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Caixa 2, uma instituição brasileira a ser combatida

Marcelo Odebrecht: como grande doador de campanhas, empresário refazia até decreto do ministro da Fazenda

 

Pronto. Não tem mais desculpa. O ministro Edson Fachin, o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, quebrou o sigilo das delações premiadas dos executivos da Odebrecht. Incluindo as mais de 900 horas de vídeo. São depoimentos reveladores, tanto da promiscuidade entre empresas e políticos como, especialmente, da institucionalização do caixa 2.

A quebra do sigilo acaba com a defesa escorada na crítica aos tais vazamentos seletivos. Agora, tudo pode ser visto. E o que se vê é pior do que se imaginava. Fica claro como o sistema político funciona, na mistura geral entre as ações de interesse público e privado.

O depoimento de Marcelo Odebrecht, por exemplo, chega a revelar o momento em que ele recebe uma cópia de decreto a ser assinado pelo Ministro da Fazenda. E Marcelo observa que o decreto não estava de acordo com os interesses de sua empresa. Daí faz os reparos e o decreto é refeito, para só então ser assinado. Na prática, o ministro assinou um decreto elaborado pelo empresário, dentro dos interesses (privados) do empresário.

Ao justificar essa relação, Marcelo Odebrecht reconhece que tinha essa “abertura” (leia-se, “força”) porque era um importante doador de campanha. Campanhas, diga-se, na grande maioria regadas via caixa 2, essa onipresente instituição política nacional.

Aliás, o empresário hoje preso em Curitiba é explícito: “Não conheço nenhum político que tenha sido eleito sem caixa 2”. Uma afirmação direta. E que nem surpreende: o caixa 2 é reconhecido como amplamente presente nas campanhas. Uma instituição nacional.

Mas é também uma instituição que precisa ser combatida, porque as revelações da Lava Jato evidenciam os desdobramentos do caixa 2: troca de favores, corrupção, uso dos recursos públicos com fins particulares etc. Preservar o caixa 2 é manter uma relação entre o público e o privado onde sempre o público sai perdedor.

Alguém pode argumentar: não tem como combater o caixa 2 porque ele sempre estará presente. É possível que ele sempre esteja presente, mas nem por isso vai ficar de braços cruzados. É razoável entender, por exemplo, que a criminalização do caixa 2 é um caminho curto para a redução de sua presença. Não acaba. Mas diminui muito.

Outra preocupação é com o custo da campanhas. Se as campanhas são mais baratas, o caixa 2 deixa de ser tão onipresente. E como se consegue isso? A resposta é simples: com uma profunda reforma política.

Mas da resposta à ação, o simples se complica. Porque o desenho de cenário aponta para a manutenção das regras, a persistência no sistema, a preservação continuada das práticas tão criticadas, essas práticas que vêm produzindo representações tão descompromissadas com a coisa pública.

‘Só se ganha eleição ciscando pra dentro’, diz Júlio Arcoverde em resposta ao PT


Júlio Arcoverde: deputado do PP defende aliança mais ampla em torno de Wellington Dias (PT)

 

O deputado Júlio Arcoverde, presidente estadual do PP, defendeu uma ampla aliança em torno da candidatura de Wellington Dias (PT) ao governo, em 2018. A manifestação foi uma resposta a membros do PT, que advogam que o partido deva ter dois integrantes da chapa, incluindo Regina Sousa como candidata à reeleição para o Senado.

“Só se ganha eleição ciscando pra dentro, não ciscando pra fora”, ressaltou o deputado, em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Ele acha que a reivindicação de alguns petistas enfraquece a aliança, já que excluiria a possibilidade de atração de outras forças políticas. Exatamente por isso, diz ele, é que o PP abriria mão do posto de vice-governador no sentido de ampliar o grupo.

Júlio alerta que o bom exemplo deve começar em casa. Assim, entende que o primeiro passo no sentido de ampliar o leque de apoio político em torno de Wellington deve partir do próprio PT, abrindo mão da vaga ao senado. Ou seja: Wellington deve convencer seus aliados dessa importância.

“Cada um que cuide de seus cabritos”, afirmou o deputado do PP, observando que “nós aqui vamos cuidar dos nossos” no sentido de fazer compreender a importância de abrir espaço para outros partidos. Júlio Arcoverde destaca o diálogo fluido que tem com o governador Wellington Dias e com a bancada estadual do PT.

