Cidadeverde.com

"Há espaço para reduzir secretarias e coordenações", diz Ciro


Senador Ciro Nogueira, do PP: contrário ao aumento de imposto proposto pelo seu aliado Wellington Dias, do PT

 

Era para ser um aumento de imposto que deveria ter o roteiro de sempre: apresentado à Assembleia Legislativa, seria aprovado pela ampla maioria governista. Mas a proposta do governador Wellington Dias (PT) com aumento do imposto para combustíveis, telefonia e fumo causou reação inclusive na base governista, com a surpreendente decisão do PP de votar contra a matéria.

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, disse que a decisão dos deputados estaduais contrária ao imposto tem o apoio do partido, que não vê sentido pedir que a população pague mais essa conta. Segundo Ciro, o governo precisa, antes de aumentar imposto, dar demonstrações de que está reduzindo o custo da administração pública, com enxugamento da máquina.

“Há espaço para reduzir secretarias, coordenações e cargos comissionados”, afirmou Ciro Nogueira em entrevista veiculada hoje cedo no Acorda Piauí, da Rádio Cidade Verde. O senador disse reconhecer certas dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado, mas ressaltou que a opção pelo aumento de imposto “não é o momento correto nem a direção certa”.

 

Aliança com Wellington e candidato de Centro

O senador Ciro Nogueira também falou sobre as implicações políticas da decisão do PP de votar contra uma proposta considerada importantíssima pelo governador Wellington Dias. Segundo ele, essa decisão não deve ter efeito sobre a aliança do PP com o governador. Argumenta que a aliança com o PT não é de agora: “Ela vem desde 2014 e está consolidada”, disse.

Ciro comentou ainda as pesquisas nacionais que mostram a liderança de Lula e Jair Bolsonaro, apontando para um confronto entre extremos. Para ele, a pesquisa traduz um quadro ainda muito distante da campanha real e que muita coisa vai mudar. Disse ainda que acredita que surgirá um candidato mais ao Centro capaz de encantar o eleitorado. Perguntado se esse candidato poderia ser Geraldo Alckmin (PSDB), ele disse que pode sim. E elogiou Alckmin pela experiência.

Para ouvir a entrevista completa do senador Ciro Nogueira, acesse o arquivo abaixo.

 

Rodrigo Martins pode ir para novo partido de Rodrigo Maia


Rodrigo Martins: de saída do PSB, destino do deputado piauinse pode ser novo partido articulado por Maia
 

Quando decidiu tomar conta do PSB no Piauí, em meados da década passada, o então deputado Wilson Martins decidiu buscar fortes lideranças. E uma delas foi a do deputado Wilson Brandão. O convite – em seguida aceito – gerou uma piada por parte do jornalista Zózimo Tavares: o PSB passava a contar em seus quadros no Piauí com o Wilsão e o Wilsinho.

A piada pode se repetir agora, mas em nível nacional. E não mais indicando ingresso no PSB, mas saída. É que o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara e mandachuva do DEM, está convidando para o partido que trocará de nome um outro Rodrigo, no caso o Martins, deputado federal do Piauí. É Rodrigo ao quadrado.

Rodrigo Martins é do PSB, onde está sem nenhum conforto, em confronto direto com a direção nacional do partido. Com um presidente que mais separa que junta os partidários, o PSB não se entende e deve perder metade da bancada na Câmara. Daí, tem poucas chances de permanecer com Rodrigo Martins. Resta saber qual a chance do deputado piauiense desembarcar na sigla que Maia tenta modificar e turbinar.

Rodrigo Martins conta com alguns convites, como o da Rede Sustentabilidade. Mas deve fazer um cálculo de viabilidade política, incluindo a possibilidade de empunhar um discurso situado na oposição ao governador Wellington Dias. Nesse aspecto, se o DEM não mudar de nome, tem poucas chances de assinar a ficha de filiação no time de Rodrigo Maia.

