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Briga no PSL mostra que caos toma conta dos partidos

O sistema partidário brasileiro é um caos. Ok. Nenhuma novidade nisso. Mas quando esperava-se uma mudança que apontasse um rumo para as siglas que dominam o sistema político nacional, vemos que o caos parece se aprofundar. A ponta mais recente desse gigantesco iceberg é a disputa interna no PSL, que apenas revela o que já sabíamos: o sistema partidário brasileiro é um caos ideológico e um mundo de oportunismo pragmático, voltado unicamente para o desempenho eleitoral.

Os partidos no Brasil, historicamente, mostram que são satélites dos governos. A regra lógica deveria ser: os partidos se tornam fortes para aí então chegarem ao poder. No Brasil é o contrário: tornam-se se forte após chegar ao poder, ou o poder toma para si uma sigla e a faz forte. A Arena (criada com o MDB, após o golpe de 1964) foi assim, inchando na esteira da força bruta da ditadura. O MDB também, inflado no esquemão do governo José Sarney, que tinha em Ulysses Guimarães seu “primeiro ministro”.

Não mudou nas décadas seguintes. O PSDB se fez forte com Fernando Henrique, assim como o PT deslanchou de vez sob o guarda-chuva do governo Lula. Bolsonaro parece querer fazer diferente com o PSL: fez o partido forte no voto, arrastando a sigla de 8 para 52 cadeiras na Câmara. Mas agora vai murchar seu próprio partido. Resta saber qual o tamanho da nova sigla que inventará e turbinará.
 

Caos afeta até siglas ‘consolidadas’

O grave nessa mudança de figurino é que não está aparecendo nada que possa ser associado com a ideia de partidos sólidos e coerentes. Ao contrário. Até partidos teoricamente consolidados vivem seu caos particular. PDT e PSB, com os “infiéis da Previdência”, dão uma medida disso. Outras siglas minguam ou mesmo desaparecem em razão das novas regras. Mas nada que aponte para um novo rumo que rompa com o oportunismo de sempre.

Tudo se resume, pelo menos por enquanto, a um jogo de acomodação de olho nas questões eleitorais imediatas. Um bom exemplo, em Teresina, é o vereador Paulo Roberto. Até antes de ontem, era desafeto do PSDB e do grupo instalado na prefeitura. Era. Brigou com o Solidariedade e agora pode ter o mesmo PSDB como destino. Por que? Ora, porque tem um punhado de votos. Nenhuma sigla de desempenho mediano o deseja. Já o PSDB não quer ver esse punhado de votos mudar para o lado dos adversários do ano que vem.

Coerência? Nenhuma. Nem no vereador, nem no partido. A não ser o objetivo da sobrevivência eleitoral, para preservação de mandatos.

Caso do ‘óleo na praia’ expõe força das fake news

O caso das manchas de óleo que alcançam os 9 estados do Nordeste expõe a força das fake News e a propensão à pós-verdade. Também mostra que a crença cega e a tendência de espalhar falsas informações – isto é, mentiras – não é território exclusivo de ninguém. Todos estão no mesmo barco, à direita, à esquerda e ao centro.

Desde que as manchas começaram a aparecer há cerca de um mês, as “verdades” pronta e acabadas foram logo surgindo. E sendo multiplicadas, através da distribuição incessante de tais versões que muitas vezes podem não ter sequer nexo com o fato. A senha para as mentiras se multiplicarem foi uma palavra: Venezuela.

Suspeitas indicavam que navios petroleiros oriundos da Venezuela poderiam ser responsáveis pelo óleo que estava chegando às praias nordestinos. A suspeita não tinha nenhum teor de acusação, tão somente à possibilidade de um acidente, infelizmente muito comum nesse setor da economia. A palavrinha acendeu os dois lados do Brasil – os governistas e os não-governistas – divisão que já dura há alguns anos e se resume a um apontar o dedo para o outro, sem maiores preocupações com os argumentos.
 

Ao invés de fatos, versões

De um lado, os governistas de hoje – defensores do governo Bolsonaro – apontaram para os não-governistas, que vão bem além dos petistas. Os aliados do governo atual logo enxergaram motivação criminosa, vendo o óleo derramado como ação deliberada dos “comunistas” da Venezuela. Haja fantasia.

