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CNA apresenta proposta para retomada da atividade no setor rural

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) elaborou uma proposta para retomada das atividades no setor rural, flexibilizando as limitações impostas desde o início da quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus. Em reunião virtual, hoje, com a participação dos presidentes das 27 federações estaduais, foi aprovada uma minuta que cada representação estadual encaminhará aos governos de seus estados. Também foi aprovado um documento a ser encaminhado ao Congresso, relacionado a linhas de crédito especial para o campo.

O esboço do documento foi feito por integrantes do Comitê Executivo para o Desenvolvimento da Região Nordeste, que é coordenado pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Piauí (FAEPI), deputado Júlio César de Carvalho Lima. Conforme ficou definido na reunião, a presidência da CNA fará o encaminhamento ao Congresso Nacional e Conselho Monetário Nacional sugerindo a revisão das Resoluções 4801, da 4798 que trata de linhas de crédito especial com  recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro Oeste (FCO), e ainda da Resolução 4802/2020, que trata de investimentos.

Segundo o deputado Júlio César, as resoluções em vigor são omissas em relação ao setor rural e especialmente a região Nordeste, no que diz respeito ao crédito rural e taxas de juros. Na reunião, o presidente da FAEPI falou sobre o andamento da discussão sobre o veto do presidente da República, Jair Bolsonaro, em relação a Lei n. 13.986 (MP 897), que trata da prorrogação da renegociação das dívidas dos produtores rurais. "O Nordeste precisa da renegociação e estou aqui contando com o apoio de todos para que possamos obter êxito nesses pleitos", disse.

Decisão final sobre flexibilização sai dia 6, com aval da saúde

Foto Divulgação / Govrno do Estado

Secretário Antônio Neto: situação sanitária será decisiva para retomada das atividades não essenciais 

O processo de retomada das atividades não essenciais no estado do Piauí tem duas datas marcadas no calendário, ambas na próxima semana. A primeira data é a terça-feira, dia 2, quando será conhecida a minuta do decreto de flexibilização e os detalhes dos protocolos a serem adotados. A segunda e definitiva é o sábado, dia 6, quando as condições de saúde dirão se efetivamente o Estado conta com o cenário necessário para a flexibilização, que tem no dia 8 como a data inicialmente estipulada para retomada de muitas das atividades econômicas que hoje estão suspensas.

“O dia 8 é o nosso horizonte”, explica Antônio Neto, Secretário de Planejamento do Estado e que coordena o grupo interno responsável pela elaboração da minuta de decreto. Do grupo fazem parte ainda os secretários de Saúde, de Governo e Desenvolvimento Econômico, além de técnicos da Cepro. O trabalho do grupo inclui discussão com vários segmentos da sociedade, incluindo empresários, trabalhadores e órgãos de controle. A intenção, conforme Antônio Neto, é produzir um decreto que traduza o sentimento e os interesses da sociedade.

Na terça-feira o grupo apresenta a minuta ao governador Wellington Dias e membros do governo, assim como representantes de outros poderes e órgãos de fiscalização. Ajustes serão feitos a partir dessa reunião, mas a entrada em vigor será decidida no sábado da próxima semana, tendo em conta a situação de saúde. O nível de risco da retomada para a saúde é que vai determinar, daí a importância da avaliação sobre as condições sanitárias. Aí serão levados em conta o índice de isolamento, o nível de transmissão (o chamado "R-0") e o percentual de ocupação das UTIs.

Há ainda outros critérios objetivos para a flexibilização, conforme adiantado pelo Cidadeverde.com. Além disso, a retomada vai ser gradual, segundo a prioridade dos setores.


‘Bandeiras’ serão critério para retorno

O Secretário de Planejamento Antônio Neto revela que o Piauí vai adotar o sistema de “bandeiras” para estabelecer o nível de prioridade na retomada das atividades não essenciais. O sistema foi adotado em estados como o Rio Grande do Sul, com erros e acertos. Aqui, essas experiências estão sendo olhadas para se adotar o que deu certo e corrigir erros pontuais. No Piauí serão três bandeiras: verde, amarela e vermelha. A verde leva em conta o menor risco do setor e também a importância da atividade econômica, especialmente na geração de emprego.

