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Após ‘DR’ do sábado, Ciro e Wellington já riem juntos em público


Ciro, Themístocles e Wellington, risonhos na festa do PP: o riso de hoje vale para amanhã?

 

Ainda não dá para dizer que a relação voltou ao normal, tampouco se algum dia voltará. Mas a tensão dos últimos dez dias, entre Palácio de Karnak e PP, virou distensão após o encontro do sábado entre o governador Wellington Dias e o senador Ciro Nogueira. Ao que tudo indica, a “DR” do sábado ajudou a desanuviar o clima e, pelo menos por enquanto, evitar o pior. Tanto que Wellington esteve na festa do PP, nesta segunda-feira, na maior descontração.

Em pleno palco do Cine Teatro da Assembleia Legislativa, Ciro e Wellington – junto com o terceiro vértice do triângulo da reforma do secretariado, o peemedebista Themístocles Filho – riram fartamente. Quase reconciliação. E em trio.

O que uma “DR” bem conversada não faz!!

Ainda existe resquícios dos desencontros, naquele clima em que uma das partes faz jogo duro, qual mulher traída que aceita a reconciliação mas, para manter a estima, espalha para as amigas: “Agora é do meu jeito”. Ou, como diria Ciro Nogueira: “A gente quer ser respeitado”.

Se depender dos sorrisos largos desta segunda-feira, pode ser que logo, logo tudo esteja como antes, num romance sem ressalvas nem senões. Mas também é sempre bom ficar com as barbas de molho, porque – ainda recorrendo as ditados que cabem inclusive para as relações amorosas –, porcelana trincada nunca mais é a mesma.

Sim, eu sei: esses ditados não se ajustam bem à política, onde porcelanas quebradas se recompõem depois e são utilizadas em repetidos encontros festivos. No maior romantismo.

O que tirou um tanto da força dos sorrisos de Wellington e Ciro, no evento do PP, foi o tom tucano da festa. Todo o tucanato estava presente, inclusive técnicos de segundo e terceiro escalão da Prefeitura de Teresina. Riam em risos largos, indiferentes à DR do sábado. Isso é suficiente para indicar um toque que, se não chega a ser oposicionista, pelo menos não é automaticamente governista.

Convém ficar atento aos próximos passos, os que serão pisados pelo caminho que avança pelo próximo um ano e meio, até as convenções que vão definir os times que realmente entrarão na disputa da eleição de 2018. Aí vamos ver quem estará ao lado de quem, e com que sorriso.

Nesse caso, vale o ditado: quem ri por último, ri melhor.

Filiações ao PP consolidam estratégia combinada de Ciro e Firmino


Com filiações de tucanos ao PP, Ciro Nogueira abraça Firmino Filho. E vice versa

 

A manhã desta segunda-feira marca, com a presença do ministro da Saúde, Ricardo Barros, a filiação de importantes nomes do PSDB teresinense ao PP do senador Ciro Nogueira. Mais que filiações, a solenidade sacramenta o projeto eleitoral que une Ciro e o prefeito de Teresina, o tucano Firmino Filho. Os dois querem estar juntos em 2018 – e precisará acontecer muita coisa para separá-los.

A permuta de siglas não é por acaso. Tampouco sem prévio entendimento. A mudança do ex-prefeito Silvio Mendes e da primeira dama Lucy Silveira do PSDB para o PP está dentro de estratégias combinadas do prefeito Firmino Filho e do senador Ciro Nogueira. E nenhum dos dois tem se esforçado em esconder a convergência de objetivos.

É uma soma de virtudes: a força de um na capital e a do outro, no interior.

Ciro diz que o PP – muito forte no interior – tem limitações em Teresina e que a aliança prévia com o PSDB ajuda a fortalecer a atuação política da sigla. Por outro lado, Firmino lembra que os tucanos sempre ficaram muito restritos à capital e que, apesar do sucesso eleitoral em Teresina, acumulam fracassos no restante do estado. Basta lembrar, todos os ex-prefeitos teresinenses do partido (Wall Ferraz, Francisco Gerardo, Firmino e Sílvio) tentaram chegar ao Palácio de Karnak. Todos derrotados.