Mas a mudança já está praticamente certa, como adiantado aqui na coluna. O velho PFL deverá passar a se chamar Centro Democrático. E quer ser relevante na maior parte dos estados. Por isso mesmo Maia está se mexendo, atraindo lideranças que somem política e eleitoralmente. O Piauí é um dos seus objetivos.

 

No Piauí, ‘PSB’ pode seguir junto como Centro

Não é só Rodrigo Martins que está sob a mira de Rodrigo Maia como reforço para o Centro Democrático, partido que substituirá o DEM.  Heráclito Fortes, outro em confronto com a direção do PSB, já faz parte do grupo que articula com Maia a formação da nova sigla. E também Átila Lira, outro descontente do PSB, tem convite do presidente da Câmara.

A ida de Heráclito é praticamente certa. A de Átila é uma possibilidade bastante alta. O ex-secretário de Educação já esteve muito próximo do PSDB. Essa possibilidade perdeu força. Também foi convidado por Ciro Nogueira para ingressar no PP – o que só será possível de Ciro deixar de ser aliado de Wellington Dias.

Tudo isso aumenta a chance do convite de Rodrigo Maia ser aceito por Átila. E como é bastante razoável a chance de Rodrigo Martins seguir para o Centro Democrático, os três deputados que hoje estão no PSB seguiriam juntos nas próximas eleições, mas na nova sigla.

Uma questão fica por definir: qual seria o destino de Wilson Martins. Hoje ele preside o PSB no Piauí. Mas é muito pouco provável que fique só – ou que Rodrigo Martins, seu sobrinho, siga para outra sigla sem entendimento prévio com o ex-governador. De repente, ele também pode ir para o Centro.

Não há solução para o Brasil fora da Democracia, diz Osmar Jr


Osmar Jr, do PCdoB: preocupado com os extremismos que no Brasil buscam soluções fora da Democracia

 

O clima extremado na política brasileira está preocupando o presidente estadual do PCdoB, ex-deputado Osmar Júnior. Ele alerta para o surgimento de nomes que se colocam como alternativa política a partir da defesa da força e de procedimento antidemocráticos. “A solução para o Brasil não pode estar fora do marco da Democracia”, diz Osmar.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, Osmar Jr advertiu que esse tipo de saída tem exemplos bem conhecidos no cenário internacional, apontando Hitler como o principal. Lembra que Hitler chegou ao poder na Alemanha com uma pauta de uso da “violência contra a violência” e, de certa forma, contra a política. O mesmo ocorreu recentemente com Donald Trump, na eleição dos Estados Unidos.

Sem citar nomes na realidade brasileira de hoje, o presidente do PCdoB deixou claro que se referia ao crescimento de alternativas como Jair Bolsonaro (PEN), que já aparece como segundo colocado nas pesquisas que sondam as intenções de voto para a Presidência da República. A manifestação de Osmar Jr na Cidade Verde gerou reação de ouvintes que se diziam seguidores de Bolsonaro, questionando inclusive o compromisso do comunismo com a Democracia.

Osmar reconheceu que a dificuldade de relação do comunismo com a Democracia foi um dos pontos que impediu a expansão desses regimes. Também disse que o PCdoB já fez esse tipo de revisão, defendendo a Democracia. Criticou o modelo capitalista, que se preocupa em concentrar riquezas sem uma visão social distributiva.

Sobre o momento político brasileiro, avaliou que está terminando um ciclo iniciado com o fim da ditadura. Esse período de três décadas foi marcado pelo financiamento da política a partir das empresas, modelo que vê como esgotado e questionado em todo o mundo. Nesse sentido, defende o financiamento público como caminho necessário. Diz ainda que o combate ao caixa 2 e outros desvios da política deve ter a participação decisiva da cidadania.

