Cidadeverde.com

O Congresso se divorciou da cidadania, diz senadora Regina Souza

O Congresso Nacional terá, em 2017, muitos desafios. Mas a senadora Regina Souza (PT) aponta dois como os principais. Um, de natureza objetiva, é discutir a reforma da previdência. Outro, mais associado à essencial do Parlamentar, é se reinventar enquanto instituição de representação política. Regina tem claro: no ano passado, o Congresso se divorciou da cidadania, virando as costas para as questões populares e furtando-se ao debate como na PEC dos gastos.

Para a senadora, 2016 foi um ano absolutamente atípico, nas ruas e no Congresso. “Foram aprovadas (no Congresso) coisas absurdas”, diz ela, fazendo uma lista em que destaca as mudanças sobre a exploração do Pré-Sal. Na avaliação de Regina Souza, o Congresso se entregou às multinacionais ao mudar as regras de exploração do Pré-Sal, que "está passando às mãos" de grandes petroleiras estrangeiras.

Agora, Regina torce para que o mesmo não ocorra no caso da Reforma da Previdência. Ela entende que uma reforma nas regras é necessária e urgente, mas avalia que a proposta que está sendo desenhada é muito nociva aos trabalhadores. “É uma matéria que atinge todos e tem que ser amplamente discutida, debatida com a sociedade”, defende.

Nesse contexto, acredita que o Parlamento brasileiro precisa ser mais aberto, dialogando com a cidadania, diferente do que teria ocorrido no ano passado. “Tem coisa aprovada que o cidadão só vai saber mesmo quando sofrer os efeitos, como na emenda constitucional que limitou os gastos públicos”, diz.

É nesse sentido que Regina Souza é categórica ao afirmar que o Congresso precisa se reinventar. Traduzindo do “reginês”: o Congresso não pode ser uma bolha que funciona à margem da vida real do país. Se assim for, agrava ainda mais a crise de legitimidade que enfrenta.


Regina Souza critica o Congresso e acha que Parlamento deve se reinventar

Escritor paulista faz livro sobre importância de Petrônio na redemocratização


Petrônio Portella, em foto no Senado: articulador político da redemocratização

 

O futuro parecia promissor, inclusive apontando para a possibilidade de disputar a presidência da República. Mas naquele 6 de janeiro de 1980, há exatos 37 anos, o sonho se desfez: um brutal ataque cardíaco tratado com certo relaxamento tirou a vida de um dos mais talentosos políticos brasileiros da segunda metade do século XX. Petrônio Portella Nunes perdeu a vida aos 54 anos, quando ocupava o ministério da Justiça.

Foram menos de dez meses como ministro, mas o suficiente para Petrônio articular duas mudanças fundamentais para a volta do Brasil à democracia: a Lei de Anistia, que serenava os ânimos e trazia de voltas os exilados; e a reforma no sistema partidário, que rompeu as amarras do bipartidarismo e abriu o país para a diversidade ideológica do multipartidarismo. Petrônio foi uma das figuras centrais na redemocratização brasileira, desde o início do governo Ernesto Geisel (1974-1979), junto com o próprio presidente e o ministro Golbery da Costa e Silva. Com assento no Senado, era o avalista político de toda a articulação.

O papel de Petrônio Portella está sendo resgatado por Luís Mir, escritor paulista de envergadura. Mir tem livros importantes sobre a vida política brasileira: A Revolução Impossível (sobre a luta armada da esquerda pós-1964), Guerra Civil (sobre a violência brasileira) e O Paciente (sobre o caso Tancredo Neves), entre outros. Agora está desenvolvendo projeto editorial sobre Petrônio. Mir carrega na bagagem uma ampla pesquisa, incluindo documentos diplomáticos da Europa e Estados Unidos que mostram o cuidado e decidido trabalho de Petrônio Portella no diálogo com instituições de referência e com os próprios exilados.

Ao abraçar esse grande trabalho, Mir coloca no devido lugar histórico a figura desse piauiense que foi deputado estadual, prefeito de Teresina, governador, senador, ministro e articulador fundamental da redemocratização brasileira.  Petrônio Portella era tão fundamental que sua morte, menos de dez meses depois de assumir o ministério, deixou um vácuo enorme, tão grande que seu sucesso, Ibrahim Abi-Ackel, quase eixa a redemocratização ir pelo ralo. Sem a liderança de Petrônio, a ultradireita recobrou fôlego, sonhou com o recrudescimento político, promoveu atentados a bancas de jornais e explodiu uma bomba (no próprio colo) dentro do Riocentro.

