Cidadeverde.com

PCdoB e PTC já articulam aliança proporcional para 2018


Deputado Evaldo Gomes: construindo aliança com o PCdoB para ter mais influência política

 

As direções do PCdoB e do PTC no Piauí têm encontro marcado para esta sexta-feira pela manhã. E o assunto não poderia ser outro: as próximas eleições. Na prática, os dois partidos discutem amanhã a mais que possível aliança nas eleições de 2018, juntando forças para aumentarem suas chances de eleição de deputados estaduais e federais. E, em consequência, alcançarem maior protagonismo político.

O deputado Evaldo Gomes, presidente do PTC no Piauí, é o maior entusiasta da aliança. E, mesmo antes de entendimento com o PCdoB, já se movimentava para atrair lideranças capazes de carrear votos e cargos para a sigla. Os planos anunciados de Evaldo eram mais que explícitos: eleger três deputados estaduais e um federal. Não está claro se, com a nova aliança, ele amplia a meta a ser perseguida.

Ao explicar a aproximação com o PCdoB, Evaldo tem argumentos bastante simples. O primeira e mais óbvio: o pragmatismo. Ou seja: uma aliança é boa quando as partes ganham – e o que desejam mesmo é eleger representantes para o Legislativo, pelo PCdoB e pelo PTC.

Outra justificativa é a proximidade das duas siglas com o governador Wellington Dias. Pode-se dizer, é outra faceta desse pragmatismo. Por fim, do deputado diz que há afinidade de visão entre os dois partidos. Evaldo desdenha do aspecto ideológico – juntar um partido comunista com um partido cristão –, diz que isso não é relevante e lembra que começou sua militância política precisamente no PCdoB.

Ao mesmo tempo, festeja nomes históricos da sigla comunista, como Osmar Júnior, Lurdes Rufino e José Carvalho. Aliás, a união das duas siglas deve trazer de volta à cena eleitoral Osmar Júnior, que foi duas vezes vice governador (1998 e 2002) e duas vezes deputado federal (2006 e 2010), além de candidato a prefeito de Teresina (1996). Derrotado na tentativa de voltar à Câmara em 2014, Osmar pode buscar a cadeira que perdeu. Pode ser um dos principais beneficiados pela articulação.

Evaldo Gomes, por seu lado, cresce como articulador em um grupo que passa a contar com forças que muitas siglas festejadas não têm. Para ficar num exemplo: o PP de Ciro Nogueira, na eleição passada, fez apenas um deputado federal e outro estadual. Ou o PSDB de Firmino Filho, que emplacou três estaduais, mas sem fazer um único federal. O PTC, junto com o PCdoB, quer ser uma força política a ser considerada não apenas na hora da eleição, mas também nas articulações que conformam governos. 

Com escândalos, Brasil pede uma saída que políticos teimam em não dar


Deputado Alessandro Molon: pedido de impeachment de Michel Temer após gravações do dono da JBS

 

Quando achávamos que tínhamos visto tudo, uma nova bomba cai sobre a já destroçada política brasileira. E agora envolve, sem sutilezas, o próprio presidente Michel Temer. O resultado imediato é terrível: a crise que era grave se torna insuportável, insustentável, comprometendo até a leve reação que a economia esboçava. Nesse quadro, o Brasil pede uma saída urgente. Porque a sensação é que o governo acabou.

As saídas que se colocam como alternativas são todas complicadas, especialmente diante da divisão do país, onde um consenso ou a pactuação de uma saída é vislumbrada por muito poucos.  A primeira preocupação é que o caminho a seguir seja, obviamente, amparado pela constituição.

Vejamos as alternativas:

ELEIÇÃO DIRETA JÁ: esta é a opção que tem mais apoio popular. Mas não tem amparo na Constituição, que prevê eleição direta para o caso da vacância da presidência na primeira metade do mandato. Na segunda metade, tem que ser eleição indireta, no Congresso. Para haver eleição direta, precisaria de uma emenda constitucional – e a votação da PEC da reforma da previdência, por exemplo, mostra que não é um caminho rápido.

IMPEACHMENT DE TEMER: o impeachment já foi solicitado ontem mesmo pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). Há motivos, sim. Mas os nove meses até o impeachment de Dilma mostra que é outra saída que pode demorar. Ainda mais tendo em conta que o presidente da Casa, Rodrigo Maia, não se empenharia por esta tese, ao contrário do que aconteceu com Eduardo Cunha.

