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Expedição da Codevasf retoma projeto de navegabilidade do Parnaíba

Avelino Neiva, da Codevasf: empenhado em encontrar a medida para a retomada da navegabilidade no Rio Parnaíba

 

Uma expedição que acontecerá na próxima semana retoma o projeto de recuperação da navegabilidade do Rio Parnaíba. A expedição, promovida pela Companhia de Desenvolvimento das Bacias do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) vai contar desta vez com a participação de técnicos do governo dos Estados Unidos.

A iniciativa, que tem à frente o próprio presidente do órgão, o piauiense Avelino Neiva, quer ver as reais possibilidades de retomada da navegabilidade e em que dimensão essa retomada pode acontecer. Levantamentos anteriores apontaram a necessidade de uma série de intervenções na calha do rio, como a remoção de barreiras de pedras que impedem a circulação de embarcações de maior porte.

Avelino Neiva estará à frente da expedição que vai começar no dia 11, em Santa Filomena, e termina em Teresina no dia 15. Nesse percurso, os técnicos vão fazer medições e o registro de imagens ao longo da calha do Parnaíba. Ao final, a Codevasf pretende fazer duas ações imediatas. A primeira será um debate no próprio dia 15, reunindo técnicos da Codevasf, convidados dos Estados Unidos e representantes de instituições locais, como pesquisadores da Universidade Federal do Piauí e da Universidade Estadual do Piauí. Em seguida será elaborado um relatório sobre a expedição.

 

Avelino quer construir política hídrica

Desde que assumiu a Codevasf, em meados de agosto, Avelino Neiva vem discutindo ações de curto, médio e longo prazo para as bacias dos rios São Francisco e Parnaíba. As ações de curso prazo são mais no sentido de atender necessidades imediatas, como as demandas geradas pela seca. Quanto aos projetos de longo prazo, visam criar uma infraestrutura hídrica robusta na área que alcança a grande maioria do Nordeste. Uma preocupação de Avelino é com a proteção das duas bacias.

No caso do Piauí, Avelino vem discutindo ações que são a base de uma política hídrica de longo prazo. Entre elas está a discussão sobre a transposição das águas do São Francisco para o sudeste piauiense, bem como a construção da adutora do sertão. A possibilidade de retomada da navegabilidade do rio Parnaíba faz parte dessas ações, resgatando o Parnaíba como canal de transporte e também assegurando a preservação do rio.

Última parcela do FPM cai. Mas, no ano, cresceu 8,85%

Um punhado de prefeitos municipais do Piauí (e de todo o Brasil, claro) já tem um bode expiatório para justificar dificuldades extras no final de ano. As dificuldades vão recair especialmente sobre os ombros do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que registrou uma queda de 12,72% na terceira parcela de novembro, a que foi depositada na quinta-feira.

Essa queda é em comparação com a mesma terceira parcela de novembro do ano passado. No dia 30, caiu nas contas dos municípios piauienses exatos R$ 1.938.784.111.30 (traduzindo: R$ 1,9 bilhão). Não é pouca coisa. Mas é um valor menor, e assim vai pegar no contrapé especialmente os que não se programaram para as despesas extras de todo final de ano, como o pagamento do 13º salário.

Os mais precavidos, porém, talvez não precisem reclamar tanto do FPM, que no acumulado apresenta uma variação nominal positiva de 8,83%. Ou seja: o FPM cresceu quase 9% em um ano de inflação abaixo de 3%.

Os prefeitos têm motivos para reclamações? Têm sim. E muito. Por exemplo: o volume de atribuições que recaem sobre os ombros dos municípios, cada vez mais amplo sem a correspondente evolução de receitas. Há problemas também entre uma boa parcela dos gestores? Sim. Por exemplo: a excessiva politização da gestão que negligencia nos aspectos administrativos. Outro problema: a maior parte dos gestores não constrói uma alternativa de desenvolvimento para seus municípios. O foco é apenas o FPM.

Bom, se o foco é apenas o FPM, pois aí ele está – acima da inflação no acumulado dos 11 meses deste ano. Os dados da mesma CNM mostram que houve queda nominal nos repasses do FPM em apenas dois meses: maio e novembro – os mesmos meses que registram queda quando os valores são deflacionados.

