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Financiamento de campanha mistura ‘todas as estações’, reconhece ministro


Ministro Gilmar Mendes: financiamento de campanha inclui diferentes modalidades de doação

 

Os diversos processos sobre as eleições de 2014, especialmente aquele movido pelo PSDB visando impugnar a chapa Dilma-Temer, vão explicitando para os menos avisados a realidade do financiamento das campanhas eleitorais no Brasil. Há uma soma de fatores que transformam nossas campanhas em uma das mais caras do mundo. Pior: as mudanças em curso não estão acontecendo em correspondência com o tamanho do problema.

Nesta semana, foi o próprio presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, quem disse que o financiamento de campanha mistura “todas as estações”. Ele se referia particularmente aos depoimentos de ex-executivos da Odebrecht que revelaram as diversas modalidades de repasse de dinheiro. E aí vêm “todas as estações”.

Os processos têm revelado quadro modalidades de doação empresarial, no entendimento do ministro:
Doação 100% legal: a empresa doa por caminhos lícitos, repassando às claras (via caixa 1) dinheiro de seu faturamento regular.
Doação legal com vícios: a empresa repassa dinheiro de forma legal, mas um dinheiro que está vinculado a contratos públicos – ou seja, é propina, corrupção.
Doação ilegal, mas sem grandes vícios:  a empresa doa sem vincular essa doação a contratos públicos, mas o faz através de caixa 2 – para não explicitar o vínculo ou para não responder ao fisco. Quer dizer: caixa 2 pode não ser corrupção. Mas é ilegal, claro.
Doação ilegal fruto de corrupção: é a doação que a empresa faz através de caixa 2, e está vinculada à prática de corrupção.

O problema é que essa quarta modalidade foi o motor das campanhas brasileiras nas últimas décadas. E tal prática está vinculada a outros problemas, incluindo a cultura cívica nacional, onde o cidadão comum acha normal levar vantagem em tudo e termina por legitimar esses procedimentos.

É preciso dizer que o sistema político-eleitoral que temos é um grande incentivador da corrupção. Primeiro que as campanhas são caras. Muitos deputados de estados de tamanho médio gastam mais de R$ 20 milhões numa eleição. Mas receberão de salário menos de R$ 2 milhões, em quatro anos. A diferença tem que ser paga – o que é feito, normalmente, por caminhos tornos.

O sistema de partidos com quase 30 siglas no Congresso aumenta o custo da governabilidade e leva para postos públicos representantes de siglas que são, de fato, meros balcões de negócios. Essa conta também é paga por caminhos tornos, com passagem pelos cofres públicos.

Não dá para pensar em passar o país a limpo apenas olhando para o juiz Sergio Moro. É preciso muito mais, desde uma mudança na conduta cidadã até uma profunda revisão do sistema político e eleitoral.

O cidadão tem elevado sua voz. Mas a reforma que se vislumbra não é a que o país precisa. Ao contrário, a reforma política que o Congresso começa a gestar não parece muito preocupar em sanar esses vícios de origem. Parece mais empenhada em proteger os envolvidos em práticas nada republicanas.

'Caso Luciano Nunes' deve ser garantia para Pablo Santos assumir Fundação

As dúvidas do deputado Pablo Santos – se assume ou não a Fundação Hospitalar diante do risco de perder o mandato – parece terem-se reduzido substancialmente. Em conversas com advogados, Pablo ganhou mais confiança na decisão e a emenda apresentada à proposta de minireforma administrativa deve ser suficiente para que o deputado tome posse na pasta que vai cuidar dos hospitais estaduais.

Além disso, o precedente do deputado Luciano Nunes (PSDB) parece ser um  tranquilizador a mais. Luciano licenciou-se em 2015 para assumir a Fundação Municipal de Saúde, em Teresina. É um órgão semelhante à Fundação Hospitalar que está sendo criada por iniciativa do governador Wellington Dias, dentro da reforma do secretariado e do acordo político com o PMDB.

Em entrevista ao blog, um advogado ouvido por Pablo disse considerar suficiente a mudança na proposta. A emenda que modifica a proposta original explicita que o presidente da Fundação terá status de secretário, o que assegura condição necessária. Isso porque a legislação diz que um deputado só pode se licenciar para assumir cargo com status de secretário.

