutal agressão, em geral de alunos que não aceitam senão o próprio figurino.

Por fim, o terceiro fato: levantamento feito pelo jornal O Estrado de S. Paulo revela o clima de denuncismo nas universidades, tanto públicas quanto privadas. Um relato feito por um professor da UFPI à coluna deixa claro: o professor entra em sala de aula com medo. Medo da relação cada vez mais marcada pela indisposição. Medo de colocar uma vírgula fora do lugar, capaz de gerar denúncias. Medo de ser filmado e ridicularizado nas redes sociais. Medo de tudo.

Um clima que certamente não ajuda a manter um ambiente produtivo. Um clima que limita o debate e impede a reflexão, exatamente o oposto do que se pede de uma educação transformadora.
 

Entre os 12 piores do PISA

A relação conflituosa dentro das salas de aula é apenas um dos problemas da educação brasileira. Há muito mais a ser enfrentado. O primeiro ponto é reconhecer que vamos mal: segundo o PISA (Programme for International Student Assessment)  – o mais destacado índice de avaliação no mundo – estamos na rabeira, ocupando a 59ª posição entre 70 países avaliados.

A avaliação dos especialistas é que temos uma grade curricular ruim – algo que a mudança no Ensino Médio tenta corrigir. Mas essa mudança não é tudo, porque os especialistas também apontam para a formação ruim dos nossos professores: as faculdades continuam formando professores que transmitem conhecimento, em geral em um formato autoritário. Cobra-se, há tempos, a formação de professores que levem mais à reflexão. E isso está longe de ocorrer aqui.

Para completar, o ambiente escolar é, em geral, ruim. Isso diz respeito tanto à estrutura física como à gestão, que não ajuda a fazer da escola um lugar integrado. Muito pelo contrário.

Wellington Dias vai à Europa na próxima semana


Wellington Dias: viagem à Inglaterra para evento sobre gestão pública e desenvolvimento na educação  (FOTO: Divulgação)

 

O governador Wellington Dias (PT) fará, na próxima semana, a última viagem internacional deste seu terceiro mandato. A solicitação para a viagem – obrigatória, segundo a lei – foi encaminha à Assembleia Legislativa, que deve apreciar o pedido ainda esta semana. Wellington vai à Inglaterra, onde ficará por cinco dias, de 25 a 29 de novembro.

O governador do Piauí vai participar de evento sobre gestão pública e desenvolvimento educacional, promoção da Fundação Lemann, ligada a um dos acionistas majoritárias da Ambev, João Paulo Lemann. Wellington estará como convidado da Fundação.

O evento acontecerá em Oxford, no espaço de uma das mais tradicionais e qualificadas universidades do planeta. Mas Wellington Dias também pretende permancecer pelo menos um dia em Londres, quando deverá ter encontros com potenciais investidores.
 

De olho na atração de investimentos

A agenda do governador em Londres ainda está em construção, em entendimento com a Embaixada do Brasil na capital inglesa. O objetivo e estabelecer encontros com investidores interessados em ter presença empresarial no Brasil. Esses encontros podem ser em caráter individual, com investidores pontuais, ou em um encontro mais amplo, para a apresentação do potencial do Piauí para diversos empresários.

Conforme o documento encaminhado pelo governador à Assembleia, a previsão é que o governador viaje no próximo dia 24 e retorne ao Piauí no dia 30. Ele chega à Inglaterra no dia 25 e deixa o país no dia 29.

Onyx também perde o tom e novo governo preocupa


Onyx Lorenzoni: futuro ministro eleva o tom e diz que Noruega deve aprender com o Brasil  (FOTO: Câmara/Divulgação)

 

O assunto era a questão ambiental e um repórter teve o “atrevimento” de perguntar sobre manifestações de preocupação da Noruega a respeito das ações do Brasil para preservar a Amazônia. Vale lembrar, a Noruega é o país que mais destina dólares para o Brasil, vinculado a esse esforço de preservação. Mas o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, subiu o tom: disse que o país europeu não tem condições de criticar porque não preservou suas florestas. E disse mais: se alguém tem que aprender com alguém, é a Noruega que deve aprender com o Brasil.

Com a resposta, Lorenzoni teria saído de tom fosse qual fosse o tema da entrevista. E saiu ainda mais tendo em conta que cria uma animosidade com um país que é referência em diversos setores, inclusive nos baixíssimos índices de corrupção. O grave é que não é o primeiro finca-pé com uma nação amiga. O próprio presidente eleito, Jair Bolsonaro, já andou preocupando os chineses, logo os chineses, que compraram 47% de nossos produtos básicos, contra 12% dos Estados Unidos. Bolsonaro também criou rusgas com meio mundo árabe. Para completar, o futuro ministro Paulo Guedes (Economia) deixou o Mercosul de cabelo em pé ao dizer que o bloco não é prioridade.

