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Oposição perde a fé na candidatura de Firmino


Firmino Filho e Wellington Dias: afinidade que pode ir além das parcerias administrativas e chegar às eleições
 

A avaliação de lideranças da oposição no Piauí é que, como nunca, têm chances de enfrentar Wellington Dias (PT) pelo governo do Estado. Mas, também como nunca, encontram enormes dificuldades para definir um nome que una os oposicionistas e assuma o lugar de anti-Wellington. O candidato mais desejado pela oposição é Firmino Filho (PSDB), mas poucos botam fé na disposição do prefeito de Teresina em entrar na disputa.

As dúvidas quanto a Firmino são de toda ordem. Primeiro, poucos entendem a relação do prefeito com Wellington Dias, que extrapolaria o administrativo e alcançaria o político. O que esses desconfiados dizem é que, de modo informal, Firmino já contou em 2016 com um bom empurrão do governador. E há quem veja na recusa do prefeito à candidatura de oposição uma espécie de grata retribuição.

Tem ainda o alinhamento com Ciro Nogueira (PP), que é desde 2014 um suporte fundamental do petista. E também um apoio imprescindível do ocupante do Palácio da Cidade. Tanto que o projeto de Firmino parece totalmente atrelado ao de Ciro, como bem mostra a filiação da primeira dama Lucy Silveira ao PP.

As desconfianças seguem adiante. Alguns acham que Firmino está cuidando do projeto pessoal ou familiar. Outros acreditam simplesmente que está perdido, sem saber que rumo tomar. E há ainda os que enxergam o prefeito decidido a não ser candidato em qualquer circunstância, a ponto de fazer exigências praticamente impossíveis, pelo menos até o prazo de desincompatibilização. Por exemplo: se Lula não for candidato; se Wellington atrasar salários...

Para completar, no rastro da afinidade com Ciro Nogueira, não deixa claro sequer qual rumo partidário tomar. Tanto que uma liderança da oposição diz que “Firmino quer ser PSDB em Brasília e PP em Teresina”.

Os aliados acham que são precisamente os parlamentares do PSDB os que estão pagando a maior parte da conta. Marden Menezes, Luciano Nunes e Firmino Paulo ficam meio à deriva. E são obrigados a cuidar de si, sem dar bolas para um partido que – na avaliação de muitos – é minado pelo seu principal líder. Tanto que, como reclamou o prefeito de Curimatá, Valdeci Júnior, sequer convidaram os prefeitos tucanos para a convenção partidária do último final de semana. Ou seja: não era uma convenção para fortalecer o partido.

Apesar de tudo, a oposição, órfã de nome que una os adversários do governo, segue esperando pelo “sim” de Firmino, que é dito e repetido como o mais viável dos candidatos oposicionistas.

Mas espera já sem muita fé.

Severo inicia diálogo para fechar proposta de Orçamento


Deputado Severo Eulálio, na Rádio Cidade Verde: recurso do diálogo para definir o Orçamento 2018
 

O deputado Severo Eulálio (PMDB), presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, está iniciando uma série de diálogos com representantes dos diversos poderes para definir a proposta de Orçamento para o Estado do Piauí em 2018. Severo admite que há limitação de recursos, mas que o diálogo será a forma de conciliar os interesses.

“Sabemos que o cobertor é curto”, diz o deputado, que considera a ampla discussão do Orçamento como caminho fundamental para definição de uma proposta equilibrada. Essa discussão já teve início na semana passada, quando a Comissão fez uma audiência pública sobre o tema, inclusive com a presença do secretário de Planejamento do Estado, Antonio Neto.

Segundo Severo, as primeiras conversações já aconteceram com a Assembleia Legislativa e com o Judiciário. Outras conversas acontecerão na sequência, no sentido de ouvir as demandas de cada setor que tem dotação específica, como Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, o deputado disse que a expectativa é que a proposta seja definida até dia 10 de dezembro. Daí o texto será levado para discussão plenária. No entendimento de Severo, esse tempo é suficiente para o debate em plenário, que terá cerca de uma semana para votação.

O período legislativo na Assembleia vai até 23 de dezembro. Mas como a data cai em um sábado, a votação deve acontecer até dia 21, uma quinta-feira. Severo adverte, no entanto, que o recesso só começa quando a proposta for votada.

