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Água Branca lidera incidência e letalidade de coronavírus no Piauí

Água Branca é a cidade com maior índice de incidência do coronavírus no estado do Piauí. É também a que registra o maior percentual de letalidade. Essa constatação é feita a partir da análise do último relatório da Secretaria de Saúde do Estado (Sesapi), sobretudo a observação da lista dos municípios com maior número de casos confirmados de Covid-19, a doença resultante da infecção pelo novo coronavírus. Água Branca é a 6ª em números absolutos de pessoas infectadas, mas proporcionalmente é a primeira.

Com uma população de menos de 18 mil habitantes, a cidade do Médio Parnaíba tem mais casos, por exemplo, que Floriano – que conta com cerca de 60 mil habitantes. Ela está atrás apenas de Teresina (1.504 casos, segundo relatório de ontem), Parnaíba (171 casos), Picos (123), Campo Maior (79) e Esperantina (78). O 6º lugar de Água Branca é garantido pelos 47 casos até ontem registrados.

Para medir a incidência da Covid-19 por município, a Sesapi faz uma relação para cada grupo de 10 mil pessoas. Assim, levando em conta a população inferior a 18 mil habitantes, Água Branca apresenta uma proporção de 26,99% casos para cada grupo de 10 mil pessoas. A segunda maior proporção é Esperantina (19,63 por grupo de 10 mil), seguida de Teresina (17,39) e Campo Maior (16,87).

Na lista das seis cidades com mais casos, Picos (15,72) ocupa a 5ª posição por ordem de incidência, seguida de Parnaíba (11,17 casos para cada grupo de 10 mil pessoas).
 

Letalidade é mais de 3 vezes a de Teresina

No número de óbitos resultantes da Covid-19, Água Branca tem o segundo lugar em números absolutos, junto com Parnaíba (ambas com 5 mortes) e atrás apenas de Teresina (45 óbitos). Mas outra vez a cidade do Médio Parnaíba alcança a liderança quando se observa a letalidade – que é o percentual de mortos para o total de casos verificados na cidade. Em um universo de 47 casos registrados, os 5 casos fatais indicam uma letalidade de 10,6%. Esse índice é mais de três vezes a cidade na segunda colocação – Picos, com 3,2%) e também de Teresina (letalidade de 2,99%, proporção das 45 mortes em 1.504 casos totais).

Parnaíba (com 2,92%) tem índice semelhante ao de Teresina. Entre as seis cidades com maior número de infectados pelo novo coronavírus, duas não registram óbitos: Campo maior e Esperantina. Portanto, não apresentam cálculo de letalidade (ver tabela).

Clima quente tem pouca influência sobre coronavírus, diz estudo

Estudo divulgado ontem pela revista Science mostra que é muito pouco significativo o impacto do clima na propagação do coronovírus. Inicialmente, acreditava-se que o clima quente teria maior poder de interromper a propagação do vírus, mas os estudos mostram que essa premissa não tem amparo nos resultados de estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Os estudiosos fizeram três simulações e somente em uma há registros de influência do clima, mas de forma limitada.

Na simulação que apresenta algum resultado, os pesquisadores fizeram projeções matemáticas que assemelham o comportamento do novo coronavírus com o vírus da influenza. Ainda assim o impacto foi considerado modesto, indicando que, com muitas pessoas ainda vulneráveis e a velocidade de transmissão do vírus, o clima quente só consegue reduzir muito pouco a taxa de infecção. Esse impacto vai ser percebido somente a partir de certo estágio da pandemia – ou seja, no início das ocorrências, o calor não faz grande diferença.

Os altos registros em países do hemisfério sul – como o Brasil – reforçam o entendimento de que que as condições climáticas mais quentes não são determinantes para interromper a doença. “Não parece que o clima está regulando a propagação agora. Claro, não sabemos diretamente como a temperatura e a umidade influenciam a transmissão, mas achamos que é pouco provável que esses fatores possam interromper o contágio baseado no que vimos acontecer com outros vírus”, disse Bryan Grenfell, professor de biologia da Princeton.

Os pesquisadores acreditam, no entanto, que após o pico da pandemia passar, a tendência é que o coronavírus passe a circular permanentemente e, nessa circunstância, a influência do clima será maior.
 

