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Imagine se não tivesse crise política: dólar cai e bolsa sobe em julho


Bovespa: mesmo com a grave crise política, a economia reage e ações na bolsa sobem 4,8% em julho

 

Eita país danado de forte: num dos meses mais convulsos da longa crise política vivida pelo Brasil, julho registrou queda na cotação do dólar e alta nos negócios na bolsa de valores. Um sinal de confiança no país e um olhar positivo sobre os últimos indicadores econômicos. Agora, imagina se não vivêssemos uma das mais complicadas crises políticas do país, incluindo uma denúncia contra o próprio Presidente da República!

Não por acaso, o mês de julho consolidou uma série de boas tendências: queda da inflação, aumento do emprego (dois trimestres seguidos), redução dos juros, aumento do consumo e queda no endividamento dos brasileiros. Tudo isso gerou confiança e o cidadão começa a diminuir o medo de fazer planos. Volta a ter (ou pelo menos, a desenhar) horizontes.

E julho teve boa notícia até da política: o Congresso aprovou a reforma trabalhista. A aprovação das novas regras trabalhistas foi motivo de comemoração entre os empresários, o que amplia a disposição para novos investimentos.  

O mercado também mantém a esperança com a manutenção de uma equipe econômica que reverte a sequência de dois anos de recessão, o duro biênio 2015-2016 que fabricou a mais terrível crise econômica da história do país. Tem mais: mesmo a possibilidade de mudança imediata do presidente não traz uma perspectiva de alteração no núcleo dessa equipe que é apontada como a principal responsável pelos bons indicadores dos últimos meses.

Assim, se o mercado está confiante, os números saem: o dólar fechou o mês cotado ao redor dos R$ 3,10, uma redução de 5,87% desde primeiro de julho.  Dólar em queda significa que o investidor não está escondendo o seu dinheiro na segurança de uma moeda que não será afetada pelas incertezas internas. E se o dinheiro são se esconde atrás do dólar, ele termina indo para a bolsa, para investimentos concretos.

Aplicar em ações significa que o dinheiro está sendo investido aqui, capitalizando empresas e dando força à atividade econômica. E os números da bolsa são animadores: o principal indicador da Bovespa fechou ontem em alta. Esta foi uma regra no mês de julho, que chegou ao final com uma alta média nas ações da ordem de 4,8%. Desde janeiro, a alta acumulada é de 9,45%.

A partir de amanhã, o mercado segue se movimentando com um olho na cotação e outro na política. Isso por conta da votação na Câmara sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer. Mas o olhar principal será mesmo para as cotações e para as oportunidades de investimento que podem surgir. Porque a crise política está aí. Mas o Brasil parece mostrar que é maior que toda a crise.

Heráclito integra grupo que articula novo partido de centro


Heráclito Fortes: articulador de um "partido forte" de centro-direita que terá Rodrigo Maia como estrela

 

Em meio à crise de representação que provoca sérios desgastes nos partidos atuais, um nova nova sigla com capacidade de ser decisiva nos rumos do país começa a ser articulada em Brasília. A figura central da nova legenda é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). E tem como um dos articuladores principais o deputado piauiense Heráclito Fortes (PSB).

A revelação foi feita pelo próprio deputado, em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Inicialmente, Heráclito chamou o movimento de “uma frente”, logo depois confessando o desejo de constituir um “partido forte” com egressos do DEM e descontentes de siglas como PSB, PSDB e PMDB.

O núcleo duro do novo partido tem, além de Rodrigo Maia e Heráclito, os deputados José Carlos Aleluia (DEM), Benito Gama (PTB), Danilo Fortes (PSB), Rubem Bueno (PPS) e Teresa Cristina (PSB). Chama a atenção a presença de três integrantes do PSB, entre eles a própria líder do partido na Câmara, Teresina Cristina.