• Bandeira Verde: inclui atividades como comércio, indústria e construção civil. A retomada vai definir formas de funcionamento e regras de distanciamento entre funcionários e clientes. Leva em conta a força econômica dessas atividades: a construção civil, por exemplo, é uma cadeia produtiva que inclui 10 subsetores e envolve mais de 50 mil trabalhadores.
• Bandeira Amarela: reúne atividades de risco intermediário e deve incluir setores como a administração pública e atividade rural.
• Bandeira Vermelha: inclui os setores que implicam necessariamente em aglomerações, entre elas os cultos nas igrejas e os grandes shows artísticos.

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Aeroporto de Teresina será leiloado no início do ano

Foto: Hérlon Moraes

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, confirmou para o início do ano o leilão do aeroporto de Teresina. Será de fato um mega leilão que inclui outros 42 aeroportos, a maior parte de importância regional. A operação que passa à iniciativa privada esses equipamentos estava prevista para julho próximo, mas ainda em março foi adiada para janeiro em razão do impacto econômico da pandemia do novo coronavírus. Na época, grupos de investidores interessados na disputa pública justificaram a dificuldade para o leilão diante das incertezas geradas pela pandemia.

Ontem, Tarcísio de Freitas confirmou a realização do leilão, que vai incluir o primeiro bloco de 22 aeroportos (onde está o Petrônio Portella, de Teresina) e ainda outros 21 equipamentos aeroportuários que serão oferecidos à iniciativa privada. No caso do bloco dos 22 aeroportos, ele está dividido em três lotes que formam um conjuntos de equipamentos que se completam em termos de estratégias de transporte.

Confira os lotes
Lote Sul: São 9 aeroportos, concessão com valor estimada em R$ 2,9 bilhões e movimentação de cerca de 12 milhões de passageiros no ano passado. Inclui dois aeroportos em Curitiba (Afonso Pena e Bacacheri), Londrina, Foz do Iguaçu, Navegantes, Joinville, Pelotas, Bagé e Uruguaiana.
Lote Norte: São 7 aeroportos na Amazônia com movimentação em 2019 de 4,6 milhões de passageiros. A expectativa é arrecadar no leilão R$ 1,9 bilhão. Inclui os aeroportos de Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista, Tabatinga, Cruzeiro do Sul e Tefé.
Lote Centro: São 6 aeroportos que em 2019 movimentaram 7,3 milhões de passageiros. O valor estimado para o leilão é de R$ 2,1 bilhões. Inclui Teresina, São Luís, Imperatriz, Petrolina Palmas e Goiânia.

Vencedor pode ter direito sobre novo aeroporto
Em Teresina, o agendamento do leilão do aeroporto Petrônio Portella trouxe uma discussão específica: qual o melhor, leiloar o “velho aeroporto” ou apostar em um novo equipamento aeroportuário? A solução parece incluir as duas alternativas. A Prefeitura Municipal fez gestões junto ao governo federal para que o vencedor do lote que inclui Teresina tenha o direito e o compromisso para construir um novo aeroporto.

A proposta de um novo sítio aeroportuário em Teresina vem sendo discutido desde 2012, quando o então governador Wilson Martins iniciou conversações para viabilizar um novo aeroporto. Os estudos iniciais feitos pelo governo federal não tiveram sequência. No ano passado, o prefeito Firmino Filho alertou o governo federal sobre essa demanda de Teresina e recebeu aceno positivo. Assim, o vencedor do Lote Centro ficaria com a tarefa de implantar o novo aeroporto.

Piauí reduz em 70% número de transplantes após pandemia

Foto Letícia Santos / Cidadeverde.com

Gilberto Albuquerque: pandemia tem impacto sobre número de transplantes no HGV

Desde meados de março, o estado do Piauí registrou apenas cinco transplantes, e em três situações específicas. Resultado direto da crise do coronavírus, esse número é cerca de 75% menor que a média de antes da pandemia. A queda brusca reflete no Piauí de forma mais intensa o que vem ocorrendo em todo o Brasil, com significativa redução no número de transplantes. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Transplantes de Órgãos (SBTO), os transplantes de rins, coração, fígado e pâncreas caíram em média 34% em todo o Brasil, mas com impacto maior no Norte e Nordeste.

Segundo a SBTO essa média nas duas regiões é de 50% e se justifica pelas limitações de estrutura hospitalar. Ainda segundo a SBTO, os transplantes de córnea e medula óssea praticamente deixaram de ser feitos nos últimos dois meses. Os números específicos do Piauí reproduzem de forma mais grave toda essa realidade nacional: aqui foram apenas cinco transplantes desde meados de março.

