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CPI da Previdência deve definir rumo da reforma, diz senadora Regina Sousa


Senadora Regina Sousa: CPI cria novo espaço para debate sobre a Previdência e pode mudar rumo da reforma

 

Com a assinatura de 47 senadores, foi protocolado nesta terça-feira à tarde o requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) visando apurar eventuais desvios nos recursos da Previdência Social. Uma das assinaturas é da senadora piauiense Regina Sousa (PT), que em entrevista à Rádio Cidade Verde defendeu com convicção a instalação da CPI.

Para ela, a CPI vai assegurar um amplo debate sobre os rumos da reforma da Previdência. Regina acredita que o debate não está acontecendo como deveria. Além disso, há aspectos que precisam ser melhor esclarecidos, como a existência ou o tamanho do déficit.

A senadora observa que há muitos devedores que não se justificam. Ela aponta grandes instituições bancárias, que vem “ganhando bilhões”, na lista de devedores da Previdência. Regina entende que é preciso ficar claro realmente o contexto da Previdência e o destino dos recursos do setor.

A convicção da senadora é que um debate amplo e profundo pode trazer novas luzes sobre a questão. Na prática, acredita que a CPI vai ser essa oportunidade. E mais: a CPI tem tudo para definir com clareza o tamanho da reforma que o Brasil precisa.

Outra convicção de Regina Sousa é que a reforma proposta pelo governo é muito dura e penaliza de forma brutal os mais pobres. Cita como exemplo os trabalhadores rurais, muitos sem renda. “Se não há renda, como podem se aposentar?” – indaga.

 

Os rumos da proposta de CPI

O requerimento para criação de uma CPI visando apurar o destino dos recursos da Previdência foi protocolado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), em companhia de senadores, lideranças sindicais e de movimentos sociais. Pelo regimento do Senado, são necessárias 27 assinaturas para criação de uma CPI. O requerimento tem 47 assinaturas.

Os parlamentares ainda podem retirar suas assinaturas. Mas o saldo de 20 nomes além do mínimo necessário amplia as chances de criação da CPI, apesar da ampla base do governo do Senado.

O pedido de criação da CPI acontece no momento em que uma comissão especial da Câmara discute o projeto de Reforma da Previdência apresentada pelo governo Michel Temer na forma de uma PEC – proposta de emenda constitucional.

Pela iniciativa governista, a idade mínima para aposentadoria passa para 65 anos e, para que o trabalhador possa ter aposentadoria completa, precisa recolher 49 anos. Muitos integrantes da base de apoio ao governo Temer tem apresentado críticas ao projeto, o que pode dar mais fôlego à CPI sobre o tema.

Congresso tem a pior legislatura da História do Brasil, diz Marcelo Castro

Marcelo Castro: políticos estão no fundo do poço e precisam fazer mudanças profundas nos sistemas político e eleitoral

 

A atual legislatura é a pior da História do Brasil, e os políticos chegaram ao fundo do poço, com um desgaste popular sem precedentes. A opinião é de um dos mais experientes políticos piauienses, o deputado Marcelo Castro (PMDB), manifesta em entrevista veiculada esta manhã no Acorda Piauí, da Rádio Cidade Verde.

Marcelo repete o bordão cada vez mais popular no Planalto Central: “Em Brasília ninguém morre de tédio”, diz, referindo-se à sequência de fatos incomuns e graves dos últimos anos. Para ele, não há nada parecido na história do país.

“Não há uma só semana que não tenha uma denúncia, um escândalo, uma prisão”, diz ele. Para reforçar o caráter negativamente excepcional dessa legislatura, ele cita o impeachment, a cassação de um ex-presidente da Câmara e denúncias contra os presidentes da Câmara e do Senado.

Para Marcelo Castro, a classe política chegou ao fundo do poço, com um nível de desgaste nunca antes alcançado. “Eu não me sinto bem nesse papel”, diz, referindo-se ao censo comum que enxerga em todo político um ladrão. E acha que este é o momento para se fazer as mudanças necessárias, especialmente quanto à corrupção.

O deputado, que está em seu quinto mandato na Câmara Federal, entende que é preciso entender o que faz do Brasil um país muito mais corrupto que a média. E encontra uma das principais explicações no sistema político, sobretudo nas regras eleitorais. E defende uma profunda reforma desse sistema.