A articulação coincide com entrevistas de Rodrigo Maia  defende o fortalecimento de forças no espectro centro-direita. A diferença é que, agora, esse fortalecimento se dará não pelo reforço do DEM, mas através de um “partido forte” – como diz o deputado piauiense – que una o DEM e também os descontentes aninhados em diversas outras siglas.

 

Deputado vai votar para Temer continuar

Na entrevista ao Acorda Piauí, Heráclito Fortes disse que votará pela não aceitação da denúncia contra o presidente Temer, acusado pela Procuradoria Geral da República de corrupção passiva na relação com os donos da JBS. Segundo afirmou, vai votar dessa forma tendo em conta os interesses do Brasil.

Segundo Heráclito, a oposição aposta no “quanto pior melhor”, o que não contribui para tirar o país da crise. “Essa brincadeira tem que acabar”, disse.

Para ouvir a íntegra da entrevista de Heráclito Fortes, acesse o arquivo abaixo.

 

Após 7 meses, só 10% dos agricultores renegociaram dívidas


Júlio César: alerta para o prazo de renegociação das dívidas dos agricultores. Até agora, só 10% renegociaram

 

Desde janeiro, os agricultores do Nordeste e Norte de Minas e Espírito Santo (área de alcance da Sudene) podem renegociar dívidas em atraso. Depois de sete meses do prazo estabelecido por lei, apenas 10% dos que podem usufruir do benefício recorreram aos bancos do Brasil e do Nordeste para renegociação dos débitos. E olha que os descontos que podem chegar a 95%.

A situação levou a Federação de Agricultura do Piauí (FAEPI) a fazer uma campanha alertando os agricultores para o prazo, que termina em 29 de dezembro. O presidente da FAEPI, deputado federal Júlio César (PSD), se mostra preocupado com a baixa adesão até o momento, e acha que a principal causa é a desinformação. Daí a campanha que veicula em rádio e TV.

Júlio César é também o coordenador da Bancada do Nordeste na Câmara dos Deputados e foi um dos principais articuladores da Lei, que alcança todas as dívidas contraídas entre 2007 e 2011. Segundo ele, mais de 90% dos contratos em atraso – portanto, passíveis de renegociação – são de agricultores familiares, incluindo créditos do Pronaf.

Em todo o Nordeste, Minas e Espírito Santo, são 674 mil contratos. No Piauí são 116 mil, distribuídos entre os bandos do Brasil e do Nordeste. Mas apenas 10% foram renegociados até agora. “Faltam apenas cinco meses de prazo”, adverte Júlio César. Ele diz que a realidade é semelhante em outros estados, tanto que a campanha de informação feita no Piauí está sendo copiada por outras federações.

 

Seca permite renegociar dívida contraída até 2016

Uma decisão tomada na semana passada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) vai permitir que contratos feitos entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2016 poderão ser renegociados. Esses contratos não eram cobertos pela Lei anterior. Serão beneficiados os agricultores da mesma área de alcance da Sudene, a região Nordeste e o Norte de Minas Gerais e Espírito Santos. 

Conforme o deputado Júlio César, essa medida era uma reivindicação da Bancada do Nordeste na Câmara, acatada pelo CMN. O argumento principal utilizado na solicitação é a seca que afeta a região já há seis anos. O deputado observa que essa situação, junto com a recessão vivida pelo país, criou muitas dificuldades para os agricultores, em especial os mini e pequenos.

Os interessados têm até 29 de dezembro deste ano para manifestar a intenção de renegociar seus débitos. Para isso, devem procurar a agência bancária onde o empréstimo foi contratado. Para os contratos feitos entre 2012 e 2016, a medida estabelece prazo de pagamento de até dez anos, com a primeira parcela sendo paga somente em 2021, estendendo-se até 2030. Os encargos financeiros serão os mesmos da ocasião em que o contrato foi celebrado.