A CNM argumenta que essa evolução de 8,83% nos valores do FPM tem muito o peso da emenda constitucional 84/2014, que fez uma injeção extra em julho – conhecido entre os prefeitos como o "1% de julho". Sim, mas esse valor já era previsto desde 2014 – e no ano passado também foi repassado. O resultado é que, mesmo descontando-se a inflação, o FPM de janeiro e novembro deste ano acumula um crescimento importante: foram R$ 82,3 bilhões repassados este ano aos municípios, contra os R$ 75,6 bilhões de 2016.

O aumento geral de 8,83% transform-se em 5,14%, quando descontada a inflação. Quem se programou talvez não tenha muito que olhar para o caso específico da terceira parcela de novembro.

 

PSDB tem plano especial para convenção: esconder Aécio

Aécio Neves: o plano do PSDB é tirar do senador mineiro as luzes dos holofotes na convenção do dia 9 de dezembro 

 

O PSDB tem um plano especial para a convenção nacional do próximo dia 9. Nada a ver com um documento bombástico que encante o eleitor, tampouco uma estratégia mirabolante que atraia a atenção das demais siglas. Menos ainda uma entrada triunfal e contagiante do sempre contido Geraldo Alckmin. O grande plano do PSDB é tirar os holofotes do senador Aécio Neves (MG), o homem que até a data ainda terá o título de presidente do partido. Pode ser uma boa tentativa, no sentido de afastar o peso do desgaste do senador. Mas pode ser muito tarde – e sem efeito.

O PSDB vem acumulando desgaste populares há bastante tempo, mas nada que se compare ao pós-delação da JBS. Desde 17 de maio, quando vieram a público as gravações da delação dos irmãos Batistas, criou-se uma situação muito desgastante para o presidente Michel Temer e o senador mineiro, os domes no centro do furacão.

O episódio causou duplo desgaste aos tucanos.

Primeiro foi a decisão de manter Aécio no comando da sigla. O máximo de reação que o partido conseguiu esboçar foi a saída (de efeito duvidoso) que transformou Aécio de presidente em presidente licenciado. O problema é que o senador continuou falando pelo partido. Articulando em nome do partido. E afiançando a relação dos tucanos com o governo Michel Temer – o outro gesto gerador de enorme desgaste.

No dia seguinte à revelação das gravações dos donos da JBS, o senador Tasso Jereissati se articulou para promover o rompimento dos tucanos com o governo Temer. Não conseguiu: foi engolido pelo fisiologismo da fatia do partido – o grupo de Aécio e outros mais – que nem pensava em arredar dos cargos públicos. Com isso, e também por não fazer nada com seu enlameado presidente, jogou no lixo o discurso da ética. E ganhou o selo de fisiologista.

A “grande estratégia” de esconder Aécio na convenção é um esforço para reposicionar a sigla. Mas não vai ser fácil. O desgaste é enorme, tanto que as críticas à conduta do partido são ouvidas cada vez mais claras dentro do próprio tucanato, e não só entre os chamados “cabeças preta” – a turma jovem que pede um partido mais horizontal e menos apegado a cargos.

Para completar, estrelas do partidos seguem discutindo em público sobre sair ou ficar no governo. Isto quando o próprio governo anuncia já não contar com os tucanos.

 

To be or not to be…

Os tucanos vivem um drama shakespeariano: ser ou não ser governo. E trazem junto um drama de identidade que passa fatura. O drama é antigo mas é realimentado a cada nova crise. Ontem, por exemplo.

Questionado sobre o que espera do PSDB na votação da Reforma da Previdência, o ministro da Casa Civil da Presidência da República, Elizeu Padilha, esticou a corda: disse não esperar nada. E não espera porque o governo já não conta com o PSDB na base.

A declaração de Padilha é coerente com a manifestação de lideranças tucanas como o próprio governador Geraldo Alckmin, que vê o partido fora do governo. Mas o ministro das Relações Exteriores, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), tratou se reafirmar o dilema: “O PSDB não rompeu com o governo”, apressou-se em informar.

O drama shakespeariano segue. O eleitor cada vez entende menos que partido é o PSDB.

