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Substituto de Teori terá peso extra da desconfiança

A morte do ministro Teori Zavascki, responsável pelos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, está alimentando todo tipo de teoria da conspiração. Mas, independente das especulações, o substituto do ministro falecido não vai ter vida fácil. E terá, além da tarefa espinhosa e estafante, um peso extra nas costas: o da desconfiança.

Pelo regimento do Supremo, o substituto de um ministro assume os processo sob a responsabilidade do substituído. Ou seja: além de temas menos delicados, o ministro a ser escolhido para a vaga de Teori Zavascki teria uma boa fatia do mundo de documentos da Lava Jato, exatamente os que se referem às autoridades com foro privilegiado. Isto só não ocorrerá se a presidente da Corte, ministra Carmem Lúcia, recorrer à excepcionalidade. O regimento também deixa uma brecha para a possibilidade de um relator ser indicado excepcionalmente em caso, por exemplo, de urgência – o que caberia perfeitamente no caso da Lava Jato.

Se a opção for por manter a regra geral, vai sobra questionamento. Desde a escolha do substituto até a conduta dele diante das tarefas que assuma, tudo vai ser motivo para dúvida, num país que desconfia de tudo e de todos.

A própria escolha já será um motivo para discussões sem fim. Primeiro, porque quem vai escolher o substituto é o presidente Michel Temer, cujo nome aparece em depoimentos de implicados na Lava Jato. Segundo, porque cabe ao Senado o papel de sabatinar e confirmar a indicação. E, não custa lembrar, um bom punhado de senadores – a começar pelo atual presidente – está nos processos que cairão nas mãos do ministro a ser escolhido. Haverá sempre a desconfiança de que o eleito para a Suprema Corte terá um compromisso político, por mais sério, preparado e isento que seja.

Para completar, não faltará quem questione a própria conduta do futuro ministro, seja ela qual for tal conduta. O novo ministro terá que tomar pé do vasto assunto, conhecer o conteúdo espalhado por centenas de volumes e milhares e milhares de páginas. Se for célere, os que estão sob a mira da Lava Jato reclamarão de açodamento. Quando mostrar mais critério e rigor que implique em mais lentidão, será acusado de morosidade pelos que cobram pressa.

Seja quem for o escolhido, não terá vida fácil. A desconfiança estará em todo o percurso.

Daí, pode não ser descabelada a possibilidade da ministra Carmem Lúcia recorrer à excepcionalidade prevista no regimento do Supremo e indicar um relator para a Lava Jato entre os atuais ministros. Essa medida retiraria a dúvida quanto ao envolvimento político a priori com personalidades interessadas no andamento dos processos. Além disso, permitiria a continuidade dos processos, em especial da homologação (ou não) da delação premiadas dos executivos da Odebrecht. Esperar a indicação do novo ministro significaria a perda de alguns bons meses, o que geraria ainda mais desconfianças.


Senado: substituto de Teori Zavascki será escolhido por interessados nos rumos da Lava Jato

 

Posse de Trump afeta o Brasil. E muito


Trump, um furacão cuja intensidade o mundo começa a conhecer mesmo a partir de amanhã

 

Em tempos de globalização, ainda tem quem olhe fatos como Brexit, a crise dos refugiados e a eleição de Donald Trump como uma coisa distante, e que não tem nada a ver com a gente. Tem sim. E muito. Não por acaso, o Itamaraty faz das tripas coração para entender o jogo – esse talvez seja o termo mais apropriado para quem é dono de cassinos: o jogo – do novo presidente dos Estados Unidos, que toma posse amanhã.

O Itamaraty começa essa discussão de uma saia justa: o chanceler José Serra nunca escondeu a preferência pela eleição da democrata Hillary Clinton. E agora tem que corrigir a falta de diplomacia. Some-se a isso o óbvio: qualquer movimento dos estados Unidos gera efeitos no mundo inteiro. E o Brasil tem que estar atento a isso, até porque as manifestações de Trump desde a campanha, inclusive após a eleição, são preocupantes para países como o nosso.

Vale recordar: os Estados Unidos são a maior economia do mundo. Os movimentas dessa economia geram uma onda ao redor do planeta, sobretudo quando adota uma postura protecionista que busca resgatar o velho poder industrial norte-americano. Na linguagem mais técnica: Trump aposta numa política isolacionista, interagindo menos com outros países. O efeito imediato: tira forças das outras economias ao redor da terra.