 

Desafio de incluir o jovem

Na entrevista ao Acorda Piauí, o deputado Severo Eulálio falou sobre a necessidade de inclusão da juventude no mercado de trabalho e na política. Esse tema fez parte da última reunião da Unale, a União Nacional dos Legislativos e dos Legisladores, que aconteceu em Belém (PA).

Para o deputado, que esteve no encontro, esse é um tema que ganha extrema relevância, sobretudo pelo momento vivido pelo país. E ressaltou a importância da participação da juventude na política.

Para ouvir a íntegra da entrevista do deputado Severo Eulálio, acesse o arquivo abaixo.

Saída de Bruno Araújo dá início à reforma ministerial

Deputado Bruno Araújo, que em outros tempos já bateu panelas na Câmara, inicia debandada tucana e abre reforma ministerial

 

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PMDB-PE) entregou hoje a carta de demissão do cargo, o mais cobiçado entre todos os ocupados pelos tucanos. A demissão inaugura a um só tempo dois movimentos. O primeiro, a debandada tucana do governo Michel Temer. O segundo, a reforma ministerial tão cobrada pela base de apoio ao governo, Centrão à frente.

Fica claro que Buno Araújo não gostaria de deixar o cargo: é um ministério poderoso, com ações capilarizadas – que em politiquês significa capacidade de atuar desde as grandes cidades até os cafundós, com ampla possibilidade de traduzir tudo isso em resultados eleitorais. Ao encaminhar a carta de demissão, o agora ex-ministro disse já não conta dentro do PSDB com o “apoio no tamanho que permita seguir nesta tarefa”. Ou seja: sai por falta de apoio, não por vontade.

E aí está a senha para demonstrar que os tucanos estão de saída – por querer, ou porque não dar mais. Mas isso até Aécio Neves, o mais governistas dos tucanos, já sabia - veja postagem anterio. Agora os demais ministros devem cair como pedras de dominó. A debandada pode acontecer até mesmo antes do encontro nacional do PSDB, marcado para 9 de dezembro, que deve apenas formalizar a saída, com direito a alguns discursos inflamados.

O pedido de demissão de Bruno Araújo deve, assim, formalizar o início da reforma ministério tão cobrada pelos partidos que integram o Centrão – siglas que foram fundamentais para rejeitar as duas denúncias contra Temer e que ainda esperam a contrapartida por tal empenho.

Cabe lembrar, o PSDB contava com quatro ministérios: além da pasta das Cidades, agora desocupada por Bruno Araújo, tem ainda o ministério das Relações Exteriores (sob o comando do senador paulista Aloysio Nunes Ferreira), o dos Direitos Humanos (Luislinda Valois) e a Secretaria de Governo (deputado baiano Antonio Imbassahy).

O Centrão sempre reclamou de Imbassahy, mas o olhar de cobiça estava focado desde o começo no lugar de Bruno Araújo, precisamente pela capacidade da pasta transformar ação em voto. É o primeiro posto que Temer tem à disposição para agradar a turma do Centrão.

O detalhe é que a reforma que Temer pretendia fazer para agradar essa turma era a troca de Bruno Araújo e de Luislinda Valois. Agora deve mudar todo mundo, sobretudo porque o PSDB se encaminhar para formalizar a saída do governo até o encontro do dia 9.
 

PSDB do Piauí há muito pedia saída

Já há algum tempo o PSDB do Piauí pedia o afastamento do governo Temer. Esse sentimento foi explicitado há meses pelo deputado Marden Menezes, que até o final de semana ocupava a presidência estadual da sigla. Foi reafirmado pelo deputado Firmino Paulo, tão logo assumiu o posto em substituição a Marden.

O desagrado dos tucanos piauienses tinha uma razão principal: a proximidade com Geraldo Alckmin, o que significava um certo distanciamento de Aécio Neves. Alckmin há muito queria o PSDB fora dos cargos federais. Mas foi vencido por Aécio e sua turma. Depois de maio, porém, com as gravações da JBS que envolveram Temer e Aécio de uma só vez, o desconforto cresceu. E o desejo de sair do govgerno cresceu.

Agora está a ponto de ter o desfecho há muito desejado pelos tucanos piauienses. Resta saber se a saída do governo Temer reconduzirá o PSDB (local e nacional) a um lugar mais destacado na corrida eleitoral de 2018.