Sem cerimônia, os dois lados reconhecem que há uma aliança prévia com vistas as eleições de 2018. Aliança costuma ser formalizada já quando chega a metade do ano eleitoral, no período das convenções.  Mas, neste caso, ela se desenha quase um ano e meio antes. Na prática, sacramenta a relação entre os grupos de Ciro e Firmino. Fica difícil vê-los separados em 2018. Onde estarão juntos: no governo ou na oposição?

A aliança prévia parecia encaminhar os dois, PP e o time de Firmino, para uma aproximação ao governador Wellington Dias, candidato à reeleição. Os recentes desacordos entre o PP e o PT, em torno da reforma no secretariado, por enquanto, alimentam a ideia de chapa oposicionista costurada por Ciro e Firmino.

Mas nada está decidido. É muito cedo ara qualquer aposta segura, para um ou para outro lado.

A conversa em entre Wellington e Firmino, no sábado à tarde, pode ser a reconstrução de um caminho que se delineava com força e foi momentaneamente obstruído. Nada impede que seja retomado, com prazer, por todos os lados envolvidos. Seja qual for esse caminho, é muito provável que Firmino e Ciro estarão na mesma caminhada.

STF se encaminha para restringir foro privilegiado de políticos


Luís Roberto Barroso: criando a oportunidade para STF se manifestar sobre foro privilegiado

 

O Supremo Tribunal Federal poderá, muito em breve, restringir o alcance do foro privilegiado para políticos. A oportunidade para que a Corte suprema se manifeste já está na mira do pleno, a partir de uma iniciativa do ministro Luís Roberto Barroso: na quinta-feira passada, Barroso encaminhou ao plenário do STF uma ação que discute precisamente a restrição do foro privilegiado para deputados federais e senadores.

O caso que fez Barroso encaminhar a questão para apreciação de todos os ministros é o que envolve um prefeito fluminense: o prefeito responde a uma ação por compra de voto. Em seu despacho, o ministro faz duras críticas ao sistema que contempla o foro privilegiado, que considera uma “perversão da Justiça”. E defende que os detentores de foro privilegiado somente devem responder a processos criminais no STF se os fatos a eles imputados tenham ocorrido durante o mandato.

Ainda é um importante privilégio, mas fica muito menor que a situação atual – quando muitos buscam um mandato (ou uma vaga de ministro) só e somente só para se protegerem da espada da Justiça. E o detalhe é que muitos ministros do Supremo já se manifestaram contra a dimensão do foro privilegiado.

O último a se manifestar, 24 horas de depois de Barroso, foi o ministro Edson Fachin, o novo relator da Lava Jato. E conseguiu ser mais duro que seu colega: “Eu, já de muito tempo, tenho subscrito uma visão crítica do chamado foro privilegiado por entendê-lo incompatível com o princípio republicano, que é o programa normativo que está na base da Constituição brasileira”, disse Fachin. Ou seja: foro privilegiado é incostitucional.

A manifestação do plenário do SFT sobre o tema, após o despacho de Luís Roberto Barroso, depende agora da presidente da Corte, a ministra Carmem Lúcia. E os que olham de perto o Supremo se atrevem a dizer que há importante chance das críticas ao foro privilegiado se transformarem em voto efetivo para sua restrição.

Wellington muda estilo ao fazer acordo com partidos


Ciro e Wellington:os mestres da conciliação estão em rota de colisão

 

O governador Wellington Dias está adotando um novo estilo, na busca de alianças e nos preparativos para as eleições de 2018. Ao invés de atrair lideranças isoladas, agora quer sacramentar o entendimento com os partidos. E essa mudança fica evidente no entendimento que, se tudo não desandar outra vez, está prestes a formaliza com o PMDB: o ingresso de peemedebistas no governo terá o aval do presidente do PMDB piauiense, Marcelo Castro, e do presidente da Assembleia, Themístocles Filho.

O primeiro sinal da mudança de estilo foi ainda na eleição municipal, quando Wellington arregaçou as mangas e se empenhou pelos candidatos do próprio PT. Em eleições anteriores, não se constrangia em apoiar aliados, mesmo contra petistas. Em 2016, apostou nos “de casa”, aqueles nos quais pode confiar cegamente, sem risco de mudança de rumo de uma eleição para outra – isto é, da municipal para a estadual.

