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Bruno Gaudêncio - Poemas

Bruno Gaudêncio - Campina Grande - PB (1985), é escritor, jornalista historiador e professor. Publicou diversos livros, destaque para Acaso Caos (Poemas, 2013, Ideia), Ariano Suassuna em Quadrinhos (Quadrinhos, 2015, Patmos), com ilustrações de Megaron Xavier e O Silêncio Branco (Patuá, 2015).Têm poemas publicados em diversas revistas e sites culturais nacionais e internacionais, a exemplo do Correio das Artes (Paraíba), Verbo 21 (Bahia), Brasileiros (São Paulo), Acrobata (Piauí), Literatas (Moçambique), Orizont Literar Contemporan (Romênia) e Samizdat (Portugal). E-mail: brunogaudencioescritor@gmail.com

 

 

O SILÊNCIO BRANCO

 

Dentro da casa

cabem sérias feridas,

 

elas falam de uma cor ausente

(um silêncio branco)

algo que dilui as retinas.

 

 

O LANÇAR DE DADOS

Para Amador Ribeiro Neto

 

Mallarmé ri

do seu próprio

lançar de dados

 

(cada ponto

uma interrogação)

 

descontinuidade imagética,

 do branco

 

dispersão semântica,

do negro

 

fissuras sintáticas,

nas margens de todas as cores.

 

 

FIOS DO INFINITO

“mesmo com Deus por companhia.

tempo gigantesco é um dia”

(Alberto da Cunha Melo)

 

Os cabelos agem

silenciosamente,

crescem cativos

nas mãos humildes do tempo

 

de tanto comerem os ventos

assoviam a liberdade.

 

 

UM ESPELHO ENTERRADO

 

“o tempo come a memória,

que se alimenta de tempo:

 

ao fim se conta a história

sem o seu dono por dentro”

(Roberval Pereyr)

 

A veracidade do eterno

morde a memória -

antecipa a angústia

dos rastros.

 

a veracidade do eterno

dissipa os sonhos –

prensa a noite

nas listas das culpas.

 

no galope do infinito

os relógios enxergam

um espelho enterrado.