Isso é particularmente um problema para o Brasil, que tem nos Estados Unidos um dos destinos fundamentais de seus produtos. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, diz que “as relações entre nossas economias e sociedade são muito fortes, e nenhum governo trabalhará para seu enfraquecimento”. A fala é mais um desejo que uma certeza.

Os mercados estão em expectativa, no Brasil e no resto do mundo. Trump tem feito mais marketing que qualquer outra coisa e cada declaração sua deve ser tomada como tal. Devemos esperar as ações. Porém, as primeiras – traduzidas nas indicações para composição do novo gabinete – são preocupantes. A grande maioria dos indicados tem a visão protecionista, o que indica o restabelecimento de uma política sepultada desde Roosevelt, há mais de 80 anos.

Quaisquer que sejam as ações de Trump, elas afetarão nossa terrinha, aqui nos trópicos. É torcer para que o efeito não seja o fuçarão devastador que tantos prognosticam. E que prevaleçam a torcida do presidente da CNI, de efeito mínimo do pós 20 de janeiro.

Já que muitos consideram Trump um furacão, que, pelo menos, seja um furacão de categoria 1, aqueles mais brandos. Ou que se torne uma mera tempestade tropical, que já pedir que Trump seja uma brisa, é um pouco demais.

Universidades públicas desperdiçam mais de metade das vagas


Universidade pública: fatores como a crise econômica aumentam a evasão e, portanto, o desperdício de vagas


A Universidade Pública brasileira passa por uma enorme crise, com alcance múltiplo. Há crise financeira, de credibilidade, de resultados. E, mesmo diante da escassez de recursos verificada nos últimos anos, a realidade pode ser vista de modo mais dramático quando se observa o quanto de dinheiro é jogado fora. Um exemplo dessa realidade é a perda de vagas, traduzida na evasão de universitários.

Em grande parte dos cursos superiores – há exceções, claro, como o de Medicina –, o número de formandos fica longe da metade do número de ingressos por período. Em nível nacional, os que conseguem o diploma ficam abaixo dos 40% dos que ingressam na universidade. Como é parte dessa realidade geral, a UFPI mantém a média, como bem revelam diversos exemplos. O Curso de Agronomia, sempre tão festejado, chegou a ter turmas com menos de 15 formandos, contra os 40 que ingressam a cada semestre. Comunicação Social, que também seleciona 40 alunos por semestre, teve a última turma de formandos com apenas 17. Num caso e noutro, menos da metade dos que entraram estão saindo com diploma.

Na prática, as vagas não aproveitadas são um enorme desperdício. Dinheiro não utilizado.

O fenômeno não chega a ser novo, como uma crônica de uma crise anunciada. Mesmo assim, a explicação para tal fenômeno não é simples: há diversos fatores que interferem nesse resultado. A própria crise econômica, que já dura mais de 4 anos, reforça esse cenário, pois muitos alunos são obrigados a abandonar a sala de aula em nome da sobrevivência. Há ainda alunos que entram em cursos com os quais não têm afinidade: escolhem esse ou aquele simplesmente porque foi o que a pontuação do Enem permitiu.

E há também o próprio pouco caso com a coisa pública. Numa faculdade privada, perder um semestre pode gerar muitas broncas em casa, diante da sensação de desperdício de dinheiro efetivo, traduzido nas mensalidades e outras taxas. Na instituição pública, perder um semestre não traz a mesma sensação: ninguém meteu a mão no bolso para pagar mensalidade. Mas é dinheiro público jogado fora – porém, no Brasil, o público é visto não como algo de todos, mas como uma coisa de ninguém.

O mais grave nisso tudo é que há uma sensação de que esse problema ainda não afeta significativamente o debate no seio das universidades públicas brasileiras. Não há discussão de resultados, nem sobre a quantidade de alunos formados a cada ano ou a cada semestre, tampouco a qualidade desses egressos.

Presídios brasileiros não conseguem fazer nem vistoria?


Rebelião em Manaus: faceta do caos nos presídios brasileiros que não conseguem sequer fazer vistoria

 

A decisão do governo federal de oferecer as Forças Armadas para atuação dentro dos presídios estaduais revela o que é óbvio: falta um mínimo de eficiência na administração prisional brasileira. A tarefa principal dessas forças altamente especializadas será a de... fazer vistoria dentro dos presídios. Na prática, essa decisão mostra que o sistema prisional não funciona no elementar, que é a entrada nas cadeias do que não pode, como droga, celulares e armas.

Olhando assim, pode-se concluir que o sistema está condenado, falido!