E reafirmou a convicção de que o grupo será mantido, e que não enxerga nenhum problema na chegada do PMDB, partido que reivindica o lugar de vice na chapa de Wellington. “Temos um compromisso com a reeleição de Wellington”, afirmou.

 

Lista de Fachin 'é oportunidade'

Na entrevista ao Acorda Piauí, Julio Arcoverde também falou sobre a lista do ministro Edson Fachin, que inclui entre os 75 denunciados da elite política brasileira o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP. Segundo Júlio, a divulgação da lista vai dar a oportunidade de Ciro se defender.

Júlio também defendeu o fim do sigilo das delações dos ex-executivos da Odebrecht, porque acaba a especulação sobre as denúncias. Com o sigilo, avalia, muitos nomes eram colocados na mídia de forma descontextualizada. Agora, com a transparência, as pessoas tomam conhecimento sobre o que é atribuído a cada investigado.

Quer ouvir a entrevista na íntegra? Acesse o link abaixo.

 

Brasília fica em sobressalto com lista de Fachin, a lista do desassossego


Congresso Nacional: sobressalto e desassossego com a lista de Edson Fachin

 

Causou um mal disfarçado rebuliço, em Brasília, a divulgação, ontem à tarde, do que já está sendo chamada de “a lista do ministro Edson Fachin”, o relator da Lava Jato para os casos com foro especial, no Supremo Tribunal Federal. É uma lista robusta, com 75 nomes do alto escalão da política, incluindo boa parte das estrelas do governo e da oposição. E deixa Brasília em sobressalto, com possíveis efeitos sobre a economia, a política e o futuro das reformas em discussão no Congresso.

Pra dizer o mínimo: a lista deixa o mundo político de cabeça pra baixo, de cabelo em pé, com as barbas de molho. É a lista do desassossego.

A lista do desassossego envolve mais de um terço do Senado e perto de 10% da Câmara. São 24 senadores e 39 deputados investigados. Some-se aí oito ministros do governo Temer e ainda três governadores. É muita gente graúda. E ninguém sequer pode cantar de galo, por que a lista desmoraliza mais ainda a classe política brasileira como um todo – à direita e à esquerda; no norte e no sul; do partido A ao Z; no governo e na oposição.

A reação foi de uma desconcertante tranquilidade, disfarçando o rebuliço real. De certa fora, todo mundo já esperava por essa lista. Daí, todo mundo já tinha se preparado para o momento crítico, com explicações protocolares que desqualificam as delações dos executivos da Odebrecht.

A maior parte acusou os “vazamentos seletivos”, sem maiores questionamentos sobre o conteúdo. Outros pediram que seja quebrado o sigilo das delações. Taí um desejo que será atendido: o ministro Fachin vai quebrar o sigilo, e aí ninguém mais vai se esconder no ataque ao “vazamento seletivo” porque tudo vai estar às claras.

Na tentativa de demonstrar tranquilidade, o presidente do Senado, o denunciado Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que a pauta do Congresso não muda. A palavra que usou e repetiu é “normalidade”. Tudo, menos isso. E, em consequência, a pauta muda.

Com, o novo clima, e diante de tanta gente com a espada da Justiça pendendo sobre a cabeça, as reformas em pauta podem esperar. Fica em xeque o futuro da reforma da Previdência, assim como a reforma trabalhista. O que pode mudar mesmo é o ritmo (e o conteúdo) da reforma política.  Desse mato pode sair coelho, na forma de maquinações que protejam o mundo político agora em sobressalto.

 

Sistema Político está condenado

Com tantas estrelas da política envolvidas em denúncias tão graves, uma conclusão é óbvia: o sistema político está condenado. Se não for essa a conclusão, como explicar que tantos políticos estejam envolvidos no mesmo tipo de esquema? Como explicar que partidos tão distintos recorram a esse expediente nada republicano?

Daí, volta a discussão sobre uma reforma política profunda. Mas cabe a pergunta: quem fará essa reforma? Exatamente esses políticos envolvidos nesses expedientes? Terão legitimidade? Mais: terão interesse em fazer uma mudança real?

Nisso tudo fica outro questionamento: o país ainda aguenta a manutenção desse sistema por muito mais tempo?

PP só pode querer a vice se Ciro desistir da Senatória, diz Themístocles


Themístocles diz que mais de 80% do PMDB apoiam a reeleição de Wellington (Foto: Glenda Uchoa)

O PMDB pleiteia, sim, a vaga de vice-governador numa chapa encabeçada pelo governador Wellington Dias (PT), nas eleições do próximo ano. Foi o que deixou claro o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, em entrevista esta manhã ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde.