Temer se transforma no cabo eleitoral que ninguém deseja


Presidente Michel Temer: como ocrreu com Sarney em 2018, o cabo eleitoral que ninguém quer em 2018

 

Até a campanha pra valer, ainda faltam uns oito meses. Mas, no cenário de hoje, estamos nos encaminhando para a repetição da eleição de 1989, quando nenhum candidato à Presidência da República se apresentou como o representante do presidente em Exercício. Em 1989, ninguém dizia que era aliado de Sarney – nem mesmo Ulysses Guimarães, que havia sido uma espécia de primeiro-ministro, ou de segundo presidente.

Até agora, o presidente Michel Temer vai se tornando um capo eleitoral às avessas. Ninguém quer estar colado nele – e aí está uma das razões mais óbvias para o rompimento do PSDB com o Planalto, ainda que depois de longa indecisão que está passando a fatura. O significado de Temer como discurso de campanha pode ser medido na discussão sobre a reforma da Previdência.

Muitos deputados acham que a reforma é antipopular. Isso já seria um motivo para muitos deles deixarem de votara tal reforma neste final de ano, há apenas dez meses da votação que dirá se voltam ou não à Câmara. Mas o que tem afastado mesmo boa parte dos parlamentares da ideia de votar pela reforma da Previdência é a possibilidade de ter seu nome associado ao governo. O cálculo é mais ou menos este: grave não é ser a favor da reforma; grave é ser a favor de Temer.

Se esse cálculo vale para deputado, imagine para os que vão disputar cargos majoritários, sobretudo a Presidência da República. Como na primeira eleição presidencial pós-redemocratização, todo mundo quer se mostrar contra o governo, ainda que esteja lá até o pescoço. Em 1989, nem Ulisses, nem Aureliano abraçaram Sarney. Collor, Lula Brizola e Covas, para ficar apenas nos quatro mais votados, seguiam a mesma linha, com discursos agressivos.

Agora, todo mundo quer ser o anti-Temer. Lula, Bolsonaro, Ciro e até Alckmin seguem essa linha. Ninguém quer ganhar o rótulo de aliado do presidente de plantão.

No Palácio do Planalto, ainda há assessores que pensam que a realidade será diferente em 2018. Apostam em uma recuperação substantiva da economia, especialmente a retomada do emprego. E, se isso ocorrer, acreditam que o vento soprará a favor do Temer. Daí, surgirão os aliados de palanque.

Pode até ser. Mas, até ágora, certo mesmo é que não haverá convite para Temer subir em palanques eleitorais em 2018.

 

Qual o papel do governo federal

Há uma enorme diferença entre querer ficar distante de Michel Temer e fora do governo. Muitos políticos, em 2018, vão repudiar o discurso que os associe a Temer. Mas não desapegam dos espaços de poder, dos cargos de governo. Especialmente de cargos com grande capacidade de interferir nas ações políticas – por exemplo, os com assento em Ministérios como o das Cidades ou em órgãos como a Caixa Econonômica.

Esse vai ser um diferencial importante: ter acesso aos recursos públicos. Daí, vai ser uma boa guerra a indicação de substitutos nesses ministérios, na reforma ministerial do início de abril. Os mais de 15 novos ocupantes no primeiro escalão terão três meses para liberação de recursos – já que a partir de julho a lei eleitoral impõe uma série de limitações. Nesse período, ter um indicado na Esplanada faz muita diferença. 

Alckmin tenta ser candidato que centro ainda não tem

Geraldo Alckmin: manifesto na convenção do PSDB do dia 9 vai tentar esboçar o discurso que busca encantar o eleitorado de centro

 

O governador Geraldo Alckmin anunciou que aceita ser o novo presidente do PSDB. Não era o que queria. Mas precisa ter o partido unido para tentar uma tarefa mais difícil: se apresentar como a alternativa do centro do espectro político, que flerta (e namora, e casa) com o grande capital. O centro está órfão de opções, o que significa dizer que a maior fatia do eleitorado ainda carece de um candidato para chamar de seu.

Tanto Lula (PT) quanto Ciro (PDT) e até Jair Bolsonaro (PSC) tenta lançar pontes para esse eleitorado. Lula vem tendo mais sucesso, mas uma parte dos que fazem opção pelo petista, hoje, o fazem por carência de alternativas. É aí onde Alckmin e o PSDB desejam se firmar como a opção do centro.