Apesar do parecer jurídico, o deputado Pablo Santos cogita adotar um cuidado a mais: solicitar à Assembleia Legislativa autorização para se afastar do mandato para assumir a Fundação. Na avaliação do advogado ouvido pelo blog, isso seria dispensável. Assim, a autorização da Assembleia seria um rigor extra por parte do deputado.

A proposta de reforma administrativa encaminhada pelo governador deve ser aprovada nesta próxima semana, incluindo a mudança resultante da emenda que garante o status de secretário ao presidente da Fundação. A expectativa na Assembleia é que a publicação no Diário Oficial do Estado deve acontecer na sexta-feira, dia 17 – ou, no máximo, na segunda-feira, dia 20.

Assim, a posse de Pablo e dos novos gestores ligados à estrutura administrativa estadual deve acontecer ou no dia 20 ou dia 21 deste mês.


Deputado Pablo Santos: agora com garantias jurídicas para assumir Fundação Hospitalar

Deputado Pablo Santos teme assumir Fundação por risco de perder mandato


Deputado Pablo Santos: esperando garantias juríficas antes de assumir a Fundação Hospitalar

 

O deputado Pablo Santos (PMDB), escolhido para presidir a Fundação Hospitalar do Estado, dentro da reforma do secretariado e do acordo entre o governador Wellington Dias (PT) e o PMDB, pode não assumir o cargo. Pablo quer garantias jurídicas de que, efetivamente, pode assumir o posto sem o risco de perder o mandato. Até agora ele não tem essa certeza e está buscando parecer jurídico que dê tais garantias.

Essa não será a primeira vez que se verifica esse tipo de problema: em dezembro de 2001, o deputado Fernando Monteiro, após um mês no cargo, teve que sair do comando da então Comissão Estadual de Defesa Civil (que ainda não era secretaria) para não correr o risco de perder o mandato. Mesmo assim, Fernando teve que responder a umprocesso – que foi arquivado por perda de objeto, já que o mandato questionado chegou ao fim antes do julgamento.

O problema é que deputados só podem se licenciar para a ocupação de cargos de secretário ou que tenham o status de secretário. Ocorre que a Fundação a ser criada não é secretaria, além de integrar a administração direta. Na proposta encaminhada pelo governador Wellington Dias, fica estabelecido que a Fundação tem status de secretaria.

As dúvidas persistem porque, além da Fundação ser da administração indireta, a proposta original não dá explicitamente o status de secretário ao presidente do órgão. Essa situação deixou as lideranças do PMDB em dúvida, principalmente diante do precedente ocorrido com o deputado Fernando Monteiro há mais de 15 anos.

Para tentar corrigir o problema, foi apresentada uma emenda que assegura o status de secretário ao presidente da Fundação. Mesmo assim as dúvidas persistem e, nesta sexta-feira, o deputado Pablo Santos se reuniu com advogados especialistas em Direito público, entre eles o ex-presidente da OAB, Nelson Nery Costa.

Pablo não quer correr riscos.

A expectativa entre os deputados era que essa matéria fosse votada na Assembleia Legislativa até a quinta-feira da próxima semana. E que, após a publicação no Diário Oficial, o ocupante da fundação e de de outros órgãos criados pela minireforma do governo, pudessem tomar posse no dia 20 ou 21 de março. Mas, para que esse cronograma prevaleça, antes é preciso que as dúvidas jurídicas sejam superadas. Sem isso, sequer votada a matéria será.

Disputa interna no PMDB pode complicar reformas no Congresso


Renan Calheiros e Michel Temer: divergências no PMDB podem afetar reformas do governo

 

A tramitação já complicada das reformas pretendidas pelo Governo – da Previdência, Fiscal, Trabalhista e Política – podem ficar ainda mais complicadas e ampliar a instabilidade política. Tudo por conta das disputas internas dentro do PMDB, onde a voz dissonante mais notada nesses últimos dias foi a do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Para piorar, a disputa política pode gerar mais instabilidade na economia.

A gritaria de Renan tem duas razões principais. Primeiro, o crescimento do PSDB na estrutura de mando do governo Temer. Segundo, a maior relevância daquela fatia do PMDB identificada com o chamado “baixo clero”, a Câmara e o ex-deputado Eduardo cunha. Hoje esse grupo é personificado no deputado Carlos Marum, que está na estratégica posição de presidente da comissão da reforma da Previdência.

