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Coronavirus derruba segundo ministro

Virou piada nos corredores do Poder em Brasília: a cloroquina derrubou o segundo ministro da saúde. Seria risível se não fosse tão sério diante da situação vivida pelo país e o mundo. E é certo que a saída de Nelson Teich, assim como a Luiz Henrique Mandetta, tem importante significado. Fica evidente que há sim uma clara diretriz do governo em relação à pandemia e ela não dialoga muito com as orientações da Organização Mundial de Saúde e de uma parte da comunidade científica – incluindo grupo expressivo de técnicos do próprio Ministério da Saúde. Mas dialoga com a política.

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro fez uma aposta clara na retomada das atividades econômicas como fator principal. E incluiu no coquetel político um medicamento (a cloroquina) que ganhou aura de milagreiro, apesar de muitas ressalvas científicas. Certamente faz um cálculo que passa pela saúde e a economia, mas que é sobretudo um cálculo político. E tal conta passa por alguns pontos:
O horizonte da reeleição: Bolsonaro se apresentou como antipolítico mas é essencialmente político. E político quer poder. Ele quer um novo mandato. E se movimenta nessa perspectiva.
Prioridade é unir bolsonaristas: entende que o primeiro passo é ter uma boa bate popular. São os mais de 25% de bolsonaristas que mantém uma fidelidade acima de qualquer coisa. É para esse grupo que discursa um dia sim e outro também.
Economia para além dos bolsonaristas: mas Bolsonaro sabe que não se ganha eleição de dois turnos com esse percentual de votos. Daí a aposta na economia. É a partir de um bom desempenho da economia, sobretudo preservando empregos, que o presidente esperar alcançar uma boa fatia de brasileiros além dos bolsonaristas.
 

Todo mundo faz cálculo político

Bolsonaro quer chegar em 2022 como a alternativa viável da direita. E de preferência tendo alguém bem à esquerda como contraponto. Por isso aposta tanto na dualidade Bolsonaro x PT. Mas, como faria Garrincha, é preciso perguntar: já combinou como os russos? Sim, porque todo mundo faz seu jogo. Senão vejamos:
Centrão: se aproxima de Bolsonaro na hora crítica, quando pode cobrar mais espaço de poder. Mas nada garante que permaneça com Bolsonaro. Basta lembrar a “virada” às vésperas do impeachment de Dilma Rousseff.
Governadores: fazem suas apostas posicionando-se no contraponto ao presidente. Alguns estão pensando na cadeira do Planalto, como João Dória e Wilson Witzel, dois ex-bolsonaristas que vivaram antibolsonaristas “desde criancinhas”.
Esquerda: tem o discurso antibolsonaro desde a campanha, mas se fragmenta (por exemplo: PT e PCdoB de um lado, Ciro Gomes de outro). Cada um quer se posicionar como “a oposição”.

E para completar tem o gol contra do próprio Bolsonaro, criando adversários que podem avançar sobre seu segmento particular. Um desses adversários é o ex-juiz Sérgio Moro, já cortejado como potencial candidato ao Planalto.

Elmano quer planejamento para retorno da construção civil

O senador Elmano Ferrer (Podemos) defendeu a discussão de um cronograma para retomada das atividades no setor da construção civil. O congressista piauiense assinalou como de extrema importância as medidas de isolamento social adotadas pelo governo do estado e a prefeitura de Teresina, porque elas visam salvar vidas. Mas considera que a construção civil deve ser colocada no rol de atividades sociais. Por isso, Elmano se dispôs a abrir um diálogo com o governo e a prefeitura para que seja feito um planejamento visando a retomada da atividade nesse setor da economia.

Segundo o senador, a construção civil tem caráter essencial porque afeta diretamente o emprego e a renda dos piauienses. Ele fez pronunciamento no Senado quando utilizou esses argumentos e pediu planejamento para o retorno do setor, lembrando que essa retomada já acontece na maioria dos estados. Mas o representante do Piauí também ressaltou as ações adotadas para contenção da pandemia do coronavírus.