Mas o outro lado não deixou por menos, também com versão fantasiosa: os críticos do bolsonarismo cuidaram de tomar como versão pronta e acabada a ideia de que o óleo vinha de um navio alemão naufragado em 1944 –  e isso faria do governo um farsante. O óleo estaria brotando agora, e espalhando manchas desde o Maranhão até a Bahia. Pouco importava a informação de pesquisadores da UFCE, lembrando que os artefatos ligados ao navio alemão SS Rio Grande são conhecidos há um ano e meio, froam encontrados em pequena quantidade e não brotam óleo como o das praias.

Mas isso é só um detalhe: o fato não importa, e sim a versão.


O meio ambiente fica esquecido

Nessa questão toda, o fundamental está sendo esquecido: o impacto ambiental do óleo que aparece nas praias. Essa discussão não existe. Vá lá que aqui na parte mais a norte (Maranhão, Piauí e Ceará), as manchas não têm gerado tanto assombro. Mas nas praias de Alagoas, Sergipe e Bahia a coisa é diferente. Nesses estados, alguns santuários ambientais estão sendo ameaçados. A própria foz do Rio São Francisco recebe quantidade preocupante de óleo.

Para completar, as manchas causam outro estrago: muitos turistas que tinham como destinos áreas de praias próximas aos locais das manchas estão cancelando as reservas. Em tempos de crise econômica, é um baque a mais. E um baque nada desprezível.

O que se espera mesmo é que as investigações andem rápido. E que possam encontrar – com nomes bem definidos – os responsáveis por esse grave acontecimento. Sem fantasia.

Reforma administrativa quer criar ‘servidor trainee’ e temporário sem estabilidade

Aos poucos, o Ministério da Economia vai dando indicações do que pensa para a reforma administrativa que o governo deve enviar em breve para o congresso Nacional. E os detalhes que chegam à luz reforçam a preocupação em quebrar a atual estrutura do servidor público, sobretudo atacar diretamente a estabilidade automática e os ganhos iniciais considerados muito elevados pelo governo da União.

Dois novos detalhes são colocados no debate. Pode até ser como "balão de ensaio" (quando lança-se uma ideia para avaliar até onde vai a aceitação dela). Mas o certo é que elas estão aí, com alto poder de gerar polêmica e reações entre os servidores. São elas:

• Servidor trainee: seria uma espécie de “cargo de ingresso”, comparável à função de trainee nas empresas privadas. O trainee é um profissional que entra na fase inicial de uma carreira e vai progredindo paulatinamente na hierarquia, com estímulos que geram impacto no cargfo e na remuneração. O “trainee do setor público” visa aumentar a faixa salarial entre o ingresso e o topo, hoje considerado pequeno e pouco estimulador da competitividade e da produtividade.
• Servidor temporário: visa criar critérios que levariam à efetivação apenas dos servidores que cumprissem certos requisitos. Nesse período de avaliação, os servidores não teriam estabilidade.
 

Tentativa de quebrar estabilidade

Os detalhes que estão sendo vazados de dentro do governo apontam para uma tentativa de quebra da estabilidade do servidor, pelo menos em algumas áreas. Atualmente são dois tipos de servidores: o comissionado e o estável. A ideia do governo é criar 4 diferentes cargos, um deles o servidor temporário especificado acima. Nessa revisão, uma das propostas em estudo é a que restringe a estabilidade a funcionários de qualificação específica.

O argumento de técnicos do ministério da Economia é que a estabilidade ampla protege servidores de funções genéricas e de baixa especialização, sem grande valor estratégico. Mas os termos gerais da proposta ainda não estão finalizados, pois geram divisões dentro do próprio governo. Seja como for, a intenção é concluir as linhas gerais da reforma até a próxima semana, para que o tema possa ser discutido na cúpula do Executivo, antes de ser enviado ao Congresso.

Com nome de obra pornô, livro de Janot fracassa

Era para ser uma bomba. Virou um traque, se tanto. O lançamento do livro Nada Menos que Tudo (Editora Planeta) do ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, se transformou em um enorme fracasso. O insucesso é um somatório: há um toque de oportunismo, conteúdo irrelevante, estratégia equivocada e até a infeliz coincidência no título, o mesmo de uma obra pornô lançada em Portugal.

Para começo, o título está longe de traduzir a obra. Isso de “nada menos que tudo” tem muito pouco a ver com o conteúdo, que oferece pouco mais que nada. Não há revelações significativas, nem mesmo a história da ideia de matar o ministro Gilmar Mendes: a declaração pareceu uma estratégia para chamar atenção para a obra, mas acabou desqualificando o próprio autor e seu livro.