Renan apressou-se em atacar o grupo peemedebista identificado com Eduardo Cunha, mostrando preocupação com o protagonismo desse grupo assentado sobretudo na Câmara – e aí Renan estaria defendendo o PMDB do Senado. Nessa defesa, Renan quer ter peso nas decisões do governo, e está de olho no lugar de Elizeu Padilha, o ministro-chefe da Casa Civil.

Padilha está licenciado por questão de saúde, mas – em razão das delações da Lava Jato – crescem as chances do ministro não permanecer na pasta. E o ex-presidente do Senado não quer dar bolas para o azar: já levanta a voz e deixa claro que, se o PMDB do Senado – leia-se, o próprio Renan – não for ouvido (e agraciado), o caldo pode engrossar.

Já o baixo clero identificado com Cunha e Marum quer permanecer com espaços importantes no governo. E quer mais: está de olho na divisão do Fundo Partidário. É uma grana preta, que é controlado pela cúpula do partido, onde esse baixo clero não tem posição de destaque, bem ao contrário da turma de Renan, Romero Jucá e Eunício Oliveira.

As eleições passadas já mostraram o quanto os candidatos vão sofrer com as doações, sem a participação (oficial) das empresas. E esses peemedebistas menos expressivos, com menor poder de fogo, querem garantir desde já as condições para as campanhas de reeleição em 2018.

O problema é que toda essa disputa traz uma instabilidade política no centro do principal partido de sustentação do governo Temer. Tanto que o próprio Temer teve uma conversa de uma hora e meia com Renan, ontem à noite. Certamente, não foi uma conversa sem arestas.

A instabilidade política no seio do PMDB pode, sim, implicar em instabilidade política em um governo que vê crescer o fogo amigo, como bem mostram as críticas de muitos governistas à proposta governamental da de reforma da Previdência.

Se as divergências internas crescem, as críticas devem se ampliar, alcançando as outras reformas. E isso pode trazer muitos problemas para o futuro de todas as reformas pretendidas. E, de quebra, pode salpicar a situação econômica que ainda exige tantos cuidados.

Inverno é insuficiente e mais de 40 cidades do semiárido vão ter problemas de água


O Secretário Hélio Isaias adverte para a insuficiência do inverno no semiárido piauiense

 

As boas precipitações que estão animando os produtores nos cerrados piauienses e em regiões como médio e baixo Parnaíba, não encontram correspondência para mais de 40 cidades no semiárido. Na região que tradicionalmente enfrenta problemas de chuvas, as perspectivas se mantêm graves, talvez mesmo sombrias.

A revelação é do secretário estadual de Defesa Civil, deputado Hélio Isaias (PP), que concedeu entrevista ao Acorda Piauí, esta manhã, na rádio Cidade Verde. A primeira diferença é que as chuvas no semiário não têm sido tão animadoras. Um exemplo que o secretário oferece é o da cidade de São Raimundo, que teve em fevereiro uma boa chuva de 107 milímetros. E nada mais.

O outro problema é o baixo nível das principais barragens da região. A barragem Petrônio Portela, que abastece São Raimundo e outras nove cidades, está com apenas 8% da sua capacidade de armazenamento. No mesmo período do ano passado, o volume era três vezes maior. Também barragens como a de Piaus estão com nível d'água muito baixo.

Para Hélio, essa realidade aponta para uma situação crítica no segundo semestre, já que o período chuvoso do semiárido está chegando ao fim. No ano passado, a barragem de Petrônio Portella chegou dezembro – antes da retomadas das chuvas – no limite. Para este ano, quando a água acumulada é apenas de um terço de um ano atrás, os problemas de abastecimento devem se complicar ainda mais, e bem mais cedo.

 

Poços como saída emergencial

O secretário Hélio Isaias diz que, diante das perspectivas críticas, já está desenvolvendo um “plano B” que assegure o abastecimento das populações. Uma das saídas é o uso de poços, tanto com a perfuração de novos como a melhor utilização de outros já existentes, levando a água desses poços à adutora do Garrincho, por exemplo.