 

Osmar Jr candidato a deputado federal

Na entrevista ao Acorda Piauí, Osmar Jr falou das diretrizes do PCdoB para 2018. O partido realizou a Conferência Estadual no sábado e uma das decisões mais importantes foi a de resgatar a aliança com o PT, sigla com a qual mantém atuação conjunta no Piauí desde 1982. Essa aliança, que inclui o PMDB, deve ser resgatada em 2018 – avalia o presidente do PCdoB.

O partido também decidiu as estratégias para as eleições proporcionais do próximo ano. A idéia é que o PCdoB apresente candidaturas à Câmara Federal e à Assembleia Legisdlativa. O nome de Osmar Jr já foi lançado a uma vaga na Câmara, onde já esteve por duas legislaturas.

Para ouvir a íntegra da entrevista do presidente do PCdoB, ex-deputado Osmar Jr, acesse o arquivo abaixo.

 

PSB do Piauí pode virar estrela de segunda grandeza


Wilson Marins com Átila, Rodrigo e Heráclito: todos ainda no PSB, mas com perspectivas de mudança de partido até março de 2018

 

Nas eleições de 2008 a 2014, o PSB mostrou força no Piauí e no Brasil por razões muitos particulares. No Piauí, na perspectiva de poder imediata ancorada no comando do vice-governador (e depois governador) Wilson Martins. No cenário nacional, pela perspectiva futura que oferecia a liderança de Eduardo Campos. O cenário mudou completamente e agora uma luta fratricida promete empurrar o PSB para discreta coadjuvância.

O Piauí é bem tradutor dos problemas nacionais do PSB. Olhando hoje, o partido é no Piauí uma fortaleza, como uma das três siglas com mais prefeitos, uma das três com mais deputados estaduais e a legenda que mais elegeu deputados federais. Três dos dez: Átila Lira, Rodrigo Martins e Heráclito Fortes. Um exemplo comparativo: o todo poderoso PMDB elegeu só um, Marcelo Castro.

Além da perspectiva oferecida pela liderança de Eduardo Campos – que contribuiu para Heráclito desembarcar no partido ainda em 2013 –, o trabalho de Wilson Martins foi enorme. Chegou a eleger, em 2012, mais de 50 prefeitos. E, apesar da derrota pessoal, desaguou na eleição dos três deputados federais, o que torna a bancada do PSB piauiense a segunda maior do país, atrás apenas de Pernambuco, a terra de Campos.

Pois essa bancada pode desaparecer, cair de três para zero. Heráclito já está certo que sai do PSB. Átila também. E Rodrigo não esconde as divergências com a direção nacional do partido, comandado por Carlos Siqueira, que na época de Eduardo Campos era um faz-tudo, um burocrata que fazia o partido andar. Daí a ser presidente é outra coisa. E, no dizer de Átila, quer levar o PSB para um esquerdismo retrógrado, mais afeito à centenária revolução russa que aos tempos atuais.

Por conta disso, o partido se desminlíngua. Há uma forte disputa interna, uma guerra fratricida que pode vitimar a ambos os lados. O lado que está segurando o cabo da faca é o liderado por Siqueira e deseja o partido atrelado ao PT. O outro lado é liderado por Márcio França, vice-governador de São Paulo e que não se alia ao PT. É possível que Carlos Siqueira vença essa, até porque os fustigados por ele já estão buscando novos pousos.
 

Debandada geral até em Pernambuco

O desdobramento da disputa interna no PSB deve levar à debandada geral do partido. E a debandada começou precisamente pelo estado onde a sigla se mostrava mais forte, Pernambuco, com a saída do senador Fernando Bezerra e do deputado (e ministro) Fernando Bezerra Filho.

Em Pernambuco, o irmão de Eduardo Campos já abandonou a sigla. E há quem especule que até a mãe de Eduardo, a ministra do TCU Ana Arraes, pode se aposentar da Corte e voltar à vida política. Também em uma outra sigla – talvez Podemos. Por enquato é só especulação, sobre a qual Ana não se manifesta, até porque não pode se manifestar sobre questões partidárias.