Dados do Brasil reforçam conclusões

Os resultados do estudo da Universidade de Princeton podem ser verificados dentro do próprio Brasil, onde a diferença climática entre cidades não está implicando em resultados automáticos relacionados ao número de casos do novo coronavírus. Algumas das cidades brasileiras com altos registros proporcionais à população têm clima mais quente. Aí podem ser relacionadas Fortaleza, São Luís, Manaus e Recife. E uma das capitais com menos infectados, Porto Alegre, tem clima mais frio.

A coluna observou sete capitais, registrando a temperatura média para o mês de abril (quando começou a explosão de casos) e comparando com o número de infectados por cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo os dados contabilizados ontem às 19h pelo Ministério da Saúde, das sete, Fortaleza tinha o maior índice (635 casos por 100 mil pessoas) e Porto Alegre o menor (apenas 40 casos por cada grupo de 100 mil habitantes). Teresina fica com o segundo menor registro desse pequena lista (ver tabela abaixo). Isso quer dizer que o determinante está em outros fatores que não direta ou unicamente no clima.

Maia avaliza adiamento da eleição e Congresso deve votar nova data

O adiamento da eleição municipal deste ano, programada para 4 de outubro, ganhou ontem um duplo aval no Congresso: os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, deram sinais de que a mudança de data já está em discussão entre os parlamentares. Rodrigo foi explícito em uma entrevista, dizendo que a mudança de data deve acontecer em razão da pandemia. Já Alcolumbre está formando um grupo de deputados e senadores para discutir objetivamente o tema, tirando uma proposta que estabeleça essa nova data para o pleito eleitoral.

O adiamento das eleições entrou na pauta ainda em março, quando o senador Elmano Ferrer (Podemos-PI), alegando o grave quadro sanitário, apresentou proposta propondo não apenas o cancelamento das eleições deste ano como também a prorrogação do mandato dos atuais prefeitos por dois anos. A ideia de prorrogar mandato não ganhou apoio e teve vozes contrárias dentro e fora do Congresso, incluindo o ministro Luís Roberto Barroso, que vai comandar o pleito eleitoral como presidente do TSE.

Na segunda-feira, foi a vez de outro senador piauiense, Marcelo Castro, apresentar proposta sobre o tema. Ele defendeu autorizar o TSE a decidir sobre o adiamento e definição de um novo calendário ainda para este ano. Mas as principais lideranças do Congresso não parecem dispostas a abrir mão de nenhuma prerrogativa e ontem Rodrigo Maia já avisou que a Casa vai votar a mudança de data. Disse mais: não concorda com prorrogação de mandato. Tal aval faz o tema andar de vez.

A decisão no Congresso deve lançar a escolha dos novos prefeitos para o final de novembro ou começo de dezembro.
 

Na América Latina, 9 países já adiaram

A pandemia do novo coronavírus já levou nove países da América Latina a decidirem pelo adiamento de eleições, seja nacional, regional ou local. Na maioria dos casos, o adiamento não veio acompanhado da definição de uma nova data. A suspensão das eleições, em geral, foi antecedida de um concesso político amplo, colocando a questão sanitária acima do jogo político. Esse tipo de amplo entendimento político também é esperado no Brasil, sem grandes discrepâncias.

Confira os países que decidiram adiar as eleições:
Bolívia: era para eleger o novo presidente dia 3 de maio, mas ainda não tem nova data para realização da votação.
Chile: o referendo sobre a elaboração de uma nova Constituição deveria acontecer em abril, mas foi adiado para outubro.
Colômbia, Uruguai, Paraguai, México, Peru e Argentina: todos tinham eleições municipais marcadas, mas foram adiadas sem nova data.
Republica Dominicana: teria eleições presidenciais em 5 de maio, mas adiou para 17 de julho.

Piauí tem 767 mil trabalhadores subutilizados, maior taxa do país

Foto Roberta Aline / Cidadeverde.com

Força de trabalho no Piauí: segundo IBGE, quase metade dos trabalhadores são subutilizados


Cerca de 45% da força de trabalho do Piauí têm subutilização, o que coloca o estado como a maior taxa do país nesse quesito. O percentual é quase duas vezes a média observada para o Brasil, que é de 24,4%, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) para o primeiro trimestre de 2020. Na outra ponta está Santa Catarina, com o menor indicador do país, cerca de 10%.

