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10 dicas para a primeira viagem à Ìndia

Não importa o quanto você leia ou pesquise sobre a Índia antes de viajar, sua primeira aventura no país mais populoso e colorido do mundo sempre será um soco no estômago. A não ser que você viaje envolvido em uma ‘bolha’ montada por alguma agência de turismo, é inevitável se ver cercado pelo caos, sujeira, pobreza, barulho, poluição, perseguições e achaques. Isso torna o país um destino ruim para se viajar? Não, isso exige que você se prepare bem e leia dicas da Índia antes de decidir embarcar. Assim como quase 100% dos viajantes ficam doentes por lá, os mesmos quase 100% são tocados pela beleza, espiritualidade e alegria do povo indiano.
‘Mas eu já viajei para capitais pobres da América Latina, não estou preparado para o que vou ver lá’? Absolutamente, não. Algumas questões são semelhantes, como os cuidados com a segurança e golpes, principalmente para as mulheres, mas em outras o buraco é bem mais embaixo. Você pode comer comida de rua na América Latina sem esperar grandes problemas, mas na Índia você pode acabar internado em um hospital – e não estamos falando de uma forma metafórica.
Você pode usar a roupa que quiser na América Latina e, no máximo, receberá um olhar torto de alguma católica da velha guarda. Na Índia, vestimentas justas ou curtas podem atrair desde comentários indecorosos ao pé do ouvido quanto despertar ofensas realmente graves se você estiver visitando um local sagrado. Falando em sagrado, lembre-se de respeitar as vacas, que são cultuadas por lá. E de levar sapatos que você possa jogar fora depois, pois onde há muitas vacas há toneladas de bosta de vaca…

Você pode caminhar por qualquer cidade da América Latina e, mesmo sendo identificado como turista, fazer seu passeio em paz. Na Índia, você não conseguirá dar dez passos sem ser abordado por pedintes, vendedores, motoristas, guias e pequenos golpistas que não só serão extremamente insistentes como chegarão às raias de persegui-lo e cercá-lo. Soa muito ruim à primeira vista, mas é só respeitar os costumes locais, ficar de olhos bem abertos e seguir algumas dicas da Índia que você não deverá ter grandes problemas. E incluirá um país único no seu currículo de viagens.

Dicas da Índia – Cuidado com dinheiro e cartões

Essa é uma máxima a ser seguida em todas as viagens, para qualquer lugar do mundo, mas especialmente em países pobres como a Índia. Não dê seu cartão de crédito ou débito para ninguém fazer pagamentos, nem o deixe à vista em cima de balcões de lojas ou mesas de restaurantes. Carregue dinheiro vivo em bolsos internos ou naquelas pochetes que ficam do lado de dentro da roupa.

Pesquise os preços das coisas antes de viajar, ou pergunte na recepção do hotel antes de sair para passear, assim você terá uma ideia se está sendo enganado ou não. Pechinche muito na hora de comprar e sempre confira o troco antes de sair da loja, restaurante ou bilheteria. Mesmo lugares oficiais, como a entrada do Taj Mahal, gostam de arrancar um dinheirinho do turista quando ele está distraído.

Dicas da Índia – Prepare-se para muitas fotos

Sendo um povo de feições únicas no mundo e de traços muito marcantes, os indianos são fascinados por tons de pele, olhos e cabelo diferentes dos deles. Isso gerou um hábito que pode parecer muito estranho em um primeiro momento: o de pedir para tirar fotos de você e com você. É claro que não é possível garantir que nunca haja segundas intenções no gesto, mas você perceberá que é uma grande diversão para eles, especialmente grupos de jovens e mulheres.

Alguns chegam a seguir você por vários minutos até terem coragem de pedir para tirar a foto, hehe. Às vezes, chamam a família inteira e até colocam o bebê no seu colo. O segredo é não se estressar e entrar na brincadeira, pedindo para tirar fotos com eles também. Se desconfiar que possa ser algo diferente, negue o pedido com educação e siga seu caminho. E nunca entregue sua câmera na mão de estranhos!
Dicas da Índia – Vista-se de forma adequada

O povo indiano é muito conservador, tanto pelos séculos de dominação árabe quanto pela religião do país, o hinduísmo. Mesmo em dias de calor extremo, você dificilmente verá indianos de bermuda, por exemplo. As mulheres, em sua grande maioria, usam trajes típicos ou vestidos longos. As que aderem aos trajes ocidentais tendem à calças compridas e camisetas. Ou seja, nada de trajes super justos, curtos, decotados ou mesmo ombros de fora.