Felizmente, a semente plantada foi mais forte, frutificou e a democracia se estabeleceu. Luis Mir se debruça sobre esse riquíssimo material, uma página importante da história do Brasil que leva a assinatura de Petrônio Portella Nunes.

 

Deputada Iracema Portella, a herdeira de uma família com história

A família Portella teve importantes representantes na vida política piauiense - e brasileira também. Petrônio foi o que ganhou mais projeção, desde estudante no Rio de Janeiro. Chegou a presidente do Senado, Casa que recebeu seus irmãos Lucídio e Elói Portela. E ainda um sobrinho-neto-afim, o senador Ciroi Nogueira, casado com a deputada Iracema Portella. Iracema é filha de Lucídio, que foi vice-governador e governador do Piauí.

Ela não esconde o orgulho da história familiar: "Meu tio foi um dos maiores estadistas que o Brasil já teve. Ele sempre foi um homem do diálogo, um político que acreditava na democracia e a defendia de todas as formas", destaca. Lembra o papel que ele desempenhou na redemocratização, amparado sobretudo no "excelente trânsito que tinha em todas as esferas, característica dos grandes políticos".

Hoje a deputada é a herdeira dessa família que tem política nas veias. A própria Iracema mostra a mesma inquietude do pai e do tio mais famoso. Ela, que já está no segundo mandato na Câmara Federal, muitas vezes é associada a voos mais altos, em um futuro não tão distante.


Iracema, a herdeira dos Portella na política

 

O palhaço Tiririca pode explicar o que é ser um bom deputado?

Uma coisa é certa: os políticos andam em baixa. E a frase “eles não me representam” ganhou eco nos últimos anos, ressonando de forma mais forte na eleição passada, quando a abstenção alcançou níveis nunca vistos, assim como os votos nulos e brancos. O descrédito coloca o Congresso e os partidos entre as instituições com menos prestígio popular. Tal situação gera a pergunta: o que é ser um bom político? Ou, olhando o Congresso, o que vem a ser exatamente um bom parlamentar?

A pergunta deve ser posta à mesa, outra vez, quando dados da Câmara dos Deputados revelam o comportamento do deputado Tiririca (PR-SP), o palhaço profissional que chega à metade do seu segundo mandato, amparado em extraordinárias votações. Segundo levantamento desses seis anos no Congresso, Tiririca não faltou um único dia sequer dos 612 em que aconteceram sessões. Também é muito presente na Comissão Técnica da qual é membro - a que cuida da Educação e Cultura. Em compensação, nunca fez um único discurso. Presença e silêncio, 100%.

Quem esperou ouvir a voz do palhaço-deputado teve que esperar o sexto ano de mandato do parlamentar. E foi uma fala curta, de apenas nove palavras. “Senhor presidente, pelo meu país, meu voto é sim”, disse seguro e sem gracejo, dia 17 de abril de 2016, quando a Câmara votou o impeachment de Dilma Rousseaff. Curioso é que não são poucos os que consideram positivamente surpreendente a atuação de Tiririca.

E aí se multiplicam as perguntas: bom parlamentar é o sempre presente? É o que mais discursa? É o que mais apresenta propostas? É o que mais está nas ruas com o eleitor (portanto, longe do plenário)?

Creio que a resposta não é simples. Depende muito da sensibilidade e dos compromissos de cada parlamentar. E até da situação desse parlamentar. Aqui vale olhar um exemplo: Ulisses Guimarães. Quando líder da oposição, Ulisses fez das ruas seu campo de luta – e ajudou a redemocratizar o País. Depois, como presidente da Constituinte, comandava sessões de cinco, seis, sete horas sem desapear da mesa – e ajudou a parir a Constituição Cidadã. Ele foi excelente parlamentar nos dois modelos, atento ao seu tempo, ao lugar que ocupava e às suas convicções.

O parlamentar que joga apenas para as estatísticas – mais projetos; mais discursos; menos ausências etc – certamente entra nos registros da mídia de hoje. Mas não passa muito disso. Tiririca está nas estatísticas: mais votado, menos ausente... Fora isso, não acrescenta tanto. Possivelmente nem quem votou nele leva em conta tais dados.

O caso de Ulisses talvez traduza bem o papel do bom parlamentar: precisa estar atento às demandas do País, sensível ao apelo e necessidade popular. Aí, talvez, esteja a principal deficiência de uma parte significativa do mundo político: ser sensível aos apelos populares; responder às demandas da nação. Quando isto acontece, a frade “ele não me representa” não representa nada.