É a diplomacia do grito e do supapo.

Festa, mesmo, até agora o novo governo fez apenas para quem tem dado pouca importância ao Brasil, como os Estados Unidos, que reduzem a cada ano as compras de produtos de brasileiros. Ou Israel, que é quase traço em matéria de consumo de produtos “made in Brazil”.

As manifestações apontam para uma nova relação diplomática e comercial, que preocupa pelo estilo nada diplomático e por imprecisões quanto aos objetivos reais. Pode até produzir resultados diferentes e positivos, como aconteceu com Ernesto Geisel (1974-79) e sua política de “não-alinhamento”. Ao adotar essa diretriz, Geisel deixou de lado as pressões norte-americanas e olhou para parceiros como os árabes e os chineses.

Bolsonaro faz o inverso, alarmando alguns analistas que encontram nesses países desdenhados como a base de nosso comércio externo e fundamentais para a retomada econômica. Mas como os tempos são outros, pode ser que dê certo.
 

Problemas no diálogo político

Uma coisa é certa: a eleição de Bolsonaro não é resultado da velha política. É fruto de um novo estilo onde o cidadão toma um rumo, abraça uma causa e “segue o rumo da venta”, como se diz no interior. O presidente eleito vai levando um novo estilo também para os primeiros movimentos da fase de pós-campanha. Por exemplo: não dialoga com partidos, privilegiando bancadas temáticas. Também não conversa com dirigentes de instituições políticas, com os presidente do Senado e da Câmara.

É verdade que Eunício Oliveira, o presidente do Senado, "caçou conversa" ao destravar pautas bombas, em especial o reajuste para os ministros do STF. Mas a reclamação também vem de Rodrigo Maia, presidente da Câmara e que tende a estar próximo do futuro governo. Bolsonaro chegou a desmarcar audiência que teria com Eunício e Rodrigo, mas diz que é porque conversa com eles o tempo todo, por telefone.

O ar emburrado do deputado e do senador parece que traduz descontentamento: querem conversa olho no olho.

‘Frente Cívica’ deixa de lado temas como ‘Lula Livre’


Gleisi Hoffmann: presidente do PT admite "Lula Livre" fora da pauta de uma "Frente Cívica" de oposição ao Governo Bolsonaro

 

A tentativa de formar uma grande frente oposicionista capaz de mostrar força ante o governo Bolsonaro está levando setores da esquerda a criar o que está sendo chamado de “Frente Cívica”. Esse grupo pretende reunir muito mais que partidos partidos políticos e tem a pretensão de ir além das fronteiras da esquerda, atraindo nomes mesmo de partidos de centro e até de centro-direita. Para isso, temas que podem dividir a Frente simplesmente são deixados de lado, entre eles a bandeira do “Lula Livre”.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a própria presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reconheceu que a Frente Cívica é diferente da Frente Brasil Popular, capitaneada pelo PT. “O 'Lula livre' está na pauta do PT e da Frente Brasil Popular, mas obviamente que pode haver quem não ache que é prioritário”, diz Gleisi. “Nós não temos nenhuma pretensão de hegemonizar nada”, afirmou. 

A Frente Cívica busca ampliar o leque de participantes. Daí, além de deixar de lado o “Lula Livre”, também deve esquivar-se de temas polêmicos como reformas econômicas, incluindo os detalhes da reforma da Previdência. Os pontos de convergência serão o próprio Governo Bolsonaro, além de temas comportamentais, de cidadania e direitos humanos. Em geral, são temas que geram o confronto com o próprio Bolsonaro.

O leque de temas comuns deve incluir a discussão sobre a escola sem partido, liberdade de imprensa, Lei Rouanet, ameaças à atuação política da oposição, e direitos de minorias LGBT, negros e mulheres. Também deve entrar na pauta comum a questão ambiental, campo que não deve ser considerado prioritário na gestão Bolsonaro.

As articulações tentam encontrar uma área de interseção que acomode gente com pensamentos tão diferentes.
 

Difícil busca por um discurso comum

O esforço para dar corpo à Frente Cívica reúne pelo menos três movimentos, que se articulam cada um para seu lado. O objetivo é encontrar os pontos comuns – ou um discurso de forte apelo popular que, ao mesmo tempo, agregue todos. Não é fácil. Um dos movimentos tem CUT, CBS, MST e UNE, além de políticos do PT, PCdoB e PSOL.  Outro movimento inclui advogados e produtores culturais.

