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Jonas Pessoa do Nascimento - Poemas

 

Jonas Pessoa do Nascimento nasceu em 1965, é cearense, natural de Acaraú-CE. Atualmente mora em Brasília onde exerce as funções do magistério como Professor de Língua Portuguesa na rede oficial de educação. O poeta vem de uma longa trajetória literária. Iniciou com o soneto, passou pelo Haicai e atualmente escreve em versos brancos. Em 1993, foi premiado no Salão de Dezembro de Poesia – Prêmio José Sarney de Poesia ficando com o segundo lugar. Poeta publicou quatro livros de poesias pelo www.clubedeautores.com.br  O GRITO (2010), PEDAÇOS DA EXISTÊNCIA (2013), PALAVRAS TROCADAS (2015) e FACES DA (IN)INDIFERENÇA (2016). O poeta é forte militante nas redes sociais onde mantém a página poesia da vida. https://www.facebook.com/Jonaspessoapoeta/

 

CURVATURA

 

Metido na velhice do silêncio,

Anda-se de cabeça curvada.

A consciência exala alcaloide,

Nutre-se do pó das necessidades -

Mal maior de velhos hábitos.

Em vez de grito,

A voz se fez bonsai.

O eco - ranço do vazio dos bolsos -

É filho dos uivos dos cães -

Olhos das noites frias -

A velar dentro do vazio dos homens

Desejos proibidos de se conquistar.

Ao redor da mesa farta de ninguém,

É-se réu atrás do indulto do nada.

No subúrbio de multidões noturnas,

O broto dos valores perdidos

Busca o eco da voz sedenta de grito.

 

 

DIFERENÇAS

 

Diferente a tudo, de boina azul,

De pé, na calçada eterna da idade,

De bengala na mão, sem liberdade,

Buscando o apoio no divã de bambu.

 

O rosto dividido pelas rugas,

Alguém chega e me agarra pela mão,

O céu nublado, a tosse no pulmão,

Sem cautela para enfrentar a fuga.

 

Deus me aceitará mesmo sem ter feito

Ações de bom grado, a bordo do leito,

Flertando a vida na brecha da porta.

 

Sem equilíbrio, sem ficar de pé,

Ouvindo missa no rádio, sem fé

De correr mundos co’estas pernas mortas.

 

 

***

Os homens modernos

Sozinhos na multidão

Mascam solidão.

 

                                  

 

                                                                     Grávida do nada

                                                                     A pátria dá à luz filhos

                                                                     Despidos de esperas.

 

 

 

No vaso da intriga,

Plantou-se apenas discórdia.

Nasceu indiferença.