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Compra de voto é a regra das eleições, diz João de Deus


Deputado João de Deus: críticas à reforma que não mudou praticamente nada no sistema político brasileiro

 

O deputado João de Deus (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, criticou duramente a reforma política que está sendo feita no Congresso. Segundo ele, as mudanças não ajudam a melhorar o sistema – talvez até piore. E adverte que, como está, o modelo brasileiro não contribui para estimular novas práticas.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, João de Deus chega a dizer que, pelas regras vigentes, o sistema favorece o poder econômico, com eleições onde a regra é a compra de voto. Nesse ponto, o deputado enfatiza as críticas ao sistema brasileiro, que é único no mundo. E chega a indagar: será que nós estamos certos e o resto do mundo errado?

Um dos pontos mais criticados pelo deputado petista foi a extrema fragmentação partidária existente no Brasil, com quase 30 partidos compondo o Congresso Nacional. Ele acha que essa fragmentação é uma das responsáveis pela dificuldade de aprovação de uma reforma real. Lembra que sempre se fala que o modelo está falido e que a reforma é necessária, mas que na hora de sentar e negociar, não se chega a um entendimento porque cada um "olha para o próprio umbigo".

João de Deus não se furta em afirma que boa parte dos partidos existentes fori criada para viabilizar dinheiro para seus dirigentes. Daí, defende a cláusula de barreira como um recurso importante no sentido de reduzir o número de siglas. Mas acha que ela deveria vigorar já a partir de 2018 (o que foi aprovado até agora prevê a cláusula de desempenho apenas para 2020).

O líder do governo também falou da situação política no Piauí, particularmente a ampla aliança montada em torno do governo Wellington Dias, unindo partidos com matizes ideológicos muito distintos. João de Deus afirma que não nem como cobrar ideologia dos partidos no cenário brasileiro atual.

Para ouvir a entrevista completa do deputado João de Deus, acesse o arquivo no link abaixo.

 

Jovem não pode virar as costas para a política, diz Severo


Deputado Severo Eulálio, na Rádio Cidade Verde: preocupação com a baixa participação da juventude na política

 

Em um momento de amplo desgaste da classe política, o Brasil vive uma situação grave em que o povo vira as costas para a política. Quem faz esta avaliação é o deputado estadual Severo Eulálio (PMDB), que considera mais grave ainda o fato da juventude está se colocando cada vez mais distante das discussões políticas.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, Severo mostrou preocupação com essa realidade, pois entende que a política é o caminho para a solução dos problemas, e que a participação da juventude é fundamental para a busca de alternativas mais sintonizadas com o próprio anseio da população.

Apesar de advertir para a gravidade da situação, Severo reconhece que há razões para o amplo desgaste. Lembrou que as notícias do dia afetam, por exemplo, os grandes partidos do país: acusações graves contra Lula, líder do PT; denúncia contra Michel Temer, do PMDB; e afastamento de Aécio Neves (presidente do PSDB) do mandato.

Para o deputado, o papel da juventude é participar e fazer a escolha que considerar mais adequada para a condução do país. Segundo ele, afastar-se ou votar nulo não ajuda a mudar na escolha dos representantes da sociedade. “Só através da política você pode transformar”, diz Severo Eulálio, que é presidente da Juventude da UNALE, a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais.

 

Debates definirão rumo do Orçamento

A Assembleia Legislativa, através da Comissão de Finanças e Controle, vai definir um calendário para discussão do orçamento do Estado do Piauí para 2018. Segundo o deputado Severo Eulálio (PMDB), presidente da comissão, serão marcadas audiências públicas para que a sociedade possa ter mais ampla participação na definição do Orçamento 2018.

O governo do Estado vai encaminhar à Assembleia, até o início da semana, a proposta de Orçamento. Daí, a Comissão de Finanças vai definir o calendário de discussões, que vai acontecer já no mês de outubro.

O deputado diz que essas discussões serão complementadas por um diálogo entre poderes, onde cada um procura ser melhor contemplado em recursos. Severo diz que todas as instituições – poderes Legislativo, Judiciário, Executivo, Ministério público, Defensoria Pública etc – buscam mais recursos. Mas admite que o cobertor é curto e somente o diálogo vai conseguir harmonizar os interesses de todos.