RENÚNCIA DE TEMER: pode ser uma saída rápida. Só depende de Temer mesmo e, se ele quiser, pode acontecer hoje mesmo, realizando-se a eleição (indireta) do sucessor na sequência. Mas os primeiros sinais, ontem, dão mostras que o presidente deve resistir à ideia.

CASSAÇÃO PELO TSE: até aliados de Temer acham que é uma “saída honrosa” para o presidente. Por que? Porque ele seria desapeado do poder por um deslize atribuído a Dilma. E seria rápida: no próximo mês o processo de cassação será votado pelo TSE. E os ministros podem cassar a chapa Dilma-Temer inteira, dando ao país a chance de sucessão imediata.

ELEIÇÃO INDIRETA: sem a opção de uma PEC, a saída é eleição indireta dentro do Congresso. Só em falar em Congresso, com uma banda da Casa sendo investigada, dá arrepios em meio mundo. Michel Temer saindo, o presidente da Câmara, o investigado Rodrigo Maia, assumiria por 30 dias. Aí realizaria eleição. O escolhido pode ser de dentro ou de fora do Parlamento.

 

Um pacto nacional pela pacificação?

O drama seguinte é: quem sucederia Temer?

Se for por eleição direta, falta até candidato, já que o mundo político inteiro – ou quase – está envolvido em denúncias graves de corrupção. Mas, neste caso, caberia ao povo decidir.

Se a escolha for indireta, esse mesmo mundo político tem poucas opções a oferecer, pelo mesma razão de termos quase todo mundo coberto de sujeira. De qualquer forma, essa eleição abriria a possibilidade para a busca de um nome capaz de pacificar o Brasil, numa transição até as eleições.

Não é uma tarefa fácil, num país com ânimos acirrados e onde cada lado olha para seu próprio quintal, sem sequer se preocupar em limpá-lo. Um pacto significaria desprendimento, pensar um pouco na Nação. Mas os escândalos mostram que essa preocupação é ausente.

Pior: as novas revelações no caso das gravações do dono da JBS evidenciam que os políticos não se preocupam sequer consigo mesmo, quanto mais com a Nação. Se não fosse assim, Aécio, Temer & Cia não teriam seguido fazendo das suas em plena efervescência da Lava Jato.

Daí, pensar em uma saída pouco traumática é quase pedir um milagre. Mas como costumamos achar que Deus é brasileiro, vale manter a esperança.

A boa notícia do aumento do emprego. E a pergunta: é pra valer?

Reação da economia: construção civil foi único setor que não teve aumento de emprego em abril

 

Duas pesquisas divulgadas neste início de semana reacendem a esperança. Uma mostra o crescimento do emprego, quebrando uma série negativa que durava desde 2014. A segunda, mostra que a população está mais disposta a consumir. Juntas, as duas pesquisas abrem uma perspectiva de reaquecimento da economia. Mas, por enquanto, é só perspectiva. Boa. Mas só perspectiva.

Nos registros sobre emprego, divulgados a cada mês pelo Ministério do Trabalho, a boa notícia é que houve crescimento em praticamente todos os setores. Isso reduz o argumento da sazonalidade que acontece, por exemplo, no carnaval ou dia das mães, que alcança apenas alguns setores como comércio e serviços. Poderia, assim, traduzir uma tendência.

Nos registros do Ministério, o dado negativo é a perda de emprego em um setor importante: a construção civil. Este é um setor que emprega muito, especialmente aquele segmento mais afetado pelo desemprego – o do trabalhador com menor qualificação. Para se ter uma ideia, no Piauí as demissões de 2015 e 2016 reduziram a massa de empregados da construção civil a menos da metade.

Apesar do senão para a construção civil, os dados do Ministério são animadores. E ganham mais ênfase quando observamos uma outra pesquisa agora divulgada, que destaca a confiança do consumidor. Segundo essa pesquisa, realizada pela Confederação Nacional do Comércio, cresceu entre as famílias brasileiras a intenção de consumirem. Tal intenção está presente em mais de 77% das famílias,.

Esse otimismo pode afiançar a leitura dos dados como tendência. Há uma redução no endividamento dos brasileiros, o que abre a perspectiva para a contratação de créditos. E dois fatores devem ser considerados neste cenário: a redução (ainda pequena, mas real) das taxas de juro para o consumidor; e a injeção de recursos com a liberação de recursos antes empacados nas contas desativadas do FGTS.

