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Com nome de obra pornô, livro de Janot fracassa

Era para ser uma bomba. Virou um traque, se tanto. O lançamento do livro Nada Menos que Tudo (Editora Planeta) do ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, se transformou em um enorme fracasso. O insucesso é um somatório: há um toque de oportunismo, conteúdo irrelevante, estratégia equivocada e até a infeliz coincidência no título, o mesmo de uma obra pornô lançada em Portugal.

Para começo, o título está longe de traduzir a obra. Isso de “nada menos que tudo” tem muito pouco a ver com o conteúdo, que oferece pouco mais que nada. Não há revelações significativas, nem mesmo a história da ideia de matar o ministro Gilmar Mendes: a declaração pareceu uma estratégia para chamar atenção para a obra, mas acabou desqualificando o próprio autor e seu livro.

O resultado final é a ausência de público nos lançamentos que vem fazendo, como os que ocorreram esta semana em São Paulo e Brasília. As vendas são um fiasco. Basta conferir na Amazon: lá, a obra de Janot é apenas o 199º livro mais vendido. No segmento de política e Ciências Sociais, está na 14ª posição – e fica em 9º quando a lista se refere unicamente à política. Ou seja: muito longe de ser um sucesso.

Com pouco mais de 200 páginas, o livro tem preço de referência um pouco acima do padrão: R$ 50,96 para a versão física de capa comum e R$ 35,91, para a versão digital. Pelos registros das vendas, nenhuma das duas versões vem empolgando. Até porque vazou uma versão digital, larga e informalmente distribuída (e pouco lida) Brasil afora.
 

Obra pornô: 'desperta o desejo'

A infelicidade do livro de Rodrigo Janot não se limita a um conteúdo pouco relevante, por não acrescentar quase nada ao que já se conhece. Também escorrega no título, o mesmo de uma obra pornô lançada em 2017 pela editora portuguesa Manuscrito. O Nada menos que tudo português é assinado por Afonso Noite-Luar, que é apresentado como “o autor que desperta o desejo das mulheres portuguesas” e promete “uma mistura de sensações, muito amor e muito sexo”.

Ao apresentar sua obra pornô, Afonso vai além, falando diretamente às mulheres: “Estes textos, que escrevi especialmente para ti, vão fazer-te sonhar, despertar essa tua vontade e curiosidade adormecida pela rotina, libertar o teu atrevimento natural e fazer-te desejar nada menos que tudo. No meu universo não há vergonhas, receios, tabus ou lugares proibidos, mas principalmente não há arrependimentos”.

Resta saber se a obra de Janot, em relação ao trabalho do autor português, é só coincidência.

Reforma administrativa quer tirar vantagens de servidores

Já está no forno, quase pronta para sair ao debate, a proposta de reforma administrativa prometida pelo governo federal. É uma das grandes reformas, que se junta à da Previdência, a Tributária e, também, à reforma política. A mudança nas regras do sistema político, no entanto, deve ficar mesmo por conta do Congresso. As demais são prioridade para o Executivo, já que a área econômica considera fundamentais para o equilíbrio das contas.

Ontem, o governo federal deu a conhecer os primeiros detalhes de um diagnóstico a respeito da máquina administrativa da União. Dois pontos logo destacados dizem respeito diretamente ao servidor, um entrelaçado ao outro. O primeiro se refere ao salário do funcionalismo: os dados apontam que, entre 2003 e 2018, os servidores tiveram um ganho real (descontada a inflação) de 53% nos salários. O outro ponto: o diagnóstico diz que há privilégios demais para o funcionalismo, sem a contrapartida na qualidade dos serviços. Privilégio turbinando salário, segundo o governo.

Daí fica claro: a reforma vai focar diretamente os servidores. Nesse caso, a proposta que está tendo a assinatura pelo Ministério da Economia quer cortar as vantagens – que os técnicos preferem chamar de privilégios. Isso inclui base salarial, possibilidade de contratação via CLT, revisão da estabilidade, licenças e gratificações. Ah, é pro futuro? Pode ser. Mas as ideias são essas.

O diagnóstico faz comparativos para evidenciar os privilégios: na iniciativa privada o salário médio mensal é de R$ 1,96 mil, enquanto o servidor da União recebe por mês, em média, R$ 11,84 mil. Do que saiu até agora, não está claro se o diagnóstico aponta as discrepâncias existente dentro do próprio funcionalismo, crucial para a elevação dessa média: alguns segmentos recebem a cada mês pelo menos quatro meses essa média salarial apontada.