Tiririca, no dia da votação do impreachment: nove palavras na única fala em seis anos

João Henrique vai usar estratégia que deu certo com Wilson

Quando iniciar, no próximo dia 15 de janeiro, uma série de eventos pelo interior do Estado voltado para a viabilização de uma candidatura própria ao Palácio de Karnak, o ex-ministro João Henrique Sousa adota uma estratégia já usada por outros postulantes ao governo. Com resultados diversos.

O caso mais vistoso é de Wilson Martins (PSB), que fez uma série de ações pelo estado e conseguiu, com êxito, pavimentar o caminho até o Karnak. Mas há ainda o caso de Hugo Napoleão (então PFL), entre o final de 1997 e maio de 98; e o de Marcelo Castro (PMDB), em 2014. Tanto Hugo quanto Marcelo cresceram com a ação, mas foram atropelados por outros fatores.

A estratégia de João Henrique tem razões bem objetivas. Ela visa mobilizar as bases do PMDB, reaproximar-se das lideranças e criar fatos que justifiquem a badalação do seu nome, na medida em que gera oportunidades para a cobertura midiática e envolvimento através das redes sociais.  

A situação do presidente nacional do SESI é algo semelhante à de Hugo Napoleão, em 1997-1998, com o chamado “Abraça Piauí”. Através do “Abraça”, Hugo “redescobria” o Piauí e reencontrava as lideranças locais. E, em uma época sem redes sociais, entregava-se às entrevistas no rádio, dominando cenário midiático do interior.

Mas João Henrique certamente deve ter em mente o êxito de Wilson Martins, que em 13 meses – janeiro de 2009 a fevereiro de 2010 – realizou 21 eventos no interior e dois outros em Teresina. Wilson animou lideranças, agregou apoios e tornou-se candidato, mesmo sem ser, no princípio, o nome preferido das forças que compunham o governo de então.

Para a empreitada que começa dia 15 e a intenção de se viabilizar sua candidato, João Henrique desembarcar com a credencial de amigo muito próximo do presidente Michel Temer. Não é pouca coisa. Mas o ex-ministro sabe que a trajetória não é tão simples. O cenário político estadual tem a referência primeira em Wellington Dias (PT), que parte com larga vantagem. Além disso, o ex-ministro precisa conquistar o coração de seu próprio partido, o PMDB.

Os deputados Themístocles Filho e Marcelo Castro, principais lideranças no PMDB piauiense, comungam de uma outra convicção: trabalham mais na perspectiva de uma boa aliança que da candidatura própria. Para mudarem de opinião, precisarão enxergar um cenário muito mais favorável ao PMDB, como cabeça de chapa. Coisa que não vislumbram no horizonte.

A intenção de João Henrique com sua caravana será, precisamente, criar esse novo cenário. E contagiar seus correligionários.

Presidente Michel Temer, com João Henrique: trunfo na corrida para 2018?

Governo aposta em 2017 como divisor de água para turismo do Piauí

O desafio não é pequeno, mas o governo do Estado quer transformar o ano de 2017 em um divisor de águas para o turismo do Piauí, setor de grandes possibilidades ainda não concretizadas. A convicção na mudança de rumo, abraçada pelo Secretário de Turismo Flávio Nogueira Júnior, começa com a conclusão de três obras de referências – em Teresina, Barra Grande e no Parque da Serra da Capivara. E também no desenvolvimento de uma ação específica para a Grande Teresina.

Flávio Júnior ainda comemora os resultados da passagem do ano no litoral, que considera muito positiva para turistas e aqueles que vivem dessa indústria. Quando às obras, aposta na conclusão das três até a metade do ano.

A mais simbólica dessas ações é a reforma (de fato, reconstrução) do Centro de Convenções de Teresina. O investimento é de cerca de R$ 25 milhões, resultando em um espaço com um auditório principal com 1.200 lugares e mais cinco auditórios menores com capacidade entre 80 e 100 lugares. Além disso, contará com 400 vagas de estacionamento.

Em Barra Grande, Flávio Júnior espera concluir ainda no primeiro trimestre o Terminal  Turístico. Junto, implantará uma linha ligando o Terminal ao  núcleo urbano, evitando a entrada de veículos, nos moldes de Jericoacoara. O investimento é de R$ 900 mil, recursos do próprio Estado.

