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Solução para BR 135 depende só de Brasília


Tragédia de sábado na BR 135: nove mortes que cobram soluções urgentes para a rodovia que corta sul do Piauí
 

Com o acidente de sábado passado, que levou nove vidas, já são mais de 30 mortes em menos de meio ano, e apenas no trecho de pouco mais de 600 km que corta o Piauí. Os números são suficientes para mostrar que a BR 135 tornou-se uma trágica realidade. Mostram também que algo precisa ser feito, urgentemente. E essa urgência está nas mãos de Brasília, especialmente no Ministério dos Transportes e particularmente na bancada piauiense no Congresso.

A BR 135 tem, ao todo, mais de 2.600 km entre o ponto de partida, em São Luís (MA) e a chegada, em Belo Horizonte (MG). O trecho piauiense da 135 começa em Jerumenha, cortando todo o extremo sul do Estado até a fronteira com a Bahia, em Cristalândia. A rodovia segue pelo oeste baiano por quase 500 km e entra no norte mineiro, onde percorre quase 800 km até BH.

O traçado piauiense tem mais de 45 anos. Na prática, significa uma estrada estreita na maior parte do percurso e sinuosa em alguns pontos. Com um detalhe: a realidade de hoje é pior que a dos anos 1970, porque hoje apresenta desgastes sérios, como os acostamentos com até 35 centímetros de diferença para o nível da pista. Ou seja: verdadeiras armadilhas para os motoristas.

O diagnóstico sobre a situação da BR 135 é conhecido. Tem mais de 40 páginas, elaborado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e entregue em maio a cada integrante da bancada do Piauí no Congresso. Segundo o relatório da PRF, a BR 135 tem trechos sem acostamento e outros muitos estreitos, sequer permitindo que dois carros maiores passem um pelo outro.

Os técnicos apontam a necessidade de ampliação da rodovia, alargando-a. E o DNIT sabe disso, tanto que tem projeto pronto para essa tarefa no trecho piauiense. O custo: cerca de R$ 350 milhões. Mas junto do projeto vem a informação: não tem dinheiro para executá-lo.

Com o diagnóstico claro e as mortes sendo contadas já às dezenas, as alternativas que se apresentam são limitadas. Num caráter emergencial, a própria PRF sugere a interdição na BR 135, o que significa estabelecer limites de horário para circulação de veículos. Mas é uma alternativa terrível, sobretudo pelo impacto negativo na economia da região.

Numa perspectiva de solução definitiva, a saída é uma só: ampliar a rodovia. Mas para isso é preciso que Brasília se mostre presente. O Ministério do Transporte pode colocar a BR 135 entre suas prioridades. As mortes repetidas deixam claro que essa prioridade não pode ser só de discurso, nem para depois de amanhã. Tem que ser real e urgente.

É aí onde entra o papel da bancada do Piauí no Congresso. Cabe a ela cobrar com urgência uma resposta do governo federal para essa estrada que multiplica tragédias. Para que as tragédias não se repitam, é hora do projeto do DNIT sair do papel. E a bancada pode fazer isso tanto agindo diretamente junto ao Ministério dos Transportes, para já, como também assegurando no Orçamento da União recursos para que esse trabalho seja garantido no próximo ano.

Com tantas mortes, não cabe mais fazer de conta que nada de mais acontece. Nem simplesmente nada fazer.

 

Consórcio com 30 municípios, Coresa está perto de fechar


Prefeitos e secretários posam em 2007, na criação do Coresa: euforia que não se concretizou no correr dos anos
 

Vendido como uma inovação e um modelo quase revolucionário, o Consórcio Regional de Saneamento do Sul do Piauí (Coresa) está perto de fechar as portas. Depois de quase 10 anos de criação, o Coresa contabiliza mais problemas que soluções e uma reunião marcada para o próximo dia 26 pode sacramentar o fechamento de uma empreitada que, de fato, não aconteceu.