“O governador Wellington Dias e o prefeito de Teresina Firmino Filho têm como prioridade máxima a defesa da vida dos piauienses. As medidas de isolamento e a proibição de atividades não essenciais são duras, mas acertadas, e estão salvando muitas vidas. Entretanto, preciso destacar a importância de planejarmos os próximos passos”, disse. Ele recordou que o Governo Federal já incluiu a construção civil no rol de atividades essenciais.

Como cabe aos estados e municípios o poder de estabelecer políticas de saúde e isolamento social e serviços essenciais, Elmano defende o diálogo para definição da retomada no setor.
 

Construção responde por 6% do PIB, destaca senador

Ao defender a importância da construção civil, o senador Elmano Ferrer apresentou números que colocam a atividade como “um dos propulsores da economia”. Ele ressaltou que o setor responde por 6% do PIB brasileiro e por 34% de toda a indústria. E enfatizou o papel de gerador de oportunidades de trabalho, com 13 milhões de empregos diretos e indiretos. Elmano disse ainda que esse papel estratégico e de caráter essencial já foi reconhecido pela maior parte dos estados, onde a construção civil continua ativa.

"Além da importância para a economia”, o senador acentuou uma característica que reduz os riscos de propagação de doenças: “Na construção civil não há atendimento ao público, o que minimiza os riscos de contágio, especialmente, se tomadas todas as medidas de higiene", justificou. "Venho pedir ao governador Wellington Dias e o prefeito Firmino Filho que reflitam sobre o assunto e avaliem incluir a construção civil no rol das atividades econômicas liberadas no Piauí, a exemplo do que já ocorre em todo país”, concluiu o senador.

No PT, Vanessa Tapety pode enfrentar PP, partido que nomeou o marido

Foto Arquivo / Cidadeverde.com

Vanessa Tapety: possível confronto com o partido que avaliza a nomeação do marido para o Ibama

Em meio ao acirramento da disputa entre o Progressista e o PT, a advogada Vanessa Tapety aparece como uma alternativa bastante concreta para disputar a prefeitura de Oeiras pelo partido do governador Wellington Dias, exatamente contra o os progressistas. O estranhamento tem várias razões. Primeiro, Vanessa foi candidata a vice-governadora na eleição de 2018 em chapa de oposição a Wellington. Além disso, ela é cunhada de Roger Linhares, prefeito de José de Freitas e filiado ao PP. Para completar, o marido da advogada, o também advogado San Martin, é filiado ao MDB mas está no comando do IBAMA precisamente por indicação do PP, através da deputada Margarete Coelho.

Só a possibilidade de escolha de Vanessa Tapety como candidata do PT já mostra a pouca coerência do sistema partidário brasileiro. Mas revela a lógica das eleições municipais: o que prevalece mesmo é o fator local, as disputas históricas. Nesse caso, Venessa estará no lugar de sempre: em confronto com o grupo de B. Sá e do atual prefeito José Raimundo (PP). Oeiras tem uma das mais acirradas e antigas disputas de grupos, com eleições muito disputadas. Os grupos têm até nomes.

De um lado ficam os “Tupamaros”, que sempre tiveram como referência a família Tapety. De outro, os “Boca Preta”, capitaneados pela família Sá. O PT, com a liderança de Assis Carvalho, vem mantendo proximidade com os “Tupamaros”. Nesse sentido, Vanessa não surpreende em nada, repetindo a velha briga entre os dois grupos que se engalfinham há mais de três décadas.

É como diz o advogado oeirense José Augusto Nunes, mais próximo dos “Boca Preta”: são dois partidos não reconhecidos pela Justiça, mas sacramentado pela boca do povo.
 

PT e PP se enfrentam em 9 das 13 maiores cidades

A mistura de siglas no caso de Vanessa Tapety vira e mexe mas termina por colocar PT e PP em palanques opostos. E essa vai ser provavelmente uma marca da próxima eleição municipal, como desenho da correlação de forças para a disputa de 2022 que tende a colocar em lados opostos Wellington Dias (PT) e Ciro Nogueira (PP). Se olharmos os 13 maiores redutos eleitorais do Piauí (que somam perto de metade do eleitorado do estado), as duas siglas se enfrentarão em 9 delas.