Seja como for, a proposta deve gerar tempestades. A reforma da Previdência mostrou a força dos lobbies. E os servidores públicos federais têm um dos lobbies mais poderosos, com capacidade de pressão diretamente sobre os parlamentares. Também podem promover movimentos de paralisação com forte impacto sobre o funcionamento da máquina estatal.
 

STF desobriga Estado de reajuste anual

Uma questão relacionada aos salários já foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal: conforme a decisão do final de setembro, a União e os estados ficam desobrigados de conceder reajuste anual aos servidores, desde que justifiquem. O resultado da votação no STF agradou o governo federal. E agradou mais ainda a um punhado de estados que vinham buscando esse amparo legal para respaldar a ausência de reajustes.

Se a decisão fosse pela obrigatoriedade, muitos estados teriam quer conceder reajustes retroativos, o que colocaria as contas públicas em um vermelho berrante. Aqui mesmo no Piauí o governo do Estado vem evitando dar aumento por conta das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo há muito rompeu o limite prudencial da LRF, o que impõe suspender reajustes. Portanto, ao que parece, justificativa não falta para esquivar-se das cobranças do servidor por aumento nos salários.

Conheça o piauiense que enfrentou o Império e a Igreja, e foi punido até morto

Estreou hoje o Podcast Cidade Verde. E a lista inclui o Persona, um podcast que traz personalidades que marcaram a vida do Piauí. No episódio de estréia do Persona, a história de um piauiense que inovou no jornalismo e ousou nas posições políticas. Destemido, enfrentou o Império a ponto de ser chamado de “o profeta da República”. Embora católico, tinha posições avançadas que não combinavam com o clero conservador da época. Nesse confrontou, pagou caro em vida e também depois de morto: a igreja não permitiu sequer que fosse enterrado dentro do cemitério.

Conheça a história de David Moreira Caldas.
#01 Persona - David Caldas

Política, cultura e esporte ganham espaço no Podcast Cidade Verde

O Grupo Cidade Verde, sempre atento aos novos rumos da comunicação e das exigências da audiência, parte na frente mais uma vez e lança nesta segunda-feira os seus Podcasts. São diversos podcasts, para públicos distintos e com enfoque absolutamente próprio. A ideia central é muito simples: estandartizar a atenção ao público, levando um enfoque particular para temas específicos, atendendo à demanda de cada segmento.

Os Podcasts Cidade Verde estão em sintonia com os novos tempos, marcados por uma cidadania cada mais exigente e que cobra um tratamento diferenciado. Essa realidade também coloca em alerta os grupos de mídia. No caso do Grupo Cidade, o lançamento de hoje traz um conjunto de seis podcasts. Cada um com um tema específico. E todos com o cuidado de atender objetivamente cada segmento de audiência.

Vale lembrar, os podcasts podem ser acessados através do portal Cidadeverde.com, bem como por diversas plataformas – como Spotify, por exemplo. Diferente de um programa de rádio, ele pode ser ouvido a qualquer momento, sem limitação de horário ou frequência. Também pode ser ouvido em casa, no trabalho, no trânsito ou na academia.
 

Confira o que cada um tem pra você

Três Poderes: Joelson Giordani, Elivaldo Barbosa e Fenelon Rocha, com a participação de Délio Rocha, analisam o que acontece de mais importante no mundo da política.
Persona: com Fenelon Rocha, esse podcast traz, a cada semana, um personagem que marcou época na história do Piauí, enfocando aspectos marcantes e curiosos.
Além do Fato: sob a batuta de Nadja Rodrigues, oferece um olhar diverso e único sobre os fatos em destaque.
Em Revista: Cláudia Brandão traz a opinião de pessoas que fazem o mundo girar de uma outra maneira.
Cena Cultural: Débora Radassi mostra as pessoas que fazem a tendência do mundo cultural piauiense.
• Espírito Esportivo: Com Pablo Cavalcante e Joelson Giordani, analisa os fatos esportivos muito além das quatro linhas.

Paciente morre após 11 anos de espera por decisão do STF

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu parabéns na semana que passou. Uns parabéns lançados nos autos, cheios de mágoa. Os “cumprimentos” foram da advogada de um caso que já se estendia por 20 anos – e que estava no Supremo há 11 - a maior parte do tempo (8 anos) nas mãos (ou na gaveta) da ministra Rosa. O triste nessa história não é o caso em si. O triste é que casos como esses estão espalhados pelo país, nos tribunais, nos legislativos, nos gabinetes dos executivos, traduzindo um país em que a burocracia em geral é mais importante que a objetividade.