O Consórcio foi criado em 2007, no embalo da Lei de Consórcios Públicos – Lei Federal 11.107, de abril de 2005 – e foi vendido como um modelo para o Brasil. A euforia era grande, com direito a pose para foto e grande badalação. Ainda hoje pode-se ver no desatualizado site do Coresa matéria de agosto de 2007 com o título “Piauí consolida modelo de Consórcio”.

O texto da matéria é mais eloquente: “O Piauí sai na frente de outros estados brasileiros ao consolidar a proposta de formação de consórcio público que será responsável pela gestão associada de serviços de abastecimento de água e de saneamento na região sul do Estado”. Nada mais distante da realidade.

O Consórcio foi criado com a participação de 30 municípios – todos os que ficam a sul de Floriano, cobrindo uma ampla área do território piauiense. Pelo menos no papel, tinha como parceiros o Ministério das Cidades, a Funasa e a Caixa, além do governo do Estado. Alguns recursos foram liberados, embora as ações realmente relacionadas com abastecimento d’água e saneamento tenham sido feitas pelo Estado, ainda que usando o selo do Coresa.

Tem mais: dos recursos liberados diretamente para o consórcio, teve dinheiro (cerca de R$ 28 milhões) devolvido porque simplesmente não foi aplicado. E certamente não é por falta do que fazer, já que dos municípios da região somente Porto Alegre do Piauí pode se vangloriar de ter toda a população urbana atendida por esgoto. Mas vale destacar: esse esgoto foi anterior ao Coresa.

O que ficou de mais palpável desses 10 anos de Coresa são duas coisas. Primeiro, o prédio do consórcio, em Bom Jesus, hoje disputado por diversas instituições, já que não tem uso mesmo. Segundo, algumas pendências de municípios. Aqui o problema é que o consórcio envolve todos os municípios e também o Estado. 

Não, por acaso, vários municípios vinham debandando do consórcio. A maior parte só de boca, já que tanto a entrada quanto a saída exige aprovação de lei municipal. Mas isso não tinha muita importância: como o Coresa faz de conta que existe, os municípios faziam de conta que permaneciam no consorcio, embora já o tivessem deixado.

Na reunião do próximo dia 26 com governo e municípios, deve ser sacramentado o fim do Coresa. Um dos mais interessados nesse desmonte é o próprio governo do Estado. Resta saber o que vem depois. Porque o fim do Coresa não vai significar o fim dos problemas de abastecimento e saneamento básico em todo o sul do Piauí.

Oficialmente, fazem parte do Coresa os seguintes municípios:

Alvorada do Gurgueia Cristalândia Palmeira do Piauí
Antonio Almeida Cristino Castro Parnaguá
Avelino Lopes Gilbués Porto Alegre do Piauí
Barreiras do Piauí Guadalupe Rendenção do Gurguéia
Bom Jesus Júlio Borges Riacho Frio
Canavieira Landri Sales Santa Filomena
Colônia do Gurguéia Manoel Emídio Santa Luz do Piauí
Corrente Marcos Parente Sebastião Barros
Curimatá Monte Alegre do Piauí Sebastião Leal
Currais Morro Cabeça no tempo Uruçuí

 

BR 135 já matou este ano o dobro de todo o ano de 2016


Acidente do último dia 12, na BR 135, com 6 mortos: triste rotina na chamada "estrada da morte" 

 

A BR 135 já registrou este ano, no trecho que corta o sul do Piauí, o dobro do número de mortes registrado em todo o ano de 2016. Foram 31 mortes de primeiro de janeiro a 17 de junho, contra 16 vítimas fatais para todo o ano passado, o que aumenta a pressão por uma saída urgente para a chamada “estrada da morte”. Mais uma tragédia foi registrada neste sábado(17).

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entregue em maio à bancada do Piauí no Congresso, a BR 135 contabilizava já nos meses de janeiro, fevereiro e março um total de 13 mortes. Desde então, os acidentes tem se repetido e com alto índice de fatalidade.

Desde o início de abril, foram registrados os seguintes acidentes com vítimas fatais:

Dia 06/05 – em Monte Alegre, 2 mortos;
Dia 10/05 – em Corrente, 1 morto;
Dia 12/06 – em Bom Jesus, 6 mortos;
Dia 17/06 – em Monte Alegre, 9 mortos.

