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Arianne Pirajá - Poemas

 

Arianne Pirajá. Sem etiquetas (esforço), sou o que sou, conterrânea desse poeta vampiro, Torquato. (Tris)Teresina, Terehell, de luz estourada e suor, muito suor. Escrevo, escrevo, escrevo. Exploro outras áreas também: pintura, ilustrações, desenhos, fotografias. Sempre na poética. Estou no blog "Cheia de céu e de inferno" e adoro visitas.

 

http://cheiadeceuedeinferno.blogspot.com.br/2016/10/voce-nao-sabe-mas.html

 

 

 

EM BALADA

 

Ontem balançamos na rede, eu e ela

Eu, nutrindo minha esperança de tranquilidade

Ela, garantindo minha desconcentração 

 

Eu empilhei os meus tormentos numa tentativa dispersa de capturá-los
Alfinetá-los
Vê-los mortos, enfim

São muitos mundos
Dentro de mim 

Enquanto concentro-me em respirar num embalo harmônico
Percebo que confundo as raízes da dor
Agonizo muito depois do golpe
Ironizo a necessidade de encasular-me
Continuo a rodar pelas imundices cotidianas
Com a vista cansada, deixo a beleza passar
E afasto o gasto impulso de chorar

Mas benza Deus! O véu desliza gentilmente à minha frente
E com o pé, interrompo o gemido da corrente 
Lembro da amiga, do bom senso nas palavras:
Tranquilidade na alma, estudo disciplinado, coração reservado
E calma

É só por estar viva que posso sangrar

 

 

SILÊNCIO IMENSIDÃO

 

Como se dentro de mim eu soubesse que só o silêncio é capaz de dizer imensidão 
Nos maquiamos em contradições, incapazes de entender (comer) a ausência de separação 
O tao do uno 
Nossas línguas vibram afoitas o medo de desaparecermos no silêncio
O medo do vazio pressentido 
E, apesar da barulheira, só há o vazio 
Apesar das notícias do mundo 
Mesmo que haja vida 
Mesmo que haja morte 
Maior que isso 
Dentro disso 
E antes disso 
Há o silêncio 
Este enorme silêncio que somos nós


 

FEROZ

 

Difícil mesmo é deixar
Abrir os dedos da mão
Respirar
Tomar a cerveja, comer o pão
Caminhar

Vejo tudo ao contrário
Os dias são vertiginosos e todas as feras cravam os dentes ao que lhes pertence

Eu, mais caracol caracujo que fera, finjo-me fera sou fera quero dentes que não tenho quero amar

quero esse ar de quem não quer nada e tem tudo dentro, mirando firme o horizonte os montes vivos

Quero um terreno tranquilo e molhado
Não silencioso mas calmo

A selvageria elegantérrima que encontro na terra não no estrume