Otimismo. Mais crédito. Menos juros. E um pouco mais de emprego. Tudo isso pode ser uma boa soma a alicerçar a recuperação econômica tão esperada pelos brasileiros.

É claro, ainda temos muito a percorrer, porque é muito fundo o poço em que nossa economia foi jogada.  A recuperação apontada agora é só um degrau na subida até a borda. Para sair do poço da crise, ainda faltam muitos degraus.

A vantagem é que agora há um caminho que se abre, ao contrário dos últimos meses e anos, quando o horizonte esbarrava na completa falta de perspectivas. Com este novo cenário, é razoável acreditar que os números agora revelados sejam apenas o primeiro indicador de uma série positiva. E que os dados de agora são, sim, o passo inicial de uma tendência na economia por fim em recuperação.

Comissão vai integrar discussão sobre negócios no campo


Luciano Nunes: comissão técnica para integrar na Assembleria Legislativa discussão sobre agricultura e pecuária

 

A Assembleia Legislativa vai ganhar uma nova comissão técnica, com a responsabilidade de integrar as discussões em torno dos negócios no campo. É a Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, proposta do deputado Luciano Nunes (PSDB).

Segundo Luciano, as atividades no campo – sejam as de caráter econômico como as relacionadas às questões sociais – costumam envolver discussões diversas que hoje terminam se diluindo em várias outras comissões. Ele cita como exemplo demandas em infraestrutura ou de regularização fundiária.

Conforme disse Luciano em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde, a comissão vai integrar as discussões e, dessa forma, oferecer caminhos mais seguros para o setor. Ele lembrar que tanto a produção de grãos como a pecuária tem mostrado desempenho muito positivo no Piauí, exigindo maior atenção do poder público. Também lembrou da agricultura família como um componente importante na construção de uma nova realidade social.

 

Obras paralisadas preocupam

O deputado Luciano Nunes também mostrou preocupação com as obras públicas paralisadas. Diante disso, iniciativa de Luciano com o deputado Marden Menezes (PSDB) levou à convocação do secretário de Transporte, Guilhermano Pires, e do diretor do DER, Castro Neto. Os dois estarão nesta quinta-feira prestando esclarecimento à Assembleia Legislativa.

A preocupação principal, segundo explicou Luciano, é com as obras não concluídas na área da Grande Teresina. Ele citou a ponte do meio (na ligação Frei Serafim com João XXIII), o viaduto na Miguel Rosa (saída Sul), a duplicação das BRs no acesso a Teresina e o Rodoanel.

O deputado destaca que essas obras deveriam estar concluídas há muito tempo. Daí o pedido de explicações.

Para ouvir a íntegra da entrevista de Luciano Nunes ao Acorda Piauí, acesso no link abaixo.

 

Estado quer zerar déficit nos presídios com 1.000 vagas em três unidades


Daniel Oliveira (centro), em Brasília com diretores do Departamento Penitenciário Nacional

 

Até o próximo ano, o governo do Piauí quer zerar o déficit de vagas no sistema penitenciário no Estado. Essa meta será possível, segundo o secretário de Justiça, Daniel Oliveira, com a realização de três obras consideradas estratégicas: a cadeia pública de Altos e as novas penitenciárias de Oeiras e em Bom Princípio.

O problema da superlotação dos presídios é apontado como um dos agravantes para o quadro de violência no país. Isso porque a superlotação alimenta o crime organizado e também compromete o processo de socialização.

No Piauí, conforme dados do próprio governo do estado, o déficit em 2015 era de 2 mil vagas – portanto, 2 mil presos além da capacidade regular de lotação dos presídios. Parte desse déficit, segundo o secretário Daniel Oliveira, foi reduzido com obras de ampliação e melhoria do sistema prisional.

Mas ainda há um déficit, com mais de mil detentos acima das vagas disponíveis.

Neste início de semana, Daniel Oliveira esteve em Brasília, em conversações no Ministério da Justiça. Lá ele cumpriu agenda no Departamento Penitenciário Nacional, assegurando o aporte de recursos para realização das três obras que considera estratégicas.

Segundo o secretário, a cadeira de Altos está com 20% das obras realizadas. Com os recursos do Estado e o aporte do Ministério da Justiça, pretende terminar a construção até o início de 2018. Diz que, ao mesmo tempo, serão construídas as penitenciárias de Oeiras e Bom princípio.