Não existe nenhuma lei que te proíba de usar o que quiser quando for à Índia, mas tenha em mente que isso pode parecer um desrespeito aos costumes locais, especialmente se você for visitar templos ou outros pontos de cunho religioso. Para estes lugares e também para andar na rua, dê preferência a peças que cubram as pernas e os ombros. Dentro de atrações turísticas, pode tirar o casaco ou a echarpe e ficar mais à vontade.

Se for mulher e estiver viajando sozinha – ou com um grupo só de mulheres -, o cuidado deve ser redobrado. A Índia é um país onde a mulher ainda é considerada inferior e que registra muitos casos de estupro, até mesmo de turistas. Quanto mais coberta você estiver, menos olhares lascivos, sussurros ao pé de ouvido ou perigos maiores vai atrair.
Dicas da Índia – Evite abordagens na rua

Ser turista e tentar caminhar pelas ruas da Índia sozinho é praticamente uma odisseia de paciência. Identificados a quilômetros de distância só pelas roupas e tipo físico, os viajantes não costumam conseguir dar mais que 10 passos ser serem abordados por alguém com a recorrente frase ‘where are you from?’ (de onde você é?, em inglês). Essa é a deixa para tentar entabular uma conversação com você e atraí-lo para a sua loja, agência de viagens, restaurante, táxi, ‘tuk tuk’, riquixá etc.

Outros querem convencê-lo a comprar algum produto, pagar por um passeio guiado, pedir dinheiro ou mesmo tentar aplicar pequenos golpes. É claro que sempre há os que estão simplesmente conversando por pura curiosidade e que podem ser facilmente dispensados, mas são raros. A maioria é extremamente insistente e muitos chegam às raias de persegui-lo, puxá-lo pelo braço ou mesmo cercá-lo. Se tentar livrar-se deles de forma educada não funcionar, diga não de forma firme e saia andando para longe rapidamente.
Dicas da Índia – Procure um hotel com boas referências

Preço não pode ser o critério predominante na hora de escolher onde se hospedar na Índia. Evite hostels, mesmo se for um viajante super econômico, e deixe quartos compartilhados fora de cogitação. É difícil não cair na tentação, pois há muitas opções de hospedagem no país ridiculamente baratas. Mas sua prioridade deve ser procurar estabelecimentos que combinem segurança e higiene com um custo benefício razoável.

A melhor forma de fazer isso é pesquisando muito em sites de reserva de hotéis que mostrem as avaliações de outros viajantes sobre os lugares. Assim, você vai descobrir se ele é realmente limpo – pelo menos na medida do possível para a Índia -, seguro para os viajantes, se está localizado em uma boa região e se oferece serviços honestos aos turistas. É claro que, se você puder ser hospedar em grandes redes internacionais, não precisa ter essa preocupação. Já quem precisa viajar gastando pouco, deve tomar esse cuidado extra (confira nossas sugestões de onde se hospedar na Índia).
Dicas da Índia – Todo cuidado com higiene é pouco

Quase todo viajante já ouviu falar na famosa ‘Deli belly’, ou barriga de Déli em tradução livre, mais conhecida por estas bandas como ‘piriri indiano’. Embora o tom seja de brincadeira, pegar uma infecção alimentar na Índia pode virar assunto muito sério. Há casos em que o corpo recebe um choque tão grave que é preciso internação hospitalar, pois a doença simplesmente não se cura sozinha. E mesmo as que se vão por conta própria deixam seu corpo desidratado e fraco por dias, tirando todo o prazer da viagem.