Já na Serra da Capivara, o secretário quer entregar até julho a urbanização da entrada do parque, com quiosques e banheiros. “Todas essas obras ampliam as possibilidades em três áreas fundamentais para o turismo piauiense. No caso do Centro de Convenções, abre novas oportunidades para nossa capital como destino de grandes eventos”, diz.

Para completar, ele diz que está sendo desenhado um projeto para fortalecimento do turismo no entorno da capital piauiense, especialmente nas cidades da Grande Teresina. “Estamos trabalhando para transformar este ano em um divisor de águas para nosso turismo”, afirma.

Vale a pena conferir.

Flávio Nogueira Jr, aposta alta no turismo piauiense em 2017

Com 4,7 graus, terremoto sentido em Teresina é bem acima da média

Os dados preliminares do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) apontam um padrão pouco comum para o tremor sísmico ocorrido nesta manhã no Piauí e Maranhão, sentido com bastante intensidade em Teresina. Os cálculos iniciais apontam para um terremoto de 4,7 graus na escala Richter, considerado “bastante alto” para os padrões desse tipo de ocorrência no Brasil, conforme o sismólogo Marcelo Rocha, pesquisador da UnB.

Basta ver os próprios dados do Observaório da Universidade de Brasília: dos últimos cinco importantes registros sísmicos no Brasil, os dois de maior intensidade ocorreram no final do ano, ambos com epicentro no estado do Amazonas. Maior deles teve o centro de intensidade na cidade de Presidente Figueiredo, dia 27 de novembro. O tremor, resultante de acomodação de placas tectônicas, chegou a 3,4 graus na escala Richter. O segundo maior, nas proximidades de Borba, dia 1° de dezembro passado, chegou a 3,3 graus. As conseqüências não foram significativas, já que em áreas pouco habitadas e sem grandes edificações.

A terceira maior ocorrência foi na região de João Câmara (*RN), chegando a 2,1 graus, seguida do abalo de 1,7 em Matias Cardoso (MG), em 26 de novembro; e do tremor de 1,6 graus em Montes Claro (MG), dia 25 de novembro.

O terremoto sentido em Teresina está mais um grau acima do maior entre as últimas cinco ocorrências, rompendo um padrão para esse tipo de fenômeno no Brasil.

 

Intensidade dos 5 últimos terremotos no Brasil

Cidade

Estado

Data

Profundidade  (km)

Magnitude

João Câmara

RN

12/12/16

10

2.1

Borba

AM

01/12/16

5

3.3

Pres. Figueiredo

AM

27/11/16

10

3.4

Matias Cardoso

MG

26/11/16

5

1.7

Montes Claros

MG

25/11/16

5

1.6

FONTE: Observatório da UNB

Ciro insiste em atrair Silvio Mendes, de olho nas eleições de 2018

A possibilidade de filiação do ex-prefeito Silvio Mendes ao PP deu uma certa pausa na mídia, e até já era vista por alguns como superada. Mas segue muito viva nas conversas políticas, especialmente entre o outra vez secretário de Saúde de Teresina e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira. A última vez que Ciro e Silvio estiveram junto foi no dia 23 de dezembro, em uma longa e cordial conversa, e certamente não foi só para falar de Papai Noel e refestelar-se com panetone.

Questionado sobre o assunto, o presidente estadual do PP, deputado Júlio Arcoverde pede tempo: “Me dê um prazo até o dia 31 de janeiro. Depois a gente conversa”, diz, meio se esquivando do assunto, mas também (ao estabelecer uma data) dando mais concretude à conversação.

A filiação de Silvio Mendes é uma espécie de sonho cirista – e de todo os “populares”. Se Silvio desembarcar no PP, pode ser seguido pelo secretário de Planejamento Washington Bonfim, ou assim imaginam muitos no partido. São dois auxiliares diretos de Firmino Filho, o que leva à leitura óbvia: tudo está sendo feito com o consentimento do prefeito de Teresina. E tudo tem a ver com as próximas eleições, onde Firmino ou Silvio pode ser parte de um plano B do senador.

Quando se avalia o cenário de 2018, uma das primeiras perguntas é: onde estará Ciro Nogueira? O senador tem envergadura política suficiente para mexer no equilíbrio da balança eleitoral e a movimentação do líder do PP é um dos lances mais esperados até 2018.

Os aliados de Ciro dizem que o senador deve mesmo seguir com Wellington Dias (PT) para um novo mandato no Karnak. Mas essa certeza é a certeza da política, que nunca é tão certa assim, especialmente depois que Ciro deixou de ser aliado fundamental de Dilma Rousseff para se tornar o fiel da balança do impeachment. Assim, é bom saber o que senador fará.