Para ouvir a entrevista completa do deputado Severo Eulálio, acesse o arquivo abaixo.

 

Brasília não prioriza ações contra seca, diz Hélio Isaías


Secretário Hélio Isaías: cobrança de atenção prioritária em Brasília aos projetos hídricos do Piauí 

 

O secretário de Defesa Civil do Estado, deputado Hélio Isaías (PP), reclamou da falta de uma política hídrica “mais forte” que enfrente de uma vez por todas os problemas em momentos críticos como o da estiagem que já afeta o Piauí pelo quinto ano seguido. As reclamações de Hélio tiveram um endereço específico: ele acha que o governo federal não prioriza as ações para efetivo enfrentamento à seca.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, o secretário disse que as ações do Governo do Estado, neste momento, se dividem em duas frente.  A primeira, a emergencial, onde a falta de água atinge áreas urbanas até mesmo em regiões que antes não sentiam os efeitos da seca. Uma dessas localidades é Pedro II, onde o Açude Joana esgotou a capacidade de atendimento, já que está praticamente seco.

“A situação é dramática”, afirma Hélio Isaias, lembrando que a falta de água chegou a níveis críticos em diversas outras localidades, como São Raimundo Nonato, Pio IX e mesmo em cidades da região Valenciana. A saída imediata é implantar ações emergenciais, incluindo a perfuração de poços e o uso de carros pipa.

A outra ação é no sentido de adotar medidas definitivas. Em alguns casos, a solução permanente está à mão, mas era negligenciada. Cita o caso de Curimatá, onde a barragem Vereda da Luz secou. Ocorre que a barragem Algodões, que tem água acumulada, está a pouca distância: uma adutora de apenas 26 km resolve em definitivo o problema.

Hélio Isaías diz que diversas barragens poderiam ser melhor usadas. Cita os casos de Salinas (na região de Oeiras), Marruas (região de Picos) e até Pedro II, que poderia se valer de água represetada no município de Piripiri. Ele defende a interligação de barragens como uma saída de longo prazo.

É aí quando o secretário de Defesa Civil reclama do Governo Federal, que não prioriza os projetos de enfrentamento permanente aos efeitos da seca. Cita o caso da adutora que poderia resolver o suprimento de água em São Raimundo Nionanto. O projeto da adutora está no Ministério da Integração Nacional desde 2015, com aval técnico favorável. Mas não se dá um passo para transformá-lo em realidade.

Para ouvir a entrevista completa do secretário Hélio Isaías ao Acorda Piauí, acesse o arquivo no link abaixo.

 

Mortes violentas no Brasil são iguais às da guerra síria


Guerra Urbana: mortes violentas no Brasil são superiores a guerras como a da Sítria

 

A guerra que mais chama a atenção do mundo, no momento, o conflito na Síria registrou em seis anos 330 mil mortes. Isso dá uma média de 55 mil mortes. No caso da guerra do Iraque, foram cerca de 500 mil mortes, uma média pouco superior a 60 mil vítimas fatais. Pois o Brasil tem sua guerra particular, com cerca de 60 mil mortes violentas por ano. Uma guerra terrível!

Os dados que apontam para essa dura realidade estão no levantamento feito pelo Centro de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a GloboNews. O centro analisou as mortes violentas registradas em todo o país durante uma semana inteira, de 21 a 27 de agosto passado. Em sete dias, foram 1.195 mortes violentas, entre casos de homicídio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídios.

Utilizando uma comparação feita no próprio estudo, é como se um Boeing 737 lotado caísse todos os dias. Como um 737 tem capacidade para cerca de 150 passageiros, o número de mortes na semana avaliada corresponderia a 8 Boeings lotados. Se isso ocorresse, chamaria a atenção do mundo. Mas as 1.195 mortes violentas passam como se fossem um dado trivial.

Esse número aponta para uma projeção de cerca de 60 mil mortes violentas em um ano inteiro. Mais que muitas guerras que acontecem mundo afora. Se forem consideradas as mais de 40 mil mortes no trânsito, aí o Brasil teria mais de 100 mortes a cada ano, uma realidade que aponta para a brutalidade da violência e também para a violência no trânsito.

O levantamento da USP faz um apanhado de cada caso e oferece estatísticas reveladoras. De cada dez mortos, nove são homens. Em 81% dos casos, as mortes foram provocadas por armas de fogo e 80% do total de registros corresponde a homicídios.