Esse novo jeito de ser gerou os primeiros atritos com Ciro Nogueira, especialmente em relação à eleição de prefeito de Picos: Wellington se empenhou e viu o padre Waldir Lima ser reeleito, derrotando Gil Paraibano, o escolhido de Ciro. A mudança de estratégia fez que o Piauí fosse o único estado do país onde o PT cresceu nas eleições passadas.

A nova faceta do novo estilo Wellington se nota agora, na remontagem do governo. Além do inesperado desacordo com Ciro, o governador negocia com o PMDB em bloco. Nada de acertos isolados, como gostariam alguns peemedebistas – e como Wellington fez tantas vezes no passado. Agora, quer o aval das principais lideranças do partido, como Marcelo e Themístocles.

Para Wellington, o apoio em bloco não garante mas reforça a possibilidade de apoio do PMDB nas eleições de 2018. E, também, a estratégia interessa – e talvez interesse até mais – ao PMDB governista.O acordo em bloco passa a idéia de que o PMDB está 100% com Wellington, o que não é a exata verdade: o ex-ministro João Henrique segue na sua pregação oposicionista.

O novo estilo inova inclusive com a abertura de linhas de atrito. Wellington nunca foi de comprar brigar. Mas corre o risco de comprar uma com Ciro. Logo os dois, que nunca foram de brigar diretamente com ninguém.

PMDB vai buscar novas filiações para também mostrar força

Reunião do PMDB: novas filiações para fortalecer o partido com vistas às eleições de 2018

 

O PMDB do Piauí não quer ficar olhando a paisagem enquanto outros partidos se reforcem. E, depois de ter atraído o senador Elmano Ferrer para a sigla, agora o comando do PMDB vai se movimentar para atrair novos filiados, dando indicações de que se reforça com vistas às eleições de 2018.

A reação do PMDB parece uma resposta clara ao movimento do PP e PSDB, que fazem ações sincronizadas. O PP faz festa, na segunda-feira, para receber seus novos filiados, o ex-prefeito Silvio Mendes, a primeira-dama de Teresina, Lucy Silveira, e o secretário Washington Bonfim. E o PSDB, que cede esses nomes ao PP, tenta atrair gente como João Vicente Claudino, Robert Rios e Janaína Marques.

Dentro do PMDB, a dor de cotovelo pode ser notada em comentários do tipo: “O Elmano, que ainda tem seis anos de mandato, vale mais que um filiado sem mandato”, conforme afirmou um parlamentar peemedebista, em alusão clara a Sílvio e Bonfim. Por via das dúvidas, o partido vai em busca de filiações novas. A primeira deve ser do prefeito de Luís Correia, Kim do Caranguejo. Kim é filiado ao PSB, embora seja um velho aliado do presidente da Assembleia, Themístocles Filho. De certa forma, já é da casa.

No partido, diz-se que a filiação de Kim é apenas a primeira. E que outras virão, talvez no estilo conta gota: uma filiação agora, outra no mês que vem, outra no mês seguinte, passando a ideia de adesões seqüenciadas, como se fosse um bolo que vai crescendo, crescendo.

Há um outro fator que anima o PMDB a buscar novas adesões: o não deseja perder em 2018 o papel que sempre teve – o de fiel da balança das eleições de 2018. Até a última semana, esse papel sempre foi atribuído ao PP, ou mais particularmente ao senador Ciro Nogueira. Os analistas sempre se apegaram à mesma imagem: para onde for Ciro, penderá a balança eleitoral.

O PMDB quer ser esse peso diferenciado. Mas para isso terá que atrair muito mais que um Kim. Meio silenciosamente, os peemedebistas asseguram que vão conseguir.

PMDB define cargos no governo, indiferente ao PP


Castro Neto: filho de Marcelo Castro deve voltar ao secretariado estadual

 

A cúpula do PMDB piauiense definiu com o governador Wellington Dias os cargos que ocupará no primeiro escalão do Estado. Até segunda ordem, está tudo fechado. A definição acontece em meio à quebra de entendimento entre o governador Wellington Dias e o PP do senador Ciro Nogueira. O PMDB assume quatro cargos, contemplando inclusive dois deputados estaduais – Pablo Santos e Zé Santana.