Marcelo é um ponto fora da curva, porque defende mudanças substantivas, como o voto distrital. E advoga especialmente a mudanças das regras de financiamento das campanhas. Para ele, é fundamental que sejam criadas regras que tornem as campanhas mais baratas, porque é aí que nascem os mecanismos de corrupção.

O deputado do PMDB piauiense reconhece que tem visto pouca coisa de fato acontecendo dentro do Congresso no sentido dessa reforma profunda. Mas adverte que os políticos precisam estar atentos às demandas do país, aproveitando este momento para as mudanças que o Brasil exige. O que não dá é deixar tudo como está.

Reitor da UFPI teme que crise leve à cobrança de taxas em universidades


Arimateia Dantas, reitor da UFPI: crise das universidades federais será mais grave em 2017

 

O reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), professor Arimateia Dantas, manifestou o temor de que a crise econômica possa levar à cobrança de taxas nas universidades públicas federais. “Espero que isso não aconteça”, disse ele em entrevista ao Acorda Piauí desta terça-feira, na Rádio Cidade Verde, reconhendo a gravidade da situação das universidades públicas brasileiras.

O reitor disse que 2016 foi um ano difícil, mas a UFPI conseguiu terminar com as contas em ordem. Avalia, no entanto, que 2017 será mais difícil, especialmente pela redução orçamentária. O professor Arimateia observa que, pela primeira vez na história, a UFPI teve um orçamento nominal menor que o do ano anterior. Em termos reais, esse valor fica ainda menor por conta da inflação.

Para enfrentar essa situação, o reitor disse que a UFPI está adotando uma série de medidas para conter gastos, além de priorizar despesas como as bolsas estudantis e o funcionamento do Restaurante Universitário. Tal quadro se agrava ainda mais diante da limitação do MEC na liberação dos recursos ordinários: neste início de ano tem sido repassado apenas dois terços do previsto para custeio – isto é, gastos para manutenção do funcionamento regular da universidade.

Arimateia diz ainda que os repasses do primeiro trimestre em geral são comprometidos pela baixa arrecadação da União no período. E espera ver recuperado o fluxo orçamentário – como em 2016, quando a situação foi particularmente grave até maio.

Esse quadro de crise faz surgir o temor de cobrança de taxas pelas universidades públicas. Vale lembrar, a situação da UFPI está longe de ser a mais grave entre as universidades públicas federais. Instituições como a UFRJ apresentam quadro quase de falência, com atrasos nos pagamentos até mesmo de água e energia. Arimateia diz que a Federal do, Piauí está buscando novas fontes – especialmente para custear pesquisas –, tanto em outros ministérios além do MEC, bem como na relação com a iniciativa privada. Mas reconhece que, apesar de avanços conseguidos, a participação dainiciativa privada nos projetos da universidade ainda é bem pequena.

 

Programa vai valorizar Índice de Sucesso

A UFPI está desenvolvendo programa que busca maior eficiência. Isso inclui a melhor distribuição de recursos, hoje muito centralizados na Administração Superior – isto é, na Reitoria. Mas essa distribuição vai implicar na adoção de critérios que estimule melhor desempenho das unidades que integram a Universidade.

Entre os critérios está o chamado Índice de Sucesso, que analisa a relação entre o número de alunos que ingressam e os que se formam em cada curso. A média na UFPI é de 60%, mas há muitos cursos que têm média muito baixa, formando apenas um terço dos que ingressaram.

Lula programa para abril visita ao Piauí. Já em ritmo de campanha


Lula na "inauguração popular" da Transposição: em campanha aberta para 2018

 

O ex-presidente Lula vai incluir o Piauí em uma das suas próximas viagens ao Nordeste, já em ritmo de campanha. O pré-agendamento, a convite do governador Wellington Dias, foi definido no final de semana, em Monteiro (Paraíba), onde Lula, Dilma e todo o estrelato petista se reuniram para a “inauguração popular” do primeiro trecho da obra de transposição das águas dom rio São Francisco.

Lula assumiu de forma plena a condição de pré-candidato petista à presidência da República, em 2018. E não foi sequer sutil nas afirmações. “Peçam a Deus para eu não ser candidato, porque se eu for é pra ganhar”, disse ele, no interior paraibano.