Para demarcar território, mandou um recado para os aliados, especialmente para o PP de Ciro Nogueira, que chegou a dizer que a vaga de vice-governador cabe ao partido – a vice Margaret Coelho é do PP. “Para o PP querer a vice, só se o Ciro não quiser mais ser senador”, disse Themístocles, defendendo que cada partido tenha apenas um representante na chapa majoritária. Esse recado também vale para o PT, onde muitos defendem que o partido tenha a segunda vaga de senador, para Regina Sousa.

“A gente deve ter a preocupação de agregar”, disse, reafirmando a preocupação em ter mais siglas na chapa. O deputado também defendeu a aliança com Wellington, reafirmando o compromisso com a campanha de reeleição do governador no próximo ano. Afirmou ainda que mais de 80% do PMDB defende essa aliança, o que é referenciado por pesquisas internas.

A pretensão do PMDB é indicar o vice de Wellington. Quanto à possibilidade dele mesmo ser o indicado para o cargo, Themístocles disse que “depende do partido”. Ao ser lembrado de que seu nome já foi defendido por correligionários como os deputados João Madison e Zé Santana, tangenciou: “Vou aguardar lá pra mais adiante”, afirmou, em referência às convenções partidárias, que devem ocorrer em julho do ano eleitoral.

 

Reforma política atrasada 20 anos

O deputado Themístocles Filho também falou sobre a reforma política em discussão no Congresso Nacional. E disse que “essa reforma devia ter acontecido há 10, 20 anos”. Considera que o grande problema é que os legisladores estão legislando olhando a próxima eleição – portanto, guiados pelo instinto de sobrevivência.

Essa sobrevivência faz que as mudanças sejam pontuais, de pouco impacto, já que todos os legisladores tentam reduzir seus próprios riscos. Nessa mesma lógica, acha que as mudanças possíveis para este ano devem ter pouco alcance.

No entendimento de Themístocles, a reforma deve ser feita com previsão de aplicação mais graduada. As mudanças devem ser "aprovadas agora para serem introduzidas em quatro, oito anos”. Dessa forma, entende ele, o legislador não  se guiará pelo instinto de sobrevivência, até porque haverá tempo para partidos e políticos se ajustarem às novas regras.

Ouça a entrevista concedida no Acorda Piauí desta terça-feira (11):
 

Robert Rios se reafirma como alternativa da oposição ao governo


Deputado Robert Rios: reafirmando postulação ao governo do estado, e para consolidar espaço da oposição no Piauí

 

O deputado Robert Rios (PDT) reafirmou que seu nome está colocado como alternativa da oposição ao governo do Estado, num embate contra Wellington Dias (PT). “Quem acha que a oposição não vai ter candidato, está muito enganado”, disse Robert, em reação dupla: ao compromisso de Ciro Nogueira (PP) com Wellington; e o surgimento do nome do ex-senador Freitas Neto no rol de postulante – conforme se adiantou aqui no blog.

Robert vem sendo, desde o início desta legislatura, a voz mais consistente e sistemática de crítica ao governo Wellington Dias (PT). E vem defendendo uma articulação forte que leve à formação de uma competitiva chapa em oposição a Wellington. Nesse sentido, já sonhou com a companhia de Ciro Nogueira no palanque oposicionista. Com a debandada do PMDB. E até com a possibilidade de uma candidatura Firmino Filho (PSDB) ao Karnak.

Chegou a dizer que os esforços de Wellington Dias para formar uma grande aliança a partir da recente reforma administrativa não resistiriam ao desgaste do governo... E que tudo se desmontaria em março de 2018, quando o cenário eleitoral deverá se decantar de vez.

Mas o deputado parece perder algumas esperanças. Ou parece apostar já em outro cenário.

Ontem, disse que Ciro não cabe mais na oposição: o senador perdeu o time e sacramentou a relação com o Palácio de Karnak. E alertou: a oposição terá candidato forte ao governo. Até porque, se não aparecer nenhum outro, ele mesmo será esse candidato.

A reafirmação do próprio nome tem o propósito de consolidar o discurso e o espaço da oposição. E conta com uma razão adicional: o lançamento de Freitas Neto, na sexta-feira, pelo prefeito de Parnaíba, Mão Santa. Ocorre que, antes, o próprio Mão Santa havia colocado o nome de Robert na mesa de discussão como concorrente ao Karnak. Por via das dúvidas, o deputado do PDT reafirmou-se como alternativa.