O índice significa que aproximadamente 767 mil pessoas são subutilizadas. Desse total, 195 mil são de pessoas desocupadas (“desempregadas”), 292 mil são subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (trabalham menos de 40 horas semanais) e mais 280 mil pessoas estão na força de trabalho potencial (gostariam de ter uma ocupação, mas não puderam  buscá-la no mercado de trabalho). A pesquisa aponta ainda que 14,3% das pessoas fora da força de trabalho no Piauí estão em situação de desalento (não buscam mais emprego). Isso equivale a 169 mil pessoas. O indicador é o quarto maior do país, atrás do Maranhão (20,2%), da Bahia (15,5%) e de Alagoas (15,5%).

Confira outros indicadores da pesquisa do IBGE.

• Empregos formais e informais: No 1º trimestre de 2020 houve uma redução de 58 mil empregos (formais e informais) no Piauí, o que representou uma queda de 7,8% em relação ao trimestre anterior. A maior redução foi no setor privado (31 mil postos a menos), onde 35% desses postos de trabalho eram com carteira assinada e 65% sem carteira assinada.
• Desemprego: A taxa de desemprego foi de 13,7%, pouco acima da registrada no último trimestre de 2019, quando atingiu 13%. O número de pessoas desempregadas no Piauí foi de cerca de 195 mil pessoas.
• Ocupação por setores: no Piauí, o destaque da ocupação por atividade econômica ficou por conta dos seguintes setores:
  - Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: redução de 19 mil postos de trabalho, cerca de 8,5% em relação ao trimestre anterior. Em relação ao 1º trimestre de 2019, são 62 mil postos de trabalho, queda 23,3%.
  - Administração pública, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: redução de 20 mil postos de trabalho, cerca de 7,8% em relação ao trimestre anterior.
  - Construção civil: são 15 mil postos de trabalho a menos, perda de 15,1% em relação ao trimestre anterior.
  - Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas: um dos poucos setores que apresentou aumento de postos de trabalho, com 22 mil novas ocupações, uma elevação de 8,3% em relação ao trimestre anterior.
 

No Piauí, 58,8% das pessoas trabalham na informalidade

No primeiro trimestre de 2020, a taxa de informalidade do Piauí ficou em 58,8%, a quarta maior do país, atrás apenas do Pará (61,4%), do Maranhão (61,2%) e do Amazonas (58,9%). O estado com a menor taxa de informalidade foi Santa Catarina, com 26,6%. No Brasil, a média de informalidade ficou em 39,9%. A informalidade no Piauí representa 725 mil pessoas, com a seguinte distribuição: 344 mil pessoas que trabalham por conta própria sem registro no CNPJ;  189 mil pessoas empregadas no setor privado da economia sem carteira de trabalho assinada; 96 mil pessoas que trabalham auxiliando na família; 76 mil pessoas empregadas em atividades domésticas sem carteira assinada e 20 mil pessoas na condição de “empregador” sem registro no CNPJ. 

Confira outros dados da pesquisa:
• Rendimento médio real cai 10,5%: O rendimento médio dos trabalhadores no Piauí ficou em R$ 1.401,00 no 1º trimestre de 2020,  redução de 10,5% em relação ao mesmo trimestre de 2019, que foi de R$ 1.565,00.
• Desempregados entre jovens: a maior parte dos desempregados no Piauí, no 1º trimestre de 2020 tinha entre 25 a 39 anos, representando 35,9% do total (aproximadamente 70 mil pessoas). Na sequência, vinha o grupo de 18 a 24 anos, com 30,7% (60 mil pessoas).

Teresina apresenta a maior taxa de desemprego da série histórica

No 1º trimestre de 2020 o município de Teresina registrou uma taxa de desemprego de 15,5%, a maior da série histórica medida desde 2012. A menor taxa registrada no município foi de 6,8%, no terceiro trimestre de 2016. Em relação ao trimestre anterior, a taxa de desemprego apresentou pequeno aumento de 0,5 ponto percentual e em relação ao mesmo trimestre do ano passado apresentou aumento de 2,3 pontos percentuais. Em Teresina a estimativa de pessoas desocupadas é de 70 mil pessoas. A taxa de desemprego em Teresina foi maior que a taxa média observada para o estado do Piauí, que ficou em 13,7%.