Agora, o ex-presidente replicará essa mobilização Brasil adora, e vai contar com o empenho do PT em cada estado. No caso do Piauí, nem precisou esperar: Wellington já fez o convite a Lula e Dilma. E sugeriu a data, em princípio acatada: meados de abril.

A andança político-eleitoral do ex-presidente é legítima e, na ótica estratégica dos petistas, oportuna. Lula é, mesmo diante do bombardeio que sofre por conta dos escândalos apurados pela Lava Jato e outras operações, o nome mais forte no PT e na oposição à esquerda. Ao sair pelo Brasil, amplia o discurso que posiciona o “governo golpista” de Michel temer e resgata as ações dos governos Lula e Dilma.

O Nordeste é um dos focos principais, pois aqui Lula segue muito popular – situação que se mostra um bocado diferente no Centro-Sul. Mas o partido não quer se restringir ao Nordeste. Não quer e nem pode, se deseja entrar “para ganhar”, como ressalta o ex-presidente.

 

Limitações jurídicas

Todas as pesquisas até agora realizadas sobre a disputa eleitoral de 2018 colocam Lula em posição respeitável. No Piauí, por exemplo, lidera com folga qualquer simulação. Nem mesmo Teresina, governada por tucanos e teoricamente mais crítica, foge a essa regra.

Mas o maior problema de Lula não diz respeito à popularidade. Ele tem que torcer para que não ganhe o carimbo de inelegível pela força da Justiça. Esse problema está longe de ser superado.

E aí Lula se aproxima de Michel Temer. De um lado, Temer joga com o tempo (a morosidade da Justiça) para não ser desapeado do cargo. De outro, Lula joga com a mesma morosidade para permanecer na disputa sem qualquer entrave.

Ciro Gomes mostra suas armas: uma metralhadora giratória

A eleição presidencial do próximo ano ainda está longe, e há muitas dúvidas quanto ao embate que se terá daqui a um ano e meio. Mas pelo menos dois pré-candidatos ganham a estrada e verbalizam suas idéias: Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSC). Ambos vão assumindo discursos mais extremados, nos lados apostos do espectro político.

Vale olhar especialmente para Ciro, que tomou assento na frente da internet e usa seu canal de rede social com manifestações sobre os temas de interesse nacional. Com suas falas freqüentes, o agora trabalhista Ciro vai mostrando suas armas. E, pelo que se tem visto, é uma metralhadora giratória. Com muita bala.

Ciro, que nasceu e se criou na direita, abraça um forte discurso à esquerda – tanto que seus vídeos são divulgados pelo movimento “Esquerda Valente”. Ciro ataca a política em geral mas poupa os petistas. E desanca particularmente o governo Temer e boa parte do grande empresariado, especialmente o setor financeiro.

A conhecida virulência de Ciro Gomes está em quase todas as suas mensagens. Na sexta-feira, em vídeo para evento promovido pelos funcionários do BNDES, defendeu o papel do banco como financiador da economia nacional. Em contraponto atacou: “O pacto da agiotagem internacional, aqui no Brasil representada pelo oligopólio do setor financeiro, destruiu qualquer vinculação da poupança da sociedade ao investimento produtivo”.

Esse vai ser o tom de Ciro Gomes candidato a presidente (veja vídeo abaixo).

Ao falar sobre a reforma da previdência, segue na mesma linha. “Mais da metade do que a previdência gasta hoje são as aposentadorias precoces dos políticos, da magistratura, do ministério público”, diz o pré-candidato. E completa: nada disso é alterado pela proposta do governo Temer.

No calor da inauguração do trecho que leva água do São Francisco para região da Paraíba, Ciro ataca o “governo golpista” de Michel Temer e tenta ser pai da obra, junto com o ex-presidente Lula. Chama de farsa a inauguração oficial da obra e vaticina: “Esses vermes da política passarão”.

Tudo isso é puro Ciro.

Vale lembrar, em 2002, essa linguagem ferina tirou muito das possibilidades de Ciro na corrida pelo Palácio do Planalto, ainda mais numa eleição em que se buscava estabilidade futura. Naquele ano, prevaleceu o “Lulinha Paz e Amor”. Ano que vem pode ser diferente.