Mas a preocupação é com todo o semiárido, em mais de 40 cidades. Ele cita o caso de Jaicós. O ponto de captação para atender à população da cidade está a 54 km da sede do município. Para viabilizar a adução dessa água, seriam necessários cerca de R$ 60 milhões.

“Estamos preocupados e já agindo de forma antecipada e planejada”, diz Hélio Isaias. Para ele, o fundamental é que as populações não fiquem desassistidas.

Crise nacional pode afetar Piauí e governo prioriza folha e custeio

Foto: Glenda Uchôa


Rafael Fonteles diz que, diante da crise, Estado vai priorizar folha de pessoal e custeio

O Brasil terá um difícil ano de 2017 em razão da lenta retomada da atividade econômica e o estado do Piauí pode ser afetado seriamente. Diante disso, o governo do Estado terá como preocupação fundamental manter as contas em ordem, especialmente o pagamento do funcionalismo e do custeio para manter a máquina pública funcionando.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje, na rádio Cidade Verde, o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, lembrou que o país vive a maior depressão de sua história, com impacto mais negativo até mesmo que a depressão após a crise de 1929. E que os efeitos chegam aos estados, mesmo aqueles com as contas mais equilibradas, como é o caso do Piauí, Ceará e Espírito Santo.

No ano passado, das 27 unidades federativas, somente 7 estados não tiveram problemas com o pagamento do servidor – entre eles o Piauí. “Mas outros começam a ser afetados”, ressalta Rafael.

O efeito da crise pode ser sentido de várias formas. Uma delas é nas receitas arrecadadas pelo Estado e também nos repasses ordinários, como o Fundo de Participação dos Estados. E isso exige maior controle na gestão.

Rafael Fonteles falou de outros temas cruciais para o Estado.

Sonegação é de 30 a 40%: O secretário de Fazenda advertiu para o problema da sonegação, que implica em perdas 10 vezes superiores às da corrupção. Em termos nacionais, estudos apontam que, de cada dez reais que deveriam ser recolhidos, de 3 a 4 são sonegados. Uma perda e tanto.

Dívida Ativa é de R$ 4 bi: Além da sonegação, há os débitos de contribuintes. No Piauí, essa dívida (já reconhecida) soma R$ 4 bilhões, valor que corresponde à metade da arrecadação anual do Estado. E agora a Sefaz se esforça para receber esse dinheiro, tanto através da cobrança direta como de contratos de securitização – em que agentes financeiros pagam pela dívida a receber.

Continuidade de obras: A prioridade dada ao pagamento da folha e o custeio das secretarias deixa as obras em segundo plano. Mas há um atenuante: a maior parte das obras é executada através de empréstimos com organismos como o Banco Mundial. Isso garante a continuidade dessas obras.

Ouça a entrevista na íntegra:

 

Átila é o novo coordenador da bancada do Piauí na Câmara


Deputado Átila Lira: como coordenador de bancada, quer promover articulação que ajude o Piauí

 

O deputado Átila Lira (PSB) foi escolhido esta manhã, em Brasília, o novo coordenador da bancada piauiense na Câmara dos Deputados. Ele substitui o deputado Assis Carvalho (PT). A escolha se deu pela unanimidade dos 10 representantes do Piauí na Câmara.

Átila agradeceu o trabalho de Assis, nesse último ano, e também a confiança dos companheiros de bancada. O deputado socialista disse que deseja corresponder a essa confiança abraçando o trabalho de articulação da atuação da bancada com os interesses estado do Piauí, especialmente do governo do Estado e das prefeituras.

“É uma tarefa que abraço com muita vontade, porque estamos todos aqui empenhados em contribuir para a transformação do Piauí. E esse trabalho inclui essa articulação conjunta e atuando junto às esferas federais no que for possível”, afirmou o deputado.

Machismo limita presença da mulher na política, diz representante da ONU

 


Nadine Gasman, da ONU Mulheres, aponta para a baixa representação da mulher brasileira na política

 

O Brasil é o terceiro pior colocado entre países da América Latina e Caribe, no que diz respeito à representação política da mulher. O dado foi revelado por Nadine Gasman, em entrevista nesta quarta-feira ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Para ela, a cultura machista que impera nas organizações políticas limita a presença da mulher no cenário político.

