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Já sem Assis, oposição de Oeiras agora perde Abimael

Foto Divulgação

Solenida em que Abimael Rocha manifesta apoio à candidatura de Zé Raimundo, em Oeiras


A oposição ao prefeito José Raimundo (PP) em Oeiras sofreu um segundo e duro golpe. O primeiro foi a morte do deputado Assis Carvalho, que era o principal articulador da aliança para enfrentar o atual ocupante da prefeitura do município. No final da semana passada outra perda, desta vez por manifestar apoio à reeleição de Zé Raimundo: Abimael Rocha anunciou que vai subir no palanque do atual prefeito. Vale ressaltar, Abimael foi queme, em 2016, assumiu a tarefa de enfrentar o chamado “Grupo dos Boca Preta”, que tem na família Sá a principal referência.

Os adversários dos Boca Preta, o grupo conhecido como Tupamaros (liderado pela família Tapety), perdem uma força considera importante. E vê o concorrente se reforçar. Abimael Rocha já foi vice-prefeito de Oeiras e na eleição municipal passada, ainda no PTC, teve cerca de 10 mil votos como como adversário de Zé Raimundo. Pela importância, a adesão teve até solenidade formal com a presença do próprio prefeito Zé Raimundo, o ex-prefeito Lukano Sá (de quem Abimael foi vice) e o ex-secretário estadual José Augusto Nunes.

Abimael, que estava filiado ao PT, mostrou-se frustrado com os movimentos da oposição. Ele esperava que o PT indicasse o cabeça de chapa, o que não estava sendo cogitado. Daí, preferiu adotar outros caminhos, resultado no apoio à campanha de reeleição do representante dos Boca Preta. “Vou ajudar na campanha do Zé Raimundo no que estiver ao meu alcance”, disse ele.
 

Oposição deve apostar em Dr. Hailton

A oposição ao prefeito Zé Raimundo deve ir para as eleições deste ano com a candidatura do médico Dr. Hailton Filho. Ele deve ser o nome que vai assumir o lugar que atava reservado para a advogada Vanessa Tapety, que chegou a se filiar ao PT com esse propósito, dentro de uma articulação feita pelo então deputado Assis Carvalho. Mas ainda em junho, antes da morte de Assis, Vanessa já tinha desistido da candidatura.

A ida da advogada para o PT era quase protocolar, já que ela é mesmo ligada ao MDB, que no município é liderada por seu pai, o ex-prefeito Tapety Neto, e por seu tio, o ex-deputado Mauro Tapety. Vanessa chegou a se desincompatibilizar do cargo de direção que ocupava no Tribunal de Justiça do Piauí. Quando desistiu, abriu a possibilidade de candidatura para Dr. Hailton Filho, que deve ser o nome principal do palanque dos Tupamaros este ano.

A hora difícil do Museu do Homem Americano

A presidência da República já anunciou que o presidente Jair Bolsonaro estrará em São Raimundo Nonato nos próximos dias, para uma visita ao Museu do Home Americano e às inscrições rupestres da Serra da Capivara. Será uma visita oportuna. Muito oportuna, e muito mais do que pela evidência para o gigantesco patrimônio arqueológico que a Serra guarda e nos apresenta. Será a oportunidade de mostrar o tamanho do drama vivido pelo Museu nos últimos anos, e particularmente nesses últimos meses, sem atividade, sem recursos e sem a presença direta da criadora Niède Guidon.

Os problemas financeiros do Museu só não são mais antigos que os registros que guarda. São repetidas as matérias (de veículos locais e nacionais) em que Niède se expunha cobrando apoio a um trabalho enorme que o mundo aplaude e o Brasil trata com esmolas. Isso vem se repetindo há décadas e décadas. Mas o presidente Jair Bolsonaro verá o Museu em seu um de seus piores momentos. E será uma oportunidade e tanto para abraçar a causa que não é uma  causa qualquer: as descobertas de Niède e sua equipe obrigaram a arqueologia a repensar o cronograma da chegada do Home às Américas.

O trabalho vem sendo mantido na base do grito, na voz persistente de Niède Guidon, a arqueóloga que adotou o Piauí ainda na década de 1970 e que fez da Serra sua morada e razão de vida. Mas Niède está com 87 anos e já não convém (nem é recomendável) gritar tão alto numa altura dessas. Nesse momento mesmo ela está recolhida, atenta às recomendações que a Ciência define para esse período de pandemia. E é mais um problema para o Museu e para a Fundação mantenedora.