Agora, até Aécio quer PSDB fora do governo

A frase soou estranha, sobretudo por quem a pronunciava. Mas o senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do PSDB, foi claro: "Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos", disse. E praticamente apresentou a carta de debandada ao dizer há no PSDB "um convencimento de todos" de que está chegando a hora de deixar o governo.

É bem provável que Aécio tenha percebido que passou da conta no governismo e também nas ações internas do partido, culminando com o afastamento do senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB. Ou simplesmente enfim se deu conta que não dá mais para ficar atrelado ao governo. Nem mesmo ele, o mais governista dos tucanos.

Ao reconhecer que o partido tem que pular fora, Aécio diz que não houve dos tucanos nenhum gesto de fisiologismo em entrar e permanecer no governo. Bom, se há o tal “convencimento de todos” e ainda não deixou o governo, qual seria a razão então? O senador não quer usar o nome, mas é assim que se chama: fisiologismo.

De todo modo, o partido sai aos frangalhos das indecisões pós-delação da JBS. E pode sair pior da convenção do início de dezembro que elegerá o novo presidente da sigla. Os dois candidatos são de correntes que pensam completamente: Tasso pelos que há muito pedem a saída do governo; e o governador Marconi Perillo (GO) pelo time capitaneado por Aécio.

Somente uma terceira via conciliadora pode atenuar a divisão.


Geraldo Alckmin: pré-candidato ao Planalto, pode antes ter qyue assumir PSDB até mesmo para se viabilizar
 

Alckmin já admite ser presidente

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, bem que tentou se ver longe da disputa pela presidência do PSDB. Aspirante ao Planalto, não queria comprar briga com nenhum lado. E gostaria de ficar livre para cuidar da candidatura à presidência, que atualmente parece ter superado a ameaça do ex-pupilo João Doria Jr, o prefeito da cidade de São Paulo.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu o nome de Alckmin como uma forma de contornar a disputa interna. Apesar da resistência inicial, Alckmin já admite abraçar o fardo. Ou é isso ou coisa pior: sem um nome de conciliação, o PSDB pode sair muito dividido do congresso de dezembro. E isso pode ser uma catástrofe para o candidato Alckmin.

Sem a conciliação, uma boa fatia do partido pode simplesmente mudar de sigla. Seria terrível para as pretensões de um candidato tucano. Se o PSDB unido hoje enfrenta sérias dificuldades para fazer um nome deslanchar, imagine dividido.

Wellington tenta assegurar recursos para pagar pessoal


Governador Wellington Dias: em busca de recursos para manter as contas do Estado em dia

 

Duas ações do Governo do Estado chamam a atenção, na semana que acabou. A primeira, a visita do governador Wellington Dias (PT) à sede do Bradesco, em São Paulo. A segunda, a finalização do texto de um Projeto de Lei que chega nesta segunda-feira à Assembleia Legislativa. As duas ações se somam. E têm um único objetivo: permitir que o governo reúna os recursos necessários para o pagamento do servidor nos próximos meses.

O Projeto de Lei vai alterar uma Lei aprovada pela própria Assembleia, por iniciativa do Executivo, em abril deste ano. A Lei autorizou a contratação de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal no montante de R$ 315 milhões – um valor carimbado, que só pode ser aplicado em infraestrutura, conforme indicou o próprio governo. E a nova proposta permite replicar o valor, com um detalhe: flexibiliza a fonte dos recursos, que pode ser contratado em qualquer instituição financeira. E também deixa livre a aplicação, que pode ir para pagamento de pessoal.

A proposta é uma carta assinada em branco. Com ela, o governo pode ir a qualquer banco e formalizar a operação de crédito de outros R$ 315 milhões. Esse valor é mais do dobro do pretendido por Wellington com a polêmica mensagem de aumentos de imposto. Com os novos impostos, Wellington geria reforçar o caixa do estado em mais R$ 150 milhões. Com as mudanças, o incremento ficou em R$ 110 milhões – que se somam agora aos R$ 315 milhões extras.

Essa autorização a ser solicitada nesta segunda-feira tem tudo a ver com a visita ao Bradesco. Será, provavelmente, a fonte do novo empréstimo. Também muito provavelmente, não será uma operação com os mesmos juros oferecidos pela Caixa – os bancos oficiais costumam oferecer juros não tão elevados quanto os praticados no mercado. E o Bradesco é mercado puro.