Os tempos extremos de “pós-verdade” e “fatos alternativos” se somam a uma realidade de grande desconfiança contra a política em geral. Quem chega com um discurso de confronto “ao que aí está” pode colher frutos.

É nisso que Ciro aposta. Com uma vantagem: ele sempre foi essa metralhadora giratória que está aí. Não há choque de imagem. Nem economia de verbo. Nem de munição.

PSB vai mover ação contra PEC que garante posse de Pablo Santos


Pablo Santos: garantia para posse do deputado na Fundação Hospitalar será questionada pelo PSB

 

O Diretório Estadual do PSB cogita propor uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) contra a emenda à Constituição do Estado que dá as garantias para que o deputado Pablo Santos possa assumir a recém-criada Fundação Hospitalar. A PEC já tramitou pelas comissões técnicas da Assembleia Legislativa e tudo indica que deve ser aprovada nesta segunda ou terça-feira.

A disposição do PSB, revelada por um membro do diretório muito próximo ao ex-governador Wilson Martins, é dar entrada à ADIN nos próximos dez dias, na sequencia da aprovação da PEC. O argumento é que é preciso uma reação ao que foi qualificado como “um absurdo”. Outro argumento é que a mini reforma administrativa cria cargos e aumenta gastos, exatamente quando se vive uma crise que exigiria atitude contrária.

A PEC a ser votada neste início de semana foi um recurso encontrado pelo PMDB e o governo diante do temor do deputado Pablo Santos de colocar em risco o mandato, ao assumir o comando da Fundação Hospitalar. É que a legislação impede que deputados assumam cargos que não tenham status de secretário e que não sejam da administração direta. A Fundação se enquadra numa dessas situações.

A PEC altera esse dispositivo e dá garantias ao deputado Pablo Santos, que não queria colocar o mandato em risco.

O detalhe é que a determinação da Constituição Estadual que está sendo alterada seguia dispositivo da Constituição Federal. No PSB avalia-se que a mudança não pode ser feita porque fere um princípio definido pela Carta maior. Daí a decisão de propor uma ação direta de inconstitucionalidade.

“Não vamos aceitar esse absurdo legal, loteando cargos e criando despesas enquanto o País atravessa grave crise econômica e política”, disse o integrante do Diretório Estadual do PSB.

 

Posse marcada

Está marcada para esta próxima segunda-feira a posse de Pablo Santos e outros 9 novos integrantes do governo estadual. A posse se dá dentro de uma nova estrutura administrativa, com a criação da Fundação Hospitalar e de 9 coordenadorias para áreas específicas.

Com as novas posses, o governador Wellington Dias assegura a ampliação de sua base política e dá passo importante na construção de uma grande aliança com vistas às eleições de 2018. A reforma deste mês de março garantiu no governo a presença do PMDB, PTC e PCdoB, além de reaproximar-se do senador Elmano Ferrer e de atrair o grupo do deputado Edson Ferreira (PSD).

Wellington Dias amplia grupo de 'ex-adversários'


Wellington Dias: poder de encantamento transforma ex-adversários em aliados

 

O governador Wellington Dias (PT) consegue mais e mais ampliar o leque de ex-adversários e, com seu poder de encantamento, vai transformando o governo em uma grande arca que zarpa com força rumo às eleições de 2018. No estilo “não brigo com ninguém”, Wellington faz valer a força de governo e acomoda meio mundo debaixo de seu enorme guarda-chuva político.

No embalo da reforma de secretariado que promoveu neste mês de março, o governador ganhou musculatura respeitável, que se soma à própria força natural de quem está no Poder. Assim, atraiu a ampla maioria do PMDB, sacramentou o ingresso do PTC, abriu as portas para o retorno do PCdoB, costurou o reencontro com o time do senador Elmano Ferrer e com uma fatia hostil do PSD, no caso o deputado Edson Ferreira.

Nas eleições municipais, há pouco mais de 6 meses, Edson foi adversário do governo. Mas agora assina essa aproximação de forma inequívoca, indicando para uma Coordenação recém criada – a que cuida de tecnologia – o próprio irmão, o ex-prefeito de São Raimundo Nonato, Avelar Ferreira.

Já Elmano, que andou descontente com o governo e até trocou o PTB pelo PMDB, retorna ao leito governista indicando Ribamar Bastos para outra coordenadoria, que vai atuar no setor de recursos hídrico. O senador se junta, assim, à maioria peemedebista que desembarcou no governo, ocupando cargos e comprometendo-se publicamente com a reeleição de Wellington.