Tudo isso cobra em dobro a atenção de todos, especialmente do mundo político capaz de criar melhores condições para o completo científico e cultural da Serra da Capivara.
 

Fundação demite metade dos funcionários

Não está fácil a vida no complexo científico-cultural da Serra da Capivara. Com a perda de receitas, a Fundação do Homem Americano não tem condições sequer de manter o pessoal e já demitiu 25 dos 49 servidores que mantinha. Um exemplo da situação grave é o Museu da Natureza, inaugurado no ano passado: hoje tem apenas 4 dos 14 funcionários que contava antes da pandemia. Mas a pandemia apenas piorou o que já era dramático em um parque que tem dois museus mas é, sobretudo, um grande projeto de estudo sobre o Homem.

O parque foi criado em 1979. Foi o ponto de partida para o que viria a ser depois o grande espaço de atração turística e cultural. A Fundação administra tudo em co-gestão com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Mas os recursos são limitados: no ano passado, o dinheiro repassado pelo governo federal somou apenas R$ 1,5 milhão. Em 2020, ainda tenta a liberação de R$ 1,1 milhão para a conservação da área.

Liberalismo de Bolsonaro perde para o pragmatismo da sobrevivência

O pedido de demissão do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, dá mais um sinal da troca que o presidente Jair Bolsonaro faz: ao invés das propostas de campanha, ganha espaço o pragmatismo em nome da governabilidade e da sobrevivência. Novaes foi anunciado para o comando do BB ainda na fase de transição no final de 2018 e tinha um propósito claro: tomar as providências para a privatização do banco. Ocorre que o Banco do Brasil é, junto com a Petrobrás, um dos dois maiores símbolos do poder estatal e de uma ideia de autonomia do país.

As dificuldades para levar a cabo tal projeto eram enormes, sobretudo por atacar a um valor simbólico tão forte. Mas, no início, Bolsonaro não estava muito preocupado com as reações públicas e institucionais. Com as dificuldades extras dos últimos meses (incluindo a possibilidade de denúncia contra o presidente), no entanto, o governo teve que abandonar a ideia de realizar as propostas de campanha a qualquer custo. Os novos aliados – o Centrão à frente – ajudaram nessa mudança.

As lideranças do Centrão são em geral de direita, mas uma direita onde o liberalismo vai até a segunda página do manual. Prevalece o estatismo, a ocupação de espaços de poder e transformação disso tudo em obras, obras e obras. Foi exatamente pela chegada desse grupo ao governo que a continuidade de Paulo Guedes chegou a ser questionada no ministério da Economia. Guedes é o liberalismo puro e duro.

Mas o liberalismo do Centrão é diferente: é um liberalismo sem risco, lastreado pelo Estado.
 

O liberal do Centrão é Rogério Marinho

Nas especulações sobre uma possível saída de Paulo Guedes do ministério da Economia, um nome sempre aparece na lista de possíveis sucessores: o atual ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Marinho já foi auxiliar de Guedes como articulador (com grande êxito) do processo de aprovação da reforma da previdência. Dialogava com o Congresso, fazia acordo com lideranças. E viu a reforma sair quase como o governo desejava.

Ao mudar de cadeira, assumindo um ministério, Rogério Marinho seguiu conversando com as lideranças do Congresso, especialmente com as dos partidos que formam o Centrão. E falando a linguagem do grupo: assumiu a tarefa de retomar obras de infraestrutura fundamentais. Para citar o Nordeste: a transposição do São Francisco e a Transnordestina. Rogério festeja o Centrão e por ele é festejado. É o liberal que esses partidos aplaudem, protegem e (se podem) promovem.

Wellington vai ao STF para usar na pandemia R$ 578 milhões do Fundef

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

O governador Welington Dias entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade com pedido de Medida Csutelar no Supremo Tribunal Federal (STF) para utilizar parte dos recursos do precatório do Fundef no combate à pandemia do novo coronavirus. O valor que o governador quer utilizar soma R$ 578 milhões, correspondendo a mais de um terço de todo o precatório. O governo argumenta que teve perda de receita e aumento de despesas.

