Cidadeverde.com

Régis Bonvicino - Poemas

Régis Bonvicino - Formado em Direito pela USP, em 1978, já havia publicado seu primeiro livro de poemas (Bicho Papel), em 1975, mesmo ano que estreia na imprensa, no Jornal do Arena. posteriormente, colaborou nos jornais Folha de São de São Paulo e O Estado de São Paulo.

Dirigiu várias revistas literárias entre 1975 e 1983. Em 2000, se tornando fundador e co-editor da revista de poesia e cultura "Sibila", junto com Charles Bernstein, na qual participam nomes importantes para a poesia contemporânea.

No ano de 1990, recebeu o Prêmio Jabuti  na categoria poesia com o livro “33 Poemas”. Como tradutor, foi recriador de obras de Robert Creeley e do argentino Oliveiro Girondo.

Seus poemas estão traduzidos para o francês, inglês, castelhano, catalão, dinamarquês e chinês, tendo a editora "Sun & Moon" de Los Angeles  publicado uma antologia individual de sua poesia em língua inglesa, no ano de 2000.

Dentre tantos livros, é autor de: Bicho papel (1975); Régis Hotel (1978); Sósia da cópia (1983) ; Más companhias (1987) ; 33 poema (1990) - Prêmio Jabuti de poesia; Outros poemas (1993) ; Ossos de borboleta (1996) ; Envie meu dicionário (1999) , com Paulo Leminski; Sky-eclipse (2000) , Sun & Moon, Los Angeles; Lindero Nuevo Vedado (2002), Edições Quasi, Portugal; Remorso do Cosmos (2003); Estado Crítico (2013)

 

acesse Revista Sibila

 

POEMA SÉRIO

 

Amar é verbo concreto

se conjuga úmido e ereto

na primeira pessoa do plural a sós

é o único feito de nervos

 

Prescinde de formas fixas

Sem escrúpulos

ignora o próximo

não admite pretérito perfeito

 

ou futuro de presente

Sôfrego, é feito de volts

em seu êxtase agônico,

 

semissólido

Prescinde até

desse papel anódino

 

(do livro, Estado Crítico, 2013)

 

 

POEMA NEGATIVO

 

Um poema negativo é o que se paga bônus

Sem vender livros

Respira por aparelhos críticos

Abusa da base aliada

De dia todos os gatos são pardos

O poema negativo denuncia a barbárie

Um poema negativo

Se ajusta bem ao vago

É o próprio statu quo

O poema negativo tem dobras de veludo,

Asas plissadas

E pele de cobra

Um poema negativo se masturba

Sob o sol nas dunas

O poema negativo vasculha a favela

Com os cães de Le spleen de Paris

De Charles Baudelaire

Um poema negativo

Desvia bens do lixo

É a máquina amiga

É a farsa, bem paga, do atrito.

 

(do livro, Estado Crítico, 2013)

 

 

ABRIGO CONTRA OS ABISMOS

 

Abrigo contra os abismos,

nuvens de ácido e fumaça

 

Rotação dos anéis fixos,

um arrombo de pestilos

 

É o guizo da serpente no estilo,

é ainda o bem escrito

 

E, da sublunar, a luz de Sírius,

é o verbo possuído

 

Não é liberdade sob palavra,

é liberdade atordoada

 

Não é apenas um ser de palavras,

é uma tinta encarnada,

é Baudelaire na foto de Nadar

 

São patas de uma formiga,

ou aromas recolhidos,

é a forma que exorbita os sentidos

 

(do livro, Outros Poemas, 1993)