O mês de junho vai se destacando nessa trágica estatísticas, com dois acidentes que já somam 15 mortes, número que pode aumentar em razão de vários feridos em estado muito grave no acidentes de hoje. Outro mês com números estarrecedores é fevereiro, que somou 8 mortes em dois acidentes no período do carnaval, ambos nas proximidades de Cristalândia, cada um com quatro mortos.
 

Relatório aponta situação crítica da BR 135

Em um relatório de mais de 40 páginas, a PRF aponta diversos problemas no trecho piauiense da BR 135, que vai de Jerumenha a Cristalândia, somando mais de 600 km. E diz que as condições precárias da rodovia “têm gerado graves prejuízos à sociedade piauiense, desde dificuldades de escoamento da produção agrícola até a perda de vidas em acidentes de trânsito”.

O relatório aponta diversos problemas na rodovia federal, começando pela largura. Segundo o documento técnico, em vários trechos “a largura das faixa de rolamento é inferior às dimensões recomendadas pelo DNIT”, não permitindo que dois veículos largos passem um pelo outro sem ter que desviar para o acostamento. O problema é que em muitos trechos não há acostamento, e em outros há desnível de mais de 30 cm entre a pista e a lateral da pista. 

O relatório entregue à bancada piauiense em Brasília serviu de suporte para a mobilização que pede providências urgentes para a rodovia. Uma das medidas sugeridas pela PRF é que seja feito o controle do fluxo de veículos, limitando o tráfego de alguns veículos a determinados horários. Na época, o DNIT considerou a sugestão uma "medida extrema".

Apoio a Temer já custa R$ 1 bilhão em emendas parlamentares


Presidente Michel Temer: após delação da JBS, liberação de quase R$ 1 bilhão em emendas parlamentares

 

Em menos de um mês, o governo Federal liberou quase R$ 1 bilhão em emendas parlamentares. Coincidência ou não, as emendas passaram a sair das gavetas depois de 17 de maio, quando estourou a delação da JBS, aquela que envolveu o presidente Michel Temer até a alma. Desde então, foram liberados R$ 953,6 milhões, a grande maioria para parlamentares da base aliada.

Quem conhece como funciona o Congresso Nacional e as práticas de presidentes dos últimos 30 anos, sabe de uma velha receita: diante de dificuldades políticas, a saída mais fácil é a liberação de emendas para ter a simpatia dos congressistas. E Temer enfrenta muitas, muitas dificuldades. Daí, é muito provável que essa liberação esteja associada diretamente ao apoio que o presidente tanto necessita especialmente na Câmara.

Não será a primeira vez que Temer utiliza esse artifício. E, convenhamos, não está sendo nem um pouco original.

Ano passado, no desespero de tentar conter o processo de impeachment no Congresso, a então presidente Dilma Rousseff liberou R$ 1,4 bilhão nos primeiros dias de maio. Em apenas uns dias, Dilma destravou o mesmo valor que havia liberado nos quatro meses anteriores. Mas a sangria de dinheiro não deu resultado: mesmo com tanta grana rolando, o Senado abriu o processo de impeachment em 12 de maio.

Talvez por saber que nem sempre emenda garante apoio, ao assumir interinamente o lugar de Dilma, Temer seguiu com as liberações, mas em valores mais robustos. E no restante do mês de maio liberou outros R$ 2,4 bilhões para os parlamentares.

Agora sob ameaça de processo no Supremo, Temer segue com a velha filosofia do toma lá, dá cá. O toma lá são as emendas. O dá cá é o esperado empenho dos congressistas pela rejeição de um eventual pedido do Supremo para processar o presidente. O Supremo só poderá levar adiante um processo desse tipo se tiver autorização de dois terços da Câmara.

E aí fica tudo explicado: de 17 de maio a 13 de junho, o governo liberou R$ 486,4 milhões em restos a pagar (valores pendentes de outros anos) e mais R$ 467,5 milhões que já estavam empenhados (prontos para serem pagos) deste ano. A soma chega a R$ 953,6 milhões em valores liberados em menos de um mês.