O levantamento revela ainda que a maior parte dos mortos identificados é formada por negros e pardos. São também jovens: cerca de 40% dos mortos tinham menos de 25 anos de idade. Esses dados se juntam a outro título nada animador ostentado pelo Brasil: é o país onde mais morrem pessoas envolvidas com drogas.

 

Piauí teve 12 assassinatos

O levantamento traz a identificação de cada um dos 1.195 mortos, com nome, idade e etnia. Também indica o local, as circunstâncias e a causa do assassinato. Na semana de 21 a 27 de agosto, o Piauí registrou 12 mortes violentas.
Foram 4 em Parnaíba, 1 em Luzilândia e 7 em Teresina. Tomando esses sete dias analisados como parâmetro, o Piauí deve fechar um ano completo com número ao redor de 625 mortes, o que significa quase 19 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.

PT busca alternativas a Lula para 2018


Jaques Wagner: diante da possibilidade de não ter Lula, ex-governador da Bahia é uma das alternativas do PT para 2018

 

Oficialmente, a declaração se repete: o PT não tem plano B, tem só e somente só o plano L, de Lula. Mas, na prática, a possibilidade real de condenação do ex-presidente em segunda instância faz o PT discutir alternativas do partido para as eleições de 2018.

Nas andanças pelo Nordeste, o próprio Lula badalou o nome do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Na Bahia, também festejou o nome do ex-governador baiano Jaques Wagner. E no Piauí não deixou de destacar o nome de Wellington Dias como uma opção a ser considerada para o Planalto.

A possibilidade de Wellington era tema de conversas entre deputados, ontem, na Assembleia Legislativa do Piauí. Mas é uma alternativa que nem mesmo petistas do Legislativo estadual dão muita importância. Wellington tem um cenário que atualmente se mostra favorável à permanência no Palácio do Karnak. Ponto.

Daí, a discussão sobre a alternativa a Lula na disputa pela presidência da República se afunila. Nacionalmente, são citados diversos nomes, como os senadores Gleisi Hoffmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ). Mas os dois são vistos como pouco maleáveis em uma eleição que o PT precisará ter a capacidade de sair de sua casinha e alcançar outro eleitorado, sobretudo mais ao centro. Gleisi e Lindbergh ficam quase que restritos às especulações.

O nome de Haddad, tão festejado por Lula, tem um senão: saiu mal do mandato como prefeito de São Paulo, com uma derrota acachapante. Nem o fato de ser do principal reduto do país ajuda tanto, já que dono de acentuada rejeição por lá. Tem a favor a capacidade de comunicação e a gestão no ministério da Educação, que poderia ser exibida como trunfo dos compromissos sociais: expansão de vagas, Prouni etc.

Jacques Wagner ganha força pela capacidade de articulação e de diálogo com os mais diversos setores, além de não ter que dar muitas explicações sobre os escândalos que envolvem muitas estrelas petistas. Tem contra si a pouca visibilidade no centro-sul do país. Também, no boca a boca, é “queimado” por um estilo de vida mais relaxado, bem baiano. Resta saber se isso, de verdade, tira voto.

De qualquer forma, as opções petistas vão consumir ainda uma boa e longa discussão dentro do partido.

 

Ciro, a opção não-petista do PT?

Para um partido como o PT, é difícil aceitar a possibilidade de buscar opção eleitoral em outra sigla. Mas isso não está de todo descartado em 2018. E, olhando o que há no cardápio de candidatos à esquerda, o nome de Ciro Gomes (PDT) está ali na prateleira.

Ciro Gomes tem se posicionado como fiel aliado de Lula, pelo menos nesses últimos dois ou três anos. Costumeiramente usa as redes sociais para desancar os adversários petistas, numa linguagem dura e direta que deve fazer a alegria de muitos lulistas.

O problema de Ciro, no entanto, é essa língua excessivamente afiada. Por vezes bate até nos aliados. E recentemente não deixou de dar alfinetadas em petistas. Essa mesma língua afiada afasta possíveis apoios ao centro, temerosos da mudança de humor do agora membro do PDT.