Mas o cálculo do governo do Estado é mais imediato. Há compromissos urgentes, em especial o pagamento do 13º salário e os salários de janeiro em diante. As contas do Estado não fecham, daí a busca de aporte extra. O empréstimo com aplicação livre é, na visão do governo, a salvação.
 

Dívida leva 8% das receitas líquidas

O Piauí está prestes a contrair mais um empréstimo. Tem sido a saída do Estado para viabilizar investimentos. Mas a nova operação de crédito, de R$ 315 milhões, não deve ser para investimento. E sim para pagar pessoal. A cobrança da fatura não é imediata, mas num médio prazo, aumentando o desembolso futuro do Estado na amortização de dívidas.

A previsão é que, tendo em conta os empréstimos anteriores, o Piauí vai desembolsar em 2018 cerca de 8% de suas receitas líquidas apenas no pagamento de dívidas. O dado está na proposta de Orçamento em discussão neste momento na Assembleia Legislativa.

Segundo a proposta, o Orçamento do Piauí para 2018 será de R$ 12,9 bilhões. Mas as receitas líquidas (a grana que realmente fica com o governo estadual, após deduções como o repasse para municípios) somam R$ 7,85 bilhões. A maior fatia dessa bolada vai para o pagamento de pessoal: R$ 2,7 bilhões. O volume de recursos para amortização da dívida chega a R$ 627 milhões. Portanto, 8% das receitas líquidas.

Não é pouca coisa. Não é mesmo, sobretudo em um estado onde cada centavo conta e conta muito.

Sem imposto sindical, 3.500 sindicatos deixam de existir


Deputado Paulinho da Força: contra o fim do imposto sindical e já articulando nova Lei para seu retorno
 

A principal vítima da Reforma Trabalhista que entra em vigor hoje parece ser mesmo os sindicatos. Ou pelo menos um certo tipo de sindicato. Segundo cálculos que brotam do Ministério do Trabalho, cerca de 30% dos sindicatos de trabalhadores hoje existentes devem deixar de existir sem a fonte obrigatória de financiamento, o imposto sindical, extinto pela Reforma.

O imposto sindical era uma velha disputa entre a CUT e outras centrais sindicais, como a CGT e a Força Sindical. A CUT, desde sua fundação, sempre se posicionou contra o imposto, visto como fonte de financiamento de sindicatos cartoriais, sem representação política efetiva. Mantinham-se não por respaldo da categoria, mas pela obrigatoriedade do imposto. O raciocínio é simples: sindicato representativo e útil é respaldado (inclusive financeiramente) pela base.

Não por acaso, a CUT quase se fez de morta na discussão desse item específico da Reforma. E o que ouvimos foi o eco da voz de lideranças como Paulinho da Força, que além de líder trabalhista é deputado federal. Paulinho ainda hoje está empenhado em restabelecer o imposto obrigatório. Vale lembrar: o imposto sindical era uma contribuição que todo empregado descontava a cada ano (no mês de março), correspondente a um dia de trabalho.

O time de Paulinho acha que a mudança vai matar os sindicatos. Os que pensam naquela mesma linha do antigo pensamento da CUT avaliam que morrem sindicatos, sim: sindicatos sem representatividade. E os cálculos do Ministério do Trabalho indicam que cerca de 30% dos sindicados de trabalhadores vão perder o sentido – já que o sentido da existência seria a gestão desse rico dinheirinho. Isto é: mais de 3 mil sindicados vão desaparecer.

A conta do Ministério é simples: hoje o Brasil tem cerca de 16.800 sindicatos. Desses, algo como 5.100 são representações patronais. Os demais 11.700 sindicatos seriam de trabalhadores. Se tiver sentido o cálculo do Ministério do Trabalho, segundo o qual 30% vão para o beleléu, serão uns 3.510 sindicatos fechando as portas.

Não é pouca coisa.

 

Já tem mudança em curso

A Reforma está só começando a ser implantada. E as pessoas ainda nem estão muito cientes das mudanças. Mas novas alterações nas regras já estão em curso. Inclusive sobre o imposto sindical, que poderá voltar.