Veja pedido do governo aqui

O precatório que o Governo do Piauí ganhou soma R$ 1,62 bilhão referentes a diferença de recursos que o governo federal deixou de repassar dutante dez anos, até 2006. Esse dinheiro no entanto, está vinculado à educação com regrasi restritivas (por exemplo, não pode ser usado para pagar pessoal). O TCE já tinha cobrado do governo um plano de aplicação do valor.

Conforme o Secretário de Governo, Osmar Júnior, o total de recursos do Fundef será utilizado de 2020 até 2023. O governo entende que esse valor ressarcido através do precatório já foi investido pelo Estado em seu tempo, com dinheiro deslocado de outras áreas. Isso justificaria o uso de parte do R$ 1,62 bilhão que o estado recebeu.
 

Dinheiro será reposto no futuro

Na ação, assinada pelo governador Wellington Dias na terça-feita, O governador justifica que o Estado teve perda de arrecadação da ordem de R$ 274 milhões, que se somam a despesas inesperadas de R$ 292 milhões com a pandemia. A soma é de R$ 566 milhões. Mas o governo pede autorização do STF para usar R$ 578 milhões, correspondendo a 35% do total do precatório.

O secretário de Governo, Osmar Júnior, destaca que os recursos do precatório do Fundef não serão utilizados integralmente este ano, mas em um cronograma de obras que se estende até 2023. "O que for usado agora pelo governo para combater a pandemia será reposto em seguida para uso específico na educação", disse.

Em cinco meses, homicídios aumentam 15% no Piauí

O Piauí registrou nos primeiros cinco meses do ano de 2020 um aumento de 15% no número de homicídios. O aumento é dobro da média nacional. Os dados são do Monitor da Violência, apontando que o Brasil voltou a registrar aumento das mortes violentas após um 2019 de queda substancial no número de homicídios. Segundo o Monitor, 7 estados e o DF apresentaram queda na contabilização das mortes violentas, um repetiu a contagem do ano anterior e 18 tiveram aumento, entre eles o Piauí.

O Monitor da Violência é uma iniciativa do Núcleo de Estudos da Violência da USP, do portal de notícias do Grupo Globo e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e faz acompanhamento mensal dos registros de homicídios do país desde 2017. O levantamento leva em conta os dados das secretarias estaduais de Segurança e mostra que no mês de maio houve uma estabilização no número de mortes violentas no país, mas aponta que nos cinco primeiros meses do ano de 2020 foram 19.382 homicídios, 7% a mais que os 18.120 contabilizados no mesmo período do ano passado.

O Nordeste, que no ano de 2019 foi o grande responsável por uma geral de 19% no número nacional de homicídios, desta vez fez papel inverso: foi o grande responsável pela elevação no número de mortes violentas. O estado do Ceará ganha destaque nessa mudança de rumo: após uma série de ações das facções criminosas no início do ano, o estado registrou forte alta nas mortes. Nestes primeiros cinco meses, o Ceará foi o estado onde os homicídios mais crescertam.

Vale lembrar, no ano passado o Cerará tinha sido o estado que mais reduziu o número de homicídios. Saiu de uma ponta para a outra.
 

Piauí alta que é o dobro da média

Nesse mesmo período e também em comparação com o ano passado, o Piauí registrou 293 homicídios, 15% a mais que as 255 de janeiro a maio de 2019. O índice é mais que o dobro dos 7% de média registrado em todo o país. Aqui no estado, o mês de abril foi particularmente violento, com o registro de 99 mortes violentas. Esses números colocam o Piauí entre os estados que mais registraram crescimento no país. Confira a evolução dos casos no Piauí, mês a mês.
Fonte: Monitor da Violência

Após casos Serra e Alckmin, PSDB refaz os planos com Doria

O PSDB já não é mais o mesmo. No cenário nacional, o partido sofreu mais dois duros golpes nos últimos dias, com ação policial e indiciamento de duas de suas grandes lideranças das últimas décadas – o senador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin. O impacto não é pequeno, sobretudo quando as duas lideranças estão em São Paulo, o principal estado do país e mais importante base do partido, onde detém o governador e o prefeito da capital. Além disso, eram figuras de referência, mesmo com perda paulatina de espaço para o “novo tucanato” liderado por João Dória Júnior.

Ao passar a ter o comando efetivo do PSDB, João Dória impôs uma mudança drástica no partido, inclusive de natureza ideológica: a direção orientação deixou no passado as lembranças de um viés centro-esquerda. Hoje é, se tanto, um partido de centro – cabe lembrar, Doria terminou se juntando em 2018 ao fenômeno Bolsonaro e abandonando seu padrinho Alckmin, também candidato à presidência. Naquele ano, o PSDB já pagou o desgaste de estar próximo ao governo Temer e pelo escândalo Aécio Neve, que era presidente da sigla quando veio à tona o caso JBS.