Flávio Dino recebe Cidadania Piauiense na Segunda

Governador Flávio Dino: título de Cidadão Piauiense pela atuação polítca e administrativa que aproxima Piauí e Maranhão

 

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) recebe, na próxima segunda-feira, o título de Cidadão Piauiense. A iniciativa é do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí, deputado Themístocles Filho (PMDB).

A solenidade está marcada para as 10h, antecedendo à sessão ordinária da Casa.

O deputado Themístocles Filho quis homenagear Flávio Dino pela relação estreita que o governador maranhense tem com o estado do Piauí. Além disso, Dino vem abraçando obras que são do interesse da região norte do Piauí, com a construção e pavimentação de estradas que dão acesso ao Estado.

Uma dessas obras faz ligação com a região de Luzilândia e Esperantina, como extensão da BR 222, uma velha reivindicação, no lado piauiense, do deputado Themístocles Filho. Para o presidente da Assembleia, essas obras se completam e dão um novo fluxo ao transporte entre os dois estados.

“Essas obras unem ainda mais nossos estados e acho importante homenagear o governador maranhense que é responsável por essas realizações do lado de lá”, disse Themístocles.

Brasil perde 30 anos em ‘não-reforma’ política


Congresso Nacional: discussão sobre reforma política que há mais de 30 anos não acontece

 

O Congresso Nacional tem esta semana para fazer algo de reforma política para as eleições do próximo ano. E, ao que tudo indica, perderá mais uma vez a oportunidade de mudar um sistema que funciona mal, muito mal. Já se vão mais de 30 anos de discussão sobre a reforma do sistema político e eleitoral, reforma que nunca vem a não ser como arremedo – ou como farsa.

O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), uma das vozes do Congresso que conhecem o tema, lembra que ainda nem pensava em ser deputado federal quando já ouvia falar em reforma política. Ele recorda que um dos primeiros que ouviu falando em reforma foi o pernambucano Marco Maciel, quando este ainda era deputado (depois foi senador e, depois, vice-presidente da República). Mas a semeadura de Maciel e de outros tem sido infrutífera.

Em cada ano anterior a uma eleição vem o debate, com o resultado de sempre: “reforma possível”, “mini-reforma” ou “quase-reforma”. Nada muda substancialmente. É exatamente o que deve acontecer este ano, onde as mudanças relevantes, se vierem, podem vir pelas mãos do Supremo Tribunal Federal.

No raciocínio do próprio Marcelo Castro, um sistema político deve ter preocupação com a representatividade e governabilidade. A representatividade deve ter a capacidade de traduzir no espaço de representação (como o Congresso) o sentimento da sociedade, através das várias vozes que surgem da cidadania. E a governabilidade deve ser o objetivo de assegurar um funcionamento minimamente estável e eficiente do Poder Público. Nada disso tem sido alcançado pelo sistema brasileiro.

Some-se a esse quadro outro aspecto grave: o custo de funcionamento do sistema. No Brasil, ele é absurdamente caro, traduzido nas campanhas milionárias onde quem não tem grana simplesmente descobre-se “inelegível”.  Também as mudanças mínimas que devem ser sacramentadas esta semana no Congresso não devem alterar esse cenário. Pior: pode até deixar uma brecha enorme para que o financiamento da campanha seja definido futuramente, a um preço a ser estabelecido conforme o humor (e o desejo) dos deputados e senadores.

Os que analisam o comportamento do Congresso costumam dizer que uma reforma de verdade só acontecerá quando elaborada para eleições futuras, não para a imediata. No caso da eleição seguinte, na decisão de curto prazo, os deputados e senadores tenderiam a legislar para si. Pois vai a má notícia: no longo prazo, também. E pode que uma decisão de longo prazo – para elçeições futuras – também não sirva para nada. Basta ver o que aconteceu com a proposta de cláusula de barreira.

Em meados da década passada, o Congresso decidiu aprovar uma cláusula de barreira que deveria valer para 2010. Partidos que se sentiam prejudicados decidiram entrar na Justiça. E derrubaram a lei.

Com isso, somamos mais alguns anos de quase-reforma, ou de não-reforma. E persistimos em um sistema que só é mantido porque os que nele sobrevivem não querem correr o risco de mudar para algo que faria muito bem ao país, mas não às suas carreiras.