Vamos ao caso específico. O aposentado gaúcho Celmar Lopes Falcão entrou na justiça em 1999 pedindo reajuste de 28,86% sobre seus benefícios. Ganhou na primeira instância, e na segunda. O INSS recorreu e recorreu até que o caso chegou ao STF, nas mãos de Ellen Gracie. Desde 2008 o caso esperava o julgamento pelo STF. Gracie se aposentou em agosto de 2011 e, em dezembro, o caso foi parar nas mãos de Rosa Weber. O ritmo de vida do aposentado não era o mesmo do STF, e oito anos depois (no último dia 16 de setembro) ele morreu, aos 80 anos.

O caso de Celmar é comum. Por que? Porque a burocracia se basta.

Mas não foi suficiente para controlar a mágoa da advogada de Celmar. Ela tomou o episódio para denunciar o descaso que se trasveste de morosidade e ritos burocráticos. Foi lá e tascou nos autos: “É com lástima que viemos aos autos juntar a cópia de atestado de óbito de Celmar Lopes Falcão, e dar-lhe os parabéns. Parabéns, Ministra, pela demora!”. E acrescentou: “Informamos também que as pompas fúnebres foram singelas, sem as lagostas e os vinhos finos que os nossos impostos suportam”.

Escreveu mais. “A sociedade está cansada de um Judiciário caríssimo e que, encastelado, desconsidera os que esperam pela ‘efetividade’ e pelo cumprimento das promessas constitucionais”. Poderia ter dito “um Judiciário, um Legislativo e um Executivo” que desconsideram a “efetividade” das promessas constitucionais.

O caso do aposentado Celmar pegou mal para o STF. É injusto pontuar, especificar: o caso Celmar revela o tamanho da injustiça brasileira, em todos os poderes.
 

O caso dos royalties espera 6 anos

O STF deve julgar no próximo mês a disputa sobre a redistribuição dos royalties do petróleo. Vem desde 2013. Mas o caso nunca andou de verdade, descansando em uma gaveta da ministra Carmen Lúcia. A redistribuição dos royalties foi decidida pelo Congresso, mudando a regra: os royalties não podem ser só para os estados e municípios produtores. Uma parcela tem que ser para todos, já que o subsolo (de onde vem o óleo) é um bem da União – portanto, de todos.

A então presidente Dilma Rousseff não entendeu assim. Vetou a lei. Mas o Congresso derrubou o veto e fez o texto prevalecer. Ocorre que o Rio de Janeiro – quem mais ganha com os royalties – recorreu. Carmen Lúcia deu liminar favorável e o caso ficou de ser julgado no pleno. Até hoje espera. Mais de seis longos anos sem solução. Simplesmente estacionado no STF, à espera da boa vontade dos senhores ministros. Parece que, enfim, o caso será desengavetado. Deve ser votado dia 20 de novembro.

As perdas desses seis anos? Ficam na conta do bispo. Ou dos ministros.

Legislação deve pulverizar candidaturas a prefeito, em 2020

As mudanças na legislação eleitoral para 2020 devem levar à pulverização de candidaturas em todo o Brasil. No caso das disputas pelas Câmaras Municipais – agora sem coligação proporcional –, todo partido que quiser disputar para valer terá que formar amplas chapas, onde o maior número de candidatos tende a implicar em maior soma de votos e, em consequência, maior número de vereadores eleitos. A própria estratégia de eleger mais vereadores deve fortalecer a tendência de lançar candidaturas à prefeitura. Somente em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte há 26 pré-candidatos a prefeito.

Teresina, que sempre teve alta ou altíssima concentração de votos em dois candidatos, pode ter no próximo ano uma situação nova. No cenário de hoje, vislumbra-se pelo menos três candidatos viáveis, dividindo votos: um representante do Palácio da Cidade, outro com o aval do Palácio de Karnak e o candidato do MDB, que tende a ser Dr. Pessoa. Tal perspectiva pode levar à inédita situação de três candidatos com mais de 20% dos votos válidos.


Confira como foram as 9 eleições em Teresina

Desde a redemocratização, Teresina teve 9 eleições municipais. Em quatro, houve altíssima concentração de votos. Em cinco, verificou-se alta concentração. Confira.

