Cidadeverde.com

Lançamento da Revista Acrobata n 6

foto: Lucas Rolim

foto do primeiro lançamento da Acrobata n 6, os editores da revista com o escritor paulo Machado.

 

Hoje, à partir das 19h, acontecerá mais um lançamento da Acrobata n 6, seguindo um circuito de apresentações da edição ao público. O lançamento será no Café da Gota Serena. A atual edição tem uma ótima entrevista com o poeta e pesquisador Paulo Machado e ilustrações da artista visual italiana Giulia Pex. Além de muita poesia, discussões sobre políticas culturais, audiovisual e literatura contemporânea. Apareçam para batermos um papo e tomar aquele café.

(O Café da Gota Serena fica na Anfrísio Lobão (X com a praça dos skatistas), em frente ao Pão de Açúcar do Jóquei.)

 

Segue um trecho da entrevista com o poeta e pesquisador Paulo Machado, como uma peque amostra.

 

Paulo, em toda a tua fala literária, há uma busca de informação no campo da história pela informação fidedigna, pesquisando no arquivo público, nos jornais, preocupado com a memória da cidade. Como tu costura a relação entre história e literatura?

Tendo nascido e vivido no centro da cidade, percebi mudanças arquitetônicas e comportamentais. As áreas de­ixavam de ser residências e as famílias ausentavam-se. Os imóveis começavam a ser modificados ou demolidos. As práticas de vidas iam sendo substituídas, num processo muito rápido. Começou a surgir, nas mídias impres­sas da época, a afirmação que “Teresina era uma cidade sem memória”. Isso me inquietou. Pode uma cidade não ter memória? E o que significa a memória de uma cidade? Fazendo essas reflexões, comecei a perceber que a memória coletiva é o somatório das memórias individuais. E que a memória coletiva, não corresponde à memória construída nos textos de história. Sabemos que toda História é uma versão, produzida por quem escreveu o texto, a partir de determinantes ideológicos. Muito da memória coletiva é excluída. Há quem afirme: “isso ocorre por esquecimento”. Mas o esquecimento é involuntário. Já o processo de ocultação, este, sim, é resultado de uma decisão. Nesse contexto, me deparei com o poema do H. Dobal, spbre Leonardo da Senhora das Dores Castelo Branco, personagem por mim desconhecido. Até hoje ele continua um desconhecido para muitos piauienses. Quais forças teriam produzido a ocultação de Leonardo? Em 1976, quando fazíamos o Jornal Chapada do Corisco, numa das discussões de pauta, foi colocada a possibilidade que editássemos pela primeira vez, no Piauí, um conto de um piauiense, que só tinha sido editado, uma única vez, em Salvador. Titulo do conto: Fogo. Autor do conto: Vitor Gonçalves Neto. Editor baiano: Pinto de Aguiar. Livro em que o conto foi editado: Contos Regionais Brasileiros, em 1951. Temática do conto: os incêndios ocorridos durante a Ditadura Vargas, na cidade de Teresina, que resultaram na morte de um número sig­nificativo de pessoas! Apopulação que morava em casas de taipa, cobertas de palha. Decidimos editar o conto Fogo, pela primeira vez no Piauí, no Jornal Chapada do Corisco. (...)