Aqui no Piauí? Bom, aqui Wilson Martins tem o PSB sob controle, com um bom número de aliados. Mas não ficará sozinho, muito menos em uma sigla que pode seguir rumos diversos do que deseja. Os desdobramentos nacionais que tendem a tirar também Rodrigo Martins da sigla podem levar a energia de Wilson para um novo partido.

Fórum cria oportunidade para Piauí desenhar o futuro


Economista Raul Veloso: visão integrada de desenvolvimento que vai refletir sobre os caminhos para o Piauí em um contexto global

 

Se o Brasil sempre foi descrito como “O País do futuro”, por muito tempo nós mesmos teimamos em enxergar o Piauí como “o estado sem futuro”. A miopia dos que ainda teimam em pensar assim deve sofrer um duro golpe nesta segunda-feira, quando acontece um evento que tende a reafirmar o Piauí como um estado não apenas de um grande futuro, mas de um presente de grandes possibilidades. Um evento que cria a oportunidade para o Piauí desenhar consistentemente o caminho que deseja trilhar.

O evento é o Fórum Piauí Brasil, que traz um subtítulo instigante e preciso: Crise e Oportunidade para o desenvolvimento. O Fórum, realização da Revista Cidade Verde, acontece durante toda a tarde desta segunda-feira, dia 30 de outubro, no auditório da Federação das Indústrias do Piauí, a FIEPI. E não será um espaço para discussões genéricas. Não. Porque lá estarão nomes de referência sobre planejamento público e desenvolvimento econômico do Brasil. E que fazem um link direto com nossa realidade.

O primeiro grande mérito do evento será o de olhar o Piauí não como um caso à parte, mas como um estado que pode conquistar um lugar diferenciado na medida em que souber se aproveitar das oportunidades que o Brasil e o mundo – integrados, globalizados – oferecem. Quem ficará responsável pela introdução desse tema fundamental será ninguém mais ninguém menos que Raul Veloso, um piauiense há muito radicado no Rio e considerado o maior especialista do país em planejamento público, sempre com uma visão estratégica integrada.

O tema da palestra de Veloso, que abre o Fórum às 14h30, é  “O problema macroeconômico brasileiro e a capacidade do Piauí de se enquadrar nesse contexto”. Na sequência, será a vez de André Pessoa, um dos mais importantes conhecedores do impacto do agronegócios nas relações socioeconômicas de hoje. Em uma palestra-debate que começa às 16h, Pessoa discorrerá sobre “Inserção econômica do Piauí – uma visão do agronegócios”.  A discussão se completa com um olhar sobre a relação da gestão pública com o setor privado, a cargo de Cláudio Porto, outra referência nacional. A partir das 17h30, Porto falará sobre “Desafios da gestão pública e dos agentes privados na evolução do Piauí”.

O encontro é aberto aos interessados, tais como empresários, políticos, acadêmicos, pesquisadores, estudantes e sindicalistas. As inscrições são gratuitas, feitas pela internet. Para se inscrever, clique aqui.

Confira abaixo a programação do Fórum Piauí Brasil.

DEM vai mudar de nome e será Centro Democrático

Deputado Rodrigo Maia: repaginando o DEM, incluindo a mudança de nome para Centro Democrático

 

O esforço que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), está fazendo para a criação de uma forte sigla de Centro ou Centro-direita, está exigindo uma providência extra para atração de aliados: a mudança de nome da sigla, como se fosse a criação de um novo partido. O velho DEM carrega um estigma como herdeiro direto do PFL. E muitos convidados – inclusive no Piauí – rejeitam a mudança se o nome persistir.

Como não é um caso isolado, Rodrigo Maia decidiu fazer uma pesquisa. Deu nomes tipo Mudança ou simplesmente Mude. Ninguém gostou, ainda mais dentro de uma perspectiva de poder – natural em qualquer partido – que levaria ao grupo eventualmente entronizado no governo pedir Mudança ou Mude. Seria estranho. E nem soa bem.