Covid no Brasil segue em alta e país ainda não projeta redução de casos



Diversas instituições fazem estudos e tentam estabelecer uma projeção segura sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Universidades como a UFMG e a UFRJ, assim como o próprio Ministério da Saúde apresentam estudos, mas têm olhares distintos sobre o futuro. Porém fazem uma mesma afirmação: o Brasil ainda não chegou no pico do registro de novos casos diários, o que pode acontecer daqui a duas, três ou quatro semanas – ou até depois, conforme o Ministério. No comparativo com os dados internacionais, os gráficos apontam para a conclusão de que o Brasil sequer atingiu o “platô” da curva de casos, quando há uma estabilização com números em índices bem elevados.

Os dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, mostram que os principais países do planeta já apresentam curva em declínio. Na lista dos 10 com maior número de casos, a exceção pura e dura é o Brasil, embora deva-se esperar um pouco mais pelos dados da Rússia, que apresentou declínio apenas nos últimos dias: a espera é para ver se a tendência se confirma. No caso do Brasil, a tendência verificada é de crescimento do número de novos casos a cada 24 horas, ou pelo menos o somatório de cada semana, que vem se mostrando sempre maior que a semana anterior.

Os dados da universidade americana mostram que Espanha, Itália e Alemanha atingiram o maior número de casos em um mesmo dia ainda no final de março (ver gráfico). Depois disso, passaram de 10 a 15 dias com índices muito elevados (o tal “platô”) e depois passaram a registrar queda expressiva de novos casos. Os Estados Unidos atingiram o pico de novos infectados em 24 de abril (mais de 36 mil em um único dia), daí seguindomais de três semanas com números elevados, para então ter início o período queda sustentável. Algo semelhante ocorreu com o Reino Unido.

A expectativa é saber se a Rússia mantém a queda. Quando ao Brasil, o que se espera é a elevação de casos por pelo menos duas semanas.
 

Mais isolamento para evitar explosão de casos

Em geral, as autoridades brasileiras sabem que o horizonte das próximas semanas não é de suavidade. Ao contrário: espera-se um importante incremento no número de casos gerais e também de óbitos, visto que boa parte dos estados vai chegando no limite de suas UTIs específicas para pessoas com a Covid-19, a doença que vem da infecção com o novo coronavírus. E um dos caminhos para enfrentar a dura realidade é a ampliação do isolamento social com recursos que vão desde os “super feriadões” até mais lockdown.

A cidade de São Paulo está prestes a viver o feriado de 6 dias. A Câmara da maior cidade do país aprovou proposta do prefeito Bruno Covas que antecipa dois feriados municipais (Corpus Christi e Dia da Consciência Negra) para amanhã e quinta-feira. E aí o prefeito já anunciou que na sexta-feira será ponto facultativo. Para completar, o governador João Dória apresentou proposta que antecipa o feriado estadual de 9 de julho para a próxima segunda-feira. Deve ser aprovado pela Assembleia. Aí então será o “super feriadão” de seis dias, começando na quarta e indo até a segunda-feira.

Ensino a distância na pandemia pode ter resultados desastrosos

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A pandemia, que obrigou escolas e universidades a buscarem o Ensino a Distância (EAD), pode apresentar uma conta muito elevada no campo da educação. Isso porque o uso quase compulsório da EAD está revelando o amplo despreparo do Brasil para essa modalidade de ensino e alguns especialistas já enxergam 2020 como uma espécie de ano perdido para a educação. Pode até não levar à perda do ano letivo, mas tem tudo para levar à perda de aprendizado, resultado direto do despreparo das escolas, falta de habilidade de boa parte dos professores e ainda o déficit de inclusão digital dos alunos.

Uma pesquisa divulgada ontem mostra o tamanho do desastre. Realizada pelo Instituto Península, a pesquisa ouviu quase 8 mil professores de todo o país das redes pública e privada, no Fundamental e Médio. A sondagem foi realizada entre 13 de abril e 14 de maio. Portanto, reflete bem o momento atual. E mostra que nada menos que 90% dos professores não tinham tido qualquer experiência anterior com EAD e que 80% se sentem despreparados para os novos modos de ensino.