Vamos e venhamos: soa absurdo o uso das Forças Armadas para tarefa tão trivial. Certamente, os integrantes de Exército, Marinha e Aeronáutica receberam treinamento para situações muito mais sofisticadas. Mas é até compreensível que sejam a válvula de escape do país, diante da gravidade da crise vivida nos presídios, com reflexos sobre a segurança dos cidadãos em praticamente todos os estados.

Como disse o secretário de Segurança do Amazonas, após a matança do Dia de Ano, nem celular nem arma tem asa. Se há armas dentro dos presídios, é porque alguém levou. E o ingresso de objetos proibidos ou se dá através de visitantes ou de algum agente penitenciário. Num caso ou noutro, a situação é negativa para os agentes, acusados de corrupção ou incompetência.

Tal constatação obriga a uma completa reflexão sobre esse sistema. Se não funciona, precisa ser redefinido, modificado. E não esquecendo que a vistoria, por mais eficiente que seja através dos representantes das Forças Armadas, não encerra o assunto. O problema é muito, muito maior.
 

Outra faceta da (in)segurança brasileira

Dentro do Plano Nacional de Segurança, o governo federal vai desenvolver ações sociais em áreas com índices mais acentuados de violência. Essas ações serão feitas através do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). É o reconhecimento de que a questão da (in)segurança pública é muito mais que um problema de polícia.

O Plano vai começar por Aracaju, Natal e Porto Alegre. Das três, duas cidades do Nordeste – região que conta com os indicadores de violência mais expressivos. Vale lembrar, Fortaleza e Maceió têm apresentados tristes recordes de violência. As duas são capitais de estados onde a desigualdade é tremenda. E a desigualdade costuma ser parceira íntima da violência.

Rumos da Democracia brasileira serão discutidos em Teresina

A qualidade da democracia brasileira e a trajetória (passado e futuro) do nosso regime democrático serão tema de discussão em Teresina, em evento promovido pela Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP). Trata-se do 5º Fórum Brasileiro dos programas de pós-graduação em Ciência Política, que acontecerá na UFPI de 4 a 7 de julho próximo.

O Fórum vem se tornando um importante espaço de discussão dos mais diversos temas relativos à Ciência Política – e, claro, ao fazer político no país –, mas este ano ganha uma atenção a mais, pela escolha do tema central: “Caminhos da Democracia no Brasil”. As diversas crises vividas pelo país – especialmente a grave crise que leva ao questionamento da representação política – torna o tema mais que atua. É uma discussão necessária, imprescindível.

Conforme ressalta a própria ABCP, o Fórum tem como objetivo “trazer para a cidade de Teresina as discussões acadêmicas a respeito do regime democrático brasileiro e sua trajetória político-institucional de consolidação, além de proporcionar para a região um momento de confluências de professores e pesquisadores da área, fomentando o intercâmbio de idéias”. Não é pouca coisa.

O debate sobre a qualidade da Democracia é central em praticamente todo o mundo, especialmente diante de realidades instáveis, desiguais e conflituosas. O exercício do Poder tornou-se cada vez mais complexo e os resultados mais e mais questionados por expressivos segmentos da cidadania.

Esse debate torna-se ainda mais significativo em países como o Brasil, que atravessam uma crise muito própria, com rechaço à política e até à Democracia. As instituições também são colocadas em xeque. E, para espanto de muitos, crescem os que pedem regime que nada tem a ver com Democracia.

É nesse contexto que a ABCP vai realizar seu 5º Fórum reunindo os programas acadêmicos em Ciência Política e trazer a Teresina quem está realmente refletindo sobre esse esse tema tão importante.

Apoio de ministro pode ser trunfo para Silvio Mendes mudar de sigla


Ciro, à esquerda, e Ricardo Barros, ao centro: trunfo para o PP, possibilidade para a saúde de Teresina

 

O PP de Ciro Nogueira quer utilizar os trunfos nacionais do partido para se fortalecer politicamente nos estados. Esses trunfos são os ocupantes de cargos públicos de referência em Brasília, como ministros de Estado. A equação é simples: o PP está atrás de novos nomes, visando se fortalecer para as próximas eleições; e a proximidade de gestores municipais ou mesmo estaduais com um ministro pode fazer muita diferença.