Segundo os entendimentos, o PMDB vai indicar Pablo para a Fundação Hospitalar (um desdobramento da Secretaria de Saúde), cabendo a Zé Santana o comando da SASC. Castro Neto, filho de Marcelo Castro e ex-secretário de Obras na gestão Wilson Martins, foi apontado para a direção do DER. A outra função acertada para o partido é o PCPR, que será ocupado por um nome indicado pelo deputado João Madison. Acredita-se que o anúncio dos novos nomes aconteça até terça-feira.

As mudanças no secretariado implicam em mudanças na Assembleia Legislativa. A ida de Zé Santana para a SASC significará a saída de Henrique Rebelo, que, mesmo suplente, passará a ocupar uma cadeira no legislativo estadual. A indicação de Pablo e Santana mexem na representação da aliança que inclui o PMDB. Os suplentes seguintes são Ismar Marques (PSB) e Mauro Tapety (PMDB).

Mas pode ser que apenas Ismar assuma cadeira na Assembleia, já que o governador Wellington Dias cogita retornar Flávio Nogueira Júnior (PDT) para o legislativo. Flávio Júnior, que em 2014 era da mesma aliança de PMDB e PSB, deixaria apenas uma vaga aberta, que caberia ao suplente do PSB.

Se Flávio Júnior realmente retornar para a Assembleia, a secretaria de Turismo voltaria ao seu primeiro ocupante, neste atual mandato de Dias: Flávio Nogueira, o pai.

Heráclito não espera PSB e já decide apoiar Alckmin


Heráclito Fortes: filiado ao PSB, o deputado já anuncia apoio ao tucano Geraldo Alckmin

 

Na bancada federal do Piauí, o deputado Heráclito Fortes é visto como um caso à parte. Tem raia própria, não espera orientação partidária e dialoga lá em cima, com as grandes figuras do país, como os presidentes da Câmara, do Senado e da República. Ele acaba de confirmar essa “linha independente” ao anunciar, quase dois anos antes, quem será seu candidato a presidente da República, em 2018.

Em entrevista ao Acorda Piauí, da Rádio Cidade Verde, nesta quinta-feira, Heráclito disse que vai apoiar Geraldo Alckmin, que tende a ser o candidato do PSDB ao Planalto. O problema é que Heráclito é do PSB, um partido que hoje vive uma acirrada disputa interna e está longe de decidir seu próprio futuro. Na briga interna dos socialistas, de um lado está o grupo de Pernambuco, que tenta ser dono do espólio de Eduardo Campos; de outro, o grupo de São Paulo, que orbita em torno de Márcio França, que vem a ser precisamente o vice de Alckmin – portanto, com boa perspectiva de assumir o governo paulista.

O PSB do Piauí sempre foi aliado de Eduardo Campos. Mas, após a morte do principal líder socialista, os piauienses passaram a se apoiar mais em Márcio França. Isso quer dizer que a escolha que Heráclito faz agora pode coincidir com a dos demais socialistas piauienses, mais adiante.

O raciocínio e a decisão de Heráclito, no entanto, não passa por essa avaliação partidária. De fato, Heráclito sempre teve uma grande proximidade da cúpula do PSDB desde os tempos do governo FHC. Não por acaso, o deputado foi um dos coordenadores da campanha de Alckmin ao Planalto, em 2006. Agora, ao justificar a decisão, afirma que mantém a coerência e a transparência – e, assim, segue alckimista.

Sim, segue alckimista, esquecendo de ser partidário.

A lógica que norteia Heráclito não é rara na política. Longe disso: ele segue suas relações pessoais, que já destoavam da orientação partidária desde os tempos em que esteve filiado ao PFL. É amigo de muitos tucanos de alta plumagem. E pretende seguir fiel a essas relações, desde já anunciando o apoio a Alckmin.

É possível que os deputados Átila Lira e Rodrigo Martins, bem como o ex-governador Wilson Martins  – as outras referências nacionais do PSB piauiense – também apoiem Alckmin em 2018. Mas, quando desembarcarem na campanha do atual governador paulista, lá já encontrarão bem acomodado o deputado Heráclito Fortes.