O velho imposto pode voltar e jogar por água abaixo o cálculo do Ministério do Trabalho: com uma nova fonte de financiamento, tudo ficaria basicamente como está.

Proposta do Orçamento 2018 abre a guerra por dinheiro


Reunião na Comissão de Finanças sobre Orçamento 2018: o primeiro round da guerra por mais recursos no próximo ano

 

A Assembleia Legislativa iniciou nesta semana a discussão sobre a proposta orçamentária do Estado para 2018. O governo festeja os dados. A oposição questiona a prioridade para certas áreas. Mas a guerra principal ainda está por começa: a disputa que realmente tensiona o ambiente é entre os diversos poderes, cada um querendo maior participação no bolo.

As diferenças entre governo e oposição ficaram expostas na discussão que aconteceu na Comissão de Finanças da Assembleia. Os discursos mais desencontrados foram o do secretário de Planejamento, Antônio Neto, e o do deputado Marden Menezes (PSDB), que fez as principais críticas pelo lado da oposição. São leituras bem diversas do mesmo documento: o secretário vê o copo quase cheio; o deputado enxerga quase vazio.

O orçamento do Estado para 2018 está previsto em R$ 12,9 bilhões. As receitas líquidas (o que efetivamente fica com o governo estadual, após deduções como o repasse para municípios) somam R$ 7,85 bilhões. São números que animam o secretário, já que contemplam uma expectativa de recuperação da economia brasileira. Também são festejados outros números, especialmente os repasses para áreas específicas.

Prevalecendo a proposta do Executivo, a grande fatia do Orçamento vai para os compromissos com folha de pessoal: R$ 2,7 bilhões. O setor de Saúde terá recursos da ordem de R$ 811 milhões e a Segurança outros R$ 670 milhões. Já a Educação terá R$ 488 milhões, com R$ 77,4 milhões para saneamento básico e R$ 64 milhões para assistência social. O volume de recursos para amortização da dívida chega a R$ 627 milhões.

Os números festejados pelo secretário Antônio Neto recebem críticas do deputado Marden Menezes. Ele destaca o crescimento de 102,8% nas receitas para a Secretaria de Ação Social, um aumento muito acima de áreas prioritárias como Saúde, Educação e Segurança. Também diz não entender a redução (R$ 3 milhões a menos) no orçamento do Corpo de Bombeiros, na SDR (menos R$ 9 milhões) ou na Secretaria do Turismo (redução de R$ 5 milhões).

 

Começa cabo de guerra entre Poderes

As críticas do deputado Marden Menezes são a parte mais vistosa da guerra do Orçamento. Mas o que tira o sono do governo é mesmo a negociação com os demais poderes. É uma guerra muitas vezes silenciosa, e que envolve quem tem muita força: o Executivo e o Legislativo além do Ministério Público e Tribunal de Contas. Todos com poder de fogo – e poder de dano.

O discurso – verdadeiro – de todo ano é que o cobertor é curto: se cobre os pés, deixa a cabeça de fora. Isto é: se aumenta o dinheiro para um, falta para outro. Todos sabem disso. Mas cada Poder quer puxar o cobertor para si. Ninguém quer ficar ao descoberto.

Aécio joga biografia no lixo e pode levar PSDB

Senador Aécio Neves: o homem que quase levou o PSDB de volta ao Poder está jogando a própria biografia no lixo. E pode levar o partido


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteve muito perto de chegar à presidência da República, em uma eleição onde alcançou quase metade dos votos. Mas a biografia do tucano que quase destrona Dilma Rousseff (PT) através do voto está sendo lançada diretamente no lixo. E pelo próprio Aécio. O detalhe é que, nos momentos finais de seu protagonismo dentro do PSDB, ele faz um esforço muito grande para levar junto o partido.

O último movimento catastrófico de Aécio foi a decisão desta quinta-feira, de destituir o senador Tasso Jereissati da presidência interina do partido. Isso exatamente um dia depois de Tasso se lançar candidato à presidência do partido, em uma eleição marcada para daqui um mês.

Desde que veio a público as gravações de Joesley Batista, em que o senador mineiro aparece negociando valores – um empréstimo? – com o dono da JBS, Aécio ficou em situação muito difícil. Mas não teve grandeza para dar um passo atrás e ceder protagonismo. Ao contrário: estrebuchou como pode para apegar-se a qualquer nesga de poder dentro do partido.