Daniel contabiliza mais de mil novas vagas com essas novas investidas do Estado. Assim, espera zerar o déficit existente no sistema prisional piauiense. Para ele, isso é fundamental, porque a superlotação compromete a política de segurança. Além disso, o aumento de vagas pode dar concretude à política de socialização de detentos.

Brasil não investe suficiente nem para manter infraestrutura


Transnordestina: inconclusa, longe de contribuir para suprir a falta de infraestrutura

 

Desde sempre “país do futuro”, o Brasil enfrenta alguns gargalos para cumprir o projeto de potencia mundial e se firmar de vez como o país do presente. Entre esses gargalos estão a questão ética e o fortalecimento da infraestrutura – os dois temas muito em voga em tempos de Lava Jato, que relevou o envolvimento das principais empreiteiras do país em escabrosos esquemas de corrupção.

Mas se a Lava Jato traz esperanças quanto à questão ética, os minguados investimentos em infraestrutura não alimentam muitas esperanças. Nesse quesito, o Brasil vem alargando o déficit e ruindo os horizontes.

Para se ter a dimensão do problema, basta olhar o Piauí. Aqui, o porto de Luís Correia é um sonho que dura quase um século; e uma obra que se iniciou há uns 50 anos. Tem mais: a Transnordestina espera – sabe-se lá até quando – para deixar de ser apenas um reluzente anúncio de governo; e a estrada mais importante para o escoamento da safra de grãos, a BR 135, tem o mesmo desenho de quase 50 anos atrás. O problema é que a realidade mudou. A infraestrutura não.

Os dados nacionais mostram o descompasso. Segundo dados internacionais, o ideal é que o investimento em infraestrutura corresponda a cerca de 5% do PIB para conseguir acompanhar a demanda média. Ocorre que esse índice não vem sendo acompanhado desde a década de 1980.

Para quem acha que a coisa vai mal, durma com essa: não está mal; está muito mal. Ainda recorrendo aos dados do setor, avalia-se que o investimento anual apenas para manter o que se tem de infraestrutura deve ser da ordem de 3% do PIB. E aí está a péssima notícia: no ano passado, o Brasil investiu apenas 1,7% do PIB em obras infraestruturais.

E os caminhos estão longes de ser planos: o setor reclama de um marco regulatório estável, capaz de atrair investidores. Nesse quesito, como adverte o ex-ministro da Fazenda Afonso Pastore, o país estaria andando no caminho inverso, de marca à ré. E cita o caso do setor elétrico, desestruturado através de Medida Provisória. Para ele, medidas como essas reduzem ainda mais os investimentos e não permite que se chegue sequer aos 3% do PIB, quanto mais aos 5%.

Dito de outra forma: ao invés de fortalecermos o setor, estamos vendo investimentos que sequer mantém as condições atuais. Na prática, a falta de infraestrutura aumenta custos de produção/distribuição e reduz a competitividade. Tudo ao contrário do que o país precisa.

Rodoanel de Teresina fica pronto em agosto, diz secretário


Secretário Guilhermano Pires diz que obras do Rodoanel de Teresina estão sendo concluídas

 

Com cerca de 95% das obras realizadas, o Rodoanel de Teresina deverá estar concluído no início do segundo semestre deste ano. Foi o que disse hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, o secretário estadual de Transportes, Guilhermano Pires.

A previsão de conclusão da obra é para o mês de agosto. Na pior das hipóteses, segundo o secretário, estará pronta em outubro, nas comemorações do Dia do Piauí. A parte mais difícil do Rodoanel já está concluída, como a ponte sobre o Poti, nas proximidades da BR 316, ou o viaduto sobre a BR 343.

O Rodoanel de Teresina tem 28 km de extensão, onde a infraestrutura mais complicada é a ponte sobre o rio Poti. Segundo Guilhermano, falta para a conclusão do Rodoanel a pavimentação de 4 km na ligação com a BR 343, pavimentação de 700 metros na ligação com a 316 e a alça de acesso ao viaduto sobre a 343.

O secretário informou que as obras seguem sob a responsabilidade da empresa EMSA, de Goiás. Para ele, mesmo a empresa mantendo um ritmo menos intenso, seria mais complicado fazer uma nova licitação, quando o prazo ficaria sem previsão.

 

Mais obras: ponte JK e portos de Tatus e de Luís Correia

Na entrevista ao Acorda Piauí, Guilhermano Pires também falou sobre três outras obras importantes para o Estado: a ponte do meio na JK e os portos de Tatus e de Luís Correia. Segundo o secretário, a ponte do meio está sendo concluída e logo estará livre para uso pleno da população, inclusive sendo integrada à nova sistemática do transporte coletivo em Teresina.