Pagou muito caro: mesmo conseguindo eleger o governador de São Paulo, o partido perdeu cadeiras no Congresso, diminuiu representação nos estados e viu seu candidato presidencial ter em 2018 a menor votação desde a primeira disputa pelo Planalto, em 1989. Agora os obstáculos se renovam com os problemas de Serra e Alckmin. Ainda que tenham se transformado em figuras menos reluzentes do antes, ainda tinham importância dentro do tucanato. Um exemplo:  Alckmin tinha recebido a responsabilidade de cuidar do programa de governo de Bruno Covas, que busca permanecer no cargo de prefeito de São Paulo.

Enquanto isso, Doria se desmarca do antigo PSDB e empreende seu voo particular, que espera encerrar na presidência da República. Mas não terá como deixar de olhar um pouco para o passado.
 

Projeto de Doria começa com Bruno

O governador João Doria tem projetos ambiciosos: quer disputar a presidência da República. E pensa concretizar tal objetivo já em 2022. Esse projeto leva à repaginação do PSDB, que não tem mais nada com o social-democrata do tempo de FHC. Dória é outra coisa. Mesmo assim tem que fazer os cálculos do impacto das ações contra Serra e Alckmin – quando unimos os dois a Aécio, vale observar que todos os candidatos tucanos à presidência das cinco últimas eleições foram envolvidos em escândalos. Doria também terá que fazer um aceno para o passado sem se “queimar”.

A senha para essa última dúvida tem sobrenome histórico entre o tucanato: Covas. E nome conhecido: Bruno. Bruno Covas é o prefeito de São Paulo e vai atrás de um novo mandato. Mesmo sendo da nova geração, carrega o legado do avô Mário. Para Doria, será muito importante manter um tucano na prefeitura. Ainda mais um tucano com esses lampejos de “velho PSDB”, que vem a ter identidade mais clara que o “novo PSDB” do governador.

Destino de Fábio Novo depende da estratégia que Wellington escolher

O governador Wellington Dias ainda não tem claro na mente qual a melhor estratégia para a base aliada do Palácio do Karnak enfrentar a disputa pela prefeitura de Teresina, contra o candidato do Palácio da Cidade, Kleber Montezuma. Wellington tem conversado com aliados sobre as eleições deste ano e a disputa na capital sempre aparece em forma de dúvida, que aumentou com a entrada em cena do ex-senador João Vicente Claudino (PTB). O fim da dúvida pode alterar o leque de candidaturas ligadas ao Karnak, incluindo a postulação de Fábio Novo (PT).

A primeira grande dúvida estratégica sobre as eleições em Teresina era se os governistas se apresentariam com uma única candidatura ou com várias. Pelo menos esse passo já foi superado: o governo vai para a campanha com mais de uma candidatura. Mas aí vem a segunda pergunta, esta sim ainda sem resposta: com quantas candidaturas? E mais: com quais?

A fragmentação de candidaturas parece ser a forma de assegurar uma disputa em segundo turno com o próprio Kleber Montezuma. Mas Wellington não quer chegar no dia 29 de novembro com “qualquer candidatura” governista. Quer escolher. E isso deve levar à diminuição do leque de opções entre seus aliados. Hoje são quatro (Dr. Pessoa, Fábio Abreu, Fábio Novo e Simone Pereira), com a possibilidade de um quinto postulante (João Vicente Claudino). Na avaliação palaciana, esse quadro pode favorecer a Dr. Pessoa.

E, ao que parece, não é a primeira opção de Wellington no leque de nomes considerados governistas.
 

A opção por concentrar votos

A repercussão do nome de João Vicente Claudino tem animado alguns setores do governo. Há quem o veja como a opção primeira para chegar ao segundo turno com força competitiva e garantia de alinhamento futuro com o govenador Wellington Dias. Mas esse ânimo tem levado à certeza de que não é possível a base ir com 5 candidaturas. E cresce o sentimento de que é importante ir com no máximo três. O ideal seriam duas.