Ontem mesmo recebeu a visita de uma das filhas de Mão Santa. Para Robert, um sinal mais que suficiente da preferência do prefeito de Parnaíba.

De fato, o deputado gostaria mesmo de ser candidato a senador. Calcula que uma das vagas é a do esquemão, do jogo de lideranças. E ela, em princípio, caberia a Ciro Nogueira. A segunda é do apelo popular, e Robert acredita que tem esse apelo.

Mas, antes de tudo, quer construir uma aliança consistente que dê voz e possibilidades à oposição. Por isso se reafirma como candidato ao governo. Inclusive porque, se não tiver outro nome consolidado na oposição, admite se apresentar. O cálculo de Robert é que o Piauí vai, em 2018, pedir mudanças.

E, quando isso ocorrer, Robert Rios quer estar pronto para todas as possibilidades, inclusive a de ser essa alternativa de mudança.

Mão Santa lança Freitas Neto ao governo, ‘para salvar o Piauí’


Freitas Neto: lançado a governador pelo prefeito Mão Santa

 

Foi com direito a muitos aplausos que o prefeito de Parnaíba, Mão Santa (SD), lançou o nome do ex-senador Freitas Neto como alternativa ao governo do Estado nas eleições de 2018. O lançamento se deu em Parnaíba, após palestra proferida por Freitas, a convite do próprio prefeito, quando falou sobre gestão pública.

Mão Santa disse que Freitas é a saída “para salvar o Piauí” e colocar o estado nos eixos. O prefeito destacou em Freitas o rigor com a gestão pública, lembrando que governou o Piauí com austeridade.  A platéia que lotava o auditório aplaudiu com entusiasmo o ex-senador.

Atualmente, Freitas Neto é o diretor de Assuntos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi). Além de senador (1995-2003), ele também governou o Piauí (1991-1994), foi deputado estadual (1979-1983), deputado federal (1983-1987) e prefeito de Teresina (1983-1986).

Participação interna no PT despenca e preocupa Diretório Nacional


Rui Falcão: sairá da presidência do PT entregando um partido menor do que recebeu

 

A apatia de importantes segmentos da população em relação ao PT começa a chegar dentro de casa, entre a militância. E isso preocupa o Diretório Nacional do partido. O sinal de alerta definitivo surgiu ontem, na etapa municipal de escolha dos novos dirigentes da sigla: o número de votantes em todo o Brasil foi menos da metade que a consulta de 2013.

Segundo dados preliminares contabilizados ainda ontem à noite pela direção do partido, cerca de 200 mil petistas foram às urnas para a escolha de seus dirigentes. Esse número é menos da metade dos 420 mil de 2013 – um ano que deve ser olhado com atenção porque é o ano anterior ao início da Operação Lava Jato.

Verificou-se um claro desgaste do Partido, no embalo dos escândalos que levaram às grades um número importante de destacados petistas. Mas esse é só um dos problemas. Porque os escândalos geram desgastes especialmente fora, mas há outros fatores que geram o desencanto dentro do partido.

O PT tem discurso a apresentar em sua defesa como partido de exercício do poder, sobretudo avanços em áreas sociais. Mas tem muito o que explicar, inclusive nas ações em torno dessas conquistas – como, por exemplo, a política econômica que gerou mais de 12 milhões de desempregados. Eis outro ponto de desgaste.

Internamente, admite-se que o partido se equivocou seriamente ao negligenciar na relação com a sociedade, com os movimentos sociais, privilegiando a ocupação dos postos de máquina, os cargos públicos. Hoje o PT sente falta dessa relação, que foi a base de seu crescimento. E tenta se recuperar, resgatando posturas históricas.

Este será o grande desafio do substituto de Rui Falcão na presidência nacional do PT. Falcão entregará ao sucessor um PT menor do que recebeu. Por isso mesmo, a perspectiva é que o novo presidente seja alguém com DNA petista não apenas para dentro da sigla, como o presidente prestes a encerrar mandato. Que seja também um PT reconhecido pelos petistas Brasil afora, e também por eleitores que apenas tenham simpatia pelo partido.

O que os números de participação deixam claro é que o partido tem que se reinventar. E olhar para fora dos seus limites será uma das estratégias com vistas as eleições de 2018. Foi assim que aconteceu após o Congresso de 1995, aquele que levou o pragmatismo para dentro do partido e o PT ao poder.