No caso do porto de Tatus, ele disse que estará concluído até o final do ano. Guilhermano destaca a importância da obra como portal de entrada para o Delta do Parnaíba, assim como alto valor social. O valor total da obra é da ordem de R$ 2,5 milhões.

Já o porto de Luís Correia, deverá ter a construção retomada no início do próximo ano. Atualmente, o governo do Estado regulariza a situação burocrática, incluindo a devolução à União de recursos da ordem de R$ 9 milhões. A obra prevista para 2018 corresponde ao primeiro atracadouro do porto na praia de Atalaia.

Para ouvir a íntegra da entrevista de Guilhermano Pires, acesso link abaixo.

 

Codevasf precisa de R$ 100 milhões para concluir obras no Piauí


Fábio Miranda, da Codevasf: necessidade de recursos para concluir obras da companhia no Piauí

 

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) precisa de R$ 100 milhões para concluir as obras que executa no Piauí. Foi o que revelou hoje, em entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, o superintendente da Codevasf no estado, Fábio Miranda.

Ele informou que a companhia está desenvolvendo uma série de obras no estado, desde pavimentação até construção de estradas, barragens e adutoras. Somente estradas são cerca de 1.000 km, além de outros 3.000 km de melhorias em vicinais. Há ainda três barragens (Tinguis, Atalaia e Pedregulho) e seis adutoras.

O superintendente reconhece, no entanto, que o ritmo de obras às vezes sofre alteração no cronograma em razão do fluxo de recursos, nem sempre o ideal por diversas razões, como problemas com empresas.

Fábio Miranda acrescenta que essas obras se fazem ainda mais importantes agora, quando o Piauí enfrenta já seu 7º ano de seca. Segundo ele, boa parte das obras tem estado avançado de execução. Citou o caso da barragem de Pedregulhos, no município de Dirceu Arcoverde, com 97% das obras realizada. Ou da barragem de Atalaia, com 92% do projeto realizado; ou ainda da barragem de Tinguis, 70% concluída.

Tinguis é um projeto orçado em R$ 133 milhões, enquanto Atalaia custa R$ 93 milhões e Pedregulho, cerca de R$ 8 milhões. Em todas elas, falta a menor parcela do total, Na avaliação do superintendente da Codevasf no Piauí, a conclusão das obras em andamento precisa de um aporte de cerca de R$ 100 milhões. Para que não haja perda de ritmo, ele disse que é feito um contato permanente com a bancada federal do estado, no sentido de garantir a liberação dos recursos.

Acesse no link abaixo a íntegra da entrevista de Fábio Miranda à Rádio Cidade Verde.

 

Lava Jato x Mãos Limpas: o que vem depois?


Pastore e Cristina Pinotti: livro traz o debate  sobre a corrupção nas obras públicas

 

O surgimento da Operação Lava Jato traz uma série de discussões. Uns enxergam a apuração dos escândalos de corrupção como simples perseguição. Outros acham que é a salvação do país. Outros acham até que a coisa é boa, mas vai esbarrar nos esquemas de sempre, engolida por interesses maiores. Nos argumentos desses últimos, a italiana Operação Mãos Limpas seria a prova: destapou um mundo de escândalos e terminou preservando os corruptos, já que estes tinham as rédeas do poder.

Não são poucos os que temem que a Lava Jato dê mais em punição dos investigadores que dos investigados. Mas há quem pense diferente, e pensa diferente precisamente por conhecer as duas realidades – a italiana das Mãos Limpas e a brasileira da Lava Jato. Entre elas está Maria Cristina Pinotti, economista que se debruça no estudo da corrupção e seu impacto na economia.

Maria Cristina é co-autora do livro Infraestrutura – Eficiência e Ética, organizado por Afonso Celso Pastore e que chegou às livrarias na semana passada. Seu artigo trata do problema da corrupção no setor de infraestrutura, que mostrou-se especialmente envolvido na sangria de dinheiro público revelada pela Lava Jato.

Mas nas conversas com os jornalistas, a economista foi especialmente otimista quanto ao legado da Lava Jato. E aqui é preciso rememorar: na Itália, a Mãos Limpas revelou o envolvimento de quase todos os partidos com os esquemas de corrupção. Mas, quando os italianos esperavam uma limpeza geral na política, os próprios políticos se articularam e construíram um enorme guarda-chuva de proteção, com a aprovação de novas leis.