Agenda do Congresso no semestre é crucial para o Piauí


Congresso Nacional: agenda do segundo semestre de 2017 pode ser crucial para os interesses do Piauí

 

Os congressistas voltam à ativa na terça-feira. E começam as atividades do segundo semestre como terminaram o primeiro: em clima quente, no embalo da denúncia contra o presidente Michel Temer, a mesma denúncia que tomou conta dos debates (ou seriam discussões?) na primeira quinzena de julho. Mas nem só de denúncia viverá o Congresso neste segundo semestre. E há pelo menos um ponto de extrema relevância para o Piauí.

A votação na Câmara, na quarta-feira, para decidir se a denúncia contra Temer é engavetada ou segue para o Supremo, é talvez a mais polêmica. Com um agravante: caso Temer saia-se vencedor – como é mais provável –, ela pode se repetir em novas denúncias oferecidas pela Procuradoria Geral da República. Além disso, o resultado de quarta-feira vai dizer se o presidente Temer (se vencedor) sairá com votos suficientes para levar adiante outro tema importante: a reforma da Previdência. Se vencer apertado, a reforma da Previdência praticamente estará enterrada.

A outra reforma, a política, terá que ser feita de qualquer jeito porque define as regras das eleições de 2018. E os parlamentares tendem a definir regras que lhes permitam fazer campanhas com certa tranquilidade, incluindo aí o financiamento público, que criará um Fundo Eleitoral de quase R$ 4 bilhões. As mudanças terão que ser feitas até o início de outubro, para que vigorem nas eleições do próximo ano.

 

Piauí precisa ficar de olho no Orçamento

Outra obrigação do semestre é a votação do Orçamento da União. É aí onde o Piauí precisa ter uma ação coordenada e estratégica. Temos um sem número de temas fundamentais, em especial os relativos à infraestrutura. Nos últimos anos, essas obras tem sido contempladas com emendas parlamentares, individuais ou de bancadas. Ou seja: obras que vão sendo financiadas a conta-gotas, o que é quase a mesma coisa de viabilizá-las.

Vamos pegar o caso da ampliação da BR 135, que este ano já matou cerca de 40 pessoas. É uma estrada desenhada há quase 50 anos e que mantém a mesma estrutura (mas piorada, deteriorada)  em uma realidade absolutamente distinta. O projeto de ampliação custa cerca de R$ 350 milhões. Se essa obra for executada à base emendas – R$ 25 milhões por ano – teremos uns 14 anos para concretizá-la. Não dá para esperar.

Além disso, a emenda parlamentar é uma atenção especial da bancada de um estado – individualmente ou em grupo – para compensar certas faltas no Orçamento ou para reforçar estratégias particulares do Estado ou de regiões desse Estado. O problema é que o Orçamento da União não tem sido generoso com o Piauí. Anos a fio. E as emendas se tornaram a única saída para investimentos em áreas que deveriam ter a atenção da Nação, que deveriam ter um olhar estratégico nacional.

Pois bem: hoje a BR 135 é uma das recordistas nacionais em mortes. A BR 135 é o canal de escoamento da fronteira agrícola que mais cresce no país. E a BR 135 conta com um volume de tráfego cada vez mais intenso. E, apesar de tudo isso, a BR 135 não atende às normas definidas pelo próprio DNIT para as rodovias federais. Isso já não seria suficiente para a União olhar com olhos mais responsáveis para essa estrada federal que corta o Piauí?

Mais uma vez, cabe dizer: a discussão do Orçamento da União, neste semestre, ganha valor crucial para o Piauí para fazer valer seus interesses não apenas nas emendas dos parlamentares. Obras como a ampliação da 135 mostram apenas que o Piauí tem pressa. Mas que o Piauí tem urgências que também são da Nação. E que o Orçamento nacional deve contemplar tais ações como prioridades do país.  

Para que o Congresso tenha esse entendimento, vai ser fundamental uma ação ordenada, coordenada e firme da bancada. Sem isso, só nos restará as emendas parlamentares, liberadas quando e como o Planalto decide. E, temos visto, tal sistema não tem funcionadado muito bem.

