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Pacientes paraplégicos voltam a andar com ajuda de neurotecnologia



Cientistas suíços do Hospital Universitário de Lausanne e da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) desenvolveram um tratamento de estimulação elétrica epidural dirigida(EES) e terapia assistida por peso, chamada STIMO (Stimulation Movement Overground), que restaurou o movimento muscular de três pacientes com paralisia total nas pernas e que conseguiram voltar a andar. 
Usando recursos de neurotecnologia, os cientistas recorreram a um implante wireless que estimulou eletricamente as medulas espinhais dos pacientes. 

Como funciona
Os cientistas suíços Grégoire Courtine e Jocelyne Bloch explicam que foi implantado um "gerador de impulsos" com capacidades de disparo em tempo real que emitem explosões elétricas de “estimulação espacialmente seletiva”, visando regiões específicas, ligadas ao cérebro, conforme os movimentos musculares desejados. 

Os três pacientes envolvidos no projeto foram submetidos a treinamentos durante vários meses. Todos haviam sofrido sérios danos na coluna vertebral há alguns anos e passaram a caminhar de novo com o recurso desenvolvido para recuperar pacientes paraplégicos.

Um artigo sobre o projeto foi publicado na famosa revista americana "Nature" no dia 31 de outubro deste ano sob o título de Targeted "neurotechnology restores walking in humans with spinal cord injury".  O artigo está disponível para leitura mas a revista cobra o acesso. Confira mais abaixo o "abstract" do artigo.

Vídeos
Confira video com detalhes técnicos do projeto e depoimentos de cientistas e pacientes



 


Aritgo Publicado na Revista Nature
Link de acesso original: https://www.nature.com/articles/s41586-018-0649-2

*Abstract
A lesão da medula espinhal leva a déficits locomotores graves ou até mesmo à paralisia completa das pernas. Aqui introduzimos neurotecnologias direcionadas à estimulação da medula espinhal que permitiram o controle voluntário da marcha em indivíduos que haviam sofrido uma lesão na medula espinhal há mais de quatro anos e apresentavam déficits motores permanentes ou paralisia completa, apesar da extensa reabilitação. Usando um gerador de pulso implantado com capacidade de disparo em tempo real, nós fornecemos trens de estimulação espacialmente seletiva para a medula espinhal lombossacral com tempo que coincidiu com o movimento pretendido. Em uma semana, essa estimulação espaço-temporal restabeleceu o controle adaptativo dos músculos paralisados durante a caminhada no subsolo. O desempenho locomotor melhorou durante a reabilitação. Após alguns meses, os participantes recuperaram o controle voluntário sobre os músculos previamente paralisados sem estimulação e podiam andar ou pedalar em ambientes ecológicos durante a estimulação espaço-temporal. Esses resultados estabelecem uma estrutura tecnológica para melhorar a recuperação neurológica e apoiar as atividades da vida diária após a lesão medular.

* Com informações da Revista Nature e site Pplware