O resultado final é a ausência de público nos lançamentos que vem fazendo, como os que ocorreram esta semana em São Paulo e Brasília. As vendas são um fiasco. Basta conferir na Amazon: lá, a obra de Janot é apenas o 199º livro mais vendido. No segmento de política e Ciências Sociais, está na 14ª posição – e fica em 9º quando a lista se refere unicamente à política. Ou seja: muito longe de ser um sucesso.

Com pouco mais de 200 páginas, o livro tem preço de referência um pouco acima do padrão: R$ 50,96 para a versão física de capa comum e R$ 35,91, para a versão digital. Pelos registros das vendas, nenhuma das duas versões vem empolgando. Até porque vazou uma versão digital, larga e informalmente distribuída (e pouco lida) Brasil afora.
 

Obra pornô: 'desperta o desejo'

A infelicidade do livro de Rodrigo Janot não se limita a um conteúdo pouco relevante, por não acrescentar quase nada ao que já se conhece. Também escorrega no título, o mesmo de uma obra pornô lançada em 2017 pela editora portuguesa Manuscrito. O Nada menos que tudo português é assinado por Afonso Noite-Luar, que é apresentado como “o autor que desperta o desejo das mulheres portuguesas” e promete “uma mistura de sensações, muito amor e muito sexo”.

Ao apresentar sua obra pornô, Afonso vai além, falando diretamente às mulheres: “Estes textos, que escrevi especialmente para ti, vão fazer-te sonhar, despertar essa tua vontade e curiosidade adormecida pela rotina, libertar o teu atrevimento natural e fazer-te desejar nada menos que tudo. No meu universo não há vergonhas, receios, tabus ou lugares proibidos, mas principalmente não há arrependimentos”.

Resta saber se a obra de Janot, em relação ao trabalho do autor português, é só coincidência.

Reforma administrativa quer tirar vantagens de servidores

Já está no forno, quase pronta para sair ao debate, a proposta de reforma administrativa prometida pelo governo federal. É uma das grandes reformas, que se junta à da Previdência, a Tributária e, também, à reforma política. A mudança nas regras do sistema político, no entanto, deve ficar mesmo por conta do Congresso. As demais são prioridade para o Executivo, já que a área econômica considera fundamentais para o equilíbrio das contas.

Ontem, o governo federal deu a conhecer os primeiros detalhes de um diagnóstico a respeito da máquina administrativa da União. Dois pontos logo destacados dizem respeito diretamente ao servidor, um entrelaçado ao outro. O primeiro se refere ao salário do funcionalismo: os dados apontam que, entre 2003 e 2018, os servidores tiveram um ganho real (descontada a inflação) de 53% nos salários. O outro ponto: o diagnóstico diz que há privilégios demais para o funcionalismo, sem a contrapartida na qualidade dos serviços. Privilégio turbinando salário, segundo o governo.

Daí fica claro: a reforma vai focar diretamente os servidores. Nesse caso, a proposta que está tendo a assinatura pelo Ministério da Economia quer cortar as vantagens – que os técnicos preferem chamar de privilégios. Isso inclui base salarial, possibilidade de contratação via CLT, revisão da estabilidade, licenças e gratificações. Ah, é pro futuro? Pode ser. Mas as ideias são essas.

O diagnóstico faz comparativos para evidenciar os privilégios: na iniciativa privada o salário médio mensal é de R$ 1,96 mil, enquanto o servidor da União recebe por mês, em média, R$ 11,84 mil. Do que saiu até agora, não está claro se o diagnóstico aponta as discrepâncias existente dentro do próprio funcionalismo, crucial para a elevação dessa média: alguns segmentos recebem a cada mês pelo menos quatro meses essa média salarial apontada.

Seja como for, a proposta deve gerar tempestades. A reforma da Previdência mostrou a força dos lobbies. E os servidores públicos federais têm um dos lobbies mais poderosos, com capacidade de pressão diretamente sobre os parlamentares. Também podem promover movimentos de paralisação com forte impacto sobre o funcionamento da máquina estatal.
 

STF desobriga Estado de reajuste anual

Uma questão relacionada aos salários já foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal: conforme a decisão do final de setembro, a União e os estados ficam desobrigados de conceder reajuste anual aos servidores, desde que justifiquem. O resultado da votação no STF agradou o governo federal. E agradou mais ainda a um punhado de estados que vinham buscando esse amparo legal para respaldar a ausência de reajustes.