A crise coloca as universidades públicas na encruzilhada


Universidades públicas: na crise, luta pela manutenção do funcionamento regulas coloca em segundo plano atividades de pesquisa

 

As universidades públicas brasileiras, em especial as universidades federais, tragam um mal bocado. Em alguns casos, como a UFRJ, há dificuldade até para cumprir com as necessidades básicas das básicas, como o pagamento das contas de água e luz. Mas, em regra, as universidades federais sofrem com a crise que vem desde 2011, e demitem terceirizadas, cortam bolsas e paralisam obras.

No caso piauiense, a UFPI vai conseguindo se manter um pouco fora da curva. Não adota medidas de contenção de gastos tão radicais. Mas não vive em outro planeta e sofre os efeitos da crise duradoura. Segundo levantamento divulgado pela Andes – entidade que reúne os docentes do ensino superior –, a UFPI apresenta problemas na manutenção dos laboratórios de graduação. Não é só: há problemas no pagamento de terceirizados e outros fornecedores.

A crise das universidades públicas não é de hoje. No caso das federais, há uma mudança radical de rumo já em 2011, o primeiro governo Dilma Rousseff. Em 2015, as dificuldades se tornaram gritantes e pioraram em 2016: Dilma deixou o governo, em maio do ano passado, contingenciando os repasses para as Universidades. Era uma penúria só. Quando assumiu, Michel Temer se empenhou em recuperar o atrasado. Mas este ano a coisa desandou de vez.

O controle orçamentário em nome do equilíbrio fiscal implicou em cortes radicais, em especial os relativos ao custeio – que cobre gastos com água, luz e terceirizados, por exemplo. O contingenciamento feito em março atingiu R$ 3,6 bilhões de despesas diretas do Ministério da Educação. Nesta conta não estão os R$ 700 milhões em emendas parlamentares para a área de educação. Daí, a situação se complicou, beirando o caos na maioria das universidades.

Alguns dados da Andes são bem reveladores:

Universidade Brasília: demitiu 134 trabalhadores da limpeza, 14 jardineiros, 37 da manutenção, 22 da garagem, 32 vigilantes, 62 das portarias e 8 da copa.
Universidade do Espírito Santo: colocou detentos para limpar o campus.
Universidade Federal de Santa Maria (RS): demitiu 56 dos 129 vigilantes da instituição.
Universidade Federal de Pelotas: demitiu 50 funcionários e extinguiu 30% das bolsas de pesquisa e de extensão.
Universidade Federal do Paraná: Reduziu uso de água, luz e telefone e, para economizar energia, trocou todas as lâmpadas por lâmpadas mais modernas, de LED.
Universidade Federal do Piauí: a Andes reclama falta de insumos nos laboratórios da graduação.
Universidade Federal da Paraíba: sem ter como pagar os fornecedores, paralisou 42 obras.
Universidade Federal do Acre: até obras de manutenção nos campi e investimento em infraestrutura foram prejudicados.

O resumo de dificuldades deixa às claras duas realidades. A primeira: a crise é enorme e a recessão de 2015 e 2016 ainda passa fatura. Segunda verdade: a educação paga caro e, com ela, as perspectivas do país.

Um processo de família não é só questão jurídica, diz Defensor


Defensor João Neto: mediação de conflitos de família tem ajudado a solucionar embates jurídicos

 

A Defensoria Pública do Estado do Piauí já realizou, desde 2015, mais de 2.000 conciliações através do Núcleo de Solução Consensual de Conflitos. Um número que ganha mais evidência quando se vê o percentual de sucesso: 72% dos conflitos terminam em acordo através de mediações realizadas pelo Núcleo.

O sucesso está associado a uma mudança de diretriz, que parte do entendimento de que por trás de cada processo judicial há pessoas. “Não se pode olhar um processo só como relação jurídica”, diz o procurador João Castelo Branco de Vasconcelos Neto, chefe do Núcleo, que hoje cedo concedeu entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Para ele, é fundamental que se enxergue os envolvidos como seres humanos.