A equação pode ser utilizada em Teresina, em meio à intenção do senador Ciro Nogueira de atrair para seu partido o ex-prefeito Sílvio Mendes, do PSDB. E Silvio, um nome há muito cortejado por Ciro, pode ter ganhos administrativos (e, consequentemente, políticos) caso mude de sigla. Ele ganharia um trunfo para fazer seu trabaçlho como secretário de Saúde de Teresina. É que o ministro da Saúde, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), foi indicado para o cargo precisamente pelo partido de Ciro. E isso pode se converter num trunfo para os dois - PP e Sílvio.

Ter um ministro aliado faz muita diferença, como reconhece o secretário de planejamento do município, Washington Bonfim. Ele não esconde que a presença de Marcelo Castro no mesmo ministério da Saúde, ainda que por apenas 8 meses, foi importante para Teresina e para o Piauí. Ao alterar critérios de distribuição dos recursos da saúde, Marcelo conseguiu destinar mais dinheiro para a saúde do Estado.

Os números falam por si: em razão das mudanças feitas por Marcelo, em 2016 o Piauí recebeu R$ 203 milhões a mais para a saúde. Só para Teresina foram R$ 85 milhões, a maior parte (R$ 60 milhões) para o HUT. Isso talvez seja parte da explicação da redução do cenário de guerra no hospital de urgência da capital.

A proximidade de Silvio Mendes com o ministro da saúde é um dos argumentos de Ciro para atrair o ex-prefeito, agora outra vez cuidando da saúde da capital. E pode ser uma boa explicação para Sílvio mudar de sigla, mesmo afirmando que não deseja ser candidato a nada em 2018.

A gestão Firmino Filho, aliás, aposta em outros bons companheiros para alavancar recursos e assegurar ações fundamentais. Um deles é o presidente da Caixa Econômica, Gilberto Occhi, também indicação do partido de Ciro. A boa relação pode assegurar recursos em diversas áreas, especialmente infreaestrururta e habitação. E os tucanos teresinenses apostam alto noutro tucano: o ministro das Cidades, Bruno Araújo. Acham que podem ter um diálogo mais fácil com o correligionário, pavimentando o caminho do dinheiro. 

Se tudo funcionar como sonham Firmino e sua equipe, Teresina pode dar um belo drible na crise que esvazia os cofres de todos, especialmente os das cidades. Por seu lado, Ciro pode ampliar seus horizontes políticos, já bastante largos.

 

PSD de Júlio César pode assegurar eleição de Maia

O PSD do deputado Júlio César pode sacramentar nesta semana a eleição sem sobressaltos de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para um novo mandato na presidência da Câmara dos Deputados. Em todos os prognósticos, Maia é o favorito na eleição que ocorre dia 1º de fevereiro. Mas há uma preocupação, sobretudo dentro do Palácio do Planalto: evitar que uma disputa acirrada gere problemas políticos, fragmentando a base parlamentar do governo Temer.

A possibilidade de confronto tem nome e sobrenome: o deputado Rogério Rosso, do PSD do Distrito Federal, em campanha agressiva nas redes sociais e também nos bastidores da política nacional. É verdade que Rosso faz mais sucesso fora que dentro do Congresso, no desejo de tomar a cadeira de Maia. Mas não são poucos os que estão reforçando a candidatura do pessedista, achando que o posto deveria caber ao chamado Centrão – base formada por um punhado der partidos conservadores, onde o PSD se destaca. 

Para o Planalto – isto é, para Michel Temer –, é aí que mora o perigo: a refrega interna pode se transformar em animosidade e divisão da base do governo. Para evitar esse conflito indesejado, Temer agiu e está contando com um apoio importante: o do ministro Gilberto Kassab, o líder do PSD de Rosso. Kassab está atuando para convencer Rosso a desistir da candidatura.

A atuação de Kassab é discreta mas intensa. A discrição é para não evidenciar o mais-que-evidente: a preferência de Temer por Rodrigo Maia. A intensidade é porque faltam apenas duas semanas para a eleição. E o ministro quer chega a um entendimento com Rosso bem antes disso, para que Rodrigo possa lançar-se oficialmente sem um adversário dentro da própria base governista.

Tão logo entre em entendimento com Rosso, Kassab deve anunciar o apoio formal do PSD à candiatura de Rodrigo Maia. E aí vem mais uma ironia da política: o PSD surgiu como uma dissidência do DEM, precisamente por conta de divergências entre Kassab e Maia. Quando houve a divergência, Rosso acompanhou o ministro. Pois bem: Kassab está com Maia, e em desacordo com Rosso.