Outros já tentaram. João Dória Jr chegou a empolga, mas isso já faz uns seis meses – um século em tempos de campanha. Outro que parece ter gerado alguma expectativa – especialmente no grande capital – foi Luciano Huck. Mas o apresentador escapuliu da disputa: não será candidato a nada. Henrique Meireles se aproxima de Rodrigo Maia (DEM) sonhando em ser essa opção, mas não encanta nem mesmo o grande capital, de onde surgiu para o mundo político. Joaquim Barbosa não dialoga com mercado, mas faria um bom estrado na classe média. Também são muitas as dúvidas sobre sua candidatura.

Diante desse cenário em que o centro está sem um candidato para chamar efetivamente de seu, Geraldo Alckmin tenta apresentar suas credenciais e seu discurso. Depois de vencer a refrega interna contra Doria – que chegou-se a imaginar perdida –, o governador de São Paulo desembarca na convenção do partido, dia 9 de dezembro, com dois desafios. O primeiro, de assumir a presidência tucana sem produzir rusgas entre os dois grupos que dividem o partido. Segundo, lançar um sinal para a nação, e mais ainda para o eleitorado do centro.

Para tanto, o PSDB prepara um manifesto. Será uma espécie de compromisso do partido com a nação, quase um reposicionamento ideológico – ou uma forma de assumir o que realmente é desde que chegou ao poder, em 1994. Vai reafirmar diretrizes liberais, onde a ideia do Estado eficiente e indutor tem lugar central. Mas vai fazer acenos para a esquerda, abraçando teses do “estado moderno” que tem uma preocupação social.

Na prática, será uma espécie de resumo do programa governo de Alckmin. Será o sumo do discurso de campanha, com o qual Alckmim deseja conquistar especialmente esse eleitorado de centro.

 

O outro desafio de Alckmin: explicar-se

Está no Supremo Tribunal Federal um pedido da Procuradoria Gerald da República, que pede investigação contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O Supremo ainda vai ter que decidir sobre a matéria. Mas, em tempos de Lava Jato em que meio mundo político está envolvido em escândalos, é uma pedra no sapato de Alckmin.

Dependendo do encaminhamento, pode deixar a dúvida no ar – caso em que o processo fica estacionado e não há decisão sobre o caso. Pode lançar de uma vez por todas o nome do governador na lama, se evidenciar situações embaraçosas, como acontece com tantos outros políticos. Ou pode salvar a imagem do tucano, caso não traga evodências consistentes.

De qualquer forma, Alckmin terá que se explicar. E o cidadão está atento.

Vale a pena discutir quem é a ‘esquerda moderna’ de Cristovam?

Em entrevista ao Acorda Piauí, ontem, na Rádio Cidade Verde, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) foi duro com seus colegas de esquerda. À procura de alguém que represente o que chamou de “esquerda moderna”, disse que Lula (PT) está nos anos 50 e que Ciro Gomes (PDT) é mais atrasado que Lula. Pegou mais leve com Marina Silva (Rede) e com Álvaro Dias (Podemos). Mas só foi mesmo generoso com seu PPS, mais especificamente com o ministro da Defesa Raul Jungmann, que considera um bom nome para Presidência. Ouça a entrevista.

As críticas de Cristovam reforçam a discussão sobre o que é ser esquerda, e o que exatamente a esquerda defende. Indo mais adiante: o que diferencia a dita esquerda moderna da esquerda apontada como atrasada. Para Cristovam Buarque essa diferença está no conceito de Estado. O mesmo conceito que antes separava direita de esquerda, agora separa a esquerda atrasada da esquerda moderna, conforme o senador pernambucano eleito por Brasília.

No entendimento de Cristovam, as duas esquerdas seguem dando um lugar de destaque ao Estado. Mas uma se preocuparia em servir ao Estado. E a outra em servir ao público. É aí quando reforça as críticas a Lula e Ciro Gomes. Para ele, os dois defendem a estatização pura e simples, nos moldes defendidos ainda nos anos 50 e 60 do século passado. É a esquerda atrasada, segundo o senador.

Já o objetivo da dita esquerda moderna – ainda segundo Cristovam – não é fortalecer e agigantar o Estado, mas assegurar serviços ao público. E isso, conforme ressalta, pode acontecer inclusive através de instituições privadas. Cita o caso de um hospital: não é necessário que seja estatal, desde que garanta o atendimento ao público.