Na entrevista ao Acorda Piauí, João Neto acentua que “não dá para confundir resolver processo com resolver conflito”, especialmente na área de família. Num caso de divórcio, por exemplo, muitas vezes os envolvidos chegam à sala do juiz brigando, chegam a um acordo sobre a disputa e continuam brigando.

Para o Defensor Público, essa é a grande diferença da mediação realizada pelo Núcleo, que busca soluções efetivamente pactuadas e que encerrem o conflito. E ressalta a importância de ouvir os envolvidos. 

Mas João Neto admite que o trabalho da Defensoria Pública poderia ter maior alcance, inclusive com mais ampla capilaridade da instituição, com mais unidades distribuídas pelo interior. Hoje a Defensoria está em apenas quatro cidades. Além disso, faltam defensores e também outros profissionais que dêem suporte no trabalho de mediação. Por exemplo, psicólogos.

Se você quer ouvir a íntegra da entrevista do defensor público João Castelo Branco de Vasconcelos Neto, acesse o arquivo abaixo.

 

Direita se assume e mostra a cara do conservadorismo


Rodrigo Maia, do DEM: face de uma Direita que mostra a cara e se assume em um país que discursava como esquerda

 

Em abril de 2011, a revista Veja publicou reportagem em que apontava um fato inusitado: o Brasil apresentava-se como um país sem direita. Essa conclusão foi feita a partir da auto-definição ideológica dos presidentes de diversas siglas. O presidente do DEM, por exemplo, identificava o partido como de centro. Outros como centro-esquerda ou esquerda. Seis anos depois, a realidade mudou muito. E o que não falta agora é político se assumindo como de direita.

A matéria de Veja mostra que esse auto-rótulo esquerdista é antigo, perceptível no próprio nome dos partidos. “As palavras ‘social’ e ‘trabalhista’ e ‘socialista’ aparecem na maioria dos nomes das legendas. Há apenas um partido que faz referência ao liberalismo – o PSL, que, ainda assim, também se diz social – e nenhum que tenha a expressão ‘conservador’ no nome”, diz a reportagem.

Naquele abril de 2011, o auto-rótulo de “esquerda” também era influenciado pelo auge do petismo, que completava oito anos de poder. Agora, após um mundo de escândalos e a recessão brutal que espanaram boa parte do brilho do PT, muitos procuram se distanciar do rótulo de esquerda. E o fazem de forma explícita, assumindo uma faceta conservadora que sempre esteve presente, ainda que poucos se atrevessem a exibi-la.

Alguns que se assumem como direita o fazem de forma ostensiva, abraçando inclusive uma faceta autoritária e discriminatória. É o caso do deputado Jair Bolsonaro (PSC), que os estudiosos não definem como direita, e sim ultra-direira. Mas há partidos com faceta efetivamente democrática que não se furtam à identificação ideológico à direita.

É o caso do PP, presidido pelo senador piauiense Ciro Nogueira. Ao ser alçado ao terceiro mandato no comando do PP, Ciro lançou o nome do ministro Blairo Maggi para presidente. E justificou dizendo que o eleitor brasileiro deseja uma opção posicionada na centro-direita.

Outro que acabou de assumir esse perfil foi o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que se firma como principal referência do DEM. No esforço de atrair descontentes do PSB, Maia dizia da preocupação em fortalecer o DEM como uma força à direita.

No caso de Bolsonaro, a faceta conservadora se afirmar através de valores controversos, como o ataque aos direitos humanos (que só protegeria bandidos) e até mesmo a defesa da tortura. Com esse discurso, adota a estratégia de atrair um público explicitamente conservador, sem contemporizações e concertação. Não é o caso de Ciro e Rodrigo, que assumem o viés conservador sem abrir mãos dos princípios democráticos.

Se prevalecer a visão de Rodrigo e Ciro, pode ser uma boa notícia. Porque é sempre importante sabermos qual a ideologia e, portanto, os compromissos de cada partido. Só assim poderemos ter uma previsão do comportamento dos seus membros, antes e depois das eleições.