Temer, Maia e Kassab: aliança para evitar fraturas na base parlamentar do governo

Corrupção nos presídios é rateada, diz Robert Rios


Robert Rios: crise nos presídios é resultado da soma de corrupção com descaso

 

O poder público perdeu o controle dos presídios brasileiros, totalmente dominados pelas facções e pela corrupção. Quem afirma é o deputado estadual Robert Rios (PDT), que ocupou mais de uma vez a Secretaria de Segurança do Piauí. Para ele, a corrupção é tão livre que acontece em escala: “Tem agente que cuida do tráfico de drogas, outro da entrada de celulares e outro do tráfico de sexo”, diz. A situação é tão grave que, para muito preso, é melhor morrer que estar em um presídio – afirma o deputado, utilizando-se da afirmação do ministro da Justiça, Alexandre de Morais.

Para Robert, todo o sistema prisional é um "ciclo defeituoso" onde um problema vai reafirmando outro. Ele culpa tanto o governo federal como os estados pela situação atual. “Faltou investimento no sistema”, afirma, acrescentando que a crise é o resultado de uma soma perversa de “corrupção mais descaso”.

O deputado não poupa os sindicatos do setor, numa referência específica ao Piauí. “Em todo lugar os sindicatos fortes são de setores produtivos. Aqui, sindicato forte é do setor público, que não produz nada”. Defende uma série de liberalizações nos presídios, como o uso de celular, porque certas proibições só favoreceriam a corrupção. “Se puder entrar livremente, aí acaba a corrupção”, diz. “Só não pode entrar arma”, sentencia.

Robert Rios diz que a crise tem solução, sim. “Mas vai exigir muita energia do país. A situação chegou a um nível muito grave”, afirma. A solução, no entender do deputado, passa pela humanização das prisões. “Hoje os presídios são depósitos de gente, com dignidade zero”, ressalta, acentuando a situação degradante encontrada nas casas de detenção. “O preso não pode nem defecar, a não ser espiado por dez companheiros de cela”, observa.

 

Todas as facções criminosas estão no Piauí, diz Robert

O deputado Robert Rios costuma fazer declarações que não deixam margens para dúvidas e muito espaço para a polêmica. Ao ser indagado se todas as facções criminosas estão nos presídios do Piauí, é categórico: “Sem dúvida nenhuma!”. É um sistema nacional, que funciona na ação dentro e fora dos presídios. “Estão todas aqui”, reafirma.

Indagado sobre porque a Secretaria de Justiça não admite essa presença, o deputado é outra vez contundente: “Porque todo governo é sempre tolo. Esconde a verdade como se quebrar o termômetro fosse acabar a febre”.  Ainda assim, ele defende a estrutura existente em praticamente todos os estados, com uma secretaria específica para cuidar da administração do sistema prisional. Para ele, colocar esse tema sob a responsabilidade da Secretaria de Segurança não ajudaria a solucionar o problema.

PT vai colocar Lula nas ruas como mobilização para 2018

O ex-presidente Lula vai cair em campo neste ano de 2017, preocupado com a reaglutinação e revitalização do PT, e de olho na disputa da pelo Palácio do Planalto em 2018. O apelo da volta ao poder no próximo ano é o discurso principal dessa mobilização que pretende reanimar a militância e reaproximar o partido da massa. O tiro de largada na corrida à sucessão de Michel Temer foi dado nesta semana, com o lançamento de um vídeo produzido pelo Instituto Lula.

No vídeo fartamente distribuído através das redes sociais, o líder do PT aparece fazendo academia, como quem se prepara para um novo desafio. O BG musical assinala um “estou voltando” e a assinatura da peça de propaganda não deixa margem a segundas leituras, com um diretíssimo “Lula 2018”.

O deputado estadual Cícero Magalhães acredita que a estratégia é correta porque colocará Lula no lugar onde melhor se sai. “Lula nasceu no meio do povo e é no meio do povo que ele cresce e supera as adversidades”, ressalta. Vale lembrar, Magalhães sequer é integrante da mesma tendência de Lula, dentro do PT. Esse dado só reforça a importância da estratégia que explora o lugar referencial do ex-presidente para o petismo.

A intenção do diretório nacional do PT é fazer uma espécie de Caravana da Cidadania 2.0. Para os que não lembram: a Caravana da Cidadania foi uma ação do PT que levou Lula, em 1992 e 1993, a todos os estados do país, em contato com a cidadania e registrando histórias e chamando atenção para a realidade do “Brasil profundo”. O material seria um dos trunfos da campanha de 1994 – o que acabou não acontecendo: nada pode ser utilizado pois a legislação da época só admitia na propaganda eleitoral imagens feitas em estúdio. Nada de imagem externa.