Depois das gravações da JBS, em maio, Aécio foi afastado do mandato. Quando retornou, a única concessão foi que seguiria licenciado. Renunciar à presidência, nem pensar! Agarrou-se ao cargo como a moeda política que restava – sobretudo na negociação com o governo Temer. A conseqüência foi um crescente desgaste, logo transferido para o partido.

Mas podia piorar. E piorou com o segundo afastamento do mandato, que contornou com mais entendimentos com o presidente Temer. O presidente assegurou os votos do PMDB a favor do senador, que por sua vez garantiu os votos de uma fatia do PSDB para engavetar a segunda denúncia contra Temer. E piorou mais ainda agora, quando destituiu Tasso da presidência interina do partido.

Um sinal de pequenez. De autoritarismo. De miopia política.

Aécio assumiu todas essas imagens por apenas um mês de mandato interino de Tasso. E pode terminar gerando uma reação interna que favoreça o próprio Tasso, no embate interno contra Marconi Perillo, o governador de Goiás que tem o apoio de Aécio na disputa pela liderança do partido.

 

Um partido que se desmancha em público

Sob a liderança de Aécio Neves (MG), o PSDB conseguiu se desmilinguir. O senador até gerou esperanças, em 2014, quando ameaçou ganhar a eleição. Mas terminou perdendo, e muito por não ter conseguido nos três anos anteriores ser vistos como oposição, como a alternativa real.

Depois de 2014, a coisa não andou bem. Aécio avalizou o impeachment de Dilma e levantou a voz, acossando os petistas com o discurso da ética. Nada que uma JBS não jogasse de uma vez por todas no lixo. E agora o PSDB paga um preço alto, sobretudo, pelos maus passos do senador.

Depois das gravações, o PSDB perdeu o discurso. Não se sabe se é oposição ou governo, se está na luta contra a corrupção ou afundado nela. E isso tudo tem muito a ver com Aécio: pela tibieza das posturas e pelas revelações inexplicáveis.

Economia reage e dá esperanças de um 2018 melhor


Construção Civil: um dos setores que mais gera empregos ainda espera melhoras na economia brasileira para reagir
 
O Brasil vem se apegando, já há uns cinco anos, à esperança de um ano novo melhor, com a economia reagindo positivamente. Essas esperanças foram sendo frustradas em 2014, 2015 e especialmente em 2016. Também 2017 – que era apresentado com o ano da recuperação em grande estilo – terminou frustrando, com um aumento do PIB que não deve chegar a 1%. Agora as esperanças se voltam para 2018. E pode ser que desta vez as expectativas tenham chances de se concretizar.

Alguns números alimentam essas esperanças. Por exemplo, o consumo em alta. A projeção do comércio eletrônico é que o setor terá neste final de ano um crescimento da ordem de 18%. Claro, o comércio eletrônico é um ponto fora da curva, pela migração de negócios do ambiente físico para o virtual.

Mas é um um indicador positivo que se junta ao comércio lojista tradicional, que em outubro teve mais de 3% de aumento nas vendas, em comparação com o ano passado. Esse mesmo comércio físico faz projeções iguais ou maiores para o período de natal, o que aponta para um aumento de consumo importante neste fial de 2017.

Tudo vai ser alimentado pela injeção de R$ 200 bilhões só com o 13º salário, Brasil afora. O salário, aliás, é um fator desencadeador do consumo, a partir do ainda tímido mas real crescimento do emprego: no terceiro trimestre do ano o mercado de trabalho movimentou R$ 188,1 bilhões em salários. Isso significou quase R$ 7 bilhões a mais na economia, quase 4% a mais que o mesmo período do ano anterior. Esse número reverteu uma tendência de queda que vinha desde 2014, conforme o IBGE.

Há informações novas que apontam não apenas para os meses passados, mas para os próximos meses. É o caso da produção de automóveis: a produção de outubro foi 42,2% maior que no ano passado. E aponta para a perspectiva de vendas nos próximos meses. Quer dizer: as concessionárias estão fazendo pedidos que se transformarão em vendas neste final de ano.

Todos esses indicadores alimentam as esperanças de que o ano de 2018 será distinto dos anos anteriores.