Michel Temer sofre com falta de perspectiva política

Michel Temer e Renan Calheiros: aliados separados pelos problemas de perspectivas que alcançam os dois

 

A semana chega ao fim e o presidente Michel Temer tem foi feitos principais a contabilizar. Um, para comemorar; outro, para se preocupar.

A comemoração é o retardamento no processo de cassação da chapa Dilma-Temer, o que quase assegura a conclusão do seu mandato. A preocupação é a repentina oposicionite do senador Renan Calheiros, um sujeito que fez a vida política escorado no Poder e nas benesses que uma máquina pública pode gerar.

Se o processo no TSE ganhasse celeridade, seria uma espécie de réquiem antecipado do governo Temer. Com a postergação, o governo ganha horizonte. Mas essa comemoração não é para tanto, porque outros fatores comprometem a avaliação do governo federal e aproxima Temer da desaprovação recorde de Dilma.

Temer é o pai inquestionável da reforma da Previdência, que a maior parte da população rejeita com toda a alma. Também vai se tornando pai de uma crise econômica que herdou. Para completar, é carente de carisma, o que compromete a possibilidade de recuperação popular. Daí, falta-lhe perspectivas, inclusive como suporte político de terceiros.

Em sendo assim, os Renan da vida se arvoram de oposição, olhando não para a Nação mas para o umbigo. Joga para a platéia, desmarcar-se de um governo impopular. Logo Renan, que nunca se preocupou em abraçar temas controversos, distantes da acolhida da opinião pública. O problema é que a corda está também em seu pescoço.

Renan nunca se preocupou com a opinião pública porque sempre trabalhou com lideranças, os coronéis do sertão que lhe garantiam a renovação de mandato popular. Ocorre que a rejeição a seu nome cresce até mesmo nos grotões de Alagoas, e também traga a popularidade de Ranan Filho, que é governador do Estado. Ou seja: o clã Renan vê o risco de ser tragado pelas urnas em dose dupla.

O que fazer? Ora, malhar o Judas da hora. E esse Judas chama-se Michel Temer.

Ficou fácil bater em Temer. E Renan assume esse papel que lhe é tão estranho, o de oposição. Quer ficar bem na fita, seja conseguindo uma resposta pouco provável resposta popular positiva, seja ainda vendo Temer ceder e derramando recursos nos cofres de Ranan Filho.

Renan corre o Risco de não conseguir nem uma coisa nem outra.

Michel Temer já abriu novos canais de comunicação com o PMDB, tirando o senador – que é líder do partido no Senado – da condição de interlocutor preferencial com o Planalto. É uma tentativa de manter o núcleo de apoio no Congresso, que tem generosos espaços no governo.

Por enquanto vai conseguindo navegar nesse mar revolto.
 

Após metade do mandato, governante perde encanto

A lógica da relação dos governos com as lideranças é perversa. E passa diretamente por uma noção de dependência. Quando eu preciso de você, sou todo gentileza; quando você é que precisa de mim, aí eu endureço o pescoço.

Nos estados, por exemplo, na primeira metade de um mandato, o governador é rei: dita e desdita, senhor de uma caneta cheia. A própria perspectiva de eleição municipal ainda nesta metade dá força ao governador, já que as lideranças locais tentam se reforçar às custas do governante.

Na segunda metade, a coisa muda. Aí é o governante – pensando na reeleição ou numa vaga de senador – quem passa a depender das lideranças. E o cabo da faca muda de dono.

O presidente Michel Temer só não sofre mais no fio da navalha dos políticos porque já deixou claro que não tem pretensões eleitorais. Se tivesse tal intenção, a conta seria mais salgada ainda.

Bona Medeiros, nas exceções da regra


Bona Medeiros: exceção dentro da política, ao cuidar do que é público como público

 

Reza a lenda que Bona Medeiros, governador em 1986, foi o responsável pela derrota do candidato governista daquele ano, Freitas Neto. Também reza a lenda que não espalhava simpatias – ao contrário, era fechado, duro. E que cuidava com esmero da coisa pública.

Também reza a lenda que seu filho, Gustavo Medeiros, duas vezes eleito prefeito de União, foi igualmente duas vezes derrotado quando – mesmo fazendo boa gestão – tentava a reeleição. Reza a lenda que Bona era um bom administrador, mas não era um bom político. Por que? Porque não sabia transformar poder em traquinagem política. E que o filho cuidou de olhar a lição e emular os gestos.