Será, de fato, o embate entre os grupos liderados por Wellington e Ciro. Em alguns casos, com repeteco: vale lembrar a eleição municipal de 2016 em Picos, onde o empenho do governador Wellington Dias em favor do Padre Walmir, do PT, gerou tanto dissabor a Ciro Nogueira, aliado de Gil Paraibano. Confira a divisão nos 13 maiores redutos do estado:
• Confronto: PT e PP estarão se confrontando em Teresina, Picos, Piripiri, Barras, União, Campo Maior, Pedro II, Esperantina e Oeiras.
• Aliados: as duas siglas estarão juntas apenas em Parnaíba, Floriano, Altos e José de Freitas.

Divulgação do vídeo da reunião amplia instabilidade econômica e política

A divulgação do vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria pressionado por mudanças na Polícia Federal já produziu efeitos importantes. O principal é o aumento da dúvida sobre a realidade econômica e política do país, que pode ser traduzido em uma palavra: instabilidade. Há dúvidas sobre os recursos de defesa do presidente, acusado pelo ex-ministro Sérgio Moro de querer interferir nas investigações da PF. E isso deixa os investidores em sobressalto e o mundo político em expectativa.

No campo econômico, o comportamento da bolsa e do dólar, ontem, já dava a dimensão das dúvidas e incertezas. A bolsa até começou o dia em alta, reflexo de sinais do cenário externo, com boas notícias. Mas a alta (que chegou a 1,6%) logo se transformou em queda com as primeiras informações sobre o vídeo, visto dentro do processo que corre no Supremo. Resultado: o índice Bovespa fechou com queda de 1,5%, com movimentação que ficou em menos de 78 mil pontos – revelando o baixo volume de negócios.

O dólar seguiu o mesmo sentimento de temor. Como um dos portos seguros em momento de incerteza, a moeda americana subiu 0,9% – em mais uma alta que fez a cotação chegar a R$ 5,87, o maior valor nominal (em valores reais, só não é maior que no período do segundo turno das eleições de 2002). Isso colocou o dólar como o melhor investimento desde o início do ano. Isso tudo ajuda a aprofundar as incertezas políticas, com reflexo no jogo de forças no Congresso.

Nesse campo, uma outra consequência é a percepção de que o governo precisa ter uma base mínima no Congresso, o que aumenta o poder de barganha do Centrão.
 

Centrão aumenta controle do orçamento  

O movimento de aproximação do governo com o Centrão já estava em andamento, mas ganhou força com a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Moro deixou indicações fortes de uso político da Polícia Federal pelo Planalto. Revelações, ontem, sobre o vídeo em que esse uso ficaria explícito tornou mais forte a necessidade por parte do governo de uma base política consistente no Congresso. E isso aumenta o valor estratégico do Centrão, grupo de partidos de centro que amplia a presença no rol de cargos federais.

Depois dos últimos espaços ocupados pelo Centrão, o grupo já teria sob seu controle uma fatia de mais de R$ 78 bilhões do orçamento da União. E pode ampliar muito esse valor. O grupo avança sobre órgãos como DNIT, DNOCS, INCRA e FNDE, este uma espécie de banco do MEC. A tendência é que tenha mais força, caso se mostre necessária uma base política para rejeitar eventuais denúncias contra o presidente.

Projeto propõe que empresa deduza do imposto gasto com testes

Foto Divulgação / Assembleia Legislativa

Deputado Júlio Arcoverde: desconto no imposto de gasto com testes contra coronavírus

A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Piauí está analisando para oferecer parecer um projeto que prevê a possibilidade das empresas descontarem dos tributos os gastos que realizarem com a compra de equipamentos e realização de testes relacionados ao coronavírus. A obrigatoriedade dos testes foi definida por decreto municipal para empresas com mais de 30 empregados. O deputado Júlio Arcoverde, autor da proposta, argumenta que esse gasto representa um impacto grande junto às empresas, daí a ideia de permitir que o valor seja descontado.