Como ex-congressista, Temer sabe como funciona a cabeça de um parlamentar. E por isso tem pressa. Quer que o pedido do Supremo seja apreciado pela Câmara tão logo seja encaminhado pela Corte. Sabe que dinheiro liberado vai perdendo o valor quanto mais passa o tempo. Daí a ideia de suspender o recesso de julho.

Se ficar para agosto ou setembro, aí a liberação de maio e junho já não contará mais. Temer terá que liberar um novo pacote de emendas.

Piauí terá projeto piloto contra desertificação, anuncia diretor do MMA

Fotos: Paulo de Araújo/MMA

Valdemar Rodrigues: novas diretrizes contra a desertificação no Brasil

O Piauí será um dos cinco estados a desenvolver projeto piloto de ação contra a desertificação, por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O projeto será desenvolvido em Santo Antonio de Lisboa, escolhida por estar na região de Picos, uma das áreas com graves agressões ambientais.

A realização do projeto foi revelada pelo ambientalista Valdemar Rodrigues, diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e de Combate à Desertificação do MMA. Em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde, Valdemar informou que o projeto será realizado dentro de uma nova metodologia, procurando integrar lavoura, pecuária e floresta nativa.

Ele disse que o semiárido nordestino é a área que sofre maior ameaça de desertificação, alcançando 10% da área. O problema decorre do uso inadequado do bioma. No caso da região de Picos, observa que a cajucultura é feita sem uma preocupação com a conservação do solo.

Essa realidade, conforme Valdemar, se faz mais grave ainda na atual situação, quando o Nordeste já contabiliza seis anos seguidos de seca. Com estiagem e diante da falta de opções para se manter, muitos agricultores terminam transformando a mata em lenha ou carvão.

O projeto piloto a ser implantado em Santo Antonio de Lisboa define uma nova postura do MMA em relação à desertificação. Primeiro, por focar mais na prevenção que na recuperação de áreas degradas. A recuperação é muito mais cara – adverte Valdemar. Outra mudança é a maior atenção à caatinga, uma das áreas mais ameaçadas pela desertificação, mas que ficava em plano secundário.
 

Valdemar, pioneiro contra a desertificação

O atual diretor do MMA para o combate à desertificação é um pioneiro nesta área. Piauiense, Valdemar Rodrigues foi professor da UFPI, onde criou o núcleo de estudos sobre a desertificação. Foi ele que, há cerca de 30 anos, chamou a atenção do Brasil para o problema e se notabilizou por estudar o caso específico da desertificação em Gilbués – que ele identificação como a soma da exploração mineral (garimpo de diamante) com a fragilidade geológica da região.

Tornou-se referência internacional sobre o tema, diversas vezes representando o Brasil em eventos internacionais sobre desertificação. Foi também secretário de Meio Ambiente de Teresina na última gestão de Wall Ferraz.  A experiência que leva da academia e de conhecimento direto do problema está ajudando o MMA a adotar um novo rumo nas políticas relacionadas à desertificação.

Para ouvir a íntegra da entrevista de Valdemar Rodrigues, clique no link abaixo.

 

Pedro II faz 14ª edição do Festival de Inverno com vontade de se revigorar


Miryam Eduardo: a primeira atração do Festival de Inverno de Pedro II
 

O Festival de Inverno de Pedro II chega este ano à sua 14ª edição disposto a se revigorar. O Festival nasceu como uma sacada do Sebrae, no esforço de consolidar iniciativas de fortalecimento de economias locais e estímulo ao empreendedorismo. Um tiro certo que deu uma nova dimensão à cidade de Pedro II.

Desde então, o Sebrae segue no projeto, mas o Festival praticamente mudou de dono. Hoje é mais da prefeitura e do governo do Estado, que já estavam lá no começo de tudo. E desde 2004 já contou com momentos extraordinários e também saias justas, como o ensaio de vaia a um governador que era adversário do prefeito municipal do momento.