Esses registros piauienses estão distribuídos em três situações: um caso de transplante de rim entre vivos; um outro caso (transplante de córnea) gerado de situação traumática; e mais um trauma que possibilitou múltiplos transplantes (em concreto, três: rim, córnea e fígado). No caso do transplante de fígado (cirurgia que o Piauí não realiza), houve a captação do órgão no Estado, que em seguida foi enviado para paciente na Bahia.

Segundo o diretor do Hospital Getúlio Vargas (HGV), Gilberto Albuquerque, o Piauí realiza uma média de 8 transplantes programados (de rins, entre vivos) por mês, além dos casos traumáticos. Isso daria algo em torno de 20 cirurgias nesses pouco mais de 2 meses. Foram apenas 5, portanto um quarto (ou 75%) do que poderia ter acontecido.
 

HGV acompanha 240 que esperam transplante de rim

O impacto da pandemia é grande para um número significativo de pessoas. Somente no HGV, cerca de 240 pessoas são monitoradas na expectativa de um transplante de rim. E, nesse momento, mesmos os transplantes programados não estão sendo realizados. Gilberto Albuquerque diz que a grande maioria teme estar dentro de um ambiente hospitalar nesse momento e, se podem, suspendem as cirurgias programadas. Antes, o HGV realizava dois transplantes semanais programados, sempre às quinta-feira.

Gilberto revela ainda que a pandemia dificulta também a captação de órgãos de pessoas com mortes traumáticas. Isso porque deve ser considerado o risco da pessoa ser um vetor do coronavírus, exigindo exames adicionais que podem cobrar um tempo crucial. Toda essa situação gera o registro de acentuada queda nas doações e, portanto, no número de transplantes.

Governo projeta pico para esta semana e flexibilização para o dia 8

O Piauí espera para esta semana o pico de casos de coronavírus, com estabilização até a próxima semana. Essa perspectiva é que leva o governo do Estado a projetar um princípio de flexibilização das atividades não essenciais a partir do dia 8. As seguidas pesquisas de monitoramento e avaliação de infecção estão dando suporte a essas projeções, sem que ainda haja um claro desenho de como se dará a retomada das atividades. Tudo vai depender do nível de registros desses próximosm dias.

O decreto estadual que estabelece os limites do isolamento social foi renovado na semana passada pelo governador Wellington Dias e vigora até o dia 7. Mas o governador já vem mantendo conversações com diversos segmentos sociais, bem como com os representantes dos demais Poderes públicos para estabelecer um horizonte de flexibilização. O momento preciso dessa flexibilização depende da trajetória futura: se o controle se mantiver em bom nível, a flexibilização acontecerá.

Ontem, Wellington comandou uma ampla reunião com secretários e técnicos do governo para discutir o tema. Na oportunidade também foram repassados os últimos números do nível de infecção detectado por mais uma rodada de pesquisa realizada pelo Instituto Amostragem. Os dados indicam que a curva de infecção ainda é ascendente, embora em um ritmo menos intenso que nas rodadas anteriores.

O resultado reforça a expectativa do governo de que esta semana registre o pico do coronavírus e, na próxima, comece o declínio.
 

Piauí tem situação diferente por região

No monitoramento que o governo do Estado faz, anima a perda de ritmo no registro de novos infectados. Mas preocupa a constatação de comportamentos diferentes conforme a região. Na maior parte dos municípios da Região Norte, por exemplo, o monitoramento indica uma certa estabilização na curva de novos casos. Mas em diversas cidades do Sul e Centro-Sul do Piauí, ainda há uma curva com forte tendência de crescimento no número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Os dados mostram ainda um crescimento sequenciado no número de casos e de óbitos de uma semana para outra. De 3 a 9 de maio, foram 548 novos casos. Na semana seguinte a contabilização somou mais 955 novos infectados e, nesta última semana, mais 1.263. O número de óbitos também cresce: foram 17 na primeira semana, mais 35 na segunda semana e outras 40 mortes, na terceira.

Covid elava em 680% busca por seguro que permite viajante cancelar viagem

É bem conhecida a situação: o cidadão compra uma passagem aérea em promoção e, por algum motivo, tem que adiar a viagem. Os dissabores seguintes são também muito conhecidos: a ideia de remarcação sai cara, às vezes a multa ou diferença é tão grande que fica mais barato comprar uma outra passagem. Esse tipo de problema se tornou mais crucial com a pandemia do coronavírus, que levou ao cancelamento de milhões de passagens, algumas por iniciativa das companhias, outras por decisão do próprio viajante. Esse problema já produziu o fenômeno da busca por seguros que permitem o cancelamento da viagem por qualquer motivo, com ressarcimento integral.