Qual o tamanho de Bolsonaro? Convém não menosprezá-lo


Bolsonaro: a direita hard ocupa espaço e as pesquisas já mostram resposta popular

 

Após a eleição para a presidência da Câmara, dia 2 de fevereiro, alguns se apressaram em exibir o resultado obtido por cada candidato para mostrar a força desta ou daquela corrente política. Mostrou-se o enfraquecimento do Centrão. Mas os dedos apontavam especialmente para a votação de Jair Bolsonaro (PSC-RJ): apenas 4 votos, o que o colocou em quinto lugar. Os votos brancos somaram mais: 5. Seria, no dizer desses tantos, um sinal de que Bolsonaro não significava uma alternativa real para a disputa presidencial de 2018.

O raciocínio leva em conta uma velha máxima, segundo a qual as candidaturas são o resultado da soma política. Isto é: quem tem mais apoio político (de partidos, de grandes lideranças ou de segmentos organizados) tende a se sair melhor. Daí, Bolsonaro – sem apoio ressonante – estaria condenado a ser um mero figurante em 2018.

A história (especialmente a história mais recente) mostra que esse raciocínio pode ser a regra, mas as exceções estão aí. E não são tão exceções assim!

Tal raciocínio amparou as primeiras análises sobre a pretensão presidencial de Fernando Collor, no começo das articulações para a eleição de 1989. Os que desdenharam do Sr. das Alagoas tiveram que engolir o resultado que levou Collor ao Planalto. Agora, Trump repete a dose, e de forma muito mais acachapante, porque eleito presidente dos Estados Unidos inclusive contra a vontade do seu próprio partido.

Nessa era de redes sociais e de "pós-verdade", as instituições tradicionais podem não ser tão determinantes quanto antes. E Bolsonaro aposta nisso, dialogando primeiramente com uma cidadania que se sente órfão em vários aspectos: na falta de emprego, no precário acesso aos serviços públicos essenciais, na declinante legitimidade pública da representação política, na dimensão escandalosa da corrupção e na enorme desesperança em relação à segurança pública.

A cidadania cobra resultados elementares. E eles não têm aparecido – ou pelos menos assim sente grande parte do país.

Bolsonaro tem se apresentado como uma mudança de rumo, além de defender a mão forte (eu diria, autoritária) para enfrentar desafios como a corrupção e a violência. E tem encontrado ouvidos dispostos a escutá-lo. As pesquisas começam a mostrar: ele já é o segundo na pesquisa espontânea para a presidência (ver post anterior).

 

Os candidatos fora da curva

Cabe ressaltar, a máxima de antes – sem apoio político, sem êxito – perdeu muito de seu sentido. Movimentos como Podemos, na Espanha, ou 5 Estrelas, na Itália, além do próprio Trump, mostram que pode-se ter êxito sem o apoio institucional. Pode-se sair vitorioso fora do sistemão, do establishment. O diálogo direto com uma cidadania desencantada pode ser mais efetivo que um mundo de apoios de lideranças tidas como poderosas (veja-se o caso Trump).

Bolsonaro aposta nisso e também num outro fator: as grandes instituições políticas brasileiras fazem qualquer coisa para não se desapegarem dos governos. E costumam se aproximar dos potenciais vitoriosos. Foi assim com Collor: no início desdenhado por meio mundo, na hora da campanha foi bendito pelos grandes empresários, que injetaram mundos de dinheiro em sua campanha e o ajudaram a chegar ao Planalto.

Pesquisa mostra Bolsonaro na frente de Aécio e Alckmin

Saiu a primeira pesquisa do ano, de olho nas eleições presidenciais de 2018. A surpresa nem tão surpreendente assim: o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) já aparece em segundo lugar nas intenções de votos espontâneas, aquelas em que o pesquisador não apresentar nenhum nome. Lula (PT) aparece em primeiro, com 16,6% das intenções, seguido de Bolsonaro, com 6,5%.

O deputado que chegou a festejar torturadores no Congresso deixa para trás nomes como o tucano Aécio Neves (em terceiro, com 2,2%) e Marina Silva, da Rede (quarta, com 1,8%). A pesquisa foi realizada pela CNT-MDA. E o resultado espontâneo é o seguinte:

Lula: 16,6%
Jair Bolsonaro: 6,5%
Aécio Neves: 2,2%
Marina Silva: 1,8%
Michel Temer: 1,1%
Dilma Rousseff: 0,9%
Geraldo Alckmin: 0,7%
Ciro Gomes: 0,4%
Outros: 2,0%
Branco/Nulo: 10,7%
Indecisos: 57,1%

A pesquisa fez ainda seis diferentes cenários. Em um deles Bolsonaro cai para quarto. Em outros fica em terceiro, perdendo para Marina Silva – mas quase empatados. Pode-se dizer que Marina e Aécio, assim como o líder Lula, são favorecidos por serem nomes bem mais conhecidos: Marina já foi candidata à presidência por duas vezes (em ambas ficou em terceiro) e Aécio, uma (ficou em segundo). Nesse item, o representante da direitona tem muito o que andar.