Lucy Silveira amplia andanças políticas. Candidatíssima


Lucy Silveira e o marido Firmino Filho: no centro das especulações sobre as eleições de 2018

 

Quem faz política no Piauí, e particularmente em Teresina, reconhece uma coisa: a primeira-dama Lucy Silveira (PP) é figura presente, em contato com a cidadania. Mas quem estiver um pouco mais atento vai perceber que a presença de Lucy é mais constante. Ela está muito, muito presente em reuniões e encontros, quase em ritmo de campanha.

Ou seria mesmo em ritmo de campanha?

Talvez a resposta esteja em uma diferença da atuação de hoje em relação à de anos anteriores: Lucy não anda frequentando apenas reuniões nos bairros de Teresina, como costumava fazer. Ela também tem sido vista com razoável constância em encontros no interior do Estado. Pode-se dizer: é candidatíssima.

Curioso é que ela se comporta como candidata, mas não se sabe exatamente a que cargo. Abordada por admiradores, diz que não sabe. E chega até a lançar dúvidas quanto a uma candidatura – pode que não seja candidata a nada. O que faz é seu trabalho de primeira-dama.

Observadores atentos aos passos de Lucy Silveira percebem que os próprios eleitores especulam sobre seu destino, entre deputado federal, deputado estadual e vice-governadora. Se for pelo ânimo dos aliados, o menos cotado é o lugar de deputado federal. Nas andanças nos bairros de Teresina, costuma ser vista mais como deputada estadual. Já no interior, é majoritariamente vista como potencial vice.

O detalhe é que ela não tem como entregar o segredo. O marido, o prefeito Firmino Filho (PSDB), também faz parte das apostas relacionadas às eleições de 2018: é visto como o nome mais viável na oposição para a disputa do governo. Se será, aí é outras coisa. E esse desfecho pode impactar sobre as pretensões da própria Lucy.

 

Como explicar filiação ao PP

Nos encontros pelos bairros de Teresina e reuniões em cidades do interior, Lucy Silveira é assaltada por uma curiosidade externada pelos eleitores: é verdade que ela está em um partido que não é o do marido?

Depois de tantas vezes ouvir a mesma questão, Lucy já não se espanta. E diz sem constrangimentos: é verdade. Daí explica que recebeu o convite de um aliado do marido (o PP de Ciro Nogueira), sentiu-se honrada e embarcou na nova sigla.

Sem nenhuma querela em casa. Muito pelo contrário.

Maia tenta movimento ‘nem lulista nem antilulista’

Rodrigo Maia: esforço por um movimento de centro-direita com vistas às eleições de 2018, incluindo o tucano João Dória

 

Em política, nada é por acaso. E também não foi por acaso a segunda estrilada do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, semana passada, contra o PMDB. O protesto de Maia alcançou inclusive o presidente da República, Michel Temer, que estaria deixando (ou estimulando) seu partido avançar sobre campo cultivado pelos aliados – no caso, o DEM do próprio Maia.

O ponto visível do protesto foi a investida do PMDB, via senador Romero Jucá, que resultou na filiação do grupo do senador Fernando Bezerra (PE) no partido de Temer. O grupo, que antes estava no PSB, era um dos alvos de Maia no esforço de construir um movimento de centro-direita capaz de oferecer uma alternativa para as eleições de 2018.

Um parlamentar próximo ao presidente da Câmara traduz o que vem a ser esse movimento: “Nem lulista nem antilulista”. Ou seja: quer oferecer uma alternativa que fuja do Fla-Flu que divide a política nacional desde 1994, no enfrentamento entre PT e PSDB.

Desde o final de junho Maia vem estreitando conversações a respeito, e vem contando com um ativo grupo de parlamentares. Entre eles está o piauiense Heráclito Fortes, outro descontente do PSB.

As articulações partem de um problema: a relação do DEM com o PSDB, a outra parte do Fla-Flu. Importantes lideranças do partido, como o senador Agripino Maia (RN) atuam quase como apêndices dos tucanos. Quer dizer, fazem parte do Fla-Flu.

Mas como a política não costuma ter casamentos eternos, tudo é possível. E é bom notar as entrelinhas das falas de outra estrela do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto. Ele dá indicações da relevância da aliança com o PSDB, mas começa a dizer que acha importante que o DEM pensar em um candidato próprio à presidência. Quem? Ora, um tucano rebelado.