No rol de críticas que relaciona, Cristovão Buarque lamenta que o debate em torno das eleições de 2018 esteja se dando em torno de nomes, não exatamente de modelos ou projetos de país que cada um defenda.

Esta última colocação é importante ser ressaltada: o Brasil ainda não se deteve um só instante em discutir que tipo de país cada candidato oferece. Cabe avaliar o que cada candidato da esquerda oferece como caminho de fortalecimento e transformação do país. E também que ideia de Nação cada um abraça.

O que parece razoável é que o Brasil possa discutir os rumos que vai tomar a partir da escolha que fizer em 2018. Pode ser que um eleitor queira um estado mais forte e mais presente – e quem assim defende pode concordar tranquilamente com Lula, ou Ciro, ou mesmo Marina. Quem acha que o foco do governo deve ser o público – mesmo que isso se dê através de instituições privadas – pode avaliar se esses candidatos atendem a tal perspectiva, ou se é preciso buscar outras alternativas, como Jungmann ou mesmo nomes da centro-direita, como Geraldo Alckmin.

Também é preciso avaliar quem, além do melhor projeto de país, tem os caminhos efetivos para implementá-lo: quem pode unir, quem pode abraçar uma proposta de reconciliação nacional.

Não são condições fáceis. Mas é razoável que os brasileiros façam um esforço no sentido de refletir quem melhor traduz os caminhos desejados. E aí cabe avaliar todos: à esquerda, ao centro e à direita. 

"Lula é esquerda dos anos 50", diz Cristovam Buarque


Senador Cristovam Buarque: falta projeto de país nas candidaturas à presidência da República de 2018
 

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) criticou de forma enfática as discussões sobre o Brasil, no encaminhamento da disputa eleitoral de 2018. Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, lamentou a falta de um debate claro e aprofundado sobre o projeto de país, prevalecendo ideias que olham mais para o passado que para o futuro. Ele critica de modo especial Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSC).

“O Lula é uma esquerda dos anos 50”, diz o senador do PPS. Ele lamenta que o debate esteja em torno de nomes, não em cima de ideias e projetos. Para Cristovam, Lula empunha um discurso que tenta resgatar o populismo dos anos 50, assim como Bolsonaro acena para o autoritarismo dos anos 60. Segundo o senador, nenhum dos dois olha “para o para brisa” do futuro, mas para o retrovisor do passado.

Ao analisar a situação brasileiro, ele admite que o país “está menos mal” se comparado com o “período de irresponsabilidade” do governo Dilma Rousseff, mais “ainda muito longe” da nação sólida e justa que olhe para o século XXI. Também ressaltou sua preocupação com o debate com vista às eleições de 2018. “Está indo na contramão”, avalia, porque não discute a construção de uma nação moderna. Um dos problemas é a falta de coesão.

Na entrevista, Cristovam fala ainda sobre a candidatura do PPS à presidência da República, comenta o papel (e os representantes) da esquerda no atual cenário e diz qual deve ser o projeto que o Brasil deve abraçar nos próximos anos. Nesse projeto, vê a educação como um destaque óbvio, mas um óbvio que o país nunca tomou como realmente prioridade.

Para ouvir a íntegra da entrevista do senador Cristovam Buarque, acesse o arquivo abaixo.

 

Wellington faz recuo político para poder avançar


Wellington Dias e Firmino Filho: governador age para não fechar porta que viabilize ligação política com o prefeito

 

Era para ser um embate entre governo e oposição. De um lado, Firmino Filho (PSDB), arvorando-se de nova voz da oposição. De outro, Themístocles Filho (PMDB), que não se escondeu ao ver seu partido excluído do governo municipal que ajudou a eleger em 2016. E, como pano de fundo, a disputa eleitoral de 2018, sobre estar ou não estar com Wellington Dias (PT) em seu projeto de buscar um quarto mandato. Pelo figurino, era para Wellington nem dar as caras, se fazer de morto. Mas fez exatamente o contrário.

Quando Firmino levantou a voz e fez a oposição acreditar que enfim teria um candidato de alta plumagem, Wellington vestiu a roupa da humildade e desceu do Palácio do Karnak para o gabinete do prefeito Firmino Filho, no Palácio da Cidade. As imagens são reveladoras desse figuro que o governador veste tão bem, quando lhe é conveniente: no gabinete do prefeito, sentou-se à mesa como um segundo, espectador de um Firmino que falava desde a cabeceira.