Para Nadine, a mulher faz parte da vida partidária, mas isso não garante a ocupação de postos políticos. Essa realidade é uma marca da América Latina, onde a presença da mulher nos parlamentos nacionais é, em média, de 24%. Mas o Brasil tem uma realidade ainda mais perversa, com representação ao redor de 10%.

Nadine também falou sobre a política de cotas para as mulheres, que existe em praticamente todo o mundo. Mas lamentou que, no Brasil, isso não tenha se transformado em participação efetiva. Ela culpa em parte a legislação eleitoral, onde a eleição com lista aberta deixa a mulher em desvantagem – aí sim em razão de uma cultura machista que restringe a participação feminina ou a coloca em lugar secundário.

Pela legislação eleitoral brasileira, as mulheres têm direito a ocupar 30% das candidaturas de um partido ou coligação. Mas, ao mesmo tempo, só assegura o direito a 5% do orçamento das campanhas. Para a representante da ONU, deveriam ser assegurados, pelos menos, os mesmos 30% referente às candidaturas.

A entrevista de Nadine se junta a outros dados que vieram a público neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A pesquisadora paranaense Luciana Panke revelou que o pouco caso às candidaturas de mulheres é encontrado tanto nas organizações de direita como de esquerda. Ela também mostra que, no cenário mundial, o Brasil está na 155ª posição do ranking de participação da mulher na política.

 


Cultura da violência contra a mulher

Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, sob encomenda do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que quase um terço das mulheres com mais de 16 anos sofreram algum tipo de violência no ano passado. A pesquisadora aponta para uma espécie de cultura da violência, que toma como natural as agressões verbais ou físicas à mulher.

A pesquisa de Panke referente a 2016 mostra que as agressões acontecem principalmente em casa (43%) e na rua (39%). Mas também acontecem no trabalho (5%) e na balada (5%). As ocorrências são mais freqüentes (45%) entre mulheres jovens, de 16 a 24 anos.

Também chama a atenção o fato de 52% das mulheres que sofreram algum tipo de agressão não fizeram nada a respeito da violência sofrida. Das 48% que tomaram alguma medida, 13% procuraram ajuda da família, 12% apoio dos amigos e 5% procuraram a igreja que frequentam. Apenas 11% buscaram uma delegacia da mulher, enquanto 10% denunciaram o caso numa delegacia comum.

Mas há uma esperança: a mulher mais jovem tem tido mais acesso a informação e já reconhece determinados gestos, como beijo forçado ou assédio no transporte público, como formas de violência que vão além do bater ou agredir fisicamente.

Trabalho não remunerado da mulher pode representar até 39% do PIB


Mulher e mercado de trabalho: avanços no espaço público sem atenuar alta carga no espaço privado

 

As profundas mudanças no mercado de trabalho não têm alterado de forma igualmente substantiva a posição da mulher na distribuição de tarefas, especialmente quanto às responsabilidades dentro de casa. E se a mulher pode comemorar maior presença nos postos de trabalho e até na condição de provedora do lar, não se encontrar na mesma medida o movimento contrário, em que o homem deveria ter maior participação nas responsabilidades domésticas.

Para Maria Dulce Silva, pode-se dizer que a mulher "levou a casa para o espaço público". Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje, na rádio Cidade Verde, Dulce – que integra o GENDAC, núcleo de estudo sobre mulher, gênero e cidadania – disse que a maior participação da mulher no espaço fora de casa não implicou no envolvimento expressivo dos homens nas tarefas dentro de casa: os homens continuam em grande medida achando que cuidar da casa é coisa de mulher.

Levantamento do IPEA aponta que a mulher brasileira trabalha, a cada semana, 7,5 horas a mais que os homens. Essa jornada a mais está associada especialmente às tarefas domésticas, onde os homens seguem pouco presentes. Pior: esse trabalho extra não é considerado relevante. Quanto equívoco!

Os dados internacionais indicam, no entanto, que o trabalho doméstico tem importante participação no PIB, mesmo nos países mais desenvolvidos. Segundo levantamento da ONU, na pior das hipóteses, o trabalho não remunerado representa 10% do PIB. “O valor do trabalho de cozinhar, limpar, cuidar de crianças e dar atenção a pessoas idosas – tarefas que a economia depende – representa entre 10 e 39% do PIB. Pode pesar mais na economia de um país do que pesam a indústria manufatureira ou a do comércio”, diz o site da ONU Mulheres.