A engenharia política do governador soma ainda o PCdoB, um velho parceiro que esteve em palanque distinto nas eleições de 2014. Mas o reencontro está selado. O mesmo acontece com Evaldo Gomes (PTC), que assegura posto no governo e ainda teve o bônus extra de ocupar a presidência da CCJ da Assembleia Legislativa.

A articulação configura uma ampla frente política, desde 2014 capitaneada por PT e PP. Não é pouca coisa. Principalmente porque não se encontra voz de oposição em muitos lugares, nem mesmo no PSDB de Firmino Filho. Sim, Firmino: ao colocar a esposa Lucy Silveira no PP, Firmino vincula o destino de seu grupo ao do senador Ciro Nogueira, que desde a eleição de 2014 é o principal aliado de Wellington.

Não são muitos os que acreditam na mudança de lado do senador Ciro Nogueira. Acredita-se que tendência é permanecer onde está. Isso tudo colocada desde já o governador como o grande favorito para a disputa do próximo ano.

Favas contas? Longe disso. Vale lembrar, a política em geral e a piauiense em particular costumam ver reviravoltas às vésperas das convenções e nas campanhas. Resta saber se elas vão se repetir em 2018.

Lava Jato: o que vem depois?


Marcelo Odebrecht: prisão do empreiteiro simboliza o novo tempo tradizo pela Lava Jato

 

Depois de três anos, a Operação Lava Jato é festejada pela grande maioria do Brasil e atacada por alguns segmentos. Mas os números que esses três anos oferecem parecem ser eloquentemente reveladores: a corrupção faz parte do funcionamento do sistema público brasileiro. E, além da certeza de que é preciso passar o país a limpo, fica a pergunta: o que vem depois da Lava Jato?

Desde 17 de março de 2014, com a prisão inaugural de Alberto Yousef, foram já quase 4 dezenas de operações. E já são 83 os condenados.

A Lava Jato quebrou paradigmas. O primeiro, aquele que dizia que a Justiça, no Brasil, só chegava para ladrões de galinha. Entre os condenados e os investigados que estão em prisão preventiva, há “buena gente”. Políticos de primeira linha, como Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda; e empresários top, como o antes todo poderoso Marcelo Odebrecht.

Também estabeleceu novos conceitos dentro da Justiça Brasileira, especialmente ao se aproximar da visão do Direito Americano, que – entre outras coisas – valoriza a punição pecuniária. Para isso, valeu-se de um instrumento existente desde o início dos anos 1990, mas só regulamento em 2013: a delação premiada.

Em troca de delações ou de multas severas, muitos têm reduzido penas – e revelado muitos outros participantes dos esquemas de corrupção. Desde o seu princípio, já foram recuperados cerca de R$ 8,1 bilhões. Desses, R$ 7,1 bilhões nos acordos de leniência (acordos com empresas). O outro bilhão são valores devolvidos por delatores pessoas físicas.

Números tão robustos dizem o mínimo: o escândalo era enorme e a Lava Jato conseguiu recuperar algo do que foi surrupiado. E diz também que é preciso repensar o funcionamento do sistema político brasileiro.

E aí surge a pergunta: e depois da Lava Jato, o que vem?

Espera-se que o país aproveite a oportunidade para rever várias de suas práticas, muitas delas amparadas em legislação caduca ou matreiramente complexa – como é o caso da legislação eleitoral e partidária. Cobra-se ainda outra atitude da cidadania, principalmente avaliando melhor seus representantes, bem como no acompanhamento (e cobrança) da ação desses representantes.

A Lava Jato, sem dúvida, divide o Brasil num antes e num depois. Por enquanto, aponta para o Brasil melhor no futuro imediato. Mas exemplos como a Operação Mãos Limpas, na Itália, servem de alerta. Lá, acordos de elites jogaram no lixo as conquistas da Mãos Limpas, arrastando o país para o passado.

Aqui, a vigilância e a cobrança devem ser permanentes. Só assim, a Lava Jato não ficará apenas como um registro pontual da história brasileira.

Grupo do PMDB que apóia Wellington pode mudar de partido se, se, se...