Claro, não teria sentido algum Wellington tomar a cabeceira da mesa na casa do anfitrião. Mas Firmino não teve a gentileza de desloca-se para uma cadeira lateral, deixando a cabeceira livre. Ficou como o dono do pedaço. Mas isso não tinha a menor importância para Wellington. Ali, o que importava era a ponte que colocava entre o projeto de (nova) reeleição e o nome que poderia (e ainda pode) ser seu adversário mais sério.

Wellington tem nas mãos a mais cobiçada caneta do Estado, aquela que controla um orçamento de mais de R$ 10 bilhões. Apesar disso, não assume um lugar de arrogância e prepotência – até porque, se for preciso, tem quem faça isso por ele. Ao contrário: é jeitoso; é afável; é cativante. E sabe usar as armas que tem. Todas. Só descarta alguém quando esse alguém realmente não conta. Ainda assim não pisoteia. Deixa definhar – politicamente falando, claro.

Executa como poucos a mais antiga arte da política: abrir portas, deixar as alternativas à mão. Quando for a hora, decide em qual delas entra. E quais fecha.

Vem fazendo isso com quase toda a oposição. Ouve Robert Rios desancar seu governo. Mas não se esquiva de uma rodada de rum e violão na casa da principal voz da oposição. Desde 2016 acena para o PSB de Wilson Martins. Alguns socialistas se animaram com o aceno. Ficou nisso. Mas enquanto esperavam algo concreto, deixaram de ser contundentes com o governo. E, agora que partem para o ataque, percebem que uma boa parte do caminho já foi percorrido, está perdido.

No meio da querela entre PSDB e PMDB, que poderia sobrar para Wellington, o governador saiu de seu lugar “superior” de governador e foi até o prefeito. Oficialmente, para discutir questões administrativas. De fato, de fato, para serenar o clima político. Deixa aberta a porta do reversível que pode servir tantos aos seguidores de Firmino quanto aos do governador.

Pode-se atacar o gestor – e são muitos os ataques, ultimamente. Mas é difícil atacar o político Wellington. É o encantador de serpentes. O mágico a hipnotizar a plateia. E, ao final, o mocinho que vai arrebatar os aplausos.

O espetáculo de 2018 já começou. E, por enquanto, só tem um protagonista: Wellington.

Oposição é Wilson, Robert e... quem mais?


Robert Rios e Wilson Martins: até agora, as vozes certas da oposição no Piauí para as eleições de 2018

 

Enquanto se divide entre torcer e duvidar da candidatura de Firmino Filho (PSDB) ao governo do Estado, a oposição ao governador Wellington Dias (PT) faz as contas e refaz estratégias. E conclui que o palanque está estreito. No duro, no duro, os oposicionistas contam mesmo com Wilson Martins (PSB), Robert Rios (PDT) e... quem mais? Talvez Dr. Pessoa.

O leque de possíveis candidatos pela oposição é amplo. Tem Firmino Filho, tem Dr. Pessoa (PSD), tem André Baia (sem partido), tem João Vicente (a caminho do PTB), tem Norberto Campelo (Podemos), tem... Tem quem mesmo?

Apesar de tantos nomes, a oposição não tem de fato – pelo menos até agora – nenhum candidato pra valer. Nem mesmo Dr. Pessoa, que faz lá seu cálculo particular: pode e gostaria de ser candidato a governador. Mas não sairá sozinho. Acha que só se viabiliza se tiver um segundo nome forte na oposição, para gerar um segundo turno onde (avalia ele) seria vencedor.

O nome mais desejado pela oposição, Firmino é uma grande dúvida que se mantém mesmo depois da querela com o PMDB. João Vicente Claudino já disse que pretende ser candidato da oposição. Mas também gera dúvidas. Está a caminho do PTB, onde terá duas saídas: ou verá o partido atrelado ao governo (inviabilizando a disputa contra Wellington) ou verá a debandada de lideranças (como os deputados Nerinho, Janaína Marques, Liziê Coelho e José Hamilton) que não pretendem sair da sombra do governo. Neste caso, começaria já algo debilitado.