Entre altos e baixos, dá gosto ver as casas transformadas em acolhida dos turistas, seja com cessão de parte das dependências ou mesmo o aluguel de toda a residência. Nesses dias, muitas famílias se acomodam em casas de parentes para fazer dinheiro com a receptividade dos turistas, às vezes transformando o lugar em restaurante temporário.

É um Piauí bem diferente. Pelo clima. Pela vontade de transformar a cidade em um lugar de prazer e negócios.

Mas o Festival também cuida de se renovar para não deixar na poeira o charme inicial. E uma das preocupações é com a programação musical. Há boas atrações.

Na quinta-feira: os shows no Palco Opala começam com Myriam Eduardo (piauiense afinadíssima, filha de Pedro II). Depois vem o pianista Donny Nichilo e Band (Blues - EUA) e o pernambucano Alceu Valença.
Na Sexta-feira quem primeiro se apresenta é o mineiro Gustavo Andrade com sua Blues Band, seguido da também mineira Roberta Campos e do tremendão Erasmo Carlos (RJ).
No sábado o primeiro a se apresentar é o grupo Oitavo Resgate (Piauí). A noite fica completa com os shows de Diogo Nogueira (RJ) e Cidade Negra (RJ).
No Domingo, o Festival se encerra com a Banda Retrô (Pedro II), o grupo As Fulô do Sertão (Piauí) e Chambinho do Acordeon (Piauí).

 

R$ 1 milhão no Palco Principal

São muitos os patrocinadores do Festival de Inverno de Pedro II. Mas quem mais despeja dinheiro no evento é o governo do Estado, que ficará responsável pelo Palco Principal. Valor da despesa: R$ 1 milhão.

Piauí alcança só 1 terço do número ideal de doadores de sangue


Maria Teixeira, do Hemopi: esforço para assegurar mais doadores de sangue no Piauí
 

O Piauí alcança apenas um terço do número de doadores de sangue considerado ideal para atender às necessidades do Estado. Segundo cálculos do Ministério da Saúde, o ideal é que pelo menos 3% da população doem sangue. Em termos nacionais, o número chega a apenas 2% (dois terços da meta). No caso do Piauí, a situação é mais grave, os doadores somando apenas 1% da população, o que corresponde a um terço do ideal.

Os dados foram revelados por Maria Teixeira, ouvidora do Hemocentro do Piauí (Hemopi), em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Esse número bem aquém do ideal tem suas conseqüências: o Hemopi não consegue ter folga no estoque de sangue e sequer consegue manter uma reserva para situações emergenciais.

Os dados são especialmente importantes porque esta quarta-feira, 14 de junho, assinala o Dia Mundial do Doador de Sangue. E Maria Teixeira destaca outra carência no caso do Piauí, onde pouco mais da metade dos doadores são voluntários que doam sem uma vinculação pessoal. Quase metade doa para pacientes específicos com demandas pontuais por sangue. O ideal, ainda segundo o Ministério da Saúde, é que pelo menos 80% dos doadores sejam voluntários sem motivação particular.

Conforme Maria Teixeira, esse perfil do doador piauiense leva o Hemopi a realizar campanhas regulares para atrair doadores. Mas as campanhas trazem um problema adicional: a sobrecarga da estrutura do hemocentro naqueles dias específicos de chamamento de doadores. Segundo ela, o ideal é que houvesse um fluxo regular de doadores voluntários, sem sobrecarregar o hemocentro em dias pontuais.

Para melhorar as doações, o Hemopi conta agora com um ônibus que funciona como unidade móvel. Esta semana, por exemplo, o veículo esteve nas universidades Federal e Estadual. Maria Teixeira observa que o ônibus melhora muito a relação com parceiros como as universidades e empresas, porque não exige do parceiro um espaço especial para coleta de sangue. O ônibus é esse espaço, com acomodação para até seis doadores e equipamentos para melhor armazenamento do sangue doado.

Para ouvir a entrevista completa de Maria Teixeira, clique no link abaixo.