Os problemas não se resumem a essa constatação estatística. Como observa a própria ONU, o trabalho não remunerado – que supre carências do serviço público – “são uma carga e uma barreira injustas para a igualdade de participação no mercado de trabalho e na igualdade de remuneração”. Daí, o organismo internacional adverte para a necessidade de mudança nas normas que marcam quem desempenha essas tarefas, bem como na valorização do trabalho decente e remunerado no âmbito do que chama de “economia de cuidado”.

Para a ONU, é fundamental a adoção de “políticas que permitam reduzir e redistribuir o trabalho não remunerado, por exemplo, mediante o aumento de empregos remunerados na economia de cuidado e incentivar os homens a dividir o trabalho de cuidado e o trabalho doméstico”. Ainda que uma óbvia necessidade, não é uma tarefa fácil, sobretudo porque essa mudança inclui a superação de barreiras culturais antigas e arcaicas.

Piauí deverá ter safra de soja recorde: mais de 2 milhões de toneladas


Rafael Maschio (E), nos estudios da Rádio Cidade Verde: comemorando a boa safra de soja do Piauí

 

O Piauí deverá ter este ano uma safra recorde, pela primeira vez superando a colheita de mais de 2 milhões de toneladas de soja. A informação é do diretor da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja), Rafael Maschio, em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Isso deve implicar ainda em um faturamento recorde: R$ 2,5 bilhões, superando com folga o melhor desempenho anterior, de R$ 2,1 bilhões, em 2015.

Esses recordes são resultado de uma série de fatores favoráveis, começando pelo aumento da área plantada: 685 mil hectares de soja, contra os 820 do ano passado. Os valores internacionais das commodities também ajudam, já que o reaquecimento da economia global implicou em maior demanda por alimentos – o que melhora o preço da soja e eleva o faturamento por tonelada colhida.

Além disso,o ciclo chuvoso está sendo muito positivo, dentro das necessidades para o plantio. Os plantadores esperam ainda algumas precipitações para este mês de março para assim consolidarem a expectativa de recorde. Esse ciclo chuvoso também está permitindo que a região sul do Piauí obtenha excelentes níveis de produtividade.

As primeiras colheitas – realizadas na semana passada, para os plantios mais precoces – apontaram produtividade ao redor de 3 mil quilos de soja por hectare. Conforme Rafael Maschio, a média de colheita por hectares deve se manter nesses 3 mil quilos, que corresponde a 50 sacas de 60 kg. “Pode ficar até um pouco acima”,diz, reconhecendo que isso depende das precipitações dessas duas próximas semanas.

O número é significativo, tendo em conta que a média nacional para uma boa safra é de 48 sacas por hectare. “O Brasil nunca teve uma safra com média de 50 sacas. E o Piauí deve ficar com uma média até acima disso”, festeja o produtor. 

Isso tudo vai pernmitir que o Piauí supere os 2 milhões de toneladas. A melhor colheita, há dois anos, foi de cerca de 1,9 milhão de toneladas. Os números também revelam a importância da soja no agronegócio piauiense. Em 2015, o agronegócio somou, no estado, R$ 3,7 bilhões, onde a agricultura respondeu por R$ 3,3 bi e só a soja por R$ 2,1 bi. Essa participação vai passar este ano, conforme as expectativas, para R$ 2,5 bilhões.

 

Estradas, o problema de sempre

Mas nem tudo são flores. Os produtores reclamam de um problema crônico: a falta de estradas. “É nosso principal entrave”, reconhece Maschio. Ele reconhece que uma área de expansão agrícola como o sul do Piauí sempre implica em demandas dessa natureza. Mas lembra que “já são 20 anos de consolidação desse pólo agrícola”, e que as estradas poderiam ter sido implantadas há algum tempo.

Com as chuvas recentes, as estradas de terra ficaram intrafegáveis, segundo o diretor da Aprosoja. “Fica difícil escoar a safra”, ressalta. Vários trechos rodoviários são reivindicados pelos produtores. O principal deles é a Transcerrado, cujo projeto soma cerca de 350 km de estradas. A estrada foi iniciada em 2013, mas tem apenas um quinto do traçado pavimentado. “São apenas 70 km construídos”, lamenta Maschio.

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