Se a decisão fosse pela obrigatoriedade, muitos estados teriam quer conceder reajustes retroativos, o que colocaria as contas públicas em um vermelho berrante. Aqui mesmo no Piauí o governo do Estado vem evitando dar aumento por conta das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo há muito rompeu o limite prudencial da LRF, o que impõe suspender reajustes. Portanto, ao que parece, justificativa não falta para esquivar-se das cobranças do servidor por aumento nos salários.

Conheça o piauiense que enfrentou o Império e a Igreja, e foi punido até morto

Estreou hoje o Podcast Cidade Verde. E a lista inclui o Persona, um podcast que traz personalidades que marcaram a vida do Piauí. No episódio de estréia do Persona, a história de um piauiense que inovou no jornalismo e ousou nas posições políticas. Destemido, enfrentou o Império a ponto de ser chamado de “o profeta da República”. Embora católico, tinha posições avançadas que não combinavam com o clero conservador da época. Nesse confrontou, pagou caro em vida e também depois de morto: a igreja não permitiu sequer que fosse enterrado dentro do cemitério.

Conheça a história de David Moreira Caldas.
#01 Persona - David Caldas

Política, cultura e esporte ganham espaço no Podcast Cidade Verde

O Grupo Cidade Verde, sempre atento aos novos rumos da comunicação e das exigências da audiência, parte na frente mais uma vez e lança nesta segunda-feira os seus Podcasts. São diversos podcasts, para públicos distintos e com enfoque absolutamente próprio. A ideia central é muito simples: estandartizar a atenção ao público, levando um enfoque particular para temas específicos, atendendo à demanda de cada segmento.

Os Podcasts Cidade Verde estão em sintonia com os novos tempos, marcados por uma cidadania cada mais exigente e que cobra um tratamento diferenciado. Essa realidade também coloca em alerta os grupos de mídia. No caso do Grupo Cidade, o lançamento de hoje traz um conjunto de seis podcasts. Cada um com um tema específico. E todos com o cuidado de atender objetivamente cada segmento de audiência.

Vale lembrar, os podcasts podem ser acessados através do portal Cidadeverde.com, bem como por diversas plataformas – como Spotify, por exemplo. Diferente de um programa de rádio, ele pode ser ouvido a qualquer momento, sem limitação de horário ou frequência. Também pode ser ouvido em casa, no trabalho, no trânsito ou na academia.
 

Confira o que cada um tem pra você

Três Poderes: Joelson Giordani, Elivaldo Barbosa e Fenelon Rocha, com a participação de Délio Rocha, analisam o que acontece de mais importante no mundo da política.
Persona: com Fenelon Rocha, esse podcast traz, a cada semana, um personagem que marcou época na história do Piauí, enfocando aspectos marcantes e curiosos.
Além do Fato: sob a batuta de Nadja Rodrigues, oferece um olhar diverso e único sobre os fatos em destaque.
Em Revista: Cláudia Brandão traz a opinião de pessoas que fazem o mundo girar de uma outra maneira.
Cena Cultural: Débora Radassi mostra as pessoas que fazem a tendência do mundo cultural piauiense.
• Espírito Esportivo: Com Pablo Cavalcante e Joelson Giordani, analisa os fatos esportivos muito além das quatro linhas.

Paciente morre após 11 anos de espera por decisão do STF

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu parabéns na semana que passou. Uns parabéns lançados nos autos, cheios de mágoa. Os “cumprimentos” foram da advogada de um caso que já se estendia por 20 anos – e que estava no Supremo há 11 - a maior parte do tempo (8 anos) nas mãos (ou na gaveta) da ministra Rosa. O triste nessa história não é o caso em si. O triste é que casos como esses estão espalhados pelo país, nos tribunais, nos legislativos, nos gabinetes dos executivos, traduzindo um país em que a burocracia em geral é mais importante que a objetividade.

Vamos ao caso específico. O aposentado gaúcho Celmar Lopes Falcão entrou na justiça em 1999 pedindo reajuste de 28,86% sobre seus benefícios. Ganhou na primeira instância, e na segunda. O INSS recorreu e recorreu até que o caso chegou ao STF, nas mãos de Ellen Gracie. Desde 2008 o caso esperava o julgamento pelo STF. Gracie se aposentou em agosto de 2011 e, em dezembro, o caso foi parar nas mãos de Rosa Weber. O ritmo de vida do aposentado não era o mesmo do STF, e oito anos depois (no último dia 16 de setembro) ele morreu, aos 80 anos.