• Eleição 1985
Alta concentração. Eram 7 candidatos, mas dois somaram quase 90% dos votos válidos: Wall Ferraz, do PMDB (50,33%), e Átila Lira, do PFL (39%). A terceira colocação coube a Myriam Portela (PDS), com discretos 5,84%.
• Eleição 1988
Alta concentração. Com 5 candidatos na disputa, os dois primeiros somaram mais de 72% dos votos válidos: Heráclito Fortes (PMDB) teve 41,13%, seguido de Átila Lira (PFL), com 31,19%. Myrian Portella (PDS) foi terceira, com distantes 10,81% dos votos.
• Eleição 1992
Altíssima concentração. Eram 6 candidatos, mas Wall Ferraz (PSDB) abocanhou sozinho 63,61% dos votos. O segundo colocado, Alberto Silva (PMDB) teve apenas 13,77% dos votos válidos.
• Eleição 1996
Alta concentração. Eram 8 candidatos, mas dois concentraram perto de 80% dos votos válidos. No primeiro turno, Firmino Filho (PSDB) teve 39,76% dos votos, seguido de Alberto Silva (PMDB), com 37,66%. O terceiro, Nazareno Fonteles (PT), alcançou 18,69%.
• Eleição 2000
Altíssima concentração. Eram 5 candidatos, mas os dois primeiros concorentes somaram 93% dos votos válidos. Firmino Filho (PSDB) se reelegeu com 60,89% dos votos, seguido de Wellington Dias (PT), com 32,43%. O terceiro, Ciro Nogueira (PFL), não chegou a 4%.
• Eleição 2004
Alta concentração. Eram 9 candidatos, mas os dois primeiros somaram mais de 74% dos votos válidos. No primeiro turno, Silvio Mendes (PSDB) alcançou 48,89% dos votos, seguido de Adalgisa Moraes Souza (PMDB), com 25,70%. O terceiro foi Quem Quem (Prona), com 8,4%.
• Eleição 2008
Altíssima concentração, a maior de todas. Eram 6 candidatos, mas Silvio Mendes (PSDB) sozinho teve 70,36% dos votos válidos. Nazareno Fonteles (PT) teve 25,91%. Juntos somaram mais de 96% dos votos.
• Eleição 2012
Alta concentração. Eram 7 candidatos, mas os dois primeiros somaram mais de 70% dos votos válidos: Firmino Filho (PSDB) teve no primeiro turno 38,77% dos votos, seguido de Elmano Ferrer (PTB), com 33,14%. O terceiro, Wellington Dias (PT) alcançou 14,18%.
• Eleição 2016
Altíssima concentração. Eram 7 candidatos, mas os dois primeiros somaram mais de 90% dos votos. Firmino Filho (PSDB) teve 51,14% dos votos do primeiro turno, seguido de Dr. Pessoa (PSD), com 39,77%. O terceiro, Amadeu Campos (PTB) não chegou a 7%.

Ibama aciona PF para investigar doações de madeira no Piauí


San Martins Linhares, do Ibama: PF vai investigar atos a pedido do novo superintendente


A polícia Federal vai investigar as doações de madeiras apreendidas pelo Ibama no Piauí, nos últimos anos. Ontem no final da tarde, o novo superintendente do órgão, San Martin Linhares, foi à PF e denunciou a existência de indícios de irregularidades nessas doações. Ao mesmo tempo, pediu a ação da Polícia Federal para averiguar a situação e particularmente o modo de atuação do servidor Francisco de Assis da Silva Araújo, que presidia a Comissão de Avaliação e Destinação de Bens Apreendidos.

Na denúncia, San Martin diz que Francisco de Assis sempre demonstrou animosidade contra o novo superintendente, que está no cargo há pouco mais de duas semanas. O novo gestor do Ibama disse ainda que chegou a pedir diversas vezes um relatório sobre as doações feitas a partir das avaliações da Comissão, mas que o servidor se negou a prestar esclarecimentos.

O desgaste chegou ao ápice nesta semana, quando o diretor do Centro de Artesanato de Teresina, chamado Jordão, foi pedir que parte da madeira apreendida fosse destinado aos artesãos, para a produção de peças artesanais. Segundo a denúncia, Francisco de Assis disse que a madeira não servia e chegou a gritar. Ao ser cobrado novamente os relatórios, o presidente da Comissão teria se exaltado ainda mais e anunciou que pedia demissão.

