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Sobreviver ao Golpe

 

 “o Brasil não é para principiantes.” Tom Jobim

 

Ao final da noite de ontem, todos nós fomos dormir tendo perdido o jogo. Independente de quem ganhou a votação, não haverá alterações nas práticas políticas que permeiam a politicagem desse país. Ao longo desses dias, fomos expostos aos bastidores que compõem a política nacional. As cenas dessa minissérie de alta produção midiática reafirmou em sua trama, o que vários interpretes do Brasil expõem desde o início do século XX. A máxima de que a política, por aqui, se faz a partir de sua base familiar e dos interesses de sua clientela. Convicções e ideologias políticas ficam mesmo, só na sigla e no discurso. Na prática, o que vale mesmo é o quem dá mais.

Porém, no meio de tanto caos e sujeira, penso que não podemos perder as esperanças e a chama da utopia. Com todo o tiroteio discursivo, percebo que a balança de forças sociais esta bem equilibrada. Minha impressão é que as pessoas estão um pouco mais esclarecidas e os grupos sociais mais organizados. Quem sabe, nas próximas eleições não somos surpreendidos com vários e novos políticos eleit@s: feministas aguerridas, homossexuais ativistas, negro@s lutando contra a herança da senzala, militantes dos direitos humanos, etc etc.

Tenho chamado a atenção dos meus alun@s para esses detalhes da imagem maior. Procurado entender e interpretar as nuances que se perdem no meio do jogo pelo poder. No discurso maior, temos a disputa entre grupos políticos. Nos entremeios, várias vozes e bandeiras se levantam para discutir cidadania, democracia, direitos civis, afirmações de gênero, luta pelo meio ambiente, dentre tantos outros temas contemporâneos. Essas vozes sustentam valores plurais e são elas, as legítimas representantes de uma sociedade justa que presa pela liberdade, pelo respeito, pelo amor entre as pessoas e pela cidadania.

Nesse momento de ressaca e tensão social, a saída, talvez seja, a teia sensível dos afetos. Nós, precisamos falar a linguagem da honestidade. Fugir da retórica fácil e mentirosa. Afirmar os princípios poéticos, políticos e éticos de uma existência justa e feliz, como diriam os gregos. Nos embalar nas invenções que aclimatam nossas existências. Sigamos resistindo aos golpes institucionais, midiáticos e às rasteiras panfletárias. 

 

Demetrios Galvão