Maria Cristina Pinotti acha que podemos esperar destino melhor para a Lava Jato. Ela destaca o cenário institucional no Brasil muito mais favorável. Ela aponta especialmente a ampla mobilização popular a favor da Lava Jato – vale lembrar, na Itália a ormetà (lei do silencia da máfia) calou muita gente – e o melhor funcionamento das instituições, aqui.

No Brasil, o Judiciário vem mostrando um empenho nas investigações muito maior que o verificado na Itália. Também vale destacar o Ministério Público e a Polícia Federal, com níveis de autonomia festejáveis. Além disso, a economista destaca um componente importante: a liberdade de imprensa. Na Itália o setor de comunicação tem uma ligação quase umbilical com a política e com o Estado. E isso faz uma enorme diferença.

O fortalecimento das instituições é fundamental para que o caminho aberto agora possa ser percorrido com mais desenvoltura no futuro. E para que o destino da Lava Jato não seja o mesmo da Operação Mãos Limpas.

Eleição 2018 deve trazer embate entre o velho e o novo


Eleições 2018: voto tende a colocar em xeque política tradicional e pedir novidades

 

Está difícil fazer prognósticos sobre as eleições de 2018, tantos são os fatores que interferem no processo. Mas um em especial parece influenciar de modo determinante: a operação Lava Jato, que aguçou o olhar (crítico) sobre os políticos e criou novas demandas na cidadania. E a perspectiva é que 2018 guarde um embate entre o velho e o novo.

Cada eleição tem uma característica. Às vezes pede mudança (como a de Collor em 1989 e a de Lula em 2002), às vezes cobra continuidade (como a de FHC em 1998). Também acontece de pedir experiência, como as municipais de 1992, em que os escândalos em torno de Collor alertavam para os riscos de investir em um gestor sem preparo.

O cenário que mais se aproxima do que se desenha para 2018 é o vivido em 1989. Naquela eleição não se buscava simples mudança, como em 2002. Buscava-se uma limpeza pra valer nas matrizes políticas, depois que a Nova República (Sarney no comando) não concretizou a mudança prometida. Em 89, foram para o segundo turno os dois mais jovens candidatos. E os dois com discursos mais fora do tom tradicional da política – Collor e Lula.

A Lava Jato revelou escândalos escabrosos e roubos inimagináveis. E não poupou nem partidos nem ideologias. Isso reforça a leitura do “eles não me representam” que engolfa quase toda a classe política e pede uma limpeza pra valer. De novo – e dessa vez maior, porque haverá eleição para o Congresso.

As eleições de 2016 já deram um indicativo desse sentimento. Nas três maiores cidades do país, onde o voto de liderança cede protagonismo à opinião pública, os eleitos eram os menos parecidos com a política tradicional. Doria (São Paulo) e Kalil (Belo Horizonte) se apresentaram como não-políticos. E Crivela (Rio de Janeiro), já político, era o menos afeito ao figurino comum do setor.

Essa percepção norteia os analistas de plantão, sobretudo aqueles que tentam antecipar cenários econômicos em razão das definições do campo político. É o caso do diretor para América Latina do Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves. Em conferência na semana passada, em São Paulo, ele apontava duas características fundamentais para as eleições de 2018: a eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas menos competitiva; e o surgimento de "caras novas".

Na prática, aponta para o embate entre o velho e o novo, onde o tardicional choque direita-esquerda perde ainda mais peso. Os partidos já se dão conta disso. No PSDB, por exemplo, José Serra e Aécio Neves não contam mais para o embate, Geraldo Alckmin corre o mesmo risco. Doria aparece como alternativa, tentando se firmar como real possibilidade. Na sede popular por novidade, há até quem lembre do apresentador Luciano Huck, que talvez queira ser o que Sílvio Santos foi em 1989 – se não tivesse sido impugnado, Silvio poderia ter dado trabalho.

Entre o passado e o futuro, há uma ponte a ser percorrida: as eleições do próximo ano. Por baixo dessa ponte, correm as águas revoltas turbinadas pelos escândalos, engolfando velhos sonhos e alimentando novas esperanças. Mas até que as águas serenem e permitam uma travessia tranquila, ainda teremos que ter muita paciência e muito estômago para engolir tantas revelações.

Posts anteriores