O Karnak não controla a candidatura de Dr. Pessoa (MDB), que orbita em torno de Themístocles Filho. Por não ser “100% karnakiana”, há um esforço de concentração para tentar que seja outro o nome que vai para o segundo turno com Kleber. E aí crescem as opções por João Vicente e Fábio Abreu (PL). É esse tipo de avaliação que vai definir o futuro da candidatura de Fábio Novo. O deputado petista acha que isso é coisa de gente que está “envenenando” a cabeça de Wellington Dias. Mas Fábio Novo sabe bem que Wellington não é facilmente "envenenável": ele ouve, ouve e ouve – e sempre decide o que ele próprio acha melhor.

Proposta do governo mexe com votação do Fundeb e gera reações

Depois de um longo silêncio sobre o tema, o governo de Jair Bolsonaro enfim apresentou uma proposta sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), fonte fundamental de financiamento da educação no Brasil. E mexeu pra valer com o debate, sobretudo porque apresentou suas proposições às vésperas da votação da matéria pela Câmara dos Deputados, programada para começar hoje. E mexeu ainda mais porque incluiu algumas mudanças que dividem opiniões e quase conseguem um consenso contrário às ideias governamentais.

Vamos lembrar, o Fundeb é um fundo que tem sua origem no governo FHC, com a criação do Fundef, com duração de dez anos e destinado a financiar a educação básica. Em 2006, já no governo Lula, foi renovado e ampliado, ganhando o nome de Fundef, aí incluindo o ensino médio. É um fundo essencial para a educação pública: responde por cerca de 40% dos investimentos em educação no país. Nos estados onde não é possível cobrir os gastos mínimos com a educação, o Fundef complementa a partir de recursos da União, que corresponde a 10% do total.

O problema é que o Fundeb continuou temporário e expira este ano. Precisa ser renovado para que os recursos da educação sejam assegurados. É o que está sendo votado no Congresso: a transformação do Fundeb em um fundo permanente. E com maior participação da União, que passaria a responder por 30% – por esse cálculo, o governo federal desembolsaria cerca de R$ 50 bilhões a mais. Um dinheiro sonhado por estados e municípios que precisam fechar a conta.

O Piauí é um dos estados que recebe complementação do Fundeb. Aqui no Nordeste, também receberam um extra os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba e Pernambuco. Só Rio Grande do Norte e Sergipe não precisam do complemento.
 

Governo quer fatia para Renda Brasil

As propostas apresentadas pelo governo são polêmicas e geram reações. Duas em destaque. A primeira, é a que implementa o Fundeb somente em 2022 – o que para alguns especialistas produziria uma espécie de “apagão na educação” em 2021. A crítica a esse tópico é especialmente forte tendo em conta que o ano de 2020, com pandemia marcando o cenário, já causou um semi-apagão no ensino, com evidente perda de conteúdo.

O segundo ponto polêmico é o que define uma parte dos recursos do Fundeb para programa assistencial – no caso, o Renda Brasil, que seria uma espécie de Bolsa Família aumentado. A proposta gera críticas de praticamente todos os setores ligados à educação. O resumo das críticas é simples: educação é uma coisa; assistência social é outra. A chance de rejeição dessa proposta é enorme.

Contra ‘fakes’, Fux defende responsabilizar plataformas digitais

O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Fux, defendeu que as plataformas digitais (tipo Facebook e Twitter) sejam responsabilizadas pela divulgação de fake news. É uma voz e tanto, e que se manifesta em um momento crucial: as vésperas das eleições municipais deste ano. O STF tem uma guerra particular contra as Fake News, com especial ressonância no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que lista como uma de suas prioridades combater as notícias falsas no período de campanha.

O uso de fake news é uma das grandes preocupações nos processos eleitorais mundo a fora, principalmente depois de 2016 quando se verificaram fenômenos como o Brexit e a eleição de Donald Trump, quando a informação falsa teria tido papel decisivo no resultado da votação. Desde então, as fakes tornaram-se uma sombra permanente, incluindo a disputa eleitoral de 2018 no Brasil. Na eleição americana, o Facebook foi apontado como um dos principais responsáveis pela disseminação de notícias falsas, tanto fazendo vista grossa para ações sem atenção ética como possibilitando a segmentação de mensagens claramente falsas.