A partir das pesquisas realizadas pelo partido, chegou-se a pensar em Frente Democrática. Também foi descartada. O termo Frente remete à origem do PFL – a Frente Libera liberal que apoiou Tancredo em 1984 e que, no ano seguinte, organizou-se como Partido da Frente Liberal. Além disso, a simplificação FD gera cacófatos. Dois, ambos catastróficos.

Rodrigo tem se fixado na palavra Centro como norteadora das diretrizes da futura sigla. Quer que seja identificada como uma espécie de equilíbrio entre os extremos. Daí, é provável que a palavra Centro esteja no nome do “novo” partido. E a preferência recai sobre Centro Democrático. Esse tende a ser o nome novo do partido.

A avaliação de Rodrigo Maia e seus aliados mais próximos é que o Brasil chegou onde chegou por radicalizações e impossibilidade de diálogo. Nessa avaliação, uma força ideologicamente no centro teria o estratégico (e difícil) papel de costurar consensos.

Nessa tarefa, Rodrigo Maia está de olho em parlamentares piauienses. O primeiro deles é Heráclito Fortes (PSB), desde cedo integrado ao núcleo das discussões sobre esse partido liderado pelo presidente da Câmara.

VEJA O QUE A COLUNA JÁ DEU SOBRE ESSE TEMA:
Heráclito integra grupo que articula novo partido de centro.
Rodrigo Maia tenta movimento ‘nem lulista nem antilulista’.

Governo já prepara relatório alternativo sobre imposto


Cícero Magalhães: peparando relatório alternativo ao de Rubem Martins sobre proposta que aumenta impostos

 

A próxima quarta-feira guarda novas emoções na Assembleia Legislativa, quando a Comissão de Finanças deve votar a proposta do governador Wellington Dias (PT) que aumenta impostos (gasolina, telefonia e fumo). Se a votação realmente acontecer, deve haver disputa (e troca) de relatórios, já que os governistas preparam um texto alternativo ao do deputado Rubem Martins (PSB).

Rubem sabe da força do governo na Comissão – aliás, em todas as comissões. E sabe também que só é o relator da polêmica matéria porque o presidente do colegiado técnico estava viajando e coube ao vice, o oposicionista Luciano Nunes (PSDB), fazer a escolha. Indiferente a essa óbvia desvantagem, o deputado do PSB segue fazendo seu relatório.

Na próxima e decisiva reunião, os trabalhos da Comissão de Finanças já devem estar outra vez sob o comando de Severo Eulálio (PMDB), o presidente efetivo, que não vai criar problemas para o governo, muito pelo contrário. Severo tem poder de destituir o relator escolhido por Luciano, indicando um outro. É provável que não faça. O mais provável é que deixe o curso seguir, levando o relatório a votação e vendo a comissão derrotar o texto tranquilamente. Nesse caso seria votado um texto alternativo.

Um texto alternativo dos governistas já estaria praticamente pronto. Ele deve ser apresentado pelo deputado Cícero Magalhães (PT), repetindo os termos da mensagem original, conforme o interesse do governador Wellington Dias.

 

Números e recursos protelatórios

Quem viu o deputado Rubem Martins nos últimos dias, viu um homem debruçado sobre o texto do relatório que deseja apresentar. E viu ainda que o parlamentar de oposição está querendo fazer um texto de forte embasamento técnico. Rubem está recheando as páginas de informações sobre as contas do Estado. Haja números e leis.

Mas deputados de oposição mais afeitos às palavras que aos números levaram uma curiosa sugestão ao relator: que busque mais números. Que peça mais informações. Que sufoque o governo com os próprios dados que o governo costuma apresentar. E que mostre a falta de providências do Executivo no sentido de controlar os próprios gastos, relacionando-os com os rombos que agora geram o pedido de aumento de imposto.