Conforme o deputado a realização de um teste hoje está custando mais de R$ 300. “Esse é o valor de hoje, porque pode subir como está subindo tudo relacionado à pandemia”, alerta Júlio, observando ainda que há a perspectiva de um mesmo funcionário ser submetido a testes mais de uma vez. “Entendemos que é importante todo o esforço para enfrentamento da pandemia. Mas entendo também das limitações das empresas, que já pagam um preço alto também pela baixa atividade da economia”, disse.

Conforme a proposta, o gasto com testes e equipamentos para as empresas poderiam ser descontados, mediante comprovação, no momento do pagamento de tributos como o ICMS no mês subsequente à realização das despesas. A expectativa do deputado Júlio Arcoverde é que o projeto seja votado em reunião plenária virtual já na próxima semana. Ele não acredita que haja resistências pela compreensão de que esse tipo de ação – a realização de testes – deveria ser promovida pelo poder público.

Maranhão é a grande ameaça de coronavírus para o Piauí

Ilustração / Estudo Sudene

O alto registro de coronavírus na região norte do Maranhão, sobretudo em São Luís, representa hoje a maior ameaça de contágio para o estado do Piauí. Essa é uma das conclusões que se pode tirar do estudo realizado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), divulgado ontem. O estudo destaca quatro grandes agrupamentos territoriais, um deles está no entorno de São Luís e irradia para o Piauí.

Pelo levantamento da Sudene, além do agrupamento em torno da capital maranhense, há ainda o de Fortaleza, o de Recife e o de Salvador. O território que se desenha a partir de Fortaleza aparece como o mais problemático, com alto índice de registro nos municípios do entorno da capital cearense e alcançando cidades importantes como Sobral e até mesmo Mossoró, no Rio Grande do Norte. O alcance dessa mancha de incidência cobre mais da metade do território cearense.

O segundo núcleo mais intenso é o que se desenha a partir de Recife e avança sobre parte de Alagoas (incluindo Maceió) e quase metade da Paraíba, incluindo João pessoa. O terceiro grande grupo territorial é o que se forma a partir de Salvador, abarcando cidades importantes como Feira de Santa. O quarto grupo é o de São Luís, que tem alto poder de contágio na parte norte do Maranhão e irradia para cidades do Piauí localizadas na região do Baixo Parnaíba e Litoral.

Por isso mesmo as cidades piauienses mais vulneráveis pelo contágio estão principalmente nos limites com o Maranhão, o que faz de São Luís e entorno a grande ameaça para os piauienses. O mapa do estudo da Sudene (ver acima) é revelador: o primeiro quadro mostra a população infectada e os dois seguintes exibem a mancha de proximidade das áreas com grande incidência.
 

Piauí: contágio no Norte, sem estrutura no Sul

O estudo da Sudene sobre os riscos do coronavírus no Nordeste mostra as dez cidades da região mais vulneráveis. São seis de Pernambuco (Recife, Olinda, Jaboatão, Paulista, São Lourenço e Camaragibe), três do Ceará (Fortaleza, Caucaia e Maracanaú) e uma da Paraíba (João Pessoa). Fortaleza é a primeira da lista, na condição de mais vulnerável. No caso do Piauí, as mais vulneráveis pelo contágio estão na parte Norte, precisamente pela irradiação de São Luís: Matias Olímpio, Madeiro, Campo Largo, Piracuruca, Miguel Alves, Porto, Luzilândia, São José do Divino e Joca Marques, além de Teresina.

O levantamento da Sudene classifica ainda a vulnerabilidade levando em conta as limitações de estrutura para atendimento na área de saúde. Nesse caso, nove dos dez mais vulneráveis do Piauí estão na região Sul do estado – o que reflete uma antiga reclamação da falta de condições de saúde na região. A exceção é Buriti dos Montes, que está na parte Norte. Os outros são: Barreira do Piauí, Dom Inocêncio, Coronel José Dias, Currais, Baixa Grande do Ribeira, Riacho Frio, Gilbués e Capitão Gervásio Oliveira.