Apesar disso, o Facebook nunca recebeu sanções. O máximo que sofreu foi um desgaste público, que a mega plataforma tentou contornar com promessas de mudança de atitudes e critérios. Nem isso ocorreu, tanto que o Facebook voltou a ser acusado de colaborar com a enxurrada de mensagens racistas após o caso George Floyd. Por isso Fux quer deixar consagrado em lei: a plataforma é responsável pelo que permite divulgar graciosamente. O ministro defende ainda que o cidadão que compartilha as notícias falsas também deve ser responsabilizado.

Luís Fux entende que cada usuário deve ter mais critério (e, portanto, responsabilidade) sobre o que passa adiante.
 

Fux sugere que Congresso faça mudança

Está em tramitação no Congresso Nacional um projeto que estabelece regras rígidas a respeito das fake news. E o ministro Luís Fux não tem dúvidas: colocaria na lei a responsabilização das plataformas digitais. "Pudesse eu colaborar no projeto legislativo, eu atuaria neste sentido, de trazer a responsabilidade para as plataformas com direito regressivo contra o autor daquela notícia falsa", afirmou ontem, em um evento em Brasília. Fux entende que as plataformas devem ter meios para fazer o filtro entre o verdadeiro e o falso, eliminando as informações falsas.

O ministro também não aceita o argumento de que esse tipo de controle seria censura. “Na minha opinião, o discurso de que é censura contra o conteúdo não pode exonerar essas plataformas de uma triagem prima face evidente de uma fake news nociva ao país, à nação e à imagem que o país projeta para o exterior. Acho que é uma questão de soberania nacional", disse.

Depois do MEC, mudanças devem chegar a mais três ministérios

Ao tomar posse como novo ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro adotou um discurso muito distante do seu (real) antecessor, Abraham Weintraub: não levantou bandeira do confronto, estendeu a mão para o diálogo e defendeu o ensino laico e público. Não que Ribeiro seja uma outra coisa bem diferente, no que diz respeito aos aspectos ideológico. Longe disso. Mas é bem distinto no estilo, uma mudança que o presidente Jair Bolsonaro está se obrigando a fazer e que pode ir além do MEC, alcançando pelo menos mais três ministérios.

Bolsonaro não queria a saída de Weintraub. Mas sua permanência ficou insustentável: nunca fez questão de ter um mínimo de simpatia com a comunidade educacional e tornou-se na prática o verbalizador de todas as guerras do governo, desde as críticas à China (nosso maior parceiro comercial) até o ataque aberto e caricatural ao STF. Teve quer ir embora pelas portas dos fundos. Daí, Bolsonaro buscou um nome com perfil técnico. Primeiro foi Decoteli, desqualificado pelo próprio currículo mal arrumado. Agora é Milton Ribeiro.

Há uma diferença e tanto. Primeiro, falou de educação (tema sobre o qual Weintraub nem tratava). Além disso, o tom foi suave, defendendo o ensino fundamental e profissionalizante e ainda abraçando o caminho do diálogo. Mesmo com estreitos vínculos com o ensino privado e instituições religiosas, disse que vai seguir a Constituição com uma orientação laica e foco no ensino público. Dizer que vai seguir a Constituição parece óbvio. Parece.

Porque em uma pasta que já teve Weintraub, esse cuidado óbvio é muito bem-vindo.
 

Os novos ministros na mira das mudanças

As mudanças de nome e de tom no ministério tem a ver com as dificuldades do governo Bolsonaro, os novos aliados e a governabilidade. O Centrão pressionou por um nome seu no Ministério das Comunicações – e conseguiu emplacar Fabio Farias. Cobrou um perfil técnico no MEC, sobretudo como um aceno para o STF. Bolsonaro assim fez. E agora as pressões surgem de toda parte em relação a três ministérios.
Meio Ambiente: ninguém está satisfeito com a política ambiental no Brasil – nem mesmo o governo. Para mostrar que há um novo rumo, o vice-presidente Hamilton Mourão assumiu as vezes de gestor da área. E a saída de Ricardo Sales pode ser a consolidação dessa mudança.
Relações Exteriores: estabanado e “olavista ao quadrado”, Ernesto Araújo já criou um punhado de problemas para o Brasil. As dificuldades na campanha de reeleição de Trump (a quem Araújo tem quase como um Deus e com quem promoveu atrelamento sem reservas) pode selar a mudança na pasta.
Saúde: aqui a pressão é sobretudo interna, mais precisamente do Exército – que não quer ver um nome da ativa em função política. Assim o interino (general) Eduardo Pazuello deve ser substituído muito em breve. Também por um nome técnico.

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