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Piauí e Europa estão mais próximos. Preços devem cair também.

Na semana passada, a Air France/KLM anunciou que Fortaleza será seu hub no Nordeste brasileiro. A notícia está sendo comemorada não apenas pelos cearenses, mas também por todos os nordestinos. Mesmo o secretário de Turismo de Pernambuco, que competia com o Ceará pela operação, celebrou a notícia. No Piauí, as redes sociais foram ao delírio com a perspectiva criada pelos piauienses de irem à Europa com mais facilidade. Mas o que esse “hub” significa mesmo? Vai realmente melhorar algo no estado?

Essas foram as perguntas feitas pelo blog para 2 conhecedores da área de aviação. O advogado Silvio Moura Fé, um amante e estudioso do setor, e Eduardo Barros, responsável pelo site PHB Airline News. Eles ajudaram a explicar que o hub abrirá mais oportunidades para o Piauí. Tanto para quem deseja embarcar, quanto para a atração de turistas.

Primeiramente, é importante explicar o que é um hub na aviação. É um local que serve como base de conexão de uma empresa entre os destinos em que ela opera. Sabe aquela parada em Brasília para ir para o sudeste? Então, Brasília é o hub. E lá no painel você vê cidades de todas as regiões do Brasil passando. Assim, vai ser Fortaleza para a Air France/KLM. Vários voos nacionais farão conexão na capital cearense antes de decolarem para a Europa.

Outros se perguntarão no que influencia isso no Piauí, já que a empresa franco-holandesa não aterrissa em nosso estado. É simples. A Air France/KLM é acionista da Gol e esta é a empresa que mais faz voos para Teresina. Logo que saiu a notícia do hub, a empresa brasileira também anunciou o aumento em 35% do número de voos para Fortaleza, com novos horários para Recife, Salvador, Belém, Manaus e Natal. Além disso, foi solicitado para Teresina um novo voo a partir de janeiro de 2018.

A perspectiva é que se reduza o tempo de viagem e os preços significativamente. Até maio do próximo ano, quando o voo inaugural será feito, de Fortaleza à Europa decolarão aviões apenas para Portugal e Alemanha. A Air France/KLM entrará em um mercado dominado fortemente pela empresa portuguesa TAP, a que mais transporta passageiros entre os continentes, e oferecerá bases diferentes.

Se isso é bom para o piauiense que vai à Europa, para o Piauí atrair mais turistas estrangeiros é melhor ainda. “As possibilidades que se abrem para o mercado receptivo são muito boas para todo o nordeste. No Piauí temos o diferencial do bom relacionamento do Parque Serra da Capivara com o governo francês”, diz Silvio Moura Fé. Eduardo Barros também está otimista, “Segundo pesquisas, o voo da Azul têm muitos turistas estrangeiros. Com esse hub, podemos atrair ainda mais pessoas”. Ele também comenta que a empresa brasileira mudou a origem de seu voo de Recife para Campinas justamente porque na cidade paulista facilita a vinda de turistas de fora do país.

Campanha #euqueroaGolemParnaíba

A notícia do hub foi algo positivo entre várias notícias negativas. Durante os últimos 2 anos, Teresina tem perdido voos e inclusive seu aeroporto é deficitário. Além disso, os aeroportos de São Raimundo Nonato e Parnaíba não conseguem fortalecer a atração nacional, apesar de terem frequências regionais com bom preenchimento de assentos.

Dias depois da notícia da Air France/KLM, a Azul deixou de vender em seu site voos de Campinas a Parnaíba para a partir do mês de abril. Assim que a informação chegou a Eduardo Barros, ele intensificou sua campanha para que a Gol desembarque no litoral piauiense. Ele já conseguiu o apoio, inclusive, de pilotos da empresa e você pode dar uma força divulgando nas mídias sociais.

Mais voos internacionais para o Norte-Nordeste

Além da notícia da Air France/KLM, a Azul e a Tam resolveram ampliar a sua oferta na região para outros países. A Azul terá saída para os Estados Unidos de Belém e Recife. Já a Tam irá ampliar a ligação da capital pernambucana com a Argentina e também com os Estados Unidos.

A americana Delta também é parceira de Gol e Air France/KLM. Seu diretor no Brasil também se mostrou positivo quanto à possibilidade de operar em Fortaleza em curto prazo. Isso ofereceria voos da capital cearense aos Estados Unidos. No entanto, ele disse que é preciso mais incentivos do governo, pois a região sofre forte concorrência com o Caribe na atração de turistas americanos.