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A Poesia Como Antídoto

 

De um modo geral, vejo às pessoas preferindo a emoção das desavenças e publicizando isso, do que a louvação da amizade e saudação dos valores humanistas. Me parece, que nos tempos de hoje, muitos não querem a tranquilidade e optam pela guerra (os beligerantes). Vivemos um clima de instabilidade política na marco-política, porque isso está sendo vivenciado na dimensão das políticas cotidianas. No qual, o afeto, parece valer pouco e o ódio é a bola da vez. Quem não odeia não está na moda. Disso, cada um escolhe um lado para fincar bandeiras de convicção e definir um outro, o inimigo (infiel, mentiroso, maldito, etc etc) para atirar suas verdades.

Não é nada saudável ter no círculo de amizades ou mesmo, na timeline, pessoas apoiando figuras que representam o ódio, o preconceito e a discriminação. A meu ver, o debate principal não é sobre a direita ou à esquerda, pois toda dicotomia é perigosa. O que está sendo ameaçada é a possibilidade de termos uma sociedade mais justa e equilibrada. Uma sociedade em que todos possam exercer sua liberdade de forma plena. Em que uma mãe possa amamentar seu filho(a) onde for preciso. Onde mulheres possam andar livremente sem ser assediadas e os gays, comunidade LGBT, possam desenvolver suas atividades normalmente, sem sofre nenhum tipo de constrangimento ou violência (física e simbólica). E os grupos étnicos (negos e indígenas) possam expressar sua cor e sua cultura sem sofrem precoceito. inclusive, tende acesso justo à educação e ao trabalho. 

O que está sendo ameaçado com todas as forças, por princípios reacionários e fundamentalistas, é a sociedade de direito. No momento que os grupos, historicamente excluídos, começaram a conquistar os seus direitos e a sociedade brasileira começou a “superar” os problemas da senzala, às forças retrogradas do país emergiram com a intenção de impedir os ganhos sociais que vêm sendo conquistados a custa de muitas lutas.

É bom que se ressalve, luta no Brasil é confundida com baderna e caos. Quando a LUTA é o princípio de resistência e de exercício de cidadania. A LUTA faz parte de uma democracia ativa e não passiva. A LUTA é o que fortalece uma sociedade no momento de um golpe militar ou institucional. A LUTA está no campo da dignidade dos sujeitos que resistem aos processos de silenciamento.

A ascensão da intolerância em nosso país, não é à toa. Parece ser um sentimento de época. Mas, se essa for à marca do nosso tempo, continuo resistindo com minha bandeira erguida, defendendo a utopia, o afeto e a poesia.

 

Demetrios Galvão