Deputado João Madison: prefere deixar o PMDB a se afastar do governo Wellington Dias

 

O deputado João Madison (PMDB) é todo sorriso. Não é para menos. E os sorrisos largos estão na face da grande maioria dos peemedebistas piauienses, depois que as águas de março empurraram o grosso do partido para dentro do governo Wellington Dias (PT). A felicidade é tanta que o deputado garante: o PMDB estará de corpo e alma na campanha pela reeleição de Wellington, ano que vem.

Com a mini reforma empreendida pelo governador, o PMDB ganhou duas secretarias, a Fundação Hospitalar e duas coordenações – com ampla autonomia. Se alguém ficou de calundu foi uma fatia importante do PT, que não gostou nada de perder espaço no governo. Sim, há também uma pequena fatia do PMDB, liderada pelo ex-ministro João Henrique, amigo dileto do presidente Michel Temer e que aqui no Piauí faz discurso de oposição.

Mas isso não preocupa o PMDB governista. Aliás, nem mesmo as divergências entre PT e PMDB, no âmbito nacional, preocupam o deputado João Madison. Explico: o enfrentamento nacional poderia levar o PMDB nacional a determinar postura de oposição ao PMDB no Piauí. Pois Madison tem claro: se houver divergência, o grupo peemedebista que apóia Wellington prefere mudar de partido que abandonar o governo.

“Vamos pensar numa hipótese: se, se, se, se... se o PMDB nacional fizer uma intervenção no PMDB do Piauí, obrigando uma postura distinta desse grupo [que dá apoio a Wellington], a gente espera março para tomar um novo destino partidário”, disse Madison. Mas ele mesmo adianta que não acredita na possibilidade de intervenção.

É muito “se”, convenhamos, ainda que em política tantos “ses” não significam uma quase impossibilidade, mas uma porta aberta.

Aliás, o PMDB sempre tem as portas abertas. Tanto a porta aberta para esse grupo sair do próprio partido, como a porta aberta para sair do próprio governo -- lá para os idos de março de 2018. Esta última possibilidade não é a desejada. Mas é sempre um cálculo possível, ainda mais diante das divergências com segmentos expressivos do PT.

Wellington e PMDB se reúnem para superar crise sobre Fundação Hospitalar

Governador Wellington Dias: reunião para conter crise com PMDB

 

O governador Wellington Dias recebe, ainda na manhã desta terça-feira, deputados do PMDB com a intenção de encerrar a crise em torno da criação da Fundação Hospitalar, que deverá ser ocupada pelo deputado Pablo Santos. Mas, antes mesmo da reunião, algumas arestas já foram aparadas, o que deve acelerar a aprovação da mini reforma administrativa.

Ontem à tarde, representantes do PMDB – entre eles o próprio Pablo, o deputado João Madison e o presidente da Assembleia, Themístocles Filho – estiveram com o líder do governo, deputado João de Deus (PT), e o com o secretário de Saúde, Francisco Costa. Nesse encontro, ficou acertado que o deputado petista vai retirar a emenda que havia apresentado modificando a proposta de criação da Fundação.

A emenda de João de Deus estabelecia limites para a composição do corpo funcional da Fundação, o que desagradou aos peemedebistas. A reunião com o governador, hoje pela manhã, vai afiançar esse entendimento e eliminar diferenças. Com isso, Wellington espera encerrar a crise.

Superadas as divergências com o PT, a etapa seguinte é chegar a um acordo dentro da própria Assembleia quanto à garantia de posse do deputado Pablo Santos, sem o risco de perda de mandato. O caminho é a apresentação de uma PEC – proposta de emenda constitucional, como adiantado ontem pelo blog.

A emenda constitucional vai eliminar qualquer dúvida sobre a posse de Pablo em um cargo que não é de secretário. Sem a mudança do texto constitucional, Pablo poderia incorrer em uma transgressão que permitiria o pedido de cassação do mandato de deputado.

A expectativa dentro do PMDB é que, com um amplo entendimento dentro da Assembleia, a votação da PEC possa ser acelerada. Ela poderia já ser apreciada pelas comissões técnicas ainda esta semana, para que o deputado tome posse na próxima semana;

A reunião de hoje pela manhã com o governador Wellington Dias também vai servir para apresentação dessa solução encontrada dentro do Legislativo.

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