 

‘Corrente de vento’ cria conflito entre municípios no interior do Piauí


Antônio Felix: presidente da Comissão que busca mediar conflitos por terras no estado do Piauí
 

Muitos conflitos fundiários geram problemas entre municípios no interior do Piauí. Isso não é novo. Mas os conflitos territoriais ganham agora uma nova motivação: as correntes de vento que podem impulsionar uma nova atividade econômica, no caso os projetos de energia eólica.

Esse novo motivo de disputa foi averiguado pela Comissão de Estudos Territoriais da Assembleia Legislativa. Em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde, o presidente da Comissão, deputado Antônio Felix (PSD), disse que há diversas motivações na disputa por território. A principal é relacionada à incorporação de faixas onde um determinado contingente populacional pode implicar na mudança da faixa de repasse de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Antônio Felix explica que os municípios com até 10.188 habitantes estão na faixa mais baixa, a 0.6. De 10.189 até 13.584, passa para a faixa 0.8, o que implica em mais recursos. Muitas vezes um município tem, digamos, 10.150 habitantes, onde a disputa por uma pequena povoação com 40 habitantes pode mudar a faixa referente ao FPM.

O deputado diz que a disputa pelas correntes de vento é uma nova área de conflito, o que está acontecendo neste momento entre dois municípios no Sudeste do Piauí. Essas correntes têm transformado o Piauí em um dos principais destinos de investimentos em produção de energia eólica. E os municípios desejam esses investimentos.

O conflito ocorre porque uma das correntes mais favoráveis à energia eólica passa praticamente na divisão de dois municípios – que o deputado não quis nominar. Daí veio a disputa por uma faixa de pouco mais de 300 metros. A definição sobre a propriedade dessa estreita faixa pode deixar a corrente de vento em ou outro município.

A disputa é mediada pela Comissão presidida por Antônio Felix.

 

Audiência tenta saída para 90 mil pessoas em imóveis irregulares

A Assembleia Legislativa do Piauí realiza na próxima quarta-feira, dia 21, audiência pública que tenta por fim a um problema que afeta nada menos que 90 mil proprietários de imóveis em Teresina. São pessoas que compraram esses imóveis mas não têm escritura porque ocupam áreas em situação irregular.

Esse número de proprietários inclui as diversas situações, desde áreas populares como a Avenida Boa esperança, na Zona Norte, ou moradores de prédios de luxo na Avenida Marechal Castelo Branco, no bairro Ilhotas. Esses imóveis foram construídos em áreas consideradas de propriedade da União e, por isso, os proprietários não têm como lavrar escritura em cartório.

A audiência pública, marcada para a sala da CCJ, vai reunir os diversos atores envolvidos com o assunto. Além dos deputados, terá representantes do governo do Estado, da prefeitura de Teresina, dos cartórios, Ministério Público e juizado da Vara Agrária.

Para ouvir a entrevista completa do deputado Antônio Felix, clique no link abaixo.

 

Candidatura de Firmino é uma possibilidade, sim


Firmino Filho e Wellington Dias: os dois, hoje próximos, podem ser adversários em 2018

 

Em entrevista à Rádio e TV Cidade Verde, ontem, o prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), disse sem meias palavras: “não sou candidato a nada”. Acrescenta que uma candidatura é feita de muito diálogo, coisa que ele não está muito disposto a se dedicar.

Parece uma recusa categórica. Não é. A possibilidade de uma candidatura Firmino Filho – e ao governo do Estado – não pode ser descarta. E nem ele a descarta.

O cenário desenhado no momento deixa poucas alternativas à oposição para um competitivo enfrentamento à mais que provável candidatura de Wellington Dias (PT), que vai em busca de um quarto mandato no Palácio de Karnak. E Firmino, hoje razoavelmente próximo de Wellington, é o nome quase natural.

Mas para que o prefeito se transforme em candidato ao Karnak há um longo percurso. E muitas conversas – o tal diálogo que Firmino não tem se mostrado muito disposto a abraçar. Mas ele pode ter aliados que, se quiserem mudar para a oposição, podem muito bem cumprir esse papel de articulador, fazendo-se costureiro de uma aliança oposicionista.