Bona Medeiros, que faleceu ontem aos 87 anos incompletos, fazia parte de um leque cada vez mais estreito de políticos que acreditam que ser bom político é ser bom gestor; é saber levar para o cidadão o que a cidadania precisa, sem maiores cálculos eleitorais, muito menos os cálculos das estrelas da nova Era política, que administram suas carreiras na lógica do toma lá dá cá – uma equação que sempre resulta em subtração, subtração da coisa pública.

Durante anos, Bona Medeiros viu o dedo de muitos apontado em sua direção, depois da derrota de Freitas, em 1986. Como poderia um governador ter o topete de não usar a máquina? – indagam tantos, sem contemporizações. Aquilo enchia Bona de mágoa, uma mágoa que só não transbordou porque o próprio Freitas nunca alimentou essa crença. Mais uma lenda.

Seja como for, esses episódios revelam importantes traços da personalidade de Bona Medeiros. Foi vitorioso numa época em que esse tipo de postura ainda cabia. Hoje, certamente seria um derrotado. Condenado. Uma exceção dentro da trágica regra do toma lá dá cá.

E essa regra que revela a personalidade de Bona Medeiros também revela um tanto da tragédia nacional, a da esperteza como norma padrão. Seria bom ter alguns tantos de exceções a considerar o compromisso da representação popular como uma dívida com o público. E a coisa público como algo que é só e somente só isso: coisa pública.

 

Trajetória de Bona Medeiros

Bona foi eleito deputado pela primeira vez em 1962. Não vinha do nada. O pai, um abastado comerciante, fora prefeito de União. O sogro, uma das estrelas da Justiça piauiense. Com o golpe de 1964, ficou como quase todo mundo na Arena. Mas lá esboçou gestos inesperados. Por exemplo: no final dos anos 60, quando a ditadura fustigava o primo Antônio José Medeiros, tirou a poeira do diploma de advogado e arvorou-se de defensor do esquerdista.

Foi deputado estadual mais quatro vezes antes de torna-se vice-governador, na chapa de Hugo Napoleão, em 1982. Antes, já havia por duas vezes ocupado a prefeitura de Teresina, com obras importantes de infraestrutura, descobrindo os rios como uma extensão da cidade.

Quando Hugo se desincompatibilizou para disputar o Senado, em 1986, tornou-se governador. Depois, voltaria à Assembleia Legislativa novamente, antes de entregar a cadeira de deputado estadual ao filho Gustavo – nisso ele não foi exceção –, o mesmo que se tornaria prefeito de União duas vezes.

Ah, Bona também quis ser prefeito de União. Tentou em 2000. Perdeu. Não realizou o sonho alcançado pelo pai e o filho. E isso não é lenda.

Heráclito quer Piauí em campanha por Transnordestina

Deputado Heráclito Fortes: empenho pela Transnordestina, que considera a obra mais importante para o Piauí

 

O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) está se empenhando numa campanha pela conclusão da ferrovia Transnordestina. Para Heráclito, essa é a obra mais importante para o estado, porque capaz de produzir uma inflexão no desenvolvimento econômico e social do Piauí.

O parlamentar diz que está sensibilizando o presidente Michel Temer para que faça uma visita à obra, que é crucial para o Piauí tanto pela exploração mineral quanto para a expansão do agronegócios. “Com a Transnordestina, vamos ter como escoar produção, tanto de minerais como de grãos e produtos agroindustriais”, diz observando que muitos investidores internacionais estão de olho no Piauí, mas esperança a conclusão da ferrovia.

Nesse sentido, Heráclito conclama os piauienses a cobrarem prioridade na conclusão da Transnordestina. “Eu faço esse chamamento pela união dos piauienses em torno desse projeto. Vamos usar nossas redes sociais com esse objetivo de mobilização”, ressalta. “É a obra mais importante para a estratégia de desenvolvimento do Piauí”, diz.

 

Política em nível muito baixo

Heráclito Fortes também fala sobre a crise política vivida pelo país. Ele lamenta a baixa qualidade da representação popular. Para ele, um número significativo de parlamentares do Congresso está mais preocupado com o orçamento que com a política. Ou seja: a atenção é para o destino dos recursos públicos, que nem sempre vão para o público e sim para as empreiteiras.

Ele lamenta esse quadro de crise, observando que é uma realidade de praticamente todo o Brasil. Além de resultar numa prática política longe da ideal – diz o deputado piauiense –, isso reforça o desencanto da população com a política.

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