Praticamente metade (45%) segue perdida, sem ter suporte para as aulas a distância. Daí, criam seus próprios caminhos, em geral o uso de WhatsApp (que é um recurso muito limitado para a dinâmica de uma aula a distância). Isso se reflexo no baixo nível de interação: só 61% têm algum tipo de contato com alunos, a maior parte por WhatsApp. A situação é mais grave na rede pública, sobretudo a municipal, onde o contato só chega a 51% do alunato (quase sempre por WhatsApp).

Outro dado preocupante: os professores enfrentam problemas emocionais e uma boa parte teme pela própria saúde mental. (ver gráficos abaixo)
 

UFPI constata alta exclusão digital

Na semana passada, o Notícia da Manhã (TV Cidade Verde) mostrou dados da UFPI que revelam um alto índice de real exclusão digital. A Universidade quis saber a receptividade à possibilidade de retomada das aulas na modalidade EAD. A professora Juliana Teixeira, que acompanhou esse levantamento, revela que cerca de 30% dos alunos responderam à consulta (dos quais 60% aceitavam a mudança). Esses 60% representam só 18% do alunato, índice muito baixo que deixa de fora a maior parte da comunidade.

Juliana traz dados adicionais que evidenciam a dimensão do problema. Ela lembrar que o próprio IBGE mostra que pouco mais de 60% dos piauienses têm acesso à internet. É muita gente excluída de um recurso que hoje é sinônimo de cidadania. A professora da UFPI vai além: boa parte dos que estão conectados usam o celular como dispositivo. E se valem de dados pré-pagos. São indicadores que praticamente inviabilizam o acesso às aulas a distância e dão a medida do tamanho da exclusão digital.

 

Mundo terá crise de saúde mental após a pandemia, alerta OMS

A Organização Mundial de Saúde está debruçada sobre o drama planetário causado no momento pela pandemia do novo coronavírus. Mas já olha para o período imediatamente posterior, enxergando em um futuro próximo o substancial agravamento do quadro de saúde mental ao redor do mundo. Em um relatório realizado por especialistas, a OMS aponta particularmente dois grupos de pessoas que devem sofrer de forma mais intensa os efeitos da pandemia sobre a estabilidade mental: as crianças e os jovens; e os profissionais de saúde.

O relatório da OMS fala em uma “crise de saúde mental”, desencadeada por um cenário em que milhões de pessoas estão cercadas pela morte e forçada ao isolamento. Esse cenário não se encerra com o fim da pandemia, já que em seguida vem um quadro de agravamento da pobreza e aumento da apreensão resultantes da própria crise econômica. "O isolamento, o medo, a incerteza, o caos econômico – todos eles causam ou podem causar sofrimento psicológico", observou Devora Kestel, que dirige o departamento de saúde mental da Organização.

Diante da perspectiva de um aumento no número e na gravidade de doenças mentais, o relatório já chama atenção dos governos de todo o mundo: que se preparem desde já para o problema e coloquem a questão da saúde mental “na linha de frente” das políticas públicas. "A saúde mental e o bem-estar de sociedades inteiras foram seriamente impactados por esta crise e são uma prioridade a ser abordada urgentemente", disse Kestel, na entrevista em que apresentou o relatório da OMS.

O documento está sendo encaminhado a todas as autoridades de saúde dos países membros da Organização.
 

Crianças e profissionais de saúde, os mais afetados

O relatório da OMS aponta como perspectiva um aumento geral nos problemas de saúde mental. Mas destaca dois grupos como os mais vulneráveis: crianças e jovens; e profissionais de saúde. No caso do das crianças e jovens, são impactados pelo isolamento de amigos e da escola. A Organização Mundial de Saúde já registra aumento significativo nos casos de ansiedade entre as crianças, e também crescentes casos de depressão em vários países. E ainda há o crescimento da violência doméstico, com repercussões graves no ambiente familiar.

No caso dos profissionais de saúde, sofrem pelo ambiente com registro massivo de mortes em uma realidade em que muitas vezes se veem impotentes, sem poder ajudar. Os relatos de várias partes do mundo mostram profissionais de saúde experimentando uma combinação de pânico, ansiedade, tristeza, entorpecimento, irritabilidade, insônia e pesadelos. Mas a OMS lembra que esses públicos são os mais afetados, não os únicos. E que já é hora de pensar nos próximos passos visando "reduzir o sofrimento imenso de centenas de milhões de pessoas e mitigar os custos sociais e econômicos de longo prazo à sociedade".