O caso de Celmar é comum. Por que? Porque a burocracia se basta.

Mas não foi suficiente para controlar a mágoa da advogada de Celmar. Ela tomou o episódio para denunciar o descaso que se trasveste de morosidade e ritos burocráticos. Foi lá e tascou nos autos: “É com lástima que viemos aos autos juntar a cópia de atestado de óbito de Celmar Lopes Falcão, e dar-lhe os parabéns. Parabéns, Ministra, pela demora!”. E acrescentou: “Informamos também que as pompas fúnebres foram singelas, sem as lagostas e os vinhos finos que os nossos impostos suportam”.

Escreveu mais. “A sociedade está cansada de um Judiciário caríssimo e que, encastelado, desconsidera os que esperam pela ‘efetividade’ e pelo cumprimento das promessas constitucionais”. Poderia ter dito “um Judiciário, um Legislativo e um Executivo” que desconsideram a “efetividade” das promessas constitucionais.

O caso do aposentado Celmar pegou mal para o STF. É injusto pontuar, especificar: o caso Celmar revela o tamanho da injustiça brasileira, em todos os poderes.
 

O caso dos royalties espera 6 anos

O STF deve julgar no próximo mês a disputa sobre a redistribuição dos royalties do petróleo. Vem desde 2013. Mas o caso nunca andou de verdade, descansando em uma gaveta da ministra Carmen Lúcia. A redistribuição dos royalties foi decidida pelo Congresso, mudando a regra: os royalties não podem ser só para os estados e municípios produtores. Uma parcela tem que ser para todos, já que o subsolo (de onde vem o óleo) é um bem da União – portanto, de todos.

A então presidente Dilma Rousseff não entendeu assim. Vetou a lei. Mas o Congresso derrubou o veto e fez o texto prevalecer. Ocorre que o Rio de Janeiro – quem mais ganha com os royalties – recorreu. Carmen Lúcia deu liminar favorável e o caso ficou de ser julgado no pleno. Até hoje espera. Mais de seis longos anos sem solução. Simplesmente estacionado no STF, à espera da boa vontade dos senhores ministros. Parece que, enfim, o caso será desengavetado. Deve ser votado dia 20 de novembro.

As perdas desses seis anos? Ficam na conta do bispo. Ou dos ministros.

Legislação deve pulverizar candidaturas a prefeito, em 2020

As mudanças na legislação eleitoral para 2020 devem levar à pulverização de candidaturas em todo o Brasil. No caso das disputas pelas Câmaras Municipais – agora sem coligação proporcional –, todo partido que quiser disputar para valer terá que formar amplas chapas, onde o maior número de candidatos tende a implicar em maior soma de votos e, em consequência, maior número de vereadores eleitos. A própria estratégia de eleger mais vereadores deve fortalecer a tendência de lançar candidaturas à prefeitura. Somente em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte há 26 pré-candidatos a prefeito.

Teresina, que sempre teve alta ou altíssima concentração de votos em dois candidatos, pode ter no próximo ano uma situação nova. No cenário de hoje, vislumbra-se pelo menos três candidatos viáveis, dividindo votos: um representante do Palácio da Cidade, outro com o aval do Palácio de Karnak e o candidato do MDB, que tende a ser Dr. Pessoa. Tal perspectiva pode levar à inédita situação de três candidatos com mais de 20% dos votos válidos.


Confira como foram as 9 eleições em Teresina

Desde a redemocratização, Teresina teve 9 eleições municipais. Em quatro, houve altíssima concentração de votos. Em cinco, verificou-se alta concentração. Confira.