João Dória vem recebendo aceno nesse sentido. Se o prefeito de São Paulo perceber que tem poucas chances no embate interno com Geraldo Alckmin, pode trocar de sigla. E poderia desembarcar no DEM. Seria a cara que falta para o projeto centrista de Maia.

 

Doria, popstar no DEM e no Rock in Rio

Não é apenas no DEM que o prefeito paulistano João Doria é tratado como popstar. Também no Rock in Rio, este sim o cenário dos popstars na temporada musicial deste setembro. De visita ao Rock in Rio, o prefeito foi festejado, paparicado, fotografado...

Perguntado porque tanto alvoroço, o organizador do evento, Roberto Medina, encontrou uma explicação: “É a falta de liderança [vivida pelo Brasil]”. A explicação de Medina foi na mosca. O interesse político do DEM e outros no nome de Dória é precisamente um esforço em busca de uma novidade, de uma nova liderança que, talvez, possa encantar o país. E o eleitor.

Sem Reforma Política, Brasil devia olhar eleição na Alemanha


Ângela Merkel: favorita para um quarto mandato na eleição alemã de hoje, que bem poderia ensinar muito aos brasileiros

 

A Alemanha vai às urnas neste domingo. Ângela Merkel, da Democracia Cristão (de direita), entra como favorita. Se eleita, terá seu quarto mandato de quatro anos. A Europa olha com alívio as pesquisas que apontam a liderança de Merkel, que se soma ao francês Emmanuel Macron em defesa da União Europeia. Mas o Brasil também poderia olhar com atenção a eleição deste domingo na Alemanha para entender como funciona o sistema de lá, tão falado na discussão da reforma política que praticamente não aconteceu.

Tem muita coisa que o brasileiro poderia tentar entender, para considerar ou simplesmente rejeitar – mas rejeitar consciente, não apenas por ouvir dizer.

• Sistema político: Lá é um sistema parlamentarista. Vota-se na escolha dos deputados do Bundestag (Parlamento), que vai definri quem é quem no Parlamento. Portanto, a eleição para o Bundestag é também a eleição do primeiro ministro, lá chamado de Chanceler. Além da campanha ser mais barata, forma-se maioria antes da constituição do governo.
• Distrital Misto: No distrital misto, cada eleitor tem dois votos. O primeiro é dado a um candidato específico do distrito – são 299 no país, cada um com cerca de 250 mil eleitores. O segundo voto vai para o partido – o que vai formar uma votação global que elege deputados proporcionalmente. É o sistema defendido pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI).
• Cláusula de Barreira: Se aqui no Brasil discute-se a cláusula de barreira de 1,5% para 2020, na Alemanha nenhum partido com menos de 5% dos votos nacionais entra no Parlamento. Em 2017, concorrem 42 partidos – um recorde. Mas só uns 5 ou 6 entram.
• Como se forma o governo: Aqui há uma grande diferença para o Brasil. Lá, se um  partido tem maioria, ele pode formar sozinho o governo federal (o primeiro-ministro é o líder do governo – no caso da CDU, Ângela Merkel). Se não, ele faz composição com outros partidos para formar o governo. Isso garante que o governo tenha maioria antes de ser constituído – bem ao contrário do Brasil, que faz coalizões depois de definido o governante. E haja mensalão!
• Quem pode votar: Todo cidadão alemão maior de 18 anos – este ano, cerca de 61,5 milhões de eleitores em uma população de 82,7 milhões.
• Quem concorre: Podem se candidatar ao Bundestag alemães acima de 18 anos de idade, desde que não estejam em clínica psiquiátrica nem sejam condenados a mais de um ano de prisão. É possível candidatura avulsa, desde que o candidato comprove apoio de pelo menos 200 votantes do distrito.
• Como se vota: Pode-se votar no posto eleitoral, que funciona com voluntários. Mas também pode-se votar antecipadamente pelo Correio – recurso crescente. O voto é secreto e não se pode fotografar a cédula ou fazer selfie na cabine eleitoral.
• Quem é favorito: Segundo as pesquisas, a CDU (partido de Merkel) está na dianteira. Em segundo vem o Partido Social-Democrata (SPD). Devem eleger deputados também o partido A Esquerda, o Partido Verde e Alternativa para a Alemanha (AfD), grupo de direita e contrário às migrações.

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