Segundo levantamento do site Squaremouth.com (especializado na comparação de seguros de viagem) a pandemia afetou o comportamento do consumidor. Segundo o Squaremouth, apólices compradas para o segundo semestre deste ano com a cobertura “cancelar por qualquer motivo” cresceram 680% – e esse tipo de seguro já representa um terço das apólices adquiridas. Vale notar o quanto o passageiro está pagando para ter menos dor de cabeça: a opção “cancelar por qualquer motivo” eleva em cerca de 40% o valor final da passagem.

Esse novo comportamento do consumidor está, obviamente, tomado pelo pavor do coronavírus, que reduziu drasticamente o número de voos no planeta. Ainda que haja variação de um país a outro, avalia-se que a redução seja maior que 90%. Esse índice é reforçado pela venda dos seguros: a Squaremouth aponta que os contratos para a alta temporada (junho/agosto, que é verão do hemisfério Norte) ficaram reduzidos a um décimo do habitual.

Com um detalhe: boa parte dos seguros para viagens nos próximos meses está incluindo uma cláusula específica para o coronavírus – que pode exigir internação mais longa.
 

Espanha anuncia retomada do turismo

A Espanha, um dos países mais afetados pelo coronovírus, anunciou que retoma os voos internacionais a partir de julho. É um esforço para dar fôlego a uma das atividades mais importantes do país. São mais de 80 milhões de turistas por ano, que movimentam mais de 10% do PIB espanhol. Mas o anúncio feito pelo primeiro-ministro Pedro Sanchez não tem efeito automático, já que a retomada dos voos depende de acordos bilaterais. Ou seja: é preciso que o outro país queira a retomada desses voos.

Um primeiro passo já foi dado no caso da Itália, com o fim das restrições de voos. Mas há países como Estados Unidos – um destino fundamental para as companhias aéreas ocidentais – que seguem fechados. O próprio Brasil acaba de renovar por mais 30 dias as restrições à entrada de estrangeiros por qualquer meio (terrestre, aéreo, aquático). Além disso, o anúncio da retomada dos voos internacionais passa por um outro fator fundamental: a disposição do turista em sair andando pelo mundo. Pelo menos por quanto, vai prevalecendo uma enorme cautela.

Construção Civil tem 50% de ociosidade em abril e frustra recuperação

A crise econômica que veio com a pandemia do novo coronavírus impôs um duro castigo à Construção Civil, segmento que esperava para 2020 a recuperação depois de seis anos de perdas de negócios. Segundo a Sondagem da Construção Civil divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no mês passado o setor de construção registrou uma ociosidade de 50%, índice mais baixo da série histórica iniciada em 2012. Essa é a média nacional, já que a queda de atividade tem sido especialmente dura em estados menores, como o Piauí.

“Essa queda reflete os efeitos da crise provocada pelo coronavirus na atividade e não há dúvidas de que a alta ociosidade da indústria deve permanecer enquanto durar o isolamento social”, diz Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI. A pesquisa mostra que os índices de evolução do nível de atividade e do número de empregados permanecem bem abaixo da linha de 50 pontos. O indicador de evolução do nível de atividade registrou 29,4 pontos e o índice de evolução do número de empregados recuou para 24,1 pontos. Esse dado varia entre 0 e 100 e todo valor abaixo de 50 é negativo (em relação à atividade, por exemplo, abaixo de 50 aponta desaquecimento).

Os dados são de abril, mas divulgados agora e por isso a CNI chama de “Sondagem de Maio”. Nela o ICEI-Construção (que é o Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção) registrou 37,6 pontos, bem abaixo dos 50 pontos, quando começam as expectativas otimistas. Os componentes do ICEI-Construção mostram que a avaliação das condições correntes se tornou mais negativa, embora o pessimismo com relação aos próximos seis meses tenha diminuído.

Os resultados dos últimos meses são especialmente terríveis porque frustram a expectativa do setor, que esperava para 2020 uma forte recuperação.