Na denúncia formalizada na PF, San Martin pede que os agentes federais possam investigar as doações. A suspeita é que essas doações eram feitas de forma ilícita.
 

‘Eu só quero transparência’, diz San Martin

Ao tomar conhecimento da denúncia, a coluna entrou em contato com o novo superintendente do Ibama. “Eu só quero transparência. É meu dever como servidor público, meu e de qualquer outro servidor”, disse ele. “Não entendo a recusa em oferecer o elementar, que são as informações sobre os atos da Comissão”, afirmou. San Martins acrescentou que espera que a PF evidencie as práticas a partir da investigação solicitada.

O superintendente do Ibama afirmou que está fazendo um detalhado levantamento sobre a realidade do órgão, para daí adotar ações mais objetivas. Ele diz ainda estar contente com a receptividade que teve no órgão, que considera muito boa. “Temos servidores capacitados e comprometidos. Mas esse comportamento eu não encontrei no presidente da Comissão”, ressaltou.

Piauí cria mobilização política na disputa por área de litígio

A disputa pela área de litígio entre Piauí e Ceará deve gerar uma ampla mobilização política em torno do tema, que está chegando em uma fase decisiva. A iniciativa é da Comissão de Estudos Territoriais (CETE) da Assembleia Legislativa, que pretende reunir a bancada federal do estado para envolver os deputados e senadores na querela. O entendimento é que não basta o suporte técnico, percebido como amplamente favorável ao Piauí. A mobilização política também é considerada fundamental.

Na semana passada, a Comissão promoveu audiência pública em que foi discutida a questão dos limites entre os dois estados. As discussões envolveram sobretudo aspectos técnicos, mas destacou-se também a necessidade de uma mobilização política. “Há quase um consenso de que não basta o argumento técnico,. Precisamos ter todas as vozes do Estado na defesa desses argumentos, que são cristalinos”, diz o presidente da Comissão, deputado Franzé Silva (PT). Daí a ideia de reunir a bancada, o que deve acontecer na segunda-feira.

De acordo com o deputado, os argumentos técnicos, amparados em documentos históricos, mostram que a área de litígio é basicamente piauiense. A questão principal é relativa às populações que habitam na área em disputa. Pode acontecer de uma região ser atribuída a um estado mas a população se reconhecer como do outro. Aí é preciso o envolvimento político para levar a um entendimento. Situação semelhante ocorreu na disputa do Piauí com Tocantins e Bahia: houve um acordo, sem maiores problemas.

Além disso, há no lado cearense uma ampla mobilização envolvendo a representação congressista do estado. Também há mobilização das populações dos municípios da região. No caso do Piauí, a Comissão de Estudos Territoriais vai fazer uma peregrinação pelos municípios próximos ao limite com o Ceará.
 

Ceará vai na contramão e busca fator técnico

 Enquanto o Piauí busca mobilização política, o Ceará se movimenta no outro sentido: quer argumentos técnicos. Lá a mobilização política já está acontecendo com o envolvimento das populações da área de litígio. Para ter argumentos técnicos, equipe cearense busca documentos. Representantes do vizinho estado estiveram, por exemplo, no Arquivo Público do Piauí coletando registros sobre a ocupação de terras.

O principal interesse dos cearenses são os registros feitos pela igreja, que relatava a realidade de cada localidade e dava indicações sobre as relações entre as diversas comunidades. Esse interesse tem a ver com os documentos reunidos pelo Piauí, que incluem mapas com mais de 250 anos apontando que tanto o litoral quanto a região de Crateús e Independência (hoje municípios cearenses) eram territórios piauienses.

Teresina se condena a um aeroporto caótico

Começa a operar hoje o novo aeroporto de Florianópolis. O terminal é resultado do investimento de R$ 570 milhões e tem a capacidade de transportar 8 milhões de passageiros por ano. O terminal conta com 13 portões, 10 fingers e capacidade para receber até aviões intercontinentais com o Airbus 380 e o Boeing 747. A novidade vem ao mesmo tempo em que o senador Marcelo Castro (MDB) anuncia para vereadores de Teresina que a construção de um novo aeroporto na capital piauiense é inviável.

No encontro com vereadores, Marcelo colocou argumentos apontando que a “inviabilidade” seria fruto da falta de visão técnica e ausência de ação política. De acordo com o senador, Teresina perdeu a oportunidade de realizar a reforma do atual aeroporto porque a prefeitura não fez as ações devidas, especialmente no que diz respeito às desapropriações na zona Norte da cidade. O problema, no entanto, parece ser maior que o apresentado pelo senador Marcelo Castro.