O terceiro grupo tem um viés mais partidário e parlamentar, unindo no Congresso PCdoB, PDT, Rede e PSB. Esse time tem ainda desgarrados de siglas como PSDB, MDB e até DEM. Um que está muito próximo do núcleo dessa discussão é Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo e membro da executiva nacional do PSDB. Difícil é encontrar, além do próprio Bolsonaro, um discurso que una o MST e egressos do PSDB e do DEM.

Comércio economiza R$ 1 bi com indenizações após Reforma


Comércio: após Reforma Trabalhista, economia com processos na Justiça e indenizações (FOTO: CNC/Divulgação)

 

Os números ainda são confusos ou algo imprecisos, mas aos poucos alguns setores vão apresentando dados que mostram pelo menos uma face da Reforma Trabalhista. A face do empregador é calculada em bilhão de Real. No setor do Comércio, por exemplo, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) diz que o segmento vai fechar este ano com uma redução de R$ 1 bilhão nos gastos com indenização e processos trabalhistas.

Até agosto, a economia com processos judiciais somou R$ 748,7 milhões, o que leva a CNC a projetar a economia de R$ 1 bi até o final de dezembro. A representante do Comércio calcula que houve uma redução de mais de 30% no número de processos trabalhistas. Vale observar, em 2017, o setor desembolsou R$ 9,3 bilhões em indenizações trabalhistas, segundo avaliação do IBGE.

O levantamento da CNC aponta ligeiro crescimento no salário médio dos novos empregados admitidos: o valor médio dos novos contratados foi de R$ 899,34 em 2017; este ano, esse valor passou para R$ 906,82 em contratos intermitentes. No caso dos contratos por tempo parcial, o salário médio é de R$ 1.004,36, conforme o levantamento – ganho de 20,5% na comparação com o salário de trabalhadores formais com jornadas semanais de 16 a 20 horas.

A Reforma Trabalhista foi aprovada em meados do ano passado e entrou em vigor no dia 11 de novembro de 2017. Os representantes dos trabalhadores reclamaram da precarização das relações trabalhistas. Esse entendimento é referendado, por exemplo, pelos membros do Ministério Público do Trabalho.

Já o governo federal atribuiu em grande parte à Reforma o crescimento das vagas no mercado de trabalho.
 

STF ainda tem muito por sacramentar

Ainda antes de entrar em vigor, em novembro do ano passado, a Reforma Trabalhista passou a ser questionada na Justiça. E as querelas desembocam no Supremo Tribunal Federal. Foram movidas 29 ações. Uma das querelas, objeto de 20 ações, questionava sobre a constitucionalidade do fim do imposto sindical. A Reforma venceu. Mas há outras pendências.

A lista de pendências trata da gratuidade da Justiça, questiona a definição do valor do pedido nos processos e discute a correção dos valores das ações trabalhistas pelo índice da poupança em vez da inflação. Também coloca em xeque o contrato intermitente, bem como um dos pontos mais polêmicos da Reforma – o que trata do trabalho de gestante e lactante em ambiente insalubre.

Não há garantia de que essas dúvidas sejam elucidadas em 2019: o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, ainda não se manifestou sobre a pauta do STF para o próximo ano. Portanto, não há previsão de julgamento dessas ações.

Disputa de Poderes por Orçamento de 2019 já tem data: dia 21


Wilson Brandão (ao Centro), na Comissão de Finanças: crença no diálogo em torno do Orçamento do Estao para 2019  (FOTO: ALEPI/Divulgação)

 

A disputa já começou discretamente, através do gesto de um ou da fala de outro. Mas os representantes dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e também do Ministério Público e Defensoria Pública têm uma data no calendário para a tentativa de um entendimento. É o dia 21 de novembro – que na prática se converterá no primeiro momento em que ficam às claras as diferenças e interesses de cada um.

O Orçamento para o próximo ano crescerá mais de 7% em relação ao Orçamento de 2018. Mas o Executivo já deu o primeiro sinal de endurecimento: segundo o secretário de Planejamento, Antônio Neto, a intenção é reajustar a fatia dos demais entes no mesmo índice da inflação do ano, ou algo em torno de 4%. Na prática, garantiria a reposição para os demais Poderes e asseguraria um pequeno saldo real para o Executivo.

O argumento principal é mais que óbvio: o Estado (isto é, o Executivo) está no limite do limite do limite e não tem como perder recursos. Os demais interessados ainda não deram voz pública às suas intenções. Mas, discretamente, mandam também seus recados, cada um desejando um reajuste que corresponda, pelo menos, à variação geral do Orçamento – ou seja, os cerca de 7%.