Futebol voltou. Mas de um jeito meio estranho

A Bundesliga, a liga de elite do futebol alemão, voltou aos gramados neste final de semana, após dois meses de paralisação. Foram seis partidas no sábado. Duas outras neste domingo e o encerramento da rodada com um único jogo na segunda. A retomada tem um pouco o papel de cobaia para o resto da Europa e serve de espelho para outros mercados, incluindo o brasileiro, que não sabe exatamente o que fazer, nem quando. No retorno da Bundesliga, viu-se um clima um tanto estranho, até meio chato, ainda que a volta dos jogos reanime o espírito de muitos, abalados pelo cenário de pandemia.

Mais que o jogo em si, causa um certo estranhamento o que ocorre ao redor da partida. Arquibancadas vazias, comemoração contida (com o toques de cotovelos) e jogadores reservas distantes um dos outros: não ocupavam o “banco”, mas se espalhavam ao longo do engradado que delimita a área de jogo, tudo para que ninguém estivesse a menos de dois metros do companheiro. São as normas no retorno da Bundesliga.

Na disputa da partida, nota-se uma certa contenção das divididas. O ritmo – naturalmente menos intenso após dois meses sem jogo pra valer – faz lembrar amistosos de pré-temporada. E até o VAR – usado no jogo entre Leipzig e Freiburg – ganhou um tom (ainda mais) burocrático: sem torcida, o gol anulado não teve nem protesto nem comemoração. Seja como for, as outras grandes ligas – sobretudo a espanhola, que retorna dia 12 – olham para a Alemanha e tentam beber na experiência alemã.

Com uma importante diferença: a pandemia que suspendeu o futebol ao redor do planeta teve, na Alemanha, efeitos menos terríveis. E o país há muito tem uma curva de casos descendente.
 

No primeiro dia, o ‘fator casa’ não ajudou

A retomada do futebol na Alemanha é cercada de regras. Uma delas: não há torcida e apenas 300 pessoas podem estar trabalhando no estádio no dia do jogo. Essa determinação levou a discussões prévias, especialmente sobre o chamado “fator casa”, quando um time se mostra mais forte pelo suporte da torcida. No primeiro dia após a paralisação, a falta de torcida parece ter produzido efeito e tirou peso do “fator casa”. Nos seis jogos do sábado, só um mandante (o Dortmund) venceu.

Chamou especial atenção o jogo Leipzig e Freiburg. O Leipzig tem feito de seu estádio uma fortaleza. Até ontem, tinha jogado 12 partidas em casa. Contabilizava oito vitórias, três empates e uma única derrota. Ontem, enfrentando uma equipe que está 14 pontos atrás, não passou de um empate. Jogou melhor, teve muito mais chances mas não as converteu em vitória. Faltou um golpe decisivo, uma chama de inspiração que muitas vezes a torcida ajuda a acender.

Coronavirus derruba segundo ministro

Virou piada nos corredores do Poder em Brasília: a cloroquina derrubou o segundo ministro da saúde. Seria risível se não fosse tão sério diante da situação vivida pelo país e o mundo. E é certo que a saída de Nelson Teich, assim como a Luiz Henrique Mandetta, tem importante significado. Fica evidente que há sim uma clara diretriz do governo em relação à pandemia e ela não dialoga muito com as orientações da Organização Mundial de Saúde e de uma parte da comunidade científica – incluindo grupo expressivo de técnicos do próprio Ministério da Saúde. Mas dialoga com a política.

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro fez uma aposta clara na retomada das atividades econômicas como fator principal. E incluiu no coquetel político um medicamento (a cloroquina) que ganhou aura de milagreiro, apesar de muitas ressalvas científicas. Certamente faz um cálculo que passa pela saúde e a economia, mas que é sobretudo um cálculo político. E tal conta passa por alguns pontos:
O horizonte da reeleição: Bolsonaro se apresentou como antipolítico mas é essencialmente político. E político quer poder. Ele quer um novo mandato. E se movimenta nessa perspectiva.
Prioridade é unir bolsonaristas: entende que o primeiro passo é ter uma boa bate popular. São os mais de 25% de bolsonaristas que mantém uma fidelidade acima de qualquer coisa. É para esse grupo que discursa um dia sim e outro também.
Economia para além dos bolsonaristas: mas Bolsonaro sabe que não se ganha eleição de dois turnos com esse percentual de votos. Daí a aposta na economia. É a partir de um bom desempenho da economia, sobretudo preservando empregos, que o presidente esperar alcançar uma boa fatia de brasileiros além dos bolsonaristas.
 