O mais destacado desses interlocutores seria o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Em princípio, Ciro gostaria de seguir na aliança de Wellington. Mas não são poucos os petistas que se dedicam ao esporte de vaiar o líder dos Progressistas. Se calcular que pode ter problemas numa chama encabeçada por Wellington, Ciro não surpreenderá ninguém com a mudança de lado. Além disso, parece bem provável que PP e PT estarão em lados opostos na disputa pela Presidência da República, o que pode complicar a caminhada comum dos dois partidos, aqui.

Firmino poderia contar ainda com o PMDB do deputado Themístocles Filho – o mesmo PMDB que desembarcou de mala e cuia no governo de Wellington. Tal e qual o PP, o PMDB deve ser adversário do PT na corrida pelo Planalto, o que também complicaria a formalização de aliança no cenário estadual. Para completar, se Firmino sair para disputar o governo do Estado, a prefeitura cairia no colo do grupo de Themístocles, que indicou pessoalmente o vice da chapa do tucano, o ex-reitor Luís Santos Júnior.

Themístocles, aliás, é visto como um aliado necessário, imprescindível em uma eventual candidatura Firmino. Isto porque ninguém calcula que o tucano repetiria o erro de Silvio Mendes em 2010, que saiu candidato deixando a prefeitura na mão de um grupo (o PTB de Elmano Ferrer e João Vicente) que o enfrentaria na disputa pelo mesmo Palácio de Karnak.

Essa percepção é que fez Wellington Dias escancarar as portas do governo para o PMDB, na reforma administrativa de março passado. Ao acomodar tantos peemedebistas em postos importantes como a SASC e a Fundação Hospitalar, Wellington aproximou o PMDB de sua candidatura à reeleição.

Essa aproximação não é garantia de que os peemedebistas seguirão com o PT em 2018. Mas certamente reduz o ímpeto de marchar para a oposição. E isso é, sem dúvida, um complicador na construção de uma candidatura Firmino.

PSDB fez opção pelo menos traumático para o Brasil, diz Luciano


Luciano Nunes: empenhado como presidente da Unale em viabilizar reforma política 

 

Ao decidir não romper com o governo Michel Temer, o PSDB fez a opção pelo que é menos traumático para o Brasil. A avaliação é do deputado estadual Luciano Nunes (PSDB), que reconhece a divisão do partido e a dificuldade em apoiar o governo Temer. "Deve ter sido uma decisão apertada", observa, em relação à reunião de ontem em Brasília.

Para Luciano, seria razoável uma postura de independência que conservasse o compromisso com as reformas em tramitação no Congresso. Mas acha que prevaleceu o sentimento de que uma ruptura geraria muito mais problemas para o país, exatamente quando o Brasil mostra sinais importantes de reação.

No entendimento de Luciano, a posição do partido deve ser no sentido de “não passar a mão na cabeça” de ninguém, mas não se pode jogar fora o que está sendo conquistado, como a retomada do crescimento do PIB e a redução do ritmo da inflação. E observou que essa posição de não "passar a mão na cabeça" cabe inclusive para membros do partido que estejam envolvidos em denúncias.

 

Desafio como presidente da Unale

O deputado Luciano Nunes também falou sobre o desafio da União Nacional de Legislativos e Legisladores Estaduais (Unale), que ele assumiu sexta-feira como presidente. No âmbito das Assembleias, disse que a preocupação é permitir que os legislativos estaduais possam ter atribuições mais amplas que as atuais. Nesse sentido, tramita PEC no Congresso para que essas atribuições sejam definidas.

Outra preocupação é com a reforma política. Luciano ressalta que grande parte dos problemas de governabilidade e de corrupção existentes no Brasil é resultado de um sistema político falido. E a Unale quer agir junto ao Congresso para que mudanças significativas sejam adotadas.

Entre as mudanças, o presidente da Unale destaca duas: o fim das coligações proporcionais e o financiamento público. Para ele, o fim da coligação proporcional funcionará como uma espécie de cláusula de barreira capaz de reduzir o número de partidos. Luciano entende que fica difícil construir governos estáveis tendo que negociar com tantos partidos.

Ouça a entrevista completa do deputado Luciano Nunes no link abaixo.

 

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