O que ainda persiste como grande dúvida é a situação das contas públicas. Essa dúvida é importante porque o investimento público tem um peso muito grande na economia, especialmente aquele destinado às obras de infraestrutura. O déficit é enorme e não há clareza sobre a aprovação de medidas que reduzam o rombo.

De qualquer forma o governo anuncia uma série de investimentos, num bolo de ações que somam mais de R$ 40 bilhões. É o projeto Avançar, uma espécie de PAC do Temer. Dessa bolada, cerca de R$ 28 bilhões serão para obras de infraestrutura.

Se o projeto for transformado em ação, será uma enorme ajuda na concretização do sonho da retomada da economia, especialmente na geração de emprego. Sim, porque o investimento em infraestrutura e em moradia (outro item importante do Avançar) benefiia especialmente a construção civil – um setor que ainda não reagiu ao descalabro econômico que vigora desde 2014. E a construção civil pode ser um grande gerador de enmpregos, essa parte da economia que ainda tem muito o que recuperar.

É torcer para que as expectativas se confirmem .

Governo dá ‘bombom’ em troca da venda Eletrobrás

Cânions do Rio São Francisco em Canindé do São Francisco, Sergipe: um rio que pede socorro, com ou sem venda da Eletrobrás


O governo anunciou as regras que vão nortear a venda da Eletrobrás. E para atenuar as críticas, colocou alguns “bombons” no pacote. São dois, um deles com a intenção de afagar a bancada nordestina, conhecida nos corredores do Palácio do Planalto como “a bancada da Chesf”, e que seria refratária à venda. Mas a oferta não passa disso: um bombom, daqueles que se dá à criança para que ela deixe de chorar após a queda.

O primeiro “bombom” do pacote preparado pela equipe do presidente Michel Temer é uma tentativa de fazer crer que o governo não está se desfazendo um bem público precioso. Lá estabelece que o governo passa adiante a Eletrobrás, mas manterá o direito de veto nas decisões estratégicas. Ora, será um poder de veto que não muda o essencial: a Eletrobrás passará à iniciativa privada. Ponto.

O segundo "bombom", o que tenta agradar a “bancada da Chesf”, prevê investimentos voltados para a recuperação do Rio São Francisco, esse caldeirão cultural e ambiental que é muito mais que um patrimônio nordestino: é um patrimônio nacional. Segundo informações vazadas do Palácio do Planalto, o governo federal vai incluir no projeto de lei da venda da Eletrobrás um programa de investimento para recuperação da Bacia do São Francisco. Parece tentador. Mas não passa de um bombom.

Segundo informações palacianas, o programa terá duração de 30 anos. E prevê investimentos de R$ 350 milhões nos primeiros 15 anos. Vou repetir: R$ 350 milhões em 15 anos. E complemento: uma ninharia.

Para se ter uma idéia, a obra de alargamento da BR 135, no trecho que corta o sul do Piauí, está orçada nos mesmos R$ 350 milhões, com desembolso previsto para dois ou três anos. Pensar nesse investimento no São Francisco como argumento para o apoio à venda da Eletrobrás é oferecer uns trocados.

O Rio São Francisco – como o Parnaíba e o Poti – há muito pede socorro. As agressões ao leito do rio e devastação de suas margens e nascentes preocupam muito. Há uns 30 anos reclama-se um programa de recuperação do Velho Chico. E agora ele surge como contrapartida. A recuperação do São Francisco não deveria ser objeto de barganha. Deveria ser uma oferta de política pública importante para o Nordeste e o Brasil. Demonstração de compromisso com o rio.

Esse “bombom”, de verdade, desvia-se do óbvio: o São Francisco precisa de urgente recuperação, com ou sem venda da Eletrobrás.
 

O Congresso pensou na frente

A proposta do governo federal para revitalização do São Francisco pode chegar tarde. Ontem, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou parecer que permite o uso do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) nos projetos de revitalização do Velho Chico. Este ano, o FNE tem orçamento de R$ 26,1 bilhões. O projeto pode ser votado agora em regime de urgência.

A idéia que é que os fundos constitucionais do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste possam ser utilizados na recuperação de bacias hidrográficas nas três regiões. E, assim, não apenas o São Francisco poderá ser beneficiado. Também outros importantes rios – e aí está a hora do Parnaíba, tão agredido, também ser lembrado.

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