Ao contrário do que parece, não há nenhuma repetina paixão pelos números. A sugestão é mesmo uma ação política, longe dos argumentos técnicos. E tem mais o objetivo de obstruir os trabalhos, evitando na prática que a matéria seja votada na quarta-feira. Ao pedir tantos dados, vai esperando, esperando e esperando. 

É velha história: a matéria, em caráter de urgência, tem prazo. E quem tem prazo não tem pressa.

Átila confirma saída do PSB: ‘São uns atrasados’


Deputado Átila Lira, em rota de colisão com a direção nacional do PSB: "São uns atrasados"

 

O deputado Átila Lira está, sim, aprontando as malas para deixar o PSB. As divergências com a direção nacional do partido são profundas, conforme deixou evidente em entrevista, hoje, ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde. “São uns atrasados”, diz Átila, que trabalha com pelo menos três alternativas para futura filiação.

Segundo o parlamentar, a direção nacional do PSB tem um esquerdismo antigo. “A revolução Russa já fez 100 anos”, ironiza. E é taxativo: “Não há condição de ficar no PSB”. Ainda assim, revela que está mantendo diálogo com a direção nacional do PSB.

As divergências com o comando nacional do Partido Socialista ficaram mais explícitas na discussão de alguns temas importantes no Congresso, como a reforma trabalhista e a denúncia contra o presidente Michel Temer. A direção do PSB decidiu fechar questão e orientar a votação contra a reforma e também a favor da denúncia oferecida pela PGR contra o presidente da República. Átila votou em desacordo com a direção partidária.

As divergências geradas pela direção do PSB não param aí. O deputado Heráclito Fortes também discrepou da orientação, votando contra a denúncia. O deputado Rodrigo Martins votou pelo prosseguimento da denúncia, mas também mantém profundas divergências com a direção do PSB.

Essas divergências alcançam outras bancadas, como a de São Paulo e mesmo a de Pernambuco – onde estaria o suporte principal ao comando socialista. No caso de Pernambuco, o senador Fernando Bezerra e o deputado Fernando Bezerra Filho já decidiram trocar de siglas, passando para o PMDB.
 

Os possíveis destinos de Átila

Se a saída do PSB é certa, o destino partidário de Átila Lira ainda é uma possibilidade,. Ele trabalha com pelo menos três alternativas: PSDB, DEM e PP. No caso do PSDB, as conversações estão sendo mantidas desde o início do ano, especialmente depois que integrantes do grupo de Firmino Filho – entre eles a primeira-dama Lucy Silveira – se filiaram ao PP de Ciro Nogueira.

Quanto ao DEM, essa possibilidade cresce diante da articulação de um grupo no campo de centro-direita, orbitando em torno do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Essa opção deve implicar na reunião, outra vez, de Átila Lira e Heráclito Fortes no mesmo partido: também em rota de colisão com a direção do PSB, Heráclito deve mudar de sigla, e o destino deve ser mesmo o DEM.

No caso do PP, já há convite de Ciro Nogueira. Mas a mudança para a sigla presidida por Ciro traz um elemento estranho: Átila tem feito um discurso de forte crítica ao governo de Wellington Dias e ao PT. E Ciro é possivelmente o principal aliado de Wellington no Piauí. A mudança de Átila para o PP teria sentido somente se os progressistas fossem para a oposição ao governo estadual.

Relatório da oposição exclui aumento de imposto e mantem Refis


Deputado Rubem Martins: relatório vai excluir aumento de alíquota de imposto proposto pelo governador Wellington Dias

 

Se depender da oposição, o governo do Estado vai ter que buscar alternativas para rechear o caixa no próximo ano. Isto porque o relatório a ser apresentado pelo deputado Rubem Martins (PSB) sobre a proposta de aumento de imposto encaminhada pelo governador Wellington Dias (PT) exclui os aumentos de alíquotas e mantém o Refis – que concede descontos para os devedores que renegociarem as dívidas com o Estado.