VER TAMBÉM:
Piauí tem 10 cidades mais vulneráveis a contágios da Covid-19, diz estudo da Sudene.

Rendimento médio do piauiense é o 2º menor do Brasil, diz IBGE

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O estado do Piauí tem a segunda menor média dos rendimentos do trabalho em todo o Brasil, à frente apenas do estado do Maranhão. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao ano de 2019. Conforme a pesquisa (que faz um comparativo com o ano de 2018), a média mensal dos rendimentos “provenientes de todos os trabalhos” no Piauí registrada no ano passado foi de R$ 1.379.

O Maranhão, pior desempenho, registrou a média mensal de R$ 1.325. O valor alcançado pelo Piauí é apenas 59,7% da média nacional, que ficou em R$ 2.308. E corresponde a menos de um terço da unidade federativa com melhor média, o Distrito Federal, que alcançou valor de R$ 4.044 (ver gráficos). A pesquisa mostra ainda que no ano passado houve aumento do número de pessoas com rendimentos, em relação a 2018. No Brasil, houve uma evolução de 43,4% para 44,1%. No Piauí a evolução foi de 35,4% para 36,9%. A esse contingente somam-se os que têm renda sem ser de trabalho: 15,7% dos piauienses que recebem aposentadoria ou pensão e outros 13,4% têm “outros rendimentos”.
 

Confira outros dados da PNAD Contínua

• Piauí tem 3º menor rendimento médio real: o rendimento médio real do Piauí, considerando todas as fontes de renda, é R$ 1.385. É o 3º menor do país, à frente apenas de Alagoas (R$ 1.348) e Maranhão (R$ 1.223).
• Homens recebem 13,8% mais que mulheres: os homens no Piauí têm rendimento 13,8% a mais que as mulheres. O valor médio para os homens é de R$ 1.451, contra R$ 1.275 para as mulheres. No Brasil, em média os homens ganham 28,7% mais que as mulheres.
• Bancos ganham 74,1% mais que os de cor preta: o rendimento médio dos brancos piauienses é de R$ 1.931, enquanto as pessoas de cor preta recebem R$ 1.109 em média. O estado com maior desigualdade é Sergipe. No Brasil, esse índice ficou em 79,3%. 
• Diferença de 66,1 vezes entre os que ganham mais e menos: a desigualdade no Piauí é brutal. Segundo a PNAD, os 10% que ganham mais têm rendimento médio 66,1 vezes maior que a média dos 10% que ganham menos. Na parte de cima, a média é de R$ 6.019 mensais, contra R$ 91 mensais entre os 10% com os menores rendimentos.
• Piauí tem 2ª maior concentração da renda: o Índice Gini do Piauí, considerando o rendimento de todos os trabalhos, é 0,551, o segundo pior do país. Isso significa que o estado possui a segunda maior concentração da renda do trabalho no Brasil. A escala do Índice de Gini vai de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, mais desigual é a distribuição de renda. Apenas Sergipe tem índice pior.
• O 2º maior percentual de Bolsa Família: o Bolsa Família tem forte presença no Piauí, o 2º estado em número de domicílios com esse benefício – à frente apenas do Maranhão. Segundo a pesquisa, 33,9% dos domicílios recebem Bolsa Família, o que equivale a 350 mil domicílios. No Maranhão, o percentual é de 35,2%. No Brasil, 13,5% dos lares recebem Bolsa Família. (ver gráfico)

Há 60 anos, em um 11 de maio: um marco contra a impunidade e o nazismo

Foi uma operação ousada, em um ambiente claramente desfavorável. Era 11 de maio de 1960, e o cenário era a Argentina, país que se destacava como ponto de acolhida de um mundo de criminosos nazistas. Naquele dia, agentes do Mosad, o serviço secreto de Israel, desconsideraram os protocolos diplomáticos e resgataram o então mais procurado criminoso da “Era Hitler”, Adolf Eichmann. Fora ele, os holofotes só buscavam Joseph Mengele, que também se movimentava pela região e acabou refugiando-se no Brasil, onde morreu sem pagar por seus crimes.