Todo mundo faz cálculo político

Bolsonaro quer chegar em 2022 como a alternativa viável da direita. E de preferência tendo alguém bem à esquerda como contraponto. Por isso aposta tanto na dualidade Bolsonaro x PT. Mas, como faria Garrincha, é preciso perguntar: já combinou como os russos? Sim, porque todo mundo faz seu jogo. Senão vejamos:
Centrão: se aproxima de Bolsonaro na hora crítica, quando pode cobrar mais espaço de poder. Mas nada garante que permaneça com Bolsonaro. Basta lembrar a “virada” às vésperas do impeachment de Dilma Rousseff.
Governadores: fazem suas apostas posicionando-se no contraponto ao presidente. Alguns estão pensando na cadeira do Planalto, como João Dória e Wilson Witzel, dois ex-bolsonaristas que vivaram antibolsonaristas “desde criancinhas”.
Esquerda: tem o discurso antibolsonaro desde a campanha, mas se fragmenta (por exemplo: PT e PCdoB de um lado, Ciro Gomes de outro). Cada um quer se posicionar como “a oposição”.

E para completar tem o gol contra do próprio Bolsonaro, criando adversários que podem avançar sobre seu segmento particular. Um desses adversários é o ex-juiz Sérgio Moro, já cortejado como potencial candidato ao Planalto.

Elmano quer planejamento para retorno da construção civil

O senador Elmano Ferrer (Podemos) defendeu a discussão de um cronograma para retomada das atividades no setor da construção civil. O congressista piauiense assinalou como de extrema importância as medidas de isolamento social adotadas pelo governo do estado e a prefeitura de Teresina, porque elas visam salvar vidas. Mas considera que a construção civil deve ser colocada no rol de atividades sociais. Por isso, Elmano se dispôs a abrir um diálogo com o governo e a prefeitura para que seja feito um planejamento visando a retomada da atividade nesse setor da economia.

Segundo o senador, a construção civil tem caráter essencial porque afeta diretamente o emprego e a renda dos piauienses. Ele fez pronunciamento no Senado quando utilizou esses argumentos e pediu planejamento para o retorno do setor, lembrando que essa retomada já acontece na maioria dos estados. Mas o representante do Piauí também ressaltou as ações adotadas para contenção da pandemia do coronavírus.

“O governador Wellington Dias e o prefeito de Teresina Firmino Filho têm como prioridade máxima a defesa da vida dos piauienses. As medidas de isolamento e a proibição de atividades não essenciais são duras, mas acertadas, e estão salvando muitas vidas. Entretanto, preciso destacar a importância de planejarmos os próximos passos”, disse. Ele recordou que o Governo Federal já incluiu a construção civil no rol de atividades essenciais.

Como cabe aos estados e municípios o poder de estabelecer políticas de saúde e isolamento social e serviços essenciais, Elmano defende o diálogo para definição da retomada no setor.
 

Construção responde por 6% do PIB, destaca senador

Ao defender a importância da construção civil, o senador Elmano Ferrer apresentou números que colocam a atividade como “um dos propulsores da economia”. Ele ressaltou que o setor responde por 6% do PIB brasileiro e por 34% de toda a indústria. E enfatizou o papel de gerador de oportunidades de trabalho, com 13 milhões de empregos diretos e indiretos. Elmano disse ainda que esse papel estratégico e de caráter essencial já foi reconhecido pela maior parte dos estados, onde a construção civil continua ativa.

"Além da importância para a economia”, o senador acentuou uma característica que reduz os riscos de propagação de doenças: “Na construção civil não há atendimento ao público, o que minimiza os riscos de contágio, especialmente, se tomadas todas as medidas de higiene", justificou. "Venho pedir ao governador Wellington Dias e o prefeito Firmino Filho que reflitam sobre o assunto e avaliem incluir a construção civil no rol das atividades econômicas liberadas no Piauí, a exemplo do que já ocorre em todo país”, concluiu o senador.

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