Na crise, Nordeste sofre em dobro: com a recessão e a seca


Seca no Nordeste: um ingrediente que se soma à recessão e cria um quadro social dramático na região

 

Em meio à maior crise econômica da história do país, a região Nordeste vem sofrendo em dobro. Já são uns seis anos de sofrimento, onde a recessão nacional – que afeta de modo especial a ainda frágil economia nordestina – ganha o devastador ingrediente de uma seca que é apontada por muitos como a mais rigorosa das últimas cinco décadas.

Recessão e seca. O resultado é mais desemprego, menos perspectiva e até mesmo a pura e simples falta d’água para beber. O resultado prático dessa mudança é uma reversão de tendência: se no período da bonança víamos trabalhadores voltando da cidade para o campo, agora eles tornam a ocupar as praças das áreas urbanas, esperando um alento.

Os dados do IBGE mostram a dimensão do drama nordestino, na soma da brutal recessão com a longa estiagem. Desde o primeiro trimestre de 2014, nada menos que 2,3 milhões de brasileiros deixaram o mercado de trabalho. Desses, 1,5 milhão (ou 69% do total) são nordestinos; e, dos nordestinos, a maioria (exatos 875 mil trabalhadores) atuava nos setores de agricultura, pesca e pecuária. Resumindo o alcance social do problema: de cada três trabalhadores brasileiros que saíram do mercado desde o recrudescimento da crise, um era trabalhador rural nordestino.

Ainda segundo os dados do IBGE, dos 14 milhões de desempregados no Brasil, 4 milhões estão no Nordeste. Depois da economia rural, o setor da construção civil foi o que mais desempregou na região: 390 mil nordestinos viram evaporar postos de trabalho nos canteiros de obras. É um setor fundamental, especialmente numa região onde a mão-de-obra ainda se recente de maior qualificação.

Se a crise econômica nacional golpeia por um lado, por outro a seca compromete áreas importantes da região, com redução de plantio. E afeta especialmente o trabalhador da agricultura familiar. Sem água, as perspectivas se apequenam. Para completar, a água falta até para beber, como acontece em uns 40 municípios do Piauí, onde o racionamento já oficial.

Os estudos mostram que, na crise, a corda costuma arrebentar primeiro do lado mais fraco. E aí pode-se até dizer que o Nordeste sofre triplamente: pela recessão nacional, pela seca e pela baixa qualificação da mão-de-obra, bem como da baixa sofisticação de alguns setores econômicos. Se antes muitos emigrados voltaram do Rio e São Paulo com alguma qualificação para introduzir em sua terra de origem, agora o velho êxodo se refaz.

São milhares de trabalhadores que deixam o campo. Sem formação. Sem qualificação. Sem perspectiva de emprego. Cheios apenas da esperança, esperança muitas vezes feita apenas da teimosia e da busca de perspectiva. Qualquer perspectiva.

Vai ser difícil explicar ao povo um Fundo Eleitoral de R$ 3,6 bi


Congresso Nacional: a dificuldade de explicar um Fundo Eleitoral de R$ 3,6 bilhões para a campanha de 2018

 

Sem dinheiro da iniciativa privada, os congressistas devem aprovar como um dos principais pontos da limitadíssima reforma política o financiamento público das campanhas. E a mudança já vale para o próximo ano, resultando na criação de um Fundo Eleitoral que vai destinar dos cofres públicos para os partidos R$ 3,6 bilhões.

O valor do Fundo está na versão do texto da reforma a ser votado até o final de setembro, para que tenha validade no próximo ano. Há possibilidade de mudanças no texto, mas é improvável que mude significativamente, porque essa grana é que vai garantir a campanha dos políticos. Aí, então, vai ser difícil explicar ao povo essa grana toda destinada para as campanhas.