A captura de Eichmann é um marco. E por vários aspectos. Vale destacar dois. Primeiro, por conseguir anos a fio driblar a vigilância dos caçadores de nazistas. Segundo, pelo que representou em seguida o julgamento do homem-símbolo da “Solução Final”, plano de extermínio dos judeus durante a 2ª Guerra. Tem mais: o julgamento de Eichmann, dois anos depois, permite que Hannah Arendt produza um dos mais importantes textos sobre o autoritarismo (Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal). E também leva à produção de filmes como “Operação Final”.

O sequestro de Eichmann em Buenos Aires coroa 15 anos de busca. A caçada começou em 1945, em uma ação da comunidade judaica tendo à frente Simon Wiesenthal, o famoso "caçador de nazistas" e também um sobrevivente dos campos de concentração. A busca ganha novo rumo em 1957, quando o procurador do estado alemão em Hesse, Fritz Bauer, fez que os serviços israelenses souberam que Eichmann se escondia na Argentina com o nome de Ricardo Klement.

A Alemanha não mais se debruçava sobre o paradeiro desses criminosos. Israel, sim. E em 1960 agentes do Mosad empreendem a operação que levaria à prisão de um dos maiores criminosos da História.


‘A banalidade do Mal’, segundo Arendt

O livro de Hannah Arendt (Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal) é um clássico. A partir do caso real de Adolf Otto Eichmann, o livro traz um relato sobre as condições em que se deu a prisão e os julgamentos de Eichmann, o home da “Solução Final”. O texto é uma edição ampliada da cobertura que Arendt fez do processo do criminoso nazista para a revista New Yorker, publicado de fevereiro a março de 1963. Nele Arendt mostra o cenário montado em Israel para a realização do julgamento.

O livro de Arendt é um extenso relato: descreve o tribunal, com Eichmann em uma cela de vidro, gripado, e os atores envolvidos (juízes, promotores, o advogado de defesa, etc.). Sobre o réu, faz um denso relato apontando suas características pessoais, seu comportamento, sua história (as tentativas de ascensão profissional dentro e fora do partido Nazista – Partido Nacional Socialista – e da SS. Relata a forma como Eichmann chegou ao seu cargo no departamento de emigração e transportes e suas tentativas de resolver a questão judaica, através da expulsão deles da Alemanha. O texto é também um marco na discussão sobre o autoritarismo.

Nada mais atual.

Receitas dos estados despencam. No Piauí, perda será de R$ 1,4 bi

O estado do Piauí espera contabilizar perdas de arrecadação da ordem de R$ 1,4 bilhão, em relação ao que estava previsto no Orçamento 2020 apresentado pelo governo do Estado no final do ano passado. As perdas se referem sobretudo à redução da expectativa de recolhimento do ICMS, principal fonte de receita própria dos estados. Essa dura realidade não é exclusiva do Piauí: o estado de São Paulo, por exemplo, deve somar um encolhimento de R$ 16 bilhões no ICMS até o final do ano.

Segundo Henrique Meireles, o secretário da Fazenda de São Paulo, o ICMS representa 84% da arrecadação do estado. Mas a crise econômica desencadeada pela pandemia do coronavírus vai ter um efeito terrível, resultando nessa perda que é mais de dez vezes a projetada para o estado do Piauí. Outros estados também contabilizam perdas enormes, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Parte do baque será coberto pelo Pacote de Ajuda a estados e Municípios, aprovado no Congresso. No caso do Piauí, o ingresso total que o Pacote possibilita é de R$ 1,362 bilhão, ficando com o governo estadual cerca de R$ 1 bilhão. No caso de São Paulo, a perda com ICMS é próximo do que caberá ao governo estadual de um total de R$ 31 bilhões que serão divididos com municípios paulistanos.