Piauí apostava em reaquecimento

A frustração no setor da construção pode ser encontrada no próprio estado do Piauí. A construção vem penando desde o final de 2014, quando se estabeleceu um quadro recessivo que foi especialmente duro em 2015 e 2016. Nesse biênio, o setor perdeu no estado 22 mil dos 44 mil trabalhadores. Em 2018 e 2019 havia expectativa de recuperação, mas ela não ocorreu, apesar do segundo semestre do ano passado ter apresentar alguns sinais animadores. A pandemia do coronavírus fez que a esperança se esvaísse.

O setor de construção até começou o ano prometendo novos lançamentos. Várias construtoras fizeram um esforço especial de venda em fevereiro e março, animadas pelo aporte de crédito, a redução dos juros e outras facilidades oferecidas pelo governo federal. Mas a pandemia trouxe um forte quadro de incerteza, fazendo que muitos contratos já alinhados não se concretizassem. Talvez mais que em outros estados, no Piauí o coronavírus frustrou seriamente as expectativas para 2020.

Demissões na pandemia respondem por 20% das ações trabalhistas

As demissões formalizadas dentro do período da crise da pandemia do coronavírus já respondem por um quinto das ações que dão entrada na Justiça do Trabalho. Os dados são da DataLawer, uma startup que monitora as movimentações no judiciário. Segundo o levantamento, de 21 de abril a 20 de maio foram formalizadas 48.655 ações trabalhistas, com cerca de 10 mil (pouco mais de 20% do total) sendo referentes a demissões motivadas pela crise do coronavírus. As alegações são de descumprimento das regras trabalhistas que devem ser observadas no momento de uma demissão.

Os trabalhadores afirmam que deixaram de ter direitos respeitados, em parte ou no todo. Entre as motivações mais comuns estão não pagamento das verbas rescisórias que incluem aviso prévio, férias vencidas e proporcionais, 13º salário e multa aplicada sobre o saldo do FGTS. Especialistas avaliam que essa situação ocorre porque muitas empresas – especialmente as de pequeno porte – estão demitindo sem caixa para arcar com as despesas obrigatórias.

Os dados da DataLawer apontam uma evolução vertiginosa no número de ações trabalhistas com a pandemia. Desde meado de março elas já somam 18.163. Vale destacar a mudança de ritmo na entrada de ações. Nas primeiras semanas do ano elas eram pontuais. Na semana que começou em 16 de março, contabilizavam-se 676 ações. Na semana seguinte, quando começam a ser tomadas medidas mais drásticas relacionadas à pandemia, o número é quase três vezes maior, saltando para 1.858 ações.

O levantamento aponta que o avanço da infecção por coronavírus tem uma relação direta com o número de processos na Justiça do Trabalho.
 

Ações já somam R$ 920 milhões

As ações relacionadas às demissões com justificativa na Covid-19 somam pedidos de indenização da ordem de R$ 920 milhões, conforme os dados da DataLawer. Esse valor se refere a exatos 18.163 processos que deram entrada na Justiça do Trabalho desde meados de março. Isso implica em uma média de R$ 50.748 por processo. A maior parte vem das ações individuais, que somam 16.673 processos que por sua vez contabilizam valores da ordem de R$ 654,37 milhões. As ações coletivas são 1.490 e somam R$ 267,36 milhões.

O levantamento aponta também os estados onde há maior número de ações. As situações mais graves estão em São Paulo (3.793 ações), Minas Gerais (3.065) e Rio Grande do Sul (1.844). Também chamam atenção os estados do Rio de Janeiro (1.596 ações) e Pernambuco (1.157). Há ainda números com razoável impacto no Ceará, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina.

Água Branca lidera incidência e letalidade de coronavírus no Piauí

Água Branca é a cidade com maior índice de incidência do coronavírus no estado do Piauí. É também a que registra o maior percentual de letalidade. Essa constatação é feita a partir da análise do último relatório da Secretaria de Saúde do Estado (Sesapi), sobretudo a observação da lista dos municípios com maior número de casos confirmados de Covid-19, a doença resultante da infecção pelo novo coronavírus. Água Branca é a 6ª em números absolutos de pessoas infectadas, mas proporcionalmente é a primeira.

Com uma população de menos de 18 mil habitantes, a cidade do Médio Parnaíba tem mais casos, por exemplo, que Floriano – que conta com cerca de 60 mil habitantes. Ela está atrás apenas de Teresina (1.504 casos, segundo relatório de ontem), Parnaíba (171 casos), Picos (123), Campo Maior (79) e Esperantina (78). O 6º lugar de Água Branca é garantido pelos 47 casos até ontem registrados.