O calendário para discussão do Orçamento 2019 do Estado tem datas bem definidas, daqui para frente:

• Dia 21/11 – Audiência pública na Assembleia Legislativa – ou mais precisamente na Comissão de Finanças. Neste momento, cada Poder manda seus representantes. No caso do Executivo, estarão alguns secretários de Estado.
• Dia 30/11 – É a data limite do prazo para apresentação de emendas pelos parlamentares.
• Dia 05/12 – Até aqui se dá a apresentação do relatório da Comissão de Finanças.
• Dia 22/12 – O plenário da Assembleia terá até o dia 22 para aprovar o Orçamento para o próximo ano. Como 22 cai em um sábado, muito provavelmente a votação deve ocorrer até dia 19 ou 20 de dezembro.

Presidente da Comissão de Finanças, o deputado Wilson Brandão (PP) acredita que as conversações que estão se desenrolando e as que acontecerão nas próximas semanas serão suficientes para garantir um entendimento. Para ele, a chave de tudo está no diálogo entre todas as partes.

Saneamento pode gerar até R$ 1,1 trilhão em 20 anos


Obra de saneamento: investimento pode gerar saúde e dinheiro para as comunidades  (FOTO: Funasa/Divulgação)
 

No mundo da gestão pública, as décadas viam uma frase ser repetida: “Esgoto não dá voto. Fica escondido, ninguém vê”. A frase recebe críticas também há muito, mas nunca pareceu tão fora de modo e de lógica. Esse ar ultrapassado ganha mais força com a pesquisa divulgada agora pelo Instituto Trata Brasil, que dedica especial atenção à questão do saneamento e gestão das águas. Segundo o Trata, o que se investe em saneamento pode produzir dinheiro em valor até três vezes maior que o valor investido.

Esse dado vai muito além do cálculo conhecido, segundo o qual cada Real investido em saneamento gera economia de 4 Reais na área de saúde. O dado do Trata Brasil mostra que esse tipo de investimento não apenas evita gastos como também produz dinheiro. A pesquisa do instituto aponta que o Brasil poderia universalizar o saneamento básico investindo R$ 395 bilhões, ao longo de 20 anos. No mesmo período, seria gerado R$ 1,1 trilhão.

É uma outra ótica para a questão do saneamento: impuslionador da economia. Investir no setor gera emprego já no momento em que as obras são realiozadas. Mas seguiria produzindo novos negócios na sequência. Um exemplo a ser dado é um velho projeto do Piauí, que teima em não se concretizar totalmente: a adutora do litoral.

Investimento desse tipo cria as condições para novos negócios, como hotéis e restaurantes, ou lançamentos imobiliários de luxo, inviabilizados sem a rede de esgoto. Além disso, saneamento aumenta a produtividade: segundo o Trata Brasil, as pessoas se afastam do trabalho 3,3 dias em média em razão de problemas de saúde. Assim, não ter saneamento significa menos rendimento nas empresas.

Traduzindo: há muito se sabe que saneamento gera saúde. Agora também se descobre que gera dinheito, muito dinheiro. E se os gestores pensarem bem, pode render até voto. Muito voto.

Políticos mandam recado para Bolsonaro: vai ser dureza


Eunício Oliveira: presidente do Senado agendou a primeira pauta-bompa e o reajuste dos salários no Supremo explodiu no colo de Bolsonaro

 

A primeira pauta-bomba explodiu: o Senado aprovou o reajuste de 16% sobre os salários dos ministros do Supremo Tribunal. Com isso, o vencimento de um ministro sai dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. O reajuste foi um claro recado do mundo político para o futuro presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que é quem vai ficar encarregado de pagar a conta.

O aumento era tudo o que Bolsonaro não queria, já que tem efeito cascata: como o salário dos ministros do Supremo funcionam como indexador dos salários do setor público, o impacto nas contas do governo federal será de R$ 4 bilhões. Ontem pela manhã Bolsonaro ainda fez um apelo, dizendo que não era hora de aprovar tal aumento. Os senadores foram lá e aprovaram.

Deixaram claro que não vai ser fácil a convivência com o Congresso. A votação, que o derrotado Eunício Oliveira, que preside o Congresso, colocou na pauta por surpresa, é uma forma dos políticos dizerem: “se quiser paz, tem que passar pelo pedágio”. E que pedágio!! O problema é que tem questão ainda mais complexa e com efeito maior que os R$ 4 bi do efeito cascata do aumento para o Supremo.