Ciro e Firmino estão muito bem afinados, embora o presidente do PP também esteja bem assentado e amplamente contemplado no Karnak. Ciro gostaria de ficar assim, mas sabe da dificuldade de ter Wellington e Firmino no mesmo palanque, sobretudo pelas questões nacionais. Por via das dúvidas, o senador vai aumentando a musculatura política, para ser dono de seu próprio destino. E, para ele, a filiação de Silvio Mendes pode ser uma espécie de anabolizante político, agigantando a musculatura dos populares.

Daí, ter Ciro no palanque em 2018 será uma força extra, com impacto considerável.

Senador Ciro Nogueira, movimentos para ganhar mais musculatura política

A hora dos prefeitos tomarem juízo, mesmo que não desejem

A posse dos novos prefeitos, ontem, Brasil afora, teve um tom predominante: o aceno para a necessidade de austeridade. A melhor tradução dessa – digamos – tendência foi a fala do novo prefeito de Belo Horizonte. Em dado momento de seu discurso, Kalil virou-se para os vereadores e fez um apelo, que também pode ser tomado como um desafio: “Todo o dinheiro dessa prefeitura não será canalizado para troca de favores. Então eu peço aos vereadores muito juízo. Todos nós precisamos de muito juízo”.

Esse novo mandato é uma boa chance para os prefeitos: chegou a hora dos gestores tomarem juízo.

E aqui vale acrescentar: não é uma questão de querer. É “precisão”! Necessidade!

Os administradores públicos brasileiros, em geral, são intrigados com as noções de gestão e utilizam os cargos guiados pelos instintos políticos. Daí, a regra é a falta de planejamento, ausência de objetividade nos projetos e descaso com o elementar equilíbrio entre receitas e despesas. A falência de estados como Rio de Janeiro é resultado dessa cultura da “cortesia com o chapéu alheio” – no caso, o chapéu do cidadão.

Os novos prefeitos não terão outra alternativa: ou tomam juízo ou serão destroçados pela opinião pública, pela cidadania carente de serviços essenciais. Alguns já tomaram medidas duras, como o prefeito do Rio, Marcelo Crivela (PRB), que reduziu as secretarias municipais pela metade: eram 24, agora são 12. Não por acaso, Firmino Filho (PSDB), em Teresina, começou a cortar gastos em uma máquina já considerada razoavelmente enxuta.

A realidade é difícil. O dinheiro é curto e as demandas são muitas. As cidades brasileiras têm carências absurdas em mobilidade urbana, na educação pública muito longe de ser um modelo e na saúde, um caos em quase toda parte. Para piorar, a crise econômica ainda vai impor um 2017 de escassez. Assim, não há outra saída: ou os prefeitos tomam juízo e aprendem a gerir os poucos recursos públicos, ou simplesmente vão penar, ampliando o caos administrativo e amargando a condenação pública. E que os vereadores também tenham consciência disso, evitando transformar seus mandatos em balcão de "favores".

A cada novo ano diz-se que temos 365 novas oportunidades. Os prefeitos não têm tantas. Se querem mesmo fazer bonito e ficar bem na fita, sequer podem se dar ao luxo de esperar o próximo dia. Precisam fazer ajustes urgentes. Porque, como em qualquer orçamento doméstico, o ajuste que não é feito hoje, vai se tornando uma grande bola de neve a cada novo dia.

Quem tiver juízo, não vai deixar essa oportunidade para depois de amanhã.

Modelo de saúde premia gestor relapso e pune cidadão, diz Marcelo Castro

Do alto da posição de ex-ministro da Saúde, o deputado Marcelo Castro (PMDB) diz que o modelo de atenção à saúde no Brasil precisa ser rediscutido. E vai mais adiante: da forma que está não tem como funcionar bem, pois há um desequilíbrio entre as partes (União, Estados e Municípios) e o modelo brasileiro termina por premiar o gestor relapso e punir o cidadão. Na prática, o gestor que não faz nada termina sendo beneficiado, na medida em que se escora na eficiência dos outros.

Nem precisa ir longe para entender a afirmação do ex-ministro: muitos municípios piauienses (ou de estados vizinhos) não se preocupam em oferecer atendimento de qualidade se podem simplesmente enviar seus doentes para Teresina, que vê suas unidades de saúde superlotadas. Vale lembrar, mais de 40% dos atendimentos feitos na rede municipal de Teresina vem de outros municípios, boa parte do Maranhão. A consequência é dramática: a PMT tem a obrigação constitucional de aplicar 15% das receitas na saúde, mas é levada a investir o dobro desse percentual.