Para medir a incidência da Covid-19 por município, a Sesapi faz uma relação para cada grupo de 10 mil pessoas. Assim, levando em conta a população inferior a 18 mil habitantes, Água Branca apresenta uma proporção de 26,99% casos para cada grupo de 10 mil pessoas. A segunda maior proporção é Esperantina (19,63 por grupo de 10 mil), seguida de Teresina (17,39) e Campo Maior (16,87).

Na lista das seis cidades com mais casos, Picos (15,72) ocupa a 5ª posição por ordem de incidência, seguida de Parnaíba (11,17 casos para cada grupo de 10 mil pessoas).
 

Letalidade é mais de 3 vezes a de Teresina

No número de óbitos resultantes da Covid-19, Água Branca tem o segundo lugar em números absolutos, junto com Parnaíba (ambas com 5 mortes) e atrás apenas de Teresina (45 óbitos). Mas outra vez a cidade do Médio Parnaíba alcança a liderança quando se observa a letalidade – que é o percentual de mortos para o total de casos verificados na cidade. Em um universo de 47 casos registrados, os 5 casos fatais indicam uma letalidade de 10,6%. Esse índice é mais de três vezes a cidade na segunda colocação – Picos, com 3,2%) e também de Teresina (letalidade de 2,99%, proporção das 45 mortes em 1.504 casos totais).

Parnaíba (com 2,92%) tem índice semelhante ao de Teresina. Entre as seis cidades com maior número de infectados pelo novo coronavírus, duas não registram óbitos: Campo maior e Esperantina. Portanto, não apresentam cálculo de letalidade (ver tabela).

Clima quente tem pouca influência sobre coronavírus, diz estudo

Estudo divulgado ontem pela revista Science mostra que é muito pouco significativo o impacto do clima na propagação do coronovírus. Inicialmente, acreditava-se que o clima quente teria maior poder de interromper a propagação do vírus, mas os estudos mostram que essa premissa não tem amparo nos resultados de estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Os estudiosos fizeram três simulações e somente em uma há registros de influência do clima, mas de forma limitada.

Na simulação que apresenta algum resultado, os pesquisadores fizeram projeções matemáticas que assemelham o comportamento do novo coronavírus com o vírus da influenza. Ainda assim o impacto foi considerado modesto, indicando que, com muitas pessoas ainda vulneráveis e a velocidade de transmissão do vírus, o clima quente só consegue reduzir muito pouco a taxa de infecção. Esse impacto vai ser percebido somente a partir de certo estágio da pandemia – ou seja, no início das ocorrências, o calor não faz grande diferença.

Os altos registros em países do hemisfério sul – como o Brasil – reforçam o entendimento de que que as condições climáticas mais quentes não são determinantes para interromper a doença. “Não parece que o clima está regulando a propagação agora. Claro, não sabemos diretamente como a temperatura e a umidade influenciam a transmissão, mas achamos que é pouco provável que esses fatores possam interromper o contágio baseado no que vimos acontecer com outros vírus”, disse Bryan Grenfell, professor de biologia da Princeton.

Os pesquisadores acreditam, no entanto, que após o pico da pandemia passar, a tendência é que o coronavírus passe a circular permanentemente e, nessa circunstância, a influência do clima será maior.
 

Dados do Brasil reforçam conclusões

Os resultados do estudo da Universidade de Princeton podem ser verificados dentro do próprio Brasil, onde a diferença climática entre cidades não está implicando em resultados automáticos relacionados ao número de casos do novo coronavírus. Algumas das cidades brasileiras com altos registros proporcionais à população têm clima mais quente. Aí podem ser relacionadas Fortaleza, São Luís, Manaus e Recife. E uma das capitais com menos infectados, Porto Alegre, tem clima mais frio.

A coluna observou sete capitais, registrando a temperatura média para o mês de abril (quando começou a explosão de casos) e comparando com o número de infectados por cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo os dados contabilizados ontem às 19h pelo Ministério da Saúde, das sete, Fortaleza tinha o maior índice (635 casos por 100 mil pessoas) e Porto Alegre o menor (apenas 40 casos por cada grupo de 100 mil habitantes). Teresina fica com o segundo menor registro desse pequena lista (ver tabela abaixo). Isso quer dizer que o determinante está em outros fatores que não direta ou unicamente no clima.

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