A proposta original do governo estabeleceu aumento nas alíquotas de impostos para energia, combustíveis, comunicação (telefonia) e fumo. Também incluiu um programa de refinanciamento de dívidas, o Refis. Depois de muita polêmica, na quarta-feira a matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, e seguiu para a Comissão de Finanças.

Como na CCJ, o governo tem maioria na Comissão de Finanças. Mas o presidente do colegiado técnico, deputado Severo Eulálio PMDB), está de viagem e o seu substituto, o deputado oposicionista Luciano Nunes (PSDB) indicou relator o outro oposicionista da comissão, o deputado Rubem Martins. O parlamentar do PSB vai apresentar seu relatório na sessão da próxima quarta-feira, com importantes alterações no texto original.

Rubem diz que o aumento de imposto em produtos como combustíveis e energia são inegociáveis. No caso da energia, o próprio governo já havia retirado, diante da pressão do setor empresarial. O relator pode fazer outras modificações no que diz respeito ao Refis, ampliando o alcance da proposta.

Nos bastidores da Assembleia, Rubem afirma que será categórico nessas mudanças por entender que o povo não agüenta mais pagar a conta de uma gestão que não dá nenhuma demonstração de controle de gastos. Ainda assim, diz que está aberto a discussões com os governistas.

A votação da próxima quarta-feira na Comissão de Finanças promete ser outro capítulo da polêmica, com tensão semelhante à verificada na CCJ. Os governistas também se armam para fazer valer o conteúdo da proposta original do governo.

Estado não sabe o que é gestão e gasta mal, diz André Baía


André Baía: Estado precisa ter noções de gestão e planejamento para aplicar melhor recursos públicos


O setor empresarial anda alarmado com as condições do setor público no Brasil, cuja crise particular implica em problemas muitos sérios para os demais setores, como o empresariado. Quem assim avalia é o presidente do Sindicato das Empresas de Construção Civil do Piauí (Sinduscon), André Baía.

Para ele, o diagnóstico é claro: “O grande problema do setor público é o problema de gestão”, diz o empresário que hoje cedo concedeu entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde. No entendimento de Baía, o setor estatal no Brasil não faz planejamento nem se preocupa em manter as contas em ordem.

O presidente do Sinduscon faz essas críticas a propósito da tramitação, na Assembleia Legislativa, de projeto do Governo do Estado do Piauí que propôs aumento de impostos nas áreas de combustíveis, comunicação (telefonia) e energia.  Para ele, não tem sentido esse tipo de aumento na medida em que o poder público não se organiza gerencialmente.

Diante do debate em torno da proposta do governo de aumentar impostos, André Baía diz que foi pesquisar para saber quais os estados têm a melhor situação fiscal. “É o Ceará”, diz ele, lembrando que isso se tornou possível quando Tasso Jereissati se tornou governador em 1987 e levou para o setor público uma noção de gestão.

Na outra ponta da lista está o Rio der Janeiro, o estado menos eficiente em termos fiscais – isto é, de equilíbrio das contas. “E não é um problema de receita”, adverte o empresário, lembrando que o Rio arrecadou muito dinheiro com a exploração do petróleo, mas não foi capaz de administrar adequadamente as receitas.

Trazendo essa discussão para a realidade do Piauí, André Baía rejeita a idéia de aumento de imposto por entende que sacrifica as empresas em particular e os consumidores em geral. Lembra que o Estado vem conseguindo crescimento na arrecadação própria, o que torna menos lógico o aumento proposto.

Para se posicionar contra a proposta, o empresariado tem se mobilizado para pressionar os deputados. Entende que nunca houve uma mobilização tão ampla no setor empresarial como neste caso. Mas acha que é preciso que toda a sociedade se envolva. Sem isso, diz ele, a proposta será aprovada como o governo deseja.

Para ouvir a entrevista completa do empresário André Baía, acesse o arquivo abaixo.

 

Posts anteriores