De fato, Bolsonaro fica em empate técnico com Marina Silva e à frente dos dois tucanos que tiveram seus nomes nas silumações, Aécio e Geraldo Alckmin. O deputado alcança nada despresíveis 11,3% das intenções. Veja comparativo com a pesquisa de outubro do ano passado, no cenário em que aparecem os nomes mais badalados (e também Michel Temer, que poderia pelitear a reeleição).


 

Wellington diz que não muda saúde e periga acordo com PP


Júlio Arcoverde, Ciro Nogueira (PP) e Wellington Dias (PT): aliança em perigo?

 

Parecia tudo acertado, estilo “prego batido ponta virada” e motivo para soltar rojões. O governador Wellington Dias sorria com o vento, após fechar acordo que assegurava a ampliação de sua base politica às custas de uma reforma no secretariado que sacrificava especialmente o PT. Após o acordo, o PP passaria a ocupar a secretaria de Saúde, o PTC ganharia o PCPR e o PMDB assumiria de vez a condição de governista, ocupando SASC, Secretaria de Transportes e o programa de Crédito Fundiário.

Mas o céu de brigadeiro que durou até a sexta-feira, transformou-se neste início de semana em um temporal, uma verdadeira tempestade com direito a fortes trovoadas. E agora Wellington terá que mostrar sua decantada habilidade para não ver aliados de agora se transformarem em adversários de amanhã.

A dúvida sobre o acordo já era o tema do final de semana. O PMDB fazia mais exigências (incluindo o PCPR e a Fundação que seria criada para cuidar dos hospitais). O PT estribuchava, recusando-se a aceitar a perda de espaços. O burburinho da dúvida tomou corpo e a reforma "quase certa" ficou "quase descartada". A mudança de rumo ganhou, ontem, uma "quase confirmação" nas palavras do próprio governador. Em Uruçuí, ele disse que não está falando em reforma do secretariado, e que Francisco Costa vai seguir onde está – a mesma secretaria de Saúde prometida ao PP.

O mundo político está perplexo com a reviravolta.

Para a imprensa, o silêncio foi a resposta formal mais comum, por todas as partes envolvidas, sobretudo PP, PMDB e PTC. Mas as reuniões se multiplicaram ontem desde o meio-dia. Nas palavras de um deputado governista, o acordo virou “uma grande bagunça”.

Já se fala na possibilidade de rompimento político, ainda que haja muitas dúvidas sobre a vontade real de qualquer grupo em deixar o governo. Mas, cabe lembrar: o PP, o mais incomodado com a reviravolta, já abandonou um governo por muito menos. Foi no período Wilson Martins, quando Ciro Nogueira entregou a Agespisa, chamou seus aliados e foi para a oposição. O PTC foi oposição até outro dia, e pode voltar a sê-lo. E o PMDB pode seguir como antes: no governo, sem ser oficialmente governo.

De qualquer forma, todos orecolheram suas cartas e esperam os próximos passos dentro do Karnak. Wellington quer PP, PMDB e PTC formalmente no governo. E esses partidos querem mais postos na administração estadual. O problema está mesmo é no PT, que jogou galões de água fria na fogueira do acordo.

O nome central do desmantelo é o deputado Assis Carvalho, embora conte com o apoio de muitos outros dentro do PT. Assis não aceita perder a secretaria de Saúde, comandada pelo seu aliado Francisco Costa. Para mudar de ideia, terá que ter uma excelente compensação, que não se vislumbra qual poderia ser.

Domar Assis é uma tarefa para Wellington. Como o governador costuma dar nó em pingo d’água, pode ser que consiga segurar o deputado petista e, ao mesmo tempo, tornar a encantar os que tinham sido agraciados pelo acordo agora quase desfeito.

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