Bolsonaro tem tarefas urgentes a fazer. A maior parte depende do Congresso, como a reforma da Previdência. Na terça-feira, o presidente eleito disse que gostaria de ver a reforma da Previdência dar pelo menos o passo da aprovação na Câmara ainda este ano. Depois da votação no Senado, deve estar reelaborando essa ideia. O Congresso, com pelo menos metade de derrotados como Eunício Oliveira, não está nem aí: se Bolsonaro quiser algo, tem que pagar o pedágio.

O pedágio – de fato, nacos dos recursos públicos – não estava na conta do presidente eleito, cujos assessores – a exemplo de Paulo Guedes – lembravam o respaldo popular conseguido nas urnas. Mais uma vez os congressistas não estão nem aí. E se quiser a reforma fiscal e o novo estatuto das armas, por exemplo, o novo governo vai ter que "comparecer".

Como Bolsonaro diz que não vai cair nessa, é esperar para ver onde vai dar essa queda de braço.
 

Pauta de Moro não agrada políticos

Há temas fundamentais para o próximo governo da União que podem produzir reações ainda mais hostis entre os congressistas. Um exemplo é a agenda contra a corrupção e o crime organizado, apresentada pelo ministro Sérgio Moro. No caso do combate à rapinagem do dinheiro público, há a ideia de resgatar as 10 propostas contra a corrupção, elaborada pelo Ministério público.

Tal ideia dá arrepios na grande maioria dos políticos. Tentativa anterior resultou na completa desfiguração das propostas e até a troca de sinal de algumas: ao invés de combater os corruptos, terminava protegendo-os. Apesar da renovação no Legislativo, a maior parte é mudança tipo “seis por meia dúzia”, já que políticos de carteirinha, só que ainda não estavam no Congresso.

Se o aumento dos salários do Supremo foi um aviso, Bolsonaro e Moro devem colocar as barbas de molho.

PSDB se reúne dia 22. Começa disputa pelo comando do partido


Joãp Doria; governador de São Paulo deve assumir comando do PSDB com disposição de levar sigla para posições mais à direita

 

O PSDB nacional realiza reunião no próximo dia 22 que vai procurar definir os novos rumos do partido. Também deve ser o primeiro round de uma disputa interna que vai dizer quem é o mandachuva na sigla, o que também dirá qual o posicionamento em relação ao governo Jair Bolsonaro.

O embate vai colocar de um lado o governador eleito de São Paulo, João Dória Jr, e a velha guarda do partido, à frente nomes como José Serra, Fernando Henrique, Alberto Goldman e Geraldo Alckmin. A tendência é que Dória passe a ser referência do partido, já que a partir de janeiro estará no comando da segunda maior máquina pública do país, atrás apenas da Presidência da República. Mas a passagem de bastão não promete ser pacífica.

A velha guarda do partido não deseja ver o partido descaracterizado em suas teses principais, sobretudo a ideia de uma sigla inspirada no Estado do Bem-Estar tão caro à socialdemocracia européia. Se seguir as diretrizes desejadas por Dória, o PSDB deve esquecer de vez o viés socialdemocrata e assumir uma posição mais à direita, pautada pelo mercado, com novo estilo – mais personalista e menos programático – e próximo ao governo Bolsonaro.

Os dois grupos devem travar uma guerra interna para a redefinição programática do PSDB, incluindo uma mudança nos estatutos. A velha guarda até reconhece que Doria deve comandar a sigla, mas sem abandonar os princípios de sempre. Nesse embate, quem pode aparecer como conciliador é o senador Tasso Jereissati: ele tem mais sintonia com a velha guarda, é crítico do governo Temer e mantém distâncias em relação a Bolsonaro.

Mas tem uma visão menos de centro-esquerda que permite que seja o interlocutor entre a velha guarda “cabeça branca” progressistas e os jovens “cabeça preta”, mais conservadores.
 

Partido precisa de novo estilo

Cresce uma certeza dentro do PSDB: o partido precisa rever alguns pontos programáticos, ajustando-se às demandas nos novos tempos. Mas a crença mais sólida é que, antes de qualquer coisa, os tucanos precisam mudar de estilo. Em outras palavras: o partido não pode se aferrar à linguagem técnica fria e distante, sem conexão com uma dinâmica comunicacional completamente distinta.

O entendimento cada vez mais distendido é que a ideia de um partido de viés técnico pode ser até bom para governar, mas não encanta a cidadania – e esse é um critério fundamental, já que não se ganha eleição sem engajamento. A avaliação é que o partido não teve a capacidade de se conectar com a cidadania, isso bem antes do início da campanha.

Apostou em velhas fórmulas. E se deu mal.

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