Agora, o PT quer mesmo é reencontra-se com a cidadania, reforçar a imagem do partido e revitalizar o nome do próprio Lula. Como diz ainda o deputado Magalhães, Lula é naturalmente o aglutinador do petismo. Mas as andanças do ex-presidente também buscam alcançar aqueles sem uma simpatia partidária a priori.

Ou seja: a campanha de 2018 começou pra valer.


Deputado Magalhães: fazendo a caravana particular
 

Magalhães faz caravana particular por diretórios municipais

Ao ser buscado pela coluna, em pleno sábado pela manhã, o deputado Cícero Magalhães foi encontrado em Parnaíba. A cidade do norte do estado é apenas uma das paradas do parlamentar nesses dias, em que está fazendo sua caravana particular, andando em diversos municípios.

Magalhães está mobilizando as bases do PT piauiense com as quais tem afinidade com vistas à eleição dos diretórios municipais do partido em 13 de março. Essa eleição escolherá, além dos dirigentes municipais, os delegados de cada município que 15 dias depois elegerá o presidente estadual do partido. E o deputado trabalha para ter o maior número de gelegados possível. Quer ser decisivo na escolha do novo presidente da sigla no Piauí.

Além do U-507, outros 10 submarinos do Eixo foram afundados no Brasil.

Nada menos que 11 submarinos do Eixo foram afundados em águas brasileiras, sendo 10 alemães e um italiano. O programa de submarinos alemães teve papel destacado na Segunda Guerra Mundial. Com resultados trágicos inclusive para a Alemanha.

Os submarinos alemães são identificados pela letra U, seguida de um número. A letra vem de Unterseeboat, “barco submarino” em alemão – de forma mais simplificada, um submarino é chamado de "u-boat". Na Segunda Guerra, os u-boats atacaram (basicamente no Atlântico) 2.000 navios e afundaram 14 milhões de toneladas. Mas as perdas próprias também foram enormes: dos cerca de 40 mil alemães que serviram nos U-boats, quase 35 mil morreram.

Aqui no Brasil fizeram muitos estragos, causando mais de mil mortes. Mas nas águas brasileirtas os u-boats amargaram importantes reveses. Foram 10 submarinos afundados em mares brasileiros, além do Archimede, um sumarino italiano que foi ao fundo do oceano nas proximidades de Fernando de Noronha. O primeiro foi o U-164, em 4 de janeiro. Depois foi precisamente o U-507, em águas piauienses. Todos estão essers barcos do Eixo foram a pique a boa distância da costa e a razoável profundidade.

Há registro de imagem de um único u-boat afundado no Brasil: trata-se do U-513, atacado e levado a pique no litoral de Santa Catarina. É o que está localizado mais próximo da costa, a cerca de 70 milhas (algo como 130 km). Uma expedição coordenada pela Família Schurmann localizou e filmou os restos do submarino que atacava no Atlântico Sul.

 

Os 'u-boats' eram uma latas de sardinha submarinas

O programa de submarinos da Alemanha mostrou um alto poder de fogo. Era também um inovador produto tecnológico, mas um desconforto grandioso para quem servia nessas engenhocas destruidoras. Umas latas de sardinha andando pelo oceano.

Havia alguns tipos diferentes entre os mais de 1.000 u-boats alemães. O U-507 era um submarino da classe Tipo IX-C, da qual foram produzidas 54 unidades. Tinha 76,76m de cumprimento, 6,76m de boca e 10m de altura. A área interna tinha 57,75m de cumprimento por 4,4 de altura, espaço onde se acomodavam até 54 tripulantes, às vezes acrescidos de alguns priosioneiros.

Submerso, o barco era movido por dois motores diesel de 9 cilindros, cada, com potência total de 4.400 cv. Havia ainda dois motores elétricos movidos a bateria. Os tanques de diesel carregavam 208 toneladas de combustível. A autonomia era de até 13 mil milhas. Uma curiosidade: os submarinos navegam mais tempo (e mais rápido) na superfície. Submergem em fuga ou quando vão atacar.

O poder de fogo das engenhocas alemãs incluía seis tubos lança-torpedo, quatro à frente e dois na popa, com capacidade para até 22 torpedos por missão. Para ataques na superfície, os submarinos contavam no convés com uma metralhadora antiaérea e um canhão de 105mm. Foram essas armas que levaram a vida de mais de mil brasileiros.

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