Confira as perdas de alguns estados

Minas Gerais: Um dos estados em situação mais crítica, previa déficit orçamentário de R$ 13,8 bilhões; agora prevê queda de R$ 7,5 bi na arrecadação de ICMS e o déficit chegará a R$ 20,3 bi. Terá do Pacote ingresso de R$ 12 bilhões.
Rio de Janeiro: estima arrecadação R$ 15 bi menor (desse total, R$ 4 bi referentes à cotação do petróleo).
São Paulo: o estado, que depende 84% do ICMS, calcula perda de R$ 16 bilhões, mais de 10% do que arrecadou no ano passado.
Bahia: projeta perda de R$ 1,5 bilhão apenas em abril, maio e junho. Até o final do ano o baque pode passar dos R$ 7 bilhões.
Paraná: estima perdas de R$ 3 bilhões até o final do ano.
Rio Grande do Sul: só em abril somou perdas de R$ 700 milhões. Tende a ser pior em maio e nada animador em junho e julho.

Turbulência desafia democracia na América Latina, diz cientista

Um dos mais respeitados cientistas políticos com estudos focados na América Latina, o norte-americano Scott Mainwaring diz que a região vive um enorme desafio democrático em meio às turbulências que há algum tempo alcançam vários países. Em entrevista à revista EXAME, Mainwaring avaliou que a América Latina foi incapaz de aproveitar o chamado superciclo das commodities (algo como de 2000 a 2015) com desempenho econômico aquém do esperado. Para completar, não reforçou instituições e se vê agora ante o importante desafio de consolidar a democracia.

Na entrevista à EXAME, Scott Mainwaring diz que a eleição de Jair Bolsonaro é fruto do descontentamento, assim como a derrota de Maurício Macri na Argentina e uma onda de protestos em diversos países. Além de duras críticas a Bolsonaro, aponta o dedo para os governos anteriores, observando que o Brasil teve política econômica de pouco resultado e o agravante de não ter contado com políticos “que governem decentemente”.

Confira algumas ideias de Scott Mainwaring

• Instituições fortes: Mainwaring diz que instituições sólidas” são um antídoto contra a erosão democrática, aí destacando a existência de partidos políticos fortes e um Judiciário que “trabalhe bem”. “E a última coisa absolutamente indispensável — e isso é onde o Brasil falhou — é ter políticos que governem decentemente”.
• Democracia no Brasil: Avalia que no Brasil houve erosão da democracia. “Certamente ela não se rompeu. No entanto, as profundas insatisfações levaram à eleição de um presidente que não é um democrata”.
• Economia fraca: “Em geral, desde o fim do boom de commodities, as democracias da América Latina não tiveram um bom desempenho econômico”. Agora, uns seis anos depois daquele ciclo de bonança, “o cenário econômico tornou mais difícil”.
• Economia no Brasil: Mainwaring vê no Brasil um exemplo de “como o fim do superciclo de commodities e má gestão da economia levaram a uma recessão longa e aprofundada”, produzindo desencantamento com o antigo establishment e especialmente com o PT.
• O caso do Chile: Vê muitos êxitos no caso chileno. “Crescimento econômico, redução de pobreza, estabilidade do governo, múltiplas alternâncias de poder. Mas há também déficits”.
• Crise de hoje e do passado: “Há muitas diferenças, mas talvez a fase mais parecida seja o período entre o começo e a metade dos anos 2000. O que era semelhante naquela época é que havia insatisfação com os resultados medíocres de políticas econômicas direcionadas ao mercado”.
• Nossas Democracias sólidas: “O Uruguai, a Costa Rica e, eu diria também, o Chile são, de longe, os países que se destacam como aqueles que possuem as instituições mais sólidas na América Latina. E, portanto, eles são os países em que uma erosão da democracia é menos provável que ocorra”.

Fonte:  Entrevista Scott Mainwaring.

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