Marcelo é categórico: é necessária a repactuação a respeito do funcionamento da saúde, uma versão reduzida do tão cobrado pacto federativo, capaz de reordenar e tornar mais lógica a distribuição dos recursos públicos.

Quando ministro, o deputado piauiense interferiu na distribuição dos recursos do setor, redefinindo o critério na relação per capita. A mudança beneficiou estados como o Piauí, Acre, Amazonas e Maranhão. Com isso, o Piauí teve, em 2016, um aporte adicional de R$ 203 milhões. Parnaíba, por exemplo, recebeu R$ 15 milhões a mais. No caso de Teresina, foram R$ 85 milhões a mais – R$ 60 milhões apenas para o HUT. Em 2017, essa soma terá outro extra: R$ 130 milhões provenientes da emenda de bancada impositiva, dinheiro que vai para o Fundo da Saúde, a ser redistribuído proporcionalmente aos municípios piauienses. O recurso pode ser usado diretamente no custeio da Saúde municipal, drama de quase todo prefeito.

Esse dinheiro extra faz o atendimento à saúde respirar melhor, mas não acaba o drama. Marcelo lembra que a Saúde está entre os principais problemas em todos os estados. E que a solução definitiva deve passar por uma rediscussão profunda e urgente, com um olhar detido sobre a participação de cada ente federativo no modelo de atendimento à saúde. Porque, como está, muitos estados e municípios sofrem. E, em qualquer  caso, quem pena mesmo é o cidadão que recebe um atendimento de saúde – para dizer o mínimo – precário.

 

Deputado Marcelo Castro defende um amplo pacto que redefina o modelo de saúde no Brasil

 

Firmino elege 4 grandes desafios para o 4º mandato de prefeito

Ao assumir neste dia 1º de janeiro o quarto mandato à frente da Prefeitura Municipal de Teresina (PMT), o prefeito Firmino Filho (PSDB) elege 4 grandes desafios. São desafios administrativos, mas que talvez devam ser acrescidos de um quinto: o da interação de forma mais fluida com a sociedade, resgatando um encantamento recíproco que perdeu algo do viço.

Firmino fez, no terceiro mandato recém-encerrado, provavelmente a melhor das gestões do longo período tucano à frente da prefeitura. Mesmo assim, não teve na eleição passada uma vitória propriamente folgada, sobretudo tendo pela frente adversários sem grandes suportes: alcançou 51,1% dos votos válidos. Em 2000, em situação similar (buscando a reeleição e com amplo apoio político) mas com gestão menos pujante, obteve cerca de 61% dos votos. E olha que naquele ano enfrentou nomes como Wellington Dias (PT) e Ciro Nogueira (PFL à época).

A eleição de 2016 mostrou um certo desgaste do modelo – ou de nomes. Mas Firmino não está disposto a se reinventar em nome de um jogo para a platéia. Não. Vai seguir um plano administrativo que enfrenta várias batalhas, distribuídas nos quatro grandes desafios:

1.  Consolidar um novo Plano Diretor da cidade, aí incluindo um novo padrão de desenvolvimento urbano. O modelo atual é muito horizontal, o que gera custos absurdos na manutenção de serviços como pavimentação e transporte.
2.  Implantar integralmente o novo sistema de transporte urbano, com centrais de integração e veículos tipo BRT, os mesmos implantados no Rio de Janeiro à época das Olimpíadas. O plano é concluir toda a mudança em dois anos.
3.  Ajuste administrativo-financeiro, buscando melhores resultados com menos estrutura. Traduzindo: economizar na máquina administrativa (corte de despesas) sem diminuir resultados.
4.  Avanços na área social. Este último tópico é, na verdade, a prioridade do prefeito, com ênfase na saúde, educação e assistência social.

Neste ponto, a meta é fortalecer a já bem avaliada educação municipal, com ênfase na clientela de 0 a 3 anos e também no ensino de tempo integral: este ano serão 10 escolas com esse modelo de ensino.

Na saúde, a mira está no equacionamento da gestão do setor que, sozinho, consome quase um terco do orçamento municipal (cerca de R$ 980 milhões do total de R$ 3 bilhões).

Não são desafios pequenos. Mas Firmino aposta na receita de sempre: foco técnico em busca de mais eficiência.

 

Prefeito Firmino Filho, educação como um dos 4 principais desafios

 

 

Posts anteriores