Na visão dos brasileiros em geral, os políticos são como os impostos: só servem para levar a grana do cidadão, sem dar muito em troca. A imagem certamente é exagerada, mas há muitos motivos para a ampla desconfiança e condenação da classe. Daí ser complicado explicar essa dinheirama.

Para efeito comparativo, o Fundo previsto (de R$ 3,6 bi) é superior ao orçamento deste ano de 16 capitais brasileiras, entre elas Teresina, que tem um orçamento de R$ 3 bilhões. Vale lembrar, a regra é ver prefeito chorando, reclamando escassez de recursos. Daí, ao ver o bilionário Fundo Eleitoral, o cidadão reclama.

E olha que muitos congressistas queriam mais: chegou-se a aventar a possibilidade de um Fundo ao redor de R$ 6 bilhões. A proposta levava em conta que em 2014 os gastos declarados somaram R$ 5,1 bilhões (cerca de R$ 4 bilhões da iniciativa privada). E, sabemos hoje, esse valor oficial está longe de ser real, diante de tanto caixa 2, em praticamente todas as candidaturas.

Diante de valores tão exorbitantes e a revelação de escândalos que vinculam muitos políticos a desvio de dinheiro público, o cidadão tem lá seus motivos para reagir. E, assim, os congressistas vão ter muita dificuldade para explicar essa grana tão generosa.

Os deputados e senadores podem até dizer que esses R$ 3,6 bilhões não representam tanto para o orçamento da União: corresponde a apenas um milésimo do total de R$ 3,5 trilhões. Podem alegar ainda que é um valor ínfimo para assegurar o bom funcionamento da Democracia.

Vá lá que seja. Mas para um cidadão todo dia sente na pele o transporte ruim, a precária saúde e a falta de segurança, qualquer centavo que toma um destino que não seja a atenção de necessidades básicas, é visto com reprovação.

Boa Esperança será privatizada com leilão da Chesf


Hidrelétrica de Boa Esperança, no Piauí: na lista de privatizações do governo federal

 

O ritmo de notícias no Brasil anda tão intenso que quase passa despercebido a decisão do governo de colocar em leilão a CHESF, companhia responsável pelas geradoras de energia da bacia do São Francisco e do Parnaíba. De verdade, a decisão do governo é leiloar as 14 geradoras da Chesf, Furnas e Eletronorte, somando 13,907 megawatts. No caso da Chesf, ela inclui o complexo Paulo Afonso, Xingó e também a nossa Boa Esperança.

O leilão que o governo pretende fazer, se conseguir o objetivo desenhado, muda em muito a realidade do sistema de distribuição de energia do país. Pode, inclusive, gerar o aumento da conta de luz. Mas pode também trazer algo de positivo ao processo de modernização do setor, que vem marcando passo.

A data do leilão ainda não está definida. Mas, independente do agendamento, a Chesf vai se mostrando como a joia da coroa. O complexo Paulo Afonso, por exemplo, soma uma capacidade produtiva de 4.278 megawatts de energia. Por seu lado, a hidroelétrica de Xingó acrescenta outros 3.162 MW. A usina Luiz Gonzaga produz 1.050 megawatts, E nossa Boa Esperança contribui 237,3 MW. No geral, a Chesf conta com bem mais que a metade do que o governo pretende leiloar.

Há diversos efeitos dessa decisão. Primeiro, ele redefine o próprio modelo energético brasileiro, que nos últimos anos vem acrescentando novas matrizes, em especial a energia eólica. Segundo, a realidade dos funcionários: o anúncio puro e simples da intenção do governo de privatizar a Chesf já gerou desconforto e insegurança entre os servidores da companhia. Terceiro, o efeito da política de preços da energia fornecida ao consumidor final. E a perspectiva é uma só: aumento.

Com tantas implicações, o processo de privatização não deve ser simples. Na semana passada, servidores da Chesf já começaram a se organizar, reagindo contra a decisão. Avaliam que correm sérios riscos quanto à manutenção do emprego.

É mais uma ação do governo federal que traz muitas, muitas reações.

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