Teresina tem um aeroporto para lá de acanhado, com pequena área de embarque e sem finger. A capacidade é de menos de 1 milhão de passageiros/ano. Para completar, a pista tem limitações de estrutura e equipamentos. Foi por isso que, em 2011, o então governador Wilson Martins apresentou a proposta de um novo aeroporto. A Secretaria Nacional de Aviação entrou na jogada para definir a área onde deveria ficar o novo equipamento. Mas a crise econômica já estava estabelecida na metade do primeiro governo Dilma.

Não saiu nada. E agora já se fala na privatização do aeroporto atual – prevista para meados do próximo ano. Ou seja: a perspectiva é dourar a pílula do aeroporto já existente. E essa “solução” tem muito a ver com a falta de planejamento e de coordenação política.
 

Mesmo custo do aeroporto de Florianópolis

Depois que Wilson Martins lançou a proposta de um novo aeroporto, algumas projeções foram feitas. Levantamento preliminar chegou a identificar 6 áreas no entorno de Teresina, carecendo estudos adicionais para maior precisão técnica. A crise no governo federal com Dilma, Temer e Bolsonaro deixou para depois a proposta do novo terminal. Curioso é que, mesmo depois disso, foram construídos novos aeroportos, como o de Ilhéus (obra pública) e o de Florianópolis (privatizado).

A avaliação preliminar para o aeroporto de Teresina apontava para uma área em torno de 450 a 500 hectares – cerca de quatro vezes a área do atual. As projeções indicavam um custo total da ordem de R$ 500 milhões – portanto, mais ou menos o mesmo valor do de Florianópolis ou mesmo do construído no interior da Bahia. Mas nesses casos houve ação técnica e política, em conjunto com planejamento e sequência.

Aqui, tudo ficou na torcida e no bate-boca que não chegou a lugar nenhum.

Governo ainda não sabe o que fazer com a economia

Nove meses depois de iniciado, o governo federal ainda não pariu com clareza uma política econômica que possa afastar de vez o país da recessão que já dura seis anos. O ritmo lento tem a ver com muitas coisas, desde o já crônico descontrole fiscal até a demora na concretização das reformas. Mas passa também pelo desencontro de conceitos dentro do próprio governo, onde o ministro Paulo Guedes (Economia) tem uma visão que se choca com diversos membros do comando central, às vezes incluindo o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

A cartilha de Guedes é de puro liberalismo. Defende uma profunda reforma do Estado, com mudanças radicais na estrutura da máquina pública e na relação do poder público com os servidores. Nessa linha, está levando a cabo um leque de leilões que privatizam equipamentos como estradas, portos e aeroportos. Por ele, também faria a privatização até da Petrobrás. Mas aí tem a oposição do próprio presidente.

As divergências entre o ministro e o seu chefe vão além. Bolsonaro não quer nem ouvir falar em três propostas tão carinhosamente alimentadas por Paulo Guedes: criação de um novo tributo estilo CPMF, quebra da estabilidade para os servidores em atividade e fim do reajuste do salário mínimo pela inflação. Diante da negativa do presidente, Guedes busca outros caminhos para fazer valer a “sua política econômica”. Pelo sim e pelo não, o país ainda espera um rumo mais claro.

Há entendimento no governo, pelo menos, quanto à necessidade de apostar em obras de infraestrutura e moradia como forma de atacar o desemprego. Há, no entanto, outro problema: o déficit fiscal é ainda muito alto. Daí, investir como?
 

Mudanças nas regras fiscais

O ministro Paulo Guedes está procurando construir uma agenda que garanta as condições para o fortalecimento da economia. Ele está conversando particularmente com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia. Desse diálogo resultou a aceleração para a promulgação da PEC que destrava o leilão de petróleo do pré-sal. O dinheiro extra que vai entrar nos cofres da União será fundamental para o governo fechar as contas, além da injeção de recursos nos estados.

Agora, Guedes quer ver aprovada proposta que dispara mais rapidamente medidas de contenção (os badalados “gatilhos”) dos gastos previstos na Constituição. Isso implica em novos freios para as contas públicas, incluindo a proibição do reajuste a servidores. A intenção é que o redesenho das regras fiscais estejam modificadas até o final do ano.

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