Questionado a respeito das perspectivas da oposição, o ex-governador Wilson Martins (PSB) esquiva-se dos nomes. Mas é confiante: a oposição está crescendo. E será ainda maior até a o início de abril – quando estará terminado o prazo de filiação partidária e de desincompatibilização. Wilson tem claro: essa grande barca do governo não fica inteira. Vai haver defecções.

O discurso da oposição é pela renovação da gestão. Ataca os resultados do governo Wellington Dias, que estaria comprometendo o futuro do Estado e deixando para o sucessor um anorme abacaxi. “Vamos ter que encontrar um novo Freitas Neto”, chegou a dizer à coluna o deputado Rubem Martins, em referência à gestão de Freitas Neto (1991-94), que cuidou basicamente de ajeitar as contas do Estado, deixadas em pandarecos pelo governo Alberto Silva.

Discurso à parte, os cálculos oposicionistas esbarram na falta de alternativas. Especula-se daqui e dali, e restam certos dois nomes: Wilson Martins e Robert Rios. Acrescente-se:  e talvez Dr. Pessoa. Quando o tema é o candidato a governador, ficam só os três nomes.

Um oposicionista chega a compor as chapas possíveis, no cenário de hoje. Opção 1 (não necessariamente a preferida): Dr. Pessoa e Robert Rios para o governo, Wilson Martins para o Senado. Opção 2: Dr. Pessoa e Wilson para o governo; Robert para o Senado.

Essa conta, como lembra um oposicionista, é no cenário de agora, em que Firmino não é tido como uma alternativa concreta, tampouco João Vicente. Porque os adversários de Wellington ainda esperam ver a barca do Karnak naufragar. Ou pelos perder um bom número de passageiros.

Oposição ainda não conta com Firmino


Prefeito Firmino Filho: A briga com o deputado Themístocles Filho não dá à oposição certeza de contar com Firmino em 2018
 

A querela do prefeito Firmino Filho (PSDB) com o PMDB de Themístocles Filho deu um ânimo a muitas lideranças da oposição, que viram na manifestação do tucano um brado de independência. E de oposicionismo. O deputado Robert Rios (PDT), sempre irônico, chegou a dizer que Firmino havia rompido com o governador Wellington Dias (PT). Há controvérsias.

De fato, de fato, a oposição ainda não conta com Firmino. Não tem nenhuma segurança sobre os rumos do prefeito: se será candidato ou ao menos se estará na oposição. E Wellington Dias usou de sua esperteza para lançar um pouco mais de fumaça nesse cenário: um dia após a querela aberta entre o tucano e Themístocles, o governador saiu de seu gabinete e foi até o Palácio da Cidade. Afagar Firmino. E espalhar dúvidas.

Apesar do ânimo trazido à oposição pela briguinha Firmino-Themístocles, poucos se atrevem a cravar um rumo para o tucano. Primeiro porque o destino do prefeito parece atrelado às decisões do senador Ciro Nogueira (PP), quem pode de uma só tacada viabilizar a oposição e fragilizar o governo. Vale lembrar, a relação de Firmino com Ciro é tão estreita que a mulher do prefeito está filiada ao partido presidido pelo senador. Mas também ninguém é capaz de cravar o futuro de Ciro.

Outro fator: Firmino também está amarrado ao PMDB de Themístocles, que indicou o vice-prefeito Luís Júnior para compor a chapa vitoriosa de 2016. Para ser candidato, Firmino terá que deixar a prefeitura até o início de abril. E é pouco provável que faça isso deixando a caneta na mão de um adversário. Fala-se no namoro dos tucanos com Luís Júnior, no sentido de atraí-lo para o tucanato e afastá-lo de Themístocles. O entorno de Junior é categórico: não contem com traição.

Para completar, há uma dúvida que paira sobre todas as outras, lembrada sobretudo pelos desafetos: a real coragem do prefeito para entrar nessa empreitada. Avalia-se que teve momentos mais favoráveis – como a disputa de 2002 – que simplesmente desperdiçou. E que agora repetiria o mesmo gesto de 2002. Inclusive com o mesmo desenho de conduta: sair da oposição para o governo, como apoio.

Os adversários repetem esse “falta de coragem”. Resta saber se por convicção ou se é simplesmente uma provocação para ser se Firmino sai mesmo para se candidatar.

Quanto à oposição, não pode fazer muito mais que esperar. Por enquanto, tem como certo o auto-oferecimento do deputado Dr. Pessoa.

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