• Eleição 1985
Alta concentração. Eram 7 candidatos, mas dois somaram quase 90% dos votos válidos: Wall Ferraz, do PMDB (50,33%), e Átila Lira, do PFL (39%). A terceira colocação coube a Myriam Portela (PDS), com discretos 5,84%.
• Eleição 1988
Alta concentração. Com 5 candidatos na disputa, os dois primeiros somaram mais de 72% dos votos válidos: Heráclito Fortes (PMDB) teve 41,13%, seguido de Átila Lira (PFL), com 31,19%. Myrian Portella (PDS) foi terceira, com distantes 10,81% dos votos.
• Eleição 1992
Altíssima concentração. Eram 6 candidatos, mas Wall Ferraz (PSDB) abocanhou sozinho 63,61% dos votos. O segundo colocado, Alberto Silva (PMDB) teve apenas 13,77% dos votos válidos.
• Eleição 1996
Alta concentração. Eram 8 candidatos, mas dois concentraram perto de 80% dos votos válidos. No primeiro turno, Firmino Filho (PSDB) teve 39,76% dos votos, seguido de Alberto Silva (PMDB), com 37,66%. O terceiro, Nazareno Fonteles (PT), alcançou 18,69%.
• Eleição 2000
Altíssima concentração. Eram 5 candidatos, mas os dois primeiros concorentes somaram 93% dos votos válidos. Firmino Filho (PSDB) se reelegeu com 60,89% dos votos, seguido de Wellington Dias (PT), com 32,43%. O terceiro, Ciro Nogueira (PFL), não chegou a 4%.
• Eleição 2004
Alta concentração. Eram 9 candidatos, mas os dois primeiros somaram mais de 74% dos votos válidos. No primeiro turno, Silvio Mendes (PSDB) alcançou 48,89% dos votos, seguido de Adalgisa Moraes Souza (PMDB), com 25,70%. O terceiro foi Quem Quem (Prona), com 8,4%.
• Eleição 2008
Altíssima concentração, a maior de todas. Eram 6 candidatos, mas Silvio Mendes (PSDB) sozinho teve 70,36% dos votos válidos. Nazareno Fonteles (PT) teve 25,91%. Juntos somaram mais de 96% dos votos.
• Eleição 2012
Alta concentração. Eram 7 candidatos, mas os dois primeiros somaram mais de 70% dos votos válidos: Firmino Filho (PSDB) teve no primeiro turno 38,77% dos votos, seguido de Elmano Ferrer (PTB), com 33,14%. O terceiro, Wellington Dias (PT) alcançou 14,18%.
• Eleição 2016
Altíssima concentração. Eram 7 candidatos, mas os dois primeiros somaram mais de 90% dos votos. Firmino Filho (PSDB) teve 51,14% dos votos do primeiro turno, seguido de Dr. Pessoa (PSD), com 39,77%. O terceiro, Amadeu Campos (PTB) não chegou a 7%.

Ibama aciona PF para investigar doações de madeira no Piauí


San Martins Linhares, do Ibama: PF vai investigar atos a pedido do novo superintendente


A polícia Federal vai investigar as doações de madeiras apreendidas pelo Ibama no Piauí, nos últimos anos. Ontem no final da tarde, o novo superintendente do órgão, San Martin Linhares, foi à PF e denunciou a existência de indícios de irregularidades nessas doações. Ao mesmo tempo, pediu a ação da Polícia Federal para averiguar a situação e particularmente o modo de atuação do servidor Francisco de Assis da Silva Araújo, que presidia a Comissão de Avaliação e Destinação de Bens Apreendidos.

Na denúncia, San Martin diz que Francisco de Assis sempre demonstrou animosidade contra o novo superintendente, que está no cargo há pouco mais de duas semanas. O novo gestor do Ibama disse ainda que chegou a pedir diversas vezes um relatório sobre as doações feitas a partir das avaliações da Comissão, mas que o servidor se negou a prestar esclarecimentos.

O desgaste chegou ao ápice nesta semana, quando o diretor do Centro de Artesanato de Teresina, chamado Jordão, foi pedir que parte da madeira apreendida fosse destinado aos artesãos, para a produção de peças artesanais. Segundo a denúncia, Francisco de Assis disse que a madeira não servia e chegou a gritar. Ao ser cobrado novamente os relatórios, o presidente da Comissão teria se exaltado ainda mais e anunciou que pedia demissão.

Na denúncia formalizada na PF, San Martin pede que os agentes federais possam investigar as doações. A suspeita é que essas doações eram feitas de forma ilícita.
 

‘Eu só quero transparência’, diz San Martin

Ao tomar conhecimento da denúncia, a coluna entrou em contato com o novo superintendente do Ibama. “Eu só quero transparência. É meu dever como servidor público, meu e de qualquer outro servidor”, disse ele. “Não entendo a recusa em oferecer o elementar, que são as informações sobre os atos da Comissão”, afirmou. San Martins acrescentou que espera que a PF evidencie as práticas a partir da investigação solicitada.

O superintendente do Ibama afirmou que está fazendo um detalhado levantamento sobre a realidade do órgão, para daí adotar ações mais objetivas. Ele diz ainda estar contente com a receptividade que teve no órgão, que considera muito boa. “Temos servidores capacitados e comprometidos. Mas esse comportamento eu não encontrei no presidente da Comissão”, ressaltou.

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