Para (tentar) evitar que isso aconteça, procure um lugar com boas referências de limpeza para se hospedar, escalde seus sapatos sempre que voltar da rua, limpe as mãos com álcool gel sempre que achar necessário e não use a água da torneira para nada, nem mesmo escovar os dentes. Na rua, não coma ou beba nada que não seja industrializado ou não esteja devidamente lacrado. Só faça refeições no seu hotel ou em restaurantes indicado por ele ou por seu guia/agência de turismo. E tome cuidado onde pisa, pois ainda existe tuberculose na Índia e muitas pessoas escarram no chão.
Dicas da Índia – Respeite os costumes locais

Além da questão das roupas, que já falamos, é importante observar e respeitar outros costumes locais para não cometer gafes na sua viagem. Procure visitar templos e outros locais sagrados acompanhado de um guia ou acompanhante que conheça as regras do lugar. No Laxmi Narayan Mandir de Nova Déli, por exemplo, é proibido entrar usando sapatos ou tirar fotos. E você provavelmente terá que pagar uma propina aos seguranças para ter sua câmera de volta no fim da visita.

Já no Gurudwara Bangla Sahib, o templo sikh da capital indiana, é permitido portar câmeras, mas é preciso ficar descalço e usar uma bandana amarela na cabeça. Além disso, os casais não dão as mãos, se abraçam e muito menos se beijam em público na Índia, então não vá fazer isso você! A não ser em locais super turísticos, como o Taj Mahal. Já os homens da mesma família, sim, andam de mãos dadas, abraçados e demonstram muito carinho em público, então evite olhares de curiosidade ou estranheza.

E lembre-se de não mexer com as vacas, pois as mesmas são tão sagradas na Índia que, mesmo que uma delas pare no meio da avenida mais movimentada de Nova Déli, ninguém vai tentar tirá-la de lá para passar com seu carro. Essa é também a razão pela qual você não vai encontrar carne bovina para comer no país. Por isso, é bom também levar sapatos que você possa jogar fora depois, pois onde há muitas vacas há toneladas de bosta de vaca…
Dicas da Índia – Não viaje na época de chuva

A Índia é um dos países atingidos pelas monções, a estação de chuvas típica do sudeste asiático, de junho a setembro. Embora se espalhem aos poucos e com intensidades diferentes entre as várias regiões do país, as precipitações costumam atingir todo o território indiano no mês de julho, sendo o nordeste o lugar normalmente mais afetado. E não estamos falando de uma chuvinha à toa. As monções são responsáveis por 80% de toda a água que a Índia recebe do céu por ano.

Em 2015, inundações e deslizamentos provocadas pelas fortes chuvas deixaram mais de 180 mortos e um milhão de desabrigados. Vários rios transbordaram e causaram alagamentos, além de bloquear estradas e pontes. Não é um cenário bonito para fazer turismo, não é mesmo? Se quiser ver o céu azul reluzir sobre o Taj Mahal, já sabe quando não viajar à Índia: entre junho e setembro.
Dicas da Índia – Tenha sempre um trocado à mão

Todo indiano espera que você, como turista, pague gorjetas pelos serviços prestados. O motorista de táxi ou ‘tuk tuk’, o recepcionista do hotel, o carregador de mala, o garçom, o guia turístico, o remador do barco, o dono do elefante, o cara que tirou uma foto para você, que te deu uma informação etc etc etc. Alguns estabelecimentos proíbem tal prática entre os funcionários, mas nem sempre são obedecidos. Por isso, tenha um trocado sempre em mãos para dar e não se acanhe se ouvir que não é o suficiente. Nunca é.
Dicas da Índia – Brasileiros precisam de visto

Existem apenas 31 países no mundo que exigem visto prévio para a entrada de brasileiros em suas fronteiras, e a Índia é um deles. O documento pode ser solicitado de forma eletrônica através do site da embaixada, vale por 30 dias a partir da data de chegada na Índia, custa US$ 60 e permite uma única entrada via aeroportos no país. O pedido deve ser feito pelo menos quatro dias antes da data de desembarque na Índia e, no máximo, com 30 dias de antecedência.

O documento deve ser apresentado no momento da imigração, junto com um passaporte válido por pelo menos seis meses. Você precisa portar ainda o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, a passagem de saída do país e meios de comprovar que tem dinheiro para a viagem. Você pode conferir aqui como fazer a vacina contra febre amarela e aqui como tirar visto de turismo para Índia passo a passo.

Fonte: Blog Escolha Viajar